Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

17.11.09

Numero 212



A respeito de apagões e iluminados...

Pois é...tivemos um apagão de 4 (eu disse quatro) horas (eu disse horas) dia desses. Motivo? Aparentemente essa maluquice do tempo que estamos presenciando, com tempestades onde nunca existiram, tornados que pensávamos ver apenas em filmes, enfim, problemas que podem ocorrer. Aliás, ocorrem o tempo todo, no mundo inteiro.
Mas no Brasil... ah, melhor dizendo, no Brasil governado pelo Lula... a oposição, seja no Congresso, seja na mídia, não perde tempo para acusar o governo.
Eu li na semana passada que o Lula foi considerado o 33º mais poderoso do mundo, mas será que isso dá a ele meios para tal proeza? Tenho algumas dúvidas...
A imprensa, que, sabidamente, AMA o Lula de montão, não perdeu tempo. Vi a entrevista do Jornal da noite na Globo, no dia do apagão. A mesma pergunta foi feita ao assessor de Itaipu umas quatro (eu disse quatro) vezes, tentando pegar alguma contradição. A pergunta se referia ao motivo do apagão e por mais que o assessor dissesse que, a principio, se devia às tempestades e ventos muito fortes que teriam cortado as linhas de transmissão, os dois jornalistas insistiam em que ele dissesse mais uma, mais duas, mais três vezes a mesma coisa. Por que será? Uma grande capacidade investigativa, na certa....
Os jornais do dia seguinte estamparam manchetes catastróficas, mas nesse aspecto o Estado de Minas se revelou ímpar. Confiram as imagens.
























As trevas estão sobre nós...
Isso tudo, repito, porque tivemos um apagão. Não foi no país inteiro. Durou apenas 4 (eu repito: quatro) horas (também repito: horas).
Claro que me lembrei de um outro apagão, que durou meses (eu disse: meses), que atingiu o país inteiro (eu disse: o país inteiro) e não consigo me lembrar de nenhuma crítica parecida com essas tenebrosas... não me recordo de ter visto jornalistas perguntarem quatro vezes a mesma coisa para algum assessor do governo... ah...mas o presidente não era o Lula... era o FHC....
Acho que comecei a entender alguma coisa...
Afinal, o FHC era o presidente...distinto sociólogo, que, quando senador, teve um “causo” com uma jornalista da Globo, do qual resultou um filho, que hoje tem 18 anos e que, até que enfim, foi reconhecido pelo pai. E a Globo, que tem repórteres tão investigativos, em 18 anos nunca deu uma notícia a respeito...
Nem o Estado de Minas, tão zeloso da moralidade pública, jamais falou algo. Mas então, há alguma coisa errada, imoral, em um senador da República, casado, com três filhos, ter um “causo” com uma jornalista, ter um filho com ela? Acho que não... isso pertence à vida privada do indigitado senhor. Mesmo que a mãe e o filho tenham sido exportados para a Espanha... às custas de quem mesmo???? Tudo igualzinho àquele lance da filha do Lula (que não era casado quando ela nasceu) e que NUNCA iria ser levada à televisão, em horário nobre, e principalmente no calor de uma campanha eleitoral...
Ah... deixa pra lá...

Temos hoje um artigo interessante, A cidade e seus muros. Vale a pena ler.
E, como sempre, indicações de livros, de sites, algumas noticias.
Bom proveito!
Ricardo



A Cidade e seus muros


Escrito por Pe. Alfredo J. Gonçalves
(www.correiocidadania.com.br)
Celebramos o 20º aniversário da queda do Muro de Berlim. Mais que um muro que dividia em duas uma cidade, representou um mundo bipolarizado entre a União Soviética e os Estados Unidos, cada qual com seus satélites. Representou os tempos da guerra fria e de dois sistemas de produção, economia neoliberal e centralizada. Berlim voltou a ser uma cidade livre? O mundo, a circulação das pessoas e o regime democrático voltaram a ser mais livres?
Desde os primórdios do mundo moderno, novas rotas comerciais faziam florescer cidades prósperas. A partir dos séculos XII e XIII, o capitalismo mercantil opõe ao universo feudal, cerrado e autônomo por natureza, uma rede aberta de centros urbanos e interligados entre si. As mercadorias rompem as fronteiras e estabelecem novas comunicações. Os chamados "descobrimentos", nos séculos seguintes, alargam e aprofundam esses itinerários comerciais, ao mesmo tempo em que conferem maior vitalidade e poder às cidades européias.
Está pavimentado o caminho para a Revolução Industrial e para o capitalismo industrial. Os "novos ricos", ou burgueses, com o acúmulo de capital provindo do comércio, incrementam oficinas, fortalecem a potência das esquadras navais e incentivam os inventos, como a máquina a vapor, por exemplo. Tudo isso exige disponibilidade de braços para uma série de trabalhos. Numerosos servos passam a trocar a "proteção do feudo" pelos ofícios na cidade. Daí o provérbio medieval de que "o ar da cidade torna os homens livres".
Valeria esse provérbio para a urbanização brasileira? A resposta é forçosamente ambígua. Por um lado, é certo que grande parte dos rapazes e moças, como também das famílias, se livram, através da migração, do patriarcalismo e do coronelismo rurais tão arraigados em nossa trajetória histórica. Os olhos de muitos trabalhadores e trabalhadores, na passagem da zona rural para a zona urbana, se abrem para os próprios direitos e para uma série de coisas novas. Muitos fazendeiros não querem saber de contratar pessoas que já tenham passado pela experiência urbana, seja como operário ou empregada doméstica. Muitos jovens do campo também se recusam a casar com mulheres que tenham trabalhado na cidade. Alegam que não são mais virgens. A verdade é que não as conseguem mais dominar a seu gosto. Se a tradição estática é a marca do campo, o dinamismo da novidade é o oxigênio da cidade.
No campo, as pessoas nascem revestidas de uma série de convenções sociais e de obrigações que passam de pai para filho. Há uma herança tácita que passa inclusive pela religião, o que pode levar a um catolicismo infantilizado. Na cidade prevalece a tendência a uma maior liberdade de escolha. As pessoas nascem nuas e devem abrir uma picada na selva de pedra. Daí a predisposição a solidariedades mais autênticas, menos convencionais, mais amadurecidas.
Por outro lado, não raro, a liberdade do mundo urbano contém armadilhas, com freqüência leva aos becos escuros e sem saída. De fato, o conceito de liberdade difundido pela indústria do marketing e da publicidade é a de fazer o que se quer. E liberdade sem regras, sem leis, sem limites, facilmente conduz ao abismo. Que o digam os porões sórdidos da droga, do tráfico, do álcool, da prostituição e da violência! Além disso, os estímulos e apelos das "luzes e sons, cores e sabores, imagens e objetos" do mundo urbano aprisionam a não poucos num consumismo vicioso, cheio de ilusões e modismos, de verdadeira escravidão.
O fato é que as cidades de hoje, especialmente as metrópoles, estão longe de ser territórios sem muros. Estes, ainda que invisivelmente, se estendem por toda mancha urbana. Mosaico ou caleidoscópio, como preferem alguns estudiosos, a cidade reúne e justapõe diferenças que coexistem, mas raramente se integram. As diferenças podem ser de natureza sócio-econômica, como condomínios fechados ao lado de favelas; podem ser marcadas pelo víeis religioso e cultural, em que vários povos exibem seus mais variados costumes e expressões; ou de caráter autodefensivo, dando origem às tribos urbanas, aos guetos ou aos "pedaços" mais ou menos fechados e hostis. Exemplo dessa dicotomia pode ser o trânsito, onde os automóveis mais modernos e equipados trafegam lado a lado com as "carroças" de mais de 30 anos, amassadas e fumarentas, às vezes únicos meios de sobrevivência de bom número de famílias.
Mas os muros invisíveis tornam-se cada vez mais visíveis. Basta constatar os sistemas de segurança, cuja sofisticação cresce na mesma medida do medo e da segregação. Grades, cercas, câmeras, cães, alarmes e guardas noturnos multiplicam-se por toda parte. Prosperam as companhias de vigilância. Pública ou privada, a segurança investe em novos meios e tecnologia de ponta. Do lado extremo, o crime organizado não deixa por menos, investindo também em armamento pesado e no recrutamento de jovens e adolescentes cada vez mais precoces.
O ar da cidade nos torna livres? Além de poluído pelo gás carbônico, parece adensar-se, por um lado, de luzes, novidades, oportunidades mil; por outro, de medos, fobias, angústias e estresse. Fabricamos gaiolas e nos metemos dentro delas como verdadeiros prisioneiros. Enquanto o muro de Berlim dividia capitalismo e comunismo, os muros de hoje dividem pessoas, grupos, classes sociais, tribos urbanas, gangues, bairros, vizinhos. Pelo menos uma coisa parece esclarecer-se: a fronteira entre o bem e o mal passa por dentro de cada pessoa, de cada língua e de cada cultura
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Pe. Alfredo Gonçalves é assessor das pastorais sociais da CNBB.





VALE A PENA LER

Livro: A Cozinha Futurista
Autor: F.T. Marinetti e Fillía
Introdução, tradução e notas: Maria Lúcia Mancinelli
Edição: Alameda (3012-2400)
Preço: R$ 45 (283 páginas)
A Cozinha Futurista
As contradições de um receituário Futurista


Esta obra oferece aos leitores de língua portuguesa a oportunidade de entrar no espaço surpreendente da “cozinha futurista” e ali encontrar-se com os mais variados ingredientes que integram a gastronomia com as artes, com a literatura, com a política e com a cultura através da pesquisa de Maria Lúcia Mancinelli. Nesse livro, o leitor irá interagir com um século de manifestações e de movimentos intelectuais no ocidente, como “futurismo” de Marinetti que propõe mudanças, cujas intenções alcançam inovações na linguagem, nas formas, no comportamento além da presença dos textos do receituário futurista traduzidos para o português.
“A cozinha Futurista” nos revela as contradições das propostas de Marinetti. Essa análise explora as relações entre as ideias provocadores do Futurismo e as circunstâncias culturais em que foram formuladas a partir do Manifesto do Futurismo. Maria Lúcia Mancinelli nos mostra que, apesar dos princípios de caráter universal que Marinetti pretende divulgar por Europa e América, sua ambição principal é “a de transformar a cultura e a literatura italiana”.
O Modernismo brasileiro possui um espaço especial nesse minucioso estudo que busca mostrar suas convergências e muitas divergências com o Futurismo, em que o fio condutor da relação desses movimentos passa pela gastronomia. A influência de Marinetti sobre as literaturas modernas torna a publicação desta obra uma contribuição valiosa para os estudos das vanguardas do início do século XX. A sua leitura é uma experiência prazerosa para o intelecto, para os sentidos. E oferece aos interessados em literatura, em cultura brasileira e italiana, em história contemporânea um trabalho de notável qualidade que a memória não esquece. O leitor poderá comprovar.


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NAVEGAR É PRECISO

Política e a Questão Racial
por Antonio Ozaí da Silva
Considerado do ponto de vista institucional, isto é, sob a ótica do Estado, a participação política dos negros e negras foi historicamente neutralizada, ora por mecanismos de cooptação (principalmente nas regiões mais atrasadas do Brasil), ora pela repressão. O próprio movimento abolicionista realizou-se em seu nome e com objetivos colaboracionistas, colocando senhor e escravo no mesmo patamar: vítimas iguais de um mesmo sistema. Aos escravos foi negado o direito de ser agente de transformação da sua própria história. Então, veio a abolição, mas a causa da liberdade permaneceu irresoluta: ao escravo liberto não foram facultadas as condições econômicas e sociais para o usufruto da plena liberdade.

LEIA na íntegra: http://espacoacademico.wordpress.com/2009/11/15/politica-e-a-questao-racial/

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O afro-descendente e a construção do Brasil
http://www.correiocidadania.com.br/content/view/3956/9/

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Leia no Blog da Revista de Historia da Biblioteca Nacional:

Multimídia
Racismo em imagens
Campanhas e flagrantes da desigualdade racial. [ leia mais ]
Ópera: arte multimídia
A adaptação da ópera A Valquíria, clássico de Richard Wagner. [ leia mais ]
Debates presidenciais
Assista a participação de Collor nos debates de 1989. [ leia mais ]
Patrimônio em perigo
A Estação Ferroviária de Cachoeira Paulista, segunda maior do país, está literalmente caindo aos pedaços. Prefeitura da cidade tenta obter a guarda provisório do prédio, mas esbarra na burocracia. “Nossa preocupação maior é que, se houver desmoronamento, não vamos conseguir mais restaurá-lo”, diz um secretário municipal. [ leia mais ]
Blog da redação
A morte do antropólogo Levi-Strauss, obras clássicas da História por apenas dez reais, os arquivos do Conselho Ultramarino, a reconstrução virtual do muro de Berlim e as sextas-feiras 13 do regime militar. Leia isto e muito mais em nosso blog. [ leia mais ]
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Acordo sobre mudanças climáticas será difícil em Copenhague‏
Adivinhem qual país das Américas deve atingir o crescimento econômico mais rápido nesse ano? A Bolívia. O primeiro presidente indígena do país, Evo Morales, foi eleito em 2005 e assumiu o cargo em janeiro de 2006. Bolívia, o país mais pobre da América do Sul, seguiu os acordos com o FMI [Fundo Monetário Internacional] por 20 anos consecutivos e sua renda per-capita ao final desde período era mais baixa do que 27 anos antes. E o Equador tem atingido saudáveis 4,5% de crescimento durante os dois primeiros anos da presidência de Correa. O artigo é de Mark Weisbrot, do The Guardian.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16238&boletim_id=614&componente_id=10279

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Paraguai, uma nova Honduras?
Há duas semanas, foi tornado público o conteúdo de um email de um pecuarista chileno de nome Avilés, residente no Paraguai há mais de 30 anos, que propõe a arrecadação de uma contribuição financeira entre seus pares empresariais para comprar armamentos, formar milícias e identificar e matar comunistas. Do mesmo modo que ocorreu em Honduras com as pequenas reformas de Manuel Zelaya, a rançosa elite paraguaia não suporta o ex-bispo como presidente. Só um parâmetro: fazer um simples cadastro das propriedades agrícolas já é uma medida revolucionária no Paraguai. O artigo é de Pablo Stefanoni.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16237&boletim_id=613&componente_id=10263

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20 de Novembro de 2009: 20 Anos da Convenção da ONU dos Direitos da Criança
(Ariel de Castro Alves)
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&cod=42945&lang=PT

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O mito do muro
Onde está a autoridade dos EUA para falar do Muro de Berlim? No muro da morte que separa seu território dos aliados mexicanos, matando por ano os 80 caídos durante três décadas na Berlim dividida? Na base de Guantánamo, onde centenas de muçulmanos estão presos sem o devido processo legal e são sistematicamente torturados? Ou teria a Europa ocidental mais credibilidade, com sua política discriminatória contra os imigrantes? Ou ainda Israel, com o muro que construiu para separar os palestinos? O artigo é de Breno Altman.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16243&boletim_id=615&componente_id=10289






NOTICIAS


Exposição História do Brasil em quadrinhos: Proclamação da República – Curiosidades históricas e bastidores da criação do livro.
Local: Estação República do Metrô de São Paulo
Data: de 10 a 30 de novembro
Horário: de 4h40m às 00h00.

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A semana da Consciência Negra está prevista para acontecer em Pedro Leopoldo entre os dias 14/11/09 e 28/11/09.
Nesta ocasião serão realizadas atividades tais quais:
desfile da beleza negra, oficinas temáticas com apresentação e exposição dos trabalhos, encontros de guardas , capoeiristas, homenagens, missa afro, apresentações artísticas e shows.
A semana da consciência negra é uma das etapas do projeto
“Pedro Leopoldo Quebrando o Silêncio. Zumbi Vive!”,
Sendo esta uma iniciativa em prol da implementação de Políticas Públicas para a promoção da igualdade racial no município.
Desde já contamos com a divulgação de vocês e agradecemos pela força.

Chamamos atenção para a presença no domingo dia 22/11 da coordenadoria de assuntos da comunidade negra da prefeitura de Belo Horizonte - COMACOM - com a Graça Sabóia, e da apresentação do resgate histórico da comunidade quilombola de Pimentel elaborado pela historiadora Michele de Oliveira Xavier - FIPEL
Comissão do Projeto “Pedro Leopoldo Quebrando o Silêncio. Zumbi Vive!”
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Concurso para professor doutor no Departamento de Historia da USP.
Área: Teoria e Metodologia da Historia.
Inscrições abertas até 7.12.2009

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II FORUM – ANPUHSP e AGB-SP – 2009
Currículos de História e Geografia: da ditadura militar até a atualidade

Data: 05/12/2009 Horário: 13.30h às 17.30h

Local: PUCSP - Auditório: 134 C - Prédio Novo

Justificativa: Dar seqüência às discussões do I Fórum ocorrido em 17/10/2009, pois os participantes consideraram a necessidade de aprofundamento da discussão da Proposta Curricular de 2008 da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.

Objetivos: Discutir a história dos últimos currículos a partir da Ditadura Militar até o momento atual, com ênfase na proposta curricular do Estado de São Paulo de 2008, nas disciplinas HISTORIA e GEOGRAFIA.

Configuração: Exposição de Circe Bittencourt – Historia (PUCSP) e Nidia Nacib Pontuschka - Geografia (USP) seguida de debate com os professores de História e Geografia da rede pública do Estado de São Paulo e professores da PUCSP e USP.

Inscrições: ANPUH-SP anpuhsp@usp.br e AGB-SP agbsaopaulo@yahoo.com.br
Obs: 1. As inscrições são, prioritariamente, para PROFESSORES.
2. Professores de História devem fazer suas inscrições pelo e-mail da ANPUH-SP e os de Geografia pelo e-mail da AGB
3. As inscrições serão feitas até o dia 27 de novembro

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11.11.09

Número 211



Segunda feira comemoramos o 20º aniversário da queda do Muro de Berlim. Estive em um programa de televisão conversando com alunos do ensino médio a respeito da Guerra Fria e da queda do Muro.
Infelizmente, ainda temos muito desconhecimento do que significaram esses dois importantes processos da segunda metade do século XX. Mas, de uma certa maneira, é compreensível. Os alunos que lá estavam nasceram todos depois que o Muro já havia desaparecido. E só sabem dele pelos livros e pelas aulas.
Um pouco diferente de nós, mais maduros, que vimos o muro ser construído e desconstruido.
Aquilo que foi a materialização da “cortina de ferro”, ao ser derrubado, significou o fim do mundo bipolar e abriu espaço para esta “nova ordem” que estamos vendo ser gestada. A este respeito, há um interessante dossiê na Revista Espaço Acadêmico, e artigos a respeito, que indicamos na seção Navegar é Preciso. Não deixem de ler. E de criticar, claro!
Também apresentamos, a seguir, artigo de Alberto Dines, fazendo uma crítica da maneira como a imprensa noticiou o fim do Muro. O artigo foi publicado no Observatório da Imprensa.
Como de praxe, indicações de livros e revistas e noticias compõem este Boletim.
Fotografia retirada do site do Jornal Brasil de Fato


FIM DO MURO E DA CORTINA - Mídia cobriu a festa sem entender
Por Alberto Dines em 10/11/2009

A eufórica rememoração dos 20 anos da derrubada do Muro de Berlim logo seguida pelo destroçamento da Cortina de Ferro necessita de alguns contrapesos. A mera exaltação em torno de triunfos produz perigosos desvios cuja soma pode resultar na subversão dos fatos.
A mídia – internacional e brasileira – tem se mostrado exímia em simplificar os significados da derrubada daquela barreira entre as duas Alemanhas. Com as mesmas imagens, sutis manipulações lingüísticas e rememorações incompletas fabrica-se uma História virtual, reduzida, diferente da real.
A queda do muro berlinense e o fim do império soviético não significaram o fim do socialismo. Essa balela não honra uma imprensa qualificada que se pretende isenta e livre. O que caiu – de podre – foi o comunismo, sobretudo a sua versão stalinista, estúpida, sanguinária, totalitária.
O socialismo democrático, ou mais precisamente a social-democracia, não foi despedaçado a golpes de martelo e picareta em 9 de novembro de 1989. Ao contrário, forneceu o cimento de altíssima qualidade para a construção não apenas da República Federal Alemã, a Alemanha Ocidental, como do Mercado Comum Europeu na qual se alimentou e prosperou.
Mesmo quando fora do poder o Partido Social Democrático Alemão (SPD) conseguiu manter todas as características de um welfare-state, estado previdencial, rigorosamente democrático, herdeiro legítimo do humanismo da República de Weimar.
Imperiosa outra correção de caráter histórico-filológico: o liberalismo vitorioso não foi propriamente o liberalismo político, essencialmente democrático, mas o econômico (logo depois apelidado de neoliberalismo), aquele que abomina a função reguladora e social do Estado. O chanceler Helmuth Kohl representava o conservadorismo alemão, mas comparado com os congêneres de outros rincões, sobretudo o anglo-americano, poderia ser qualificado como progressista. Margaret Thatcher e George Herbert Walker Bush representavam o capitalismo agressivo, sem controles, implacável. Este mesmo capitalismo que se estatelou em 2008 e agora Barack Obama e Mikhail Gorbachev tentam consertar.
Messianismo futurista
Examinados pelo espelho retrovisor e com um intervalo de duas décadas, estes equívocos podem parecer insignificantes. Na realidade, foram os responsáveis por uma ilusão extremamente perigosa. A partir de 1989 – e mais visivelmente a partir de 1991 – o mundo foi intoxicado por um monolitismo medieval. E a mídia foi o arauto de uma diabólica arrogância que não apenas liquidou o Outro, como liquidou as noções de alternativa e alternância.
Fomos empurrados prematuramente para a era da Infalibilidade e das Certezas; o triunfalismo de 1989 não deixou lugar para as dúvidas, questionamentos e ceticismo. E a imprensa só existe, só funciona e só é necessária quando consegue vocalizar dúvidas, questionamentos e ceticismo.
O desvario da mídia brasileira começou justamente nesta época. Foi a fase da "brindologia", farta distribuição de brindes encartados nas edições de domingo. Os jornais queriam aumentar as tiragens de qualquer maneira. Perderam as referências, esqueceram os limites e os compromissos. Quem mandava era o marketing e os consultores internacionais. Foi exatamente naquele momento que desembarcou em nosso país a turma da consultoria Inovación Periodística a serviço da Universidade de Navarra e da Opus Dei.
Jornais e semanários de informação resolveram dar marcha a ré, retroceder na busca da qualidade. Uma imagem vale mil palavras, lembram-se desta bobagem? A vitória sobre o "socialismo" animou os esquartejadores: o mundo estava salvo, a informação qualificada era agora desnecessária. A felicidade e a prosperidade estavam disponíveis, universais. Dispensaram-se os correspondentes estrangeiros, enxugadas as páginas de noticiário internacional, criados os "pátios dos milagres" (páginas de medicina e saúde alimentadas por press releases da indústria farmacêutica).
As primeiras negociações para a criação do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) na Unicamp – embrião deste Observatório – datam justamente de 1993, quando o circo da mídia começou a funcionar em alta velocidade.
Naquele vale-tudo pós-Muro e pós-Cortina de Ferro, apareceram as novas tecnologias de informação, a internet, o messianismo futurista, o endeusamento dos gadgets, o culto da obsolescência. Sem clima para duvidar e sem tempo para exercitar a prudência, todos se aboletaram nas modas, ondas e bolhas.
Mundo de ontem
O Muro de Berlim resultou da vitória sobre o nazi-fascismo. Sua derrubada liquidou um dos protagonistas desta façanha, o totalitarismo de esquerda. O esfacelamento deste criou um totalitarismo vândalo, sem filiação, rotativo, fragmentário. Igualmente opressor.
Os mediadores entregaram-se à pressa e aceleraram mudanças que sequer suspeitavam. A mídia assistiu ao desmoronamento do Muro e da Cortina de Ferro sem os entender. Ao contrário da mobilização contra o terror nazi-fascista dos anos 1930 e 40, em 1989 e 1991 a mídia clicou flashes e câmeras sem perceber o que acontecia. Iludiu-se e iludiu.
O suspiro nostálgico do Eric Hobsbawm ao afirmar que o Muro de Berlim mantinha o mundo em segurança precisa ser entendido no contexto da sua Viena e do mundo de ontem. O historiador condenava o caos e o desvario que substituíram a Alemanha dividida e liquidaram os valores que a humanidade perseguiu sistematicamente ao longo de alguns milênios.
Enviado pela amiga Vânia Facury:

Bilhetes inéditos de Getulio revelam nepotismo, solidão e controle do "Última Hora"
CAIO BARRETTO BRISO
DA SUCURSAL DO RIO (Folha de São Paulo)

Bilhetes recem-descobertos da última fase no poder de Getulio Vargas (1883-1954) revelam um presidente sufocado, atento a miudezas da administração e ao comportamento da imprensa, em especial do jornal criado por Samuel Wainer para apoiá-lo ("Última Hora").
A primeira parte dos bilhetes, de 1951, foi divulgada pela Folha em 24 de agosto deste ano. Já os bilhetes de 1954, aproximadamente 200, foram encontrados em setembro, sendo de teor inédito.
De compreensão razoável, a letra de Getulio está em cada um dos quase 700 bilhetes que o presidente escreveu para seu Chefe da Casa Civil, Lourival Fontes, em 51 e 54.
Cada bilhete, em papel já amarelado pelo tempo, traz a marca do período turbulento que Getulio viveu na sua volta ao Palácio do Catete, sede do governo federal quando o Rio era a capital do país, culminando com seu suicídio.
Neles, Getulio demonstra sua insatisfação com a imprensa ("Noto que os jornais (...) não publicam os numerosos atos (...) diariamente praticados pelo Poder Executivo"), preocupação com seus discursos ("Na fala de São Paulo, é preciso cortar esse trecho onde diz que o Brasil é um país pobre"), atos de nepotismo ("A viúva do senador Salgado Filho pede interferência (...) afim de que seu sobrinho (...) não seja exonerado") e sua influência no jornal "Última Hora", de Samuel Wainer, que apoiava seu governo ("Diga ao Wainer que a edição de hoje tem muito esporte"; "Pergunte ao Wainer se os temas do Mercado Municipal e do Tribunal de Contas já estão esgotados").
Ontem de manhã, Celina Vargas -neta de Getulio- e Francisco Baptista Neto doaram os documentos ao Arquivo Nacional, no Rio. Os bilhetes foram guardados e mantidos sob sigilo desde 1967 pelo pai de Baptista Neto, o ex-governador sergipano Lourival Baptista, amigo de Fontes, que recebeu deste os documentos oficiais.
"Eles mostram um presidente atuante e atento a todos os assuntos do governo", diz Baptista Neto. "E mostram também que a ideia de que ele era um velho despreparado para governar, que a oposição tentou vender, é absurda", acrescenta Celina.
Em um dos últimos bilhetes, provavelmente um mês antes de seu suicídio, sob intensa pressão, ele desabafa: "Querem me aprisionar. Não sou prisioneiro de ninguém".

Exposição e livro
Baptista Neto, Celina Vargas e o Arquivo Nacional têm o projeto de, em um ano, montar uma exposição itinerante com todos os bilhetes e também com fotos de Getulio que integram o acervo iconográfico do Arquivo Nacional, além de editar um livro que contextualize os quase 700 bilhetes encontrados.






Entrevista com Dom Pedro Casaldáliga: ‘Podem tirar-nos tudo, menos a esperança’



Pedro Ramiro, María González Reyes e Luis González Reyes *
(www.adital.com.br)

Aos seus 81 anos, o bispo emérito da diocese de São Félix do Araguaia é um dos mais destacados representantes da Teologia da Libertação e se converteu em uma referência para a esquerda latino-americana. Há quatro décadas, desde que chegou ao Brasil para ficar, seu trabalho em defesa dos direitos dos povos indígenas e dos grupos sociais mais oprimidos, assim como seu apoio aos movimentos brasileiros de agricultores sem terra e à revolução sandinista na Nicarágua nos anos 80 fazem com que Pedro Casaldáliga seja parte fundamental da memória viva da luta pela dignidade e pela libertação dos povos na América Latina.
A meados do mês de agosto, Pedro Casaldáliga recebia um grupo de ativistas sociais do Estado espanhol em sua humilde casa de São Félix, no estado brasileiro do Mato Grosso, para refletir que "a mundialização nos deu a oportunidade de reconhecer que somos uma só humanidade. Somos todos iguais, devemos ser assim, em dignidade e em oportunidades". Assim se dava início a uma conversa em que se tratou desde a situação política do Brasil até as perspectivas atuais da Teologia da Libertação, passando pelo modelo de consumo ou os desafios da esquerda latino-americana.
Eis a entrevista.
A partir da perspectiva que o fato de continuar exercendo há muitos anos o compromisso com as pessoas mais desfavorecidas do planeta oferece, que significado tem para o senhor a solidariedade hoje?

A pergunta que se faz a partir do Primeiro Mundo é: o que nós podemos fazer? Justamente renunciar, por fim, que já é pedir muito, ao privilégio de ser Primeiro Mundo. Renunciar a essa condição excepcional de uma mínima parte da Humanidade, se a compararmos com a imensa maioria de todo o Terceiro Mundo. Estamos tentando destacar sempre que a solidariedade deixou de ser aquela solidariedade paternalista, de enviar roupas, remédios, certos recursos... Deve ser uma solidariedade que vai e que vem, muito mais concreta e muito mais exigente: damos e recebemos, para que também a própria solidariedade, além de alimentar pessoas e curar doenças, facilite e estimule a vivência da própria cultura. Porque nós ajudamos pessoas que têm uma cultura, que não são simplesmente um estômago e algumas veias, mas que são povos. Por isso, temos que procurar que a solidariedade seja constante, consciente, autocrítica, local e global: de ida e de volta.

Quando o senhor se encontrou com Fidel Castro, há 20 anos, ele afirmou que "a Teologia da Libertação ajuda na transformação da América Latina muito mais do que milhões de livros sobre o marxismo". Em que se baseia atualmente a Teologia da Libertação?
Hoje em dia, há diferentes teologias da libertação. O que se fez foi incorporar mais explicitamente temas, setores da sociedade, da vida, que antes não eram tão considerados. Foram surgindo as questões associadas aos indígenas, às mulheres, à ecologia, às crianças de rua... Agora, trata-se de uma teologia enriquecida pelas reivindicações desses grupos emergentes, e por isso a Teologia da Libertação já é muito plural em seus objetivos, sempre dentro da reivindicação da libertação. Quando pedimos libertação para o povo negro, pedimos que ele possa se sentir com orgulho negro e que não lhe seha privada a cátedra, a função pública, o governo, que não haja a segregação que ainda existe. Veja que, quando eu vim para a América Latina, há 41 anos, os negros, em sua imensa maioria, não se reconheciam como tais. Inclusive, alisavam o cabelo para que não parecesse cabelo de negro. Agora, estão recuperando seu orgulho, sua identidade. Algo parecido ocorreu com a população indígena. Quando eu cheguei ao Brasil, dizia-se que havia 150 mil índios, enquanto que hoje há um milhão. Nesta região, por exemplo, os indígenas tapirapé reconquistaram seu território, os karajá reconquistaram também uma parte de seus territórios, os xavante também... E tudo isso tem o espírito da Teologia da Libertação.
Uma das críticas que é feita à Teologia da Libertação por parte dos conservadores é de que se trata de uma teologia muito materialista, que se preocupa muito com interesses materiais, de necessidades físicas e esquece o espírito, a oração. Diante disso, eu reivindicaria três ou quatro traços que seriam indispensáveis na Igreja de Cristo: o primeiro, a opção pelos pobres; o segundo, conjugar fé e vida; o terceiro, a Bíblia nas mãos do povo; quarto, a solidariedade autenticamente fraterna.
O que permitiu que ela vingasse na América Latina?
Na América Latina, a Teologia da Libertação se desenvolveu em um momento muito oportuno: acabava de acontecer o Concílio Vaticano II, no ano de 1968, quando eu cheguei aqui - corriam ventos de mudança, as ditaduras militares tinham lugar, pelo qual o contexto foi propício para plantar pé e jogar-se à libertação. Além disso, há na América Latina uma certa unidade de continente. É o único continente que pode se chamar de pátria grande: Nossa América, como diziam os libertadores. Isso facilitou que surgisse uma teologia característicamente latino-americana.
Lembro sempre como as perseguições, os exílios, as torturas, os mártires conjugaram melhor toda a realidade latino-americana. Aqui no Brasil, às vezes, sentíamos que estávamos um pouco distantes da América Latina hispano-falante: um país muito grande, com outro idioma... Mas depois de todas essas ditaduras militares, quando se misturaram os cantos e o sangue, a América Latina é mais ela, e é ela e o Caribe. Isso sim, eu prefiro a expressão Nossa América, porque os libertadores usavam mais essa denominação: Bolívar, Martí, Sandino, Fidel...

Na Agenda Latino-americana que vocês elaboram a cada ano, que serve de trabalho para muitos ativistas do continente, vocês colocaram em 2009 o título "Para um socialismo novo". O que quer dizer esse socialismo novo?
Quem é que sabe? (risos). Se poderia dizer também esquerda, ou socialismo, mas em todo caso existem umas quantas exigências indispensáveis: primeiro, não se pode ter o lucro como objetivo; segundo, é preciso ter uma certa igualdade, níveis muito igualitários, por exemplo, nos salários de um ministro ou de um agricultor; é preciso reivindicar um intercâmbio de países de igual para igual; e finalmente não se pode aceitar que o capital se faça dono do trabalho, da economia e da própria democracia.

Como estamos vendo com o caso de Honduras, os tempos dos golpes de Estado na América Latina podem voltar?

Quem sabe... Pelo menos, na Nicarágua e no El Salvador, já não poderá haver o que houve: haverá injustiças, haverá situações complicadas, mas uma revolução muito popular não se perde por completo.
Isso sim, o fato de que um país possa ser massacrado constantemente e que não haja ninguém que possa intervir nisso dá prova de que a Humanidade está mal. O socialismo não pode aceitar a ideia do colonialismo, do imperialismo. Nesse sentido, devemos gratidão a Cuba, porque, com todos os seus pecados e seus excessos, o fato de contestar obstinadamente o império é um grande serviço para a América Latina e para o mundo. Nesse sentido, uma política mundializada poderia supor uma oportunidade global.

O senhor também vem batendo pé no problema do consumismo.

Até agora, o consumismo tem sido visto como um excesso de vaidades, que é preciso sim ter 40 pares de sapatos, duas televisões etc. Mas isso é muito mais sério: consomem-se direitos, consomem-se necessidades. Se existem 20% de pessoas e famílias que estão na situação de estar bem, que vivem na civilização do bem-estar, há 80% que não têm o fundamental. O consumismo é capitalista, e todo o ruim que o capitalismo tem o consumismo também tem. Se você comparar o que acontece quando há um terremoto no Japão e quando ocorre em Honduras, vê que, em um lugar, morrem três pessoas e no outro, duas mil. Os países do Primeiro Mundo permitem-se ir fazendo, e atrás de nós, dizem, o dilúvio. Porque o primeiro que se olha não é o mundo, é a própria casa.

Para a agenda do ano que vem, vocês propõem como lema "Salvemo-nos com o planeta".

Dentro dessa visão de globalidade, descobri por fim que o planeta é a nossa única casa. E não há modo de nos salvarmos se não salvamos o planeta. Melhor ainda: é bom lembrar que podemos acabar com os homens completamente, e o planeta seguirá. Até por egoísmo, diríamos, agora nós só nos salvamos se for com o planeta.
Criou-se uma consciência que antes não existir: a Amazônia foi praticamente descoberta, por dizer assim, nos últimos tempos. Para a Igreja, a Amazônia não existia. Houve atitudes de alguns "avançados", mais com ideias bucólicas do que políticas, que eram definidos como quixotes simpáticos, mas que não passavam disso. Ultimamente, com a globalização, diversos técnicos e cientistas lembram que a coisa é séria. E chegamos a uma postura mais política.
Frente a tudo isso, o que pode ser feito?
Deve haver um grande processo de conversão, uma mudança de mentalidade. Enquanto acreditarmos que podemos ter tudo o que queremos, não há solução. Precisamente porque a situação é global, a proposta de dar uma consciência crítica sobre a situação real deve chegar a todas as bases. Cada família tem o direito e o dever de pôr um certo limite: se por um lado o pai está em uma ONG de solidariedade e, por outro, o filho está consumindo de mãos cheias, com essa conduta estamos desmoralizando o que estamos construindo.
É bom que saiam tantas notícias em boletins informativos, para que nos demos conta do que está acontecendo. Como dizem muitos especialistas, não vai haver problemas: eles já existem hoje, e chegamos tarde, era preciso resolver as coisas anteontem. Outros, mais esperançados, dizem que ainda há tempo, que ainda podemos resolver os problemas. Só que, para isso, são necessárias políticas oficiais. Já é um gesto que uma família tenha um carro em vez de três, mas isso não resolve o problema do petróleo.

Então, onde fica a política?
Só se pode resolver o problema se há, de forma simultânea, políticas oficiais e políticas domésticas, grupais, partidárias, de associações, ONGs. Como está se dizendo muito agora, é preciso trabalhar local e globalmente. É preciso dar mais valor para a política. É preciso se meter na política, é preciso assumir a vocação política. Senão, ficamos cantando canções de protesto. A política foi desmoralizada, foi ficando nas mãos de pessoas sem consciência social nem responsabilidade. Tanto os partidos quanto os sindicatos causaram muitas decepções, mas continuam sendo válidos, mesmo que já não sejam tão hegemônicos, porque também há muitos movimentos sociais e ONGs que são muito valiosos.
As melhores ONGs são as muito politizadas: cuidam de ajudar estimulando, ajudar propiciando a ação e a formação. Deveríamos pedir que as ONGs fizessem um exame de consciência política. Porque estão ajudando, sim, mas e estruturalmente? A Igreja católica sempre fez caridade, mas, se não nos metermos nas estruturas, continuaremos com algumas que são nefastas.

A um ano das eleições gerais no Brasil, qual é a sua avaliação do governo Lula?
Lula, mesmo que quisesse, não poderia fazer um Brasil socialista. Porém, ele poderia propiciar muitos gestos que fossem rumo ao socialismo: reduzir os salários dos mais ricos e subir o dos mais desfavorecidos; facilitar oportunidades aos grupos humanos que não as tinham; pôr o trabalho acima do capital; não se entregar de corpo e alma ao agronegócio, mas sim à agricultura familiar. Podemos exportar? Claro que sim, mas não dando prioridade ao que não é prioritário. Seu lema do mandato foi: que todos os brasileiros comam uma vez por dia. Afinal, esse é um passo de protossocialismo, não?Mas há milhões que não comem todos os dias. E que chefe de Estado teve a popularidade de 80% que Lula tem agora?

Como avalia o papel dos movimentos antiglobalização, os encontros do Fórum Social Mundial e as organizações que defendem que "outro mundo é possível"?
Essa consciência mundializada nos ajuda a compreender que devemos transformar o mundo. Não vale cuidar só a própria casa e o próprio país. A utopia se torna mais possível, porque já é uma utopia com visão política, de solidariedade, com atitudes concretas. Anos atrás, quem poderia pedir um governo mundial? Hoje, falar disso já não é tão utópico. A utopia é filha da esperança. E a esperança é o DNA da raça humana. Podem tirar-nos tudo, menos a esperança fiel, como digo em um poema. Pois bem, deve ser uma esperança confiável, ativa, justificável e atuante. Por isso, a Teologia da Libertação insistiu tanto na práxis: se dizemos que Deus é amor, é preciso praticá-los; se é vida, é preciso potencializar a vida. A religião não é práxis, diziam-nos, é fé. Mas a fé sem práxis é uma quimera e também um sarcasmo. Teoricamente, a coisa é clara. Agora, na prática, vamos ver...

[Publicada em espanhol na revista Pueblos, nº 39, de setembro de 2009, e no sítio Religión Digital, 08-10-2009. A tradução é de Moisés Sbardelo].
Enviado pela colega Helena Campos:

A ANEXAÇÃO DA COLOMBIA AOS ESTADOS UNIDOS
Qualquer pessoa e medianamente informada compreende de imediato que o adoçado “Acordo Complementar para a Cooperação e a Assistência Técnica em Defesa e Segurança entre os governos da Colômbia e dos Estados Unidos”, assinado em 30 de outubro e publicado na tarde do dia 2 denovembro equivale a anexação da Colômbia aos Estados Unidos.
O acordo põe em dificuldades a teóricos e políticos. Não é honesto guardar silêncio agora e falar depois sobre soberania, democracia, direitos humanos, liberdade de opinião e outras delicias, quando um país é devorado pelo império com a mesma facilidade com que um lagartocaptura uma mosca. Trata-se do povo colombiano, abnegado, trabalhador e lutador. Procurei no longo calhamaço uma justificação digerível e não encontrei razão alguma.
Nas 48 páginas de 21 linhas, cinco são dedicadas a filosofar sobre os antecedentes da vergonhosa absorção que torna a Colômbia em território de ultramar. Todas se baseiam nos acordos assinados com os Estados Unidos após o assassinato do prestigioso líder progressista JorgeEliécer Gaitán no dia 9 de abril de 1948 e a criação da Organização de Estados Americanos em 30 de abril de 1948, discutida pelos Chanceleres do hemisfério, reunidos em Bogotá sob a batuta dos Estados Unidos nos dias trágicos em que a oligarquia colombiana truncou a vida daqueledirigente e desatou a luta armada nesse país.
O Acordo de Assistência Militar entre a República da Colômbia e os Estados Unidos, no mês de abril de 1952; o vinculado à “uma Missão do Exército, uma Missão Naval e uma Missão Aérea das Forças Militares dos Estados Unidos”, assinado no dia 7 de outubro de 1974; a Convenção dasNações Unidas contra o Tráfico Ilícito de Entorpecentes e Substâncias Psicotrópicas, de 1988; a Convenção das Nações Unidas contra a Criminalidade Organizada Multinacional, de 2000; a Resolução 1373 do Conselho de Segurança de 2001 e a Carta Democrática Interamericana; a de Política de Defesa e Segurança Democrática, e outras que são invocadas no referido documento. Nenhuma justifica transformar um paísde 1 141 748 quilômetros quadrados, situado no coração da América do Sul, em uma base militar dos Estados Unidos. A Colômbia tem 1,6 vezes o território de Texas, segundo Estado da União em extensão territorial, arrebatado ao México, e que mais tarde serviu de base para conquistar a sangue e fogo mais da metade desse irmão país.
Por outro lado, transcorreram já 59 anos desde que soldadoscolombianos foram enviados até a longínqua Ásia para combaterem junto às tropas ianques contra chineses e coreanos no outubro de 1950. O que o império tenta agora é enviá-los a lutar contra seus irmãos venezuelanos, equatorianos e outros povos bolivarianos e da ALBA paradestruir a Revolução Venezuelana, como tentaram fazer com a Revolução Cubana no mês de abril de 1961.
Durante mais de um ano e meio, antes da invasão, o governo ianque promoveu, armou e utilizou os bandos contra-revolucionários do Escambray, como hoje utiliza os paramilitares colombianos contra a Venezuela.Quando o ataque de Bahia dos Porcos, os B-26 ianques tripulados por mercenários que operaram desde a Nicarágua, seus aviões de combate eram transportados para a zona das operações num porta-aviões e os invasores de origem cubana que desembarcaram naquele ponto vinham escoltados por navios de guerra e pela infantaria de marinha dosEstados Unidos. Hoje seus meios de guerra e suas tropas estarão na Colômbia não apenas como uma ameaça para a Venezuela senão para todos os Estados da América Central e da América do Sul.
É verdadeiramente cínico proclamar que o infame acordo é uma necessidade de combate ao tráfico de drogas e ao terrorismo internacional. Cuba tem demonstrado que não é preciso a presença de tropas estrangeiras para evitar a cultura e o tráfico de drogas e para manter a ordem interna, apesar de que os Estados Unidos, a potênciamais poderosa da terra, promoveu, financiou e armou durante dezenas de anos as ações terroristas contra a Revolução Cubana.
A paz interna é uma prerrogativa elementar de cada Estado; a presença de tropas ianques em qualquer país da América Latina visando esse objetivo é uma descarada intervenção estrangeira em seus assuntos internos, que inevitavelmente provocará a rejeição de sua população.
A leitura do documento demonstra que não apenas as bases aéreas colombianas são postas nas mãos dos ianques, mas também os aeroportos civis e no fim das contas, qualquer instalação útil a suas forças armadas. O espaço radioelétrico fica também à disposição desse país portador doutra cultura e de outros interesses que não têm nada a ver com os da população colombiana.
As Forças Armadas norte-americanas gozarão de prerrogativas excepcionais.Em qualquer parte de Colômbia os ocupantes podem cometer crimes contra as famílias, os bens e as leis colombianas, sem ter que responder perante as autoridades do país; a não poucos lugares levaram os escândalos e as doenças, como o fizeram com a base militar de Palmerola, nas Honduras. Em Cuba, quando visitavam a neocolônia, sentaram-se escarranchados sobre o colo da estátua de José Martí noParque Central da capital. A limitação vinculada ao número total de soldados pode ser alterada a pedido dos Estados Unidos, sem restrição alguma. Os porta-aviões e navios de guerra que visitem as bases navais concedidas terão quantos tripulantes precisarem, e podem ser milhares em um só de seus grandes porta-aviões.
O Acordo será prorrogado por períodos sucessivos de 10 anos e ninguém pode alterá-lo senão no fim de cada período, comunicando-o com um ano de antecedência. O que farão os Estados Unidos se um governo como o de Johnson, Nixon, Reagan, Bush pai ou Bush filho e outros semelhantesrecebesse a solicitação de abandonar Colômbia? Os ianques foram capazes de derrocar dezenas de governos em nosso hemisfério. Quanto duraria um governo na Colômbia se anunciasse tais propósitos?
Os políticos da América Latina têm agora perante si um delicado problema: o dever elementar de explicar seus pontos de vista sobre o documento de anexação. Compreendo que o que acontece neste instante decisivo das Honduras ocupe a atenção dos meios de divulgação e dos Ministros das relações Exteriores deste hemisfério, mas o gravíssimo etranscendente problema que acontece na Colômbia não pode passar inadvertido para os governos latino-americanos.
Não tenho a menor dúvida sobre a reação dos povos; sentirão o punhal que se crava no mais profundo de seus sentimentos, especialmente no profundo da Colômbia: eles opor-se-ão, jamais se resignarão a essa infâmia!O mundo encara hoje graves e urgentes problemas. A mudança climática ameaça a toda a humanidade. Líderes da Europa quase imploram de joelhos algum acordo em Copenhague que evite a catástrofe. Apresentam como realidade que na Cúpula não se alcançará o objetivo de um convênio que reduza drasticamente a emissão de gases estufa. Prometem continuar a luta por consegui-lo antes de 2012; existe o risco real de que não se possa conseguir antes que seja demasiado tarde.
Os países do Terceiro Mundo reclamam com razão dos mais desenvolvidos e ricos centenas de milhares de milhões de dólares anuais para custear as despesas da batalha climática.Tem algum sentido que o governo dos Estados Unidos dedique tempo e dinheiro na construção de bases militares na Colômbia para impor aos nossos povos sua odiosa tirania? Por esse caminho, se um desastre ameaça o mundo, um desastre maior e mais rápido ameaça o império e tudo seria resultado do mesmo sistema de exploração e saqueio doplaneta.
Fidel Castro Ruz
6 de novembro de 2009
Só para relembrar...
VALE A PENA LER


Capitalismo e modernidade no Brasil

Na melhor tradição do pensamento social brasileiro, o livro "Capitalismo tardio e sociabilidade moderna", de João Manuel Cardoso e Fernando Novais, destaca como ao mesmo tempo em que criávamos condições para o nascimento e o desenvolvimento do capitalismo, impúnhamos obstáculos para o florescimento e a consolidação da modernidade no país. Esse pequeno ensaio sobre a modernidade brasileira reúne o método crítico de um historiador reconhecido por sua habilidade em clarificar a nossa herança mercantil e a perspectiva analítica de um economista conhecido por sua destreza em esclarecer o nosso fado industrial. A resenha é de William Vella Nozaki.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16231&boletim_id=612&componente_id=10246

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Revista de História da Biblioteca Nacional, nº 50.

Dossiê: 120 anos de República. Por onde ela anda?
Entrevista: Paulo Brossard
Artigos principais:
Nacionalismo literário – Escola mais justa – Beatas do além – Especial Nova República: Rumo ao Planalto – O poder das gírias – João da Baiana e sua crítica musical.





NAVEGAR É PRECISO


A Revista Espaço Acadêmico, edição nº 102, novembro de 2009, foi publicada.
Leia neste número: DOSSIÊ: 20 ANOS DA QUEDA DO MURO DE BERLIM e mais os artigos dos colunistas e autores-colaboradores.
Uma novidade desta edição é a seção "Teses & Dissertações", com o objetivo de divulgar e compartilhar as pesquisas dos autores e colaboradores da REA. Envie a sua!
http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/issue/current/showToc

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O MURO, 20 ANOS
Os trapalhões e o Muro de Berlim
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=563JDB002
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20 anos
Um muro que caiu sobre a esquerda
Renato Godoy de Toledo
http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/internacional/um-muro-que-caiu-sobre-a-esquerda

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Uma mensagem a todos os membros de Cafe Historia
Saiba mais sobre o instituto que promete renovar as discussões sobre um dos principais nomes da política brasileira do século XX.
E mais:20 anos da queda do Muro de Berlim
Visite Cafe Historia em: http://cafehistoria.ning.com

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Os EUA e a incerteza em Honduras
É difícil prever o que vai acontecer em Honduras depois do acordo. Na aparência, ele sequer impõe a volta do presidente constitucional Manuel Zelaya, cujo mandato foi capado em mais de quatro meses. O retorno era ponto de honra não só para os partidários de Zelaya, mas para a Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a comunidade internacional, até porque nenhum país reconheceu o regime do golpista Roberto Micheletti. O artigo é de Argemiro Ferreira.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16232&boletim_id=612&componente_id=10245
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‘Governo remove qualquer possibilidade histórica de frear agronegócio’
Escrito por Gabriel Brito e Valéria Nader
http://www.correiocidadania.com.br/content/view/3937/9/

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Leonardo Boff ante a Conferência sobre o Clima (Copenhague): “A Terra não agüenta”
(Sergio Ferrari)
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&cod=42776&lang=PT

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Belo Monte
Indígenas anunciam confronto caso seja aprovada a hidrelétrica
O aviso está em uma carta enviada a Lula por indígenas de pelo menos 15 etnias diferentes. O documento também foi encaminhado ao presidente da Funai
http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/indigenas-anunciam-confronto-caso-seja-aprovada-a-hidreletrica-de-belo-monte








NOTICIAS

A Universidade Vale do Rio Doce - UNIVALE abre edital de seleção de professores para o Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Gestão Integrada do Território (Mestrado aprovado pela Capes). É oferecida uma vaga para cada área:
1. Direito – 01 vaga (Doutorado em Direito)
2. História - 01 vaga (Doutorado em História Cultural ou História Social com ênfase em Cultura)
3. Economia – 01 vaga (Doutor em Economia, História Econômica ou Demografia)
O candidato selecionado será admitido para exercer atividades de pesquisa e docência (graduação e pós-graduação), além de outras atividades inerentes a vida acadêmica.
Inscrição até o dia 30/11//2009.
Endereço: www.univale. br.









3.11.09

Numero 210




A Pós-Graduação e a mais-valia é o primeiro dos artigos de fundo deste número do Boletim. Em seguida, algo que os adeptos da teoria da conspiração vão adorar: a CIA adquiriu o controle de uma empresa que monitora o Twitter, os blogs, o Youtube e até a Amazon! E em terceiro lugar, uma colaboração que fala sobre os acontecimentos em Honduras.
Um livro importante é indicado: As Grandes Depressões.
Nos links, Minas Gerais aparece em dois; o caso da universitária paulista em outros dois; os outros são: Picadinho à la Nobel da paz; as novidades do Café Historia; a Venezuela no Mercosul; a ONU vota mais uma vez pelo fim do embargo a Cuba; a mulher de Gilmar Mendes vai trabalhar com Daniel Dantas; Juanita Castro e o passado sinistro do Itamaraty; um réquiem para FHC.
Nas Noticias, curso sobre África, concurso para professor substituto no CEFET-MG e o I Encontro de Ciências Humanas da UFVJM, em Diamantina.
E, finalizando, o Informe deste mês da ANPUH, inclusive com a nova diretoria, eleita em Fortaleza para o biênio 2009-2011.





A Pós-Graduação e a mais-valia
Flávio R. L. Paranhos*

“Dedico esse momento ao meu amigo Fulano, que é engenheiro, e sempre me provocou dizendo que doutor é quem tem doutorado”
Pós-graduando, ao saber da aprovação de sua tese de doutorado.
Uma medida tomada recentemente por uma empresa de seguros de saúde é, ao mesmo tempo, alvissareira e triste. Estabelece regras para o ganho do médico, valorizando aspectos como: formado há mais de dez anos, residência, especialização, mestrado, doutorado e docência. Quanto aos três primeiros, não há qualquer sombra de dúvida de que são indicadores de maior experiência e melhor formação e preparo profissionais. Mas será que isso vale também para mestrado e doutorado? Não. O mestre/doutor é necessariamente melhor médico do que o que não possui esses títulos? Não.
O que significa, então, para o médico ter mestrado/doutorado? Significa, na melhor das hipóteses, que se trata de uma pessoa com grande interesse em ensino e/ou pesquisa. Digo “na melhor das hipóteses” porque, infelizmente, há uma infinidade de outros motivos menos nobres para almejar esses títulos. Vaidade e marketing pessoal, para começo de conversa. Galgar posições políticas em sociedades médicas, subir na carreira universitária, melhorar o salário, etc.
Um erro grosseiro que se vem cometendo sistematicamente, e, o que é pior, encarado de forma natural, é a valorização cega e obsessiva dos títulos de mestre e doutor pelos meios oficiais de fomento à educação. Se determinada universidade tem mais mestres/doutores, é melhor conceituada, recebe mais atenção, enfim, mais dinheiro. Em conseqüência, temos universidades tradicionais tratando de garantir que seus próprios quadros abocanhem logo o título, e professores sem a menor vocação para a pesquisa sendo obrigados a enfrentar os cursos não como se fossem cursos, mas, sim, obstáculos à obtenção do amaldiçoado título.
Como diz Wladimir Kourganoff, em A Face Oculta da Universidade (Editora da Unesp), vocação para ensino não significa necessariamente o mesmo para a pesquisa e vice-versa, e o que se consegue com o atrelamento da produção científica à subida na carreira docente é apenas a figura dos pseudopesquisadores e pseudoprofessores.
Não há porque obrigar bons professores da graduação a passar pelo suplício (para eles) de um curso de pós-graduação. Existem meios mais inteligentes e justos para mantê-los atualizados. Por outro lado, não faz sentido obrigar pesquisadores a dar aulas, se essa não for sua vocação. O prejuízo é duplo: deles próprios e dos alunos.
O financiamento da graduação não pode depender do número de mestres/doutores ou mesmo da produção científica. Aliás, número de mestres/doutores não deve servir de parâmetro nem para a pós-graduação, pois seu financiamento e de seus laboratórios de pesquisa deveria depender exclusivamente de sua produção científica, quantitativa e qualitativa. Afinal, de que vale o título com a tese empoeirando nas bibliotecas, sem que seja sequer publicada ou mesmo inaugure uma linha de pesquisa regular?
Outra conseqüência bastante nociva dessa fome de títulos é a dificuldade de acesso aos cursos de pós-graduação, por parte de candidatos (com vocação) oriundos de universidades mais novas. Enfrentam a endogenia reinante em muitas das ditas tradicionais, e alguns acabam por desistir no meio do caminho.
Como consolo, apenas o fato de que, a médio e longo prazos, essa endogenia será fatal a essas universidades, resultando em completa decadência, pois instala um clima de inércia e desestímulo entre seus integrantes.
Mestrado e doutorado, antes de serem títulos, são cursos. Aprofunda-se em um tema específico que será objeto de um experimento científico para a elaboração da tese e, quiçá, inaugurador de uma linha de pesquisa. Para tanto, são de vital importância as disciplinas do chamado domínio conexo (metodologia científica, estatística e didática, por exemplo). Pois bem. É de estarrecer o desprezo que dispensam a essas disciplinas os alunos que evidentemente entram na pós-graduação com todas as credenciais do mundo, exceto a que mais interessa: vocação. Resultado: formam-se mestres e doutores sem a menor noção dessas matérias, aliviadas por obterem enfim o título.
Sou médico, não sou matemático, dizem, referindo-se à campeã das antipatias, a bioestatística (como se fosse possível realizar pesquisa científica sem, no mínimo, compreender seus fundamentos). Alguns, os chamados medalhões, chegam a contratar um verdadeiro exército para elaborar sua tese, com a alegação de falta de tempo. Terminam o curso como começaram: pseudopesquisadores.
“Sendo o termo da vida limitado, não tem limites a nossa vaidade”, escreveu o filósofo brasileiro Matias Aires. É verdade. Que o diga o rapaz da epígrafe, que fez doutorado para ser chamado de doutor.
P.S.: Será que estaria muito enganado se imaginasse que um bocado do que está escrito acima pode ser generalizado para outras áreas?
* Médico, é doutor em Oftalmologia pela UFMG é pós-doutorado pela Escola Médica de Harvard. Publicado na REA, nº 12, maio de 2002, disponível em http://www.espacoacademico.com.br/012/12flavio.htm







A tradução não foi muito boa, mas o conteúdo é bem interessante!

CIA compra empresa que monitora blogs, Twitter, YouTube e Amazon

Eva Golinger *
Adital -
Tradução: ADITAL
Em uma notícia exclusiva publicada esta semana na revista WIRED foi revelada que In-Q-Tel, uma empresa investidora da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) acaba de fazer grandes investimentos em um negócio dedicado a monitorar os meios e redes sociais. Essa empresa, Visible Technologies, vigia cada dia mais de meio milhão de sítios na Internet, revisando mais de um milhão de conversas, fóruns e posts em diferentes blogs, fóruns online, Flickr, YouTube, Twitter e Amazon. Os clientes de Visible Technologies recebem informação em tempo real sobre o que se está dizendo e fazendo no ciberespaço, baseada em uma série de palavras chaves.
Segundo a revista WIRED, esta nova aquisição da CIA faz parte de um movimento maior dentro da comunidades de inteligência para melhorar a capacidade de utilizar "fontes abertas de inteligência" -informação que está disponível no âmbito público; porém, muitas vezes está escondida em programas de televisão, artigos de imprensa, blogs, vídeos na Internet e reportagens em milhares de emissoras, que são gerados todos os dias.
O porta-v
oz de Visible Technologies, Donald Tighe, revelou que a CIA solicitou-lhes monitorar aos meios sociais estrangeiros e instalar um sistema de "detecção rápida" para informar a agência de inteligência sobre "como os assuntos de interesse estão sendo manifestados em âmbito internacional". Porém, também é utilizado em âmbito nacional, dentro dos Estados Unidos, para monitorar aos bloggers e tweetters domésticos.
Visible também subministra um serviço similar a empresas de comunicação, como Dell, AT&T, Verizon e Microsoft, para informar-lhes sobre o que está sendo dito nos fóruns sobre ciberespaço sobre seus produtos.
No final de 2008, Visible começou uma colaboração com a empresa consultora de Washington Concepts & Strategies, que estava dedicada a monitorar e traduzir conteúdo de meios estrangeiros para o Comando Estratégico do Pentágono e do Estado Maior Conjunto, entre outras agências estadunidenses. Concepts & Strategies está atualmente recrutando "especialistas em meios sociais"; com experiência no Departamento de Defesa e fluência em árabe, farsi, francês, urdu ou russo. A empresa também está buscando um "engenheiro de segurança para sistemas informáticos" que já foi outorgado acesso "Top Secret" por parte da Agência de Segurança nacional (NSA) dos Estados Unidos.
A comunidade de inteligência tem tido um grande interesse durante muitos anos nos meios sociais e nas redes sociais na Internet. In-Q-Tel realizou grandes investimentos no Facebook e em outras empresas que reúnem dados e informação de milhões de usuários em todo o mundo. A Direção Nacional de Inteligência (DNI) dos Estados Unidos mantém o Centro de Fontes Abertas, que está dedicado à busca e monitoramento de informação publicamente disponível; porém, nem sempre encontrada com facilidade.
Há uma semana, o Departamento de Estado patrocinou um evento na Cidade do México chamado Cúpula da Aliança de Movimentos Juvenis, reunindo jovens dirigentes políticos afins aos interesses de Washington com os fundadores e representantes das novas tecnologias, tais como Facebook, Twitter e YouTube. A Aliança buscava "melhorar a capacidade dos jovens políticos para utilizar as novas tecnologias para mobilizar suas organizações e disseminar informação a um público massivo". Participaram vários dirigentes opositores da Venezuela, como Yon Goicochea e Geraldine Álvarez, conhecidos por seus vínculos com as agências de Washington há muitos anos. Também participaram, a convite do Departamento de Estado, os promotores da Marcha "Não mais Chávez", que foi convocada através do Facebook durante o mês de setembro de 2009.
A união entre as agências de Washington, as novas tecnologias e os jovens dirigentes políticos selecionados pelo Departamento de Estado era uma receita para uma nova estratégia de "mudar regimes políticos". Além disso, esse evento reafirmou o apoio político e financeiro ao movimento estudantil da oposição na Venezuela por parte dos Estados Unidos e colocou ante a opinião pública uma evidência irrefutável da sinistra aliança entre Washington e as novas tecnologias.
Agora, com a nova evidência sobre os últimos investimentos da CIA que permitem o monitoramento e rastreamento de informação no Twitter, blogs, YouTube e outros fóruns no ciberespaço, não resta dúvida de que o campo de batalha foi ampliado.
No entanto, a comunidade de inteligência não controla -ainda- todo o conteúdo e fluxo de informação no âmbito cibernético. E as mesmas ferramentas que lhes servem para minar e obter informação sobre seus potenciais adversários, também podem ser utilizadas por aqueles que lutam contra as intromissões imperiais como armas para mobilizar massas e disseminar verdades sobre suas agressões.
A CIA nos tem na mira; porém, nós também estamos vigiando-a.

* Advogada venezuelano-estadunidense





Colaboração de Rosa Varella:

El acuerdo para restituir a Zelaya, si se cumple, será una victoria para la democracia en el hemisferio, dice el co-director de CEPR (Center for Economic and Policy Research)

Washington, D.C. - Noticias de un acuerdo que efectivamente terminaría el golpe de Estado en Honduras y restituiría al Presidente electo Manuel Zelaya a su puesto sería una "victoria para la democracia en el hemisferio" que llega como resultado de la resistencia continua de los hondureños y de la presión por parte de los gobiernos de Latino América, dijo hoy el co-director del Center for Economic and Policy Research (CEPR), Mark Weisbrot. El acuerdo parece incluir un plan para un "gobierno de unidad," una "comisión de verificación" compuesta de dos figuras respetadas internacionales y dos figuras respetadas nacionales para hacer cumplir los términos del acuerdo, el reconocimiento de las elecciones programadas para el 29 de noviembre, y una comisión de verdad para investigar las acciones del golpe y los eventos ocurridos después del golpe. De acuerdo a las negociaciones concordadas por ambos lados, el Congreso de Honduras debe aprobar la restitución de Zelaya.

El régimen golpista -y su líder, Roberto Micheletti, en particular- ha sido errático y ha actuado de manera imprevisible en su aproximación a las negociaciones, habiéndose acercado a acuerdo anteriormente, solo para revertir el curso a último minuto.

"Si el gobierno golpista cumple con el acuerdo y Zelaya vuelve a su puesto, entonces será una victoria para la democracia en el Hemisferio Occidente," dijo Weisbrot. "Esto demuestra que la presión internacional sí importa. A pesar de que los Estados Unidos bloqueó acciones más fuertes por la Organización de Estados Americanos, al final tuvo que seguir la voluntad del resto del hemisferio."

La semana pasada, Marco Aurelio García, el asesor más importante sobre temas de relaciones internacionales a Lula da Silva, en Brasíl, dijo que EE.UU. "debería presionar más" al régimen golpista.

"Esto demuestra que los Estados Unidos no está volviendo a los días en que las fuerzas armadas financiadas y entrenadas por los Estados Unidos, puedan derribar la voluntad del electorado," dijo Weisbrot.

Weisbrot también notó la importancia del movimiento de resistencia en Honduras en lograr una aparente solución a la crisis que favoreció la democracia a la dictadura: "Los Hondureños nunca se rindieron, desafiando la represión cada día para manifestar el apoyo a la democracia. El Frente Nacional de Resistencia fue disciplinado y organizado," Esto también ayudó a mantener claro que cualquier elección llevada al cabo bajo una dictadura nunca sería considerada legítima.

Weisbrot notó que hubo divisiones políticas importantes entre los elite de Honduras: "[El candidato conservador, del Partido Nacional] Porfirio Lobo quiere que las elecciones sean consideradas legítimas, ya que se proyecta que él sería el ganador."

La administración de Obama inicialmente no denunció el golpe, y en los cuatro meses desde que ocurrió, nunca hizo una determinación legal sobre si un golpe militar había ocurrido. Semejante determinación hubiese requerido, bajo el 'U.S. Foreign Appropriations Act', un corte a todas las formas de asistencia no-humanitaria al país.

La administración tambaleó en su apoyo al regreso de Zelaya. Mientras sí le puso algo de presión al régimen golpista a través del congelamiento de visas y cortes limitados en asistencia; el 28 de septiembre los Estados Unidos bloqueó una resolución de la OEA que hubiera comprometido a todos sus países miembros a no reconocer las elecciones del 29 de noviembre, sin la restitución previa de Zelaya a su puesto. Oficiales del Departamento de Estado de los Estados Unidos también denunciaron el regreso de Zelaya a Honduras. Cuando Zelaya regresó en julio, la Secretaria de Estado, Hillary Clinton comentó que sus acciones fueron "irresponsables". El 4 de agosto, el Departamento de Estado mandó una carta al Senador Richard Lugar que parecía echarle la culpa a Zelaya por el golpe de Estado. Hace unas semanas, el Embajador de la OEA, Lewis W. Anselem dijo, "El regreso de Zelaya sin un acuerdo es irresponsable e insensato."

Pero el regreso de Zelaya a Honduras fue, claramente, un evento catalizador para este acuerdo negociado.






VALE A PENA LER

Livro: As grandes depressões (1873-1896 e 1929-1939)
Autor: Osvaldo Coggiola
Edição: Alameda
Preço: R$ 28,00 (246 páginas)

Este livro tem como objetivo estudar de forma detalhada as duas grandes depressões do capitalismo, a de 1873-1896 e a de 1929-1939, num do novo trabalho do professor Osvaldo Coggiola. Pelo resgate da perspectiva histórica podemos compreender as estruturas por trás das grandes turbulências que de tempos em tempos abalam a sociedade capitalista.
Fundamentos econômicos, consequências geopolíticas e lições para o presente são analisados através do resgate da importância crucial do materialismo histórico como base metodológica. Elas funcionam de base para o entendimento da crise econômica geral como uma totalidade concreta, colocando em evidência a relação dialética entre os processos determinantes da crise econômica e os determinantes objetivos e subjetivos que condicionam a luta de classes.
É possível observar as mudanças desencadeadas pela grande depressão de 1873-1896 e a transformação do capitalismo concorrencial em capitalismo monopolista, inaugurando o imperialismo, ou seja, o capitalismo em seu clímax, um padrão de desenvolvimento capitalista que amadurece as condições históricas para a revolução socialista. Podemos estabelecer relações históricas entre a grande depressão de 1929-1939 com vários fatores históricos como o nazismo, a tragédia da Segunda Guerra Mundial e a formação das bases econômicas e sociais do Estado de Bem-Estar Social. Esses elementos fundamentais que acabariam por levar à cristalização dos Estados Unidos como potência da economia mundial e a consolidação de um padrão de acumulação. Através do livro “As grandes depressões (1873-1896 e 1929-1939)”, Osvaldo Coggiola nos faz compreender melhor duas características determinantes da etapa superior do imperialismo – o capitalismo de nosso tempo.

Sobre o autor: Oswaldo Coggiola é professor de História Contemporânea da Universidade de São Paulo (USP)






NAVEGAR É PRECISO


Picadinho à la Nobel da paz
[Chico Villela] A armação, já desvendada, da concessão do Nobel da paz ao comandante-em-chefe das guerras que já mataram mais de 2 milhões de civis envergonha o laureado, desmoraliza o prêmio e afronta a consciência humanitária contemporânea. (15/out/2009).
http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=1395

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Estou enviando o link abaixo para que - caso se interessem - vocês leiam o artigo que Ana Cláudia Vargas escreveu sobre o jornal Estado de Minas no Observatório da Imprensa. Leiam e comentem, é um assunto que deve ser debatido!http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=562IMQ004
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Centro Administrativo, um elefante em fase de crescimento descontrolado
[José de Souza Castro] Vamos todos torcer para que tudo termine logo. Cada mês de demora vai sair muito caro para os contribuintes mineiros.
http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=1401


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Depois de muitas discussões, Venezuela passa a fazer parte do Mercosul
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&cod=42453&lang=PT

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Mulher de Gilmar vai trabalhar com advogado de Dantas.



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ONU vota pelo fim do bloqueio econômico, com recorde de 187 países favoráveis
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&cod=42411&lang=PT

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Juanita Castro e o passado sinistro do Itamaraty
O Ministério das Relações Exteriores atravessou todo o período da ditadura militar como se vivéssemos no melhor dos mundos, enquanto perseguia diplomatas - intelectuais como Antonio Houaiss, Vinícius de Morais, João Cabral de Melo Neto entre muitos. E prestou-se a papéis indignos mesmo antes do golpe de 1964. Vale a pena lembrar tais coisas embora neste momento o Itamaraty, com o ministro Celso Amorim à frente, conduza com sucesso uma política externa exemplar. O artigo é de Argemiro Ferreira.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16214&boletim_id=610&componente_id=10216

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Um réquiem para FHC
O texto do ex-presidente tucano, publicado em vários jornais no domingo, revela um erro de cálculo político sem precedentes. Contrariando seus aliados, que desejavam vê-lo distante da campanha do PSDB para presidente em 2010, FHC trouxe para o próximo pleito a comparação entre as políticas de seu governo e as do governo Lula: a única polarização que a direita não queria. Imaginando-se um estrategista, virou um fardo pesado para as possíveis candidaturas de José Serra e de Aécio Neves. O artigo é de Gilson Caroni Filho
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16223&boletim_id=611&componente_id=10229

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Luís Carlos Lopes
Está no ar o site "Detetives do Passado", projeto de atividades de investigação e pesquisa escolar. O projeto consiste na realização de atividades investigativas, baseadas na internet, para serem realizadas por alunos da Educação Básica, tanto no ensino fundamental quanto no médio. Nesta primeira fase, foram realizadas oito atividades, todas com o tema Escravidão no século XIX.
E Mais:
Exposição reúne em Nova York as melhores imagens do rock
Morte de assistente de Hitler pode revelar detalhes sobre Holocausto
Visite Cafe Historia em: http://cafehistoria.ning.com/

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NOTICIAS


1. solicito- o favor de divulgar o Curso de História da África, que acontecerá nos dias 14, 21, 28 e 05 de dezembro próximo, nas dependências do Sistema Batista no bairro Colégio Batista, no horário de 8:00 às 12:00 perfazendo um total de 16 horas aulas.

O investimento para o Curso é de um único pagamento de R$150,00, cujo depósito poderá ser feito no banco Real agência 1546 Conta 500.4l50-1 em nome de João Bernardo da Silva Filho - CPF 143.283.996-91 até dia 10 de novembro.

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2. CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DE MINAS GERAIS
COMISSÃO DE CONCURSO PÚBLICO
PROCESSO SELETIVO DE CONTRATAÇÃO TEMPORÁRIA
PROFESSOR SUBSTITUTO DA CARREIRA DE ENSINO BÁSICO, TÉCNICO E TECNOLÓGICO.
EDITAL Nº. 113 de 22 de outubro de 2009.
O Diretor de Educação Profissional e Tecnológica do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, no uso de suas atribuições legais, e de acordo com a Lei nº 8.745, de 09.12.93, com as modificações das Leis nºs 9.849, de 26.10.99 e 10.667, de 14.05.03 e considerando a Portaria DIR-363/08, de 16 de junho de 2008, torna público a abertura de inscrições para o Processo Seletivo Simplificado, destinado a selecionar candidatos para preenchimento temporário de Professor Substituto, para o CEFET-MG no CAMPUS I, na cidade de Belo Horizonte.
1. Especificações: Campus I– Belo Horizonte - MG

QUÍMICA
Química (1ª, 2ª e 3ª Séries)
Habilitação mínima - Bacharelado ou Licenciatura em Química
vagas 01
regime de trabalho - 40h
CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS
Geografia
habilitação minima - Licenciatura Plena em Geografia
vaga - 01
regime de trabalho - 40h
EDUCAÇÃO FÍSICA
Educação Corporal e Formação e Educação Física no Ensino Técnico de Nível Médio
habilitação minima - Licenciatura Plena em Educação Física
vagas - 02
regime de trabalho - 40h
LÍNGUAS ESTRANGEIRAS
Língua Inglesa
habilitação mínima - Licenciatura Plena em Letras
vagas - 03
regime de trabalho - 40h

2. Das Inscrições:
2.1 Local: acessando o sítio www.cefetmg.br.
2.2 Ficha de Inscrição: preenchida em formulário disponibilizado pelo Sítio do CEFET-MG.
2.3 Período: de 09h do dia 29 de outubro às 21 h do dia 13 de novembro de 2009.
As inscrições serão prorrogadas, por igual período, se não houver candidatos inscritos.

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3. I Encontro de Ciências Humanas da UFVJM – Estudos contemporâneos
De 09 a 11 de novembro de 2009
Auditório da UFVJM, Diamantina
MESAS REDONDAS ÀS 19h – NO AUDITÓRIO DA UFVJM
09/11 – SAÚDE MENTAL, SUICÍDIO E EDUCAÇÃO
Profa. Dra. Sueli Terezinha Ferreira Martins (UNESP)
Profa. Ms. Nadia Verônica Halboth (UFVJM)
Prof. Ms. Nilson Berenchtein. Netto (PUC-SP)
10/11 – O MUNDO DO TRABALHO E OS DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS
Prof. Dr. Wellington de Oliveira (UFVJM)
Prof. Dra. Flávia Gonçalves da Silva (UFVJM)
Prof. Ms. Atanásio Mykonios (UFVJM)
11/11 – ESTUDOS CONTEMPORÂNEOS: LÍNGUA E LITERATURA
Prof. Ms. Carlos Renato Lopes (UNIP)
Profa. Dra. Cielo G. Festino (UNIP)
Prof. Ms. Luiz Otávio Costa Marques (UFVJM)



INFORMATIVO DA ANPUH



Nova Diretoria, eleita no Congresso de Fortaleza:

PRESIDENTE:Durval Muniz deAlbuquerque Júnior (UFRN)
VICE-PRESIDENTE:Raquel Glezer (USP)
SECRETÁRIA GERAL:Júnia Ferreira Furtado (UFMG)
1º SECRETÁRIO:Nelson Schapochnik (USP)
2º SECRETÁRIO:Luis Fernando Cerri (UEPG)
1º TESOUREIRA:Marisa Midori Deaecto (USP)
2º TESOUREIRO:Benito Bisso Schmidt (UFRGS)
EDITORA DA REVISTA BRASILEIRA DE HISTÓRIA:Marieta de Moraes Ferreira (UFRJ)

Concursos
CONCURSO PÚBLICO PARA CONTRATAÇÃO DE HISTORIADOR
Instituição: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN)
Nº de vagas: 7
Inscrições: 04/10 a 05/11

MESTRADO EM HISTÓRIA
Instituição: Universidade Estadual do Ceará (UECE)
Inscrições: 30/10/2009
MESTRADO EM HISTÓRIA
Instituição: Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Inscrições: até 22/12/2009
MESTRADO EM HISTÓRIA
Instituição: Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE)
Inscrições: até 25/01/2010
Eventos
II COLÓQUIO NACIONAL DE ENSINO DE HISTÓRIA:EDUCAÇÃO, HISTÓRIA E DIVERSIDADE CULTURAL
Data: 26 a 30 de outubro de 2009
Local: Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
Mais informações

VII SEMINÁRIO DE PESQUISA EM HISTÓRIA"ARQUIVOS: HISTÓRIA E MEMÓRIA"
Data: 04 a 06 de novembro de 2009
Local: Universidade Federal do Ceará
IV JORNADA DE ESTUDOS DA ANPUH-RS - CONFERÊNCIA: OS IMPÉRIOS NA HISTÓRIA
Data: 08 de novembro de 2009 - 17horas
Local: Sala Oeste do Santander Cultural, Praça da Alfândega (Porto Alegre)
III SIMPÓSIO DE HISTÓRIA REGIONAL
Data: 12 e 13 de novembro de 2009
Local: Universidade do Passo Fundo
IX CONGRESSO IBEROAMERICANO DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO LATINO-AMERICANA (CIHELA) "EDUCAÇÃO, AUTONOMIA E IDENTIDADES NA AMÉRICA LATINA"
Data: 16 a 19 de novembro de 2009
Local: Universidade Estadual do Rio de Janeiro
II ENCONTRO DO GT DE HISTÓRIA AGRÁRIA
Data: 19 a 21 de novembro de 2009
Local: Campus Central da UFRGS e sede da ANPUH-RS
II SEMINÁRIO NACIONAL DE PÓS-GRADUANDOS
EM HISTÓRIA DAS INSTITUIÇÕES
Data: 23 a 26 de novembro de 2009
Local: Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
XI CIDADE REVELADA
Data: 25 a 27 de novembro 2009
Local: Univali, no Museu Histórico e no Museu Etno-Arqueológico de Itajaí
IV FÓRUM - POVOS E CULTURAS DAS AMÉRICAS:AS CIDADES EM DEBATE: ECONOMIA, POLÍTICA,CULTURA, SAÚDE E CIDADANIA
Data: 01 a 03 de dezembro de 2009
Local: Universidade Estadual do Rio de Janeiro
I SEMINÁRIO NACIONAL FONTES DOCUMENTAIS E
PESQUISA HISTÓRICA: DIÁLOGOS INTERDISCIPLINARES
Data: 1 e 4 de dezembro.
Local: Universidade Federal de Campina Grande
II CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE HISTÓRIA ECONÔMICA (SIMPÓSIO 5)
Data: 03 a 05 de fevereiro de 2010
Local: Centro Cultural Universitário Tlatelolco / Cidade do México - México
Chamadas para artigos
REVISTA MNEMOSINE
Tema: História, Cultura e Sociedade
Prazo: 30/10/2009
REVISTA MUNDOS DO TRABALHO
Tema: Processos e condições de trabalho (n°03)
Prazo: 20/12/2009
BOLETIM HISTORIA POLITICA.COM
Tema: Acesse o site para maiores informações Site
ANUÁRIO 2009 - FUNDAÇÃO GENÉSIO MIRANDA LINS
Tema: Trabalhos relacionados à cidade de Itajaí e região
Prazo: 16/11/2009Site
REVISTA FRONTEIRAS
Tema: História das religiões e das religiosidades
Prazo: 15/03/2010
Tema: História dos Esportes
Prazo: 30/09/2010Site
REVISTA OPSIS
Tema: Campos de experiências e relações de força
Prazo: 31/10/2009Site
SANKOFA Tema: História da África e estudos da diáspora Africana
Prazo: 15/11/2009 (n°04)Site
INTERAÇÕES - CULTURA E COMUNIDADE
Tema: Religião, política e sociedade
Prazo: 30/11/2009Site
REVISTA ANTÍTESES
Tema 01: Práticas culturais. Perspectivas da diversidade
Prazo: 31/10/2009
Tema 02: História e Ensino: Teorias e Metodologias
Prazo: 28/02/2010Site
REVISTA ESTUDOS HISTÓRICOS FGV
Tema: Modernidade e modernização - nº 45 (01/2010)
Prazo: 30/12/2009
Tema: Estados nacionais. Globalização - nº 46 (02/2010)
Prazo: 30/06/2010Site
REVISTA PROJETO HISTÓRIA
Tema:Patrimônio e Cultura Material / nº40 (Janeiro/Junho/2010)
Prazo: 05/2010Site
REVISTA TEMAS & MATIZES
Tema 1:Questão Social na Contemporaneidade: Desafios para Intervenção Social.
Tema 2: Nações e Nacionalismos na América Espanhola: História, sociedade e cultura.
Prazo: 11/12/2009Site


28.10.09

Numero 209



Neste número, iniciamos com uma noticia um tanto ou quanto surrealista, acompanhada de um comentário. Na seqüência, veremos o que a Academia tem dito recentemente sobre os movimentos sociais no Brasil. Que, aliás, está bem de acordo com o que mídia sempre disse, e que aparece no artigo O vandalismo da classe dominante brasileira.
Leituras recomendadas: O historiador e suas fontes – Soledad do Recife – coleção Grandes cientistas do Brasil.
Links recomendados: Um novo blog, o Chá com Letras - Relatório aponta 4.234 diferentes tipos de violações aos direitos humanos – É necessário uma nova Abolição? – Impactos econômicos do Bolsa Família – Barack Obama, o hipnotizador – E as novidades do Café História.
Notícias: vestibular na FDV – bolsa de pesquisa do ICAM – submissão de artigos para a revista Mundos do Trabalho – Conferência Os mouriscos e a Inquisição – Encontro regional de História Oral.

Numa sociedade que só legitima a educação como meio de chegar ao emprego, resta a sensação de tempo perdido com uma qualificação que não recompensa o esforço
Alcione Araújo

Difícil explicar o que é difícil de entender; difícil entender o que é difícil de explicar. Parece impasse pedagógico – até o é, mas não só. E também esbarra na inépcia do cronista para entender/explicar o que for. Mas o fato não surpreende: o Brasil sempre frustra expectativas surgidas de analogias com outros países, ou outras épocas da sua própria história. A dinâmica da vida real transborda a moldura imaginada e cria situações surpreendentes, melancólicas e até bizarras.
A empresa municipal de limpeza urbana do Rio de Janeiro abriu concurso para selecionar garis – varrem ruas e recolhem lixo. Cerca de 120 mil pessoas disputam os R$ 486,10 mensais, para 44 horas de trabalho semanal, mais vale-transporte, vale-refeição, plano de saúde e adicional por insalubridade. Afora a exigência de conclusão dos quatro anos do ensino fundamental, a seleção será feita apenas por testes físicos, como corrida, barra, flexão abdominal e levantamento de peso.
Eis a realidade que ultrapassa a imaginação: entre os inscritos há 3.180 com curso superior incompleto, 1.026 com superior completo, 22 com mestrado e 45 com doutorado! O pasmo me deixou boquiaberto: ex-professor universitário, conheço as ásperas pedras do caminho e sei o quanto se rala sobre elas para chegar a esses títulos – hoje banalizados. O que foge à compreensão é o desperdício de qualificação dos candidatos, dispostos a trabalho braçal por um salário mínimo! Eles se inscreverem nesse concurso não é o mal, esse é apenas o sintoma do mal.
Vou ao menos tentar entender. Na maioria das especialidades, o doutor acumula cerca de 20/25 anos de estudos e tem 25/35 anos de idade. No mestrado e superior são menos anos de estudo e idade. Não é de imaginar alguém nesses níveis de qualificação equilibrando-se na traseira de um caminhão ou atirando sacos de lixo na carroceria, pelas madrugadas – a não ser em situações de guerra, revolução, exílio, fuga, doença etc. É bizarro tanta qualificação disputando em testes físicos – sob risco de patética reprovação! –, com candidatos que reclamam que deveria ser o concurso apenas para os que não tiveram oportunidade de estudar!
Virou mantra que a educação é urgência nacional e a qualificação indispensável ao emprego. No caso, cabe perguntar: para que se qualificar, se não há emprego? Ou: se não há emprego, para que se qualificar? A cobra engasga mordendo o próprio rabo e não responde. A explosão do ensino privado produz zilhões de graduados que, sem emprego e quem sabe sem qualificação, perambulam pelos concursos públicos. Com os fracassos, declina a expectativa, podendo chegar ao lixo. Essa trajetória não exclui eventuais candidaturas em seleções ao mestrado e doutorado, que foram mais rigorosos, mas se curvaram à imperativa viabilidade econômica nas instituições privadas e à produtividade nas públicas. Em certas especialidades, disputadas bolsas são salários para graduados sem emprego, além de completar a formação precária da graduação. Porém, são temporárias... Numa sociedade que só legitima a educação como meio de chegar ao emprego, resta a sensação de tempo perdido com uma qualificação que não recompensa o esforço. Assim, o conhecimento perde mérito, a educação perde credibilidade, e o investimento, público ou privado, parece desperdiçado. O quadro final são pais decepcionados, filhos frustrados e sociedade perplexa. Difícil explicar o que é difícil de entender; difícil entender o que é difícil de explicar. Mas, se educação e qualificação não salvam, o que ou quem nos salvará do infeliz doutor gari?








Novos e sutis discursos acadêmicos reforçam ataques aos movimentos sociais

Escrito por Valéria Nader – Da Redação do Correio da Cidadania
24-Out-2009
As investidas dos grandes veículos de comunicação contra os movimentos sociais, a cada vez que estes intensificam a sua atuação, não são mais novidade para aqueles que acompanham a conjuntura política e social e as interpretações de mídia associadas a essa conjuntura. As críticas frontais àquilo que seria considerado vandalismo, desordem ou uma afronta ao direito de propriedade sempre foram a reação imediata e notória da mídia corporativa e dos poderosos interesses econômicos a ela atrelados. O ‘outro lado’ surge no máximo ali nos cantos ou pés de página, em rasas e insuficientes pinceladas.
Menos notório, no entanto, é o fato de que, a esse método mais tosco de criminalização dos movimentos sociais, vem sendo a cada dia mais associada uma outra forma de desqualificação desses movimentos, mais sofisticada e sutil. Não é tão recente assim, mas, utilizada em proporção bem menor, fica mais difícil a percepção pelo público.
O MST e uma das causas do movimento, a reforma agrária, são os dois temas que mais mobilizam as iras midiáticas, pela dimensão que adquiriram no contexto nacional. E já nos idos do governo FHC antevia-se essa nova forma mais sutil em busca de desprestigiá-los, diante do modo insidioso como determinados discursos acadêmicos procuravam desconstruir o movimento e suas bandeiras, a partir de aparente neutralidade.
Entrevista concedida pelo sociólogo José de Souza Martins ao Programa Roda Viva em maio de 2000 foi emblemática da maneira como um discurso intelectual, que destacava estudos acerca da questão agrária no Brasil, adotava tática sutil de desmerecimento da atuação do MST. O movimento estaria perdendo seu importante caráter de criatividade, uma vez que, cada dia mais, se tornava portador de uma ‘ideologia partidária’, segundo destacado pelo entrevistado. À época em que o PT ainda era oposição, por ‘ideologia partidária’ subentendia-se ‘ideologia petista’.
Pode-se fazer intensa discussão e questionamento quanto às reiteradas afirmações do próprio MST no que se refere à sua autonomia relativamente a partidos e governos. Mas o tom e organização dados à fala do sociólogo, bem como a lógica de sua argumentação, não deixaram passar despercebido aos observadores atentos a tentativa que estava em jogo. Ao mesmo tempo em que se desqualificava de modo ‘elegante’ o MST, erigiam-se as bases para que, ao governo FHC, mesmo com seu modelo desestruturador da agricultura familiar, pudesse ser creditado um avanço da questão agrária no Brasil.

O governo Lula e a mídia

No governo Lula, o presidente operário teoricamente amigo dos movimentos sociais, criou-se situação esquizofrênica. Setores mais à esquerda enxergam um evidente distanciamento do atual governo relativamente às demandas dos sem terra quanto à execução de uma autêntica reforma agrária - a partir de uma grande ambigüidade em suas relações recíprocas. Os críticos mais à direita, por sua vez, vêm insistentemente acusando o MST de se utilizar de modo indevido dos recursos públicos, ao mesmo tempo em que ‘simularia’ críticas à política federal.
Para aqueles que defendem mudanças estruturais e uma real emancipação da população, não restam dúvidas quanto ao afastamento de Lula das causas populares e da reforma agrária. E o fato é que, nesse afastamento, acaba por se reforçar o ataque perverso, vindo de tantos outros fronts, a que estão sujeitas as causas sociais. Um dos mais perversos tem sido as novas ‘construções intelectuais’ sobre a viabilidade histórica e a efetividade da reforma agrária na atual conjuntura, bem como sobre a oportunidade de um movimento como o MST.
Tecidas agora no contexto de um governo originalmente mais próximo das causas populares, tais ‘construções intelectuais’ são elaboradas paralelamente às criminalizações diretas do movimento, e são particularmente visíveis em momentos em que os sem terra intensificam suas ações. Logo após o tradicional abril vermelho de 2007, por exemplo, dentre as noções ventiladas com maior peso, chegou-se mesmo a negar à reforma agrária qualquer sentido atual. Algumas circunstâncias seriam decisivas para esta noção: a conclusão da urbanização, tornando desnecessária a reforma agrária como propulsora do mercado interno; a diversificação do mundo rural, incrementando a oferta de alimentos de forma a suprir a demanda; e a difusão da informação, tornando inócua a justificativa política quanto à democratização no campo.
O geógrafo aposentado da USP Ariovaldo Umbelino, nesse mesmo ano entrevistado pelo Correio, chamava atenção para o quão parcial e manipulado é o uso das estatísticas, a fim de se chegar a tais conclusões. Sobre a questão da urbanização, "utiliza-se sistematicamente o indicador do percentual de população rural em relação à população urbana. E é claro que este vem caindo. Mas ninguém olha qual é o dado da população rural total, número que não caiu como estão dizendo", ressalta Umbelino. Quanto à oferta de alimentos, o geógrafo fez uma indagação básica: "Se estivesse resolvida a questão da oferta de alimentos, por que precisaríamos importar arroz, importar feijão?".

O MST, a Cutrale e os novos discursos ‘acadêmicos’

Em vista dos últimos acontecimentos envolvendo o MST e a Cutrale, artigo na Folha de S. Paulo de 14 de outubro, do sociólogo Zander Navarro, vem novamente trazendo uma bateria de argumentos questionadores da reforma agrária. Começa-se por questionar a repercussão do Censo Agropecuário 2006, que teria sido ‘monótona’, na medida em que ressaltou à exaustão as desigualdades na distribuição da terra. Teria sido, além disso, ingênua ao situar a agricultura familiar como um agrupamento oposto a um ‘indefinido’ agronegócio.
O Censo Agropecuário divulgado recentemente pelo IBGE, abrangendo o período de 1995 a 2006, revela evidentes distorções na distribuição da propriedade e da produção no Brasil. Aqueles que possuem propriedades inferiores a 10 hectares tiveram áreas reduzidas de 9,9 milhões para 7,7 milhões de hectares, representando apenas 2,7% de todas as propriedades agrícolas do país. Por outro lado, 31.889 fazendeiros, possuidores de propriedades com extensões acima de mil hectares, respondem pela titularidade de 98 milhões de hectares. Quanto à concentração da produção, a agricultura familiar, responsável por mais de 80% dos alimentos que chegam às nossas mesas, produziu 50 dos R$ 141 bilhões do Valor Bruto da Produção Agrícola de 2006. E recebeu apenas R$ 6 bilhões de crédito.
Para o sociólogo supracitado, esses seriam, no entanto, dados que teriam gerado uma repercussão meramente ‘impressionista’ e nenhuma análise. Questões em sua visão essenciais foram negligenciadas: a expansão dos estabelecimentos com eletricidade, o crescimento da soja e a forte redução do pessoal ocupado. O termo agricultura familiar não conformaria, ademais, um conceito, tratando-se de algo meramente descritivo. Assim como seriam ‘fantasmagóricas’ e ‘míopes’ as denúncias sobre a existência de latifúndios improdutivos, vez que as reais causas das desigualdades sociais não mais seria a propriedade rural, mas, sobretudo, processos urbanos.
Não é de surpreender que, a partir dessas noções, o sociólogo ressalte os ‘enfáticos’ dados do Censo pelos quais 55% do total de estabelecimentos respondem por 81 % do valor da produção, o que sinalizaria um ‘princípio férreo de produtividade’. Pensar a partir de dados tão agregados é, realmente, a maneira mais adequada para respaldar a sua visão sobre a agricultura. Um modo no mínimo parcial de enxergar a realidade. E talvez bem mais ‘impressionista’ do que aquele que faz opção por visualizar os dados relativos à superioridade da agricultura familiar no valor total da produção.
A negação da questão agrária

Em entrevista à Revista Fórum em 15 de outubro, o ex-deputado constituinte e diretor desse Correio Plínio de Arruda Sampaio ressaltou que "estamos em meio a uma ofensiva fortíssima da direita e da mídia da direita. O motivo que eu vejo é que tem já um palanque para 2010. E isso reflete um pouco das contradições internas no seio da burguesia agrária, que está sendo esmagada pelo grande agronegócio. Ela está ficando meio ensanduichada entre a pequena agricultura e o grande capital, avassalador. Esse setor, que é de grandes proprietários, não quer ouvir falar em mudança da propriedade ou em qualquer coisa que possa desapropriar".
Não é preciso, portanto, ir muito mais adiante para entender o que está por trás dos ataques da mídia contra o MST e dos novos e cuidadosos discursos que vêm sendo construídos. Afinal, cada um olha para o seu rebanho, e é para a defesa dos poderosos capitalistas agrários que se voltam discursos acadêmicos tais como os citados ao longo desse texto. "O discurso contra a reforma agrária é feito para encobrir essa realidade cruel da estrutura fundiária brasileira, a serviço de interesses determinados e de grupos políticos específicos. Essa argumentação tem o propósito de encobrir ideologicamente todo esse quadro que envolve a apropriação privada da terra no Brasil", ressalta o geógrafo Ariovaldo Umbelino.
Em artigo recém publicado neste Correio, o economista Guilherme Delgado, a partir de uma reveladora retomada histórica da questão agrária nacional, também comenta a negação dessa questão por parte do capital agrário. "Esse divórcio da política agrária relativamente aos fundamentos do direito agrário não é efeito sem causa. Reflete uma estratégia privada dos grandes proprietários fundiários, associados ao grande capital e ao Estado, produzindo e reproduzindo no Brasil a chamada ‘modernização conservadora’ da agricultura, no âmbito da qual se nega peremptoriamente a existência de uma questão agrária nacional".
Olho vivo
Está na mesa do presidente a proposta de atualização dos índices de produtividade da terra, defasados desde 1975, corroborando com a estrutura agrária nefasta, em benefício do grande capital fundiário. Ao mesmo tempo, e não coincidentemente, crescem no Congresso as movimentações em torno da instalação de mais uma CPI do MST. Olho vivo no que vem por aí.
Valéria Nader, economista, é editora do Correio da Cidadania.
Brasil de Fato – edição 347 - de 22 a 28 de outubro de 2009
editorial

O vandalismo da classe dominante brasileira


HÁ DUAS SEMANAS, as elites dominantes brasileiras usaram todo seu arsenal a disposição: rádios, redes de televisão, jornais impressos, colunistas de plantão, jornalistas pré-pagos, parlamentares oportunistas, ruralistas e até autoridades judiciais para denunciar um vandalismo sem precedentes: a destruição de mil pés de laranjas por militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Isso era inconcebível. “Queremos punição!” Bradavam, exigindo nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para criminalizar o MST e todos os que lutam por mudanças neste país. Afinal, nada melhor do que manter o mundo perfeito em que vivemos; não precisa mudar nada e muito menos lutar por mudanças.
Alguns mais afoitos chegaram a concluir: é o fi m do MST. Outros, com verso e prosa declaravam o fim dos movimentos sociais e da reforma agrária. E num só coro, todos clamavam: basta de vandalismo, desses pobres diabos do campo!
Mas a realidade brasileira e a luta de classes é bem mais dura do que seus confortáveis apartamentos e seus diferenciados rendimentos, pagos pelas empresas de comunicação (ou pelo povo?).
Independente das pacatas laranjas e das manipulações da Cutrale/Coca-Cola, detentora de 50 mil hectares distribuídos por mais de 30 fazendas, as duas semanas que se seguiram deram uma demonstração cruel do vandalismo estrutural e ideológico que domina as mentes e a política da classe dominante. Vamos recordar apenas alguns fatos, já que a memória tão curta da grande imprensa os calou:
1. Um incêndio mal explicado numa favela da região oeste de São Paulo deixou centenas de famílias sem absolutamente nada. Ninguém procura explicar porque, em pleno século 21, famílias de trabalhadores ficam expostas a essas condições de vida e riscos absurdos, na maior e mais rica cidade do hemisfério sul;
2. Enchentes e temporais transformam pacatas cidades do interior e grandes metrópoles em verdadeiros infernos. Mas ninguém explica para a população a causa das mudanças climáticas e das “vinganças” da natureza;
3. Oitenta e três trabalhadores da construção civil foram resgatados pela Polícia Federal, pois estavam trabalhando “em condições análogas à escravidão”. Sabe onde? Nada menos do que numa hidrelétrica, na região dos Parecis (MT). Logo as hidrelétricas, que representam tanto progresso;
4. Fazendeiros armados atacam um acampamento dos povos indígenas Kaiowa-guaranis, na região de Dourados (MS), colocam fogo em seus barracos e pertences e os expulsam. Os indígenas perderam tudo, menos a dignidade. Não houve mortes, milagrosamente, porque realizaram a ação à luz do dia, certos da impunidade. Detalhe: as terras da fazenda são dos povos indígenas. Quem é o verdadeiro invasor?;
5. Não bastassem os fatos do Brasil rural, eis que a violência social emerge sem controle nas cidades. Num final de semana no Rio de Janeiro, um helicóptero derrubado, dezenas de mortos, entre moradores, traficantes e policiais. Oito ônibus incendiados. A notícia poderia ser algum distante cenário de guerra, mas não, é na “cidade maravilhosa”. Muitos bairros do Rio vivem em guerra entre traficantes, polícia e milícias armadas e alimentadas pela classe dominante;
6. E a enfermidade social desse vandalismo estrutural, praticado pelas elites, aparece também nas atitudes pessoais de uma classe disposta a tudo para proteger seu patrimônio material. O irmão de um ex-governador de São Paulo, da “fi na flor” paulistana, assassina o próprio fi lho, por causa do mau uso do seu automóvel, e depois se suicida. Triste pobreza ética;
7. O capitalismo propagandeado pela imprensa é o melhor dos mundos. Na agricultura seria um sucesso, com suas empresas e seus venenos. Ledo engano. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) acaba de anunciar que neste mês a humanidade atingiu a marca de 1 bilhão de seres humanos que passam fome todos os dias. É mais do que vandalismo dos que controlam os estoques de comida, já que a produção existente é suficiente. É um verdadeiro genocídio acobertado pelas elites e por seus meios de comunicação.
Como se vê, os fatos nos remetem a uma boa reflexão sobre os vandalismos praticados todos os dias pela classe dominante. Isso nos ajuda a pensar sobre quem são os responsáveis e até quando se repetirão.




VALE A PENA LER


O HISTORIADOR E SUAS FONTES
Autores: Carla Bassanezi Pinsky (Org.), Tania Regina de Luca (Org.)

Como o pesquisador, na prática do seu oficio, pode trabalhar com fotografias, obras literárias, cartas, diários, discursos e pronunciamentos, testamentos, inventários, registros paroquiais e civis, processos criminais, materiais produzidos por órgãos de repressão ou mesmo com as inúmeras fontes do patrimônio cultural?
Em O historiador e suas fontes, um grupo de historiadores experientes responde a essa questão, sugerindo um repertório variado de fontes interessantes e suas formas de utilização.
A obra mostra também por que certos documentos adquirem maior ou menor relevância ao longo do tempo e em que isso afeta a História e a memória. Fala ainda de como os debates historiográficos, ao sabor das tendências modernas e pós-modernas alteram o uso das fontes históricas e afetam o ofício do historiador.
O historiador e suas fontes é, portanto, uma instigante discussão sobre teoria e prática da História.
Editora Contexto
Preço: 43 reais
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Sol: a mártir do pernambucano Urariano Mota
As palavras do cabo Anselmo descritas por Urariano fizeram-me estremecer de raiva. Episódios de traição maligna medraram na minha mente. Lembrei-me do episódio do “Cadelão Taimes”, onde eu e meus outros amigos fomos abandonados por um “anselmo” do grupo que se passava por amigo, justo nas ocorrências da censura e prisão do Jornal. Descobria ou relembrava, não sei até agora discernir corretamente, que aqui em Piraju também existiu e ainda vive um traidor com atitudes similares às do mentiroso. A resenha é de Luiz de Almeida.
Leia a resenha em http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16207&boletim_id=607&componente_id=10181
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NAVEGAR É PRECISO

Boaventura de Sousa Santos
O mundo (não todo, mas uma boa parte) vive hoje em estado de hipnose e o hipnotizador é Barack Obama. A hipnose consiste numa mudança radical de percepção sobre o que se passa no mundo sem que na realidade haja razões para sustentar tal mudança.
http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4456&boletim_id=606&componente_id=10169

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O Café História conta um pouco sobre um dos maiores empreendimentos acadêmicos dos últimos anos, o Arqshoah. Trata-se de um arquivo virtual cujo objetivo é contar, através de testemunhos e documentos, a relação entre pessoas que escaparam do nazifascimsmo na Europa e o Brasil. O Arqshoah é fruto de uma parceria entre a USP e diversas instituições.
E mais:
Livro conta a história da motocicleta
Documentário homenageia o irreverente Chacrinha
Historiadora diz que Lênin morreu de sífilis
Historiografia francesa perde um de seus mais ilustres historiadores.
Acordo entre Brasil e EUA culmina com lançamento de portal que com importantes documentos digitalizados
Você conhece Sylvia Platt?
Visite Cafe Historia em: http://cafehistoria.ning.com

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:: Relatório aponta 4.234 diferentes tipos de violações aos direitos humanos
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&cod=42297&lang=PT

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Um novo blog : http://www.chacomletras.com.br/
Com formato de website, este blog apresenta, em sua página principal, além dos post’s, pequena mostra de fotos de viagem e um vídeo de música, e em sua estrutura de apoio, cinco links com conteúdos direcionados aos temas-chave: Literatura, Filosofia e Música.
Visite e deixe seus comentários lá!
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AÇÃO AFIRMATIVA
É necessária uma nova abolição?
Muniz Sodré
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=561CID001

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Impactos econômicos do Bolsa Família
http://colunistas.ig.com.br/jpkupfer/2009/10/16/impactos-economicos-do-bolsa-familia/

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NOTICIAS


Estão abertas as inscrições para o 6º Programa de Bolsas de Auxílio à Pesquisa para estudantes de pós-graduação com projetos de tese relacionados a diferentes aspectos da história e cultura de Minas Gerais.
Inscrições e informações através do site do ICAM: www.icam.org.br
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O Vestibular de “Verão” da Faculdade de Viçosa - FDV será no dia 13 de dezembro do corrente ano, de 8:00 h às 13:00 h. O período de inscrição vai de 09/11/2009 a 09/12/2009, podendo a inscrição ser feita na Secretaria da FDV ou no endereço www.fdvmg.edu.br, onde estarão disponíveis mais informações.
O vestibular é uma das formas de ingresso na FDV. O candidato pode ingressar, também, como portador de diploma de nível superior (se for o caso), por transferência (se estiver em outra Instituição de Ensino Superior), como bolsista do PROUNI (via ENEM) ou se estiver em lista de espera no vestibular da UFV. Como novidade, a FDV estará realizando vestibular, também, para o curso de Engenharia de Produção.

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Revista Mundos do Trabalho

Foi prorrogado até o dia 20/12 o prazo para submissões de artigos para a edição n. 3 da Revista Mundos do Trabalho, dossiê Processos e condições de trabalho.
A submissão de artigos deverá ser feita no endereço:
http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/mundosdotrabalho
Em caso de dúvidas envie mensagem para revistamundosdotrabalho@gmail.com

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Conferência

"Os Mouriscos e a Inquisição"

Profª Drª Isabel Maria RibeiroMendes Drumond Braga
docente da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

Data e Local: 16 de novembro de 2009 no Auditório da Casa de Cultura Japonesa
Av. Prof. Lineu Prestes,159 - Cidade Universitária - Butantã - São Paulo


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Humanidade em Guerra"
Exposição fotográfica retrata violência de conflitos armados
São Paulo recebe, entre os dias 20 deste mês e 15 de novembro, a exposição de fotos “A Humanidade em Guerra", promovida pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV). A abertura da mostra acontecerá na terça-feira (20), às 19h, para convidados, e ficará disponível ao público a partir de quarta (21), na Matilha Cultural (Rua Rêgo Freitas 542 - Centro - próximo à igreja da Consolação).
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Entre 9 de outubro e 22 de novembro a Galeria Alberto da Veiga Guignard recebe a exposição Mulheres Reais – modas + modos no Rio de Dom João VI. Dividida em vários módulos a mostra dá um panorama da época tratando desde o figurino de importantes nomes da realeza, como D. Maria I, Carlota Joaquina e Leopoldina até as vestimentas usadas por suas mucamas.
ServiçoEvento: Mulheres reais – modas + modos no Rio de D. João VILocal: Galeria Alberto da Veiga Guignard
Data: 09 de outubro a 22 de novembro
Horário: 2ª-feira, 18h-21h / de 3ª-feira a sábado, 9h30-21h / domingo, 16h-21h
Entrada franca
Balcão de Informações: (31) 3236-7400
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Domingo no Palácio
O Coral Cefet Minas, em parceria com o Chorus Exsultate Voces de Divinópolis, apresenta a Missa de Réquiem em Ré Menor, de Wolfgang Amadeus Mozart.
01° de novembro, domingo, 11h
Foyer do Grande Teatro do Palácio das Artes, em Belo Horizonte.


Evento
Encontro Regional de História Oral



20.10.09

Numero 208




O boletim desta semana traz um artigo enviado pelo prof. Jaime Pinsky, em que ele relata a surpresa e - por que não? – a indignação por não ter conseguido trazer a blogueira cubana mais famosa do mundo para o lançamento do livro De Cuba, com carinho.
Em seguida, transcrevemos uma conferência de Eric Hobsbawm, que pensa ser essa crise o caminho para uma nova igualdade.
Na seção de livros, recomendamos as revistas Historia Viva e Revista de Historia da Biblioteca Nacional, e os livros Império por escrito, Virgilio Gomes da Silva: de retirante a guerrilheiro, Mestres do passado: clássicos da filosofia política moderna, Poemas do povo da noite, o jornal Lê Monde Diplomatique Brasil, e uma resenha do clássico Formação Econômica do Brasil de Celso Furtado.
Em Navegar é preciso, Globo desmente Kamel: Brasil é racista sim - Mensagem de M. Moore a Obama: Se não sai do Afeganistão, devolva o prêmio – Uma segunda grande depressão ainda é possível - A fúria da extrema-direita dos EUA contra Barack Obama – Tráfico, favelas e violência – A percepção política de Brunetto Latini - Identidade, intolerância e as diferenças no espaço escolar: questões para debate.
Nas Noticias, a mesa redonda A História do Museu - temas práticas educativas e diálogos transdisciplinares – e a exposição Mulheres Reais
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Yoani Sánchez no Brasil
Jaime Pinsky
Historiador, professor titular da Unicamp, diretor da Editora Contexto.
A informática criou a ilusão de que basta montar e manter um blog para sermos lidos. A simples proliferação desses diários eletrônicos é prova de suas possibilidades, mas, por outro lado, a comprovação de seus limites. Frequentemente recebemos e-mails ou telefonemas com convites para visitarmos blogs que não passam de conjuntos desarticulados de frases de senso comum, senão piegas, comentários superficiais, “recortes” de jornais e fotos que não interessam a ninguém. Por outro lado temos blogs de muito boa qualidade, alguns dos quais se tornaram referência. É o caso de Generación Y, o blog de Yoani Sánchez.
Yoani coloca seus posts em um dos blogs mais visitados do mundo, com vários milhões de acessos mensais. Ela mora em Cuba, com seu marido Reinaldo Escobar e seu filho adolescente Teo. Nos seus posts ela conta como é a vida cotidiana na ilha, talvez com certo amargor, mas não sem boa dose de humor. Sua escrita é de muita qualidade, daí a ideia de publicarmos, na forma de livro, uma coleção de seus textos para termos uma noção do que está acontecendo com as pessoas reais na Cuba de hoje. Pelo menos sob a ótica de Yoani. Pedimos a ela que selecionasse número representativo de posts e escrevesse uma apresentação especialmente para o leitor brasileiro, coisa que ela fez com presteza. Traduzimos cuidadosamente os textos, fizemos uma apresentação, agregamos um posfácio e convidamos a autora para vir ao lançamento do livro que denominamos De Cuba, com carinho. “De Cuba”, simples tradução do site que abriga o seu blog. “Com carinho”, pois é este o sentimento que temos para com os habitantes daquela linda ilha.
Ao saber que Yoani não foi autorizada a viajar para o exterior pelas autoridades cubanas, nem mesmo
para receber os prêmios que ganhou, ou para fazer palestras em universidades, entramos em contato com o senador Eduardo Suplicy para que ele, como membro destacado do partido do Governo no Brasil e como amigo de Cuba, nos ajudasse a viabilizar a vinda de Yoani ao Brasil. (Não há nada de estranho em um autor ser convidado para divulgar seu livro. Estranho é ele não receber a autorização do seu próprio governo para essa viagem). O senador inicialmente se dispôs a fazer um convite, desde que a Editora lhe enviasse uma carta assegurando que pagaria as despesas da autora. Fizemos isso. Em seguida ele nos ligou dizendo que preferia antes entrar em contato informal com o sr Alejandro Diaz Palácio, diplomata responsável pela Embaixada Cubana. Já na embaixada, Suplicy nos ligou novamente, dizendo que estava com o encarregado de negócios ao seu lado e que ele queria falar comigo. Fiquei animado, pois como velho amigo de Cuba (que já visitei três vezes, uma das quais na qualidade de historiador convidado do Governo Cubano), ingenuamente, achei que receberíamos o apoio do diplomata à nossa demanda. Na verdade, a conversa começou mal. O representante do governo cubano disse não ver muito sentido em “convidar essa senhora, que ninguém conhece”, quando ele se dispunha a listar autores cubanos mais adequados para publicação no Brasil. Fiquei chocado e respondi que, em nosso país, quem decide o que é publicado numa editora é um conselho editorial e não representantes de governos estrangeiros. O sr. Alejandro disse que, nesse caso, ele nada poderia fazer, e que deveríamos entrar com o pedido no consulado de São Paulo e não na Embaixada em Brasília.
Mesmo tendo a desagradável sensação de estarmos sendo “enrolados” sob pretextos burocráticos, a Editora entrou com o pedido. Só uma semana depois recebemos e-mail do cônsul Carlos Trejo Sosa dizendo que deveríamos registrar em cartório o pedido, depois receber alguns carimbos do Itamaraty, para então voltar a encaminhá-lo ao consulado. Fizemos tudo isso (mais duas semanas...) Aí recebemos a informação de que teríamos que começar tudo de novo. O pedido da Editora não valia mais. Eu deveria fazê-lo em meu nome, indo pessoalmente ao cartório, etc. Ora, o convite é da Editora que publicou o livro, não meu, pessoa física. Nitidamente esgotaram-se os trâmites normais. Mas não as tratativas para trazer Yoani.
O senador Suplicy está empenhado na vinda dela. O senador Demóstenes Torres aprovou na Comissão de Justiça do Senado e o presidente da casa José Sarney encaminhou à Embaixada Cubana convite para uma audiência pública de Yoani naquela casa legislativa. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso intercedeu para que a escritora possa vir ao Brasil. Temos esperança de que isto ainda aconteça.
De Cuba, com carinho pode ser lido como um belo livro de História. História cotidiana de quem vive o dia a dia da ilha, sofre com a decadência da economia cubana, mas ama seu país. Alguém que não deseja que conquistas obtidas nas últimas décadas sejam jogadas fora, mas acha que o regime envelheceu com seus dirigentes. Yoani se dispõe a discutir suas ideias. Não é o melhor que pode acontecer para fortalecer a relação entre dois povos tão amigos?
Este artigo foi publicado no Correio Braziliense de 18 de outubro de 2009.
Eric Hobsbawm: uma nova igualdade depois da crise

O objetivo de uma economia não é o ganho, mas sim o bem-estar de toda a população. O crescimento econômico não é um fim, mas um meio para dar vida a sociedades boas, humanas e justas. Não importa como chamamos os regimes que buscam essa finalidade. Importa unicamente como e com quais prioridades saberemos combinar as potencialidades do setor público e do setor privado nas nossas economias mistas. Essa é a prioridade política mais importante do século XXI. A análise é de Eric Hobsbawm.
IHU - Instituto Humanitas (Unisinos) (Agência Carta Maior)

Publicamos aqui parte da conferência que o historiador inglês e membro da Academia Britânica de Ciências Eric J. Hobsbawm apresentou no primeiro dia do World Political Forum, em Bosco Marengo (Alexandria). Do Fórum deste ano, sobre o tema "O Leste: qual futuro depois do comunismo?", participam, dentre outros, Mikhail Gorbachev e Yuri Afanasiev.
Segundo Hobsbawn, todos os países do Leste, assim como os do Oeste, devem sair da ortodoxia do crescimento econômico a todo custo e dar mais atenção à equidade social. Os países ex-soviéticos, afirma, ainda não superaram as dificuldades da transição para o novo sistema.
O texto foi publicado no jornal La Repubblica, em 09-10-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Eis o artigo.
O "século breve", o XX, foi um período marcado por um conflito religioso entre ideologias laicas. Por razões mais históricas do que lógicas, ele foi dominado pela contraposição de dois modelos econômicos – e apenas dois modelos exclusivos entre si – o "Socialismo", identificado com economias de planejamento central de tipo soviético, e o "Capitalismo", que cobria todo o resto.
Essa contraposição aparentemente fundamental entre um sistema que ambiciona tirar do meio do caminho as empresas privadas interessadas nos lucros (o mercado, por exemplo) e um que pretendia libertar o mercado de toda restrição oficial ou de outro tipo nunca foi realista. Todas as economias modernas devem combinar público e privado de vários modos e em vários graus, e de fato fazem isso. Ambas as tentativas de viver à altura dessa lógica totalmente binária dessas definições de "capitalismo" e "socialismo" faliram. As economias de tipo soviético e as organizações e gestões estatais sobreviveram aos anos 80. O "fundamentalismo de mercado" anglo-americano quebrou em 2008, no momento do seu apogeu. O século XXI deverá reconsiderar, portanto, os seus próprios problemas em termos muito mais realistas.
Como tudo isso influi sobre países que no passado eram devotados ao modelo "socialista"? Sob o socialismo, haviam reencontrado a impossibilidade de reformar os seus sistemas administrativos de planejamento estatal, mesmo que os seus técnicos e os seus economistas estivessem plenamente conscientes das suas principais carências. Os sistemas – não competitivos em nível internacional – foram capazes de sobreviver até que pudessem continuar completamente isolados do resto da economia mundial.
Esse isolamento, porém, não pôde ser mantido no tempo, e, quando o socialismo foi abandonado – seja em seguida à queda dos regimes políticos como na Europa, seja pelo próprio regime, como na China ou no Vietnã – estes, sem nenhum pré-aviso, se encontraram imersos naquela que para muitos pareceu ser a única alternativa disponível: o capitalismo globalizado, na sua forma então predominante de capitalismo de livre mercado.
As consequências diretas na Europa foram catastróficas. Os países da ex-União Soviética ainda não superaram as suas repercussões. A China, para sua sorte, escolheu um modelo capitalista diferente do neoliberalismo anglo-americano, preferindo o modelo muito mais dirigista das "economias tigres" ou de assalto da Ásia oriental, mas abriu caminho para o seu "gigantesco salto econômico para frente" com muito pouca preocupação e consideração pelas implicações sociais e humanas.
Esse período está quase às nossas costas, assim como o predomínio global do liberalismo econômico extremo de matriz anglo-americana, mesmo que não saibamos ainda quais mudanças a crise econômica mundial em curso implicará – a mais grave desde os anos 30 –, quando os impressionantes acontecimentos dos últimos dois anos conseguirão se superar. Uma coisa, porém, é desde já muito clara: está em curso uma alternância de enormes proporções das velhas economias do Atlântico Norte ao Sul do planeta e principalmente à Ásia oriental.
Nessas circunstâncias, os ex-Estados soviéticos (incluindo aqueles ainda governados por partidos comunistas) estão tendo que enfrentar problemas e perspectivas muito diferentes. Excluindo de partida as divergências de alinhamento político, direi apenas que a maior parte deles continua relativamente frágil. Na Europa, alguns estão assimilando o modelo social-capitalista da Europa ocidental, mesmo que tenham um lucro médio per capita consideravelmente inferior. Na União Europeia, também é provável prever o aparecimento de uma dupla economia. A Rússia, recuperada em certa medida da catástrofe dos anos 90, está quase reduzida a um país exportador, poderoso mas vulnerável, de produtos primários e de energia e foi até agora incapaz de reconstruir uma base econômica mais bem balanceada.
As reações contra os excessos da era neoliberal levaram a um retorno, parcial, a formas de capitalismo estatal acompanhadas por uma espécie de regressão a alguns aspectos da herança soviética. Claramente, a simples "imitação do Ocidente" deixou de ser uma opção possível. Esse fenômeno ainda é mais evidente na China, que desenvolveu com considerável sucesso um capitalismo pós-comunista próprio, a tal ponto que, no futuro, pode também ocorrer que os historiadores possam ver nesse país o verdadeiro salvador da economia capitalista mundial na crise na qual nos encontramos atualmente. Em síntese, não é mais possível acreditar em uma única forma global de capitalismo ou de pós-capitalismo.
Em todo caso, delinear a economia do amanhã é talvez a parte menos relevante das nossas preocupações futuras. A diferença crucial entre os sistemas econômicos não reside na sua estrutura, mas sim na suas prioridades sociais e morais, e estas deveriam portanto ser o argumento principal do nosso debate. Permitam-me, por isso, a esse ilustrar dois de seus aspectos de fundamental importância a esse propósito.
O primeiro é que o fim do Comunismo comportou o desaparecimento repentino de valores, hábitos e práticas sociais que haviam marcado a vida de gerações inteiras, não apenas as dos regimes comunistas em estrito senso, mas também as do passado pré-comunista que, sob esses regimes, haviam em boa parte se protegido. Devemos reconhecer quanto foram profundos e graves o choque e a desgraça em termos humanos que foram verificados em consequência desse brusco e inesperado terremoto social. Inevitavelmente, serão necessárias diversas décadas antes de que as sociedades pós-comunistas encontrem uma estabilidade no seu "modus vivendi" na nova era, e algumas consequências dessa desagregação social, da corrupção e da criminalidade institucionalizadas poderiam exigir ainda muito mais tempo para serem combatidas.
O segundo aspecto é que tanto a política ocidental do neoliberalismo, quanto as políticas pós-comunistas que ela inspirou subordinaram propositalmente o bem-estar e a justiça social à tirania do PIB, o Produto Interno Bruto: o maior crescimento econômico possível, deliberadamente inigualitário. Assim fazendo, eles minaram – e nos ex-países comunistas até destruíram – os sistemas da assistência social, do bem-estar, dos valores e das finalidades dos serviços públicos. Tudo isso não constitui uma premissa da qual partir, seja para o "capitalismo europeu de rosto humano" das décadas pós-1945, seja para satisfatórios sistemas mistos pós-comunistas.
O objetivo de uma economia não é o ganho, mas sim o bem-estar de toda a população. O crescimento econômico não é um fim, mas um meio para dar vida a sociedades boas, humanas e justas. Não importa como chamamos os regimes que buscam essa finalidade. Importa unicamente como e com quais prioridades saberemos combinar as potencialidades do setor público e do setor privado nas nossas economias mistas. Essa é a prioridade política mais importante do século XXI.
VALE A PENA LER



1. O Império por Escrito
Formas de transmissão da cultura letrada no mundo ibérico
séculos XVI-XIXl


No Brasil, como no mundo ibérico em geral, corre a ideia de que seríamos um país de não-leitores é corrente. Mas este conceito reflete uma ideia antiga sobre a escrita, a leitura e as formas de transmissão da cultura. Resultado de um colóquio que teve lugar na Universidade de São Paulo em 2007, o livro O Império por Escrito, organizado pelas historiadoras Leila Mezan Algranti e Ana Paula Megiani, traz uma complexa diversidade de temas envolvidos na história da leitura e dos leitores – temas e ideias que vão das leituras da vida na corte às gazetas manuscritas revolucionárias do século XVIII. Por isto, neste conjunto de ensaios, são destacados a importância e os significados da comunicação escrita no mundo ibérico, em especial no império português.
Escrever uma história da leitura, ou das leituras no mundo ibérico, é uma atitude ao mesmo tempo ousada e revolucionária. Ousada por pressupor que a leitura seria uma prática cotidiana, acessível um a bom número de pessoas, que podiam escutar notícias, histórias ou relatos lidos. Atitude revolucionária por entender que a leitura vai muito além do próprio livro e seguiu um caminho diferente no Brasil colonial e imperial. Dessa maneira, a coragem de expor essas pesquisas resultou num dos mais importantes volumes sobre a história da leitura e dos leitores do país.
Os diferentes círculos e os variados níveis de comunicação são estudados tanto nos âmbitos dos documentos oficiais como nos diferentes impressos, registros e manuscritos de todo tipo. Eles desempenharam um papel fundamental na transmissão de ideias, valores, normas, costumes e saberes entre as metrópoles e suas colônias, bem como entre as diferentes possessões ultramarinas que integravam tais impérios coloniais.
Livro: O Império por Escrito
Autor: Leila Mezan Algranti e Ana Paula Megiani
Edição: Alameda
Preço: R$ 78 (608 páginas)

Sobre as autoras: Leila Mezan Algranti é professora de História na Universidade Estadual de Campinas. Ana Paula Megiani é professora de História na Universidade de São Paulo.

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2. Virgilio Gomes da Silva: De Retirante a Guerrilheiro dedica-se a recuperar a trajetória pessoal e política desse homem cuja biografia transcende sua morte porque sua história faz parte das lutas históricas do povo brasileiro contra a miséria e a opressão. Virgilio começou vencendo a miséria. Retirante, saiu do sertão do Rio Grande do Norte nos anos 50 para tentar a vida em São Paulo, onde, por meio das lutas sindicais, adquiriu consciência política e tomou contato com as ideias do Partido Comunista Brasileiro.

Após a institucionalização da ditadura, processo iniciado a partir do golpe civil-militar de 1964, Virgilio passou a assumir posição destacada na luta contra a opressão, tornando-se um guerrilheiro da Ação Libertadora Nacional, organização cujos fundadores e líderes foram Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira. Menos de um mês após ter comandado uma das ações mais espetaculares da luta de resistência contra a ditadura, o seqüestro do embaixador americano, Virgilio, o "Jonas" da ALN, foi brutalmente assassinado sob torturas na sede da famigerada Operação Bandeirantes, em 29 de setembro de 1969, e se tornou o primeiro desaparecido político brasileiro.

Esse livro surge em um contexto bastante significativo, em que se lembra os 30 anos da luta pela Anistia e os 40 anos da morte do biografado, e integra uma luta pela Memória, pela Verdade e pela Justiça, da qual fazem parte a abertura dos arquivos, a punição dos torturadores e a localização dos corpos dos desaparecidos.

Edileuza Pimenta e Edson Teixeira são historiadores e autores de Virgilio Gomes da Silva: De Retirante a Guerrilheiro.

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3. Como os clássicos viram clássicos
4. Montesquieu escreveu que os livros são uma espécie de sociedade que damos a nós mesmos. Aqueles que lêem bons livros estão no caso dos que vivem em ótima companhia, mas aqueles que lêem livros ruins são como os que se vêem malacompanhados, e que, no mínimo, perdem seu tempo nessa convivência pouco proveitosa. A leitura de “Mestres do passado”, de Marcos Antônio Lopes, é um verdadeiro convite para se freqüentar a excelente sociedade formada por algunsdos autores que a história elevou à categoria de clássicos do pensamento político moderno. Por meio de uma prosa leve e agradável, sem, contudo, perder de vista a complexidade dos assuntos tratados, Lopes apresenta as razões paraque, em pleno século XXI, continuemos a nos interessar vivamente pelo pensamento político de homens como Maquiavel, Hobbes ou Bossuet, cujas obras foram publicadas há centenas de anos. (Renato Moscateli/Doutor em FilosofiaPolítica pela Unicamp).Marcos Antônio Lopes é professor na Universidade Estadual de Londrina.Livro: Mestres do Passado: Clássicos da Sabedoria Política Moderna.Edição: Eduel, 2009.Preço: R$ 35,00 (220páginas)

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5. Nas bancas o numero 72 da revista História Viva.
Dossiê: Fim da Guerra Fria.
Biografia de Mao Tse-Tung
Artigos principais: Hititas, o império esquecido – Intolerância religiosa – Tocqueville e a democracia – A mulher brasileira e os viajantes.

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6. Nas bancas o número 49 da Revista de História da Biblioteca Nacional. Traz o índice do 4º ano da revista.
Dossiê: França
Entrevista: Manoel Salgado Guimarães
Artigos principais: Políticas da cultura – Poder feminino – Discos voadores: pneus no céu – Educação: ainda na selva? – Álbuns para segurança – Achados do povo de Luzia.

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7. Nas bancas a edição de outubro do jornal Le Monde Diplomatique Brasil.
Artigo de fundo: o novo Estado desenvolvimentista
Outros artigos: Novos paradigmas: uma outra visão de mundo - Eleições japonesas viram a mesa da direita - Entrevista com Tom Zé - O multilateralismo em questão - Terceirização da saúde: gestao pública ou privada? - El Salvador: cem dias de governo - Nanotecnologia: o futuro chegou.
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8. "Perdemos a noção do tempo". Esse é o primeiro verso dos: "Poemas do Povo da Noite". A versão definitiva do poema foi escrita em outubro de 1974, na Penitenciária do Carandiru, quando eu já cumprira o segundo ano de prisão. Antes fora rabiscada em pedaços de papel de cigarro, em letra miúda, ou memorizada para escapar das revistas constantes nas celas do 10º. Batalhão de Caçadores – 10º. BC, Goiânia; do Pelotão de Investigações Criminais – PIC, no Setor Militar Urbano, em Brasília; da OBAN/DOI-CODI do II Exército; do DOPS; do Presídio Tiradentes; do Presídio do Hipódromo; ou da Casa de Detenção e da Penitenciária do Estado de São Paulo, no complexo Carandiru e do Presídio Romão Gomes, em São Paulo. Não exatamente porque os carcereiros dessas instituições cultivassem especial interesse pela poesia...
Leia mais em http://www.correiocidadania.com.br/content/view/3870/166/
Editora: Editora Fundação Perseu Abramo em co-edição com a Publisher Brasil Editora
Título: Poemas do povo da noite - Autor: Pedro Tierra
Número de páginas: 248pp - Valor: R$ 35,00
NAVEGAR É PRECISO
O Globo desmente Ali Kamel: Brasil é racista, sim
Posted: 14 Oct 2009 10:38 AM PDT
Muita gente acha que Ali Kamel é o bambambam das Organizações Globo. Mas, como já afirmei aqui, ele é apenas um empregado. Não é ele quem dita as regras, mas sim a família Marinho. Ele é a bola da vez, o cara que representa (na verdade, o escudo) tudo aquilo que os Marinho (e seus pares – Mesquita, Civita, Frias) pensam.
Esta semana, O Globo publicou uma reportagem que desmonta todo o raciocínio de Kamel (e também de seu alter-ego, Magnoli) de que no Brasil não há racismo.
Sob título “Mulheres e minorias para trás”, o repórter Gilberto Scofield Jr. mostra que a tese de que não há racismo no Brasil é conto da Carochinha e que o Brasil é racista, sim.
A reportagem saiu na segunda-feira. Mas deveria, por sua importância, ter saído no domingo. Essa já é uma rendição aos desejos da famiglia.
Se isso não bastasse, para tentar diminuir o impacto da revelação de que somos um país racista, o foco da reportagem foi a discriminação de gênero (mulheres ganham menos do que homens) e não a de raça (indígenas e negros ganham menos do que brancos), mesmo, como afirma o texto, “considerando grupos com a mesma idade e nível de instrução”.
Ainda para tentar manter de pé a tese de que não somos racistas, o repórter coloca no final da matéria a afirmação de que o fator decisivo é a educação. Só que, contraditoriamente, no corpo da matéria ele afirma que mulheres recebem menos do que homens, “a despeito de as mulheres serem mais instruídas”.
Afinal, a educação é ou não fator fundamental para explicar a disparidade salarial? Num momento (o de gênero), eles afirmam que não. Em outro (de raça), que sim.
No fundo, é a velha manipulação, que vem sendo denunciada pela blogosfera. O Globo, a Veja, o Estadão, a Folha publicam para seus pares, enquanto o mundo ao redor se desmancha como bolhas de sabão.
Leia a íntegra da reportagem: http://blogdomello.blogspot.com/

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Mensagem de M. Moore a Obama: Se não sai do Afeganistão, devolva o prêmio
(Michael Moore)
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&cod=42002&lang=PT

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Uma segunda Grande Depressão ainda é possível
A fúria da extrema-direita dos EUA contra Barack Obama
O que em qualquer outro país democrático ocidental seriam grupos marginais, propícios para o manicômio, nos EUA contam com grandes meios de comunicação – como a cadeia Fox – e capacidade de mobilização massiva para expressar seus delírios ideológicos. Há algumas semanas, estes grupos capazes de detectar comunistas nos locais mais inesperados, estão em pé de guerra contra a reforma da saúde, proposta por Obama, que em qualquer país europeu não chegaria a merecer o título de social-democrata. O artigo é de Pablo Stefanoni.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16190&boletim_id=602&componente_id=10116

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Tráfico, favelas e violência
A política de segurança adotada por sucessivos governos da cidade e do Estado comete equívocos e dialoga com público, através das mídias, de modo ainda mais equivocado. Ao não aceitar ajuda federal, o atual governador situou o problema na esfera local, dizendo que, por ora, tinha como resolvê-lo. As questões de fundo que são as verdadeiras causas de tudo isto foram, mais uma vez, para debaixo do tapete da política e da história. O artigo é de Luis Carlos Lopes. > LEIA MAIS
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16197&boletim_id=604&componente_id=10148

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Percepção Política
por Regina Caldas
A vida de Brunetto Latini (1220-1294), coincide com um dos períodos mais agitados da história política florentina. Tendo recebido formação para se tornar notário, Brunetto foi treinado para escrever em latim nas mais variadas formas de contratos e na redação de atos e documentos governamentais. Como praticante de notário, atestou mortes, atos de ultima vontade, acordos de negócios particulares e do estado, entre Florença e outras cidades... Leia na íntegra: http://espacoacademico.wordpress.com/2009/10/20/percepcao-politica/

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Identidade, intolerância e as diferenças no espaço escolar: questões para debate
por Eliana de Oliveira
Numa abordagem antropológica, a identidade é uma construção que se faz com atributos culturais, isto é, ela se caracteriza pelo conjunto de elementos culturais adquiridos pelo indivíduo através da herança cultural. A identidade confere diferenças aos grupos humanos. Ela se evidencia em termos da consciência da diferença e do contraste do outro... Leia na íntegra: http://espacoacademico.wordpress.com/2009/10/17/identidade-intolerancia-e-as-diferencas-no-espaco-escolar-questoes-para-debate/

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NOTICIAS

O LABEPEH (Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino de História - CP/FAE- UFMG) convida você para a sessão dos *Diálogos* de outubro de 2009O projeto foi criado em 2005. Os *Diálogos* têm como papel fundamentalefetivar a relação entre pesquisa, ensino e extensão no campo do Ensino deHistória, articulando a Universidade e Escolas da Educação Básica.Atualmente o projeto é coordenado pelas profas Júnia Sales (Fae) e Soraia deFreitas (CP) e conta com colaboração direta das profas. Dilma Scaldaferri eLuisa Teixeira Andrade, além das monitoras e colegas do Labepeh.Na sessão do dia 29 de outubro (última quinta-feira do mês) discutiremoso tema "A História do Museu - temas práticas educativas e diálogos transdisciplinares, em uma mesa redonda composta por Júnia Sales Pereira, professora da Faculdade de Educação\UFMG, Naila Garcia Mourthé, professora de História da Escola Estadual Prof. José Mesquita de Carvalho e Andréia Menezes De Bernardi, arte educadora e aluna do Mestrado da Fae\UFMG.Contamos com a sua presença e pedimos especial colaboração na divulgaçãodeste evento. As sessões dos Diálogos acontecem toda última quinta-feira domês, no auditório professor Luiz Pompeu (Faculdade de Educação - UFMG),sempre às 19h.

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De 9 de outubro a 22 de novembro, exposição Mulheres Reais.
Vestuário – Modas e modos do Rio de D. João VI.
Galeria Alberto da Veiga Guignard, Palácio das Artes, Belo Horizonte
De 9 às 21 horas, de terça a domingo.
Maiores informações: www.exposicaomulheresreais.com

13.10.09

Número 207





Semana do saco cheio, muita gente de folga, dois feriados, sendo que o do dia 15 leva-nos, mais uma vez, à reflexão sobre o magistério nos dias de hoje. Temos um artigo enviado por um amigo e ex-aluno, que toca no assunto. E temos uma charge que me foi remetida há algum tempo e que preferi guardar para esta semana, que também nos leva a refletir sobre os rumos da educação no Brasil.
Além disso, temos uma crítica ao Enem e à forma como foi estabelecido o exame deste ano que redundou no vazamento (proposital? acidental?questões....) e adiamento da prova, com evidententes prejuízos para todos os envolvidos.
Um terceiro artigo nos lembra a frase de Engels e de Rosa Luxemburgo: socialismo ou barbárie...
Um livro sobre Euclides da Cunha e Tocaia, de Maringoni, são as sugestões de leitura.
Para navegar, muita coisa interessante: Golpe na Constituição, dezenas de artigos no novo número da revista Espaço Acadêmico, muitas novidades no CAfé História, Evolução e Religião, A imprensa diária está morrendo? , O adeus a Mercedes Sosa, As mulheres e a ditadura militar no Brasil, A guerra no século XXI ou a terceirização da guerra, Os 12 de O Globo e os "pelegos" da UNE.
Duas noticias: mestrado em Gestão Integrada do Território e o curso Brasil, Corpo e Alma.
Bom proveito!








Colaboração de Lucas Henrique Franco Silva

É proibido educar!

Prof.Lucas Henrique Franco Silva
A prática cotidiana da docência impõe aos profissionais do ensino limites árduos para a ação educadora que, muitas vezes, ganham uma dimensão proibitiva no tocante à formação de jovens para o exercício de valores fundamentais à uma vida social harmoniosa e digna.
Na realidade escolar, angústias diárias são desaguadas, precipuamente quando pais ou responsáveis a procuram, em geral, imersos de colheres fartas de estresses do mundo hodierno, as quais apimentam, normalmente, o prato de sempre: o professor. Constantemente, tais pais chegam ao ponto de atribuir porcentagens de culpas para os focos motivadores do insucesso dos filhos nas atividades curriculares: 50% professor, 40% direção e coordenação e 10% aluno; esta é uma das amostragens corriqueiras que se evidenciam de algumas falas. Reparem que tais pais não se incluem nestas quantificações.
É notório, sem qualquer grande esforço analítico, que tipologias de pais que se excluem de quaisquer responsabilidades atinentes aos rumos educativos tomados por seus filhos, geralmente, são super permissivos quanto ao acesso irrestrito da prole à linguagem da tecnologia contemporânea (Internet e toda a sua gama de entretenimentos), jogos, consumo desenfreado de objetos da moda, etc. Em palavras delimitadas, a geração dos “SINS” familiares exacerbados se confronta, portanto, com os inúmeros “NÃOS” escolares, cujos atritos germinam sementes e mais sementes depreciativas, por parte da juventude do presente, acerca da importância dos limites escolares, para a sua formação humana integral.
A educação, numa visão holística, possui vários lados para se refletir. Numa simplificação geométrica e metafórica, poder-se-ia dizer que EDUCAÇÃO é como um quadrado. Sim, seus lados poderiam ser: 01- Educando / 02- Família / 03- Escola / 04- Estado. Cada um destes lados infere limites claros à prática educadora dos professores sérios, ou seja, aqueles que são interessados em ensinar com qualidade e prazer seus conteúdos, bem como desejosos de influenciar a atual juventude para a ação de valores aprazíveis à boa convivência social.
Para muitos familiares é fácil culpar o filho, porque não estuda ou a escola, porque não ensina direito ou o Estado, porque não investe adequadamente na qualidade estrutural (humana e material) das escolas.
Para o educando é fácil culpar o professor sério (e também os não sérios) devido à sua rigidez em procurar garantir um ambiente físico e intelectual favorável para o ensino (organizado, limpo, silencioso, etc.), bem como devido à adesão de alguns à impessoalidade (regras justas para cumprimentos coletivos). Estes assiduamente culpam também os pais, porque não “se ligam” em seus problemas pessoais, assim como a considerada extenuante rotina escolar, porque é “sem graça” e “sem atrativos”.
Para a escola e o Estado a guerra é ainda maior. Ambos se culpam o tempo todo! O primeiro culpa o segundo, muitas vezes, pela ínfima autonomia educacional para dirimir agravantes casos indisciplinares, que fogem da alçada escolar, mas que o Estado insiste em lhe atribuir a obrigatoriedade de equilibrá-los e solucioná-los, de maneira exclusiva. O diálogo família-escola, quando esgotado e sem solução interna, esbarra na interferência externa do Estado, o qual costumeiramente alinha-se aos “quereres” da família, em detrimento da escola. O Estado, vez ou outra, alega politizar-se em prol da melhoria material e pedagógica das instituições de ensino e quando essa melhoria não ocorre nos patamares especulados, a culpa é da direção e de seus pares que, com inabilidade, executam as qualificações acadêmico-profissionais exigidas.
Em linhas centrais, nas salas: de aula, dos professores, de reuniões, de direção, de coordenação, dentre outras, o que se vê, diariamente, são professores com “olheiras”, cansados físico-mentalmente, mas, sobretudo, desiludidos por este clima de “jogo de culpas”, o qual cria, inevitavelmente, uma sensação de que ensinar conteúdos ainda é possível, mas educar para uma vida social ética é proibido.
Veja bem! A noção do professor como autoridade se esbarra em cadeiradas, socos, xingamentos, dentre outras avarias, veiculadas sinteticamente na mídia, que afligem o sublime “ser professor”. Hoje em dia, o professor não pode falar firme com um aluno, com medo de retaliações diversas; em casos mais graves nem pode dizer “cale a boca”; enfim, não pode disciplinar, não pode educar, uma vez que, especialmente em algumas instituições da rede privada, o aluno é cliente e como todos sabem: “cliente tem sempre a razão”! Fica assim o sentimento docente: “se eu chamar a atenção demais, o aluno vai reclamar, eu serei chamado a atenção pela direção escolar e correrei o risco de ver meu emprego correr de mim!”
Como diz uma propaganda televisiva: “Tristeza: Por favor vá embora, minha alma que chora!” Mas esta tristeza já infectou a muitos e o que se percebe são professores se resignando, como pacientes terminais de uma grande epidemia: o desprazer de educar!
Creio que o amor que Cristo nos ensinou precisa preencher os vazios das vidas de inúmeros brasileiros e, quem sabe, este amor transformador dos males desta sociedade tão deseducada possa ganhar espaço no coração das pessoas, de forma a estimular uma ressignificação deste importante e imprescindível quadrado chamado educação.







Deu chabu no Enem!
*Roberto Boaventura da Silva Sá*
Assim que o professor Fernando Haddad – ministro da Educação – no final de março deste ano, anunciou proposta de unificar o vestibular das universidades federais, criando novo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), apresentei-me contrário à idéia. Nesse sentido, publiquei nove artigos neste espaço entre 15/04 e 03/06.
Em “Novo vestibular, novos problemas” (28/04), no 4º parágrafo, afirmei: “...na elaboração de provas unificadas poderão se perder controle e rigor dos pares – entre si – que há nas atuais comissões elaboradoras das provas (das federais). Denúncias contra essas comissões são raras. Hoje, muitos concursos públicos já estão desacreditados no país. O vestibular poderá ter o mesmo fim. Políticos poderão intervir – sim – a favor de parentes. Como controlar isso? Como acreditar na honestidade nacionalizada? Tento. Não consigo”. Em maio, em reunião com o MEC, reitores também demonstraram preocupação semelhante. À época, foram tranquilizados. Agora, deu chabu!
A prova vazou. Pergunto: algum espanto? Não. O Brasil chafurda na corrupção. Nada mais garante lisura em quase nenhum processo seletivo nacionalizado. O novo ENEM, agora valendo vaga para as federais, sempre será porta aberta a fraudes. Pior: nem sempre haverá uma repórter no meio do caminho de mercenários, “amadores” ou não. Como já disse outrora, esse formato de exame visa a contemplar a elite. A meu ver, foi o maior golpe político, travestido de acadêmico/democrático, que se deu depois de 64. Assepticamente, após massacrar a autonomia das universidades, o autoritário governo federal, através do MEC, acertou no cérebro da nação.
Como tantos tentaram – em vão – dialogar com o MEC, pedindo mais tempo para estudar a proposta, como cidadão e funcionário público, questiono sobre a responsabilidade direta do ministro da Educação por eventuais gastos extras (cerca de 35 milhões) para a impressão de novas provas. Digo mais: a teatralização da segurança de cada etapa que envolve o processo no INEP, mostrada pela Rede Globo, a mudança de consórcio e recrutamento de aparato policial não me comovem e não me convencem.
Por falar em novas provas, depois da casa arrombada, o MEC disponibilizou cópia das duas provas canceladas. As do segundo dia continham três partes: a) redação; b) prova de “Linguagens, Códigos e suas Tecnologias”; c) prova de “Matemática e suas Tecnologias”. Valha-me!!! Nunca vi gostar tanto de “tecnologias”!
Breves comentários. Começo pela redação. Com base em dois artigos do Estatuto do Idoso, do enunciado da proposta destaco: 1º) a seguinte redundância: “...redija texto dissertativo-argumentativo em norma culta escrita da língua portuguesa...”. Redigir já pressupõe escrever; 2º) uso inadequado, conforme a própria norma culta, de letras maiúsculas em: “...Selecione, Organize e Relacione, de forma coerente e coesa, Argumentos e Fatos para defesa de seu ponto de vista”. Essas maiúsculas são injustificáveis. Para quaisquer destaques já há convenções: o negrito, o itálico, o sublinhado. Como está, desrespeita a inteligência do candidato e complica ainda mais o ensinamento também desse tópico da língua padrão, já bastante mordida.
Sobre o tempo. Mesmo com algum preparo, gastei uma hora e meia para ler e responder as 45 enfadonhas questões de “Linguagens...”. No geral, as perguntas são ridículas, redundantes na intenção central, algumas dúbias, e outras explicitamente ideológicas. Ex.: n. 3 (sobre o imposto de renda) e n. 30 (campanha do Ministério da Saúde contra o tabagismo). Mas para chegar às perguntas, há uma avalanche de textos que as antecedem. Conclusão: o tempo é insuficiente para redigir uma boa redação e dar conta também de mais 45 questões de “Matemática...”. A título de lembrança: há pouco, em muitos vestibulares, a redação não disputava tempo com outras provas. Escrever pressupõe reflexão. Pensar demanda tempo. Por isso, convido todas as autoridades que, às pressas, aprovaram essa aberração, a fazer as tais provas à frente de câmeras de TV, como num “reality show”. Aposto: paredão pra todos. Que tal? O desafio está no ar.
* É Dr. em Jornalismo/USP. Prof. de Literatura da UFMT.







Do Correio da Cidadania:
A barbárie está aí


Escrito por Gilvan Rocha
06-Out-2009
Há mais de cem anos que Frederico Engels afirmou viver a sociedade capitalista um dilema: "o socialismo ou o caos". Anos depois, Rosa Luxemburgo dava ênfase à colocação feita por Engels, dizendo que o dilema da sociedade capitalista era "o socialismo ou a barbárie".
Certa esquerda sempre teve um comportamento declamatório à literatura socialista, repetindo frases sem atentar para o seu significado. Poderíamos fazer uma lista infinda de tais afirmações cientificamente fundamentadas e sucessivamente repetidas como peças declamatórias, sem se fazer a menor reflexão sobre o seu conteúdo. Dentre elas podemos destacar: "socialismo ou a barbárie".
Não estamos nos dando conta que o capitalismo marcha celeremente para o desastre. Não atentamos para o fato de que a cada dia ele tritura vidas, destrói a natureza, corrompe os costumes de forma cada vez mais acentuada. É a iminência de explosões sociais que podem levar as massas populares ao saque, à depredação, à vingança social sem rumo e sem resposta.
Enquanto isso, a grande maioria das pessoas se perde em torno de infindáveis disputas de grupos ou partidos, em batalhas mesquinhas, sem se darem conta da profundidade da crise que estamos mergulhados.
"Socialismo ou barbárie" não é simplesmente frase de efeito. Encerra um dilema concreto da sociedade capitalista que tenta manter-se de forma obstinada pouco lhe importando os interesses gerais da humanidade. Daí, a razão pela qual se proclama triunfante a "derrocada do socialismo".
Para nós outros, a questão coloca-se de outra forma: a inviabilidade do socialismo implica, inevitavelmente, a negação do capitalismo pela barbárie, pelo desastre histórico.
Como tudo o mais, o capitalismo não é eterno, bem se sabe. Mas devemos envidar esforços, enquanto é tempo, para que seu fim não nos conduza à grande tragédia do fim da humanidade.
Para tanto, há que se impor, como solução, a negação do capitalismo pela afirmação do gênero humano.

Gilvan Rocha é presidente do CAEP - Centro de Atividades e Estudos Políticos.
Nossa homenagem a esta moça e seus tambores...




VALE A PENA LER

1. Os 100 anos da morte de Euclides da Cunha estão rendendo vários estudos a respeito do autor e da obra máxima, Os Sertões.
A esses títulos acrescenta-se agora a obra de um euclidiano norte-americano, Frederic Amory. Euclides da Cunha. Uma odisséia nos trópicos. A obra de Amory, lamentavelmente morto antes da edição traduzida de seu livro, distingue-se da de seus pares por sua maior ênfase na compreensão psicológica do biografado. Talvez tenha sido ele duplamente beneficiado por sua condição de estrangeiro: se conhecia a bibliografia brasileira tão bem como seus colegas, dispunha ainda de um acervo, sobretudo sobre o evolucionismo inglês e europeu, a que eles não tiveram acesso; por outro lado, não foi tolhido por tabus que têm prejudicado a compreensão do escritor fluminense.

Leia resenha em http://cienciahoje.uol.com.br/153944

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2. Acaba de sair ‘Tocaia’, coletânea de histórias em quadrinhos produzidas por Gilberto Maringoni, entre 1989 e 2002. São 14 narrativas curtas, publicadas em lugares diversos, como CartaCapital, Kyx-93, Lúcifer, Metal Pesado, Panacéia, Front (todas no Brasil), Fluide Glacial (França), Orme (Itália), Seleções BD (Portugal) e ConSequencias (Espanha). Os trabalhos foram realizados enquanto o autor desenvolvia atividades de jornalista, chargista, editor gráfico, pesquisador e militante político.

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NAVEGAR É PRECISO

1. Golpe na Constituição
Proposta quer retirar direitos sociais
Deputado propõe Emenda Constitucional que pretende “enxugar” a Constituição brasileira, retirando dela vários capítulos, inclusive todos que dizem respeito a direitos sociais
Raquel Torres
http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/proposta-quer-retirar-direitos-sociais-da-constituicao

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2. Revista Espaço Acadêmico

DOSSIÊ - 60 ANOS DA REVOLUÇÃO CHINESA

Nenhum a menos – Dos princípios educativos na filmografia chinesa
Carlos Bauer de Souza
Documento - Eis a China - Duarte Pacheco Pereira
A historicidade e o sucesso do “socialismo de mercado” chinês - Elias Jabbour
60 anos da Revolução Chinesa - Henrique Rattner
Falácias acadêmicas, 13: o mito do socialismo de mercado na China -
Paulo Roberto Almeida
Da Revolução Cultural Chinesa à Revolução Sexual hoje - Raymundo de Lima
O maoísmo da Ação Popular e sua intervenção no noroeste do Paraná -
Reginaldo Benedito Dias
China - 60 anos de República Popular - Wladimir Pomar


a contrapelo
Interfaces da Educação Popular com a Educação Ambiental Antonio Inacio Andrioli

antropologia
A face simbólica dos “saberes da tradição” e a produção de identidades no contexto do povo indígena KiririResumo - José Valdir Jesus de Santana

brava gente
Zelaya: um case da nova política diplomática brasileira? - Ruda Ricci

ciência & tecnologia
Conectividade e Informação: O mundo em suas mãos (6) - Antonio Mendes Silva Filho

educação
Autonomia como princípio educativo - Luiz Etevaldo da Silva
O desenvolvimento da resiliência pelas adversidades da escola - Cláudio Pellini Vargas

literatura
Sobre o Classicismo de Goethe (Caracter) - Júlio César Mioto

política & sociedade
Notas sobre a liberdade e a tirania da maioria em Stuart Mill - Antonio Ozaí da Silva

políticas públicas
Avaliação das Políticas Públicas - Fernando Castro Amoras, Laércio Gomes Rodrigues

http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/issue/current/showToc

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3. Evolução e religião 08/10/2009
Site "Memórias Reveladas", do Governo Federal, é uma tentativa de enfrentar o passado da ditadura militar no Brasil.
CAFÉ EXPRESSO NOTÍCIAS
Neto de Stalin processa jornal por difamar seu avôComuna sobrevive após 60 anos de comunismo na China
CINEHISTORIA
Café História conta o que achou de "Bastardos Inglórios", novo filme de Quentin Tarantino.

entrevista exclusiva com a pesquisadora Renata de Rezende Ribeiro, da UFES. Renata conta a respeito de suas pesquisas sobre a morte no mundo contemporâneo, as aproximações e diferenças com a morte no mundo medieval.

Visite Cafe Historia em: http://cafehistoria.ning.com

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5. A imprensa diária está morrendo?
O que é que agrava tão letalmente a velha decadência da imprensa escrita quotidiana? Um fator conjuntural: a crise econômica global que provoca a redução da publicidade e a restrição do crédito. E que, no momento mais inoportuno, se veio somar aos males estruturais do setor: a mercantilização da informação, o apego à publicidade, a perda de credibilidade, a queda de subscritores, a competência da imprensa gratuita, o envelhecimento dos leitores... Dezenas de diários estão em queda. Nos Estados Unidos já fecharam pelo menos cento e vinte. E o tsunami golpeia agora a Europa. O artigo é de Ignácio Ramonet.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16175&boletim_id=599&componente_id=10070

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6. O adeus a Mercedes Sosa
Sem perder sua ligação com o folclore, música predominante do interior argentino, Mercedes Sosa circulou por diversos gêneros musicais, enfrentou a censura de ditadores e dividiu o palco em todo mundo com músicos de diferentes estilos e gerações. Centenas de fãs e personalidades fizeram fila do lado de fora do Congresso da Nação de Buenos Aires, onde a cantora foi velada até o meio-dia de segunda-feira. Homens e mulheres de todas as idades e com flores nas mãos esperavam pacientemente para dar seu último adeus à artista.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16176&boletim_id=599&componente_id=10072

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7. Entrevista com Margareth Rago As mulheres e a ditadura militar no Brasil
(IHU - Unisinos)
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&cod=41816&lang=PT

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8. A Guerra no Século XXI ou a terceirização da guerra
Em entrevista ao jornal argentino Página 12, Dario Azzelini, pesquisador italiano das novas guerras, defende que "a guerra não é mais para instalar outro modelo econômico; ela é o modelo". "O sentido da guerra mudou. Tradicionalmente era para trocar as elites e o controle das economias, ou introduzir outro modelo de domínio econômico ou político. Agora, em muitos casos as guerras são permanentes. Não se faz a guerra para implementar outro modelo econômico, mas a guerra mesmo é o mecanismo de lucros", afirma o historiador. > LEIA MAIS http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16184&boletim_id=600&componente_id=10086

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9. Os 12 de "O Globo" e os "pelegos" da UNE
Uma dúzia de alunos de escolas particulares da Zona Sul do Rio, "apartidários" e "apolíticos", lançam um "novíssimo movimento estudantil" pela reforma do ensino. Os leitores, eu e a torcida do Flamengo temos visto muitas fraudes no passado recente. Sabemos que às vezes elas nascem assim. Por que uma dúzia de moças e rapazes bonitos e bem vestidos, do Leblon, Ipanema, Gávea e adjacências, tornam-se notícia dessa forma em “O Globo” - quase sempre amplificada depois por outros veículos audiovisuais do mesmo império Globo de mídia? O artigo é de Argemiro Ferreira.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16181&boletim_id=600&componente_id=10087








NOTICIAS

1. Encaminho para conhecimento e solicito divulgar. Inscrições para o Mestrado em Gestão Integrada do Território da Univale (recomendado pela CAPES).

Área de Concentração: Estudos Territoriais
Linha de Pesquisa: 1) Território, migrações e cultura; 2) Território, sociedade e saúde.
Número de vagas: 20
INSCRIÇÕES: Até 30 de outubro de 2009
EDITAL disponível em www.univale.br
Informações: (33) 3279.5577 - 3279.5567
E-mail: territorio@univale.br

Público Alvo: Graduados das Ciências Sociais Aplicadas, Ciências Humanas, Letras e Artes, Ciência Exatas e da Terra, Engenharias, Ciências Biológicas, Ciência da Saúde e Ciências Agrárias, que atendam ao edital de seleção.

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Brasil, Corpo e Alma
Em parceria com a Casa do Saber do Rio de Janeiro, a Revista de História da Biblioteca Nacional oferecerá o curso Brasil, Corpo e Alma, Grandes Temas da Identidade Nacional. A partir de outubro, cinco encontros semanais abordarão alguns marcos que definem a alma – e o corpo – do Brasil, evocando temas antigos que permanecem como referências indeléveis em nossas motivações e sentimentos atuais.
Coordenado por Luciano Figueiredo, editor da Revista de História, o evento contará com a presença de Luiz Fernando de Almeida, presidente do Iphan; Lilia Schwarcz, antropóloga da USP; Claudia Márcia, diretora do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular; Renato Lessa, cientista político do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj); e Santuza Cambraia, socióloga da PUC-RJ. Assinantes da revista ganham 15% de desconto no valor total do curso
Mais informações podem ser encontradas no site da Casa do Saber ou pelo telefone (21) 2227-2237. Assinantes da Revista ganham desconto na inscrição. Confira abaixo a programação resumida. Veja os detalhes em nosso site.
19 OUT PEDRA, CAL E SONHOS: A HISTÓRIA DO PATRIMÔNIO E SEUS RITMOS HOJE - Luiz Fernando de Almeida

26 OUT AS ARTES DO POVO BRASILEIRO - Claudia Marcia Ferreira

09 NOV RAÇA - Lilia Moritz Schwarcz

16 NOV TRADIÇÕES POLÍTICAS - Renato Lessa

23 NOV MÚSICA BRASILEIRA - ORIGENS E DESDOBRAMENTOS
Santuza Cambraia Naves

6.10.09

Numero 206



Depois de uma semana de férias, um boletim com muito material para ler.
Começamos com dois artigos que tratam de Nuestra América, passamos para uma apreciação da obra de Chagall e concluímos com dois artigos sobre educação, principalmente o Enem.
Na seção de livros e revistas, A República, a História e o IHGB; Natureza e cultura no Brasil; José da Silva Lisboa, Visconde de Cairu; Revista Fórum; Revista Outubro; De Cuba, com carinho.
Navegar é preciso: Fordlândia; A crise não acabou; América Latina é o lugar mais estimulante do mundo; Livro de graça; Blog da Revista Espaço Acadêmico; A educação brasileira e seus números; O professor tem de ser problematizador; Novo blog; novidades do Café História.
Notícias: Curso de História da África; Chamadas de artios; II Simpósio de História, Geografia e Arquitetura e Urbanismo; GT História e documentos; I Seminário Nacional sobre Fontes Documentais e Pesquisa Histórica; V Seminário Imigração Italiana; concurso para o IPHAN; Colóquio Internacional Historia da Arte e Historia da Ciência.

Esta é a praia do Espelho, Bahia, um lugar maravilhoso em que estive nesta semana de férias...






Honduras e o futuro das Américas
Em Honduras, um passado que parecia superado voltou com força total. O pesadelo retornou, como um filme de terror de péssimo gosto. As técnicas são as mesmas de sempre. O governo golpista mente e mente contando com a benevolência das direitas mais raivosas das Américas.
Luís Carlos Lopes (
www.cartamaior.com.br)
O caso de Honduras traz a memória de tantos golpes de Estado e de governos ditatoriais, comuns na América Latina, entre as décadas de 1960 e 1980. A América Central, onde fica este pequeno país, foi afogada em sangue, miséria e ignorância, a partir de episódios similares. Nenhuma ditadura trouxe a paz e a conciliação, baseada em algum nível de justiça social. Nesta região, elas geraram incruentas guerras civis revolucionárias, respondidas a política de terror de Estado, baseadas no controle da opinião, na tortura e em execuções sumárias. A ordem e a normalidade constitucional pretensamente pretendida pelos ditadores, sempre significaram um poço sem fundo, um mundo sem solução.
O modelo costa-riquenho – o coração civil das Américas – foi desdenhado pelos verdadeiros sujeitos articuladores destes tipos de governo. O esquema é simples. As elites agro-exportadoras, os proprietários das terras e dos negócios, aliavam-se às incipientes burguesias locais e às frágeis classes médias. Iam ao poder garantindo pela força militar seus negócios e privilégios. Oprimiam a maioria, sem qualquer cerimônia, tal como no passado colonial espanhol.
As forças armadas funcionavam como instrumentos de políticas das mesmas elites, fundindo-se, tais como partidos políticos, às frentes da reação e do controle da população. Perdiam qualquer finalidade de defesa do país e se transformavam em gendarmes de controle da população. Aceitavam um papel subalterno e, dizendo-se patrióticas, defendiam de fato os patrões internos e externos. Os militares transformavam-se em grandes polícias fardadas especializadas em tentar conter qualquer tentativa de melhoria social ou de democratização, mesmo que formal.
Durante muito tempo, esta solução de força contou com o apoio norte-americano que, em algumas oportunidades, chegou a intervir militarmente na região. Os poderosos interesses econômicos e políticos-estratégicos norte-americanos, mormente depois do sucesso da revolução cubana, mas mesmo antes, fundamentaram um apoio irrestrito à opressão centro-americana.
Questões étnicas e culturais ajudaram a completar o quadro dantesco de uma região tributária das maravilhosas e antigas culturas indígenas americanas, sobretudo, da civilização maia. Ainda hoje, no caso hondurenho, vê-se que Zelaya é um mestiço de brancos com índios e Micheletti, pelo nome, figura e arrogância, é um membro das elites brancas originário de imigrações mais recentes. As imagens das ruas de Tegucigalpa mostram a real identidade étnica do país que deveria ser motivo de orgulho e não do desprezo conhecido que as elites brancas lhe devotam.
Em Honduras, um passado que parecia superado voltou com força total. O pesadelo retornou, como um filme de terror de péssimo gosto. As técnicas são as mesmas de sempre. O governo golpista mente e mente contando com a benevolência das direitas mais raivosas das Américas. No Brasil, elas estão em polvorosa. Viúvas e saudosos da ditadura deixaram cair a máscara, declarando que desejariam que o país não tivesse adotado a postura da defesa de Zelaya.
A política de Estado de Honduras é a dos militares, a da repressão e a da tentativa de controlar as massas que não foram reduzidas à nova ordem. Censura, prisões, mortes etc compõem o esforço destes fascistas de almanaque de impedir o retorno ao poder do presidente eleito.
A estratégia dos usurpadores do poder, agora chamados por parte das grandes mídias brasileiras de ‘governo interino’ é de tentar fazer eleições fraudulentas e controladas pela força das armas. Estas serviriam para legitimar o novo governo frente aos olhos internos e, sobretudo, buscando a aprovação norte-americana e européia. Eles querem criar a ilusão de democracias burguesas de araque, tal como existem, em outros países latino-americanos.
O problema é que a volta de Zelaya, contando com o apoio explícito do governo brasileiro, atrapalhou o planejado. Agora, ninguém sabe o que virá ocorrer. O controle estritamente militar das massas é tarefa difícil. Zelaya vem demonstrando coragem e, ao contrário do velho script latino-americano, não aceitou asilar-se e cuidar de sua própria vida.
Não é difícil recordar, guardando-se as proporções, da figura de Allende, resistindo até a última bala no Palácio La Moneda. De dentro da embaixada brasileira, protagonizando um episódio político e diplomático inédito, o presidente hondurenho continua a resistir e a propor ao seu povo a clássica desobediência civil. Pela primeira vez, o governo brasileiro honra com imensa dignidade seus compromissos com a normalidade democrática do conjunto das Américas.
Os Estados Unidos, ao contrário do passado, não se alinharam automaticamente. Obama não apóia e nem pensa em se meter diretamente na questão, em virtude dos problemas internos gerados pela crise econômica que o país vem enfrentando e por priorizar outros interesses geopolíticos, tal como a questão iraniana. Pela primeira vez, na história latino-americana, ao invés de apoiar um golpe de Estado, o governo brasileiro o condenou clara e abertamente na assembléia geral das Nações Unidas. Portanto, ainda não é possível saber o desfecho desta história. Todavia, desta vez o golpe e os golpistas, mesmo se vitoriosos, pagarão pelos seus atos, destoando do passado, onde facilmente se legitimavam.

Luís Carlos Lopes é professor e autor do livro "Tv, poder e substância: a espiral da intriga", dentre outros




Organização de extrema-direita ronda o Brasil
por Michelle Amaral da Silva (www.brasildefato.com.br)

Destinada a enfrentar a ascensão de governos progressistas na América Latina, a UnoAmerica lança bases no país
29/09/2009

Adriano Andrade,do Rio de Janeiro (RJ)
Uma sombra nebulosa se aproxima do Brasil, de forma sorrateira e silenciosa. Os efeitos de sua proximidade podem ser mais lamentáveis do que se imagina. No final de abril, ocorreu no Rio de Janeiro (RJ) a conferência “O Totalitarismo Bolivariano contra o Estado Democrático de Direito Latino-americano”. Organizada pela Academia Brasileira de Filosofia, pelo Instituto Millenium e pelo Farol da Democracia Representativa, recebia como principal visitante o venezuelano Alejandro Peña Esclusa. Ex-adversário de Hugo Chavez na disputa eleitoral de 1998 – a primeira a elegê-lo –, ele preside a entidade de extrema-direita União das Organizações Democráticas das Américas (UnoAmerica). Tratava-se do primeiro passo para a instalação do capítulo brasileiro do grupo, ainda sem sede no país, mas com enorme protagonismo de brasileiros.
A iniciativa de fundação da organização teria surgido no Brasil. Em 2006, Heitor de Paola, atualmente um dos delegados brasileiros da UnoAmerica, organizou em São Paulo (SP) o “Seminário sobre Democracia e o Império das Leis”. A partir de conversas informais entre ele e Esclusa, decidiu-se institucionalizar o combate ao que chamam de “eixo-do-mal latino-americano”, composto por todos os governos oriundos de lideranças que fizeram parte do Foro de São Paulo, nos anos 1990. Dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) e Tabaré Vázquez (Uruguai), a Evo Morales (Bolívia) e Hugo Chavez (Venezuela), todos são considerados esquerdistas “aliados das Farc” a ser banidos do poder. Graça Salgueiro é a outra delegada. Junto a Paulo Uebel, diretor executivo do Instituto Millenium, e João Ricardo Moderno, presidente da Academia Brasileira de Filosofia, formam o principal time de defensores da organização.
A UnoAmerica nasceu em dezembro de 2008 na cidade colombiana de Santa Fé de Bogotá. O encontro que nela resultou era derivado de uma suposta “ameaça” vivida pela Ibero-América (como chamam a América Latina) com o advento de 14 “governos do Foro de São Paulo”. Segundo seu discurso, os “terroristas” teriam abandonado a luta armada para aproveitar-se dos mecanismos institucionais e implantar experiências comunistas na Ibero-América. Para eles, as principais lideranças seriam Lula e Fidel Castro (Cuba), sendo que Hugo Chavez não passaria “de bucha de canhão”. No evento de abril, o professor Moderno lançou o “Manifesto à Nação Brasileira contra o Totalitarismo Bolivariano”. No texto, descreve que o bolivarianismo “mantém estreitos vínculos carnais com o narcotráfico, o terrorismo e o fundamentalismo islâmico”.
Nas eleições venezuelanas de 1998, Peña Esclusa teria obtido parcos 0,04% dos votos. Seus compatriotas se perguntam agora como alguém pouco conhecido em suas terras circula com tanto prestígio pela Europa Ocidental e como apareceu em entrevista ao Washington Times, jornal ligado ao ex-presidente estadunidense Donald Rumsfeld. Seria porque defende abertamente golpes de Estado? Um influente político italiano admitiu que foi recomendado a Esclusa por integrantes do Vaticano. Provavelmente, trata-se do cardeal Renato Martino, presidente do Conselho de Justiça e Paz.
No Brasil, elogios a Peña Esclusa também apareceram em um dos blogues mais famosos. Ligado à revista Veja, o blogue de Reinaldo Azevedo é assumidamente um depositário de ideias de direita. Nele, o articulista escreveu: “A esquerda latino-americana, incluindo a brasileira, acusa Esclusa de golpismo, claro. Não soa familiar? Golpismo, como sabemos, é o outro nome que eles dão à pluralidade democrática”. Os simpatizantes da UnoAmerica não consideram golpe o que ocorreu em Honduras, com a deposição de Manuel Zelaya. Ao contrário, dizem que as perspectivas de reversão da “ameaça” vivida pela Ibero-América residem no país centro-americano.
Embora aparentemente não conte com fartos recursos, a UnoAmerica dá inúmeros sinais de representar enorme ameaça ao subcontinente. A Marcha Mundial contra Hugo Chavez, organizada neste mês por meio do site Facebook pela Um Milhão de Vozes, teria sido fortemente estimulada pela UnoAmerica. A Um Milhão de Vozes firmou, recentemente, parceria documentada com a UnoAmerica. Nos textos que escrevem, integrantes da organização deixam escapar sinais de que teriam apresentado seus projetos a setores das Forças Armadas. Na Bolívia, a UnoAmerica acusou Evo Morales de promover o massacre de Porvenir (Pando), onde 20 camponeses foram assassinados. Entregaram à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) denúncias contra o que chamam de crime de lesa-humanidade. A denúncia foi negada por organismos como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Alto Comissariado das Nações Unidas (ONU).




Colaboração de Ana Claudia Vargas,

Viagem aos sonhos de Chagall

Ana Vargas

“...só é meu o país que trago dentro da alma” - Marc Chagall


Violinistas no telhado, gatos com cara de gente, vacas e amantes que rodopiam por céus sempre coloridos, cenas da vida interiorana da velha Rússia, mulheres sorridentes parindo filhos rosados; flores, músicas, vida!
A vida fragmentada em cores, sonhos fantásticos e infinitas possibilidades, assim é o mundo de Marc Chagall ou melhor dizendo: assim é uma parte, talvez pequena, mas profundamente instigante, do mundo de Marc Chagall.
Chagal nasceu na aldeia de Vitebsk, na Rússia, em 1887 e morreu em 1985, aos 97 anos. De família grande, desde criança, fascinava-o a vida cotidiana repleta de cenas rotineiras: o trabalho estafante do pai que era estivador (“Tudo acerca de meu pai me parecia enigma e tristeza”); da mãe, dona de uma pequena mercearia (““ “Se tenho feito quadros é porque me lembro da minha mãe...”) e do tio Neuch, imortalizado por ele nos vários quadros em que há famoso violinista no telhado e a quem adorava seguir em viagens para compra de gado (“Como ficava contente quando me deixava ir na carroça aos solavancos”).
Descendente de judeus hassídicos – assim como a maioria dos habitantes de Vitebsk – cresceu entre cantos e adorações a Deus, em meio à alegria das celebrações religiosas de seu povo e, certamente, estas particularidades de sua infância contribuíram para tornar cada pintura em retrato de tempos feitos de êxtase, poesia, certa melancolia e alguma saudade.
Tudo envolto em cores vivas e intensas; como se cada pincelada fosse uma tentativa de reter o vivido.
Em cartaz no Brasil, a exposição O Mundo Mágico de Marc Chagall: O sonho e a Vida, é, só pela riqueza do acervo, evento obrigatório para quem aprecia arte. Dividida em 7 partes, cada uma apresenta uma faceta do mestre: na série Lês Ames Mortes (Almas Mortas), por exemplo, Chagall baseou suas gravuras na literatura de outro mestre (das letras): o escritor russo, Nikolai Gogol; na série Fábulas de La Fontaine, os textos do francês Jean de La Fontaine, foram a inspiração perfeita para os simbolismos de Chagall. A Bíblia também o inspirou e várias parábolas estão presentes numa série de gravuras. Há ainda gravuras baseadas na literatura grega - Daphnis e Chloé – e aqui, vale ressaltar o empenho de Chagall que viajou à Grécia para captar a luminosidade das paisagens gregas. Esse fato talvez explique toda a força e pureza que trespassa as suas obras. Ao desenhar as fábulas de La Fontaine, por exemplo, ele captou a essência de cada história e, sem rodeios, a verdade contida nas fábulas que todos lemos, resplandecem. Em tempos de moral discutível e das tantas permissividades cometidas em nome da ética, lembrar as lições de etiqueta moral presentes em histórias como A raposa e a cegonha ou o Velho, o menino e a Mula são uma boa maneira de perceber a atualidade (e necessidade) destes temas tão caros a todos nós. Nas gravuras de Chagall, a moral salta aos olhos e nos deixa perplexos quando nos lembramos de certos acontecimentos recentes da política brasileira.
A grande qualidade do artista reside talvez no fato de que toda a riqueza e o colorido de sua obra, todos os detalhes oníricos e fantásticos de cada uma de suas telas (cada quadro é literalmente, um mundo repleto de simbolismos), não encobrem - ao contrário, revelam com vigor - a real realidade: esteja ela presente na aldeia em que nasceu, em Paris ou nas nos romances e fábulas. Chagall era mestre em tornar visíveis sentimentos e emoções. Assim a morte, a tristeza, o amor e a faina diária; os embates da fé nas parábolas bíblicas e as revelações filosóficas que a literatura grega nos legou; tudo isso se expressa de forma que, acima de tudo (e para além de julgamentos artísticos ou críticos da arte); nos sintamos confortáveis como os seres humanos contraditórios e imperfeitos que somos. Podemos ser o que quisermos – e em tempos de patrulha moral, quase emburrecedora, isso não é um alento? – ao entrarmos no país repleto de lembranças e memórias de sua alma. E esta é uma experiência inesquecível que nos devolve nossa tão frágil humanidade.
E há ainda o amor, sentimento fundamental para o pintor; impulso que o levou a tentar apreendê-lo em obra dedicada à esposa Bella (“Á medida que os anos iam passando, o amor dela tornava-se palpável nas minhas pinturas...”), à França (“ A França é a minha verdadeira casa...”) e enfim, à própria vida (“Amar a arte é a própria vida”).
De origem humilde, judeu em um tempo em que tal condição significava holocausto e morte; Marc Chagall celebrou a vida em cada quadro. A riqueza de sua pintura, o humor, o lirismo, a nostalgia, as maravilhas e os pequenos milagres ocultos em uma realidade quase sempre árida; reacendem a fé no homem, apesar de tudo. Parece clichê – e certamente é – mas nesse começo de século no qual nos perdemos em debates em torno do consumo excessivo que massacra o homem e a terra (e vice versa) ou ficamos emparedados em congestionamentos monstro nas nossas cidades tão modernas (mas que não nos acolhem e sim nos excluem), apreciar a obra de Marc Chagall é caminhar em doces e belas paisagens de sonho, lugares nos quais podemos exercer nossa humanidade sem o temor que as tantas teorias – do consumismo, do psicologismo, das auto-ajudas execráveis e limitadoras - nos impõem diariamente. Por nos legar tamanha obra ou por nos devolver de forma plena, como um presente há muito esperado, nossa árdua – mas apesar de tudo bela – condição humana; vale a pena conhecer de perto, toda a riqueza dos sonhos de Chagall, uma celebração da vida – paradoxal e estranha – mas ainda assim, bela.






Enviado pelo amigo Guilherme Souto:

Os boatos rodam o meio educacional. O mais forte é a formação de um complô contra o ENEM. O vazamento da prova teria sido arquitetada para evitar a nacionalização do vestibular, como ocorre nos EUA (o que acabaria com um caixa extra até mesmo para as universidades públicas de nosso país).
Se é verdade ou não, temos que aguardar a apuração. Mas o vestibular por faculdade é um absurdo, tão grave quanto propaganda de remédio. Não há sentido algum que uma universidade faça seu vestibular, definindo o que é fundamental um jovem saber. Cria-se uma cadeia imoral, onde professores de tal universidade cobiçada é convidado para falar, vende livros. Os professores recebem para formular questões e para corrijir exames de seleção. O Ensino Médio, num pragmatismo indigente, organiza seu currículo a partir do index do vestibular de tal universidade. Uma roda viva que é um mercado próprio, que desqualifica professores da educação básica e até pais (sem contar com as teorias de reflexo condicionado que são adotados para os candidatos memorizarem tanta informação).
Do outro lado, um erro grosseiro do MEC. Como é possível que três empresas ganhem uma licitação tão importante porque não houve concorrência? E que duas, dentre as três, já haviam apresentado problemas em outros concursos que haviam conduzido?
É esta faceta das licitações que não compreendo. Tanta documentação exigida, tanta burocracia e o óbvio não é levado em consideração.
fonte: http://rudaricci.blogspot.com/



O novo Enem revoluciona o Ensino Médio?

Escrito por João Luís de Almeida Machado (Correio da Cidadania)
30-Set-2009

A grande mídia propaga aos ventos que o Novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), criado para substituir os vestibulares e que nos primeiros dias de outubro fará sua estréia, constitui uma revolução. Cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém, nos diz sábio provérbio popular. Vamos com calma, é preciso cuidado com o andor que o santo é de barro, nos ensina outro dito comum entre a população.
Revoluções por decreto não existem. A própria compreensão do termo revolução, desgastado pelo tempo, é errônea, pois não se configura, com tais mudanças e reformas previstas com a adoção do Novo Enem, nem mesmo uma esperada virada de mesa na educação brasileira, quanto menos na sociedade, conforme preconizam os preceitos marxistas acerca de tal vocábulo.
É certo que a adoção deste novo modelo de avaliação dos saberes relativos ao Ensino Médio como elemento decisivo para o ingresso dos estudantes em universidades (públicas e particulares), com grande adesão já a partir deste ano, constitui inovação necessária, preconizada e esperada por muitos educadores, entre os quais me incluo.
Mas daí a pensar que automaticamente isso acarretará modificações estruturais nas escolas brasileiras, em especial nas redes públicas, é ir além do próprio sonho, saindo dos limites da sensatez e embarcando em autêntica utopia.
Superar a cultura estabelecida nas redes, de base conteudista e tradicionalista, exige muitas outras ações complementares, não apenas a adoção de exames de admissão às universidades com base em provas que exigem mais dos alunos. A forma de preparação desses alunos para esses exames e - em especial - para a vida demanda a revisão de todo um modo de pensar, agir e realizar em educação que tem décadas de existência no país.
O Novo Enem cria, por certo, demandas que não existiam. Obriga as escolas a repensar suas bases. Exige dos professores uma série de posturas que antes não lhes eram comuns, peculiares. Estipula a necessidade de leitura e atualização constante por parte dos estudantes (e, em contrapartida, pelos educadores com os quais estarão trabalhando). Propõe, através de suas questões, o desenvolvimento do raciocínio, da capacidade de se relacionar, da possibilidade de ir além da mera memorização de fórmulas e dados.
A interdisciplinaridade (ou ao menos a multidisciplinaridade) entra em cena. A necessidade de ir "além dos muros da escola" (título de uma excelente produção do cinema francês sobre educação, premiado em Cannes) com viagens, leituras, filmes, exposições, músicas, poesia, artes plásticas, navegação por sites com conteúdo inteligente e desafiador, entre outras ações, se torna premente e permanente.
É certo que tudo isso é grandioso se analisarmos a realidade e os problemas que envolvem o Ensino Médio público no país, sempre visto como "preparação para o vestibular". As redes privadas, cientes do fato, já se mexem e, como é possível ler em matérias publicadas na mídia, pretendem implementar linha de ação que busque preparar o seu aluno para esta nova demanda.
Mas ainda assim, tendo essa perspectiva, muitas delas erram no alvo porque assumem essa nova "atitude" de olho nos resultados do Enem, sem ir além de forma proposital, ou seja, sem perceber que a formação ampla, crítica, cidadã, ética, multidisciplinar pretendida é que é o principal objetivo. Continuam preparando mais para uma prova do que para a vida, os relacionamentos, o trabalho, a felicidade.
Ir além da concepção vigente e entender que os saberes não são dissociados é outro desafio. Reunir os conhecimentos em grupos como Ciências Humanas, Matemática e Ciências da Natureza, Códigos e Linguagens (entre os quais se incluem as artes e a educação física) é mudança importante, que traz qualidade à educação. Será uma tarefa das mais árduas. Pensem como vai ser para as redes públicas se até as redes privadas, já conscientes da necessidade de mudança e em movimento quanto a isto, estão tentando acertar e continuam a cometer alguns erros de percurso.
A revolução do Novo Enem só tem sentido e efeito real se as alterações não se limitarem à aplicação desse novo elemento de avaliação. É preciso preparar os professores, equipar as escolas (laboratórios de ciência, bibliotecas, salas de informática, quadras), reformular os materiais didáticos existentes, repensar e aplicar novos currículos nos cursos de licenciatura que já prevejam esta nova forma de pensar o Ensino Médio, expandir os limites da escola com a proposição de ações externas (ida a cinemas, museus, shows, exposições, mostras).
Entre a prova que será aplicada no início do próximo mês de outubro e uma revolução no ensino médio brasileiro há anos-luz de distância que nenhum aparato tecnológico já criado pela humanidade permite percorrer em tão curto espaço de tempo. Tal realização demanda muitos outros elementos propulsores que, se ainda parecem ficção, dependem apenas de muito trabalho, estudo, planejamento e confiança para se tornarem realidade.

João Luís de Almeida Machado é editor do Portal Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br), doutor em educação pela PUC-SP e autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte - Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).




VALE A PENA LER

Infelizmente, o aviso de lançamento deste livro chega tarde aos leitores, mas fica a indicação.

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2. Natureza e Cultura no Brasil (1870-1922)
Natureza e Cultura brasileira além dos autores conhecidos


Há toda uma maneira de ver a imensa natureza brasileira presente num vasto e variado conjunto de escritos, abrangendo ficção literária, ensaios, relatos de viagens ou memórias. E, desse modo, acabaram construindo uma forma peculiar através da qual a cultura concebeu a natureza brasileira. Esta é a primeira grande revelação do livro de Luciana Murari. Ela nos mostra uma análise sensível e erudita de todo o vasto conjunto de escritos, abrangendo duas ou três das mais importantes gerações de pensadores brasileiros angustiados em compreender o Brasil.
Essa análise possui grande importância ao tratar da história cultural do Brasil. Natureza e Cultura (1870-1922) possui uma análise surpreendente e original, já que ao lado de autores conhecidos como Taunay, Euclides da Cunha, Capistrano de Abreu ou Graça Aranha – a historiadora revela-nos outros autores que não possuíram tanto prestígio como Alberto Rangel, Hugo de Carvalho Ramos, Domício da Gama, Rodolfo Teófilo, Matheus de Albuquerque e Araripe Júnior. Autores solenemente ignorados por boa parte da crítica e dos estudiosos do tema que construíram modelos de interpretação baseados no movimento modernista de 1922. Esses autores obscurecidos pela persistência de formas de interpretação inspiradas numa periodização ainda presa à sucessão linear e estanque de “escolas literárias”. O apego a estas formas de interpretação conduziu alguns estudos a deixar de lado manifestações, escritos ou personagens não diretamente engajados em eventos erigidos como marcos de periodização.
O leitor irá se surpreender não apenas com o cunho interpretativo claro que Luciana dá ao tema, como também com as originais tiradas destes pensadores, escritores e ensaístas pouco conhecidos.

Sobre a autora: Luciana Murari é professora da Universidade de Caxias do Sul.
Livro: Natureza e Cultura no Brasil (1870-1922)
Autor: Luciana Murari
Edição: Alameda
Preço: R$ 50 (474 páginas)
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3. José da Silva Lisboa, Visconde de Cairu
Itinerários de um Ilustrado luso-brasileiro

Quem foi Cairu? Quem foi este homem que na juventude andava com roupas rasgadas pelas ruas de Salvador e conseguiu ascender na sociedade hierarquizada do Antigo Regime? São muitas as facetas desse curioso personagem retratado em José da Silva Lisboa, Visconde de Cairu, estudo da historiadora Tereza Cristina Kirschner
Recém formado em Cânones e Filosofia na Universidade de Coimbra em 1779, ao retornar à colônia, José da Silva Lisboa iniciou uma trajetória administrativa na monarquia lusa onde se destacaria pela competência, erudição e, principalmente, pela lealdade à Coroa. Na capitania da Bahia, o luso-brasileiro exerceu os cargos de ouvidor, professor régio e deputado da Mesa da Inspeção da Agricultura e do Comércio. Em 1808, a convite do príncipe D. João, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde foi nomeado diretor e censor da Impressão Régia e deputado da Junta do Comércio. Durante o período da independência, atuou na imprensa, participou da Assembléia Constituinte em 1823 e foi senador do império de 1826 a 1835. Dentre as várias mercês que recebeu de D. Pedro I, destacam-se o título de barão em 1824 e o de visconde de Cairu, em 1826. Ao longo de sua vida, o funcionário luso-brasileiro produziu quantidade significativa de escritos da mais diversa natureza.
As interpretações contidas neste livro sobre o Visconde de Cairu, sua obra e sua atuação mostram distintos posicionamentos diante de problemas políticos e econômicos de determinada época. Assim, questões que mobilizaram intelectuais brasileiros, como a industrialização nacional, o autoritarismo político e o papel do intelectual diante do Estado, encontraram em Cairu referência tanto para elogios exagerados quanto para críticas exacerbadas. Mas foi, a fidelidade do Visconde de Cairu ao Estado, tanto português como brasileiro, que contribuiu para a construção da sua memória, até hoje controversa.

Sobre a autora: Tereza Cristina Kirschner é professora de História Moderna da Universidade de Brasília .
Livro: José da Silva Lisboa, Visconde de Cairu
Autor: Tereza Cristina Kirschner
Edição: Alameda/ PUCMinas
Preço: R$ 58,00 (351 páginas)
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4. Na Fórum de setembro, entrevista exclusiva com Ricardo Berzoini.
Confira também:
O acerto tático e o erro estratégico de Marina Silva
Uma nova pauta para os trabalhadores
Um massacre cotidiano
- Cinco anos após o assassinato de sete moradores de rua no centro de São Paulo, nenhum acusado foi condenado, e a situação de insegurança ainda perdura para quem vive nas vias da cidade.
E muito mais.
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5. Outubro n°18:
A revista Outubro discute a crise que ultrapassou fronteiras

Ao contrário do que foi anunciado pelas principais autoridades governamentais em setembro de 2008, a crise do processo de financeirização do capital iniciada nos Estados Unidos alcançou a economia brasileira com uma força verdadeiramente avassaladora.

A revista Outubro n°18 mostra vários pontos de vista em respeito à crise que se tornou um verdadeiro tsunami capaz de destruir os empregos, ameaçar a popularidade presidencial e inaugurar uma nova etapa de lutas sociais.

Nesta edição o artigo de John Bellamy Foster discute a noção de crise de financeirização do capital; em “Crise atual: uma perspectiva socialista” Leo Panitch e Sam Gindin, descreve minuciosamente o colapso nos Estados Unidos e sua importância para a renovação da estratégia socialista internacional.

A recomposição do sistema de dominação global dos Estados Unidos na crise é o tema de Luis Suárez Salazar. Sean Purdy coroa esse conjunto de artigos com uma refinada análise do processo que praticamente engendrou o mercado subprime estadunidense: a reforma da habitação pública na América no Norte. Uma importante contribuição para o esquadrinhamento teórico crítico do pensamento neoliberal, pode ser encontrado no artigo de Eleutério Prado.

A revista também traz contribuição de Andréia Galvão apresentando elementos para a reflexão acerca das transformações do sindicalismo sob o governo Lula. Além da tradicional sessão de resenhas, os artigos de Anita Schlesener, Valério Arcary e Danilo Martuscelli.
Revista Outubro n°18
Edição: Alameda (tel. 11 3024-1200)
Preço: R$ 30,00 (291páginas)
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6. De Cuba, com carinho
Yoani Sánchez escreve um dos blogs mais visitados do mundo, Generación Y, com vários milhões de acessos mensais, mas quase não consegue ser lida em Cuba, onde mora com seu marido Reinaldo Escobar e seu filho adolescente Teo. Quando eleita pela revista Time uma das mulheres mais influentes do mundo, ou quando recebeu o prêmio Ortega y Gasset, seus feitos não foram registrados, muito menos festejados pelo governo cubano. Mas ela não escreve sobre política.De Cuba, com carinho é um belo livro que narra a vida cotidiana de quem vive na ilha, sofre com a decadência da economia cubana, mas ama seu país. Alguém que não deseja que conquistas obtidas nas últimas décadas sejam jogadas fora, mas acha que o regime envelheceu junto com seus dirigentes. E conta tudo isso em textos cheios de vida, humor e certo amargor, mas muita esperança.
208 páginas, R$ 29,90.






NAVEGAR É PRECISO

1. Olgária Mattos
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16160&boletim_id=595&componente_id=10026
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4. O site www.livrodegraca.com disponibiliza livros para download. As obras podem ser baixadas gratuitamente. Vamos ler, pessoal!! É bom demais e o nosso idioma agradece!! Em tempos de tanta pobreza vocabular e tanta linguagem de internet fica à frente quem lê!
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5. informo que foram publicados novos textos no blog da REA:

"Em nome do Pai"
por Marta Dalla Torre Fregonezi & Valéria Codato Antonio Silva
http://espacoacademico.wordpress.com/2009/10/03/em-nome-do-pai%e2%80%9d/

Jogos paradoxais da política externa do governo Obama
por Alexander Martins Vianna
http://espacoacademico.wordpress.com/2009/10/02/jogos-paradoxais-da-politica-externa-do-governo-obama/
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6. A educação brasileira e seus números
Por Gabriel Perissé
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=557CID002
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7. O professor tem que ser um problematizador
Por Glauco Faria e Renato Rovai
Moacir Gadotti fala sobre a trajetória da educação no Brasil nas últimas décadas, avalia os resultados do Fórum Social Mundial e defende o uso das novas tecnologias no ensino. "O poder não está em deter a informação, mas em produzir informação".
http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/EdicaoNoticiaIntegra.asp?id_artigo=7567
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8. Leila Brito convida
Convido-o para ser leitor assíduo do blog do jornalista Tato de Macedo, onde você terá contato com um jornalismo COMPETENTE, SÉRIO, CRIATIVO e, acima ade tudo, IDÔNEO.
Acesse, comprove e participe:
http://tatodemacedo.blogspot.com/
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9. saiba como os estúdios americanos utilizaram os personagens de desenho mais famosos do mundo para combater as forças do Eixo durante a Segunda Guerra Mundial. Visite Cafe Historia em: http://cafehistoria.ning.com







NOTICIAS

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2. Informamos que a chamada de artigos e resenhas para o número 04 da SANKOFA encerra-se no dia 15/11/2009. As regras para publicação encontram-se no site http://revistasankofa.googlepages.com. Os textos devem ser encaminhados ao email revistasankofa@gmail.com.

Os três primeiros números da SANKOFA encontram-se disponíveis gratuitamente no site para download. Agradecemos o envio de material, comentários e divulgação da SANKOFA junto aos professores, pesquisadores e estudantes da área. http://neacp.usp.googlepages.com 11-3091-8599
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3. II SIMPÓSIO DE HISTÓRIA, GEOGRAFIA E ARQUITETURA E URBANISMO
“ESPAÇO, TEMPO E HISTÓRIA DAS CIDADES: METODOLOGIA E RELATOS URBANOS”
20, 21 e 22 de OUTUBRO DE 2009
UNIVERSIDADE GUARULHOS
http://www.ung.br/website-2009/simposio_arq_apresentacao.php
APRESENTAÇÃO
O II Simpósio de História, Geografia e Arquitetura e Urbanismo da Universidade Guarulhos (UnG), com proposta interdisciplinar, tem como principal preocupação a compreensão do espaço urbano e da forma de apropriação que o cidadão faz desse espaço, nas suas análises, vivências e narrativas. Com isso, os cursos envolvidos propõem aos pesquisadores oportunidade para apresentação de novas formas e métodos de pesquisas, incentivando a troca de informações entre as diversas áreas do conhecimento. Dada a interdisciplinaridade da proposta, as pessoas que se interessam, que estudam ou que tenham a cidade como objeto de pesquisa estão convidadas a participarem deste Simpósio.
ORIENTAÇÕES PARA INSCRIÇÃO
As inscrições devem ser feitas on-line, até as 18h do dia 10 de outubro de 2009, indicando a linha de pesquisa, juntamente com resumo, para quem apresentar comunicação ou painel. Para os participantes ouvintes as inscrições se encerrarão às 18h do dia 19 de outubro. Após esse período, as inscrições serão automaticamente encerradas.
NORMAS PARA APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS
Caso haja algum problema na inscrição on-line e para esclarecimento de possíveis dúvidas, os participantes deverão enviar e-mail para arquitetura@ung.br ou historia@ung.br
Os autores receberão via e-mail, informado na ficha de inscrição, o aceite de seus trabalhos.
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GT: HISTÓRIA E DOCUMENTOS (chamada para trabalhos)
Este Simpósio Temático pretende construir um espaço de discussão e reflexão, em uma perspectiva interdisciplinar, enfatizando a importância das diversas linguagens - imagéticas, sonoras, escritas e orais - na composição da narrativa histórica. O objetivo é a apresentação de trabalhos cujas diversas dimensões e contextos à produção historiográfica (gênero e infância, trabalho, cidade e imprensa, modos de vida, experiências e práticas políticas cotidianas, as prisões e a vida no cárcere, historiografia insular, cotidianos e memórias), provoquem um efetivo diálogo entre os problemas referentes às fontes documentais, agentes sociais e a produção da narrativa histórica.Coordenadora do GT: Grazielle Rodrigues do Nascimento - (pesquisadora CEPEHC-FN) ACESSO:
http://www.ufcg.edu.br/~historia/isnfdph/index.php?option=com_content&view=article&id=61&Itemid=63

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I Seminário Nacional Fontes Documentais e Pesquisa Histórica: diálogos interdisciplinares

será realizado entre os dias 1 e 4 de dezembro na Universidade Federal de Campina Grande - PB. Está aberta inscrição para comunicações nos Gts do evento. Página do evento: http://www.ufcg.edu.br/~historia/isnfdph Está também aberta chamada para apresentaçãos de textos na Mnemosine Revista do PPGH UFCG www.ufcg.edu.br/~historia/mnemosinerevista Nova página do PPGH UFCG http://www.ufcg.edu.br/~historia/ppgh/
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V SEMINÁRIO DA IMIGRAÇÃO ITALIANA EM MINAS GERAIS. Escola de Arquitetura da UFMG, Belo Horizonte - Minas Gerais, Inscrições abertas e gratuitas:www.ponteentreculturas.com.br
PROGRAMAÇÃO 26 a 30 de outubro - Palestras diárias, seguidas por debate no horário: 18h às 22h. HISTÓRIA, MEMÓRIA E PATRIMÔNIO CULTURAL DE BELO HORIZONTE: a contribuição dos Imigrantes Italianos na Arquitetura, Artes Plásticas, Cinema, Educação, Indústria, Comércio, Esporte, Associativismo e Movimento Operário. 31 de outubro - Palestras diárias, seguidas por debate no horário: 9h às 12h30 e 15h às 18h PESSOAS, MEMÓRIAS E RELAÇÕES, DO PASSADO AO PRESENTE: as migrações entre Brasil (Minas Gerais) e Itália. 01 de novembro - Palestras diárias, seguidas por debate no horário: 9h às 13h REFLEXÕES SOBRE AS RELAÇÕES BILATERAIS CONTEMPORÂNEAS BRASIL-ITÁLIA. ATIVIDADES PARALELAS Mostra Fotográfica: Contribuição italiana para a Industria de Belo Horizonte (1896-1976) Mostra: Pioneiro do Cinema Mineiro. Exibição de filmes de Igino Bonfioli. Mini-Curso de Metodologia da História Oral com a Prof.ª Dr.ª Ligia Maria Leite Pereira.
Inscrições gratuitas através do e-mail: seminario@ponteentreculturas.com.br
Informações: Tel. (31) 3227-9963 / (31) 9781-1938
www.ponteentreculturas.com.br

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Acaba de ser publicado no Diário Oficial (dia 24 de setembro de 2009) o Edital do Concurso Público do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan, que oferece 187 vagas para nível médio e superior, com salários iniciais de R$ 2.274,42 (nível médio) e R$ 3.257,22 (nível superior).

As provas do concurso, realizado pela Fundação Universa, estão previstas para o dia 6 de dezembro deste ano e serão realizadas em todas as unidades da Federação. O maior número de vagas é para Brasília e Rio de Janeiro, porém, todas as superintendências estaduais do Iphan serão contempladas.

Serviço:Inscrições: de 5 de outubro a 4 de novembro de 2009Taxa: R$ 32 (nível médio) e R$ 67 (nível superior)
http://www.universa.org.br/conc_proximos.asp


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Em anexo, divulgação do Colóquio Internacional sobre História da Arte e História da Ciência, que será realizado entre os dias 25 e 27 de novembro na FAFICH/UFMG.


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Todos os inscritos receberão certificado.
Acesse o site:
www.institutoyoruba .com/congresso
* Inscrições gratuitas. (Últimas Vagas)Instituto de Arte e Cultura YorubaAv. Nossa Senhora do Carmo, 1395. Sl. 06 – Sion. Belo Horizonte.+55-31-2526- 4252www.institutoyoruba .comcontato@institutoyoruba.com