Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

18.6.08

Número 143




EDITORIAL

Faço minhas as palavras do Luiz Nassif em seu blog:

A síntese política do Brasil (Luiz Nassif)
O país ainda está imerso em uma guerra santa, especificamente da mídia contra Lula. Mas, por enquanto, está restrita a isso, despregada da realidade política do dia a dia.
Mas há uma importância inegável no governo e no personagem Lula. O Brasil vive um terremoto social e político, com a ascensão das classes D e E, a convivência do arcaico com o moderno – o arcaico e o moderno presentes em todos os extratos sociais.
É arcaico o militante de esquerda que não consegue enxergar o papel que cabe, por exemplo, à grande empresa brasileira na formação de uma nação mais moderna e justa. Como é arcaico esse modernismo preconceituoso de parte do colunismo pátrio, contra o que considera “Brasil atrasado” – misturando crítica política com preconceito em relação às novas forças que emergem. Ou se considerar que instrumentos modernos - como lei ambiental, lei de defesa dos consumidores, leis de direito econômico - são intromissões do Estado.
Diria que, na formação do Brasil moderno - com suas qualidades e vícios - haverá no futuro o reconhecimento do papel fundamental de dois personagens.
O primeiro, Fernando Collor, ao romper com os grilhões do país fechado que se estratificou nos anos 80 – depois do modelo ter contribuído para o crescimento nas décadas anteriores.
FHC foi o seguidor, teve o mérito da maior habilidade política, mas nunca a grandeza suficiente de mostrar o Brasil com todas suas faces, de se propor a ser a síntese necessária, após a antítese collorida.
O discurso contra a “fracassomania”, a desqualificação do que ele considerava Brasil arcaico, o deslumbramento por ter entrado no clube da elite econômico-financeira, tirou a grandeza de que seu governo poderia ter se revestido. E não teve visão para entender o novo e corrigir os exageros iniciais do modelo.
No início permitem-se os exageros, única forma de romper com o velho. Depois, se entra na fase da consolidação, da maturidade, onde se corrigem os excessos do período anterior. FHC não soube consertar, ser a síntese.
Lula cometeu inúmeros pecados. Ainda não resolveu o dilema das agências reguladoras – presas entre a captura pelo governo e a captura pelos regulados; não conseguiu conferir limites à atuação do BC (nada do que o Banco faz pode ser questionado), não profissionalizou a máquina do Estado no ritmo necessário.
Mas, politicamente, abre espaço para a próxima grande etapa do Brasil, o maior desafio da consolidação democrática, a busca do Santo Graal, do grande pacto nacional que permita a todos os setores se sentirem membros da mesma nação.
Seu discurso na Bovespa, ontem, tem um trecho para entrar para a história:
"Estamos provando que um presidente da República pode, no mesmo mês, colocar na cabeça um boné dos dirigentes sindicais, dos sem-terra, do movimento GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros) e da Bolsa de Valores."
Em relação à percepção política, ao entendimento sobre os novos tempos, à capacidade de entender as idéias-força e chacoalhar o imaginário popular, a intuição política de Lula dá de dez a zero no conhecimento teórico de FHC.Não há termos de comparação.Tem paralelo apenas em Vargas, JK e no Collor do primeiro ano. Castello Branco e Geisel tiveram governos transformadores, mas dentro da ótica autoritária, sem precisar correr o desafio político de recriar o imaginário.
O que Lula propõe é uma construção política sofisticadíssima, de ser a síntese do Brasil moderno, do novo Brasil que surge e do Brasil arcaico.
Morro de rir quando vejo a superioridade com que alguns analistas se colocam, por identificar erros de português no discurso de Lula. Eles sequer entenderam o alcance dessa costura política. O "analfabeto", além de entender está colocando em prática.
O único evento que poderá liquidar com essa proposta é a hipótese de uma crise cambial, fruto da irresponsabilidade continuada do Banco Central. Se vier, toda essa construção rolará ladeira abaixo.

FALANDO DE EDUCAÇÃO

Guia do Mestre: professor, ajude-nos a fazer o seu encarte pedagógico

Desde os primeiros números, a Revista de História da Biblioteca Nacional recebe cartas de professores exaltando a utilização das edições como recurso didático, por seu conteúdo sério, rigorosamente avaliado e editado, e textos de leitura agradável, com informações atuais e seguras.
Os professores apontam como aspectos que atraem a atenção dos seus alunos a qualidade do projeto gráfico e as belas imagens que ilustram os artigos.
Estas manifestações incentivaram o lançamento de um projeto especial: o “Guia do Mestre”, um roteiro de utilização do conteúdo da Revista de História da Biblioteca Nacional em sala de aula.
Serão elaborados encartes que retomam a discussão de um artigo publicado na mesma edição, oferecendo dinâmicas interessantes e adaptadas à linguagem da escola. A idéia é que o encarte funcione como um suplemento pedagógico, auxiliando os professores do ensino médio da rede pública na fixação de conteúdos, na abordagem de temas do cotidiano e na sugestão de atividades de classe, em que os alunos se sintam envolvidos por uma proposta estimulante e criativa.
Inicialmente, o projeto se concentrará nas escolas estaduais do Rio de Janeiro. Serão distribuídos exemplares de edições passadas, enriquecidos pelos suplementos, a todas as escolas da rede. Após esta fase experimental, o projeto poderá ser ampliado para todo o Brasil, a depender da recepção de professores, pedagogos e, claro, do fiel público leitor de nossa Revista.
Professores que são, os realizadores do “Guia do Mestre” conhecem o fosso que separa as boas idéias das carências do espaço escolar brasileiro. Por isso mesmo, agora recorrem à experiência de colegas de ofício para ajudar a pensar a proposta.
Colabore com o projeto registrando sugestões sobre temas a serem explorados e práticas a serem adotadas. Dê sua contribuição para tornar o ensino da História do Brasil mais prazeroso e atraente.
Escreva para Alexandre Camargo, pesquisador responsável pelo Projeto Guia do Mestre, através do e-mail

revistadehistoria@revistadehistoria.com.br

O uso do Computador na Educação: a Informática Educativa
por Sinara Socorro Duarte Rocha*

Nos dias de hoje, tornou-se trivial o comentário de que a tecnologia está presente em todos os lugares, o que certamente seria um exagero. Entretanto, não se pode negar que a informática, de forma mais ou menos agressiva, tem intensificado a sua presença em nossas vidas. Gradualmente, o computador vai tornando-se um aparelho corriqueiro em nosso meio social. Paulatinamente, todas as áreas vão fazendo uso deste instrumento e fatalmente todos terão de aprender a conviver com essas máquinas na vida pessoal assim como também na vida profissional.
Na educação não seria diferente. A manipulação dos computadores, tratamento, armazenamento e processamento dos dados estão relacionados com a idéia de informática. O termo informática vem da aglutinação dos vocábulos informação + automática. Buscando um sentido léxico, pode-se dizer que Informática é: “conjunto de conhecimentos e técnicas ligadas ao tratamento racional e automático de informação (armazenamento, análise, organização e transmissão), o qual se encontra associado à utilização de computadores e respectivos programas.” (LUFT, 2006:365).
Almeida (2000: 79), estudioso do assunto, refere-se ao computador como “uma máquina que possibilita testar idéias ou hipóteses, que levam à criação de um mundo abstrato e simbólico, ao mesmo tempo em que permite introduzir diferentes formas de atuação e interação entre as pessoas.” Sendo, por conseguinte, um equipamento que assume cada vez mais diversas funções. Como ferramenta de trabalho, contribui de forma significativa para uma elevação da produtividade, diminuição de custos e uma otimização da qualidade dos produtos e serviços. Já como ferramenta de entretenimento as suas possibilidades são quase infinitas.
Através da Internet, é possível ignorar o espaço físico, conhecer e conversar com pessoas sem sair de casa, digitar textos com imagens em movimento (gifs), inserir sons, ver fotos, desenhos, ao mesmo tempo em que podemos ouvir música, assistir vídeos, fazer compras, estreitar relacionamentos em comunidades virtuais, participar de bate-papos (chats), consultar o extrato bancário, pagar contas, ler as últimas notícias em tempo real, enfim, trabalho e lazer se confundem no cyberespaço.
Embora seja um instrumento fabuloso devido a sua grande capacidade de armazenamento de dados e a facilidade na sua manipulação não se pode esquecer que este equipamento não foi desenvolvido com fins pedagógicos, e por isso é importante que se lance sobre o mesmo um olhar crítico e se busque, face às teorias e práticas pedagógicas, o bom uso desse recurso. O mesmo só será uma excelente ferramenta, se houver a consciência de que possibilitará mais rapidamente o acesso ao conhecimento e não, somente, utilizado como uma máquina de escrever, de entretenimento, de armazenagem de dados. Urge usá-lo como tecnologia a favor de uma educação mais dinâmica, como auxiliadora de professores e alunos, para uma aprendizagem mais consistente, não perdendo de vista que o computador deve ter um uso adequado e significativo, pois Informática Educativa nada tem a ver com aulas de computação.
Valente (1993: 16) esclarece que “na educação de forma geral, a informática tem sido utilizada tanto para ensinar sobre computação, o chamado computer literacy, como para ensinar praticamente qualquer assunto por intermédio do computador”. Assim, diversas escolas têm introduzido em seu currículo escolar, o ensino da informática com o pretexto da modernidade. Cada vez mais escolas, principalmente as particulares, têm investido em salas de informática, onde geralmente os alunos freqüentam uma vez por semana, acompanhados de um monitor ou na melhor hipótese, de um estagiário de um curso superior ligado à área, proficiente no ensino tecnicista de computação.
Deste modo, ao invés de aprender a utilizar este novo aparato tecnológico em prol de aprendizagem significativa e do acesso universal ao conhecimento, os alunos eram e ainda são “adestrados” no uso da mais nova tecnologia computacional, em aulas descontextualizadas, sem nenhum vínculo com as demais disciplinas e sem nenhuma concepção pedagógica.
Na mesma linha de raciocínio, proliferam em todo país, escolas especializadas no ensino de Informática, na qual o uso da máquina é o principal objeto de estudo, ou seja, o aluno adquire conceitos computacionais, como princípios de funcionamento do computador, noções de hardware e software, além de uso sociais da Tecnologia de Informação e Comunicação – TICs. Entretanto, a maior parte dos cursos oferecidos nessa modalidade podem ser caracterizados como tecnicistas, ou seja, de conscientização do estudante para o uso da informática enquanto técnica, habilitando-o somente para utilizar o equipamento, em nome de uma pseudo-educação profissional que visa somente a formação tecnológica, em detrimento da educação cidadã.
A maioria dos docentes destes cursos, sequer tem formação universitária em Centros de Educação, são inexperientes, tem pouco conhecimento de didática e das teorias pedagógicas, enfim, acabam trazendo para sala de aula, o improviso e as práticas de ensino mecanicistas e repetitivas de cunho tradicionalista sem qualquer preocupação com o desenvolvimento cognitivo de seus alunos. Essa visão de informática pouco altera a realidade educacional, já que traz em seu bojo, um laboratório pouco dinâmico, “engessado” em apostilas estáticas cujas atualizações, quando ocorrem, desvirtuam a verdadeira função social da escola, pois, impossibilitam a construção do conhecimento e a troca de saberes.
A esse respeito, comenta Valente (2003:06) “isto tem contribuído para tornar esta modalidade de utilização do computador extremamente nebulosa, facilitando sua utilização como chamarisco mercadológico”.
[1] Certamente esse não é o enfoque da Informática Educativa e, por conseguinte, não é a maneira como a tecnologia deve ser usada no ambiente escolar.
A Informática Educativa se caracteriza pelo uso da informática como suporte ao professor, como um instrumento a mais em sua sala de aula, no qual o professor possa utilizar esses recursos colocados a sua disposição. Nesse nível, o computador é explorado pelo professor especialista em sua potencialidade e capacidade, tornando possível simular, praticar ou vivenciar situações, podendo até sugerir conjecturas abstratas, fundamentais a compreensão de um conhecimento ou modelo de conhecimento que se está construindo. (BORGES, 1999: 136).
A Informática Educativa privilegia a utilização do computador como a ferramenta pedagógica que auxilia no processo de construção do conhecimento. Neste momento, o computador é um meio e não um fim, devendo ser usado considerando o desenvolvimento dos componentes curriculares. Nesse sentido, o computador transforma-se em um poderoso recurso de suporte à aprendizagem, com inúmeras possibilidades pedagógicas, desde que haja uma reformulação no currículo, que se crie novos modelos metodológicos e didáticos, e principalmente que se repense qual o verdadeiro significado da aprendizagem, para que o computador não se torne mais um adereço travestido de modernidade.
Aliás, esta é principal preocupação dos pesquisadores: se a inserção da informática no âmbito escolar de fato traga inovações com benefícios a todos os envolvidos ou se o computador é apenas mais um modismo passageiro, como ocorreu com o Telensino. O Telensino foi uma modalidade de ensino, uma experiência de utilização da tecnologia, em particular da televisão em sala de aula que se iniciou em 1974, mas foi na década de 90 implementada em todo o Estado do Ceará, atingindo cerca de 300.000 alunos. Esta proposta permitiu ampliar o número de matriculas e universalizar o ensino fundamental principalmente em regiões interioranas do Estado. As escolas foram bem equipadas e os professores foram treinados a ser tornarem orientadores de aprendizagem, contudo a falta de assistência técnica, de objetivos claros, de uma metodologia apropriada à realidade local, a falta de material didático (faltavam desde manuais de ensino, fitas cassetes com as aulas, energia elétrica) sem contar o fato do mesmo ter sido implementado de forma unilateral, sem uma reflexão conjunta com professores e alunos, tornou o Telensino uma tentativa fracassada de inserção da tecnologia de informação na sala de aula.
Borges Neto (1999) ao analisar o fenômeno brasileiro de informatização escolar percebeu que a falta de planejamento era a tônica reinante. Segundo o autor, este processo ocorria de forma segmentada, descontextualizada e nuclear, ou seja, adapta-se uma sala para receber os computadores, a famosa sala de informática, contratava-se um especialista (geralmente indicado por um órgão desvinculado da prática educativa), fazia-se um marketing junto à comunidade escolar, e, enfim, reordenava-se a grade curricular para acomodar as aulas de informática. Enquanto que para o professor de sala de aula (polivalente ou hora-aula), tal processo ocorria desapercebidamente, pois continuava dentro da sua triste realidade, turmas superlotadas, alunos desmotivados, falta de material didático, tendo como únicas ferramentas tecnológicas: o quadro negro, o giz, a voz e quando muito, o livro didático.
Segundo Valente (1993: 01) “para a implantação dos recursos tecnológicos de forma eficaz na educação são necessários quatro ingredientes básicos: o computador, o software educativo, o professor capacitado para usar o computador como meio educacional e o aluno”, sendo que nenhum se sobressai ao outro. O autor acentua que, “o computador não é mais o instrumento que ensina o aprendiz, mas a ferramenta com a qual o aluno desenvolve algo e, portanto, o aprendizado ocorre pelo fato de estar executando uma tarefa por intermédio do computador” (p.13).
Quando o próprio aluno cria, faz, age sobre o software, decidindo o que melhor solucionaria seu problema, torna-se um sujeito ativo de sua aprendizagem O computador ao ser manipulado pelo indivíduo permite a construção e reconstrução do conhecimento, tornando a aprendizagem uma descoberta.. Quando a informática é utilizada a serviço da educação emancipadora, o aluno ganha em qualidade de ensino e aprendizagem.
A mudança da função do computador como meio educacional acontece juntamente com um questionamento da função da escola e do papel do professor. A verdadeira função do aparato educacional não deve ser a de ensinar, mas sim a de criar condições de aprendizagem. Isso significa que o professor precisa deixar de ser o repassador de conhecimento – o computador pode fazer isso e o faz tão eficiente quanto professor – e passar a ser o criador de ambientes de aprendizagem e o facilitador do processo de desenvolvimento intelectual do aluno. (VALENTE, 1993: 06).
A chegada das tecnologias no ambiente escolar provoca uma mudança de paradigmas. A Informática Educativa nos oferece uma vastidão de recursos que, se bem aproveitados, nos dão suporte para o desenvolvimento de diversas atividades com os alunos. Todavia, a escola contemporânea continua muito arraigada ao padrão jesuítico, no qual o professor fala, o aluno escuta, o professor manda, o aluno obedece. A chegada da era digital coloca a figura do professor como um “mediador” de processos que são, estes sim, capitaneados pelo próprio sujeito aprendiz. Porém, para que isso ocorra de fato, é preciso que o professor não tenha “medo” da possibilidade de autonomia do aluno, pois muitos acreditam que com o computador em sala de aula, o professor pede o seu lugar.
Pelo contrário, as máquinas nunca substituirão o professor, desde que ele re-signifique seu papel e sua identidade a partir da utilização das novas abordagens pedagógicas que as tecnologias facilitam. A adoção das TICs em sala de aula traz para os educandos, muitos caminhos a percorrer e para isso é preciso a presença do professor, pois é ele quem vai dinamizar todo este novo processo de ensino-aprendizagem por intermédio dessa ferramenta, explorando-a ao máximo com criatividade, conseguindo o intuito maior da Informática Educativa: mudança, dinamização, envolvimento, por parte do aluno na aprendizagem. Entre as vantagens potenciais desta modalidade na escola, está o fato desta:
(...) a) ser ‘sinônimo’ de status social, visto que seu usuário, geralmente crianças e adolescentes, experimentam a inversão da relação de poder do conhecimento que consideram ser propriedade dos pais e professores, quando estes não dominam a Informática; b) possibilitar resposta imediata, o erro pode produzir resultados interessantes; c) não ter o erro como fracasso e sim, um elemento para exigir reflexão/busca de outro caminho. Além disso, o computador não é um instrumento autônomo, não faz nada sozinho, precisa de comandos para poder funcionar, desenvolvendo o poder de decisão, iniciativa e autonomia; d) Favorece a flexibilidade do pensamento; e) estimula o desenvolvimento do raciocínio lógico, pois diante de uma situação-problema é necessário que o aluno analise os dados apresentados, descubra o que deve ser feito, levante hipóteses, estabeleça estratégias, selecione dados para a solução, busque diferentes caminhos para seguir; f) Possibilita ainda o desenvolvimento do foco de atenção-concentração; g) favorece a expressão emocional, o prazer com o sucesso e é um espaço onde a criança/jovem pode demonstrar suas frustrações, raiva, projeta suas emoções na escolha de produção de textos ou desenhos. (FERREIRA, 2002:29)
A utilização da Informática Educativa pode juntar elementos da educação formal com outros da não formal, beneficiando tanto o aspecto prático dos meios não formais quanto a teoria mais generalizada presente nos meios acadêmicos. Por intermédio de sites na Internet, por exemplo, pode trazer para dentro da sala de aula, filmes ilustrando a vida de grandes vultos do passado, ou documentários detalhando as etapas no desenvolvimento de seres vivos, dentre outros.
A Internet possibilita um intercâmbio entre localidades distantes, gerando trocas de experiências e contato com pessoas de outros países. Essas “pontes” que hoje existem entre diferentes mundos representam o único meio de acesso para quem não vive perto dos grandes centros urbanos. Somente nas grandes cidades pode-se conviver diretamente com a informação, ou seja, uma fatia minoritária de pessoas tem acesso à educação de qualidade, pois tem acesso à universidade, bibliotecas, laboratórios, teatros, cinemas, museus, centros culturais etc. É necessário, deste modo, democratizar o acesso ao conhecimento, às tecnologias da informação e da comunicação, seja para a formação continuada dos professores, seja para o enriquecimento da atividade presencial de mestres e alunos.
A democratização do acesso a esses produtos tecnológicos é talvez o maior desafio para esta sociedade demandando esforços e mudanças nas esferas econômica e educacional. Para que todos possam ter informações e utilizar-se de modo confortável as novas tecnologias, é preciso um grande esforço político. Como as tecnologias estão permanentemente em mudança, a aprendizagem contínua é conseqüência natural do momento social e tecnológico que vivemos, a ponto de podermos chamar nossa de sociedade de “sociedade de aprendizagem”. Todavia, a utilização de ferramentas computacionais em sala de aula, ainda parece ser um desafio para alguns professores que se sentem inseguros em conciliar os conteúdos acadêmicos com instrumentos e ambientes multimídia, os quais ainda não têm pleno domínio.
Certamente, o papel do professor está mudando, seu maior desafio é reaprender a aprender. Compreender que não é mais a única fonte de informação, o transmissor do conhecimento, aquele que ensina, mas aquele que faz aprender, tornando-se um mediador entre o conhecimento e a realidade, um especialista no processo de aprendizagem, em prol de uma educação que priorize não apenas o domínio dos conteúdos, mas o desenvolvimento de habilidades, competências, inteligências, atitudes e valores.
A utilização das TICs no ambiente escolar contribui para essa mudança de paradigmas, sobretudo, para o aumento da motivação em aprender, pois as ferramentas de informática exercem um fascínio em nossos alunos. Se a tecnologia for utilizada de forma adequada, tem muito a nos oferecer, a aprendizagem se tornará mais fácil e prazerosa, pois “as possibilidade de uso do computador como ferramenta educacional está crescendo e os limites dessa expansão são desconhecidos” (VALENTE, 1993: 01).
Compete ao professor e aluno explorarem ao máximo todos os recursos que a tecnologia nos apresenta, de forma a colaborar mais e mais com a aquisição de conhecimento. Ressalta-se ainda que o educando é antes de tudo, o fim, para quem se aplica o desenvolvimento das práticas educativas, levando-o a se inteirar e construir seu conhecimento, por intermédio da interatividade com o ambiente de aprendizado.
É papel da escola democratizar o acesso ao computador, promovendo a inclusão sócio-digital de nossos alunos. É preciso também que os dirigentes discutam e compreendam as possibilidades pedagógicas deste valioso recurso. Contudo, é preciso estar conscientes de que não é somente a introdução da tecnologia em sala de aula, que trará mudanças na aprendizagem dos alunos, o computador não é uma “panacéia” para todos os problemas educacionais.
As ferramentas computacionais, especialmente a Internet, podem ser um recurso rico em possibilidades que contribuam com a melhoria do nível de aprendizagem, desde que haja uma reformulação no currículo, que se crie novos modelos metodológicos, que se repense qual o significado da aprendizagem. Uma aprendizagem onde haja espaço para que se promova a construção do conhecimento. Conhecimento, não como algo que se recebe, mas concebido como relação, ou produto da relação entre o sujeito e seu conhecimento. Onde esse sujeito descobre, constrói e modifica, de forma criativa seu próprio conhecimento.
O grande desafio da atualidade consiste em trazer essa nova realidade para dentro da sala de aula, o que implica em mudar, de maneira significativa, o processo educacional como um todo.

Referências
ALMEIDA, M E de. Informática e formação de professores. Brasília: Ministério da Educação, 2000.
BORGES NETO, H. Uma classificação sobre a utilização do computador pela escola. Revista Educação em Debate, ano 21, v. 1, n. 27, p. 135-138, Fortaleza, 1999.
FERREIRA, A. L. D. Informática educativa na educação infantil: Riscos e Benefícios. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará-UFC, 2000. Monografia (Especialização em Informática Educativa)..
LUFT, C.P Dicionário Luft. São Paulo: Atica, 2006.
VALENTE, J. A. Computadores e conhecimento: repensando a educação. Campinas: UNICAMP. 1993.

* Especialista em Informática Educativa e Mídias em Educação (UFC) Atualmente é professor efetivo da Prefeitura Municipal de Fortaleza, com experiência na área de Educação Infantil e gestão do LIE - Laboratório de Informática Educativa
[1] Chamarisco mercadológico. É a utilização da informática apenas como forma de atrair os alunos para a escola sem nenhuma concepção pedagógica, apenas como ferramenta de Marketing.
http://www.espacoacademico.com.br - © Copyleft 2001-2008
É livre a reprodução para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída


BRASIL

Agrotóxico banido na França é vendido no Brasil
Por Paula Cassandra [Sexta-Feira, 13 de Junho de 2008 às 13:23hs]

O agrotóxico chamado Gaúcho e fabricado pela Milênia Agrociências, de Londrina, no Paraná, é vendido com 17 nomes comerciais diferentes no Brasil, inclusive pela Bayer, em São Paulo. No entanto, em países como a França ele já está proibido há 4 anos.
O engenheiro agrônomo, Sebastião Pinheiro, explica que a proibição ocorreu porque o inseticida é o principal suspeito de provocar o extermínio de abelhas produtoras de mel na Europa e nos Estados Unidos. Além disso, o imidacloprid, princípio ativo do Gaúcho, causa câncer em qualquer pessoa que entre em contato com ele, seja pela ingestão, ou pelo simples manuseio.
“Quase todas as abelhas produtoras de mel dos Estados Unidos e da Europa estão desaparecendo. Esse produto é uma imitação da nicotina. Ele se chama imidacloprid, é um inseticida que contem 14 possibilidades de formar nitrosaminas, que são moléculas orgânicas que se combinam na água, no solo ou no ar com óxido de nitrogênio, dióxido de nitrogênio ou substâncias nitrogenadas. O maior problema de todas elas é que são causadoras de câncer”, diz.
Por outro lado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirma que os estudos toxicológicos classificaram o imidacloprid com toxicidade moderada e não cancerígeno. A Anvisa declarou que não é um produto que está na lista dos banidos internacionalmente.
Para Sebastião, o governo não tem nenhum poder nas mãos para deter a expansão dos agrotóxicos. Ele declara que a Anvisa não é um órgão que possua credibilidade para informar sobre os produtos, porque ela está dentro do jogo das grandes empresas.
"Esse pessoal está cada vez mais quarteirizado para fazer o jogo das empresas, estendendo proteção aos negócios deles, fazendo de conta que estão jogando para disciplinar o negócio dos venenos”, diz
Sebastião resgata um pouco da história para explicar como as grandes empresas passam por cima da lei em favor de seus interesses. A autonomia que as corporações conseguiram alcançar permite que nenhuma empresa hoje tenha a obrigação de registrar o seu produto.
“Depois da Segunda Guerra Mundial, as indústrias de veneno, principalmente as alemãs, criaram um cartório internacional dentro das Nações Unidas para proteger os seus negócios, onde as empresas mandam, desmandam e fazem o que querem. Elas determinaram que o veneno poderia ter uma pequena quantidade que não fariam mal às pessoas e criaram um mecanismo de se estudar isso durante o tempo. A partir de 1989, quando existe uma nova ordem mundial, começa a ficar subordinado ao interesse das grandes empresas e da Organização Mundial do Comércio.”, diz.
A denúncia para Sebastião é uma alternativa para mudar essa situação e a imprensa deveria possibilitar essa mudança. No entanto, ele afirma que a mídia corporativa está atrelada às grandes empresas e impede a divulgação de informações verdadeiras à sociedade.
“Não há espaço na grande empresa pra nem uma vírgula sobre praguicidas porque você vê que até o nome já mudou, não é mais agrotóxico, Zero Hora diz que defensivo agrícola, Correio do Povo diz que é defensivo agrícola. A lei diz que é agrotóxico, mas eles dizem que é defensivo, porque a questão é ideológica, divulga o que quer, como quer e quando quer”, diz.
Paula Cassandra, Agência Chasque

2. No blog do Mello, o comentário e o vídeo.

Prefeito corrupto de Juiz de Fora, Bejani renuncia para tentar a reeleição
Posted: 17 Jun 2008 06:59

Somente a certeza da impunidade, ou pelo menos a incerteza da punição, pode explicar a atitude do prefeito de Juiz de Fora Carlos Alberto Bejani (PTB), que renunciou ao cargo para não perder direitos políticos e tentar sua reeleição.
É inacreditável, mas Bejani renunciou, diretamente da cadeia da Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, MG, onde se encontra preso por desviar dinheiro público e encher os bolsos com dinheiro privado.
Leia: http://blogdomello.blogspot.com/


NUESTRA AMERICA

Do Jornal Brasil de Fato:

Peru negocia instalação de base militar dos EUA

Embora o governo de Alan Garcia tenha negado, as Forças Armadas do Peru confirmaram na segunda-feira (16) que estão negociando a instalação de uma base militar estaduniense em território peruano. Esta base se localizará em Ayacucho, 575 quilômetros ao sudeste de Lima, zona na que atualmente operam mais de cem soldados estadunidenses e que foi o epicentro da guerra interna que sofreu o Peru nas décadas de 80 e 90, que deixou 70 mil mortos.

Em Ayacucho se concentram os últimos integrantes do grupo armado Sendero Luminoso, com uns 300 homens, mais de 15 mil hectares semeados com folha de coca. “Efetivamente, estamos em conversas (com os Estados Unidos) para construir um aeroporto militar”, declarou o Chefe do Exército, general Edwin Donayre. Desta maneira, confirmou o que diversos setores estão denunciando e que os governos do Peru e Estados Unidos haviam negado em todos os tons.

Em março de 2007, o jornal argentino Página 12 revelou que o governo peruano negociava com os Estados Unidos – que em 2009 deverá fechar sua base de Manta, no Equador – a instalação de uma base militar no território peruano. Conversas que, segundo as fontes consultadas, formavam parte das negociações entre Peru e Estados Unidos para firmar um Tratado de Livre Comércio (TLC), que ambos países subscreveram em dezembro de 2007. O governo peruano reagiu negando essa possibilidade, ainda que fontes militares confirmaram essas conversas a meios locais. Vom as declarações do general Donayre, pela primeira vez uma alta autoridade do governo peruano admite publicamente a próxima instalação de uma base militar dos EUA.

Operação "Novos Horizontes"

Em maio, foram para Ayacucho mais de cem soldados estadunidenses com o objetivo de iniciar a Operação “Novos Horizontes”, que se prolongará até setembro e na qual participarão mais de mil militares desse país. Segundo as autoridades peruanas, “Novos Horizontes” se limitará a desenvolver ações de ajuda humanitária, mas as tropas estadunidenses estão fortemente armadas, o que desperta as desconfianças sobre as verdadeiras intenções que se ocultariam atrás dessa suposta ajuda humanitária.

A população de Ayacucho tem anunciado medidas de protesto contra a chegada das tropas, como uma paralisação marcada para 8 de julho, em repúdio à presença militar estadunidense. O quartel Los Cabitos, de Ayacucho, foi o centro a partir do qual se dirigiu à guerra antisubversiva nos anos 80 e 90. Tornou-se em cenário de detenções ilegais, torturas e execuções extrajudiciais durante os anos da guerra interna. Recentes investigações têm revelado a existência de valas comuns dentro de Los Cabitos, com centenas de corpos das vítimas da guerra suja.

“A seleção de Ayacucho tem a ver com o interesse dos Estados Unidos de estarem no coração da zona mais problemática em termos de segurança que há no país e porque está na mesma distância do conflito armado na Colômbia e dos conflitos políticos na Bolívia. Desta base, os Estados Unidos operariam em toda a região. Com sua instalação, o Peru estaria se envolvendo perigosamente em um conflito regional”, sinalizou Ricardo Soberón, especialista em temas militares e de narcotráfico. E acrescenta: “A instalação de um aeroporto militar norte-americano confirma que o governo de Garcia tem se tornado um aliado privilegiado de Washington para manter uma estrutura de segurança militar na região”.


ARTE&CULTURA

"Syriana" é um filme que poderia se chamar "Corrupção S.A."

Fazia tempo que não era lançado um filme tão complexo e contundente como Syriana, que bem poderia se chamar “Corrupção S/A”. Dirigido por Stephen Gaghan, roteirista do excelente Traffic, conta com um elenco de primeira linha liderado por George Clooney (também um dos produtores executivos) para mostrar, com tintas realistas e engajamento político, a podridão que envolve o mundo dos negócios - no caso o de exploração e venda de petróleo no Oriente Médio.
Qualquer um que algum dia acreditou na ladainha neoliberal sobre a suposta honestidade das corporações privadas frente à inerente corrupção do Estado, muito usada para difundir a tão propaga “necessidade” das privatizações nas últimas décadas, terá que rever seus valores após assistir ao filme. Embora Syriana tenha formato de thriller político e apresente várias tramas paralelas que só irão se unir no final, o que move o enredo é a disputa política entre dois irmãos num emirado árabe no Golfo Pérsico. Um deles é o típico playboy alienado e vendido ao sistema capitalista, que torra a fortuna da família com iates, drogas e mulheres, enquanto o outro, Príncipe Nasir (Alexander Siddig), tem intenções mais nobres.
Vem dele, por sinal, uma das falas mais reveladoras do filme. Quando interpelado pelo executivo feito por Matt Damon sobre o inevitável fim das reservas petrolíferas mundiais e as conseqüências disso para os povos do Oriente Médio, que fatalmente vão retornar ao barbarismo, dispara: “E você acha que eu não sei disso? Quando aceitei a melhor oferta da China para explorar meus poços, o fiz pensando em meu povo, em usar o dinheiro para melhorar a condição de vida de todos, investir em infra-estrutura e bem estar social. Por isso, agora sou chamado pela mídia e pelo seu governo de terrorista, comunista e ateu!”.
Mas o ponto que mais impressiona em Syriana, não só pela crueza, mas também pela alta dose de verossimilhança, são as interferências diretas promovidas pelo Governo dos Estados Unidos, via sua Central de Inteligência (CIA), nos negócios realizados na região. Seus agentes agem como verdadeiros “anjos da guarda” (ou chacais) para garantir que somente as empresas estadunidenses fechem negócios no Golfo Pérsico, nem que para isso precisem torturar e matar qualquer um que se colocar no caminho.
Do outro lado, as grandes corporações fazem das tripas coração para abocanhar contratos milionários de exclusividade. Manipulação, distorção, mentiras e corrupção são palavras banais neste negócio. Numa seqüência exemplar, um político conservador (interpretado por Tim Blake Nelson), ao ser flagrado em ato de corrupção por advogado que representa os interesses de uma empresa, dispara uma frase que já se tornou antológica: “Corrupção? Corrupção é a intrusão do governo no mercado na forma de regulação. Temos leis contra ela justamente para que possamos sair impunes. Corrupção é a nossa proteção! Corrupção nos mantém salvos e aquecidos! É graças à corrupção que você e eu viajamos o mundo ao invés de brigar nas ruas por um pedaço de carne! Corrupção é o motivo da nossa vitória!”. Qualquer semelhança com a realidade, não é mera coincidência.
Infelizmente, nem tudo são flores em Syriana (a começar pelo nome, que não é explicado, mas é usado tanto para se referir à Síria - como em Pax Syriana -, quanto como um rótulo hipotético para referir-se a países do Oriente Médio que têm semelhança com a Síria). Ou seja, quem não tiver um conhecimento razoável da situação atual da região, incluindo aí os conflitos entre seus inúmeros grupos político-religiosos, e de como funciona o mercado das fusões nos Estados Unidos vai ter grande dificuldade de seguir a trama. Há também um excesso de personagens que deixa a situação ainda mais complicada (o drama familiar do executivo feito por Damon, por exemplo, não acrescenta muito ao filme e pode confundir o espectador). O agente da CIA, feito por Clooney, também sofre de certa letargia e inocência. Jamais alguém com tamanha experiência e bagagem em fazer o jogo sujo para o Tio Sam seria manipulado e enganado de forma tão fácil, muito menos ficaria tão surpreso ao ser descartado num momento de crise.
Todavia, mesmo apresentando essas falhas e incoerências, é inegável que Syriana mereça respeito e crédito, não apenas por tocar numa ferida aberta que pouquíssimas pessoas teriam coragem de expor, mas, principalmente, por deixar claro que, do mundo dos negócios promovidos pelas grandes corporações transnacionais, ninguém sai limpo. E as conseqüências de tudo isso serão, a médio e longo prazos, catastróficas para a humanidade, como bem mostra o filme ao acompanhar a trajetória de um emigrante paquistanês que, expulso do emprego, brutalizado pela polícia e sem qualquer esperança de um futuro melhor, abraça a causa do terrorismo contra o inimigo de seu povo.
Mais atual e pertinente do que Syriana, sinceramente, dificilmente um filme será.
André Lux, http://tudo-em-cima.blogspot.com



LIVROS E REVISTAS

1. NAS BANCAS Revista Fórum de junho

EXCLUSIVO: Raposa Serra do Sol
Matéria especial conta como é a vida em um povoado índigena quase isolado.

2. Antiguidades modernas - historia e política em Antônio Vieira
Da infância na Bahia — marcada pela fuga da casa dos pais, para ingressar na Companhia de Jesus —, à idade já bem avançada, a vida de Antônio Vieira foi rica em episódios marcantes, alguns surpreendentes, outros até mesmo heróicos. Com efeito, a resistência que empreendeu frente aos colonos no Maranhão é fonte persuasiva da coragem do jesuíta. Orador de gênio, escritor polígrafo, estrategista polêmico, por mais de uma década — nos primeiros tempos da restauração monárquica —, Vieira ocupou espaço privilegiado nas cenas mais elevadas da política lusitana. Conselheiro do rei, confessor da rainha, preceptor do infante, interlocutor direto de uma série de outros graves personagens do Portugal seiscentista, por muitos anos ele esteve no centro das decisões, ocupando posição de relevo em uma monarquia ainda frágil e vacilante diante da ameaçadora Espanha. Para além da análise das criações literárias do ilustre orador — na qual se privilegia os temas históricos e políticos —, este livro pretende avaliar aspectos relevantes de sua existência como conselheiro de príncipe e homem de ação. Os textos são sempre contrapostos ao lugar de elaboração da atividade intelectual do autor, o que contribui para distinguir Vieira como um dos mais perspicazes observadores de seu tempo.

Autor: Marcos Antônio Lopes é doutor em História pela USP, professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina e pesquisador do CNPq. Autor de Voltaire político (Editora Unesp), Voltaire historiador (Papirus), Voltaire literário (Imaginário), organizou as obras coletivas Grandes Nomes da História Intelectual (Contexto, 2003) e Idéias de História (Eduel, 2007).

3.
Título: Margem Esquerda n.11
Subtítulo: ensaios marxistas
Autor(a): Vários autores
Páginas: 160
Ano de publicação: 2008

Preço: R$ 28,00


1968 foi um ano extraordinário. Espalharam-se pelo mundo protestos contra a Guerra do Vietnã. Estudantes franceses organizaram-se e exigiram mudanças sociais radicais. O povo, em luta, tomou as ruas da Checoslováquia, do México e dos Estados Unidos. Foi um ano de ressurgimento das mobilizações de massa e da esperança, ano de efervescência intelectual, em que pensamento e ativismo não se dissociavam. A cena cultural tremeu, com uma verdadeira revolução: Beatles, Rolling Stones, Sartre, Joan Baez, Bob Dylan, Chico Buarque, Vianinha e tantos outros.Quarenta anos depois, Margem Esquerda dedica um dossiê – “1968, o ano que (quase) mudou o mundo” – à análise do impacto e do legado dessa década marcada pela resistência vitoriosa dos vietnamitas, dirigidos por Ho Chi Minh, pela consolidação triunfante da Revolução Cubana, de Fidel e do Che, pela vitoriosa revolução argelina de Ben Bella, pela passeata dos 100 mil no Rio de Janeiro e pelo “verão quente” dos trabalhadores italianos, entre outros movimentos.

4. Nas bancas o fascículo 9 de A ditadura militar no Brasil.
O tema deste fascículo é o governo Geisel: o fim do “milagre”.

5. Nas bancas o numero 3 do especial Historia Viva Japão: 500 anos de história, 100 anos de imigração.

SITES E BLOGUES

1. Belo Horizonte e região metropolitana já contam com um novo portal na Internet, que está divulgando todos os eventos culturais gratuitos, uma iniciativa inédita no país. O site www.guiaentradafranca.com.br pretende ser uma ferramenta de utilidade pública, no qual serão fornecidas informações de eventos e de segmentos culturais, como música, exposições, internet, teatro, literatura, concursos, cinema, artes plásticas, digital, cursos, festas populares, palestras e seminários oferecidos gratuitamente à população.

2. Filosofia, Sociologia, História, Psicologia e algo mais. Tudo isso num blog só, do núcleo Ciência & Vida, da editora Escala. Não deixe de ler, o blog é ótimo para professores!
http://redacaociencia.zip.net/

3. No site da revista Histórica, do Arquivo do Estado de São Paulo:
Diretrizes: A primeira aventura de Samuel Wainer
Autor: Danilo Wenseslau Ferrari

Ver para crer: na Última Hora
Autor: Alexandre Pianelli Godoy

Adalgisa Nery e a Última Hora: do jornalismo ao Parlamento da Guanabara
Autora: Isabela Candeloro Campoi

Imprensa e política no Brasil: Carlos Lacerda e a tentativa de destruição da Última Hora
Autora: Marina Gusmão de Mendonça


A Última Hora na criação da Petrobras: disputa ideológica e a relação imprensa e política no segundo governo Vargas
Autor: Luis Carlos dos Passos Martins




NOTICIAS


1. I Colóquio Internacional de História:"Sociedade, natureza e cultura"
Acontecerá no período de 28 a 31 de Julho de 2008 na Universidade Federal de Campina Grande (campus de Campina Grande/ PB) e estará recebendo inscrições de trabalhos até o próximo dia 30 de junho(com publicações dos trabalhos em CD-Rom, com ISBN). Os resumos devem conter entre 8 e 10 linhas, espaço simples. Tamanho 10. Times New Roman. Os resumos serão publicados num CADERNO DE RESUMOS com ISBN.
Valores:Estudantes com apresentação de trabalhos: R$15,00
Professores (do ensino fundamental, médio ou superior): R$30,00
Inscrição em mini-curso: R$15,00
Maiores informações pelo site:http://www.ufcg.edu.br/O
u pelo e-mail:cihufcg@yahoo.com.br

2. VIII Jornada Internacional de Educação Histórica
Data: 5 a 7 de agosto de 2008
Local: Departamento de História da UFC
Inscrições para participação e/ou apresentação de trabalho até o dia 7 de julho de 2008
Maiores informações: 8educacaohistorica@ufc.br ou www.historia.ufc.br

3. IX Encontro Estadual de História - ANPUH-RS
O Encontro Estadual de História é a principal das diversas atividades científicas da ANPUH no Estado do Rio Grande do Sul. É realizado bienalmente, nos anos pares, contando com um tema central escolhido de acordo com a pertinência historiográfica e social. Sua nona edição ocorrerá de 14 a 18 de julho de 2008, nas dependências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.
Visite o site do evento:www.eeh2008.anpuh-rs.org.br.

1 Comentários:

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

Links para esta postagem:

Criar um link

<< Página inicial