Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

13.8.08

Numero 151



Semana passada iniciamos a publicação de uma série de eventos demonstrativas de um estado de barbárie que, segundo alguns autores, já estamos vivenciando.
Hoje temos outros exemplos, e também alguns fragmentos de textos de autores diversos, que, de uma forma ou de outra, estão relacionadas a essa questão, que gostaríamos de ver debatida aqui...Mas os leitores e leitoras continuam tímidos...

1. Uma mulher ligada a uma seita religiosa nos Estados Unidos foi acusada pelo homicídio em primeiro grau de seu filho, a quem negligenciou alimentos pelo fato de o bebê não dizer amém após cada refeição – Detalhe: o bebê tinha apenas 19 meses!!!!
Sua mãe ocultou o cadáver em uma mala durante mais de um ano, até que agentes da Polícia de Baltimore (Maryland) o encontraram na cidade da Filadélfia (Pensilvânia).

2. A Polícia Militar prendeu um homem suspeito de pedofilia por volta das 18h em Rio Claro, no interior de São Paulo. Os policiais encontraram na residência do suspeito quatro meninas que estavam amarradas.
Segundo os policiais, as meninas teriam cerca de 12 anos. Após libertadas, as vítimas foram levadas para a delegacia com os pais e realizaram exames em um hospital da região


3. A Polícia Civil de Cabrobó, no sertão de Pernambuco, afirmou que o agricultor José dos Santos, 59 anos, confessou ontem a autoria da morte da mulher e dos dois filhos com golpes de machado. O crime ocorreu no último sábado.

4. O cruzamento de dados entre as Delegacias de Homicídios e de Repressão a Narcóticos mostra que o tráfico e o uso de drogas, especialmente o crack, têm sido a mola propulsora para o aumento do número de mortes violentas em Goiânia.

5. Violência doméstica e negligência familiar são os principais motivos que levaram 573 crianças e adolescentes aos 27 abrigos instalados no Grande ABC.

6. Violência na madrugada deste domingo(10). Por volta de 1 hora, a universitária e vendedora Patrícia de Lima Araújo, 22 anos, se tornou mais uma vítima do crime na Grande Vitória, quando seguia para uma pizzaria no bairro Eldourado, município de Serra, e teve o carro alvejado por vários disparos de arma de fogo quando passava por Porto Canoa.

7. Em Maceió, o deficiente físico aposentado João Ferreira da Silva, de 68 anos, foi espancado até a morte por seu filho, o evangélico Silvânio dos Santos, de 39 anos.

8. Pelo menos 10 pessoas foram assassinadas no município de El Tambo, no departamento (estado) do Cauca (sudoeste), informou hoje o noticiário de televisão "Notícias Um".
Um grupo de pessoas viajava em um veículo particular, quando foram interceptados por um grupo de homens armados que, após fazer os passageiros descer, começaram a disparar, fugindo com rumo desconhecido.

9. Um menino de 11 anos foi encontrado morto, por volta das 16h30 de ontem, com uma mangueira plástica no pescoço, atrás de uma escola no bairro Beta, em Pindamonhangaba (SP). O suspeito do crime é um adolescente de 14 anos que, segundo a polícia, confessou ter cometido o crime após de uma briga por causa de uma pipa.
Segundo informações do Boletim de Ocorrência, divulgado pela Secretaria de Segurança Pública, o adolescente se mostrou bastante calmo durante a confissão e disse que sua intenção era realmente matar a vítima, que teria o agredido com um pedaço de pau.



A violência que se vive hoje no Brasil não vem do nada, nem de fatores que não sejam já conhecidos, embora possam ser ignorados. Longe de ser um acidente na história nacional, ela tem tudo a ver com certas características da história social e econômica brasileira, não podendo ser atribuída, ingenuamente ou ideologicamente, nem a perturbações intempestivas da consciência de alguns indivíduos, nem a uma repentina mudança das condições do país. Com efeito, cabe perguntar-se: Qual é o grande objetivo do tráfico nacional de drogas e de armas, mesmo quando está afiliado à máfia internacional? Por acaso, seria simplesmente o resultado de mentes perversas que têm o prazer de corromper as pessoas por meio do consumo e dependência de drogas, ou de alimentar com o contrabando e tráfico de armas as guerras intestinas existentes em certas regiões distantes do mundo? Embora existam hoje finalidades claramente políticas que expliquem esses fatos, em razão dos graves e variados tipos de conflitos, internacionais ou nacionais, que envolvem ações bélicas e reações terroristas, é sabido que o grande objetivo do tráfico de armas e do narcotráfico no Brasil contemporâneo, como em outros países, é de natureza econômica. Trata-se da posta em prática de formas de construir um capital patrimonial, praticando um capitalismo selvagem de renda fácil e recorrendo a todos os meios necessário para isso, legais ou ilegais, desde que sejam eficazes. Eis a grande questão que parece passar surpreendentemente despercebida na discussão desse fenômeno, a qual é movida frequentemente pela reação emocional que produz a percepção das cenas de horror de certos fatos "absurdos" e inéditos, como no trágico evento que vitimou o menino João Hélio, no Rio de Janeiro, no dia 7 de fevereiro deste ano! Esses legítimos sentimentos de horror não podem, entretanto, ocultar a razão que orienta a intensa prática da violência numa sociedade capitalista, em que o principal "mal" para o mundo dos negócios é não respeitar as regras do jogo, ou seja, "jogar sujo", despertando assim a reação social. Foi dessa forma que as atividades mafiosas dos séculos passados viram arruinarem-se seus negócios. As mortes, os massacres, a destruição de lares, a produção de uma legião de dependentes com seqüelas patológicas sérias etc. tudo isso preocupa, sobretudo, aos que estão fora do mundo dos negócios ou que, estando dentro, consideram que essas formas "selvagens" os prejudicam. O que aconteceria ao narcotráfico se o valor dos produtos traficados se depreciasse, a tal ponto que o acesso a eles fosse tão fácil como o acesso a outros produtos de uso diário? Bem, isso é hoje impensável, pois significaria descriminalizar sua venda e consumo, o que ofenderia a consciência moral dos bons cidadãos!

PINO, Angel. Violência, educação e sociedade: um olhar sobre o Brasil contemporâneo. Educ. Soc. [online]. 2007, vol. 28, no. 100 [citado 2008-08-10], pp. 763-785. Disponível em: . ISSN 0101-7330. doi: 10.1590/S0101-73302007000300007
Angel Pino é Doutor em Psicologia, professor livre-docente (aposentado) pela universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e docente-pesquisador do Mestrado em Educação da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI). E-mail: apino@unicamp.br

La creciente violencia delictiva en la década de los 90 en América Latina es un fenómeno social sobre el cual no es necesario aportar mayores datos cuantitativos. Tampoco parece necesario enfatizar por lo evidente que resulta, que ha sido "acompañada" en toda la región por un crecimiento de la desigualdad social, con un aumento de los niveles de desocupación y exclusión social, un significativo crecimiento de la "privación relativa" (Merton, 1974) y por un altísimo nivel de la corrupción en la gestión pública. Como no podía ser de otro modo la violencia delictiva – robo, asalto, secuestro, etc. – (me voy a referir a este tipo de violencia que genera inseguridad física, dejando entre paréntesis la social) ha creado una fuerte sensación de inseguridad ciudadana a la que los sucesivos gobiernos responden con la inflación de la legislación penal y con el aumento de otras formas represivas. Resultado: espiral de violencia, aumento de los niveles del delito común violento, aumento de la represión ilegal, involucramiento de instituciones estatales en actividades ilegales (tráfico de drogas, robo y desguace de automotores, manejo de la prostitución, contrabando y tráfico de armas, etc.) crecimiento exponencial de la población carcelaria, expansión de las formas ilegales de supervivencia, y aumento de la participación de jóvenes en la violencia delictiva. La inseguridad social y económica acompaña esta violencia física y forma parte del mismo modelo de orden social.

PEGORARO, Juan S. Notas sobre los jóvenes portadores de la violencia juvenil en el marco de las sociedades pos-industriales. Sociologias [online]. 2002, no. 8 [citado 2008-08-10], pp. 276-317. Disponível em: . ISSN 1517-4522. doi: 10.1590/S1517-45222002000200012
ENSAIO SOBRE O I-MUNDO MODERNO.
O especialista em Filosofia Antiga, Jean-François Mattéi, discute neste livro o conceito de barbárie, desde a Antigüidade Clássica até a Modernidade. Ao lançar-se sobre vários pensadores como Hannah Arendt, Theodor Adorno, Nietzsche e Dino Buzzati, o autor procura mostrar como a barbárie se manifesta no mundo contemporâneo, na decadência da educação, na ditadura da cultura de massa e na ascensão dos regimes autoritários.
Bárbaro, para os romanos, era todo aquele que ultrapassava os limites políticos, jurídicos e morais determinados pela sua política expansionista. Isso incluía o uso de línguas e a prática de hábitos diferentes daqueles aprovados pelo Império. No decorrer dos séculos, porém, o conceito passou por transformações, e o termo foi utilizado para identificar as ações e reações que se opunham a princípios racionais de serena e produtiva convivência entre pessoas e povos. Ao considerar a barbárie nesse segundo sentido, ou seja, como uma categoria filosófica e não antropológica, o filósofo e político francês Jean-François Mattéi verifica como o conceito de bárbaro é encontrado desde a Grécia e Roma até o Holocausto nazista, passando pelos mais diversos momentos históricos, como a conquista das Américas pelos europeus. Especialista em Filosofia Antiga, mas muito preocupado com as questões atuais, Mattéi se vale de diversos autores, como Montaigne, Jonathan Swift, Bernard Shaw e Dino Buzzati, para mostrar como a barbárie se manifesta, no mundo contemporâneo, na decadência da educação, no predomínio da cultura de massa e na ascensão de regimes autoritários. Mattéi considera o mundo moderno "imundo", porque o desenvolvimento anárquico dos sujeitos leva à falência de um pensamento comunitário universal, gerando sociedades fragmentadas, em que a grande barbárie é a infidelidade do homem à sua própria humanidade
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"Diante das perspectivas terríveis que se abrem para a humanidade, percebemos cada vez mais que a paz é o único combate que vale a pena. Essa não é uma oração, mas uma ordem que deve subir dos povos para os governos: a ordem de escolher de vez entre o inferno e a razão".
(Albert Camus)

No país de Freud, muitas explicações serão dadas para entender estas periódicas irrupções de irracionalidade numa sociedade moderna, civilizada, quase "perfeita". Mas o país de Mozart é também o de Hitler. Talvez não seja deslocado lembrar o que escreveu Albert Camus, na Peste, para evocar os ratos em Orão, que lembravam os ocupantes nazis em Paris (sempre uma peste lembrando outra, sempre um rato puxando por outro):"...O bacilo da peste não morre, nem desaparece nunca, pode ficar dezenas de anos adormecido nos móveis, na roupa, espera pacientemente nos quartos, nos porões, nos baús, nos lenços... viria talvez o dia em que, para desgraça e ensinamento dos homens, a peste acordaria os seus ratos e os mandaria morrer numa cidade feliz..."Isto sabia-o o dr. Rieux, sabia-o Camus e sabemo-lo nós, espectadores quase impassíveis destes actos de barbárie irracional irrompendo no quotidiano de uma cidade cujos habitantes julgavam feliz.
http://dn.sapo.pt/2008/05/03/internacional/a_subita_barbarie_pacata_amstetten.html


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Apesar de não estar na lista de meus autores favoritos, o jornalista Clóvis Rossi emitiu uma opinião na Folha de São Paulo que acredito ser muito pertinente:

CLÓVIS ROSSI
Lei não evita algemas

SÃO PAULO - Brasileiro tem a infeliz mania de achar que a solução de todo problema passa por um regulamento, um édito, uma lei ou algo parecido. É o caso do uso das algemas. Não tem a mais leve lógica e praticidade supor que o Supremo Tribunal Federal (ou qualquer outro tribunal) possa regulamentar um assunto cujo encaminhamento correto só depende da cultura dos agentes envolvidos.
Ou os agentes públicos têm a plena noção de que não podem cometer abusos (no uso de algemas, em ricos e em pobres, ou em qualquer outro abuso) ou não haverá solução. Olhemos a vida como ela é.
1 - O STF determinou que algema só pode ser usada em casos "excepcionais" e de "evidente perigo de fuga ou agressão". Muito bem. Quem é que decide se o caso é excepcional ou se há "evidente perigo de fuga ou agressão"? O policial, no momento da ação. Portanto, ou ele é devidamente capacitado e sabe que não pode cometer abuso, ou o abuso ocorrerá, seja qual for a jurisprudência decidida pelo STF.
2 - Digamos que haja abuso. Com a nova regra, se é que é nova, os que sofrem abusos podem recorrer à Justiça e, portanto, houve avanço, certo? Errado, na vida real. Pobre que sofre abuso não recorre à Justiça por medo do aparelho de Estado, medo não raro justificado. Rico não o faz, se indevidamente algemado, para não prolongar a exposição pública de sua humilhação.
3 - Ainda que haja recurso à Justiça, tratar-se-á, em quase todos os casos, da palavra do policial contra a da vítima do abuso, já que dificilmente um advogado ou qualquer outra testemunha neutra está presente ao local da detenção. O policial dirá que a algema se justificava, o "abusado" dirá que não, e qualquer decisão será necessariamente arbitrária.
Você não acha que o STF tem um zilhão de outras jurisprudências a definir e que, estas, sim, têm efeitos prático e garantem direitos?


Mais um episódio da política internacional que nos mostra o quão distantes estamos da era de “paz perpétua” apregoada pelos arautos do Fim da História. E haja hipocrisia quando se fala do conflito entre a Rússia e a Geórgia pela posse da Ossétia do Sul...

Crise expõe hipocrisia do Ocidente
IGOR GIELOWSECRETÁRIO DE REDAÇÃO DA SUCURSAL DE BRASÍLIA da Folha de São Paulo

O conflito que se desenha no sul do Cáucaso dará mais uma chance para o mundo tomar o pulso da hipocrisia do Ocidente. Pelos últimos quatro anos, EUA e Europa bajularam a pequena Geórgia, com esperanças de fincar ali a bandeira da aliança militar ocidental e, de quebra, salvaguardar um corredor estratégico de escoamento de gás da Ásia Central.
Assim, Mikhail Saakashvili foi vendido mundo afora como um sopro de democracia num mar de ditaduras clientes de Moscou. Ocorre que, como na Ucrânia, do movimento que levou à maior democratização do país restou apenas uma lembrança.
Mas tudo isso é quase lateral. A Rússia não abandona seus interesses na Ásia Central desde os czares, e existe uma verdadeira paranóia, não desprovida de senso estratégico, por parte do establishment militar russo sobre as intenções da Otan. A questão econômica é central, pois o até hoje sonhado gasoduto Nabucco, que os europeus querem construir ligando a Turquia à Áustria, se conecta aos Estados do mar Cáspio através da Geórgia. Com o Nabucco, projeto de viabilidade duvidosa, a União Européia queria livrar-se da dependência do gás russo.
Aí entra a Otan. Saakashvili fez o pedido formal de entrada na aliança com a esperança de proteger-se contra o Kremlin, mas em Bruxelas a idéia era mais ampla: com um aliado no Cáucaso, a Otan poderia projetar influência numa região dominada pelos russos.
A partir da chegada de Saakashvili ao poder em 2004, o Kremlin atuou para desestabilizar seu governo, com a justificativa popularíssima de defesa das minorias russas na Geórgia. Desde 2007, a Rússia fortaleceu sua posição na Abkházia, a outra região separatista do país. Há hoje lá um efetivo militar muito mais robusto que o da Ossétia, e com isso Saakashvili foi obrigado a negociar com os rebeldes locais, fragilizando-se internamente.
Assim, a escalada do conflito por parte da Geórgia, se foi isso mesmo, sugere um grito de Saakashvili a seus aliados ocidentais. Ele sabe ser impossível ganhar uma guerra contra Moscou ou rebeldes por ela apoiados. Atacando a região separatista mais fraca, onde só havia cerca de mil soldados russos hoje, jogou para trazer o conflito a um novo patamar, saindo das escaramuças locais ignoradas pelo Ocidente.
A cena de tanques russos cruzando fronteiras arrepia várias espinhas. Não faltará quem peça uma intervenção semelhante à que a Otan praticou em Kosovo. Mas em 1999 a Rússia estava de joelhos, e a Sérvia é encravada na Europa. Agora, reerguidos sobre hidrocarbonetos e uma sólida autocracia, os russos não vão deixar baratas as baixas infligidas.
Vai ser um exercício interessante ver as democracias ocidentais fazendo malabarismos para tentar acomodar Vladimir Putin e Dmitri Medvedev. Claro, há o risco de uma "marcha da insensatez" levar a escalada a algo impensável, um choque Rússia-Otan. Mas é bem mais provável que vejamos um espetáculo de hipocrisia, com a Geórgia pagando a conta.

Creio que a hipocrisia maior é a declaração do presidente Bush, dos Estados Unidos:

Na segunda-feira, o presidente americano, George W. Bush, afirmou que a ação militar da Rússia na Geórgia é "inaceitável no século XXI". Isto quer dizer que a ação militar dos EUA no Afeganistão e no Iraque é ACEITAVEL???? Tem de ter muita cara de pau para fazer uma colocação dessas...

Segundo Bush, a incursão militar "prejudicou seriamente a imagem da Rússia perante o mundo e as relações com os Estados Unidos e a Europa". Ah...sim...claro...a incursão militar norte-americana no oriente médio NÃO PREJUDICOU A IMAGEM DOS EUA em parte alguma do mundo...

O líder americano acrescentou ainda que a ação militar "levantou sérias dúvidas sobre as intenções da Rússia na Geórgia e na região". E perante a balela das armas de destruição em massa, alguém ainda tem dúvida sobre as intenções dos EUA no Iraque e região? E a pergunta que não quer calar: quem vendeu armas para a Geórgia realizar essa aventura tosca?
O cartaz do filme O senhor das armas, é uma boa resposta para a pergunta acima?

Ora, faça-me o favor!!!!

No site da Agência Carta Maior pode-se ler uma interessante análise da notícia:

O Czar está de volta
O governo da Geórgia encalacrou-se ao desafiar o poder russo, confiando em que a União Européia, a OTAN e os Estados Unidos chegariam às vias de fato para protegê-la, já que é aliada e quer ser ponta-de-lança deles. O gesto vai lhe sair caro e trouxe de volta à cena o grande czar da era atual, Vladimir Putin.
Flávio Aguiar

A Primeira Guerra Mundial começou aparentemente quando um suposto anarquista (até hoje essa história não foi de todo contada) disparou contra o arquiduque Ferdinando José, do Império Austro-Húngaro, em Sarajevo, na Sérvia. A cadeia de alianças, algumas secretas, construída em torno da região do Mar Negro, logo levou ao conflito que destruiu impérios (entre eles o Austro-Húngaro) e que só ia parar com o fim da Segunda Guerra Mundial e o começo de outra Guerra Mundial, a Fria.
Esta última terminou, mas não terminou. O desmembramento da União Soviética levou a duas corridas armamentistas: a União Européia correu para ocupar, “manu economica”, o espaço do antigo Leste europeu, derramando nele quadros e mais quadros de formação para “preparar o capitalismo”, e quadros e mais quadros funcionais para administra-lo. E a OTAN correu para ocupar. “manu militari”, o mesmo espaço, ainda com o mesmo objetivo de cercar seu antigo inimigo moscovita, o que só não percebe quem não quer.
O primeiro avanço foi facilitado pela “sede capitalista” (sêde) que cresceu nas sociedades emergentes de um comunismo que não só não conseguiu, de um modo geral, criar o “homem novo”, mas conseguiu a proeza de criar burocracias dirigentes que se transformaram logo em “escolares entusiastas”, mas desorganizados, do capitalismo triunfante ou em máfias extremamente ambiciosas e violentas, mas organizadas, para arrancar e conceder favores na nova ordem.
O segundo avanço, o militar, foi facilitado pelo estraçalhamento da rede de apoio soviética e sua divisão entre as máfias e novos discípulos, que passaram a combater encarniçadamente os velhos discípulos que permanecessem, por razões táticas e estratégicas, mas de modo nenhum ideológicas, aliados da antiga presença da hegemonia russa, que era quem e o que mandava de fato, sob a fachada comunista. A Rússia, durante década e quase meia, viu-se debilitada econômica, política e militarmente, sem poder se contrapor ao avanço do inimigo sobre o que fora seus domínios.
Assim a OTAN bombardeou o ocupou parte dos Bálcãs, enquanto etnias, países e partidos políticos martirizavam suas populações em nome de religiões, de demarcação de territórios, e de um nacionalismo que não recende sequer a aspirações de grandeza, antes a um sórdido conquistar de posições para negocia-las, ou com a águia de duas cabeças do lado leste (o símbolo da antiga Rússia czarista, que renasceu das cinzas da foice e do martelo), ou com a ave de rapina multicor, e de muitas cabeças, do capitalismo triunfante que vinha do lado oeste.
O último capítulo dramático dessa continuação da Guerra Fria foi a “independência” da província separatista do Kosovo, na Sérvia. Na verdade essa “independência” foi uma ocupação da província por albaneses, arqui-inimigos dos sérvios, agora aliados do Ocidente. Houve atrocidades de parte a parte; como os albaneses são agora “aliados”, no Ocidente soube-se mais das atrocidades cometidas pelos soldados sérvios.Desse episódio, saíram humilhadas a Sérvia e a Rússia.
A garantia da independência do Kosovo, território logo ocupado por esquadrões de juízes, policiais, funcionários e administradores de mercado da União Européia, foi a presença das bases militares da OTAN, instaladas enquanto a Rússia ainda se recuperava das seqüelas provocadas pela hecatombe do sistema soviético.
Agora, parece que esse capítulo chegou ao fim e outro começou. Sob a política altamente centralizadora, autoritária na administração e condescendente com as “facilidades” do novo capitalismo, construída durante o primeiro czariato de Putin, a Rússia está em francas vias de recuperação econômica e militar. E parece que chegou a hora de mostrar os dentes.O governo da Geórgia, desejoso de tornar-se alvo dos avanços militar e econômico do Ocidente, precipitou uma guerra de posições que se dava em torno da sua ex-província da Ossétia do Sul. É mais do que provável que o governo esperasse que seus promissores aliados o socorressem com dinheiro, armas e até soldados. Nada disso aconteceu.
O poderio russo voltou a se afirmar. Quando a Geórgia invadiu a Ossétia, que se proclamara independente nos anos 90 do século passado, Putin, que estava em Pequim assistindo a abertura dos jogos olímpicos, reuniu-se mais do que depressa com Bush.
O que devem ter dito os dois? Quanto às palavras, é impossível saber. Mas certamente Putin fez Bush, agora um presidente sainte, saber que chegara a hora da Rússia beber água, e da Geórgia beber fogo, inclusive em nome do sangue que, aliás, pelos relatos que se têm, seu exército fez correr abundantemente na província invadida, despertando desejos de vingança na população ossétia. E Putin deve ter acrescentado que os Estados Unidos deveria se satisfazer com protestos verbais e deveria “recomendar” o mesmo a seus aliados europeus.
Os Estados Unidos são a maior potência naval e aérea que o mundo já conheceu. Mas em terra ainda não há quem possa com os tanques russos. A única coisa que poderia talvez detê-los seria um ataque aéreo da OTAN, semelhante ao que ela despejou sobre toda a antiga Iugoslávia e em particular sobre a Sérvia, ao fim do século passado, em nome de evitar um genocídio, mas de fato abrindo caminho para a ocupação com suas tropas de terra e bases militares.
Na Europa as reações de direita, na imprensa, seguem o padrão de que o governo georgiano “se excedeu”, e “se precipitou”, mas que a contra-reação russa foi “desproporcional”. A mesma turma, que não hesita em promover a presença ianque e européia nos Iraque e no Afeganistão, condena o bombardeio russo (agora) da Geórgia, e a ocupação militar de pelo menos parte do território desta, que deve se suceder.
As reações mais para a esquerda coincidem, em boa parte, com a desta análise: Putin está mostrando – sobre, inclusive, a presidência de Medvedev – que o verdadeiro e contínuo Czar é ele, seja como presidente (antes), seja como primeiro-ministro (agora). Putin fora um tanto ofuscado pela presença de Medvedev na conferência do G8 no Japão. Agora voltou à cena, com som e fúria. Saiu de Pequim quase diretamente para a Ossétia do Norte, província russa que limita com sua co-irmã “independente” do sul. E de lá comandou ou assistiu o “show” dos tanques russos ao sul de seu império.
Uma coisa é certa: a população da Ossétia do Sul está comendo o pão que a Geórgia, os Estados Unidos, a OTAN, a União Européia e a Rússia amassaram. Os relatos sobre o comportamento do exército georgiano na Ossétia são terríveis, e foram publicados no conspícuo The Guardian. Mas isto a imprensa do Ocidente, em sua maioria, deverá logo esquecer. E se seguirá a lamentação (também justa) sobre os pobres georgianos que foram vítimas dos bombardeios e dos tanques russos. Afinal, guerra é guerra.
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VALE A PENA LER

1.Revista História Viva Grandes Temas n. 22 – O tema desta edição especial é o Vaticano – Segredos e tesouros da corte do Papa – Como funciona – O patrimônio – A política.

2. Le Monde Diplomatique Brasil n. 13 – Dossiê sobre As razões da crise metropolitana – Artigos: Bolsa Família: o programa funciona? – Haiti: longe da normalidade – Reforma tributária: mais para quem tem mais – China: Democracia gradativa - Economia mundial: do boom ao crash – A cruzada de Sarkozy – Estados Unidos: a educação na redoma –

3. Altas Cavalarias – Marcos Antônio Lopes

Marcos Antônio Lopes é um autor conhecido pelas suas publicações na área da História Intelectual. É significativa sua produção historiográfica sobre temas importantes como as monarquias absolutistas do Antigo Regime, as várias dimensões da obra de Voltaire, Antônio Vieira e outros. Agora o jovem autor nos surpreende com um interessante ensaio sobre D. Quixote.
Antes de tratar da sátira de Cervantes ao romance cortês, o autor nos remete aos autênticos romances medievais de cavalaria. Partindo de Montesquieu e passando por medievalistas, historiadores da literatura e críticos literários, o autor examina as singularidades dessa tradição literária que, embora sofrendo alterações, alcançou o século XVII europeu e no XIX ainda seduzia os escritores românticos.
No século XVI, as sátiras aos romances de cavalaria eram relativamente comuns na Espanha. Entretanto, a obra de Cervantes foi a única no gênero que demonstrou extraordinária capacidade de resistir ao tempo. Como bem observa Marcos Lopes, D. Quixote ainda nos surpreende com novas possibilidades de leitura. E nesse sentido, insere-se na lista das obras clássicas.
O olhar atento de Lopes detém-se em várias dimensões da obra do autor espanhol, além da literária. Fonte de reflexões morais, sofisticada no tratamento de temas históricos, D. Quixote ainda informa sobre as oscilações dos comportamentos humanos em uma sociedade que cada vez mais exigia padrões de conduta ‘civilizados’, ou seja, baseados no controle calculado das emoções.
Em uma narrativa agradável, ao apresentar aos leitores a sua leitura de Cervantes, Marcos Lopes envolve-os na trajetória fantasiosa de D. Quixote, o cavaleiro andante fascinado por fazer reviver um tempo de proezas e atos heróicos que ficara para traz. Altas cavalarias. D. Quixote e seus precursores é daqueles livros que começamos a ler e não conseguimos parar.

Tereza Cristina Kirchner
Departamento de História da Universidade de Brasília

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VALE A PENA NAVEGAR POR AQUI


REVISTAFORUM.COM.BR
Lugo denuncia boicote contra o novo governo do Paraguai
O presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, disse na terça-feira ter provas sobre um complô para desestabilizar o país depois da sua posse, no dia 15 leia


A América Latina sob outro olhar
Daniel Merli e Wilson Sobrinho Primeira tentativa de uma rede de televisão latino-americana a TeleSUR tenta ser independente apesar de manter vinculo estatais. Já os EUA prometem oposição cerrada à iniciativa leia

B L O G U E I R O S I N D E P E N D E N T E S Magalhães:
Ultra-direita brasileira já tem em quem votar leia

Assassinato de sindicalista leva para 30 as mortes de líderes políticos na Colômbia
Por Brunna RosaLuis Mayusa Prada, era sobrevivente do partido político União Patriótica, dizimado por forças paramilitares entre os anos 80 e 90. Apenas em 2008, foram trinta mortes de sindicalistas no país. leia


2. Agência Carta Maior
. A TERCEIRA GRANDE TRANSIÇÃO Da era petrolífera para a biocivilização
Transnacionais estadunidenses avançam sobre setores estratégicos do Estado brasileiro. Maior instituição de ensino firma convênio com transnacional líder no setor de transgênicos, com cláusula de sigilo; já empresa ligada à Halliburton – também dos EUA – administra o banco de dados da ANP
Governo Evo e movimentos sociais vêem com grande otimismo a possibilidade de revogar o mandato do governador local, um dos principais nomes da direita boliviana, e alterar nacionalmente a correlação de forças em seu favor Escreve Igor Ojeda, correspondente do Brasil de Fato em La Paz
Consulta popular organizada pelos partidos de esquerda rechaça abertura de capital da empresa-> Mexicanos são contrários à abertura de capital da Pemex
Ex-chefe do grupo armado AUC revelou que o grupo atuava tinha a cumplicidade das autoridades políticas colombianas para promover os assassinatos
Para o presidente Manuel Zelaya, os planos de integração promovidos pela Venezuela são uma nova resposta a velhos problemas da América Latina e especialmente da África que não foram solucionados com as atuais estruturas


4. Para quem gosta de reviver o passado, através do jornalismo, a Folha de S. Paulo disponibiliza a íntegra do conteúdo produzido pela empresa nos últimos 80 anos, pelo menos.

Os endereços: http://www1.folha.uol.com.br/folha/arquivos/ (onde a busca é mais específica) ou http://bd.folha.uol.com.br/index.html (o banco de dados geral, com quase 100% do acesso irrestrito)
São crônicas, artigos e até mesmo matérias especiais de décadas passadas, produzidas, algumas, na época em que a Folha de S.Paulo ainda se chamava "Folha da Manhã".Para ter uma idéia, lá tem raridades como essa, uma matéria de 1924, que fala... do problema da fome (nada mais atual, infelizmente). Um trecho da matéria (com a mesma grafia da época):
O PROBLEMA DA FOME
Publicado na Folha da Noite, terça-feira, 26 de fevereiro de 1924
Neste texto foi mantida a grafia original
Somos um paiz de largos recursos, ninguem o nega, graças a Deus por aqui não ha muita miseria, mas não estamos longe da verdade, affirmando que a situação é gravissima no que concerne à alimentação do povo. Nada de phrases nem de effeitos eloquentes.Por mais que o optimismo politico e o modo de ver côr de rosa, daquelles que tem a tulha farta e a vida engalanada de flores, tentem esconder a gravidade do momento, em face dos preços deshumanos dos generos de subsistencia commum, está ahi aos olhos de toda a gente, concreto, o esboço de uma era de fome! (...)


5. Site do Le Monde Diplomatique

3º FESTIVAL LATINO-AMERICANO DE CINEMA
Memórias do Subdesenvolvimento, arte e revoluções
Edmundo Desnoes, romancista e inspirador de um filme que marcou o cinema cubano, conversa sobre seu processo criativo, as encruzilhadas da Ilha, política e literatura na América Latina, a banalidade do consumo e a importância do ato de narrar, como sentido da própria existência humana (Por Iana Cossoy Paro, Javier Cencig, Moara Passoni e Thiago Mendonça)[A entrevista é parte de uma cobertura especial sobre cinema latino-americano, que inclui mais cinco textos: 1 2 3 4 5]
A descoberta das imensas jazidas do pré-sal convida a um debate, que a mídia insiste em omitir. Quem irá tirar proveito dos recursos de nosso subsolo? Por que manter uma legislação que favorece as transnacionais? Que alternativas permitiriam usar as reservas em favor das maiorias? (Por Sérgio Ferolla e Paulo Metri)

MÍDIA & POLÍTICA
A alma do negócio
A publicidade não pode espelhar a realidade – e este talvez seja seu grande malefício sócio-cultural. Toda propaganda é enganosa e, quanto mais enganosa, melhor. Não importa que a harmonia doméstica nada tenha a ver com o uso de um creme dental ou com a margarina Qualy (Por Guilherme Scalzilli, que estréia nova coluna no Le Monde Diplomatique Brasil)
CAPTURAS
Há um truque banal no recém-lançado "manifesto" dos publicitários. Ao apresentar a propaganda como base da liberdade de expressão, ele despreza público e sociedade. Mas ignora os movimentos pela radicalização da democracia — que exigem, inclusive, um novo padrão de propaganda (Por Ivana Bentes)

CULTURA PERIFÉRICA
Unico artista a dirigir o ministério da Cultura até hoje, ele foi também o primeiro ministro a traçar políticas públicas efetivas para a produção simbólica. Valorizou a diversidade e a autonomia. Faltou assegurar recursos condizentes, e evitar que fossem canalizados para o marketing empresarial (Por Eleilson Leite)

6. Site da revista Nova Escola http://revistaescola.abril.com.br

Olimpíada que ensina
China 2008
Especial multimídia reúne vídeo sobre a arte chinesa, podcast sobre o mito Pan Gu, galeria de fotos sobre arquitetura e culinária orientais, jogo de xadrez para falar de poluição, dicas para incluir as artes marciais na Educação Física e planos de aula de História, Matemática e Língua Portuguesa.

Sala de Aula
Sobre ritmos e sons
Está enganado quem pensa que só músicas infantis devem ser ouvidas pelas crianças da pré-escola. Mostrar diferentes ritmos, variar os instrumentos e fazer cantar são maneiras de ampliar o repertório dos alunos.

Pense Nisso
Avaliação não é ameaça
Em sua coluna na edição de agosto, o educador e físico Luis Carlos de Menezes reflete sobre as distorções mais comuns na aplicação das provas e mostra o papel das avaliações como mapa da aprendizagem do aluno.

Pensadores
Freud, o explorador da mente
Tido como pai da psicanálise, o médico austríaco Sigmund Freud (1856-1939) circulou pela antropologia, teoria literária, filosofia, ciência política, mas também deixou seu legado na área da Educação. Confira!

Reportagem on-line
Corrupção roda o globo
Direto de Brasília, NOVA ESCOLA acompanhou a divulgação de relatório da UNESCO mostrando que até os países desenvolvidos sofrem com desvio de verbas, falsificação de diplomas e criação de postos fantasmas.

Novos vídeos no ar
Cleuza Repulho e Lino de Macedo
Convidados para conversar com a equipe de NOVA ESCOLA, a diretora do MEC falou sobre o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) e o psicólogo da USP explicou os conceitos de informar, conhecer e saber.

Dia do professor
Era uma vez especial
No lugar de escritores consagrados, NOVA ESCOLA convida você para escrever um texto para a seção Era uma Vez de outubro, mês do professor. Leia a proposta, conheça o regulamento e participe!

Ponto de Encontro
Interação com orientação
Entre no portal de comunidades e participe dos novos grupos sobre “um computador por aluno”, “violência doméstica” e “avaliação e gestão escolar”, todas mediadas por consultores da FVC.


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NOTICIAS

1. 2° SEMINÁRIO DE HISTÓRIA ECONÔMICA E SOCIAL DA ZONA DA MATA MINEIRA
O 2º Seminário de História Econômica e Social da Zona da Mata Mineira, evento voltado para estudantes, professores, historiadores, economistas, cientistas sociais e pesquisadores, terá início na quinta-feira, dia 09 de outubro, na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras Santa Marcelina – Muriaé-MG. O evento terá duração de três dias, terminando no sábado, dia 11/10. A intenção é promover a discussão e apresentação dos trabalhos com enfoque na História Econômica e Social da região da Zona da Mata mineira que nos proporcionam um conhecimento sobre nossa história regional e os caminhos possíveis para nosso desenvolvimento.
Para saber mais acesse:http://historiafafism.net63.net


2 Comentários:

  • Às 11:22 AM , Anonymous Luciana disse...

    Ricardo,
    realmente os temas dos últimos dois boletins foram muito bons. A escolha foi genial uma vez que a cada dia vivenciamos uma barbárie impressionante na sociedade mundial. Não podemos apenas escolher um ou outro lugar porque os fatos estão por toda parte. Onde iremos chegar? Não podemos ficar d ebraços cruzados esperando as coisas contnuarem a acontecer dessa forma.
    Bom... muito obrigado pela oportunidade de contribuir com o boletim 150. Abraços

     
  • Às 9:49 PM , Anonymous Cris disse...

    Outro artigo do Rossi esta semana merece destaque e foi recomendado lá no Tamos com Raiva, no penúltimo artigo. Aí está:

    "De torturas e punições
    SÃO PAULO - Há duas confusões, que parecem pura má-fé, na equiparação que setores das Forças Armadas estão fazendo entre a ação dos que pegaram em armas contra o regime militar e a ação dos militares que os reprimiram.
    Primeiro, agentes do Estado não podem recorrer à delinqüência para reprimir delinqüência de inimigos. Matar em combate é uma coisa, matar (ou torturar) quem já está preso é borrar a fronteira entre a civilização e a barbárie, tal como ocorre quando, em nome de um projeto político, se matam ou torturam não-combatentes.
    A segunda -e principal confusão, porque não é conceitual, mas factual- trata da impunidade. Praticamente todos os que pegaram em armas contra a ditadura foram punidos. Punidos foram muitos que nem pegaram em armas (vide o caso do jornalista Vladimir Herzog, assassinado nos porões do aparelho repressivo, mesmo não tendo aderido à luta armada).
    Alguns oposicionistas foram punidos no marco da lei, ainda que certas leis repressivas fossem ilegítimas, porque editadas por um governo não surgido do voto livre dos cidadãos. Mas um punhado deles foi punido muito além da lei, com assassinatos, torturas (inclusive de parentes não envolvidos na luta), desaparecimentos (caso de Rubens Paiva, que nada tinha a ver com a luta armada), banimento e por aí vai.
    Do lado oposto, no entanto, ninguém foi punido. Muitos, ao contrário, foram promovidos. A impunidade deu margem, por exemplo, ao atentado do Riocentro, em que só um acidente de trabalho impediu uma tragédia inenarrável (a bomba explodiu no colo do militar que ia atacar um show musical supostamente de esquerda).
    Ser contra ou a favor de punir agora torturadores do passado é questão de opinião. Mas é inquestionável que os torturados foram punidos, e os torturadores, não."

    Estou achando esse debate sobre tortura muito importante, não podemos deixar de entrar de cabeça nele!

    bjos,

     

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