Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

27.2.08

Número 128





EDITORIAL

Bem, pessoas, conforme prometido, o tema Fidel e a Revolução Cubana ocupam destaque nesta edição do Boletim. Reuni vários artigos, com ênfases de análise diversas, e opiniões também bastante diversas, para possibilitar uma reflexão a respeito não do futuro de Cuba, mas do significado de uma personagem que governou por 49 anos. Tido como um demônio por uns, um ditador por outros, um herói para terceiros, o fato é que Fidel Castro tem seu nome registrado na história mundial, para o bem ou para o mal.
Não temos que ficar dizendo, como a Veja estampou na sua capa desta semana “Já vai tarde”. Tal tipo de “análise” não traz respostas para questões candentes como as que a Revolução Cubana, sob a batuta de Fidel, trouxe para os latino-americanos.
Temos de procurar compreender, mais do que emitir juízos de valor, a figura e o processo. Pode ser que os textos colocados na seção Falando de História, possibilitem o aprofundamento da discussão.

FALAM AMIGOS E AMIGAS

Ana Cláudia, mineira que mora em São Paulo, envia a matéria do Estadão que a preocupa, e não apenas a ela, claro...

Que fará São Paulo para não parar?

Washington Novaes O Estado de S. Paulo, 18 de janeiro de 2008
Um balanço de fim de ano publicado por este jornal (27/12) aumenta a preocupação com o problema do trânsito na cidade de São Paulo. Diz ele que, dos 2.415.000 veículos novos vendidos em 2007, nada menos que 13,58% ? ou 327.900 veículos ? foram comercializados na cidade de São Paulo, onde já circulavam 3,5 milhões de automóveis e 210 mil caminhões. A eles devem ser somados ainda os veículos dos outros municípios da Região Metropolitana e aqueles que simplesmente transitam pela cidade, de passagem. Ao todo, há quem fale em 6 milhões de veículos na Grande São Paulo. E se sabe que a cada dia vêm sendo emplacados na capital 635 carros e 235 motos (que poluem duas vezes mais que os carros). Nada menos que 1 milhão de veículos estariam em situação irregular. E os atropelamentos já responderiam por 757 mortes em um ano (2006), média de 5,8 por 100 mil habitantes, três vezes superior à da Inglaterra, dos EUA e do Canadá.
Os números trazem imediatamente à memória a argumentação com que foi introduzido o rodízio há mais de uma década, que era a de tirar de circulação cerca de 200 mil veículos por dia. Licenciando agora 635 a cada dia (sem contar motos), chega-se a 190 mil por ano ? isto é, a cada ano se coloca no trânsito o número de veículos que se pretendia retirar com o rodízio. Não espanta, assim, que, num quadro tão difícil, na mesma noite a Câmara Municipal tenha aprovado um projeto de ampliação do rodízio (todos os veículos teriam três horas diárias de restrição, metade de manhã, metade no fim do dia) e outro que simplesmente acaba com o rodízio. Cerca de um mês antes, fora ampliada a zona de restrição da circulação de caminhões.

Sempre que são feitas contas nesse setor, o resultado é espantoso. Já no inventário brasileiro sobre emissão de gases que intensificam o efeito estufa (1994), a cidade de São Paulo aparecia com 24 milhões de toneladas anuais, das quais 78% se deviam a emissões por veículos (relatório do Banco Mundial diz que as emissões no Brasil cresceram 70% depois de 1994). No mundo, o setor de transportes responde por 18,6% das emissões totais, cerca de 4,8 bilhões de toneladas anuais ? e, no ritmo atual, chegará a 9 bilhões de toneladas em 2030. Diz a Organização Mundial de Saúde que a cada ano morrem 750 mil pessoas vitimadas pela poluição urbana.

Outro estudo já citado neste espaço, da Associação Nacional de Transporte Público, afirma que na capital paulista o transporte ocupa hoje mais de 50% do espaço total, se computados o sistema viário e áreas de estacionamento. Meio ou fim? Desperdício, certamente. Vale a pena lembrar estudo do especialista Nelson Choueri, também já mencionado aqui. Partiu ele da estimativa de que 4 milhões de pessoas perdem a cada dia, no trânsito da cidade, três horas, que, somadas, significam 12 milhões de horas por dia. Em 47 semanas de 44 horas cada, ao longo de 35 anos de vida profissional de uma pessoa, serão 72.380 horas. E divididas 12 milhões de horas por 72.380, verifica-se que a cada dia se perdem 165 vidas de trabalho. Multiplicadas por 300 (um ano), serão 50 mil vidas úteis a cada ano - desperdiçadas.

Que se vai fazer? A Prefeitura paulistana propõe renovar a frota de 15 mil veículos até o final de 2008, para aumentar a eficiência do transporte coletivo e reduzir a poluição. Outro estudioso da área, Adriano Murgel Branco, lembra que, se se conseguir aumentar a velocidade média dos ônibus ? com corredores, trólebus e outros caminhos ?, se vai reduzir proporcionalmente o custo do transporte, porque cada veículo transportará mais passageiros em menos tempo. Com o desperdício de combustíveis, os custos da poluição, a perda de produtividade dos usuários do transporte e a necessidade permanente de aumentar a frota, chega-se a um número que, se fosse possível investir na expansão do metrô, em alguns anos se chegaria a estendê-lo a toda a cidade.

Um bom sonho, distante da realidade do cotidiano, em que não se consegue nem mesmo implantar a obrigatoriedade da inspeção anual de veículos, que está para ser levada à prática há 20 anos, mas continua empacada no Congresso Nacional, onde 3 mil proposituras a respeito se misturam com a disputa entre Estados e prefeituras para saber quem fica com a taxa a ser arrecadada. Por aí seria possível reduzir a poluição, retirar da circulação veículos sem condições, baixar os ruídos (a inspeção também verificaria o seu nível), diminuir os custos no sistema de saúde.

São Paulo já esnobou soluções como a do pedágio em certas áreas urbanas, adotada por Londres e outras grandes cidades ? que resultou em aumento da velocidade do transporte coletivo nas áreas escolhidas e redução da poluição. Já esnobou a solução de pôr à disposição das pessoas bicicletas para entrar nas áreas sob pedágio. Mas se está aproximando do tempo em que terá de ser atualizado o gracejo da atriz Regina Casé: "São Paulo não pode parar, por falta de estacionamento." Agora, seria: "São Paulo parou, está tudo estacionado."

Mas algo terá de ser feito. A previsão da Comissão da ONU para População e Desenvolvimento é de que a Região Metropolitana de São Paulo chegará a 20 milhões de pessoas em 2015. A estimativa é de que a indústria automotiva no País continuará crescendo a altas taxas, acompanhando principalmente o aumento do crédito para as faixas da população que até há pouco tinham dificuldade para comprar veículos. E se mantiverem os números de crescimento da frota, serão mais de 300 mil veículos novos a cada ano na área metropolitana.
A campanha eleitoral no Município está batendo às portas. É um tema crucial para a sociedade. Mas não basta que ela se poste diante dos televisores para ouvir propostas. Precisa, ela mesma, organizar-se, discutir, ter as suas próprias propostas. A passividade é que conduziu aos impasses atuais.
Washington Novaes é jornalista. E-mail: wlrnovaes@uol.com.br


FALANDO DE HISTORIA

DOSSIÊ: FIDEL CASTRO

1. JOSÉ SARNEY


Cuba sem Fidel

FIDEL CASTRO, depois de 50 anos no comando de Cuba, anuncia que seu corpo não mais suporta a sua vontade, que seria de ficar no poder até "o desenlace adverso" de que ele fala em sua carta de renúncia. Invocou o nosso glorificado Oscar Niemeyer para dizer que devemos perseverar até o fim.
Sua longa permanência no cargo se deve, em grande parte, aos acordos feitos por Kruschev com Kennedy. A então União Soviética, para retirar os foguetes com ogivas atômicas de Cuba, exigiu dos Estados Unidos a retirada de armas nucleares da Turquia e o compromisso de não invadir Cuba, o que era o maior objetivo e vontade do Tio Sam.

Com essa garantia, Fidel pôde tomar todas as atitudes de hostilidade que tomou contra os Estados Unidos, tentar exportar a revolução para o continente e também para a África, onde fez desembarcar tropas cubanas para ajudar o MPLA, movimento de independência de Angola. A América Latina pagou um alto preço no contexto da Guerra Fria.

Montaram-se, para enfrentar e resistir ao avanço do comunismo, regimes militares que acabaram com instituições democráticas e levaram muitos países, inclusive o Brasil, a um período longo de autoritarismo. Também no rastilho dessa convulsão ideológica surgiram as guerrilhas que resultaram, no Peru, no Sendero Luminoso, no Uruguai, nos Tupamaros, na Argentina, nos Montoneros, na Colômbia, nas Farc etc., com ramificações que em cada país tiveram uma conotação diferente, mas sempre um chamamento aos ideais da Revolução Cubana, cujo marco romântico foi o martírio de Che Guevara na Bolívia.

Na América Central, com a crise da Nicarágua, chegou-se também à beira de uma invasão americana, que não ocorreu devido à ação diplomática do Grupo de Contadora e à participação neutralizante dos presidentes da época, entre os quais Alfonsín e eu.
Fidel sobreviveu até ao desmoronamento do Muro de Berlim e ao fim do comunismo. Permaneceu como o último baluarte ideológico da Guerra Fria.

Ele entrou como um mito igual a Bolívar na história das Américas.
Usou mão-de-ferro para sobreviver. Conseguiu acuar os Estados Unidos, limitando as suas ações imperiais.

Sua renúncia vira uma página da história. É o fim de um ciclo, ao qual ele teve a capacidade de chegar influindo em sua própria transição. O que vem pela frente ninguém sabe. O que se sabe é que seu nome, para amigos e inimigos, é tão forte que nem a morte apagará.

2. KENNETH MAXWELL

O coringa no baralho
FIDEL CASTRO continua a ser o coringa no baralho. Ele sabe que nenhum dos candidatos, em meio à campanha presidencial dos Estados Unidos, vai querer assumir um compromisso quanto a mudar radicalmente a política norte-americana com relação a Cuba, especialmente tendo em vista o fato de que a situação eleitoral na Flórida continua em aberto, como continuará até novembro. Assim, ao renunciar ao seu posto como chefe de Estado na terça-feira, Castro uma vez mais desconcertou seus inimigos e recolocou seu país na agenda internacional.

Os especialistas em assuntos cubanos estão confusos com o que está acontecendo; nisso eles não diferem muito dos velhos "kremlinólogos", que foram apanhados completamente despreparados quanto o sistema soviético implodiu. Um famoso kremlinólogo que eu conhecia na época, quando questionado sobre o papel dos dissidentes, disse que "jamais conversou com eles", o que explica muita coisa! Mas será que teremos uma transição tão descomplicada em Cuba como os especialistas acreditam?

Existem dois modelos de sucessão de ditaduras prolongadas que vale a pena considerar: Espanha e Portugal, nos anos 70. Em Portugal, o velho ditador Salazar morreu e foi sucedido por um de seus veteranos colaboradores, Marcelo Caetano. Mas Caetano era tímido demais. Ele não pôs fim às guerras coloniais de Portugal na África e não procurou uma aproximação com forças democráticas moderadas na sociedade portuguesa, que desejavam ajudá-lo a modernizar a economia e as instituições do país. Em cinco anos, o edifício do regime ruiu completamente, e o país caiu no caos político e social.

Na Espanha, Francisco Franco também morreu de causas naturais. O velho ditador havia estabelecido procedimentos institucionais para perpetuar o regime. Mas o sucessor que escolheu, o rei Juan Carlos, não seguiu o roteiro. A Espanha negociou uma clara ruptura institucional com o passado, e a Europa acolheu o novo regime democrático em Madri e ajudou em sua consolidação por meio de uma grande transferência de verbas.

Cuba seguirá o exemplo de Portugal ou o da Espanha? Muito dependerá do bom senso dos governos latino-americanos, especialmente o brasileiro, bem como dos europeus. A verdade é que chegou a hora de criar um novo grupo de "amigos de Cuba", uma organização de alto nível cuja função seria ao menos a de indicar aos Estados Unidos que a era das ações unilaterais norte-americanas contra Cuba é coisa do passado.

Castro jogou sua carta. E ele observará as conseqüências atentamente.

O "pop star" se aposenta

SÃO PAULO - Por Fidel Castro ser o mais longevo dos governantes do planeta, tudo o que se poderia dizer sobre ele já foi dito, de bom ou de ruim. De ditador a "benefactor", de herói a bandido, com todos os matizes intermediários, todos os rótulos já lhe foram aplicados. Resta-me uma perplexidade: como o líder de uma pequena ilha, praticante de um modelo que caiu em desuso, conseguiu manter-se, ainda assim, como um "pop star"?
Conto o episódio que me aguçou essa perplexidade. Em 1997, comemorava-se, em Genebra (Suíça), o 50º aniversário do Gatt (o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio, substituído pela Organização Mundial do Comércio).

A Genebra acudiram os suspeitos de sempre: chefes de Estado e chefes de governo, autoridades dos mais diversos calibres, diplomatas em cachos e os indefectíveis seguranças, "aspones" e jornalistas que acompanhamos esse tipo de circo (sem nenhum desrespeito ao circo de verdade ou ao circo do "grand monde" planetário).

Os suspeitos de sempre proferiram os discursos de sempre, enquanto a maior parte da "asponeria", dos jornalistas e dos funcionários não tão graduados ficávamos na cafeteria no subsolo do Palácio das Nações.

Ninguém prestava atenção à discurseira, até que o mestre de cerimônias anuncia Fidel Alejandro Castro Ruz. O bruaaá das conversas é suplantado pelo arrastar de cadeiras na direção dos telões que transmitiam a cerimônia.

Feito o silêncio, na cafeteria e um andar acima, Fidel Castro abre o discurso com "la vida es sueño, y los sueños, sueños son", um Calderón de la Barca que parecia profano naquele ambiente.

Ao terminar, uma chuva de aplausos, inclusive de seus pares, 101% dos quais não tinham nem nunca tiveram nenhum parentesco e/ou simpatia com o comunismo. Difícil entender o que aconteceu ali.

7. Só a história para fazer um julgamento mais racional sobre dirigente cubano

Ditador comunista, que associou o extraordinário e inegável carisma a uma inquietação permanente, é santo ou demônio, sem meios termos, de acordo com posição ideológica de quem o julga
CLÓVIS ROSSI

DO CONSELHO EDITORIAL

Começou ontem, com a renúncia de Fidel Alejandro Castro Ruz, aos 81 anos, a contagem regressiva para se saber se vingará uma de suas frases mais célebres: "A história me absolverá".

Só mesmo a história para emitir um julgamento menos emocional de quem era o governante há mais tempo no poder no planeta: 49 anos. Fidel é santo ou demônio, sem meios termos, de acordo a posição ideológica de quem o julga.
A frase completa é algo mais longa: "Podem condenar-me, não importa, a história me absolverá". Foi pronunciada por Fidel como advogado dele próprio, durante o julgamento, em 1953, dos militantes que tentaram ocupar o quartel Moncada, um dos principais do Exército do ditador Fulgencio Batista.

A primeira parte da frase cumpriu-se: Fidel foi condenado a 15 anos de prisão. Anistiado em 1955, tratou de apressar a absolvição pela história, que a seu ver seria representada pela derrubada de Batista.
Cumpriu-se igualmente a segunda parte. Mas começou então um novo julgamento, sobre os méritos e os defeitos da revolução e, por extensão, do homem que a encarnava.
Comunista desde quando? É comunista desde sempre e escondeu o fato para não alienar aliados do movimento anti-Batista ou é apenas um libertário?

O seu primeiro documento político sugere a segunda opção. O manifesto com que ele e seus 165 homens mal equipados se lançaram ao ataque ao Moncada é pouco radical. Pedia até a volta à Constituição de 1940, liberal como quase todas as Cartas latino-americanas.

O suficiente para justificar a análise que fez o historiador britânico Hugh Thomas, em seu livro "A Revolução Cubana": "Castro embarcou no ataque ao Moncada sem uma ideologia verdadeiramente elaborada, somente com o anseio de depor o tirano Batista e de acabar com a corrompida sociedade da velha Cuba".

Até depois da vitória, na sua primeira visita aos EUA (maio de 1959), o tom era similar: "Digo de maneira clara e definitiva que não somos comunistas".
Comunista tardio
Só assumiria o comunismo no fim de 1961. A decisão foi tomada praticamente três anos depois de vitoriosa a revolução e de uma sucessão de atos hostis por parte do governo norte-americano, como o bloqueio comercial e a frustrada tentativa de invasão de Cuba por contra-revolucionários financiados e treinados pelos EUA.
Paradoxo da história: um comunista tardio tornou-se, com o fim da URSS e do charme do marxismo, no "último dinossauro marxista", na definição do "Le Figaro", de 1995.
De todo modo, não se fez comunista pelo método mais usual, que era o de aderir ao Partido Comunista. Na verdade, o partido aceitou a direção de um homem sobre o qual o único consenso, entre admiradores e inimigos, é o de que possui extraordinário carisma, no sentido que o filósofo Max Weber dá ao termo.

"Carisma implica muito mais do que popularidade. O líder carismático é percebido por seus seguidores como dotado de poderes ou qualidades sobre-humanas ou, pelo menos, excepcionais. E ele se percebe a si próprio como "eleito" do alto para cumprir uma missão. Ambos os requisitos se cumpriram em Cuba", escreveu o acadêmico americano Richard Fagen.

Fidel associou o carisma a uma inquietação permanente, que o levou, aos 20 anos (1947), a participar de uma frustrada tentativa de invadir a República Dominicana para depor o ditador Rafael Trujillo.

Antes disso, tivera a sua primeira e fracassada experiência de interlocução com os EUA. Aos 14 anos, em 1940, enviou carta a Franklin Delano Roosevelt, na qual dizia ter 12 anos, cumprimentava-o pela reeleição e pedia uma nota de US$ 10, "porque nunca vi uma nota verde de dez dólares americanos e gostaria de ter uma".
Nunca recebeu o dinheiro e foi vítima de 33 tentativas de assassinato, parte delas pela CIA, a agência de inteligência norte-americana.

Retórica
Ele marcaria a história de Cuba não só com ações mas com uma retórica caudalosa, triunfalista. Ao ir para o exílio no México, em 1955, profetizou: "De tais viagens, ou não se tem retorno, ou se retorna com a ditadura decapitada aos pés".
Quase tudo deu errado para os 82 homens que, em 25 de novembro de 1956, embarcaram no iate Granma para decapitar a ditadura. Uma sucessão de tempestades atrasou a chegada e o grupo que deveria apoiar o desembarque foi dizimado pelos soldados de Batista. Não obstante, quando o grupo desembarcou, em 2 de dezembro, voltou a profetizar: "Os dias da ditadura estão contados".

Estavam. Às 3h de 1º de janeiro de 1959, Batista e colaboradores fugiram para a República Dominicana. Uma semana depois, Fidel entrou em Havana e voltou a profetizar: "Não nos enganemos, acreditando que, daqui para a frente, será mais fácil. Talvez seja mais difícil".

Acertou outra vez.

Difícil, entre outras razões, porque os revolucionários iniciaram processo de autofagia. Os primeiros a divergir foram os moderados do Movimento 26 de Julho. Em outubro, o líder guerrilheiro Hubert Matos escreveu a Fidel, pedindo demissão do comando militar da Província de Camaguey e do governo revolucionário.
A carta custou a Matos 20 anos de prisão, "sistemáticas perseguições, maus-tratos e torturas", como ele contaria depois. Ele passou a ser, em todos esses 20 anos, um dos símbolos, talvez o maior, de violação aos direitos humanos praticados por uma revolução que Castro jurara, no início, ser "a mais justa e a mais generosa".
Nem Ernesto Guevara, o Che, ficou imune às disputas de poder ou ideológicas no novo regime. Che acreditava cegamente que sua missão era levar a revolução socialista a toda a América Latina. Fidel dependia fortemente da URSS, cuja doutrina oficial era a da "coexistência pacífica" com o Ocidente.

Em 1964, "já não restavam dúvidas de que tinham começado a seguir rumos divergentes. A meta de Fidel era consolidar o bem-estar econômico de Cuba e a sua própria sobrevivência política, e, para isso, ele se dispunha a conciliar. A missão de Che era difundir a revolução socialista. Aproximava-se a hora em que deveria deixar Cuba", escreve Jon Lee Anderson, em biografia de Guevara.
Três anos depois, Guevara morria na Bolívia e, paradoxalmente, Fidel assumia o papel de propagador da revolução no resto do mundo, ao criar a Olas (Organização Latino-Americana de Solidariedade).
URSS

O confronto de posições com a URSS era uma relíquia de sua nunca escondida irritação com o comportamento do líder soviético Nikita Kruschev na crise dos mísseis em 1962, tido como o momento em que as duas superpotências ficaram mais próximas de um confronto.
Para ele, "a forma como [Kruschev] se comportou na crise foi uma séria afronta". Afrontar a "convivência pacífica" da URSS com o internacionalismo revolucionário da Olas parecia uma resposta à "afronta" anterior, mas durou pouco.
O bloqueio dos EUA aumentou a dependência dos recursos enviados pela União Soviética. Natural que Cuba entrasse em colapso quando a URSS começou a ruir, a partir de 1989.Entre 1989 e 1992, a economia cubana retrocedeu 35%,e o racionamento (em vigor desde o bloqueio americano) tornou-se mais rígido. Mas Fidel nunca perdeu a pose e sempre teve tratamento de superstar nos encontros internacionais.
Ele teve momentos de estrela até no território inimigo: em 1995, teve tratamento de herói em visita ao bairro do Harlem, em Nova York. Ainda se permitiu uma ironia: "Se algum dia os EUA precisarem de médicos, garanto que temos os melhores. Teria o maior prazer em mandá-los para tratar da população que não pode pagar os hospitais caros daqui".
Uma ironia que corresponde a uma realização, o êxito no setor de saúde, que nem mesmo os mais ferozes críticos negam.
O triunfalismo e a retórica quase sempre inflamada não impediram que, por vezes, Castro preferisse aos clássicos marxistas ou revolucionários o dramaturgo espanhol Calderón de la Barca para recitar, na Cúpula sobre o Desenvolvimento Social de 1995: "A vida é sonho e, os sonhos, sonhos são".

Em entrevista, o jornalista e escritor português Miguel Urbano prevê que, apesar da campanha conservadora, as mudanças com a saída de Fidel Castro vão preservar o regime socialista. "As personalidades e grupos contra-revolucionários carecem de expressão social dentro de Cuba. São quase folclóricos", afirma Miguel Urbano, que viveu oito anos em Cuba, até 2004.
http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/internacional/midia-vai-fazer-campanha-de-desinformacao

9. Soy loco por ti
Por Glauco Faria
Tradução de Renato Pompeu de Londres

Fidel Castro não surpreendeu esta madrugada os cubanos. Todos esperavam a notícia de alguma maneira. Todos sabiam, se bem que ninguém antecipou a notícia. Quem disse a eles? Ninguém. O olfato, o instinto ou acaso o fato de que conhecem muito bem seu líder. Acontece que, cinqüenta anos depois, Castro, um homem que parece imortal, decidiu não continuar sendo o governante de Cuba. Fidel não renunciou, nunca faria isso, pensam os cubanos. Fidel disse que não se candidatará a presidente, nem aceitará que proponham sua candidatura.
O que acontece enquanto isso em Cuba? Total normalidade. A frase mais corrente ou usada é: “ah, sim, já aconteceu, não te disse, era o que tinha de acontecer”. O certo é que os cubanos estão há dezoito meses se preparando para esse dia, inclusive esperando sua morte. Isso estava nas possibilidades. Fidel é um mortal, embora não pareça. Não há barulho nem comoção em Havana. Ninguém grita, tampouco ninguém chora nem soam as buzinas dos carros. Não há ambiente de pesar. Fidel continuará entre os cubanos, algo difícil de acreditar para um homem que liderou o país durante cinco décadas. Que fazer sem Fidel? Nada em especial. Cuba continua indo em frente.
Por outro lado, Raúl Castro criou grandes expectativas. Que os cubanos vão ver mudanças necessárias. Medidas radicais, se não na política, certamente na economia, na produção, na administração. A eliminação de travas e proibições desnecessárias. O que está em jogo em Cuba é a Revolução, isso todos sabem. O que está em jogo é a credibilidade na eficiência do sistema. No domingo, dia 24, se reúne o novo parlamento. Não há expectativas. Cada cubano sabe o que vai acontecer. Quem vão eleger, quem vai ser o segundo do segundo.
O que os cubanos querem saber é quais serão as medidas importantes que o parlamento vai aprovar, as quais foram antecipadas por Raúl, as quais foram mencionadas por Fidel em sua carta. Cuba, hoje, é calmaria, sossego e esperança. Ninguém grita, nem tem medo, nem chora, receia o se queixa de algo a mais, a não ser as mesmas coisas que têm sido reclamadas ultimamente. O povo já disse tudo que queria dizer nas reuniões abertas que ocorreram no fim do ano passado. Fez todas as críticas possíveis para o momento atual. Tudo agora está sobre a mesa de discussões. Os cubanos expressam, sobretudo, uma grande responsabilidade.
Bush ameaça, Miami ferve em delírio, acredita que a Revolução vai acabar logo. A Europa encara com altivez. Os próximos acontecimentos darão a última palavra. Fidel disse: preparem-se para o pior. O caminho não será fácil. A Ilha encara seu futuro e sabe que a primeira coisa que tem de fazer é defender-se. Defender-se de todos os demônios que apareçam em seu caminho.
Jorge Garrido é jornalista cubano.


BRASIL

Da Agência Carta Maior:

AMAZÔNIA
Governo inicia mega-operação de combate ao desmatamento

Força-tarefa da Operação Arco de Fogo vai mobilizar 1.100 agentes da PF, da PRF, da FNS e do Ibama nos estados de Mato Grosso, Rondônia e Pará. Até dezembro, estão previstas mais de 120 ações localizadas de combate ao desmatamento. Alvo inicial são as madeireiras e serrarias.
Maurício Thuswohl - Carta Maior

RIO DE JANEIRO – Começou nesta segunda-feira (25) a maior operação de repressão ao desmatamento e ao comércio ilegal de madeira na Amazônia já deflagrada pelo governo federal. Executada simultaneamente nos estados do Pará, Mato Grosso e Rondônia, a Operação Arco de Fogo vai mobilizar 1.100 agentes da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, da Força Nacional de Segurança (FNS) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Com custo estimado em R$ 200 milhões, a operação terá como alvo inicial os 36 municípios listados como campeões do desmatamento pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Segundo o governo, a Operação Arco de Fogo vai durar pelo menos até o fim do ano. Até dezembro, estão previstas mais de 120 ações localizadas de combate ao desmatamento. A novidade dessa vez, promete o governo, é que os agentes do poder público irão permanecer por longo tempo nos municípios e localidades onde forem constatados os crimes ambientais: “Nós faremos agora um pronto-atendimento nas regiões mais delicadas. Mas, ao contrário do que muitos pensam, não realizaremos uma ação episódica. O fato novo é que permaneceremos por longo tempo”, afirma o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa.
Na primeira etapa da operação, a força-tarefa do governo vai centrar suas ações nas madeireiras e serrarias que armazenam grande quantidade de madeira cortada ilegalmente da floresta. Agentes da PF e do Ibama já estão atuando em alguns municípios onde se concentram empresas desse tipo, como Porto Velho (RO), Sinop (MT) e Tailândia (PA), entre outros. Numa segunda etapa, que deve começar daqui a três meses e ainda depende de verba específica a ser destinada pelo governo, a Operação Arco de Fogo estenderá suas ações de campo para coibir a derrubada ilegal de árvores nas grandes propriedades. Segundo a PF, outros crimes ambientais, como a poluição de rios ou o tráfico de animais silvestres, também serão alvo de repressão.

Para marcar o início da operação, cerca de 300 homens da PF, da PRF, da FNS e do Ibama chegaram nesta segunda-feira (25) à cidade de Tailândia, onde, segundo o Governo do Pará, atuam cerca de 140 madeireiras e serrarias, a maioria de forma ilegal. A cidade foi escolhida porque, na semana passada, foi palco de uma revolta popular, insuflada pelos empresários, que impediu a retirada de 13 mil metros cúbicos de madeira cortada ilegalmente que haviam sido apreendidos por fiscais do Ibama e da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema). A estimativa do governo estadual é que pelo menos outros 50 mil metros cúbicos de madeira ilegal adormeçam nos pátios das empresas.
Apesar da demonstração de força do governo, com dezenas de viaturas cortando o centro da pequena Tailândia ao mesmo tempo em que dois helicópteros sobrevoavam a cidade, os madeireiros já haviam recuado antes mesmo do início da operação. Sob a vigilância da Polícia Militar, desde sábado (23) os caminhões carregados com as toras apreendidas estão deixando pacificamente a cidade rumo a Belém, onde a madeira será leiloada. Segundo a Sema, somente os cinco mil metros cúbicos de madeira apreendidos em uma das serrarias, a Taiplac, têm valor estimado em R$ 2 milhões.
Uma liminar concedida pela juíza Hind Kayath, da 2ª Vara Federal (Belém), após solicitação conjunta do Ibama e do Ministério Público Federal determinou que as madeireiras e serrarias flagradas por exploração ilegal de madeira sejam excluídas por dois meses do sistema que controla o transporte e o armazenamento de produtos florestais. Na prática, isso significa que essas empresas estarão impedidas de atuar durante esse período.
Recadastramento

Além de deflagrar a Operação Arco de Fogo, o governo federal dá andamento à promessa de recadastrar as médias e grandes propriedades localizadas nos 36 municípios da Amazônia considerados campeões do desmatamento pelo MMA. Em edital publicado no dia 19 de fevereiro, os proprietários foram convocados pelo governo para o recadastramento, que será realizado entre os dias 3 de março e 1º de abril pelo Instituto da Colonização e da Reforma Agrária (Incra). Os dados coletados, segundo o instituto, só estarão disponíveis para análise em julho.
O recadastramento é direcionado aos donos de propriedades com área superior a 400 hectares. Nestas condições, segundo o Incra, existem cerca de 15.400 imóveis rurais espalhados pelos municípios que mais desmatam em Rondônia, Amazonas, Pará e Mato Grosso. Após o cruzamento dos dados do recadastramento com as imagens do desmatamento obtidas por satélite, as propriedades que forem autuadas por desmatamento ilegal perderão o direito ao Certificado de Cadastramento de Imóveis Rurais (CCIR), documento sem o qual não é possível aceder aos financiamentos bancários para a “produção”.
Outra medida imaginada pelo governo para inibir o desmatamento na Amazônia é a divulgação de uma lista com os 150 maiores desmatadores do Brasil. A divulgação dessa lista, no entanto, esbarra numa dificuldade, já que a maioria das terras onde ocorre o desmatamento é grilada, sendo praticamente impossível determinar quais são seus verdadeiros donos.

NUESTRA AMERICA

1. América Latina: dependência ou subordinação? (Parte I)
Roberta Traspadini
Os Estados latinos não são mais reguladores das relações entre fronteiras, mas parceiros dos empreendimentos internacionais nos territórios nacionais
http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/america-latina-dependencia-ou-subordinacao-parte-i

2. "Vamos denunciar ingerência dos EUA em nosso país", diz ministro boliviano

Em entrevista ao Brasil de Fato, ministro de Governo boliviano, revela que fatos acumulados recentemente indicam que Embaixador dos EUA no país atua com fins políticos >


A União Européia, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos, no afã de conter uma "Grande Sérvia", potencial aliada de uma Rússia em vias de recuperação e sob a liderança com ares de neo-czarismo de Vladimir Putin, podem estar fomentando o nascimento de uma "Grande Albânia". > LEIA MAIS Internacional

ARTE & CULTURA

1. O Instituto Histórico Israelita Mineiro retoma suas atividades de divulgação da arte cinematográfica com debates a partir de março de 2008, em dois horários: 16:00hs e 19:30hs. O primeiro ciclo tratará a questão da ocupação nazista na França. Os filmes a serem exibidos são:

· "Herói por acaso" de Gerárd Jugnot - dia 04


. "Lacombe Lucien" de Louis Malle - dia 25 de março

Informações e inscrições no IHIM (3226-7848)
Entrada franca, participe!


LIVROS E REVISTAS

1. Flavio Gustavo é o pseudônimo de um ex-aluno meu, que publica seu primeiro livro de contos: Acordei com vontade de matar alguém.
Violência, caos e conflitos familiares são alguns dos elementos quevocê encontrará nos quarenta contos curtos deste livro. Com uma narrativa concisa e irônica, Flávio Gustavo traz à tona histórias rápidas com desfechos surpreendentes.Flávio Gustavo é um escritor mineiro, que recebeu como influência grandes nomes da literatura brasileira, dentre eles: Rubem Fonseca, Nelson Rodrigues, Wander Piroli e Patrícia Melo.
2.

Globalização, democracia e terrorismo, de Eric Hobsbawm, Cia. das Letras. São 10 capitulos em que Hobsbawm analisa a situação mundial no início do novo milênio. Nesta esclarecedora aula de história contemporânea, ele traça um painel do cenário político internacional ao discorrer sobre temas como guerra e paz, imperialismo, nacionalismo e hegemonia, ordem pública e terrorismo, mercado e democracia, o poder da mídia e até futebol.

3.

O século soviético; da revolução de 1917 ao colapso da URSS, de Moshe Lewin. Editora Record, 50,00 - Sobre este autor e livro, Hobsbawm disse: Provavelmente nenhum outro historiador ocidental da URSS reúne, como Moshe Lewin, a experiência pessoal de convívio com os russos, desde os tempos de Stalin [...] até a era pós-comunista. Suas reflexões em O Século Soviético constituem uma importante contribuição para libertar a história soviética da herança ideológica do século passado e devem ser leitura essencial para todos os que desejam entendê-la.

4. Dentro da série de livros comemorativos dos 200 anos da chegada da Corte, Luis Valente de Oliveira e Rubens Ricupero organizaram este “A Abertura dos Portos”. Editora Senac, 50,00 – O livro reúne historiadores e economistas, brasileiros e portugueses, para estudar esse período que tornou praticamente inevitável a quebra do pacto colonial, e também para esclarecer por que o inevitável tomou determinadas feições, como o grau da preeminência inglesa no Brasil.

5. Nas bancas, numero especial da revista Leituras da História. O tema da revista é a rainha Cleópatra.

6.

Nas bancas, a edição temática especial numero 20, da revista Historia Viva. O tema abordado é Os protestantes, desde Lutero até os dias de hoje.
7. Revista/ Chamadas para artigos e lançamento - A revista Cadernos do Campo esta' recebendo ate' 31/3/2008 artigos, ensaios, resenhas, informes, entrevistas, traduções e ensaios fotográfico para compor seu próximo dossiê. Mais informações em http://revistacadernosdecampo.blogspot.com/
- Teoria e Pesquisa: revista de Ciências Sociais, esta' recebendo ate' 30/3/2008 artigos e resenhas para compor seu próximo dossiê. Mais informações em http://www.teoriaepesquisa.ufscar.br/.
- Foi lançado o n.º 12 da revista eletrônica Tema Livre, que apresenta artigos acadêmicos, entrevistas, exposição virtual de fotografia e matérias exclusivas. Mais informações em http://www.revistatemalivre.com/
- Foi lançado o vol. 4 da Fenix - revista de historia e estudos culturais. Mais informações http://www.revistafenix.pro.br/
8. "A historia do Brasil explicada a meus filhos", de Isabel Lustosa, editora Agir. Mais informações em www.ediouro.com.br/agir.
9. "Por que "raça"?" Breves reflexões sobre a questão racial no cinema e na antropologia", organizado por Maria Catarina Chitolina Zanini,editora UFSM. Mais informações pelo e-mail: cmzanini@terra.com.br
10."América Latina ... uma luz no fim do túnel", de Jorge Natal, editora Faperj. Mais informações pelo e-mail: divulgacao@ippur.ufrj.br.

11. A Revista ALPHA (ISSN 1518-6792) está recebendo trabalhos para o seu > próximo número (n.º 9/ segundo semestre de 2008), até o *dia 21 de junho > de 2008*, conforme a temática e a resenha abaixo descritas. Maiores informações sobre a revista e normas de publicação encontram-se na página http://www2/. unipam.edu. br/alpha/revista_alfa/alpha.php.

Além da temática abaixo, a Revista ALPHA aceita também contribuições de outros temas vinculados às áreas de Letras, História e Educação
Tema: Vigiar e curar: As doenças na sua relação com as ciências humanas


SITES E BLOGUES

Como os movimentos estudantis de 1968, de Praga à Bolívia, foram noticiados pela televisão? No site do Instituto Nacional do Audiovisual (INA) francês é possível ver como esses eventos foram retratados nas televisões e rádios da época. O INA é o órgão que detém os arquivos de toda a produção audiovisual francesa, desde suas fundações (anos 30 para rádio e final dos 40 para a TV). Na França, uma lei exige que todo programa de rádio ou televisão deve ser guardado no INA. Com isso, a instituição conta hoje com mais de 60 anos de rádio e 50 de televisão arquivados. As imagens de 1968 são apenas um exemplo do que há no site do INA, que vem, ao longo dos anos, digitalizando seu acervo e colocando parte dele na internet. Hoje já são 100 mil programas consultáveis em busca por temas, personalidades, épocas e programa específico. Alguns documentos são oferecidos para locação ou venda (com preços em torno de R$ 4 a 10), e boa parte é gratuito.
Visite: http://www.ina.fr/

NOTICIAS

1. Seleção para professor -
A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) esta' com inscrições abertas ate' 29/2/2008 para o processo de seleção que visa o preenchimento de vagas de professor titular e assistente, nas áreas de Antropologia e Ciência Política. Mais informações em www.ifcs.ufrj.br/editais
- A Universidade Federal de Grande Dourados (UFGD) esta' com inscrições abertas ate' 3/3/2008 para o processo de seleção que visa o preenchimento das vagas de professor de Antropologia/Etnologia, Antropologia Política/Sociologia Política, Ciências Sociais/Teoria e Métodos em Pesquisa Social, Educação Escolar Indígena, Historia Antiga e Medieval. Mais informacoes em www.ufgd.edu.br/gru
- A Universidade Federal de Goiás (UFG) esta' com inscrições abertas ate' 22/2/2008 e 29/2/2008 respectivamente para o processo de seleção que visa o preenchimento das vagas de professor de Sociologia e Etnologia Indígena. Mais informações em http://www.ufg.br/
2. Candidaturas para o Programa Memória do Mundo da UNESCO
O Comitê Nacional do Brasil do Programa Memória do Mundo da Unesco - MOWBrasil torna publico aos interessados a abertura de candidaturas de acervos documentais do pais à nominação no Registro Memória do Mundo do Brasil para o ano de 2008. As candidaturas deverão ser enviadas ate' o dia 6/5/2008. Mais informações em http://www.arquivonacional.gov.br/.
3. III Concurso de Monografia do AGCRJ
O projeto Concurso de Monografia Arquivo da Cidade/Premio Afonso Carlos Marques dos Santos tem como finalidade selecionar um estudo que tome o Rio de Janeiro como tema, quer enfocando o passado da cidade, na linha do resgate histórico, quer tratando de nossa historia mais recente, fornecendo analises e discussões sobre o Rio contemporâneo. Podem ser inscritos trabalhos nas áreas de historia, geografia, antropologia, arquitetura, urbanismo, saúde e cultura em geral, desde que entre as fontes consultadas figurem documentos iconográficos, manuscritos ou impressos pertencentes ao acervo do Arquivo da Cidade. As inscrições estão abertas ate' 30/5/2008. Mais informações em http://www.enara.org.br/
4. XIII Congresso da ABRACOR
A Associação Brasileira de Conservadores e Restauradores de Bens Culturais (ABRACOR) realizara'seu XIII Congresso em parceria com a Associação de Conservadores Restauradores de Bens Culturais do Rio Grande do Sul (ACOR-RS), entre os dias 08 e 12/9/2008, na cidade de Porto Alegre. O prazo para o envio dos resumos dos trabalhos e' 31/3/2008. Mais informações pelo email: atendimento@specialitaeventos.com.br
5. 53º Congresso Internacional de Americanistas
Será realizado na Cidade do México entre os dias 19 e 24/7/2009 o 53º Congresso Internacional de Americanistas, cujo tema será "Os povos americanos: mudanças e permanências. A construção da própria identidade num mundo globalizado". A data limite para apresentação de simpósios é 31/3/2008. Mais informações pelo e-mail: augusto@coc.fiocruz.br
6. Seminário Brasil 2020/USP
A Universidade de São Paulo (USP) realizará, no dia 3/3/2008, o Seminário Brasil 2020.Trata-se de um evento preparatório para o Colóquio 2010-2020 - Uma Década Promissora para o Brasil, que será realizado em junho de 2008. Os interessados devem confirmar presença ate' o dia 28/2/2008. Mais informações pelo e-mail: To=ineshita@usp.br
7. Quilombolas - Tradições e cultura da resistência
A exposição Quilombolas - Tradições e cultura da resistência traz 40 fotografias e 3 mapas, textos e legendas, em documentação fotográfica inédita, realizada pelo fotógrafo documentarista André Cypriano.12 de fevereiro a 2 de março. De terça a sábado, de 9h30 às 21h, e domingo, de 16h às 21h.Galeria Arlinda Corrêa Lima.


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