Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

9.7.08

Numero 146




EDITORIAL

A semana que passou foi a semana de Ingrid Betancourt. Refém das Farc, ela, segundo as notícias que correram o mundo, teria sido libertada, juntamente com outros reféns, entre os quais alguns agentes do FBI, numa operação espetacular da inteligência colombiana, com total apoio da inteligência norte-americana.
A rapidez com que a noticia se espalhou e a insistência nessa versão, completamente favorável ao presidente Uribe foi algo inaudito e repetido ad nauseam pelos meios de comunicação.
Desde o início, entretanto, algumas dúvidas surgiram:

1. Dizia-se, antes, que Ingrid estava com uma série de doenças, exaurida pelo seqüestro, e praticamente à morte. Coisa estranha: o que eu vi na televisão e na internet foi uma senhora bem disposta, inteiraça... e que, em vez de ir a um hospital para se recuperar dos anos que passou seqüestrada, pegou um avião e foi até Paris conversar com o presidente francês....
Tudo muito estranho....

2. Dois ou três dias depois do tal “resgate”, apareceram os vídeos que teriam sido feitos momentos antes e momentos depois do mesmo.
Outra coisa estranha: de onde apareceram essas pessoas que filmaram tudo, ouviram depoimentos dos reféns e os acompanharam até o helicóptero?
E por que, exatamente na hora da rendição dos dois guerrilheiros, a filmagem foi interrompida? Por quem? Por ordem de quem? Seria o momento mais glorioso, ver os guerrilheiros sendo dominados...Não...a filmagem foi interrompida, e só voltou com os reféns já libertados, comemorando...

3. E os dois guerrilheiros? Cadê eles? Pelo que fiquei sabendo (já que todo mundo só falava na Ingrid...) teriam sido enviados de volta às Farc...
Uai... Uribe ficou bonzinho de repente?
Bem, há pessoas que acreditam em Papai Noel, em duendes, né??? Tudo é possível...

4. Um personagem ilustre visitava, POR COINCIDÊNCIA ENORME!!!!, a Colômbia naquele exato dia do “resgate”. Quem? O candidato republicano ao governo dos Estados Unidos, o John McCain, que, nas pesquisas, está atrás do democrata Obama.
Que coisa... ele resolveu visitar a Colômbia justo no dia em que se “resgataram”, além da Ingrid, alguns policiais norte-americanos....que ele deve ter levado para a casa natal, e as televisões de lá devem ter dado uma propaganda fantástica para ele... Pelo que sê, não é apenas o Bin Laden que ajuda nas eleições norte-americanas...

Ao longo da semana e no início desta, finalmente apareceram alguns artigos, na internet, claro que a grande mídia não iria oferecer esses dados, em que as minhas dúvidas e outras também foram enfocadas, e acredito que hoje já podemos falar que o resgate não foi tão resgate assim...talvez ainda haja algo mais para se descobrir, mas que a história da carochinha vendida no dia pela mídia é muito estranha....lá isso é...
Vejam as matérias abaixo...elas ajudarão a esclarecer alguns pontos!


1. Jânio de Freitas, da Folha de São Paulo
Uma demonstração especial
De repente, foi como se todos os outros reféns, com uma exceção, evaporassem nas brumas da selva colombiana.
A CAMPANHA e os festejos pela libertação de Ingrid Betancourt, mais do que justificados, compõem uma demonstração clara e didática do quanto estamos todos sujeitos às manipulações por intermédio dos chamados meios de comunicação, mesmo para boas causas e não só para as de fins criminosos como, em exemplos extremos, as mentiras para o ataque ao Vietnã, a ocupação do Iraque e a guerra nazista.
O número de reféns retidos pelas Farc varia, conforme quem o cita, de 200 a 800. Basta-nos citar centenas, porque a barbaridade não se altera. De repente, foi como se todos esses, com uma exceção, evaporassem nas brumas da selva. O mundo foi levado por uma campanha competente a abolir de suas emoções centenas de seres e concentrar-se, entre comovido e revoltado, na suposição de uma só pessoa merecedora de tudo para resgatá-la do seu pequeno inferno.
Ao governo francês, participante mais notório do episódio, não faltam motivos para ser aplaudido, por sua "ação decisiva" dita pela própria Ingrid Betancourt, nem outros para lamentá-lo. Mesmo que não se considerem possíveis utilizações políticas e propagandísticas por parte do presidente Sarkozy, como antes por Jacques Chirac, seu motivo para abstrair do "decisivo" esforço centenas de seres humanos é quase torpe: o casamento remoto com um francês, com decorrentes direitos de cidadania francesa que o divórcio não retirou. Não estava em questão o ser humano, mas um estatuto jurídico francês aplicado, por acaso, a Ingrid Betancourt, como poderia sê-lo a outro refém que, então, seria o beneficiário da "ação decisiva".
Se, nas centenas de reféns, não constam outras duplas nacionalidades francesas, azar o deles. Ou melhor, eles nem existem nesse capítulo senão em referências tão escassas e sucintas quanto possível: "os outros reféns", "os demais reféns". A rigor, Sarkozy e o governo francês não foram originais. Seguiram a conduta mais comum nos governos, entre militares e na diplomacia. Os Estados Unidos só mostraram interesse nos três mercenários resgatados com Ingrid Betancourt. Mas, com ou sem Bush, os modos norte-americanos são bem conhecidos, ao passo que temos o vício histórico de ver a França com outros olhos, apesar da guerra da Indochina, dos horrores da guerra na Argélia, da guerra do Suez, contemporâneas de muitos de nós.
A manipulação sobre a manipulação. A família de Ingrid Betancourt cumpriu com grau exemplar o seu papel de batalhar por todos os meios para trazê-la de volta. O que daí resultou foi um clima ficcional que jogou com as emoções públicas, transformando-as em força de pressão que contribuiu muito para a exceção Ingrid Betancourt, com a conseqüente irrelevância em que foram postas as centenas de demais cativos. Ingrid Betancourt tinha todo o alfabeto das hepatites, úlcera rompida, todos os piores efeitos da leishmaniose, anemia, inação muscular, corria risco de morte, logo teria apenas semanas de vida, um pouco mais e, se não fosse libertada de imediato, não resistiria a mais do que dias. "Estou muito bem", disse ela sobre seu estado, ao chegar a Bogotá. "Estou muito bem", repetiu em Paris, "e daqui a uns dias vou fazer alguns exames, mas só os de rotina".
Sejam 200, 500, 800, os reféns relegados são também pais, mães, filhos. Não haverá entre eles quem possa ter até maior grandeza do que Ingrid Betancourt? Ou seriam todos, como seres humanos, merecedores do descaso com que foram e estão sendo tratados, temas só de referências obrigatórias e furtivas? O propalado esmagamento das Farc é posto em dúvida por sua capacidade de manter centenas de reféns, o que implica muitas dificuldades, e controlar parte imensa do território colombiano. Nessas circunstâncias, as centenas de cativos que não contam com governos e com manipulações da opinião pública merecem, ao menos, uma palavra de solidariedade
2. Não sou muito fã dessa senhora não, mas a pergunta que ele faz ao final é bem pertinente...Aliás...extremamente pertinente....

ELIANE CANTANHÊDE
Nelson Mandela de saias

BRASÍLIA - Coincidências existem? Nem sempre. Ou quase nunca. Ninguém nos EUA havia entendido muito bem a ida de John McCain para a Colômbia em plena campanha eleitoral americana. E agora ninguém no Brasil (e provavelmente no resto do mundo) entende por que ele estava no país justamente no dia em que Ingrid Betancourt foi libertada de um cativeiro de mais de seis anos, junto com três americanos do Departamento de Defesa.
Será mesmo pura coincidência?
McCain é republicano, como o presidente George W. Bush. O presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, é o maior aliado, politico, econômico e sobretudo militar dos EUA em toda a América do Sul. E as operações de inteligência que libertaram os reféns foram, como de resto são todas as demais, combinadas entre Bogotá e Washington.Como detalhe: McCain está atrás do democrata Barack Obama nas pesquisas da eleição norte-americana, precisa de "mágicas". E muito mais do que mero detalhe: Uribe foi eleito quando Ingrid Betancourt era candidata e acabou seqüestrada pelas Farc, já foi reeleito e está todo alvoroçado para introduzir de fato o terceiro mandato consecutivo no continente.
Se a libertação de Clara Rojas e de Consuelo Gonzalez em janeiro foi uma super-vitória do venezuelano Hugo Chávez, a de Ingrid Betancourt fica na conta de Uribe, com um enorme saldo político e eleitoral num momento chave da Colômbia e dos EUA.
Mas, de outro lado, Uribe passa a conviver com um belo e provocante fantasma contra o continuismo: a própria Ingrid, que surge do cativeiro como um Nelson Mandela de saias. Ela já deixou claro que quer ser candidata.O resto da história ainda precisa ser muito bem contado, na base do quem, como, onde e, principalmente, por que.
E, afinal, que raios McCain estava realmente fazendo na Colômbia?
3. Da Agência Carta Maior:
O preço da liberdade
Ainda é difícil saber o que de fato aconteceu na selva colombiana no episódio da libertação de Ingrid Betancourt. Mas uma coisa é certa: a versão oficial é inverossímil. E as FARC estão pagando o preço do caminho que escolheram: o isolamento.
Flávio Aguiar

“Um grupo revolucionário que depende de assaltos a bancos para sobreviver, termina virando um grupo de assaltantes de banco”.
Quem disse isso, ou mais ou menos isso, não foi um ideólogo de direita. Foi Ernesto Che Guevara. Infelizmente a frase se aplica às FARC colombianas, para quem, ao que tudo indica, o seqüestro virou uma indústria, e a extorsão, uma prática corrente.
Escrevo “ao que tudo indica” porque uma espessa cortina de fumaça cobre o perfil das FARC, e o que está acontecendo no seu interior, com as mortes de alguns de seus principais próceres. Um morreu de morte natural; dois foram assassinados, um pelo ataque do Exército colombiano em território equatoriano, o outro, com a companheira, pelo chefe de seus guarda-costas, numa operação mercenária.
Entretanto, deve-se dizer, essa cortina de fumaça não é apenas da responsabilidade de uma imprensa conservadora em escala mundial, ou das campanhas orquestradas a partir de Washington ou Bogotá. É conseqüência também do próprio caminho que as FARC percorreram, o de um crescente isolamento no plano continental.
Apesar dos esforços mais recentes do presidente Hugo Chavez que, ao contrário do que se propaga na imprensa conservadora, não é um “falcão” de lutas armadas, mas um presidente a quem não interessa um clima de guerra nas vizinhanças de seu país, as FARC não saíram de sua política ou condição de isolamento, pelo menos no que toca aos países da América do Sul.Também não propiciaram uma resposta convincente à acusação freqüente de envolvimento com o narcotráfico. A política de seqüestros, herdeira dos movimentos desesperados dos anos sessenta para libertação de prisioneiros das ditaduras do continente, ameaçados de morte e torturados sistematicamente, tornou-se uma indústria de objetivos turvos, a não ser os de demonstração de poder e força sobre um território e pessoas, além de se presumir que seja rentável do ponto de vista de manter a sobrevivência dos mais ou menos 10 mil guerrilheiros que devem compor as suas forças.
Esse é o maior problema das FARC: nada é claro a seu respeito, exceto o fato de que sua trajetória é de imersão na falta de clareza política. Oriunda da junção de bases camponesas com egressos do Partido Comunista Colombiano e da Juventude Comunista em épocas de duríssima repressão, ainda nos anos sessenta, e depois de algumas tentativas infrutíferas de retornar à vida política tradicional, que provocaram também dissidências e divisões, as FARC deixaram-se envolver pela perda de nitidez de seus propósitos políticos.
O grupo está longe da desarticulação. Mas há sinais de desagregação. É tão difícil acreditar ao pé da letra na versão oficial apresentada pelo governo de Uribe, esse sim um “falcão” da guerra, sobre a libertação de Ingrid Betancourt, quanto acreditar que os últimos sucessos ou insucessos que atingiram as FARC foram possíveis sem algum tipo de infiltração ou, no mínimo, desagregação interna.
Em 1° de março pp., Raul Reyes, definido como o segundo homem das FARC, e seu “negociador” maior, foi assassinado no ataque que violou o território equatoriano. A seguir, outro alto dirigente, Ivan Rios, e sua companheira, foram assassinados pelo chefe de seus guarda-costas, numa operação que rendeu ao traidor 2,5 milhões de dólares (Cf. Libération, 04/07/2008). No mês de março morreu, ao que parece de morte natural, pois nem isso ficou completamente claro devido ao silêncio do organismo guerrilheiro, seu líder e fundador Pedro Antonio Marin, ou Manuel Marulanda, apelidado de “Tirofijo”, aos 80 anos de idade. Seu “sucessor” foi Alfonso Cano.
Na versão oficial, alguém, se fazendo passar por Cano, telefonou para o Comandante César, no campo onde estavam Ingrid Bentancour e outros prisioneiros, “informando” que helicópteros de “uma ONG” iriam até lá para transportar os seqüestrados para outro lugar. A hipótese é muito estranha, para dizer o mínimo.
No mesmo dia da reportagem do Libération, uma rádio suíça anunciou a possibilidade de que um resgate teria sido pago pela libertação de Betancourt e dos outros, hipótese logo negada pelo governo francês e, é óbvio, pelo governo colombiano. Apesar das negativas, não se pode descartar essa hipótese, não só pelo que tem de plausível em si mesma, como também pelo fato de que, como a morte de Rios mostra, a infiltração de dinheiro para obter atitudes convenientes ao governo colombiano dentro da organização não é novidade. E a julgar pelo preço pago pelo assassinato do líder das FARC, 2,5 milhões de dólares, o caixa dessa movimentação não é pequeno.
O que vai acontecer a seguir vai depender de vários fatores. Um deles é a verificação sobre esse suposto pagamento. No caso dele ter ocorrido mesmo, numa operação nos bastidores da operação de fachada, deve-se perguntar: quem pagou, quem recebeu? Foi uma negociação com o próprio comando das FARC ou com algum setor? Qual será o efeito disso, se for real, dentro da organização? Se não houve esse pagamento, ou se ele tiver sido feito à revelia do comando, então o nível de desagregação das FARC pode ser maior do que o que aparenta ser.Outro fator importante é o que vai acontecer nas eleições norte-americanas. A eventual eleição de Barack Obama pode não significar uma interrupção ou freio nessa política agressiva para consolidar a Colômbia como a cabeça-de-ponte de Washington no continente sul-americano; mas a eventual eleição de McCain certamente vai significar seu aprofundamento, como sua recente visita a Bogotá confirma.
Resta saber também qual será o efeito dessas operações agressivas, de sucesso no momento, para o governo de Uribe. Se no momento ele quer desfrutar das glórias da operação sem dividi-las com ninguém, e se isso o aproxima mais ainda de Washington, Uribe está muito isolado na América do Sul, e isso também o deixa numa posição incômoda e politicamente mais frágil do que seria conveniente. Seu contencioso com a Venezuela e com o Equador não é desprezível, e pode ter reflexos indesejáveis na sua relação com o Brasil.
Uma coisa é certa: o clima de enfrentamento e de impasse, que parece se aprofundar, na selva colombiana, numa guerra sem perspectiva de negociação, não tem nada de positivo para as forças populares e progressistas na América do Sul, só fortalecendo o ar guerreiro dos falcões norte-americanos e seus aliados e reforçando sua retórica belicista para se opor e criar empecilhos às políticas democráticas ligadas àqueles setores e suas aspirações.

4. Betancourt: uma libertação comprada?

Rádio pública da Suíça coloca em dúvida versão oficial do governo colombiano sobre a libertação de Ingrid Betancourt. Segundo emissora, transação teria custado cerca de US$ 20 milhões. Governo colombiano nega transação e reafirma tese do resgate
Sergio Ferrari - ALAI AmLatina
Escassas horas antes da chegada de Ingrid Betancourt a Paris, na tarde dessa sexta-feira, 4 de julho, a Rádio Suíça Francesa (RSR) lançou uma nova hipótese sobre a libertação da refém colombiana. A mesma coloca em dúvida a versão oficial oferecida pelo Governo desse país sul-americano.
Ingrid Betancourt e os outros 14 reféns que estavam sob controle das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) não foram libertados durante uma ação militar, mas comprados por alto preço.Essa é a tese de uma informação difundida somente após o meio-dia da sexta-feira pela Rádio Suíça Francesa, a principal emissora pública da região francófona.A RSR, apoiando-se em uma "fonte segura" - que colabora há anos com a emissora - assinala que "o valor da transação oscila entre os 20 milhões de dólares".
Segundo a mesma rádio, na base do acordo encontra-se a esposa do responsável pelos reféns detidos. A mulher "serviu de intermediária desde que foi detida por parte das forças" militares colombianas. Ela havia permitido abrir um canal de negociações com o grupo que tinha em seu poder os reféns e obter que seu responsável, Geraldo Aguilar, mudasse de lado.Segundo a emisora, "na origem da transação (estiveram) os Estados Unidos". Três dos quinze detidos pelas FARC são "agentes do FBI... e haviam sido emprestados a DEA (Agencia Federal de Luta contra o tráfico de drogas).
Para a rádio pública suíça, "a libertação, com as armas na mão, no melhor estilo Ninja, não seria mais que uma máscara (ou disfarce)" midiático.
A tese desmente também o outro argumento oficial da "infiltração" da condução das FARC por parte de agentes militares.
Dois elementos centrais motivaram os observadores e jornalistas sobre os acontecimentos que desencadearam a libertação dos 15 reféns.Em primeiro lugar, que a ação se realizara sem nenhum tropeço, nem complicação militar. Além disso, que não existem imagens completas da mesma.
Normalmente, em situações similares, os operativos são detalhadamente filmados e as imagens são amplamente difundidas. A RSR se pergunta: "Dado que a operação foi um êxito, por que não foi difundido nenhum vídeo sobre a mesma?Perguntando-se sobre as razões desse show midiático, a emissora busca a resposta no interesse em reforçar externamente a "linha dura oficial" do presidente Álvaro Uribe. E no desejo do mesmo de adaptar a apresentação do suposto resgate a sua "própria agenda política".
Há dez dias, o chefe de Estado colombiano solicitou ao Congresso que convocasse de imediato as eleições presidenciais antecipadas. A RSR conclui, afirmando que, nesse sentido, "o timing, o tempo político é perfeito ".
NOTA DA REDAÇÃO: O governo colombiano negou, na tarde desta sexta, que tenha pago um resgate para a libertação de Betancourt e reafirmou a tese do resgate. A emissora suíça, por sua vez, manteve sua versão


COLABORADORES

A Expansão da fronteira monocultora da cana e a mecanização x Mecanismos compensatórios

Por Denise de Mattos Gaudard (*)
21/09/2007

Cerca de 180 pesquisadores participaram de um workshop no Instituto de Botânica, em São Paulo, se propondo a traçar um mapa que indique as áreas prioritárias para ações de conservação e de restauração da biodiversidade em território paulista.

Este é um momento bastante crítico, afinal diversas novas usinas de cana-de-açúcar estão em acelerado processo de aprovação para a instalação e inicio de operação no estado. Em contrapartida, os movimentos ambientalistas têm feito pressão para que o governo do estado e o Governo federal contribuam para que se elabore um mapa integral de áreas prioritárias e vincule os respectivos licenciamentos a verbas compensatórias advindas das novas usinas. Para que se possa definir onde investir, este grupo de pesquisadores ligados à ESAQ-USP está “correndo contra o tempo” para delimitar estas áreas de preservação permanente ou mesmo, que tenham de ser restauradas

A criação de novas usinas assim como a vertiginosa expansão da cultura de cana de açúcar é um fato irreversível. Teme-se nova sanha de desmatamentos desordenados e devastadores, resta pouco para destruir, apenas 13% das áreas florestais ainda existem, principalmente no estado de São Paulo.

Existe um mecanismo da legislação brasileira, chamado reserva legal, que determina a destinação de 20% das propriedades particulares para atividades de produção menos impactantes. Embora exijam espécies nativas e não seja permitido o corte raso, essas áreas permitem, por exemplo, a criação de áreas de manejo florestal.

Exemplificando: a expansão e a implantação de novas usinas de cana-de-açúcar terão que considerar os impactos proporcionais por cada ano da lavoura de cana para os pequenos produtores, que acabarão ficando com o ônus da recuperação.

As usinas deveriam ser obrigadas a cumprir a lei também em relação a seus cortadores de cana que estão trabalhando em sua grande maioria em condições adversas e passam a ficar desempregados quando a usina adota a mecanização como forma de produção. Neste caso os mesmos mecanismos compensatórios também deveriam existir através da implantação e o incremento de programas de capacitação destes trabalhadores que acabam sendo as maiores vitimas do avanço das colheitadeiras.

Cada máquina colheitadeira já desemprega mais de 87 trabalhadores e elas já fazem 35% do serviço em São Paulo, ocupando o lugar de 250 mil lavradores, segundo dados da ÚNICA. Da forma que vem sendo feito, sem as Usinas sequer oferecerem algum tipo de opção, capacitação e ou treinamento para estes trabalhadores, poderá se esperar mais um caos social, através de um novo êxodo rural muito mais intenso e rápido do que ocorreu nos anos 60 e 70. Como a maioria não vai querer voltar para seus níveis de rendimento anteriores, nem boa parte dos migrantes vão querer retornar às suas cidades no Norte e Nordeste, permanecerão no Sudeste, em busca de empregos melhores. A imensa maioria acabará engordando os cinturões periféricos dos pequenos e médios municípios paulistanos, onde esses desempregados acabarão sem nenhuma perspectiva, e provavelmente acabarão na marginalidade. Boa parte mal sabe ler ou está com a saúde precarizada pelo árduo trabalho repetitivo que são obrigados a ter nas lavouras de cana.

Uma das melhores opções para uso de mecanismos compensatórios já teria respaldo na Lei 4.870/65, que se refere, entre outros parâmetros, à criação de instrumentos de formação e capacitação dos cortadores que eventualmente não sejam aproveitados pela implantação das maquinas colheitadeiras, no avanço da mecanização da lavoura da cana paulista (onde a mecanização avança mais rápido, tornando-se total ate 2025).

Esta é uma das possibilidades que deveriam ser seriamente consideradas pelas entidades representantes dos usineiros e principalmente, pelos respectivos governos. Estes poderiam criar convênios com ONGs, Sindicatos de Trabalhadores Rurais e Entidades acadêmicas para que estes assumam logisticamente a criação e incremento de cursos de formação e capacitação direcionados para estes trabalhadores. Estes cursos poderiam ser financiados / viabilizados por um fundo criado com base na arrecadação de recursos pagos pelas usinas, com base na Lei 4.870/65 (PAS) e administrado em convênio fiscalizatório conjunto pelo MPF, MT e as respectivas entidades cadastradas. Ou seja, há recursos mais do que suficientes e formas de evitar mais esta grande tragédia anunciada.


(*) Denise de Mattos Gaudard é Consultora de gestão Consultora de Gestão Empresarial e Socioambiental, sediada no Rio de janeiro. Coordenadora e Pesquisadora da Ong AÇUCAR-ÉTICO (http://www.sucre-ethique.org/-Quem-somos), com foco na pesquisa sobre as relações sociais, ambientais e trabalhistas entre cortadores de cana e as usinas do setor sucroalcooleiro. Participa de outros projetos que viabiliza a implantação da gestão de resíduos conjugado com coleta seletiva de óleo vegetal usado feita por associações e ou cooperativas de catadores urbanos (junto a prefeituras e entidades parceiras). Escreve artigos sobre Mercado Créditos de Carbono, MDL e afins no Portal CONPET - PETROBRÁS/MME e em varias outras mídias nacionais, eletrônicas e escritas.
Pausa para olharmos o mapa da África atual. Guilherme Souto me enviou.


VALE A PENA NAVEGAR POR AQUI:

1. http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/NoticiasIntegra.asp?id_artigo=3423
McCain está deixando as coisas fáceis para Obama, diz The Economist
O candidato republicano erra ao virar para a direita nas eleições gerais dos Estados Unidos em vez de se afastar dos formuladores de política do governo atual, diz revista britânica.

2. http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/NoticiasIntegra.asp?id_artigo=3411
Farc vem perdendo apoio popular há algum tempo, diz pesquisadora

3. Eduardo Galeano, as palavras e a alma da América Latina

NO CADERNO BRASIL:
VIOLÊNCIA E DESIGUALDADE (I)
Exército 3 x 0 Providência
Vamos fazer de conta que esses três jovens são brancos e da classe média. Vamos abraçar a Lagoa Rodrigo de Freitas, usar fitinha branca. Chama a Hebe, a Ivete. Ué, cadê todo mundo, porra? Quando morre pobre ninguém quer... E o silêncio é mais covarde e violento do que bala de fuzil (Por Sérgio Vaz)
VIOLÊNCIA E DESIGUALDADE (II)
Mil vezes favela
Tragicamente simbólicos, os assassinatos da Previdência põem a nu o que a República brasileira tem de pior. Os jovens mortos habitavam um morro que evoca Canudos, e do qual surgiu o próprio termo favela. O episódio revela a persistência do apartheid social — que a mídia se empenha em disfarçar... (Por Alexandre Machado Rosa)
MULTIVERSIDADES
Em julgamento, a igualdade
Dois ativistas do movimento em favor das cotas contam como se articula a luta para que o STF as ratifique, sustentam que apenas uma minoria rejeita as políticas de inclusão racial e afirmam que está em jogo o próprio direito da sociedade a ir além da democracia institucional (Por Bruno Cava)
OUTROS CINEMAS
Adoção, comércio e poesia
Ao retratar o assalariamento de famílias adotivas, Foster Child expõe abismo social e alienação nas Filipinas. Mas o faz sem esquecer os laços de ternura que unem os pais de aluguel a seus filhos temporários, num sinal de que pode persistir humanidade, em meio ao que é precário ao extremo (Por Bruno Carmelo)
MEMÓRIA
Josué de Castro, pensador indispensável
No momento em que a humanidade se depara com crises simultâneas de mudança climática e escassez de alimentos, vale a pena revisitar um pernambucano que dirigiu a FAO. Há meio século, ele já sugeria que só se pode combater a fome distribuindo renda e respeitando os limites da natureza (Por Marilza de Melo Foucher)
CRIANÇA & CONSUMO
Sapatos de pano contra o vazio de afetos
Como na antiga lenda, vieram as pomposas estratégias do marketing, em suas carruagens douradas de sedução, propondo-se a oferecer às crianças um mundo de maravilhas e tratando de atirar ao fogo as criações. Mas atenção: há meios de construir outra infância (Por Maria Helena Masquetti)

5. Patriotismo versus cegueira
Por Brunna Rosa
Enquanto o mundo comemora a libertação de Ingrid Betancourt, movimentos de defesa dos direitos humanos denunciam que o horror paramilitar continua. leia

7. Gosta de saber de podres e mais podres brasileiros? Leia aqui um extenso dossiê sobre Daniel Dantas, o banqueiro que foi preso nesta terça feira.
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI2996191-EI6578,00.html


VALE A PENA LER

1. Jornal Le Monde Diplomatique Brasil, número 12.
Matéria de capa: Brasil> encruzilhadas do dosenvolvimento (os retrocessos do atual modelo – a inserção na economia global – o impacto sobre o meio ambiente). Artigos principais: A fome dá lucro – União européia: fratura da democracia – Novelas e anunciantes – Colômbia x Venezuela: a grande manipulação – Agro-negócio: mega anistia do governo – Terra indígena: a guerra da Raposa.

2. Revista de Historia da Biblioteca Nacional nº 34.
Bandeirantes, o outro lado do mito – Capoeira para sempre: patrimônio nacional – Americanos ensinaram tortura no Brasil – A lenda amazônica que Indiana Jones não viu - Entrevista com Lilia Moritz Schwarcz.



NOTICIAS

1. A Escola Técnica de Viçosa acaba de firmar um convênio com o governo estadual, através da secretaria de educação e por meio do PEP - Programa de Educação Profissional de Minas Gerais, conforme matérias abaixo, para oferecer os cursos técnicos de Informática e de Meio Ambiente, custeados pelo governo. Os interessados deverão ser alunos do 2º e 3º anos de uma escola estadual ou, caso tenham concluído o ensino médio em qualquer escola pública ou privada, ter entre 18 e 24 anos.
As inscrições estarão abertas a partir do dia 03 de julho diretamente no site www.educacao.mg.gov.br, no link do PEP.
Será aplicada uma prova de seleção para os candidatos no Colégio Effie Rolfs no dia 20 de julho. Maiores informações no site da ETEV: www.etev.com.br ou pelo telefone 3891-0404 a partir das 14:00 horas. de segunda a sexta-feira, ou nas escolas estaduais da região. Serão oferecidas 120 vagas para o curso técnico em Meio Ambiente e 160 vagas para o curso técnico em Informática.


2. V Congresso Brasileiro de História da Educação
Evento: V Congresso Brasileiro de História da Educação
Período: 09 a 12 de novembro de 2008
Âmbito: Nacional
Público Alvo: Profissionais da área e Estudantes
Local: Universidade Tiradentes (UNIT) - Aracaju-Sergipe
Realização: Universidade Federal de Sergipe e Universidade Tiradentes
Coordenação: Dr. Jorge Carvalho do Nascimento

2 Comentários:

  • Às 4:29 PM , Anonymous Cris disse...

    Oi professor Ricardo!
    Viu meu e-mail falando sobre a reportagem? Ela já está no ar na Folha Online (acabaram preferindo colocá-la no site...).
    Depois me diga o que achou!
    Abraço,

     
  • Às 2:53 PM , Anonymous Zenrique disse...

    Olá Prof. Ricardo.
    Obrigado por nos proporcionar, mesmo que a distância, o ensino pelo seu Blog.
    Me chamou muito a atenção, uma matéria da Veja de 20 de agosto, caso haja espaço, penso que seria um ótimo assunto para discussão em fórum, mesmo porque parte da matéria atinge os professores, especialmente de História e Geografia, entretanto, com mais vigor os professores esquerdistas e doutrinadores em suas ideologias.
    Um forte abraço
    José Henrique - Uberlândia.

     

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