Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

30.1.08

Número 124





EDITORIAL

Estamos hoje inaugurando uma nova seção no Boletim: Arte e cultura. Acho importante que não fiquemos falando só de política, economia e problemas e mais problemas...se bem que, como veremos na nova seção, há um grande problema na área cultural, em artigo do historiador e editor Jaime Pinsky. Mas acredito que uma seção mais dedicada ao lado cultural torna-se significativa. A nova seção estará identificada por uma pequena foto do Coreto da cidade de Mariana, MG. Dê a sua opinião a respeito. Não se esqueça que basta clicar ao final em Comments e deixar seu recado!
No editorial de hoje gostaria de indicar um link para matéria da revista Istoé. Gostaria de reproduzir aqui, mas a revista não permite. Trata-se de uma polêmica entrevista com o historiador João Fragoso. Ex-marxista confesso, Fragoso critica vários pontos da teoria de Marx, apesar de reconhecer nele ainda um pensador importante. A polêmica maior, acredito eu, está sendo levantada quando Fragoso diz que “o escravo também foi responsável pela escravidão”. E mais adiante, ainda provoca: “dentro de todos nós, brasileiros, existe um pequeno coronel da República Velha. É um coronel pardo e racista. Se existe uma cultura brasileira, um de seus traços definidores é a presença desse personagem”.
Então? Leia a entrevista e comente aqui para nós!

Link: http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/1995/artigo70947-1.htm


FALANDO DE HISTORIA

Não se fala de outra coisa. Afinal, Jango morreu ou foi morto? O agente uruguaio preso no Rio Grande do Sul deixa claro que ele foi morto por ordem expressa do então presidente, Geisel, que a teria transmitido ao delegado Fleury ( que acabou morrendo também logo depois...) Dois artigos comentam a questão:

1. "O governo Lula vai ter que apurar a morte de João Goulart", pedem familiares
João Vicente Goulart, filho do ex-presidente morto no exílio, exige uma posição da Justiça brasileira para esclarecer as suspeitas de que Jango teria sido envenenado; em testemunho, agente da ditadura uruguaia confessa ter participado do complô do assassinato de ex-presidente (www.brasildefato.com.br)

2. ANÁLISE DA NOTÍCIA
João Goulart, as provas e a história

Declarações de ex-agente de inteligência do governo uruguaio sobre suposto envolvimento da ditadura militar brasileira na morte de João Goulart pode ser um primeiro passo para um instigante trabalho de investigação. Trata-se de uma história que pede para ser revisitada.
Gison Caroni Filho
O Novo Dicionário Aurélio define "prova" como "aquilo que atesta veracidade ou autenticidade de uma coisa; demonstração evidente". Nas reportagens ditas investigativas, é algo a ser obtido durante a fase de apuração das informações que vão ser publicadas. Peça tão importante que deve ser checada criteriosamente.
Na entrevista concedida à Folha de S.Paulo (27/1), o ex-agente de inteligência do governo uruguaio Mário Neira Barreira afirma que João Goulart, deposto em 1964 e morto em 1976, foi assassinado por envenenamento a pedido do governo brasileiro.
A rigor, não estamos diante de um furo jornalístico. Há duas semanas, após entrevista de Barreira com João Vicente Goulart, filho de Jango, a família entrou com uma ação na Procuradoria Geral da República na qual pede que se investiguem as circunstâncias que cercaram a morte do ex-presidente em seu exílio, na Argentina. O que o diário paulista conseguiu foi um material rico em detalhes, algo que pede para ser reconstituído como acontecimento histórico relevante, podendo tanto confirmar a versão oficial (ataque cardíaco fulminante) como refutá-la.
O que está em questão é a disposição e/ou capacidade de se fazer jornalismo investigativo ou deixar que matéria morra na opinião sobre os "especialistas do tema".
Ouvindo o que Jango falava
Ao escrever que Mário Neira "não exibiu provas e disse que o caso era discutido pessoalmente", a jornalista Simone Iglesias, involuntariamente, suscita questões interessantes: o que pode ser considerado prova em um episódio como esse? Uma autorização por escrito do então presidente general Ernesto Geisel ou do delegado do Dops Sérgio Paranhos Fleury? Algum comprimido envenenado com frasco mostrando a validade vencida?
Se considerarmos que o relato do uruguaio guarda inconteste coerência interna – e é verossímil com o contexto político da época – a entrevista pode ser o primeiro passo na concepção de um instigante trabalho de investigação. Uma história que pede para ser revisitada.
Se, tal como definida no dicionário, "prova circunstancial" é aquela que se baseia em indícios, as palavras do entrevistado não podem ser descartadas por falta de relevância. Como prova testemunhal, conhecida nos meios jurídicos como "prostituta das provas", a posição funcional de Neira é um dado que não deve ser ignorado. O que deve ser apurado não é de pouca monta. Senão, vejamos:
"Estive na fazenda de Maldonado para colocar uma estação repetidora que captava sinais dos microfones de dentro da casa e retransmitia para nós. Esta estação repetidora foi colocada numa caixa de força que havia na fazenda. Aproveitamos essa fonte de energia para alimentar os aparelhos eletrônicos e para ampliar as escutas. Isso possibilitava que ouvíssemos as conversas a 10, 12 km de distância. Ficávamos no hipódromo de Maldonado ouvindo o que Jango falava."
Uma rara oportunidade
Não há como confirmar junto à família ou ex-trabalhadores a existência dessa caixa e a plausibilidade operacional de escuta no hipódromo? Ou disso cuidam os biógrafos?
"Foi morto como resultado de uma troca proposital de medicamentos. Ele tomava Isordil, Adelfan e Nifodin, que eram para o coração. Havia um médico-legista que se chamava Carlos Milles. Ele era médico e capitão do serviço secreto. O primeiro ingrediente químico veio da CIA e foi testado com cachorros e doentes terminais. O doutor deu os remédios e eles morreram. Ele desidratava os compostos, tinha cloreto de potássio. Não posso dizer a fórmula química porque não sei. Ele colocava dentro de um comprimido."
Certamente, há como se comprovar ou não a existência do médico e seu papel no aparato repressivo. A medicação citada deve ser de conhecimento dos familiares ou de algum clínico com quem o ex-presidente tenha se consultado. Quem sabe não há prontuários no Brasil, Argentina ou Uruguai? Estamos falando do estudo de viabilidades, um procedimento bastante familiar a experientes jornalistas.
Se, conforme é descrito na matéria, "o Exército brasileiro informou que não há hoje ninguém na ativa com condição de responder ou até rejeitar acusações. O mesmo foi dito pela embaixada dos Estados Unidos no Brasil, questionada se houve participação da CIA na suposta operação para matar o presidente João Goulart, em 1976", é hora de a Folha de S.Paulo estabelecer um plano de ação e pôr em campo uma equipe familiarizada com o tema e que a ele se dedique com afinco. Estamos falando da Operação Condor e de uma rara oportunidade: aquela em que a história, sorrateiramente, adentra uma redação como esfinge. A opção é por demais conhecida para ser repetida como desfecho de artigo.
Ou será que a proverbial preguiça, advinda do exercício constante do denuncismo vazio, levou nossa imprensa a criar um novo preceito jurídico? Algo do gênero: a quem se acusa cabe o ônus da prova?
Artigo publicado originalmente no Observatório da Imprensa


3. Peru: civilização inca e seu massacre (do blog do Emir Sader)
A guia responde:
- Não há mais incas, somos todos andinos.
Eu perguntava pelo destino dos 6 milhões de incas que habitavam Cusco, a capital do Império Inca - cujo nome quer dizer, literalmente, “umbigo do mundo“, - quando chegaram os colonizadores espanhóis.
Eles eram cerca de 6 milhões, tinham uma das civilizações mais avançadas do mundo na época. Foram dizimados. Em 5 anos estavam reduzidos a 1,6 milhões, escravizados. Todos os que compunham a elite - política, religiosa, científica, cultural, militar -, uns 300 mil, foram liquidados em pouco tempo, cortando as possibilidades de sobrevivência daquela civilização.
Todos os conhecimentos acumulados em astronomia, em arqueologia, em culinária, em religião, em agricultura, foram liquidados.
Como se fica sabendo perto dali, em Machupicchu - “Montanha Velha“, - os incas sabiam da circulação da terra em torno do sol, antes de Galileu. Muitos viviam mais de 100 anos, a ponto de que a Universidade de Machupicchu tinha professores de 120 anos.
Em Machupicchu viviam uns 600 ou 700 indígenas, até que um antropólogo norte-americano, Hiram Bingham, “descobriu” a cidade em 1911, levado por um menino que vivia no local. Quando os espanhóis tomaram Cusco, o chefe inca retirou-se para Machupicchu, reuniu todo o ouro e a prata e, para não entregá-la para os colonizadores, fugiu na direção da Amazônia. Daí nasceu o mito de Eldorado, que seria a cidade fundada e construída só de ouro e prata. O chefe inca conseguiu matar ao chefe dos colonizadores, Francisco Pizarro, em um combate.
Como reação recente ao papel de Pizarro, sua estátua foi retirada da principal praça de Lima e deixada em um parque central. Quanto ao antropólogo dos EUA, sob acusações de que teria roubado lingotes de ouro remanescentes e de que não foi o “descobridor” de Machupicchu, como confirma livro de seu filho, baseado em seus próprios diários. A luta dos habitantes locais agora é tirar-lhe esse título falso e atribuí-lo aos indígenas que já viviam em Machupicchu quando ele chegou, especialmente a Agustin Lizárraga, que em 1900 já havia chegado a Macchupicchu, mas também a seus conterrâneos Melchior Arteaga, Justo Ochoa, Gabino Sanchez e Enrique Palma.
Pela destruição causada por aqueles de quem é descendente o rei da Espanha - que, talvez pelas tragédias que produziram entre nós, quer que nos calemos -, é difícil imaginar o que seria o Peru de hoje - assim como a Bolívia, o Equador, a Guatemala, o México, o Chile, a Colômbia, entre outros de nossos países, se os povos originários não tivessem sido destruídos e, com eles, suas civilizações, suas culturas, suas formas de vida. Teríamos uma América Latina ainda mais diversificada e relações de igualdade com os países europeus, caso estes não tivessem se enriquecido com os massacres que promoveram na colonização.
Aliás, como deveríamos chamar à destruição das civilizações originais e a escravidão desses povos e dos negros, trazidos à força da África, para ser escravos e produzir riquezas para as potências européias? Massacres? Limpezas étnicas? Crimes contra a humanidade? Foi com esses banhos de sangue que o capitalismo chegou às Américas, trazido pelos colonizadores europeus. Esses mesmos que gostaríamos que nos calássemos sobre as barbaridades que eles cometeram contra nossas civilizações.
Postado por Emir Sader

BRASIL

1. Há algo de podre no ninho dos tucanos
por jpereira — Última modificação 23/01/2008 15:02
Contribuidores: Editorial do jornal Brasil de Fato (Ed. 256)
Os tucanos deveriam se preocupar de imediato (pois nesse caso têm todas as informações e canais necessários) em esclarecer o caso Von Richthofen - 22/01/2008
Editorial do jornal Brasil de Fato (Ed. 256)
Inicia-se um ano eleitoral, e já foi dada a largada para a baixaria. Como vem acontecendo nos últimos seis anos, a grande mídia (e a internet) enche-se de matérias sobre o caso Celso Daniel, reivindicando para si a condição de paladino de uma cruzada republicana e moralizadora.
Desta vez, o mote é o exílio em Paris do irmão (Bruno Daniel) e da cunhada (Marilena Nakano) do prefeito petista de Santo André (SP), Celso Daniel, seqüestrado, torturado e assassinado em janeiro de 2002.
Obviamente, nosso jornal, como na questão dos assassinados e desaparecidos durante a ditadura, ou dos sucessivos assassinatos no campo, defende intransigentemente a investigação até o f
im de tais atos criminosos, e punição, nos termos da lei, dos seus autores e mandantes. Defende também o direito das famílias e amigos das vítimas de denunciarem e pressionarem os governos e o Estado, no sentido do esclarecimento.
No entanto, já vêm se tornado cansativas as manobras dos tucanos e seus porta-vozes de apenas se ocupar do caso Celso Daniel em anos eleitorais, deixando o assunto morrer sem solução nos anos ímpares (não eleitorais). Sem dúvida, a responsabilidade desse arrastar-se sem fim do assunto deve-se também ao Partido dos Trabalhadores, que jamais se propôs de fato a desvendar o “mistério”, ainda que esteja claro, para todos, que não partiu de qualquer instância ou organismo daquele partido a ordem para a eliminação do seu prefeito.
Ora, se os tucanos não se sentem em condições de esclarecer o caso Celso Daniel (o que, se acontecesse, seria um modo adequado de fortalecer nossa República e nossa democracia), pelo menos deveriam tentar explicar aos cidadãos e cidadãs do nosso país, o caso Suzane Von Richthofen, aquela jovem que, em 30 de outubro de 2002, assassinou seus pais, Marísia e Manfred Von Richthofen, em São Paulo (SP), com a colaboração do seu namorado e o irmão deste, respectivamente Daniel e Cristian Cravinhos.
De acordo com o que a grande mídia se cala e o tucano esconde – mas que acaba sempre vazando – o que se comenta por toda parte, e com claros e fortes indícios de ser verdade, é que o cerco e a proteção que envolvem a senhorita Suzane desde o primeiro momento resultam de uma forte ação de personagens ligados ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Na verdade, essa proteção a senhorita Suzane, visaria esconder o real móvel do crime, que se entrelaça com o modo tucano de fazer política, com a probidade tucana.
De acordo com diversos comentaristas e fontes, o engenheiro Manfred Von Richthofen, pai da senhorita Suzane, e na época do crime diretor da empresa pública estadual (SP) DERSA – Desenvolvimento Rodoviário S.A., era um dos reponsáveis pelo caixa 2 das campanhas pela reeleição do então governador de São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin, e pela eleição do senhor José Serra – também tucano – que disputava com o petista Luiz Inácio Lula da Silva a Presidência da República naquele ano (2002).
Parte do dinheiro que engrossava o milionário caixa 2 tucano teria origem em falcatruas e desvios de verbas destinadas à construção do Rodoanel Mário Covas. Segundo apurou o Ministério Público, o senhor Manfred tinha um patrimônio de R$ 2 milhões, muito superior ao que poderia ter acumulado, considerando que seu salário no DERSA era de R$ 11 mil. Além disso, o senhor Von Richthofen enviava dinheiro para uma conta na Suíça que o Ministério Público “desconfia” estar em nome do senhor Von Richthofen e de sua filha, senhorita Suzane. Ou seja, o móvel do crime perpetrado pela filha contra os pais seria exatamente o dinheiro do caixa 2 tucano que estaria depositado nessa conta.
Assim, mais do que a pressão que faz contra os petistas para que esclareçam o caso Celso Daniel – o que, feito com o objetivo de fortalecer nossa democracia e nossa República e não visando apenas medíocres disputas eleitorais, seria muito bem-vindo – os tucanos deveriam se preocupar de imediato (pois nesse caso têm todas as informações e canais necessários) em esclarecer o caso Von Richthofen.
Sem dúvida alguma, um crime não legitima outro crime.
No entanto, criminosos e acobertadores de crimes não têm qualquer legitimidade para se travestir de vestais.


NUESTRA AMERICA

Haiti
Para conselheiro da OAB que foi ao país caribenho, medida não tem sentido; "Se você dissesse que eles estão mudando o contingente das forças para assistentes sociais, para médicos, para dentistas, para engenheiros, é uma outra natureza", afirma. (www.brasildefato.com.br)


INTERNACIONAL

1. FÓRUM SOCIAL MUNDIAL
Atrás do êxito econômico, se esconde uma realidade com riscos de implosão: poluição, corrupção, pirataria e desigualdade social

DAQUI A alguns meses, acontecerão os Jogos Olímpicos de Pequim. O Império do Meio se prepara para oferecer o que há de melhor para o resto do mundo. No entanto, atrás de uma história de sucesso incrível em termos econômicos, se esconde uma realidade com sérios riscos de implosão ligados à poluição, à corrupção, à pirataria e à desigualdade social.
A China tem a maior população do mundo, com 1,3 bilhão de habitantes, e possui reservas de 1,33 trilhão de dólares. É o país com a maior produção de televisores do mundo, com 83 milhões de unidades produzidas por ano. É também o segundo país em acesso à internet, com 123 milhões de internautas computados até o final de 2006.
Além disso, é a terceira exportadora de bens do mundo, num total de 765 bilhões de dólares, mas também importa 633 bilhões de dólares. Na área de produção de artigos de informática, também está em terceiro lugar em nível mundial. O PIB já era o quarto do mundo em 2007, com 226 bilhões de dólares, e passou a ser o segundo agora em 2008. Quanto à geografia, é o maior país em espaço geográfico, com 9,6 milhões de m2. Porém, a China, em termos de perspectiva de vida, está em 116º lugar do mundo, com 72,5 anos. A fecundidade e a natalidade estão em 168º lugar no mundo, com 1,73 criança por mulher, devido à política de filho único.
Para quem ignorava estes números, a China será a primeira produtora agrícola do mundo, a primeira construtora de auto-estradas, de vias ferroviárias, de prédios e de centrais elétricas; também será a primeira em fabricação de computadores portáteis e de televisão; e a primeira produtora e consumidora de carvão e aço.
É também o país que produz 8 em cada 10 tratores do mundo. Uma em cada duas máquinas fotográficas e 7 em cada 10 relógios no mundo são fabricados na China. De acordo com a professora Fabiana Camera, do Programa de Negociações Complexas da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da FGV, a pirataria na China é endêmica.
Segundo relatório da Comissão Européia, 86% das mercadorias piratas apreendidas no ano passado nos países da União Européia eram de origem chinesa. Em 2006, os funcionários da alfândega interceptaram mais de 250 milhões de produtos contra 175 milhões do ano anterior. A maioria eram medicamentos, cigarros e produtos que podem afetar gravemente a saúde dos consumidores.
Outro perigo é a poluição crescente, que põe em risco o próprio crescimento do país. A China está agora na frente dos EUA como o primeiro emissor de CO2 do planeta. Chuva ácida, desflorestamento, emissão de gases de efeito estufa e rios transformados em esgoto são degradações do meio ambiente que a cada ano causam 750 mil mortes prematuras, de acordo com estimativa do Banco Mundial, e cujas conseqüências podem vir a diminuir o PIB em algo como 8% a 10%.
A desigualdade social é um fator de desestabilização, e a diferença de renda cresce entre as Províncias, as cidades e no campo. Esses fenômenos preocupam muito o regime do poder, mas sua ação fica limitada pela ausência de verdadeiro diálogo social. Num discurso de abertura do 17º Congresso Nacional do Partido Comunista ao vivo pela TV, o presidente chinês, Hu Jintao, reafirmou a necessidade de o partido continuar no comando das reformas que vêm modernizando o país, mas anunciou uma mudança no padrão de crescimento para os próximos anos capaz de tirar da China o rótulo de nação poluidora, paraíso da pirataria e geradora de desigualdade social.
O presidente prevê o fim do processo de industrialização da China em 2020, quando os chineses terão sua renda per capita quadruplicada, em torno de 8.500 dólares, e quando o atual modelo de crescimento chinês (fortemente dependente de investimentos e exportações, focado na indústria, poluidor, baseado em larga e desqualificada mão-de-obra e no consumo descontrolado de matérias-primas) será substituído por um modelo mais racional, no qual acontecerá a transição da economia dependente de investimentos e exportações para outro, em que o consumo doméstico será igualmente importante.
YANN DUZERT é professor e coordenador acadêmico do "Master in International Management" da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da FGV (Fundação Getulio Vargas).


ARTE E CULTURA

1. QUEM VAI TOCAR PARA NÓS AGORA?

Jaime Pinsky
www.jaimepinsky.com.br



A notícia pode passar despercebida, mas não deve. As vendas de CDs caíram 19% nos Estados Unidos, em 2007. A EMI, uma das grandes gravadoras do planeta vai demitir 2000 funcionários. Artistas, há poucos anos responsáveis por vendagens fenomenais, hoje recebem valores irrisórios de direitos autorais. No Brasil, cantores antes responsáveis pela colocação de centenas de milhares de álbuns, agora ficam felizes se alcançam números dez ou vinte vezes mais modestos.
A música clássica, então, que chegou a representar 20% dos discos vendidos no mundo, não vende mais quase nada. A Tower Records, em Nova York, onde os aficionados do mundo todo se reuniam para comprar “aquele” concerto, com “aquela” orquestra, “naquela gravação histórica que acabava de ser remasterizada”, simplesmente fechou suas portas. Famosas lojas de vendas pelo correio, situadas no interior da Inglaterra, mudaram de ramo.
A indústria de CDs de música parece estar no fim. Dizem os entendidos que vem sendo comida pelas bordas por dois fenômenos, ambos ligados ao mundo digital: o primeiro tem a ver com a pirataria, pura e simples. Aqui mesmo em Brasília, em qualquer canto, encontram-se vendedores de CDs piratas, copiados com mais ou menos cuidados, e vendidos por um valor infinitamente menor do que o original. Segundo um taxista de São Paulo seu ponto vem sendo visitado, semanalmente, por um vendedor cuja tabela de preços para CDs é de 3 por 5 reais (o DVD é um pouquinho mais caro, 3 por 10 reais). Ele tem um vasto catálogo para pronta entrega e aceita encomendas. A indústria fonográfica não tem como concorrer com este tipo de comércio, mesmo porque ela é que arca com as despesas de produção.
Mas as gravadoras vêm sendo acuadas, por outro lado, pelo fenômeno Ipod/MP3. Ir à Internet, encontrar a música que se quer, e copiá-la é um exercício relativamente fácil e até prazeroso para quem gosta de brincar com o computador. Claro que se pode comprar música na Amazon, ou na própria loja virtual da Apple, mas o número de pessoas que baixam e fazem cópias clandestinas é muito maior. Sempre se pode alegar que as gravadoras são multinacionais poderosas, braços de polvos capitalistas exploradores, etc. e merecem quebrar. Longe de mim defendê-las. Minha preocupação é outra: sem remuneração para o seu investimento, será que gravadoras vão querer continuar produzindo CDs? E sem remuneração pelo seu trabalho, será que músicos e cantores continuarão a gravar? E se ninguém mais gravar, que Cds os piratas irão copiar e vender? E quem vai tocar para nós?
Claro, pode-se alegar que músicos deveriam buscar outras fontes de renda, como shows, para sobreviver. Isso pode ser verdadeiro para alguns, mas não para outros. Se João Gilberto, supostamente mais importante para a história da musica brasileira do que, por exemplo, Ivete Sangalo (para ficar na Bahia) dependesse dos raros shows que perpetra, mesmo com toda sua simpatia e carisma acabaria morrendo de fome. E, na área da música clássica, ocorre-me a bela orquestra de Saint Martin on the Fields, de Londres, composta por um notável grupo de professores que não gostam de viajar, razão pela qual gravam (ou gravavam) muito. Devem fazer o que? Tocar violino no metrô em troca de algumas moedas?
Mas gravar agora é fácil, diria alguém, dá para fazer isso na garagem de casa. Sem dúvida, registrar ruídos produzidos sem harmonização, ornados por letras paupérrimas e óbvias pode ser uma opção, se tivermos claro que abandonamos qualquer pretensão de qualidade, qualquer que seja o critério estabelecido. O que interessa a qualidade, diria o pragmático, se o sucesso é efêmero, dura pouco mesmo, e amanhã aparecerão outros sucessos, enquanto os de hoje serão totalmente esquecidos.
Ora, esse argumento clarifica bem a mudança de concepção do que possa ser pensado como arte: a morte de uma orquestra inglesa de qualidade, o fim de uma elaboração lenta e bem feita de música não contam diante da nova realidade do mercado. E o mercado quer sempre algo novo, mesmo que seja ruim, já que é descartável. Num planeta apressado, em que as pessoas consomem tudo mal e rapidamente, sejam alimentos, produtos eletrônicos (com obsolescência programada), ou relações pessoais (namoros de um dia, casamentos de três meses “por que enjoei”) as palavras arte e qualidade quase perderam o sentido. A crise da produção da música de qualidade é, ao que parece, um aspecto de uma outra muito mais ampla.
Os vilões da história , além dos piratas e seus clientes, não são, portanto, a informática e a digitalização. Trata-se apenas de técnicas que se mostraram adequadas para um mundo em profunda crise de valores.
Mas isto já é outro assunto que fica para o mês que vem...


2. ENTRE A FICÇÃO E A HISTÓRIA
Ministrantes: Cássia Milena Nunes, José Carlos Sebe Bom Meihy, Juniele Rabêlo de Almeida, Maria Aparecida Blaz Vasques Amorim, Maurício Barros de Castro, Ricardo Santhiago, Samira Adel Osman, Suzana Lopes Salgado Ribeiro
Inscrições a partir de 23 de janeiro. Vagas limitadas!Maiores informações no site www.oralidades.com.br/cursosdeverao2008
OBJETIVO
Introduzir os participantes aos principais temas em História Oral, que serão apresentados e discutidos com a finalidade de oferecer pressupostos teóricos e ferramentas práticas que permitam o desenvolvimento de projetos acadêmicos e não-acadêmicos na área.
PÚBLICO-ALVO
Estudantes, pesquisadores e profissionais de todas áreas do conhecimento com interesse em História Oral.
VAGAS
65 (mínimo de 30 pagantes)
PROGRAMA
1. Conceitos gerais sobre História Oral 2. Memória, Memória Oral e Identidade 3. Projeto em História Oral 4. História Oral de Vida, História Oral Temática e Tradição Oral 5. A situação de entrevista 6. Transcriação: Do oral ao escrito 7. Oralidade e cultura popular 8. História Oral e Audiovisual
MAIORES INFORMAÇÕESC
onsultar o site: http://www.oralidades.com.br/cursosdeverao2008

2. Introdução às Ciências Arqueológicas: Teorias, Métodos e Técnicas http://www.cidadesp.edu.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=355
Objetivo: O curso de extensão Introdução às Ciências Arqueológicas: teorias, métodos e técnicas tem como objetivo apresentar aos interessados o universo da Arqueologia, conceituando a ciência arqueológica bem como discutindo seus fundamentos teórico-metodológicos e suas técnicas. O curso também tem como proposta apresentar conceitos históricos sob uma nova perspectiva, a da cultura material, oferecendo subsídios para a formação de uma consciência crítica a respeito da preservação do patrimônio histórico e arqueológico nacional.
Público-alvo: Graduados e graduandos que pretendam trabalhar com a pesquisa arqueológica de campo no Brasil (arqueologia associada a grandes empreendimentos) ou realizar pós graduação na área.
Carga horária: 60 horas
Período de realização: 1º de março a 5 de julho de 2008, aos sábados, das 8h às 12h
Matrículas: de 29 de novembro de 2007 a 27 de fevereiro de 2008

SITES E BLOGUES

http://www.jaimepinsky.com.br
Neste site você poderá conhecer o trabalho do professor Jaime Pinsky. Todos os livros que ele já publicou e artigos que poderá ler, na íntegra, separados por assuntos.

INFORMATIVO ANPUH

INFORMATIVO – Nº 01 – ANPUH MINAS GERAIS
JANEIRO/ 2008
Belo Horizonte, 23 de janeiro de 2008.
Prezados Associados,
Entre os dias 20 a 25 de julho de 2008, ocorrerá na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais, o XVI Encontro Regional de História, evento promovido pela Associação Nacional de História – Núcleo Minas Gerais, com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES, do Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais – FAPEMIG, da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal de Minas Gerais, do Programa de Pós-graduação em História da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG e do Núcleo de Estudos Aplicados e Sóciopolíticos Comparados da Universidade Federal de Ouro Preto (NEASPOC-UFOP).
O site do evento já está disponível, no seguinte domínio: http://www.fafich.ufmg.br/xviencontrohistoria

O e-mail da coordenação do evento é: xviencontroregional@yahoo.com.br.
Lembramos aos nossos associados que um dos pré-requisitos para o aceite de propostas de Mini-cursos e Simpósios Temáticos, e para usufruir do desconto na inscrição para Comunicação, é estar em dia com a anuidade junto à ANPUH MG, ou seja, o associado deve estar com a anuidade de 2007 paga e, até a data do evento, com a anuidade de 2008 quitada.
Desta forma, é de extrema importância que os associados entrem em contato com a secretaria da ANPUH MG para verificarem sua situação. O e-mail de nossa secretaria é: anpuhmg@fafich.ufmg.br
e o nosso telefone de contato é 31-34096255.
Nosso horário de atendimento é: das 13:00 às 17:00 horas, de segunda à sexta-feira.

1 Comentários:

  • Às 4:58 PM , Blogger Cristina Castro disse...

    Achei muito bom o texto da Carta Maior sobre O Caçador de Pipas. Principalmente porque, como best-seller super bem falado e filme com boa vendagem de ingressos, ainda em cartaz no Brasil, esse tipo de artigo deveria ser lido por todos.

    Complementando o raciocínio do autor: outro dia li uma crítica de Cássio Starling Carlos, publicada na Folha, que deu no que pensar. Ele diz: "A demonização do fundamentalismo, mesmo que se justifique pela carga de barbárie introduzida pela radicalidade do Taleban, esconde o outro lado da moeda: o Ocidente, os EUA em particular, aparece como oásis ensolarado, posto avançado da civilização, numa operação maniqueísta difícil de admirar sem se tornar refém da mais banal ingenuidade.

    No filme, esta operação abandona as nuances humanistas do relato de Khaled Hosseini e adquire a força de um tanque de guerra. Em sua peripécia de retorno ao Afeganistão para salvar um inocente, por exemplo, Amir revalida argumentos que justificariam a invasão do governo Bush em sua fúria bélica.
    Em outros tempos, o cinema americano foi menos sutil com heróis da estirpe de Rambo em suas estratégias de vingança simbólica. 'O Caçador de Pipas' é apenas um novo disfarce para uma retórica velha de guerra." (grifo meu)

    A retórica do cinema é sutil, mas bastante poderosa! Ainda mais que a da literatura.

    Abração, Ricardo :)

     

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