Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

9.4.08

Numero 134






EDITORIAL

Abro o orkut. Lá encontro um recado desesperado de minha ex-aluna J. Professora há 15 anos, ela me pergunta se sei de algum emprego, qualquer um. Desistiu de ser professora. A violência chegou até ela. Um aluno foi convidado por ela a sair de sala. Foi até a Secretaria (diretor e coordenadora não estavam na escola), deu a sua versão, e a secretaria determinou que a professora recebesse o aluno de volta. Espantoso, não?
Não bastasse isso, o aluno tentou agredi-la, só não o fazendo graças à intervenção do porteiro. A direção do colégio, posteriormente, exigiu que ela pedisse desculpas à turma!!!!
Cansou. Pediu demissão e está à procura de emprego.
Quantas e quantos J. não estão no mesmo caso?
A que ponto chegamos?
Estou propondo uma discussão sobre o tema. Gostaria de ouvir e publicar aqui opiniões de quem já vivenciou ou vivencia o problema da violência nas escolas. Na seção Falando de Educação, coloco alguns artigos que podem subsidiar o debate. E aqui uma noticia, mostrando o descalabro a que chegamos. E o fato de ter sido nos Estados Unidos não deve servir de consolo.


Polícia descobre plano de crianças para assassinato de professora nos EUA
Entre os envolvidos estão crianças de 8, 9 e 10 anos que planejavam vingança
A polícia do Estado da Geórgia, nos Estados Unidos, descobriu nesta quarta-feira um plano de crianças para matar a professora. Três foram detidas. Por trás da tentativa de assassinato, estavam nove crianças, de 8, 9 e 10 anos. Uma delas teria sido repreendida pela professora por mau comportamento, segundo informações do Jornal Nacional.
O grupo planejou se vingar. De casa, trouxeram faca, algemas, fitas adesivas, um peso de papel e luvas. O plano foi descoberto quando uma aluna viu a faca na bolsa de uma das crianças e contou à professora.
O que mais impressionou a polícia é que cada criança tinha um papel específico no plano. Cobrir as janelas, distrair a professora e limpar a cena do crime para apagar vestígios. Os pais dizem que não sabiam de nada e ajudam nas investigações.
A pequena cidade do Estado americano da Geórgia está em choque com o envolvimento de crianças tão pequenas em um plano tão requintado.
– Muitos poderiam dizer: eles são tão jovens, como é que isso pode ser sério? Mas quando a segurança dos nossos alunos e dos nossos professores é comprometida, nós temos que tratar com seriedade – disse a diretora da escola.
Todos os alunos foram suspensos. Duas meninas e um menino estão sendo acusados de conspiração para cometer agressão grave. Eles serão julgados pela Corte Juvenil da Geórgia. Se condenados, podem ser levados para um centro de detenção juvenil ou ficar em casa, sob a guarda da Justiça.

No portal Uai, mais alguns dados:

** A violência urbana pulou os muros das escolas, invadiu salas de aula e de diretores e violou um ambiente que foi feito para formar cidadãos de bem. Preocupados com os freqüentes casos de vandalismo, arrombamentos, pichações, insultos e até agressões físicas e ameaças de morte a professores, os dirigentes da Secretaria de Estado de Educação (SEE) vão promover um encontro, dia 20, com diretoras de 101 unidades escolares estaduais de Belo Horizonte e o Comando de Policiamento da Capital (CPC). O objetivo é discutir o problema e planejar formas de enfrentá-lo. O ataque mais recente ocorreu domingo, na Escola Estadual Maria Amélia Guimarães, no Bairro Pirajá, na Região Nordeste da capital: uma sala e um banheiro foram incendiados e as paredes dos sanitários pichadas. Um prejuízo estimado em R$ 20 mil somente com a queima de material escolar.

*** Violência nas escolas belorizontinas em números
A pesquisa do CRISP está em fase de cruzamento e análise de dados. Você pode conferir aqui alguns dados resultantes da pesquisa que demonstram de que forma a violência está presente nas escolas:
• 67,5% dos alunos entrevistados já viram ou ouviram falar de pessoas quebrando janelas, fazendo arruaças ou tendo comportamento de desordem dentro da escola.
• 27,8% dos alunos já viram ou ouviram falar pelo menos uma vez de pessoas armadas dentro da escola.
• 89,6% dos alunos já viram ou ouviram falar de desentendimentos dentro da escola.
• 51,9% dos alunos já viram ou ouviram falar de pessoas consumindo drogas na escola.
• 36,2% dos alunos já viram ou ouviram falar de pessoas vendendo drogas nas escolas.
• 52,6% dos alunos já viram ou ouviram falar de criminosos ou bandidos na escola.
• 47% dos alunos já viram ou ouviram falar de alunos sendo assaltados.
• 59,4% dos alunos já viram ou ouviram falar de outros alunos sendo furtados na escola.
Ainda:Os dados mostram que a violência é fator determinante no aprendizado do aluno. A grande maioria dos alunos, ou seja, 71% dos entrevistados afirmaram terem sido vítimas da violência em suas escolas, sendo 15,8% de roubos, 36,9% de furtos e 18,3% de agressões físicas. Isto se refletiu na atitude de 10,4% dos alunos que afirmaram já ter deixado de comparecer à escola por medo de ser agredido.
CRISP – Centro de estudos de criminalidade e segurança pública.

Espero contribuições. Sei que entre os leitores(as) deste boletim há quem esteja pesquisando o assunto. Vamos falar a respeito.

Inicio hoje uma seção que espero seja permanente. Colaboradores. Já temos um que se comprometeu a todo mês enviar matéria para nossa reflexão, o professor Marcos Antônio Lopes, da Universidade Estadual de Londrina. Gostaria de ter mais alguns, para que em todos os números pudéssemos refletir a respeito de alguma questão significativa.

COLABORADORES

Sobre a traição dos intelectuais (Marcos Antônio Lopes)

“As mais sujas entre as mãos sujas ainda são as do escriba”.
Régis Debray

Este texto pouco possui de sistemático, naquilo que se refira à sua organização e desenvolvimento temáticos. Trata-se de notas esparsas e meio erráticas que se acumularam ao sabor de algumas leituras um tanto descompromissadas que fiz acerca de uma idéia já octogenária. Dito isso, e ainda que o texto não possa ser considerado propriamente um artigo acabado, creio que revela algo das idéias centrais do filósofo francês Julien Benda, razão pela qual arrisquei-me a dar-lhe uma primeira redação na forma deste pequeno ensaio. Mesmo que em estágio de artigo ainda em processo, minha expectativa é que estas notas prévias possam ser lidas com algum interesse pelos que acompanham o Boletim Mineiro de História.

Os movimentos de idéias ou os chamados “climas intelectuais” costumam desempenhar o papel de forças motrizes das transformações sociais. Diferentemente das utopias e das ucronias — descrições de um ideal inatingível de sociedade fora de lugar geográfico e tempo histórico — idéias providas de realismo quando colocadas em movimento geram as representações e os símbolos políticos, estes sim, com o potencial de criar novas realidades sociais. De todo modo, não se pode negar a influência de certas obras de pensamento que, concebidas anteriormente a acontecimentos de ampla repercussão, exerceram notável influência sobre a gênese do mundo contemporâneo. Entre tais sucessos, penso particularmente nas revoluções liberais-burguesas, “laboratórios” de nossa modernidade. Nesse sentido, Locke e Rousseau são casos paradigmáticos dessas intercessões encontradas entre teoria e ação, ou melhor, entre a ação orientada por teorias. Alguns autores distinguiram tais influências como “doutrinas preparatórias”, o que pode significar que, mesmo não possuindo uma relação direta com os eventos desencadeados no futuro de seu contexto de elaboração, serviram como instrumentos de construção de novas sociedades. E isso algum tempo depois de terem sido concebidas por seus autores. É nesse sentido que se fala com freqüência no conteúdo estranhamente premonitório do pensamento político de Rousseau. Teria Rousseau profetizado a Revolução Francesa? Eis uma interrogação que se nota com freqüência entre os comentadores de seu pensamento político. Ao contrário das doutrinas apologéticas — conservadoras em sua natureza —, que procuram dar fundamento a um regime político em vigor, as ditas doutrinas preparatórias por vezes miram no poder constituído, numa ordem social que consideram merecedora de reparos, visando não apenas desestabilizá-la, mas objetivando, ainda, oferecer as bases de sustentação de um novo regime. Como afirmou Jean Touchard, “Uma idéia política tem certa espessura, certo peso social. Podemos compará-la a uma pirâmide com vários andares: o andar da doutrina, aquele que os marxistas chamam a praxis, o da vulgarização, o dos símbolos e das representações coletivas”.1

Julien Benda chamou por “expressão derivada” da obra intelectual aqueles textos que os militantes digerem, reformulam e difundem sob uma outra roupagem, na tentativa de construir o futuro. Sem dúvida, por expressão derivada de um texto que faz autoridade no interior de uma dada tradição intelectual podemos incluir a utilização pragmática e programática que o leninismo, e mais tarde o stalinismo, fizeram da obra de Marx, deformando algumas de suas idéias originais, para melhor empregá-las no processo de convencimento de seus adeptos. As idéias, assim re-apropriadas e, em certa medida, alteradas em sua natureza por uma confraria de discípulos engajados numa luta pela transformação da realidade social, difundem-se entre as massas, podendo fundar novas formas de governo e novos regimes políticos. Esse curioso aspecto da história das ideologias é abordado pelo historiador neozelandês John Pocock como o fenômeno da “expropriação da linguagem”. Segundo Pocock, a linguagem que um autor emprega em seus textos pode já estar em uso e, normalmente, já faz parte do vocabulário normativo de uma cultura política. Ocorre que tal linguagem pode ser utilizada para enunciar intenções outras que não necessariamente as do autor.2

Em A Traição dos Intelectuais (La Trahison des Clercs, no original), obra na qual apontou a tendência dos escritores em colocar sua pena ao serviço de causas circunstanciais, de interesses efêmeros e freqüentemente pouco honrosos, Benda demonstrou como essas expressões derivadas atingem um potencial de transformação a partir do momento em que os vulgarizadores do pensamento entram em cena. O cientista político italiano Norberto Bobbio sintetizou essa tese de Benda — que, segundo ele, não passava de re-elaboração de uma idéia de Benedeto Croce, quando combatia os intelectuais fascistas na década de 1920 — nos seguintes termos: “Os intelectuais, por tradição, aplicavam a mente àquilo que é verdadeiro acima dos interesses de tempo e espaço, e eram os servidores da justiça abstrata acima das partes. A partir do momento em que a paixão política se tornou prevalente, os intelectuais começaram a subordinar as verdades eternas aos interesses contingentes da nação, do grupo ou da classe, a submeter a razão da justiça à razão do Estado: traem assim a sua tarefa”.3 Para Benda, mormente no mundo no século XX, o mundo passou a padecer da escassez de fé numa verdade transcendente que orientasse a pena dos escritores para a defesa de temas maiores, de grandes e nobres causas do gênero humano. Essa sua expectativa idealizada da vida política embaçou a sua percepção de que as dissensões, favoráveis ou contrárias ao poder político — qualquer poder político, em qualquer tempo —, eram essencialmente lutas do campo dos escribas que, por isso mesmo, traziam a traição no próprio sangue. O escriba é um “animal político por excelência: corpo de cordeiro, dentes de lobo”, argumenta o filósofo Régis Debray. Onde há comunidade política desenvolvida ao ponto de se erguer as estruturas de um Estado, ali ele se insere como se tratasse este espaço de seu ambiente natural.

Em seu A Traição dos Intelectuais — que saiu primeiramente na forma de quatro artigos na Nouvelle Revue Française, ao longo do segundo semestre de 1927 —, Julien Benda entrava em cena pelos direitos da razão que, segundo ele, vinham sofrendo os ataques de forças irracionais representadas, desde os finais do século XIX, por toda espécie de nacionalismos e conservadorismos. Em suas intervenções nos debates do período entre-guerras mundiais (1919-1938), Benda definiu o primeiro dever do intelectual — para ele um “clérigo leigo”, lembrando-se que a palavra possui origem no grego “kléros”, ligada à idéia de legado, de herança —, como o compromisso de travar uma cruzada civilizadora contra os interesses circunstanciais que animavam os homens de seu tempo: classe, partido, igreja, família, etc. O escriba — o homem de letras —, não deveria se afastar das virtudes abstratas e racionais para se engajar em ações movidas a sentimento. Para o historiador francês Michel Winock, “Ao mesmo tempo em que Benda condena o intelectual de partido, o militante do particular, ele dá uma definição platônica do intelectual: o homem de pura razão, ocupado unicamente com a verdade, em detrimento de qualquer interesse terrestre, individual ou coletivo”.4 E observa ainda Winock, “... o livro de Benda é profético nos dois sentidos da palavra: denunciador e anunciador. Denunciava a inteligência que se permitia justificativas eruditas e literárias para os desregramentos das paixões particulares (...); e anunciava as sociedades que anulariam qualquer poder do pensamento independente: os regimes totalitários”.5

Contra ações públicas concretas, Benda realçou o valor de princípios abstratos. Enalteceu Voltaire e Zola, o Voltaire e o Zola dos affaires Calas e Dreyfus, mas os seus verdadeiros heróis foram pensadores não engajados como Malebranche e Kant. A alteração fundamental ocorrida em seu mundo histórico — que tinha a Primeira Guerra Mundial ainda muito próxima do horizonte da memória —, quando o contrasta com o tempo dos sábios de gabinete do passado, estava na evidência de que a pena se transformara em arma de defesa de interesses circunstanciais: “nosso século é o tempo da organização intelectual dos ódios políticos. E esse será um de seus maiores títulos na história moral da humanidade”, escreveu Benda.6 O rechaço dos interesses particularistas, que em sua concepção tanto desmereciam os novos homens de letras, rendeu a Benda a crítica de ter desejado romper os elos entre a condição humana e o plano das idéias puramente abstratas, para refugiar-se neste último. Um escritor de sua geração — Albert Thibaudet —, definiu o núcleo do pensamento de Benda nos seguintes termos: “O sábio é um homem do deserto, que se alimenta de gafanhotos e de mel selvagem, e anuncia: Desgraça! Para as cidades e os Estados”.7

De fato, os críticos de Benda assinalam que ele parece não ter percebido a realidade do intelectual, a sua eterna condição de artesão do poder político. Desde as mais priscas eras — essa figura mimética a que se denominou sucessivamente por escriba, aedo, sacerdote, clérigo, comissário, jurista, letrado ou, a partir dos finais do século XIX, intelectual —, atuou sempre como uma espécie de coadjuvante dos heróis, um “rouxinol da carnificina”, segundo a expressão de Régis Debray.8 A observação da tendência dos homens em “encherem a história com os seus gritos de ódio e matanças” fez com que o autor se recolhesse ao que reconheceu como “atividade desinteressada” do intelectual em estado puro. Em busca de valores eternos e universais, a filosofia de Benda revelou-se descolada das realidades práticas, num tempo de acirradas lutas ideológicas que cobravam dos homens de letras, além de idéias, engajamento político. Por isso mesmo é que se fala no século XX como o século de Sartre.

Bibliografia
1 Touchard, J. História das idéias políticas. Lisboa: PEA, 1970. Vol. 3.p. 03.
2 Cf. Pocock, J. Linguagens do ideário político. São Paulo: Edusp, 2003. p. 29.
3 Bobbio, N. Os intelectuais e o poder: dúvidas e opções dos homens de cultura na sociedade contemporânea. São Paulo: Editora Unesp, 1997. pp. 45-51.
4 Winock, M. O Século dos Intelectuais. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000. pp. 79ss.
5 Winock, M. Op. cit. p. 257.
6 Cf. Benda, J. La Trahison des Clercs. Paris: Arthème Fayard, 1997.
7 Citado por Winock, M. Op. cit. p. 256.
8 Cf. Debray, R. O escriba: gênese do político. Rio de Janeiro: Retour, 1983. p. 10.


FALANDO DE HISTORIA

Os primeiros habitantes da América do Norte
Identificado DNA humano em fezes fossilizadas com mais de 14 mil anos nos Estados Unidos
Os habitantes mais antigos da América do Norte chegaram ao continente mais de mil anos antes do que acreditavam os cientistas. Isso é o que comprova a identificação de DNA humano primitivo em fezes fossilizadas com mais de 14 mil anos, encontradas em cavernas do Oregon, nos Estados Unidos. Trata-se da primeira evidência forte da presença de povos anteriores à chamada cultura Clóvis, considerada por muitos a primeira civilização norte-americana.
A civilização Clóvis, assim chamada por causa dos artefatos encontrados perto da cidade de mesmo nome, no Novo México (Estados Unidos), teve início há cerca de 13 mil anos na América do Norte. Indícios de cultura pré-Clóvis nos Estados Unidos já haviam sido encontrados anteriormente, mas esses resultados eram controversos, devido à falta de datação direta de restos humanos ou artefatos. Há evidências mais antigas de ocupação humana na América do Sul, particularmente em Monte Verde, no Chile, com cerca de 14.500 anos.

“Temos uma evidência incontestável de ocupação da América do Norte anterior à cultura Clóvis”, diz à CH On-line um dos pesquisadores responsáveis pela descoberta, Tom Gilbert, da Universidade de Copenhague, na Dinamarca.
O estudo, realizado por uma equipe internacional de 13 cientistas, identificou DNA mitocondrial (mtDNA) humano primitivo em fezes fossilizadas (coprólitos) com cerca de 14.300 anos, datadas diretamente pelo método do carbono 14. Junto com os coprólitos, também foram coletados linhas manufaturadas de fibra, fibras de plantas, couro, artigos de vime, corda, pequenas estacas de madeira, fragmentos apontados semelhantes a projéteis e ossos de animais.
Populações asiáticas
Os coprólitos foram atribuídos inicialmente a humanos em função de seu tamanho, formato e cor. Em seguida, o mtDNA presente no material foi recuperado e analisado. Os resultados, publicados na Science desta semana, revelam a presença de assinaturas genéticas únicas de americanos nativos em seis dos 14 coprólitos examinados. “Encontramos dois tipos de DNA mitocondrial, chamados A2 e B2”, conta Gilbert. “Estudos anteriores mostraram que esses tipos derivam de populações da Sibéria e do nordeste da Ásia.” Essas amostras positivas passaram por exames adicionais em laboratórios independentes para confirmar sua origem humana. A equipe ainda fez uma extensa avaliação para provar que não houve contaminações por DNA moderno dos pesquisadores que participaram da coleta e dos testes genéticos.
A análise genética dos coprólitos com mtDNA humano primitivo também revelou a presença de DNA similar ao de raposa vermelha, coiote, cachorro ou lobo, o que provocou controvérsias quanto à origem desse material. No entanto, devido às evidências não genéticas de que seriam fezes humanas e aos ossos de canídeos encontrados no sítio, os pesquisadores acreditam que os americanos primitivos teriam comido esses animais ou que eles teriam urinado sobre as fezes humanas. Essa explicação é reforçada pelo fato de terem sido encontradas também proteínas e cabelo humano nos coprólitos.
Migração pelo Pacífico
A descoberta, combinada com outros achados recentes, sustenta a hipótese de uma presença humana na América há 15 mil anos. Além disso, ela indica que os primeiros americanos, quando vieram da Ásia, teriam chegado à costa do Pacífico, em vez de terem seguido uma rota pelo interior, pois o corredor de gelo formado no norte do continente poderia não estar aberto naquela época.
Segundo Gilbert, há 14 mil anos, uma gigantesca placa de gelo atravessava o Canadá e bloqueava qualquer entrada que existisse pelo centro desse país. “A rota mais provável está abaixo da costa oeste, mas não podemos dizer se foi feita por barco ou simplesmente usando a estreita faixa de terra costeira.”
Sobre a hipótese de que teria havido uma primeira migração de povos vindos da África e Oceania para a América, sustentada pelos traços negróides do crânio de uma mulher (batizada de Luzia) encontrado no Brasil e datado de cerca de 12 mil anos, Gilbert argumenta que não há evidência genética de que os americanos nativos modernos tenham derivado diretamente dos africanos. “Nossos resultados de DNA são completamente diferentes das características genéticas africanas e se assemelham às de povos da Sibéria e do nordeste asiático”, reforça.
Os pesquisadores pretendem agora buscar mais amostras para refinar a análise sobre o grupo genético ao qual pertencem esses americanos nativos. “Poderemos então conseguir um melhor retrato de quem são esses povos primitivos”, estima Gilbert.
Thaís Fernandes Ciência Hoje On-line 04/04/2008

FALANDO DE EDUCAÇÃO

E a culpa é do professor....
Por Brunna Rosa e Glauco Faria [Sexta-Feira, 14 de Março de 2008 às 14:12hs]

Pode-se dizer sem nenhum exagero que, nos últimos meses, os profissionais da educação de São Paulo têm sofrido um verdadeiro bombardeio por parte da mídia. São inúmeras as matérias que saíram em veículos de comunicação impressos e também televisivos atribuindo a culpa da situação caótica do sistema de ensino do estado aos professores.
Para variar, o carro-chefe da nova campanha é a revista Veja. Na edição 2047, de 13 de fevereiro, a secretária estadual de Educação de São Paulo, Maria Helena Guimarães de Castro, concedeu uma entrevista em que vaticina: “Num mundo ideal, eu fecharia todas as faculdades de Pedagogia do país, até mesmo as mais conceituadas, como a da USP [Universidade de São Paulo] e a da Unicamp [Universidade de Campinas], e recomeçaria tudo do zero”. Este, para a secretária, seria o caminho para melhorar o nível da educação. Para ela, um dos maiores problemas da deplorável situação da educação em São Paulo é o insatisfatório nível profissional dos professores. “As faculdades de Educação estão muito preocupadas com um discurso ideológico sobre as múltiplas funções transformadoras do ensino”, prossegue, para concluir em seguida: “Essas faculdades apenas perpetuam baboseira ideológica”. Na mesma edição, o economista Claudio de Moura Castro escreve um artigo chamado “Salário de professor”. Segundo ele, os docentes brasileiros possuem remuneração compatível com a realidade empregatícia nacional. O articulista conclui que os sistemas públicos se tornariam mais eficazes se “conseguissem criar um ambiente mais positivo e estimulante”.
“É algo absurdo dizer isso, até porque ela tem responsabilidade, já que é professora universitária”, atesta Maria Aparecida Perez, ex-secretária de Educação da cidade de São Paulo e uma das idealizadoras dos Centros de Educação Unificados (CEUs). “A universidade tem uma distância em relação ao que acontece escola, é preciso que se estabeleça um vínculo mais estreito com o mundo real, mas isso não significa que as faculdades tenham que ser fechadas. Vão fechar as faculdades de História e Geografia também?”, ironiza.
Helena de Freitas, professora aposentada da Unicamp e presidente da Associação Nacional de Formação de Professores (Anfope) segue a mesma linha. “Em primeiro lugar devo dizer que a Maria Helena revela seu total desconhecimento do contorno institucional da formação e dos problemas dele decorrentes. A raiz dos problemas da formação está justamente na organização do ensino superior e na organização institucional hoje existente no Brasil, que permite que a formação de professores se desenvolva em faculdades isoladas e institutos superiores de educação que não têm entre suas funções a pesquisa e a investigação sobre a escola, o ensino e a educação”, esclarece.
Se a entrevista ganhou destaque e até um discurso que apóia as suas posições, isso não ocorre à toa. “A mídia trata o professor como marginal porque não vê a realidade da sala de aula”, indigna-se um professor da rede estadual do Jardim Miriam, zona Sul de São Paulo. Ele cita diversos casos de violência de alunos contra professores que ocorreram na escola onde trabalha. Dentre as ocorrências, há desde docentes atingidos com saco plástico contendo fezes e urina, passando por situações de agressão verbal e física.
Na prática, esse é o cotidiano comum dos docentes da rede estadual de ensino. Segundo pesquisa realizada em 2006 e publicada em 2007 pelo Sindicato dos Professores da Rede Pública do Estado de São Paulo (Apeoesp), dos 684 professores entrevistados, 96% citaram agressão verbal como a forma de violência mais comum nas escolas. Já 88,5% presenciaram atos de vandalismo; 82% viram atos de agressão física e 76,4% casos de furto.
Portanto, casos que têm repercussão na imprensa, como o ocorrido em Ribeirão Preto, a 314 km de São Paulo, quando uma aula terminou em agressão, não são tão raros. De acordo com a vítima, uma professora que não quer se identificar, ela pediu a um aluno que estava atrapalhando a aula para deixar a sala. “Na hora em que saiu, fui fechar a porta, ele pegou e veio com agressão. Ele já veio dando soco. Primeiro, um soco na minha boca. Eu corri, aí me deu uma rasteira e me jogou no chão, me ameaçou, jogou a cadeira contra mim”, contou à imprensa.
Conforme nota divulgada para a imprensa, a Secretaria de Estado de Educação de São Paulo diz que o número de agressões diminuiu de 210 em 2005 para 180 no ano passado, no universo de 250 mil professores, e desdenha do estudo da Apeoesp por não ter um número significativo. Contudo, professores ouvidos por Fórum afirmam que, em diversos casos, a diretoria de ensino “orienta” o professor a não registrar casos de agressão, o que, obviamente, ajuda a tornar os dados mais palatáveis. A íntegra dessa matéria está na edição impressa. Reserve com seu jornaleiro!
Brunna Rosa e Glauco Faria

2. Opinião: Violência nas escolas... Até quando?
Por CNTE [Quarta-Feira, 2 de Abril de 2008 às 13:18hs]
Em uma semana, dois assassinatos dentro de escolas. Um aconteceu em Vacaria, no Rio Grande do Sul, onde um professor morreu ao tentar apartar uma briga de alunas e o outro, em Ceilândia, cidade populosa do Distrito Federal, quando uma funcionária de escola faleceu pelo mesmo motivo. A violência está no interior, no centro do país, no litoral, em qualquer lugar e cada vez mais envolvendo meninas. Meninas que disputam namorados ou outras coisas banais.
A indisciplina e o desrespeito dos alunos para com os trabalhadores em educação podem ser apontados como causas, mas o fato é que os fatores que levam à essa violência são muitos. A falta de atividades extracurriculares que tornam a vida escolar desinteressante, a mídia, em particular a televisão, que noticia as barbaridades sem, contudo, promover um debate de fundo sobe a questão; escolas próximas aos locais de tráfico de drogas; e a negligência ou falta de estrutura das famílias.
Os motivos estão aí e até poderíamos citar outros, mas qual o caminho para desfazer esse quadro? Nós da CNTE acreditamos que políticas públicas eficientes para a educação, na área social, de emprego e renda – especialmente para os jovens - e de segurança pública são essenciais, mas queremos ressaltar que a educação tem que ser a grande alternativa, por isso lutamos por um ensino público de qualidade para mudar a realidade atual de nosso país.
A escola, que é o centro de encontro de todos os jovens e que propicia a externalidade dos desejos e ressentimentos, precisa mudar. E defendemos, neste sentido, o envolvimento de todos, governo, comunidade organizações não-governamentais e dedicação dos profissionais da educação. Chega de tanta violência, nas ruas e nas escolas!
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), conta com com 36 entidades filiadas espalhadas por 26 Estados, 5 municípios e o Distrito Federal. Augusto Buonicore é historiador, mestre em ciência política pela Unicamp.

3. Educação ruim é projeto
Por Anselmo Massad e Nicolau Soares [Quarta-Feira, 20 de Fevereiro de 2008 às 17:49hs]
“A educação não pode ser uma mercadoria”. A frase, que parece simples, resume diversos problemas enfrentados pela educação no mundo. Foi dita durante a Conferência Especial de Educação e seu autor foi o canadense Jocelyn Berthelot, do Fórum Continental de Educação. Disse mais: “Por isso, é necessário que ela seja pública e gratuita, mas não é isso que o FMI e o Banco Mundial recomendam”.
Mas educação é problema do Banco Mundial? Não deveria, mas tem sido. “Nos anos 70, o Banco Mundial tinha influência secundária na educação. Os documentos da Unesco eram muito mais importantes”, afirma Ângela Siqueira, professora da Universidade Federal Fluminense que participou do Fórum Mundial de Educação, ocorrido entre 24 e 27 de outubro de 2001, em Porto Alegre.
Para ter idéia do que essa mudança significou, em 1972 documento da Unesco alertava, por exemplo, para a falta de recursos e o aumento da influência de fatores externos no funcionamento da educação. No relatório pedia revisão dos orçamentos globais, reduzindo os gastos bélicos e ampliando os educacionais. Mas essa visão não interessava ao Pensamento Único, por isso outros começaram a tratar do assunto. Em 1980, documento do Banco Mundial “pedia ajustes para o pagamento da dívida externa, criticava a demanda por mais e melhores vagas, qualificando-a como ‘síndrome de qualificação’ ”, aponta Ângela. Além disso, criticava a educação gratuita, orientava para que fossem cobradas taxas e houvesse redução da carga horária. Também deveriam ser eliminadas atividades “desnecessárias” e as salas de aula teriam de comportar número maior de estudantes. “O banco pedia ‘educação para todos’, mas a educação a que se referia era simplesmente a alfabetização, a educação básica, deixando o ensino superior abandonado”, completa a professora.
A partir daí, a ingerência do Banco Mundial no processo educacional dos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento aumentou de forma alarmante. Para a operação teve apoio, em muitos casos, da elite local e contou com o seu poder de conceder empréstimos. “Num movimento global, os países passaram a só investir em ensino básico, o que não impediu a superlotação e a baixa qualidade”, acusa Ângela.
Caso exemplar de ingerência econômica sobre a educação deu-se no México. Ao entrar no Acordo para o Livre Comércio das Américas (Nafta), em 1992, o país teve de se submeter a diversas condições, muitas na área da educação. “A constituição mexicana assegurava o direito à saúde e educação, após o acordo o texto passou a estabelecer que as duas podem ser oferecidas”, diz Hugo Aboites, professor da Universidade Autônoma Metropolitana (UAM). O que era um direito tornou-se um serviço.
As conseqüências foram que a educação pública e gratuita passou a ser garantida somente até o primário e acabou definido um sistema de educação superior para os três países (Canadá, México e EUA), sob uma mesma cultura, sendo que a condução está nas mãos de empresas privadas. “Hoje no México é mais fácil e lucrativo investir em educação que em transporte aéreo”, acusa Aboites.
Ao mesmo tempo em que a educação passou a ser considerada um serviço houve acentuada queda no padrão salarial dos professores. “No mundo todo os docentes vivem em condições precárias, com salários baixos, poucos equipamentos e, muitas vezes, formação deficiente”, alerta Jocelyn Berthelot.
Outras questões
A Argentina Marta Maffei, do Fórum Internacional da Educação, toca em outros aspectos que, na sua opinião, precisam fazer parte das preocupações daqueles que são contrários ao projeto do Banco Mundial. “Os pobres têm meios diferentes de lidar com a sociedade, criam vínculos diferentes”, explica. “Por exemplo, os pais muitas vezes desestimulam os filhos dizendo que eles não são inteligentes, que não irão longe”. Isso gera desinteresse por parte dos jovens, que acabam deixando a escola.
Os professores, sem conhecimento da situação, também colaboram. “O professor assume atitudes preconceituosas, desiste do aluno ou o aprova sem tentar driblar suas limitações”, explica Maffei. “É preciso pesquisar essa cultura da pobreza e aparelhar os professores para resgatar as pessoas.”
A professora Maria Paula Menezes, da Universidade Eduardo Mondlane, em Moçambique, aborda a questão da diversidade cultural em seu país. Segundo ela, apenas 19% da população fala português, a língua oficial, e somente 5% aprenderam a língua de seus pais. “A maioria não tem uma educação formal, mas conhecimentos práticos desenvolvidos em sua cultura durante séculos”, explica Maria Paula. “Não podemos simplesmente desprezar essa cultura em favor da educação formal européia.”
O problema é que as línguas nativas, chamadas de maternas, faladas pela maior parte da população, não possuem forma escrita. “Como encarar uma pessoa que domina seu idioma, mas não sabe escrever? Ela é analfabeta?”, questiona Menezes. “O colonizador europeu impôs sua cultura e educação e fez acreditar que o africano não tinha nenhuma cultura. Impôs-se o pensamento único ocidental, a idéia de missão civilizatória, de levar a civilização a outros povos.”
Ensinar saber
Bernard Charlot, professor de Ciências da Educação da Universidade Paris VIII, defende que a escola dê uma cultura universal para o estudante, mas que não ensine informações e sim saberes. Segundo ele, informação é só um enunciado. Se não for contextualizada não será capaz de formar o jovem.
Qual a importância da educação para a construção de um outro mundo?
A educação sozinha não pode mudar o mundo, mas tem papel fundamental para não deixar funcionar o discurso da violência. Jogar bombas é não reconhecer que o outro é um ser humano que tem o mesmo valor. Há diferenças culturais, mas é preciso criar a partir daquilo que é igual, num novo universalismo. Não impondo uma cultura sobre outras, mas reconhecendo-as. O problema é que sempre há questões econômicas por trás, há uma ideologia que legitima o discurso e a exploração econômica.
O que já vem de antes da globalização, não é?
Com a globalização há mais contato entre pessoas, não entre as culturas. E há o problema do dinheiro. A abertura do mundo vem se dando, antes de tudo, como um produto. Para mudar isso, o primeiro passo é trazer a preocupação com a cultura para a escola, numa postura reflexiva. Temos de verificar se na escola as diferenças são respeitadas, porque o jovem não sabe bem quem ele é. Ao se tornar adulto, não terá aprendido a lidar com as diferenças e será intolerante. A chave para essa mudança é não ensinar informações, mas saberes. A informação é só um enunciado. A sociedade da informação é diferente da sociedade do saber. Listar uma série de dados não adianta, porque tudo fica sem ligação. Se a informação não for contextualizada não será capaz de formar o jovem.
Como lidar com as diferenças culturais?
Para construir um mundo de respeito pela dignidade de cada ser humano é muito importante que o aluno descubra a cultura do outro. Ninguém conhece sua própria cultura sem conhecer e reconhecer o valor e a importância do que outros grupos fazem, pensam e acreditam. A pessoa fica pensando que o seu jeito de ver é o natural, o certo, a única e melhor possibilidade, sendo que nem o conhece muito bem.
Como promover esse contato?
É preciso permitir um afastamento mínimo entre o jovem e sua comunidade, para que ele saiba que muita gente já viveu e ainda vive de outras formas em lugares e classes sociais diferentes. Ele tem que saber que seu modo de vida não é o único nem o melhor. Não estou falando para esquecer da realidade da comunidade de onde o jovem vem, mas alertar para a necessidade de abrir espaço para que ele entre e mergulhe em culturas diferentes. Quem pode abrir esse espaço se não a escola?
Anselmo Massad e Nicolau Soares


Melhor escola segundo o Enem aposta no tradicional
Leia em http://br.noticias.yahoo.com/s/04042008/25/manchetes-enem-melhor-escola-pais-aposta-no-tradicional.html

BRASIL

1. Caça a Dilma Rousseff
[José de Souza Castro]
Começou para valer a sucessão do presidente Lula e a temporada de caça à ministra Dilma Roussef, possível candidata petista à presidência da República em 2010, se até lá ela conseguir sobreviver.http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=978

2. E o Arthur Virgilio, hem? Pediu informações, em 2005, à Casa Civil, sobre o uso dos cartões corporativos no período de 1995 a 2002, recebeu essas informações....e de repente elas se transformam no Dossiê, o famoso dossiê que a revista-esgoto publicou... para atingir qual objetivo? Derrubar a ministra que o Lula pretendia ungir como sua candidata em 2010.
Ai estão os documentos que provam isso, tirados do blog do Zé Augusto, associado da Revista Fórum
:



3. leia no site www.brasildefato.com.br
A farra da legalização da grilagem
Ariovaldo Umbelino
O governo Lula está "vendendo" ao agronegócio mais de 60 milhões de hectares de terras públicas do Incra na Amazônia que deveriam ser reservadas para a reforma agrária.

4. Tiago Menta envia artigo, que reproduzo por concordar plenamente. E como mineiro, lamento profundamente o que o mineiro Ziraldo falou. Realmente deprimente!

A Bolsa-Ditadura
Estou envergonhado. Sinceramente, não esperava que a minha geração tivesse de engolir tanto sapo como está engolindo. Tenho visto professores de filosofia ocupar cargos no governo para fazer tudo que até bem pouco tempo condenavam. Esses dias eu vi um avaliador da CAPES dar uma entrevista e dizer que um mestrado em ciências humanas poderia ser feito comprando pocket books, e com 200 dólares estava tudo resolvido. Outros, no Conselho Nacional de Educação, andam fazendo das suas também, aprovando tudo que condenavam. Todavia, agora, chegamos à vergonha maior. As declarações do cartunista Ziraldo colocam todos nós na lona, principalmente nós, os democratas e os de esquerda na faixa dos cinqüenta anos.

Não vou entrar aqui no mérito do dinheiro pago a ele por ter lutado contra o regime militar, por meio de seus desenhos. Ganhou um milhão e parece que terá um salário de 4 mil mensais. É um dinheiro público, de todos nós, dado a alguns que, agora, perdem a condição de heróis ao mostrarem que eram, na verdade, mercenários. O tal do "ouro de Moscou" não existia? Pois bem, então, que se tire do nosso bolso agora – é assim, não é? No caso de alguns, de fato soa assim.

Não – realmente esta não é a questão principal. A questão principal é a maneira simplesmente deselegante com que Ziraldo recebeu seu pagamento. Repito aqui as palavras dele, publicadas na imprensa: "Aos que estão criticando, falando em bolsa-ditadura, estou me lixando. Esses críticos não tiveram a coragem de botar o dedo na ferida, enquanto eu não deixei de fazer minhas charges. Enquanto nós criticávamos o governo militar, eles tomavam cafezinho com Golbery" (Agência Estado, 04/04).

Nunca achei Ziraldo um bom cartunista. Suas histórias eram chatas. Mas, sendo eu um homem de esquerda, e vendo nele um intelectual mais velho também de esquerda, com posições definidas, sempre achei que era alguém melhor do que se revelou agora, já aos 75 anos. Um herói de verdade poderia ter recebido o dinheiro e oferecido para uma instituição de crianças. Ou então oferecido para pessoas que foram torturadas e que nunca entraram na Justiça. Ou, ainda, para viúvas que passam necessidade, por terem perdido pessoas que não foram famosas, e que realmente lutaram pelo Brasil. Ou, por fim, simplesmente recebido o dinheiro quieto. Mas Ziraldo e alguns outros não foram heróis, e acabaram agora jogando areia na memória dos que foram heróis. E, no caso dele, isso agora ficou mais que claro. Tudo bem, não é herói, então não é herói. Mas precisa ser menos ainda do que um ser humano normal?

Os que eram garotos durante o tempo do regime militar, e que passaram alguns apertos verdadeiros e tiveram seus pais ameaçados, até ontem, até a declaração de Ziraldo, pensavam que todos que lutaram contra o regime militar tinham estado na mesma trincheira. Democratas e homens de esquerda não democrática lutaram contra os que estavam no poder entre 1964 e 1985. Alguns só agora podem ver claramente que estiveram mais sozinhos do que imaginaram na época. Jamais estiveram ao lado dos que acreditaram que eram heróis.

Ziraldo manchou a indenização. Não só a dele, mas a de outros. Vejam mais um trecho que provoca náusea: "meu colega, que é funcionário público e tem a mesma idade, ganha 12 mil de aposentadoria. O Brasil me deve uma indenização". (O Globo, online, 04/04).

O nosso país, o Brasil, ou seja, nós todos devemos dinheiro ao Ziraldo por causa de que ele, por livre e espontânea vontade, fez desenhos que criticavam o Presidente Figueiredo. Essa é a sua lógica.

Ele publicou os desenhos. Recebeu por eles. Além disso, na época do regime militar, ficou até mais famoso por se dizer comunista. Chegou até a trabalhar na TV. Ele realmente foi impedido de desenhar? Mas quantos de nós não fomos impedidos de fazer um bocado de coisas? E muitas das coisas que fomos impedidos estavam diretamente relacionadas às nossas profissões. Ora, mas o que dá direito a uma pessoa que tem uma opção política exigir que todas as outras, alinhadas ou não com ela, lhe devam dinheiro por tal opção? Tudo bem, os brasileiros podem até pagar – são gente de boa índole. Mas todos os brasileiros são obrigados, também, a agüentar essa extrema arrogância de um senhor que, aos 75 anos, não sabe se comportar? Temos todos de ouvir que nosso país deve para o Ziraldo uma indenização, por conta dele ter optado por fazer algumas charges?

O dinheiro pode ser pago. A Justiça pós-ditadura caminhou assim. Não discuto isso, já disse. O que ponho em questão é o fato de a minha geração ter de engolir isso, essa decepção tardia, com alguém que acreditamos que era melhor do que os que estavam no comando da ditadura. Ora, mas com esse tipo de declaração, vemos que não era o caso. Vemos que Ziraldo não era herói nenhum, e que nem mesmo era ... cartunista. Um cartunista de verdade tem o impulso para desenhar que é o de todo artista autêntico – e o artista, como o filósofo, é alguém que corre riscos. Não pode jogar contra a nação que o homenageou as frases que jogou contra todos nós. O Brasil devia uma indenização a Ziraldo? Bom, agora a coisa virou: Ziraldo deve desculpas a todo brasileiro pelo que falou.
Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo, site www.ghiraldelli.pro.br


INTERNACIONAL

1. Leia no site www.brasildefato.com.br
Europa
A Romênia é o oitavo país da Europa a banir o cultivo de variedades transgênicas, seguindo os passos da França, Hungria, Itália, Áustria, Grécia, Suíça e Polônia

2. Todos os medos da China
Por Roberto Cattani
Genocídio cultural quer dizer hoje as barulhentas comitivas de turistas chineses, vulgares e arrogantes, visitando como um lugar exótico o Palácio Potala, antigo mosteiro-mor e residência oficial do Dalai Lama e outros lugares sagrados do budismo tibetano. Quer dizer também hipermercados (chineses), bancos (chineses), eletrônica (chinesa), restaurantes e hotéis (para chineses) invadindo as cidades tibetanas.
Quer dizer a ferrovia recém-inaugurada entre Pequim e Lhasa, na qual,além dos trens de carga, deverá viajar “o trem mais luxuoso do mundo”, segundo a propaganda, com “suítes cinco estrelas” para os turistas globais. Um detalhe: os vagões serão blindados, com vidros a prova de bala. Nunca se sabe...
O budismo, a cultura oriental e a cultura do mundo todo perderam no saque do Tibete. Mas a comunidade internacional não mexeu um dedo -- assim como não nada fez na Armênia, em Biafra, Ruanda, e continua não fazendo no Darfur, etc. Vender Mercedes e Windows para os chineses é bem mais prioritário.
A incapacidade de qualquer abertura ao diálogo com o Dalai Lama e com a sociedade tibetana não-subserviente é um sinal de nervosismo -- e, no fundo, de fraqueza -- do regime chinês, amplificado pela proximidade dos Jogos Olímpicos. Leia o artigo completo: http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=977
3. Ana Cláudia, de São Paulo, envia artigo:
Corações e pulmões
Eduardo Pegurier O Eco, 21 de março de 2008
O ar da China ficou um pouco mais difícil de respirar depois que as autoridades reprimiram com violência os protestos por independência no Tibete. O país que vai hospedar as Olimpíadas de 2008, a maior festa de confraternização mundial, tem um histórico lastimável tanto na proteção dos direitos individuais quanto do meio ambiente. O governo chinês pretende maquiar o problema, desligando fábricas e limitando outras fontes de poluição para melhorar a situação durante os jogos. Será vergonhoso se as Olimpíadas transcorrerem nesse clima de ilha da fantasia, num local onde o ar é irrespirável e os dissidentes do regime são mortos e presos. Não há motores nas provas das olimpíadas. O ar é o combustível dos jogos e a força motriz os pulmões e músculos dos atletas. Sabendo disso, Haile Gebrselassie, 34 anos, potencial favorito para vencer a maratona, vai adaptar sua participação nos jogos e competir na prova de 10 mil metros. O atleta etíope que é detentor do recorde mundial da prova sofre de asma. “A poluição na China é uma ameaça a minha saúde e isso, para mim, tornaria difícil correr 42 km nas condições em que me encontro”, diz.
Os 11 milhões de habitantes de Beijing sofrem com a poeira fina resultante do uso maciço de carvão, usado para aquecimento e geração de energia. “A fumaça de Beijing se realimenta. Quando a cidade periodicamente desaparece em uma névoa marrom amarelada, o tráfego fica ainda pior. Os afortunados que possuem um carro deixam as bicicletas em casa. Escolhem o ar-condicionado ao invés do coquetel de fumaça de carvão, poeira e ozônio no ar”, conta Hilmar Schmundt, jornalista do Spiegel.
O governo chinês está gastando muito dinheiro para minimizar o problema. Em parte, vai exportá-lo, realocando siderúrgicas e outros grandes poluidores para locais mais distantes. Vai também desligar fábricas e usinas de energia poluidoras durante os jogos. Alguns analistas do mercado financeiro atribuem à China a forte subida dos preços das commodities nesse início de ano. A razão seria estocar e acelerar a produção agora, para poder parar fábricas durante o evento. Por fim, algumas medidas boas estão sendo tomadas, como a transformação de carvão para gás dos aquecedores domésticos.
Claro, outra medida de impacto para “reduzir” a poluição é a propaganda. O governo chinês jura que está fazendo tudo certo. Parece que até a Wikipedia, a enciclopédia participativa, não escapou. É suspeito o conteúdo do verbete “Environment in China”. De cima a baixo, parece chapa-branca. “Depois da conferência Meio ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas, em 1992, a China foi um dos primeiros países a formular e perseguir uma estratégia de desenvolvimento sustentável”, começa o texto com jeito de press release. Acima do verbete, a própria enciclopédia avisa, “Esse artigo não cita referências ou fontes”.
Já o New York Times publicou uma matéria aterradora sobre a situação na China, contando que a poluição tornou o câncer a maior causa de morte no país; perto de 500 milhões de pessoas não tem acesso a água potável; apenas 1% dos 560 milhões de chineses que vivem em cidades respiram ar de qualidade decente. A poluição do ar mata 400 mil pessoas por ano, em geral, de ataque cardíaco e câncer de pulmão. A boa notícia é que a China tem uma eficiência energética muito abaixo da média dos países industrializados. Por exemplo, gasta quatro vezes mais água por unidade produzida e número semelhante se aplica ao uso de energia. Cálculos de cientistas chineses apontam que a poluição custa 3 pontos percentuais do PIB. Ou seja, o crescimento chinês de 10%, na realidade é de 7%. Em alguns municípios, esse PIB verde é igual a zero. O valor dos estragos ambientais come todos os outros ganhos. Enfim, existe muito incentivo econômico e espaço tecnológico para buscar melhorias. A péssima notícia é que, apesar das declarações de preocupação, o governo central chinês não tem tido capacidade ou interesse de mudar o rumo. Vários experts de fora e dentro do país concordam que “a China não vai ser verde sem mudanças no regime".
Não é coincidência que direitos humanos e meio ambiente limpo andem juntos. Países autocráticos não respondem às queixas de seus cidadãos, seja quando eles exigem um meio ambiente são ou quando clamam por democracia. Nesse sentido, as olimpíadas abrem uma oportunidade de pressão sobre o governo chinês. Valerá aqui o equilíbrio. A prosperidade da China depende do mundo. E o mundo se beneficia da prosperidade da China, que também pavimentará o caminho para a sua abertura política e gerará os recursos para comprar tecnologia limpa. Os jogos vão acontecer, mas atletas, governos e cidadãos mundo afora devem usá-los para protestar.
Está tudo programado para que os jogos funcionem como uma grande propaganda da ascensão chinesa, escondendo os porões onde mofam os dissidentes e fingindo que está tudo verde. Vamos permitir que seja fácil assim? Como diz um dito popular, é preciso um par para dançar.


ARTE&CULTURA


A ressurreição das religiões
Henrique Rattner

Como explicar o ressurgimento das religiões e seus impactos na vida social e política neste início de século XXI, após e apesar dos séculos da Razão e do Iluminismo, os avanços das ciências físicas e biológicas, inclusive o evolucionismo de Darwin? Pode se alegar que as ciências não conseguiram explicar satisfatoriamente as origens o destino dos homens. Mas, apesar do aparente fracasso das ciências, também as religiões em suas mais diversas denominações, não conseguiram responder satisfatoriamente às questões existenciais, recorrendo todas elas à figura de um Deus onisciente e onipresente cuja existência dispensaria a comprovação empírica. Tanto George W. Bush quanto o papa Bento XVI falam da indiscutível necessidade de um “intelligent design” – concepção inteligente –, um conceito abstrato que não figura na percepção, cognição e interpretação do mundo dos bilhões de crentes de todas as religiões.

Se nas regiões menos desenvolvidas o fervor religioso ressurgiu como componente poderoso do despertar nacionalista e na luta contra o colonizador, o que dizer do renascimento das crenças religiosas no ocidente e sua expansão em progressão logarítmica, apesar da educação universal, pública e gratuita? Os pensadores iluministas pensaram que a modernidade – uma combinação de ciência, educação e democracia – acabaria com a necessidade da religião. É exatamente nos Estados Unidos, no Brasil e em outros países latino-americanos e até nos países escandinavos que a expansão das variantes evangélicas têm mais progredido em seu recrutamento de fiéis e a instalação de novas igrejas e templos não pára de crescer. Estima-se que o número de evangélicos no mundo alcançou o número de 500 milhões e os movimentos de massas geralmente intolerantes e agressivos contra os “infiéis” estão presentes no Islã, entre os pentecostais evangélicos, em grau menor entre os católicos (vide a “Opus Dei”) e entre as várias seitas de judeus as quais, desde conservadores até ultra-ortodoxos, se digladiam pelo “direito” de ser os verdadeiros representantes da vontade divina. Missionários de todas essas religiões percorrem o mundo, dispondo de recursos financeiros não desprezíveis e criam escolas nas quais transmitem e interpretam os ensinamentos de seus livros sagrados, exigindo a estrita observância dos preceitos e dos mandamentos divinos, sejam eles os “mulás” e “aiatolás” muçulmanos; os reverendos, bispos ou apóstolos evangélicos ou os rabinos lideres de certas seitas. O ato de cantar e rezar em conjunto por parte de milhares de correligionários tem efeitos profundos sobre a psicologia dos crentes, reforçando sua fé e confiança no poder sobrenatural e dando aos indivíduos o sentimento de pertencer a algo maior do que eles próprios.

A reação esboçada pelos defensores do pensamento racional e científico não chega ao alcance das massas, mesmo nos países desenvolvidos – onde poucos teriam lido o livro de Richard Dawkins, “The God Delusion” (A Ilusão de Deus) ou de Christopher Hitchens, “God is not Great – How Religion Poisons Everything” (Deus não é grande – como a religião envenena tudo).

Não é somente pelo fracasso da ciência em proporcionar respostas plausíveis às indagações e ansiedades existenciais que podemos explicar o retorno à fé religiosa. Nas inseguranças e incertezas do mundo atual, prenhe de crises econômicas, políticas e culturais, os indivíduos se sentem perdidos, desamparados e confusos, tendo perdido a confiança nos governos, nos partidos políticos e suas ideologias. O pensamento neoliberal, que exacerba o individualismo, a competição e o sucesso material e monetário como alvos supremos na luta existencial, ignora a necessidade do ser humano de ter um convívio harmonioso e solidário com os outros, sejam eles vizinhos, companheiros no trabalho ou cidadãos da mesma comunidade. A História humana é repleta de perseguições, lutas e guerras entre fiéis de diferentes religiões, também nos países hoje considerados desenvolvidos. As várias Cruzadas; as invasões mouras da Península Ibérica; guerras religiosas na Europa Central até meados do século XVI; a expulsão sangrenta dos Huguenotes da França no século XVIII; o conflito armado entre católicos e protestantes na Irlanda; as guerras contra minorias étnicas e religiosas no Ruanda, Nigéria, Sri Lanka, Chechênia, Afeganistão, Iraque e na Terra Santa entre israelenses e palestinos carregam um forte conteúdo religioso como justificativa da violência contra os “infiéis”.

A tendência mundial para reintroduzir a religião ou o apoio divino nas relações entre os povos, culturas e sistemas políticos diferentes não deve surpreender os estudiosos da História e da Cultura. Sua ascensão no fim do século XX e no início do século XXI pode ser atribuída à falência das crenças seculares, partidos políticos e governos que os sustentam e que facilitaram a ascensão de teocracias, sobretudo no mundo islâmico. Mas, o fenômeno do renascer da religião é universal, inclusive na China comunista e na Rússia pós “socialismo real”, e indica uma forte tendência ao pluralismo, não somente religioso como também político. A idéia de Bush de exportar a “democracia“ na ponta dos fuzis resultou no maior fracasso político e militar de nossa época.

Os principais atores nos conflitos violentos, inclusive de atentados contra civis inocentes, estão sendo formados e treinados por pregadores fanáticos, indivíduos que não são funcionários, civis ou militares de seus países. Por isso, a separação entre Igreja e Estado, tal como a preconizou o chanceler Otto von Bismarck, na segunda metade do século XIX, na Alemanha, parece fundamental sobretudo para o sistema educacional, universal, secular e gratuito. Por outro lado, não cabe ao Estado interferir nas crenças e práticas religiosas de seus súditos, mesmo quando constituem minorias ou imigrantes. Por outro lado, não deve invadir a esfera pública, tal como acontece atualmente no Irã, em outros países islâmicos, inclusive em Israel. A separação entre essas duas instituições não é um processo fácil e pacífico, como demonstram entre outros, a tensão permanente na Turquia, onde parte da população prefere claramente manter e praticar os preceitos do Islã, enquanto outra procura manter a natureza secular do Estado cujo fundador, Kemal Attaturk, continua sendo venerado, sobretudo pelos militares. Jawarharlal Nehru, quando ascendeu à presidência da Índia, queria “varrer” as religiões organizadas que “sempre defendem a fé cega e reações, dogmas, superstição e exploração em nome da preservação de interesses tradicionais”. Gamal Nasser, presidente do Egito após o golpe militar que derrubou a monarquia, defendeu posição semelhante, perseguindo a Irmandade Muçulmana. A componente religiosa, quando entra nos conflitos étnicos, raciais e políticos, torna seu equacionamento e solução mais difícil e complexa. Como proceder quando os dois contendedores reclamam a posse de um determinado território em nome do direito divino? Israelenses e palestinos bem agradeceriam um palpite!
* Professor na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP (FEA/USP); e na pós-graduação no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Fundador do Programa LEAD Brasil e da ABDL - Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Lideranças
http://www.espacoacademico.com.br - © Copyleft 2001-2008
É livre a reprodução para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída


LIVROS E REVISTAS

1. História do café, de Ana Luiza Martins
Este delicioso livro narra a trajetória de aventura e ousadia da mais saborosa e conhecida bebida negra em todo o mundo: o café. Desde sua descoberta, a Coffea arabica traçou novas rotas comerciais, criou espaços de sociabilidades até então inexistentes, estimulou movimentos revolucionários, inspirou a literatura e a música, desafiou monopólios consagrados e tornou-se o elixir do mundo moderno, consolidando as cafeterias como referência de convívio, debate e lazer. Com charme, elegância e bom humor, a historiadora Ana Luiza Martins conta a trajetória do café, das origens como planta exótica no Oriente à transformação em produto de consumo internacional. A autora analisa também como o café no Brasil transformou-se na semente que veio para ficar e marcar a nossa história. Um simples gole dessa bebida torna você, leitor, parte de uma imensa cadeia de produção, embalada em muita aventura e ousadia. Venha tomar uma xícara com a gente.
A autora Ana Luiza Martins é Doutora em História Social pela FFLCH-USP, onde se graduou e realizou seu mestrado. Historiadora do Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo), trabalha questões do patrimônio cultural, especializando-se na história do café. É autora de diversos livros e artigos, entre eles O despertar da República (publicado pela Contexto).
320 páginas, R$ 49,00

2. - "O Rio discriminado pelo governo federal?", de Jorge Natal, editora Faperj. Mais informações pelo e-mail: divulgacao@ippur.ufrj.br.
3. - "Arte e política", organizado por Miguel Chaia, editora Azougue. Mais informações em www.pucsp.br/neamp.
4. - "A Guerra Santa Revisitada:novos estudos sobre o movimento do Contestado", organizado por Márcia Janete Espig e Paulo Pinheiro Machado, editora UFSC. Mais informações pelo e-mail: pmachado@mbox1.ufsc.br.


SITES E BLOGUES

1. Tumulto entre policiais militares e alunos da Universidade Federal de Minas Gerais. Pelo menos dez feridos e um estudante preso por "desacato". Motivo: a exibição do filme "Grass Maconha", que pode ser encontrado nas bancas de revistas. No post de hoje, conheçam a versão da reitoria e o relato de um estudante que acompanhou muita coisa de perto. Assistam também a três vídeos gravados na hora do tumulto.

2. O Famigerado Dossiê

As notícias do dossiê se sustentam? Ou são apenas uma caça à ministra Dilma Rousseff?

Um post atento ao senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que viu o dossiê antes de sua publicação pela revista Veja. E, suspeitamos, o divulgou...

Por que tamos com raiva de Arlindo Chinaglia (PT-SP), presidente da Câmara dos Deputados que autorizou reforma de 96 apartamentos funcionais pela balela de R$ 29,5 milhões.

Leia em www.tamoscomraiva. blogger.com. br



NOTICIAS

PALESTRA 150 ANOS DA ESTRADA DE FERRO CENTRAL DO BRASIL
(1858-2008).

Palestrante: Profª Helena Guimarães Campos
Local: Secretaria Municipal de Cultura de Sabará (prédio da Cadeia, na
entrada da cidade)
Data: 11 de abril de 2008
Horário: 19:30h
Entrada gratuita.


1. XIX Encontro Regional da ANPUH-SP
Poder, violência e exclusão

Inscrições em Seminários Temáticos até 05 de maio
Informações sobre Minicursos e Pôsteres
Veja no site do evento: www.anpuhsp.org.br


2. Curso: Einstein
O professor responsável explica o curso:

No curso eu uso quase que só a ESTÉTICA com base em figuras, filminhos e outros recursos / demonstrações (sem praticamente nenhum uso da matemática) para demonstrar questões como as da Relatividade Restrita -dilatação do tempo e contração do espaço-conversão da massa em energia (E=mc2); sua extensão à Relatividade Geral (tida como "acessível a poucos", pela complexidade - e onde mostro que as deformações espaço-temporais se impregnam nos campos gravitacionais - possibilitando reais viagens no tempo -Não é ficção!); mostro (demonstro) a curvatura do Universo segundo a geometria Riemanniana -qualquer estudante de 2 grau é capaz de se maravilhar; passo pelas teorias que deram o Premio Nobel a Einstein (efeito fotoelétrico), sua tese de doutorado (Mov. Browniano) para qualquer um entender, vejo diversos aspectos da Mecanica Quantica, passo para a cosmologia (Big Bang -facilimo de ver que o Universo teve uma origem no tempo, buracos negros....) e varro uma boa parte da biografia de Einstein. Encerro -na 8a aula- discutindo em alto nível questões relacionadas à difícil relação entre Ciencia e Fé- sem perder o pé da Ciencia, deixando essas questões ao final para que cada um tire sua conclusão. O programa do curso é:

PROGRAMA

1 – Introdução: Da Idade da Pedra Polida ao auge da Física Clássica
2 – Impasses da Física Clássica; bases da Física Moderna
3 – A Teoria da Relatividade Especial – para todos os níveis
4 – A Teoria da Relatividade Geral – para todos os níveis
5 – Outras contribuições de Einstein e suas conseqüências
6 – Einstein antes e depois da fama
7 – Cosmologia Moderna: explicando o Big Bang, buracos negros, etc
8 – Discutindo Ciência e Fé – até onde esses campos se estendem?

Serão 8 aulas, todas as 3a-feiras de abril e maio, a partir do dia 08 de abril
Estamos na 9a edição do curso e montamos 2 turmas: uma das 17:00-18:30 e outrs das 19:30-21:00
mais informações pelo telefone 3226 7848 ou e-mail ihim@pib.com.br

3. Seleção para professor/UFPB - A Universidade Federal da Paraíba (UFPB) esta' com inscrições abertas ate' 18/4/2008 para o processo de seleção que visa o preenchimento de vagas de professor adjunto, nas áreas de Antropologia, Ciências Política e Sociologia. Mais informações em www.ufpb.br.
4. Pós-graduação/Inscrições
- As inscrições para os cursos de Pós-graduação lato sensu em Cinema Documentário e de Relações Internacionais, da Fundação Getulio Vargas(FGV) estão abertas, as aulas serão iniciadas em 14/4/2008. Mais informações em www.fgv.br/mba-rio.
- As inscrições para O Programa Internacional de Bolsas de Pós-graduação da Fundação Ford (International Fellowships Program ¿ IFP) estão abertas ate' 26/5/2008. O programa oferece bolsas de mestrado stricto sensu e doutorado, no Brasil e no exterior, por ate' 3 anos, para que os interessados prossigam seus estudos capacitando-se para promover o desenvolvimento de seus paises, bem como maior justiça econômica e social. Para assegurar a diversidade de origem dessas lideranças, o Programa privilegia candidatos pertencentes a grupos que, sistematicamente, tem tido acesso restrito ao ensino superior. Os bolsistas deverão cursar programas de mestrado ou doutorado em qualquer área do conhecimento relacionada aos campos de atuação da Fundação Ford. Mais informações em www.programabolsa.org.br.
5. 26º Reunião de Antropologia
A Associação Brasileira de Antropologia (ABA) realizara' sua 26º Reunião de Antropologia, cujo tema será Dilemas da (Des)Igualdade na Diversidade. O evento acontecera' em Porto Seguro entre os dias 1 e 4/6/2008. Mais informações em www.abant.org.br.
6. Conferencia sobre a China
A Fundação Alexandre de Gusmão de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI) realizara' nos dias 17 e 18/4/2008, no Palácio Itamaraty (Rio de Janeiro), a Conferencia sobre a China. Mais informações em www.funag.gov.br.
7. Premio Pierre Verger Vídeo Etnográfico e Ensaio Fotográfico
O Premio Pierre Verger Vídeo Etnográfico e Ensaio Fotográfico tem como finalidade premiar produções cinematográficas/videográficas de cunho antropológico que apresentem qualidade técnica reconhecida na área. Poderão ser inscritas na modalidade do Concurso de Vídeo Etnográfico, produções nacionais e internacionais de documentários, vídeos experimentais e de animação que abordem questões socioculturais contemporâneas sobre pessoas, grupos sociais, processos históricos e eventos relacionados ao fazer etnográfico abordando temas de interesse antropológico. As inscrições estão abertas ate' 30/4/2008. Mais informações em www.abant.org.br.
8.Exposição apresenta vida e obra de Darcy Ribeiro/UERJ Esta' em exibição ate' 18/4/2008 a exposição "Darcy Ribeiro: o brasileiro". Na mostra, estão expostas 74 fotografias do acervo da Fundação Darcy Ribeiro (Fundar), revelando traços da trajetória intelectual do etnólogo, educador, político e romancista. A exposição fica no núcleo do MID, da rede de bibliotecas da Uerj. Mais informações em www.sintuperj.org.br.
9. Lançamento do blog da Associação de Estudos Latino-Americanos/LASA A Seção Brasil, da Associação de Estudos Latino-Americanos (LASA), acaba de lançar seu blog, com as informações mais atualizadas sobre os trabalhos realizados pelo grupo e seu envolvimento na próximo congresso da LASA a ter lugar aqui no Brasil, em junho de 2009, na cidade do Rio de Janeiro. Acesse o blog em lasabrazilsection.blogspot.com.
10. Revista/ Chamadas para artigos
- A Revista Opsis esta' recebendo ate' 30/4/2008 artigos para seu próximo dossiê. Mais informações pelo e-mail: lzcarmo.lz@gmail.com.
- A revista Caderno Espaço Feminino nº19 esta' recebendo ate' 31/8/2008 artigos para seu próximo dossiê. Mais informações em www.neguem.ufu.br.

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