Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

7.9.05

Número 51 - Nova fase: 003

O 7 de setembro dos patéticos patetas

Chegamos à semana da pátria de 2005. Poderíamos, quem sabe, usar a data para uma comemoração diferente, com uma limpeza verdadeira no Congresso (afinal, lá não existiam 300 picaretas, segundo o Lula?).

Novos tempos para a política poderiam estar sendo abertos... mas não... como patetas (ou bestializados?) assistimos à apresentação de um relatório de duas CPIs, que, após investigar a corrupção nos Correios e no tão falado Mensalão...em que apenas 18 – pasmem, dezoito – patéticas excelências são apontadas à execração pública.

Mas – oh deuses olímpicos!!! – esta patacoada toda nos últimos meses, para tentar desmoralizar um partido e um governo que se diziam éticos, todo o falatório sobre compra de votos para projetos polêmicos... todo aquele show de histrionismo protagonizado por aqueles que deveriam estar fazendo algo sério, tudo isso se resume a apontar 18 excelências? Das quais talvez a metade possa ser acusada de ter recebido propinas???

Mas 9 ou 10 votos fariam tanta diferença assim???

O governo precisaria de movimentar tantos milhões em contas de agências de publicidade, envolver doleiros, contas em paraísos fiscais... para comprar APENAS 10 deputados???? Houve alguma votação tão apertada assim, que esses 10 fizeram tanta diferença??? Patético!!!E ainda temos – nós, os patetas – de agüentar um Severino falar, alto e bom som, que cassar o mandato de 18 é demais!!!!!

Quem fala isso? Leiam o artigo do Emir Sader para saber como Severino chegou lá e porque, agora, não interessa mais que ele fique!!! Está logo abaixo, no item Brasil.

Senhores deputados e senadores: vossas excelências são patéticas!!!

Povo brasileiro: nós somos uns patetas!!!

Vale a pena ler a entrevista do cientista político Wanderley Guilherme dos Santos à revista Istoé, sobre a atual crise:http://www.terra.com.br/istoe/1873/1873_vermelhas_01.htm

Também vale a pena ler, na mesma revista, uma reportagem especial, em que se procura analisar as atitudes de vários parlamentares, inclusive o presidente da Câmara, interessados em fazer a pizza sair logo do forno.http://www.terra.com.br/istoe/1873/brasil/1873_fio_navalha.htm

na revista Ciência Hoje, uma síntese do debate entre cientistas políticos que participaram do ciclo Visões da Crise, no Rio de Janeiro.http://cienciahoje.uol.com.br/controlPanel/materia/view/3576

E mais, TCU encontra indícios de esquema de desvio de recursos no IRB em 2002, ou seja, no último ano de FHC... Será que teremos a mesma divulgação desta notícia do que teríamos se fosse no governo Lula???Veja a matéria em http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u72033.shtml

Aproveitando a oportunidade, uma notícia que muito me alegrou. Minha ex-aluna Geordana Natali Rosa Requeijo defendeu sua dissertação de mestrado ontem na UFMG e foi aprovada com aplausos. O título é A historia da tuberculose em Belo Horizonte, de 1897 a 1950: uma abordagem histórico-cultural. Parabéns, Geordana!!! Em breve ela enviará um resumo da dissertação para que possamos publicar e todos ficarem sabendo das linhas mestras da pesquisa que ela fez.

Falam os amigos e as amigas

1. Professor Ricardo M. Faria, gostaria de, primeiramente, dar-lhe os parabéns pelanova fase de seu boletim, com a implantação de seu novo formato. Não é porque nós historiadores nos baseamos, de certa forma, nos fatos do passado, que não podemos utilizar algumas benesses tecnológicas propiciadas pela incansável reprodução do capital.
Em segundo lugar, gostaria de indicar a todos do BMH a página que venho mantendo para minha turma, desde o quarto período. O objetivo inicial foi o de disponibilizar material de várias naturezas (professores, alunos) para os integrantes da turma.
Gostaria de estendê-la a todos aqueles que tenham interesseem visitá-la, para de alguma maneira, se beneficiar de tudo aquilo que nela está disponível. Essa coisa de e-mail comunitário nunca funcionou para nós. Entre muitas outras coisas pode-se encontrar lá: resenhas, charges; manuais denormalização técnica, manuais de como elaborar projetos de pesquisa em história,etc. É melhor visitarem para constatarem o que há disponível.
Há também onde deixarem suas opiniões, avisos, enfim, o que quiserem escrever nomomento do acesso. Dicas são muito bem vindas.
Acesse: http://www.unibhhistoria.hpg.com.br
Visitem, comentem. Um grande abraço a todos,
Hercules P. Santos - Graduando do 8º per. História UNI-BH

Ok, Hércules. Obrigado pelos elogios e parabéns pelo site, já dei uma olhada nele. Fica o registro, para que todos os interessados possam consulta-lo!

2. Prezado Ricardo.
Em primeiro lugar quero parabenizá-lo pelo novo formato do BMH e ao mesmo tempo criticar aqueles que gostariam de mudar o nome do " nosso " ( espero que não repare o " nosso " ) BMH, pois a origem é Minas, o fundador é mineiro, ele é elaborado em Minas e além do mais qual Estado da Federação que mais se identifica com a História? portanto, mesmo que as intenções de mudar o nome sejam as melhores possíveis, não vejo motivo para faze-lo.
Um grande abraço.
Jorge Loureiro
Tudo bem... primeiro voto a favor...vamos ver se aparecem votos contrários...Um abraço!

3. Aline é minha ex-aluna, professora e grande amiga. Está passando uma temporada no Japão e me mandou um email falando de sua visita a Hiroshima e Nagasaki, exatamente nos dias em que se comemoraram os 60 anos do lançamento da bomba atômica. Leiam... é emocionante... tomei a liberdade de deixar alguns errinhos, pois entendi que a emoção deve ter atrapalhado um pouco a escrita... mas a gente percebe a emoção no texto:

Queridos, ha mais de um mês estive na estrada. Japão, Vietnam, Laos, Camboja, Tailândia, voltar ao Japão... tudo isso foi demais!! Não apenas pelos lugares nos quais estive mas, apor serem lugares com uma historia MUITO forte.... e sem sombra de duvidas,uma historia que ainda esta bem viva por lá....não tenham duvidas disso! São tantas coisas, tantas emoções vividas que vou tentar dividi-las, só não sei se vou conseguir..

Bom, comecei viajando pelo Japão, porem ao sul. Estive em Hiroshima, Nagasaki ( exclusivamente nos dias das cerimônias ao bombardeio norte-americano). Cheguei em Hiroshima, exatamente no dia 06 de agosto ( dia fatídico do bombardeio). O trem parou na estação as 7:58. O bombardeio foi as 8:15. Varias coisas me pegaram de solapão, simultaneamente, quando cheguei: primeiro, estar em Hiroshima, em especial, naquele dia. Segundo, estava um dia simplesmente maravilhoso!! Terceiro: quando foi exatamente as 8:15, ainda estava na estação buscando um lugar reservado pra fazer minha oração, ouvi sinos tocarem. Coisa que não ouvia desde quando fui a Tiradentes!!!

Acontece que ao sul, principalmente em Nagasaki, os portugueses por lá chegaram no sec, XV/XVI e consigo, trouxeram o cristianismo. Esse e o motivo de podermos encontrar igrejas católicas aqui nessa pais tão devoto ao budismo. A partir dai, vocês já viram, só parei de chorar quando pedi a conta da minha cerveja, bem mais tarde!!! E claro, que o sensacionalismo naquele dia contribuiu a um clima pesado, melancólico. Uma dor velada, calada. Isso, pra mim, foi mais difícil de entender no começo, mas hoje, consigo compreender um pouco mais. E como se eles, os japoneses, não pudessem demonstrar sua dor por aqueles dias, pela perda de seus entes queridos. Afinal, o Japão, antes desses bombardeios, muito, mas muito mesmo fizeram nos paises asiáticos, diga-se de passagem Filipinas, Koreia, Mongólia e claro, China!!

O museu da Bomba Atômica: ah! o Museu!! Sai de lá calada, alias, no chão. Muitas coisas estão expostas lá, inclusive ha uma parte do museu destinada aos coreanos (no período da 2 GM, a Koreia estava sob domínio japonês e muitos koreanos foram obrigados e virem para o Japão a trabalharem nas fabricas bélicas. Obviamente milhares deles morreram tb naquele dia).Outra coisa interessante que vi foi que no final da amostra , ao mencionar da estupidez de uma guerra, ha inclusive, uma exposição com algumas atrocidades feitas pelo Japão nesses paises asiáticos já mencionados.

O que me ARREBENTOU: os EUA, durante a Guerra, bombardeavam diariamente TODAS as cidades japonesas, especialmente Tokyo. (Pra vocês terem uma idéia, aqui em TKO, uma área que corresponde da savassi à Pampulha tornou-se algo completamente plano, sem qualquer edifício ou coisa parecida. Parecia um solo lunar). Acontece que os EUA tinham selecionado, em principio, 14 cidades-candidatas a receberem a Bomba. A. Logo depois, estas se resumiram a apenas 4. Kyoto, Kamakura (região de TkO), Hiroshima e Niigata. Mais tarde, como a administração da cidade de Kyoto, no pós-guerra, foi negociada entre o governo norte-americano, eles remanejaram os nomes dessas cidades-candidatas e assim ficou: Hiroshima, Kokura, Nagasaki e Niigata (se não estou enganada nesta ultima) . Qual era o X da questão: ver as verdadeiras conseqüências da bomba atômica que estava sendo estudada e ninguém tinha a clareza da sua real dimensão. ENTAO, diante disso, os bombardeios foram suspensos nessas cidades. Pois, os EUA queriam ter certeza que quando a bomba fosse lançada todo o estrago seria exclusivamente da bomba e não de outro tipo de bombardeio. Acontece que como essas cidades não estavam sendo bombardeadas, vocês já viram o que aconteceu: um IMENSO fluxo migratório, o pior e que era de criancas, pois as essas alturas, 1945, onde o Japão ja estava praticamente desde 1931 em guerra), a família já estava reduzida a crianças. Então, no dia 06/08, da Ilha de Guaman, o bombardeiro Enola Gay detona a primeira bomba sob Hiroshima. JUNTO COM ELE, DECOLARAM TB OUTROS DOIS BOMBARDEIROS QUE TINHAM A MISSAO DE FOTOGRAFAR...isso mesmo, fotografar !

Mas, onde eu quero chegar não e ai... acontece que no dia 09/08 ( três dias depois) os EUA autorizam o segundo bombardeio em Kokura (esta cidade seria o segundo alvo e não Nagasaki) Acontece que o bombardeiro sobrevoou Kokura por três vezes, mas COMO O DIA ESTAVA NUBLADO E POSSIVELMENTE AS FOTOS DA EXPLOSAO NAO SAIRIAM NITIDAS, O GOVERNO, SIMPLESMENTE MANDOU O PILOTO DESVIAR A ROTA E IR PRA NAGASAKI POIS LA, O CEU ESTAVA CLARO E AS FOTOS SAIRIAM VISIVEIS! Simples, né??

Queridos, ler isso, juntamente com tantas outras informações, fotos, depoimentos,...confesso-lhes, não foi um dos meus melhores momentos. Ao ponto que só de escrever, já não me sinto bem de novo!Passei três dias por lá, quando fui a Nagasaki. Outra paulada!!! Em Nagasaki, a cerimônia teve uma dimensão menor do que em Hiroshima, Quis saber o porque e acho que o problema esta na diferença entre as prefeituras e pelo fato do dia 09/08 ter caído durante a semana. O dia 06 foi em pleno final de semana. Mas, pra mim, foi mais forte ainda do que em Nagasaki. O que mais me chamava atenção, isso tb em Hiroshima, foi ver a quantidade de avós (todos sobreviventes da explosão) com os netos nos museus. A emoção era demais! Muitos, ao ver fotos, por exemplo, paravam e choravam ... choravam muito. acho que chega a ser impossível sentir o mesmo aqueles senhores naqueles dias. Ver cada velhinho pra mim, era como ver um herói. Foram os meus alvos exclusivos nas fotografias. Parecia uma doida solta no parque....Corria atrás de todos pra tirar fotos. Mas, acho que consegui algumas fotos lindas!!!


Noticias

1. Quem se formar em um cursos de educação à distância terá um certificado de mesmo valor que um estudante presencial. Assim determina o decreto de regulamentação da educação à distância no país. As regras valerão para instituições de ensino públicas e privadas que ofereçam curso superior, profissional de nível médio e educação básica de jovens e adultos. O texto deve se encaminhado ainda nesta terça-feira (30) para a Casa Civil e depois será assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Respeitadas as regras definidas no decreto, principalmente em relação ao desempenho do aluno, o diploma tem a validade nacional", destacou o ministro da Educação, Fernando Haddad, ao apresentar o texto, que regulamenta o artigo 80 da lei de Diretrizes e Bases (LDB). Para ensino superior, a medida se aplica às formações de graduação, mestrado, doutorado, especialização e seqüenciais.

2. XXIII Semana de História da Universidade de Assis (SP) de 26 a 30 de setembroXXIII Semana de História HISTÓRIA E IMAGEM: IMAGEM DA HISTÓRIA.Informações:http://www.assis.unesp.br/semanadehistoria/

3. Seminário Internacional 170 Anos da Revolução Farroupilha - O Legado de Bento Gonçalves, Garibaldi e Anita/ 130 Anos da Imigração Italianade 14 a 16 de setembro de 2005inscrições gratuitas no site: www.lasercom.jor.br

4. O Programa de Estudos Medievais (PEM) da UFRJ convida a todos para participarem da VI SEMANA DE ESTUDOS MEDIEVAIS a ser realizada nos dias 25, 26 e 27 de Outubro de 2005, no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS).Para maiores informações acessem o site: http://www.ifcs.ufrj.br/~pem/ou pelo email:pem.visem@gmail.com

5. A mostra “Encontros e Reencontros na Arte Naif: Brasil-Haiti” reúne 109 obras do acervo do Museu Internacional de Arte Naïf do Brasil (MIAN), o maior do mundo no gênero. A curadora Jacqueline Finkelstein selecionou obras que mostrassem um pouco da cultura, das festas, do folclore e da religião dos povos haitiano e brasileiro. Horários: de terça a sexta, das 10h às 21h (entrada até as 20h), sábado e domingo, das 13h às 18h (entrada até às 17h). O Museu de Arte Brasileira da FAAP fica na r. Alagoas, 903, Higienópolis. Informações: (11) 3662-71986. Era uma vez em Havana - fotografiasMaurício Nahas e Ricardo Barcellos viajaram à Cuba em fevereiro de 2005 para realizar o ensaio. São cerca de 50 fotografias onde a cidade de Havana e seus habitantes mostram sua intimidade. A curadoria é de Diógenes Moura. Horários: de terça a domingo, das 10h às 17h30. A Pinacoteca do Estado fica na pça da Luz, 2. São Paulo. Informações: (11) 3229-98447.

6. O Brasil de Marc Ferrez
Mostra exibe 300 imagens produzidas pelo carioca de origem francesa que é considerado o melhor fotógrafo brasileiro do século XIX. Especializado em paisagens, Ferrez realizou um amplo registro arquitetônico da cidade do Rio de Janeiro e de seus arredores que, junto aos retratos, são os principais temas da exposição. O Instituto Moreira Salles fica na Marquês de São Vicente, 476, Gávea. Informações: (21) 3284-7400.

Internacional

1. Globalização faz mal aos pobres (José Paulo Kupfer – Ibest)
Isso não deveria nos surpreender mais, afinal quem estuda o processo de globalização com um olhar mais crítico sabe muito bem o que ele significa, principalmente para nós... O articulista, a partir de relatório da ONU, mostra como andam as coisas para os paises pobres.

Já faz algum tempo que a economia mundial, tomada em seu conjunto, vem crescendo e, em alguns anos, com o pé no acelerador. Nem por isso, a situação das populações dos países ditos emergentes tem melhorado. Ao contrário, o fosso entre ricos e pobres – sejam pessoas, regiões ou países –, com o advento e disseminação da globalização econômica, vem se alargando dramaticamente.
Um levantamento da ONU, reunindo séries históricas de vinte anos, que acaba de sair do forno, confirma, com números alarmantes, o fato lamentável.Há uma profusão de indicadores, nas mais de 150 páginas do relatório de 2005. Coordenado pelo brasileiro Roberto Guimarães, chefe do setor de análises sociais do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais, a publicação consolida informações novas e outras nem tanto, atualizando o retrato da pobreza e da desigualdade no mundo.
Seu mérito maior é oferecer, com a chancela da ONU, uma visão de tal forma nítida e panorâmica que permite chegar, sem susto de erro, à seguinte constatação: a globalização faz mal aos pobres e acentua as desigualdades entre povos e pessoas.Não faltam dados e números para sustentar a conclusão. Mas nem é preciso ser exaustivo na análise das informações para verificar que a estrada do desenvolvimento humano em tempos globalizados leva ao precipício. Apenas cerca de 1 bilhão dos 6 bilhões de habitantes do planeta – pouco mais de 15% do total –, a esmagadora maioria nos países desenvolvidos, se beneficia dos resultados de 80% da produção mundial. Isso não justifica, mas explica por que os 20% mais ricos do mundo respondem por mais de 85% do consumo mundial, enquanto os 20% mais pobres não conseguem consumir nem 1% do que o mundo produz.
Na entrada do século 21, com todas as maravilhas e confortos da tecnologia contemporânea, é algo absolutamente inadmissível.Alguém de bom senso já disse que a globalização econômica, à semelhança de certos fenômenos naturais, como as marés e as secas, não pode ser evitada. Mas isso não significa que não possa ser controlada, como são controláveis as marés e a seca. A conclusão do estudo da ONU é que a globalização não tem sido controlada. Basta ver que, nos últimos 40 anos, período em que sobretudo a circulação financeira sem fronteiras se impôs, enquanto a renda per capita nos 20 países mais ricos praticamente triplicou, nos 20 países mais pobres não avançou um terço. Daí o abismo de 120 vezes entre os US$ 30 mil per capita de um grupo e os US$ 270 do outro.
Lembrete: no item defasagem de renda, o Brasil é o campeão mundial, com a renda per capita dos 10% mais ricos (gente com remuneração pouco acima de R$ 1 mil por mês já entra nesse grupo) superando em 32 vezes a renda dos 40% mais pobres. São pelo menos três as causas diretas da crescente concentração de renda planetária e da estagnação dos níveis de pobreza nas alturas inaceitáveis de 1,5 bilhão de seres humanos vivendo com menos de US$ 2 por dia. Uma delas remete aos problemas de acesso a bens e serviços, aí incluídos educação, saúde e segurança. Outra diz respeito à deterioração das regras de funcionamento e proteção do mercado de trabalho, aí incluído o setor público e estatal. A terceira tem a ver com a forma como tem se dado a liberalização comercial e financeira.
As questões de acesso são dramáticas, pois não se restringem a problemas de renda, embora estes sejam, obviamente, os principais. É sabido que, atualmente, a produção de alimentos no mundo seria suficiente para alimentar, dentro de padrões mínimos requeridos para uma vida saudável, a totalidade da população mundial. No entanto, o número de pessoas em situação de insegurança alimentar e fome, mesmo com a redução média no preço dos alimentos, tem crescido no mundo. São hoje mais de 850 milhões de pessoas, dos quais apenas 2% em países desenvolvidos.
Além da renda, há a barreira institucional, da qual as dificuldades de alcançar o público-alvo e as distorções dos cadastros de programas tipo bolsa-família são um exemplo suficiente.Desregulamentações e flexibilizações no mercado de trabalho também contribuem fortemente para a produção de desigualdades. Erosão salarial, redução dos postos de trabalho, enfraquecimento de leis e regulações do emprego estão gerando uma epidemia de informalidade e precariedade no trabalho. Metade do mercado de trabalho na América Latina é informal e o percentual atinge 80% na África, boa parte sobrevivendo no subemprego com subsalários.
Nos modelos de comércio em moda no mundo atual, o relatório da ONU descobre uma terceira fonte de produção de desigualdades. O comércio internacional tem evoluído com base preferencial em acordos bilaterais. A deterioração dos termos de troca, com os países mais ricos vendendo produtos e serviços de maior agregação tecnológica e comprando produtos de menor valor agregado tende a gerar um excesso de riqueza para os já ricos, em detrimento dos mais pobres. Se todo o comércio fosse global, a renda mundial cresceria, de acordo com cálculos da ONU e numa visão de conjunto, US$ 200 bilhões anuais, dos quais metade seria absorvida pelos países pobres. Com a expansão do modelo de comércio bilateral, no entanto, a estimativa é que a renda mundial anual cresça US$ 110 bilhões, integralmente absorvida pelos países ricos. Aos pobres restaria contrair dívidas em moedas fortes.

2. População pobre nos EUA cresce para 12,7% em 2004(AE)
Outro dado que sempre é ignorado pela mídia ou então relegado a colunas na página esquerda, é a outra face dos Estados Unidos, com seus milhões de pobres, a maioria, claro, formada por negros. Os números desmentem de forma bem clara os ideólogos que só enxergam a pujança do nosso big brother nortista.

A proporção de pobres nos Estados Unidos (EUA) aumentou 0,2% no ano passado, para 12,7% da população, o que equivale a 37 milhões de pessoas, 1,1 milhão a mais do que em 2003. Este foi o quarto aumento consecutivo. Pelos padrões do governo americano, a classificação de pobreza é esta: renda anual de até US$ 19.157 (R$ 45.700) para um casal com 2 filhos menores; até U$ 12.649 (R$ 30.200) para um casal sem filhos; e renda de até US$ 9.060 (R$ 21.600) para as pessoas com mais de 65 anos que vivem sozinhas.

O último declínio no nível de pobreza nos EUA ocorreu em 2000, quando chegou a 11,3% da população (31,1 milhões de pessoas). Em 2001, quando a economia entrou em recessão, a taxa foi de 11 7%. O número de indivíduos sem seguro-saúde no ano passado passou de 45 milhões para 45,8 milhões, enquanto o número de pessoas com esse seguro cresceu em 2 milhões. Charles Nelson, diretor do Censo americano, disse que a proporção de não segurados ficou estável "por causa do aumento da cobertura da rede pública, especialmente por parte do serviço Medicaid e dos programas estaduais de amparo à saúde, que compensaram o declínio do número de segurados". A renda média doméstica ficou estável em US$ 44.389 (R$ 106 mil).

Entre os grupos étnicos, os negros tiveram a menor renda média e os asiáticos, a maior. A única cidade americana com mais de 1 milhão de habitantes em que o nível de pobreza aumentou acentuadamente no ano passado foi Nova York, onde a proporção passou de 19% para 20,3%.

3. A semana que passou trouxe também a tragédia provocada pelo furacão Katrina, particularmente na cidade de New Orleans, nos Estados Unidos. As cenas apresentadas pelos telejornais eram fantasmagóricas, lembrando muito mais as guerras civis na África do que um desastre ambiental nos EUA. E, o mais surpreendente, o governo americano, tão rápido em suas ações, especialmente quando se trata de invadir algum país, foi incapaz de oferecer ajuda rápida e eficiente aos seus próprios cidadãos.Com certeza, essa demora é que fez com que grupos de negros norte-americanos começassem a vociferar contra o governo, reacendendo o fantasma das lutas raciais das décadas de 1960. Como se pode ler em noticia veiculada pela agência Reuters, “ Apesar das veementes negativas das autoridades, os problemas no resgate às vítimas do furacão Katrina alimentaram as suspeitas dos negros de que o governo norte-americano se importa mais com as vidas dos brancos ricos que com a dos negros pobres.Num país em que, segundo uma pesquisa recente, muitos negros já tendiam a acreditar ser perseguidos pelo governo, muitos perguntam se a raça da maioria das vítimas do furacão não influenciou na lentidão do resgate e na falta de preparação para o desastre.
As autoridades, que não conseguem explicar como uma tempestade prevista por especialistas há anos pôde causar tanto caos, dizem que foram simplesmente pegas de surpresa pela magnitude da tragédia, causada pelo rompimento dos diques que separam o lago Pontchartrain da cidade, que foi construída abaixo do nível do mar.Mas elas admitiram que a pobreza de grande parte das vítimas, que não tinha dinheiro para obedecer às ordens de retirada, influenciou no surgimento das imagens que os espectadores atônitos associaram muito mais a Serra Leoa que aos EUA.Essa explicação, no entanto, não foi suficiente. "Se esse furacão tivesse atingido uma região de classe média branca, no nordeste ou no sudoeste, a reação dele (do presidente George W. Bush) teria sido muito mais forte", escreveu Calvin Butts, presidente do Conselho de Igrejas da Cidade de Nova York, na edição de domingo do jornal britânico The Observer.
O rapper Kanye West foi bem mais direto num show transmitido ao vivo pela NBC na semana passada: "George Bush não liga para os negros".
Todos esses protestos fizeram o governo norte-americano se mobilizar, apesar de tardiamente. Mas a reportagem da Reuters mostra que entre os negros norte-americanos existem aqueles que consideram que a sociedade branca conspira o tempo todo para mantê-los na base da pirâmide social. Cerca de 16% dos negros acham que foi o governo norte-americano que criou a AIDS, com o único objetivo de conter a população negra.

4. O polêmico Michael Moore endereçou uma carta ao presidente Bush, tendo como matéria o furacão sobre New Orleans. A Revista NovaE publicou e nós reproduzimos:

Sr. Bush, você consegue imaginar deixar brancos nos telhados de suas casas por cinco dias?...
uma carta pública de Michael Moore para George W. Bush

Prezado Sr. Bush:Você tem alguma idéia de onde estão todos os nossos helicópteros? É o quinto dia do Furacão Katrina e milhares continuam ilhados em New Orleans a espera de resgate. Pra que lugar deste planeta você conseguiu extraviar todos os nossos helicópteros militares? Você precisa de ajuda para achá-los? Uma vez, perdi meu carro num estacionamento da Sears. Cara, foi um saco.
Outra coisa. Você tem alguma idéia de onde estariam todos os nossos soldados da guarda nacional? Nós realmente poderíamos contar com a ajuda deles agora para fazer o tipo de coisa para a qual se alistaram, como ajudar em situações de catástrofes nacionais. Por que é que eles não estavam lá quando tudo começou?Na quinta passada, eu estava no sul da Flórida. Depois de alguns instantes, o olho do Furacão Katrina passou sobre a minha cabeça. Só era um furacão de categoria 1, mas já estava bem feio. Onze pessoas morreram e até hoje havia casas sem energia elétrica.
Naquela noite, o meteorologista disse que a tempestade estava a caminho de New Orleans. Isso foi na quinta-feira! Alguém te falou alguma coisa? Eu sei que você não queria interromper as suas férias e eu sei o quanto você não gosta de receber más notícias. Ainda mais porque você tinha que comparecer a eventos e havia mães de soldados mortos para ignorar. Você sem dúvida ensinou algo a elas!
O que mais admiro no seu comportamento diante da situação é como no dia após o furacão, em vez de voar para Louisiana, você voou para San Diego para se divertir com os seus amigos empresários. Não deixe que as pessoas te critiquem por isso – afinal, o furacão já tinha passado e que diabos você poderia fazer, colocar o seu dedo no dique?
E não dê ouvidos nos próximos dias, àqueles que vão tornar público como você reduziu o orçamento do Batalhão de Engenharia do Exército de New Orleans neste verão pelo terceiro ano consecutivo. Simplesmente diga a eles que mesmo que você não tivesse cortado o dinheiro para consertar aqueles diques, não haveria nenhum engenheiro do exército para fazer o serviço. Você tinha um trabalho de construção muito mais importante para eles – CONSTRUIR A DEMOCRACIA NO IRAQUE!
No terceiro dia, quando você finalmente deixou a sua casa de campo, tenho que dizer que fiquei comovido por ter feito o seu piloto do Air Force One descer das nuvens enquanto voava sobre New Orleans para que você pudesse dar uma olhadinha na catástrofe. Epa, eu sei que você não poderia parar e pegar um alto-falante e ficar em pé sobre alguns destroços e agir como um comandante supremo. Você já esteve lá e já fez isso.
Algumas pessoas tentarão usar essa tragédia como uma arma política contra você. Simplesmente faça com que o seu pessoal não responda a nada. Principalmente àqueles cientistas enfadonhos que avisaram que isso aconteceria porque a água no Golfo do México está ficando cada vez mais quente, tornando uma tempestade como essa inevitável. Ignore todas as suas historinhas de aquecimento global. Não há nada de diferente em um furacão que foi tão amplo que seria como ter um tornado F-4 que se estendesse de Nova York a Cleveland.Sr. Bush, fique tranqüilo. Não é culpa sua o fato de 30% da população de New Orleans viver na pobreza ou de dezenas de milhares não terem transporte para sair da cidade. Cara, eles são negros ! Quero dizer, não é como se isso tivesse acontecido com Kennebunkport. Você consegue imaginar deixar brancos nos telhados de suas casas por cinco dias? Não me faça rir! Raça não tem nada – NADA – a ver com isso!
Continue firme e forte, Sr. Bush. Só tente encontrar alguns dos nossos helicópteros militares e mande-os pra lá. Finja que o povo de New Orleans e da Costa do Golfo estão próximos de Tikrit.
Michael Moore
MMFlint@aol.com
P.S. Aquela mãe irritante, Cindy Sheehan, não está mais no seu rancho. Ela e mais um monte de outros parentes de soldados que morreram na Guerra no Iraque estão agora atravessando o país, parando em várias cidades durante a viagem. Talvez você consiga encontrar com eles antes que eles cheguem a Washington D.C. no dia 21 de setembro.

Brasil

Uma semana “Severina”, se se pode falar assim. O nosso preclaro e luminar presidente da Câmara, produto maior das articulações dos tucanos e pefelistas, tornou-se o nome mais falado. Recebeu ou não recebeu uma graninha “por fora”, para garantir um determinado restaurante no Congresso? Deve ser deposto ou não? Ironicamente, ele é a garantia que Lula tem de que um processo de impeachment não seria iniciado...ele saindo, assume o vice, que é do PFL, que está a fim de tirar o Lula de lá...coisa de louco!!!

1. Severino merece ataque de Gabeira (Ricardo Setti – Ibest)01.09.2005
Esta coluna infelizmente não errou quando, a 17 de fevereiro passado, comentando a eleição de Severino Cavalcanti (PP-PE) para a presidência da Câmara dos Deputados, assinalou ser ele “certamente o parlamentar mais medíocre e apagado a ocupar o posto em muito tempo – provavelmente desde a instalação, em 1890, do Congresso Constituinte que viria a elaborar a primeira Constituição da República, a de 1891”. A assertiva, porém, era pouco.
Severino mostra claramente que se posiciona a serviço do que de pior existe na vida pública brasileira ao procurar melar a punição dos deputados envolvidos no lamaçal de corrupção produzido pelo PT e levantado pela CPI dos Correios e, ainda em menor grau, pela CPI do Mensalão, com uma passagem pela CPI dos Bingos.
Tal postura, bem como sua clara posição de considerar o caixa 2 – crime eleitoral e crime fiscal – como coisa menor, são apenas parte de uma gestão espantosa e destrambelhada à frente da casa que, segundo a Constituição, abriga os representantes do povo.Incapaz de presidir qualquer sessão da Câmara que trate de tema levemente complexo – quando, correndo, delega tarefas ao 1º vice José Thomaz Nonô (PFL-AL) –, desinformado sobre quase tudo o que importa para quem desempenha um posto como o seu, sem noção da responsabilidade que o cargo lhe impõe, carente de compostura e motivo de chacota e riso quando, fora da redoma de ouro de Brasília, aventura-se a falar a auditórios qualificados em São Paulo ou no Rio, Severino merece cada uma das palavras que lhe dirigiu, em histórico episódio protagonizado nesta terça, 30, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), transcritas na nota abaixo.
“Um desastre para o Brasil”
Gabeira falou em nome do que o compositor Chico Buarque corretamente denominou de “a alma ferida” do país. Com algumas explicações entre colchetes, vale repetir o que disse, dirigindo-se a Severino, de pé e dedo em riste:– Vossa Excelência está se comportando de maneira indigna. (...) Não posso representar [iniciar ação formal contra um colega, por alguma falta grave cometida] contra Vossa Excelência no Conselho de Ética porque sou um deputado isolado [o regimento da Câmara exige para tanto que a ação seja de iniciativa de um partido político]. Mas afirmo que Vossa Excelência está em contradição com o Brasil. A sua presença na presidência da Câmara é um desastre para o Brasil e para a imagem do país. Ou Vossa Excelência começa a ficar calado [referia-se à entrevista, cheia de barbaridades, em que Severino deixou claro à "Folha de S. Paulo" sua disposição de punir o menor número possível de deputados], ou vamos iniciar um movimento para derrubá-lo.

Bomba, bomba

Um tucano graúdo possui boa dose de nitroglicerina armazenada contra o deputado Severino Cavalcanti (PP-PE). Não se sabe até que ponto ele se dispõe a lançar mão do material explosivo caso o presidente da Câmara mantenha a disposição de fazer corpo mole na questão da cassação de mandatos de deputados envolvidos no escândalo do “mensalão”.Parte do material refere-se a histórias de uma época em que Severino era muito próximo ao ex-prefeito paulistano Paulo Maluf (PP).

2. Mais Severino: esta análise do Emir Sader é muito importante. Não deixe de ler. Foi publicada pela Agência Carta Maior:

O MUNDO PELO AVESSOE
MIR SADER 6/9/2005
Políticos descartáveis

Um ex-secretário de Estado dos EUA é o autor da famosa frase sobre o ditador Anastácio Somoza: “It’s a sun of a bitch, but it’s our son of a bitch”. No Brasil, Severino é o "Somoza" da burguesia que o elegeu. Agora que não serve mais, querem o cargo de volta.
A burguesia não tem partido, já nos ensinava Gramsci. Usa os partidos e os políticos, conforme lhe interessem em cada momento político, afim de garantir a reprodução da sua lógica de maximização dos lucros e de hegemonia dos seus valores na sociedade. Da mesma forma que o império se vale de quem cumpra com os seus desígnios. O ex-secretário de Estado norte-americano Foster Dulles, no governo Eisenhower, é o autor da famosa frase sobre o ditador Anastácio Somoza: “It’s a sun of a bitch, but it’s our son of a bitch”.
A burguesia brasileira se valeu de uma malta de aventureiros e corruptos, conforme lhe foram funcionais para derrotar a esquerda e garantir a continuidade do poder. Foi assim com Jânio Quadros, para derrotar o nacionalista general Henrique Lott. Foi assim com a ditadura militar, para derrotar a esquerda. Foi assim com Collor, para derrota a esquerda. Foi assim com Severino Cavalcanti, para impor derrota ao governo Lula.
Depois, passada a circunstância, quando já não tem mais utilidade ou caso se torne um aliado incomodo, a burguesia se desfaz dos bonecos que criou e inflou, jogando-os no lixo, até mesmo tratando de demonstrar que não tinha nada com isso, como se tivessem sido invenções da natureza ou do acaso. Foi assim com Jânio, com a ditadura militar, com Collor, e agora com Severino.
Este foi um candidato articulado pelos tucanos, com FHC na cabeça. Um Pigmaleão do mal, lançado, apoiado e votado pelos tucanos – a começar por esse ex-comunista, Alberto Goldman, que agora finge que não tem nada a ver com esse engendro. Os tucanos colocaram um vice de confiança deles, do PFL, e diziam abertamente que seria o poder atrás do trono e, caso chegasse a hora, assumiria no lugar de Severino. Ieda Crusius, Artur Virgilio, Zulaiê Cobra – todos brindavam a vitória contra o governo, elevando Severino a presidência da Câmara de Deputados.Agora se comportam como o tipo que foi pego roubando um “porco”, com o bicho nos ombros e que faz gesto de surpreso: “Tirem esse bicho daí.” As marcas digitais do crime apontam para os dedos dos tucanos.
Se a imprensa tivesse um mínimo de decência, reconstituiria os votos que elegeram a Severino e publicaria a lista, para que a cidadania pudesse saber quem joga com a republico conforme sopra o vento.Os mesmos mentores das denúncias contra a corrupção, aqueles que privatizaram o patrimônio publico a preço de banana, os mesmos que querem retornar ao poder para dar continuidade a esse processo, privatizando a Petrobras, o Banco do Brasil, a Eletrobrás, a Caixa Econômica Federal, cumprindo o compromisso que assumiram com o FMI, quando quebraram o país pela terceira vez em seu governo, são os que geraram o monstro de Severino Cavalcanti e agora querem jogá-lo na lata do lixo, de onde o tiraram, porque já lhes serviu e agora se torna aliado incômodo.
Severino sempre foi conhecido como corrupto. Mas era “their son of a bitch”, o corrupto – um dos tantos – de plantão no PSDB. Não serve mais e deve ser descartado. Outros aventureiros se candidatam a terem seus 15 minutos de glória. Como dizia o cartaz no casamento do filho de César Maia: “Não procriem”. É necessário castrar os tucanos, antes que povoem de novo o poder de Severinos.
Emir Sader, professor da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), é coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da Uerj e autor, entre outros, de “A vingança da História".

3. Um artigo instigante:
A academia abomina a condição intelectual?
Marco Aurélio Weissheimer
Ao analisar o declínio do pensamento crítico na América Latina, o sociólogo Atílio Borón defendeu uma tese provocadora: a retomada de um pensamento radical não pode se dar nos limites estritos da academia, pois esta se tornou um ambiente hostil à condição intelectual.(leia mais)

4. E tome tucanês... Já estão sabendo da grande e maravilhosa novidade que o prefeito Serra bolou para os uniformes escolares??? Leiam os dois artigos abaixo, da Agência Carta Maior:

Disputa faz primeira vítima: crianças das escolas públicas
Emir Sader - 02/09/2005
Com decisão de permitir publicidade nos uniformes escolares, José Serra quer mostrar que, com sua criatividade, pode encontrar novos espaços para estender o miserável processo de mercantilização da nossa sociedade. A análise é do colunista Emir Sader.(leia mais)

Propaganda nos uniformes escolares é "inconstitucional"
Fernanda Sucupira - Carta Maior - 02/09/2005
Especialistas dizem que idéia do prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), é inconstitucional e pode prejudicar o processo educativo das crianças, já que a propaganda tem efeito nocivo para elas, sobretudo para as mais pobres.(leia mais)

Cinema

A batalha de Argel está de volta!!!
SÉRGIO RIZZO do GUIA DA FOLHA
Não é difícil entender por que "A Batalha de Argel" (65) foi proibido durante muitos anos em diversos países, inclusive no Brasil. Ao adotar um registro documental para recriar a luta pela independência da Argélia, o diretor e roteirista italiano Gillo Pontecorvo fez uma cartilha sobre a ação política em forma de guerrilha e sobre os mecanismos da repressão que tenta sufocá-la.Embora seja ingênuo acreditar que ensine a fazer uma coisa ou outra, o filme abre parte da "caixa preta" que, hoje conhecida em detalhes, ainda não era de domínio público nos anos 60. Muito sangue correu, de 1954 a 1962, na batalha dos nacionalistas argelinos contra os colonizadores franceses. De um lado, a Frente de Libertação Nacional (FLN) adotava estratégia agressiva. De outro, militares franceses torturavam militantes da FLN e invadiam Kasbah, o bairro árabe da capital.Rodado em Argel, com facilidades oferecidas pelo governo, reverencia alguns dos heróis da independência, mas dá atenção também aos militares franceses, com destaque para o oficial que comanda a operação contra a FLN. "Por que os (Jean-Paul) Sartres estão sempre do outro lado?", pergunta ele, ao saber que o escritor publicara artigo simpático à independência argelina. Precisa responder?

Site interessante

Turismo e cultura em Minas? Não deixe de ver o site da Revista Sagarana :http://www.revistasagarana.com.br/

Livros e revistas

1. A Estrada Real, ou as Estradas Reais, são tema de artigo na Revista Ciência Hoje
Pelos caminhos do Império
Pesquisa analisa aspectos históricos e culturais da Estrada Real, em Minas Gerais
Veja na Revista de agosto, nas bancas, ou então pelo site:http://cienciahoje.uol.com.br/controlPanel/materia/view/3572

2. Um vôo pré-histórico
Pesquisadores encontram em São Paulo fósseis de aves da época dos dinossauroshttp://cienciahoje.uol.com.br/controlPanel/materia/view/3578

3. A revista Scientific American está nas bancas com o número Especial 2, dedicado a vários artigos que tratam da ciência renascentista. São 98 páginas que valem a pena ser lidas!

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