Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

1.10.08

Número 158




Crise, crise, crise... Não se fala de outra coisa. E nós aqui, que, evidentemente, não estamos a salvo dos efeitos dela, enchemos este numero com a crise...
O artigo inicial é para despistar, porque o resto do boletim é praticamente todo dedicado à crise, inclusive nos sites e blogues indicados.
Há um artigo do Caio Benjamin – Marx manda lembranças – que retoma o fato de aquele velho barbudo do século XIX ainda ser alguém a ser ouvido, o que também é apontado na entrevista que Eric Hosbawm concedeu e que transcrevemos do site da Agência Carta Maior. E convenhamos...esta capa da Carta Capital foi uma bela resposta à capa da Veja, hem?

Ensino universitário: um empreendimento para os grandes capitais

Por Verônica Bercht

Em junho, o empresário João Carlos Di Gênio, dono do grupo Objetivo, recebeu uma oferta do grupo norte-americano Apollo para a aquisição de toda a fatia que ele domina no ensino superior, formada pela Unip (Universidade Paulista) e por outras 46 faculdades. A oferta, de 2,5 bilhões de reais, não foi aceita, mas o interesse dos estrangeiros na aquisição de instituições de ensino superior brasileiras continua, e as empresas nacionais estão se preparando para isso.

A presença de capital estrangeiro nos estabelecimentos de ensino superior brasileiros não é novidade. O próprio grupo Apollo – que mantém uma das maiores instituições com fins lucrativos dos EUA, a Universidade de Phoenix, no estado do Arizona, além de outros estabelecimentos em território americano e no Canadá, México, Chile e Holanda – foi, de 2001 a 2006, acionista da empresa mineira Kroton, dona do sistema de ensino Pitágoras.

Além do Apollo, outras duas empresas americanas têm presença no Brasil. O Whitney Education Group, em 2006, comprou, por 23,5 milhões de reais, metade do capital das Faculdades Jorge Amado, de Salvador.

E a Laureate International Universities, a primeira a chegar, adquiriu, em 2005, 51% do controle da Universidade Anhembi Morumbi e tem sociedade também na São Paulo Business School e na Universidade Potiguar, no Rio Grande do Norte. Neste ano, o Centro Universitário do Norte (UniNorte), no Amazonas, e a Escola Superior de Administração Direito e Economia (Esade), no Rio Grande do Sul, passaram a integrar a rede da Laureate, que hoje tem 70 mil alunos no Brasil. Além disso, a partir de 2007, algumas instituições de ensino superior brasileiras abriram seu capital e fizeram captação de recursos, especialmente estrangeiros, com lançamento inicial de ações na Bovespa. O grupo Anhanguera Educacional Participações foi o primeiro a utilizar esse expediente, seguido por Estácio de Sá, SEB (Sociedade Educacional Brasileira) e Kroton. Juntas, captaram 1,9 bilhão de reais, e grande parte das ações foi comprada por estrangeiros.

Especialistas calculam que, nos próximos dois anos, o setor deve receber até 3 bilhões de reais além do que já foi investido. Os que já investiram no Brasil têm mais dinheiro para investir, e ainda há outros grupos para vir, disse o consultor de ensino privado e presidente da Hoper Educacional, Ryon Braga, a O Estado de S. Paulo. Braga é um defensor da abertura do capital das empresas de ensino e acha que o setor ainda não está preparado para isso. O que atrapalharia o processo, ainda, seria o fato de a maioria das universidades ser controlada por famílias, com estruturas de custo “pesadas e inchadas”, diz O Estado.

Com a LDB, empresas
Pode-se dizer que o mercado do ensino superior brasileiro “explodiu” a partir da promulgação da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), em 1996, no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso. Até então, a Constituição Federal reconhecia a existência de instituições privadas, mas não caracterizadas claramente como empresas. A LDB distinguiu as instituições privadas com fins lucrativos das demais e estabeleceu regras para o funcionamento das entidades, passando a permitir a existência de empresas de ensino visando, obviamente, ao lucro.

A mudança também disparou um processo de concentração de capitais, com a compra de pequenas empresas pelas grandes e a formação de grupos de peso. Também bancos e fundos de investimentos, como o Garantia Participações e o União de Bancos Suíços-Pactual, entraram no negócio. É “um movimento de aquisições sem precedentes”, diz o jornal Valor Econômico. Num artigo do início de junho, o periódico apresenta dados da consultoria KPMG que mostram 30 transações no setor, no primeiro semestre deste ano. Esse movimento de fusões e aquisições só é inferior aos dos setores de tecnologia da informação e de alimentos, bebidas e fumo. As empresas não declaram os valores envolvidos, mas, segundo o jornal, eles chegam a 250 milhões de reais.

Em 2006, existiam 2.270 instituições de ensino superior. Apenas 248, pouco mais de 10%, eram públicas; quase 90%, 2.022, eram privadas, que tinham 3,8 milhões de estudantes, 80% do total, e movimentavam, anualmente, cerca 20,5 bilhões de reais. O movimento de concentração no setor está apenas no começo e poderá resultar na existência de apenas 15 ou 20 grandes grupos, com 3 milhões de alunos, estimam alguns analistas.

Um exemplo de formação de um desses grupos é o Anhanguera Educacional Participações. O grupo nasceu em 1994, na cidade de Leme (SP). Em 2003, já era um grupo médio, com 8.848 alunos em sete unidades espalhadas por seis cidades do interior de São Paulo. Nesse mesmo ano, o Anhanguera transformou suas instituições sem fins lucrativos em empresas, com fins lucrativos, portanto. No mesmo ano, associou-se à Anhembi Morumbi, na capital paulista. Em 2004, incorporou várias faculdades do interior do estado de São Paulo e mudou sua estrutura societária para a de uma sociedade anônima. No fim de 2005, já tinha dez unidades de ensino. Em 2006, quando abriu sua 11ª unidade, possuía mais de 23 mil alunos. E chegou a 59 mil alunos em 2007, já então espalhada por São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso do Sul. Só para efeito de comparação: em 2007, a USP (Universidade de São Paulo), a maior universidade pública do País, tinha 45 mil alunos na graduação e 35 mil na pós-graduação, totalizando 80 mil estudantes matriculados.

O desempenho do Anhanguera mostra uma lucratividade atraente para grandes investidores, como as empresas estrangeiras que rondam o mercado brasileiro de ensino. O balanço divulgado em março de 2008 mostra que, em 2007, o grupo captou cerca de 500 milhões de reais na Bolsa de Valores. No ano passado, seu lucro líquido foi de 63,5 milhões de reais, mais de quatro vezes o alcançado em 2006, de 14,9 milhões de reais.

A mudança na LDB acatou as recomendações do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), de abrir o ensino para o capital privado. O resultado da privatização seria a democratização do acesso à educação superior. O acesso, de fato, cresceu. O Mapa do ensino superior privado, estudo da professora Gladys Beatriz Barreyro, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, publicado em 2008 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), do Ministério da Educação, fez um diagnóstico dessa situação. Entre 1980 e 1996, o número de estabelecimentos de ensino superior no Brasil passou de 882 para 922, um aumento de apenas 4,5%, sendo que as escolas públicas cresceram mais do que as particulares – 5,5% contra 4,2%. Na década seguinte, entre 1996 e 2006, o ritmo de crescimento acelerou: de 922 instituições saltou para 2.270, um aumento de quase 250%, e a relação entre públicas e particulares se inverteu de forma espetacular. Enquanto as públicas passaram de 211 para 248, um aumento de apenas 17%, as particulares pularam de 711 para 2.022, um aumento de quase 300%.

Arrancada da privatização
O estudo mostra também o crescimento das matrículas no período. Em 1980, foram 1,4 milhão de matrículas; em 1995, 1,8 milhão, um crescimento de cerca de 25%. E, de 1995 a 2004, houve um salto para 4,2 milhões de matrículas, um aumento cerca de dez vezes maior, devido, esmagadoramente, ao crescimento das matrículas nas instituições particulares. As públicas evoluíram de 492 mil matrículas em 1980 para 700 mil em 1995, aumento de cerca de 40%, e para 1,2 milhão em 2004, aumento de quase 70%. Enquanto isso, as privadas passaram de 885 mil em 1980 para 1 milhão em 1995, aumento de menos de 20%, abaixo do obtido pelas públicas, e tomaram a dianteira disparada em 2004, com 3 milhões de matrículas, quase 300% de aumento.

A dianteira das particulares pode ser observada, também, por outro ângulo. Em 1980, o setor público tinha 36% das matrículas, e o privado, 64%. Nos quinze anos seguintes, as públicas avançaram sobre as particulares, chegando, em 1995, a 40% do total das matrículas, enquanto as privadas caíam para 60%. Na década seguinte, a tendência se inverteu de forma acentuada: em 2004, as públicas tiveram sua participação reduzida para 28%, enquanto as privadas subiram para 72%.

Mesmo assim, em termos de ocupação das vagas oferecidas, as públicas foram mais eficientes. Em 2004, foram oferecidas 2,3 milhões de vagas, sendo, aproximadamente, 300 mil em estabelecimentos públicos e 2 milhões em privados. Mas, nas públicas, 93% das vagas oferecidas foram preenchidas por novos alunos; entre as privadas, apenas 50% das vagas foram efetivamente preenchidas.

O preço do ensino privado é alto. As mensalidades, no Rio de Janeiro, por exemplo, variaram, em 2003, entre 200 reais e mais de 2 mil reais. Na Universidade Gama Filho, os cursos de pedagogia e matemática custavam, naquele ano, 199 reais por mês. Na PUC-Rio, o curso de engenharia custava 962 reais por mês. E as mensalidades de medicina na Uninove e na Unicastelo eram 2.200 reais. São valores que destroem a ilusão, difundida pelo BID e pelo governo FHC, a respeito da democratização
do ensino superior pela expansão dos negócios privados, que representam 90% das instituições de ensino e oferecem 80% das vagas.

Estão em tramitação no Congresso dois projetos de lei que tratam da privatização do ensino superior e da entrada de capital estrangeiro no setor. Um deles é o projeto de lei (PL 2138/2003) do deputado federal Ivan Valente (Psol-SP), que quer proibir, pura e simplesmente, a entrada de capital estrangeiro nas instituições educacionais privadas. Outro é o projeto de lei da Reforma Universitária (PL 7200/2006), enviado pelo presidente Lula à Câmara dos Deputados em junho daquele ano. Ele prevê
o limite de 30% para o capital estrangeiro no ensino superior privado e estabelece critérios para a negociação e fiscalização dos preços das mensalidades.

Apoio ao capital de fora
As entidades mantenedoras do ensino superior e os empresários do setor são radicalmente contra qualquer restrição ao dinheiro de fora. Hermes Ferreira Figueiredo, presidente do sindicato das mantenedoras do estado de São Paulo e dono da Unicsul, considera “equivocada” a proibição da entrada de capital estrangeiro. “A origem do capital não determina a qualidade”, ele diz. O professor Antonio Carbonari Neto, presidente do grupo Anhanguera Educacional, por sua vez, também elogia a participação dos investidores estrangeiros e diz que sua proibição é puramente “ideológica”. No texto “O capital estrangeiro na educação superior brasileira”, divulgado em junho deste ano no portal da Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (ABMES), Edson Franco procura distinguir entidades mantenedoras e instituições educacionais. O argumento é que não há proibição para a participação do capital estrangeiro nas mantenedoras.

Do outro lado, no debate, há um leque diversificado. A vinda do capital estrangeiro “será uma penetração cultural que precisa ser monitorada, pois não atende aos interesses do País e tampouco traz melhoria para a qualidade do ensino, pois a lógica do capital visa somente ao lucro”, argumenta o deputado Ivan Valente, na justificativa de seu projeto de lei. Educação “não é negócio”, disse ele numa audiência pública realizada na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, em 19 de junho. O professor Francisco Miraglia Neto, da USP, concorda. Educação é um direito social básico, mas está se transformando em mercadoria”, diz ele. Miraglia não é, em tese, contra o ensino privado, mas considera que os preços da rede privada precisam ser administrados pelo poder público.

Lúcia Stumpf, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), também condena a mercantilização do ensino e a presença do capital estrangeiro, que provocam, na maioria dos casos, diz ela, a degradação da educação, prejudicando alunos, professores e funcionários das instituições. “São necessárias ações que tenham o poder de limitar, ou até de impedir, o capital estrangeiro na educação superior”, disse em entrevista ao jornal Valor Econômico, no início de julho.
Fonte: Retrato do Brasil (Ed. nº 13, agosto/setembro)

Karl Marx manda lembranças
O que vemos não é erro; mais uma vez, os Estados tentarão salvar o capitalismo da ação predatória dos capitalistas
Cesar Benjamin
As economias modernas criaram um novo conceito de riqueza. Não se trata mais de dispor de valores de uso, mas de ampliar abstrações numéricas. Busca-se obter mais quantidade do mesmo, indefinidamente. A isso os economistas chamam "comportamento racional". Dizem coisas complicadas, pois a defesa de uma estupidez exige alguma sofisticação.
Quem refletiu mais profundamente sobre essa grande transformação foi Karl Marx. Em meados do século 19, ele destacou três tendências da sociedade que então desabrochava:
(a) ela seria compelida a aumentar incessantemente a massa de mercadorias, fosse pela maior capacidade de produzi-las, fosse pela transformação de mais bens, materiais ou simbólicos, em mercadoria; no limite, tudo seria transformado em mercadoria;
(b) ela seria compelida a ampliar o espaço geográfico inserido no circuito mercantil, de modo que mais riquezas e mais populações dele participassem; no limite, esse espaço seria todo o planeta; (c) ela seria compelida a inventar sempre novos bens e novas necessidades; como as "necessidades do estômago" são poucas, esses novos bens e necessidades seriam, cada vez mais, bens e necessidades voltados à fantasia, que é ilimitada. Para aumentar a potência produtiva e expandir o espaço da acumulação, essa sociedade realizaria uma revolução técnica incessante.
Para incluir o máximo de populações no processo mercantil, formaria um sistema-mundo. Para criar o homem portador daquelas novas necessidades em expansão, alteraria profundamente a cultura e as formas de sociabilidade. Nenhum obstáculo externo a deteria.
Havia, porém, obstáculos internos, que seriam, sucessivamente, superados e repostos. Pois, para valorizar-se, o capital precisa abandonar a sua forma preferencial, de riqueza abstrata, e passar pela produção, organizando o trabalho e encarnando-se transitoriamente em coisas e valores de uso. Só assim pode ressurgir ampliado, fechando o circuito. É um processo demorado e cheio de riscos. Muito melhor é acumular capital sem retirá-lo da condição de riqueza abstrata, fazendo o próprio dinheiro render mais dinheiro. Marx denominou D - D" essa forma de acumulação e viu que ela teria peso crescente. À medida que passasse a predominar, a instabilidade seria maior, pois a valorização sem trabalho é fictícia. E o potencial civilizatório do sistema começaria a esgotar-se: ao repudiar o trabalho e a atividadeprodutiva, ao afastar-se do mundo-da-vida, o impulso à acumulação não mais seria um agente organizador da sociedade.
Se não conseguisse se libertar dessa engrenagem, a humanidade correria sérios riscos, pois sua potência técnica estaria muito mais desenvolvida, mas desconectada de fins humanos. Dependendo de quais forças sociais predominassem, essa potência técnica expandida poderia ser colocada a serviço da civilização (abolindo-se os trabalhos cansativos, mecânicos ealienados, difundindo-se as atividades da cultura e do espírito) ou da barbárie (com o desemprego e a intensificação de conflitos). Maior o poder criativo, maior o poder destrutivo.
O que estamos vendo não é erro nem acidente. Ao vencer os adversários, o sistema pôde buscar a sua forma mais pura, mais plena e mais essencial, com ampla predominância da acumulação D - D". Abandonou as mediações de que necessitava no período anterior, quando contestações, internas e externas, o amarravam. Libertou-se. Floresceu. Os resultados estão aí. Mais uma vez, os Estados tentarão salvar o capitalismo da ação predatória dos capitalistas.
Karl Marx manda lembranças.
Cesar Benjamin, 53, editor da Editora Contraponto e doutor honoris causa da Universidade Bicentenária de Aragua (Venezuela), é autor de "Bom Combate" (Contraponto, 2006).
ENTREVISTA: ERIC HOBSBAWM
A crise do capitalismo e a importância atual de Marx
Marcello Musto - Sin Permiso
Em entrevista a Marcello Musto, o historiador Eric Hobsbawm analisa a atualidade da obra de Marx e o renovado interesse que vem despertando nos últimos anos, mais ainda agora após a nova crise de Wall Street. E fala sobre a necessidade de voltar a ler o pensador alemão: “Marx não regressará como uma inspiração política para a esquerda até que se compreenda que seus escritos não devem ser tratados como programas políticos, mas sim como um caminho para entender a natureza do desenvolvimento capitalista”.
Eric Hobsbawm é considerado um dos maiores historiadores vivos. É presidente do Birbeck College (London University) e professor emérito da New School for Social Research (Nova Iorque). Entre suas muitas obras, encontra-se a trilogia acerca do “longo século XIX”: “A Era da Revolução: Europa 1789-1848” (1962); “A Era do Capital: 1848-1874” (1975); “A Era do Império: 1875-1914 (1987) e o livro “A Era dos Extremos: o breve século XX, 1914-1991 (1994), todos traduzidos em vários idiomas. Entrevistamos o historiador por ocasião da publicação do livro “Karl Marx’s Grundrisse. Foundations of the Critique of Political Economy 150 Years Later” (Os Manuscritos de Karl Marx. Elementos fundamentais para a Crítica da Economia Política, 150 anos depois).
Nesta conversa, abordamos o renovado interesse que os escritos de Marx vêm despertando nos últimos anos e mais ainda agora após a nova crise de Wall Street. Nosso colaborador Marcello Musto entrevistou Hobsbawm para Sin Permiso.
Marcello Musto: Professor Hobsbawm, duas décadas depois de 1989, quando foi apressadamente relegado ao esquecimento, Karl Marx regressou ao centro das atenções. Livre do papel de intrumentum regni que lhe foi atribuído na União Soviética e das ataduras do “marxismo-leninismo”, não só tem recebido atenção intelectual pela nova publicação de sua obra, como também tem sido objeto de crescente interesse. Em 2003, a revista francesa Nouvel Observateur dedicou um número especial a Marx, com um título provocador: “O pensador do terceiro milênio?”. Um ano depois, na Alemanha, em uma pesquisa organizada pela companhia de televisão ZDF para estabelecer quem eram os alemães mais importantes de todos os tempos, mais de 500 mil espectadores votaram em Karl Marx, que obteve o terceiro lugar na classificação geral e o primeiro na categoria de “relevância atual”. Em 2005, o semanário alemão Der Spiegel publicou uma matéria especial que tinha como título “Ein Gespenst Kehrt zurük” (A volta de um espectro), enquanto os ouvintes do programa “In Our Time” da rádio 4, da BBC, votavam em Marx como o maior filósofo de todos os tempos. Em uma conversa com Jacques Attali, recentemente publicada, você disse que, paradoxalmente, “são os capitalistas, mais que outros, que estão redescobrindo Marx” e falou também de seu assombro ao ouvir da boca do homem de negócios e político liberal, George Soros, a seguinte frase: “Ando lendo Marx e há muitas coisas interessantes no que ele diz”. Ainda que seja débil e mesmo vago, quais são as razões para esse renascimento de Marx? É possível que sua obra seja considerada como de interesse só de especialistas e intelectuais, para ser apresentada em cursos universitários como um grande clássico do pensamento moderno que não deveria ser esquecido? Ou poderá surgir no futuro uma nova “demanda de Marx”, do ponto de vista político?
Eric Hobsbawm: Há um indiscutível renascimento do interesse público por Marx no mundo capitalista, com exceção, provavelmente, dos novos membros da União Européia, do leste europeu. Este renascimento foi provavelmente acelerado pelo fato de que o 150° aniversário da publicação do Manifesto Comunista coincidiu com uma crise econômica internacional particularmente dramática em um período de uma ultra-rápida globalização do livre-mercado.
Marx previu a natureza da economia mundial no início do século XXI, com base na análise da “sociedade burguesa”, cento e cinqüenta anos antes. Não é surpreendente que os capitalistas inteligentes, especialmente no setor financeiro globalizado, fiquem impressionados com Marx, já que eles são necessariamente mais conscientes que outros sobre a natureza e as instabilidades da economia capitalista na qual eles operam.
A maioria da esquerda intelectual já não sabe o que fazer com Marx. Ela foi desmoralizada pelo colapso do projeto social-democrata na maioria dos estados do Atlântico Norte, nos anos 1980, e pela conversão massiva dos governos nacionais à ideologia do livre mercado, assim como pelo colapso dos sistemas políticos e econômicos que afirmavam ser inspirados por Marx e Lênin. Os assim chamados “novos movimentos sociais”, como o feminismo, tampouco tiveram uma conexão lógica com o anti-capitalismpo (ainda que, individualmente, muitos de seus membros possam estar alinhados com ele) ou questionaram a crença no progresso sem fim do controle humano sobre a natureza que tanto o capitalismo como o socialismo tradicional compartilharam. Ao mesmo tempo, o “proletariado”, dividido e diminuído, deixou de ser crível como agente histórico da transformação social preconizada por Marx.
Devemos levar em conta também que, desde 1968, os mais proeminentes movimentos radicais preferiram a ação direta não necessariamente baseada em muitas leituras e análises teóricas. Claro, isso não significa que Marx tenha deixado de ser considerado como um grande clássico e pensador, ainda que, por razões políticas, especialmente em países como França e Itália, que já tiveram poderosos Partidos Comunistas, tenha havido uma apaixonada ofensiva intelectual contra Marx e as análises marxistas, que provavelmente atingiu seu ápice nos anos oitenta e noventa. Há sinais agora de que a água retomará seu nível.
Marcello Musto: Ao longo de sua vida, Marx foi um agudo e incansável investigador, que percebeu e analisou melhor do que ninguém em seu tempo o desenvolvimento do capitalismo em escala mundial. Ele entendeu que o nascimento de uma economia internacional globalizada era inerente ao modo capitalista de produção e previu que este processo geraria não somente o crescimento e prosperidade alardeados por políticos e teóricos liberais, mas também violentos conflitos, crises econômicas e injustiça social generalizada. Na última década, vimos a crise financeira do leste asiático, que começou no verão de 1997; a crise econômica Argentina de 1999-2002 e, sobretudo, a crise dos empréstimos hipotecários que começou nos Estados Unidos em 2006 e agora tornou-se a maior crise financeira do pós-guerra. É correto dizer, então, que o retorno do interesse pela obra de Marx está baseado na crise da sociedade capitalista e na capacidade dele ajudar a explicar as profundas contradições do mundo atual?
Eric Hobsbawm: Se a política da esquerda no futuro será inspirada uma vez mais nas análises de Marx, como ocorreu com os velhos movimentos socialistas e comunistas, isso dependerá do que vai acontecer no mundo capitalista. Isso se aplica não somente a Marx, mas à esquerda considerada como um projeto e uma ideologia política coerente. Posto que, como você diz corretamente, a recuperação do interesse por Marx está consideravelmente – eu diria, principalmente – baseado na atual crise da sociedade capitalista, a perspectiva é mais promissora do que foi nos anos noventa. A atual crise financeira mundial, que pode transformar-se em uma grande depressão econômica nos EUA, dramatiza o fracasso da teologia do livre mercado global descontrolado e obriga, inclusive o governo norte-americano, a escolher ações públicas esquecidas desde os anos trinta.
As pressões políticas já estão debilitando o compromisso dos governos neoliberais em torno de uma globalização descontrolada, ilimitada e desregulada. Em alguns casos, como a China, as vastas desigualdades e injustiças causadas por uma transição geral a uma economia de livre mercado, já coloca problemas importantes para a estabilidade social e mesmo dúvidas nos altos escalões de governo. É claro que qualquer “retorno a Marx” será essencialmente um retorno à análise de Marx sobre o capitalismo e seu lugar na evolução histórica da humanidade – incluindo, sobretudo, suas análises sobre a instabilidade central do desenvolvimento capitalista que procede por meio de crises econômicas auto-geradas com dimensões políticas e sociais. Nenhum marxista poderia acreditar que, como argumentaram os ideólogos neoliberais em 1989, o capitalismo liberal havia triunfado para sempre, que a história tinha chegado ao fim ou que qualquer sistema de relações humanas possa ser definitivo para todo o sempre.
Marcello Musto: Você não acha que, se as forças políticas e intelectuais da esquerda internacional, que se questionam sobre o que poderia ser o socialismo do século XXI, renunciarem às idéias de Marx, estarão perdendo um guia fundamental para o exame e a transformação da realidade atual?
Eric Hobsbawm: Nenhum socialista pode renunciar às idéias de Marx, na medida que sua crença em que o capitalismo deve ser sucedido por outra forma de sociedade está baseada, não na esperança ou na vontade, mas sim em uma análise séria do desenvolvimento histórico, particularmente da era capitalista. Sua previsão de que o capitalismo seria substituído por um sistema administrado ou planejado socialmente parece razoável, ainda que certamente ele tenha subestimado os elementos de mercado que sobreviveriam em algum sistema pós-capitalista. Considerando que Marx, deliberadamente, absteve-se de especular acerca do futuro, não pode ser responsabilizado pelas formas específicas em que as economias “socialistas” foram organizadas sob o chamado “socialismo realmente existente”. Quanto aos objetivos do socialismo, Marx não foi o único pensador que queria uma sociedade sem exploração e alienação, em que os seres humanos pudessem realizar plenamente suas potencialidades, mas foi o que expressou essa idéia com maior força e suas palavras mantêm seu poder de inspiração.No entanto, Marx não regressará como uma inspiração política para a esquerda até que se compreenda que seus escritos não devem ser tratados como programas políticos, autoritariamente ou de outra maneira, nem como descrições de uma situação real do mundo capitalista de hoje, mas sim como um caminho para entender a natureza do desenvolvimento capitalista. Tampouco podemos ou devemos esquecer que ele não conseguiu realizar uma apresentação bem planejada, coerente e completa de suas idéias, apesar das tentativas de Engels e outros de construir, a partir dos manuscritos de Marx, um volume II e III de “O Capital”. Como mostram os “Grundrisse”, aliás. Inclusive, um Capital completo teria conformado apenas uma parte do próprio plano original de Marx, talvez excessivamente ambicioso. Por outro lado, Marx não regressará à esquerda até que a tendência atual entre os ativistas radicais de converter o anti-capitalismo em anti-globalização seja abandonada. A globalização existe e, salvo um colapso da sociedade humana, é irreversível. Marx reconheceu isso como um fato e, como um internacionalista, deu as boas vindas, teoricamente. O que ele criticou e o que nós devemos criticar é o tipo de globalização produzida pelo capitalismo.
Marcello Musto: Um dos escritos de Marx que suscitaram o maior interesse entre os novos leitores e comentadores são os “Grundrisse”. Escritos entre 1857 e 1858, os “Grundrisse” são o primeiro rascunho da crítica da economia política de Marx e, portanto, também o trabalho inicial preparatório do Capital, contendo numerosas reflexões sobre temas que Marx não desenvolveu em nenhuma outra parte de sua criação inacabada. Por que, em sua opinião, estes manuscritos da obra de Marx, continuam provocando mais debate que qualquer outro texto, apesar do fato dele tê-los escrito somente para resumir os fundamentos de sua crítica da economia política? Qual é a razão de seu persistente interesse?
Eric Hobsbawm: Desde o meu ponto de vista, os "Grundrisse" provocaram um impacto internacional tão grande na cena marxista intelectual por duas razões relacionadas. Eles permaneceram virtualmente não publicados antes dos anos cinqüenta e, como você diz, contendo uma massa de reflexões sobre assuntos que Marx não desenvolveu em nenhuma outra parte. Não fizeram parte do largamente dogmatizado corpus do marxismo ortodoxo no mundo do socialismo soviético. Mas não podiam simplesmente ser descartados. Puderam, portanto, ser usados por marxistas que queriam criticar ortodoxamente ou ampliar o alcance da análise marxista mediante o apelo a um texto que não podia ser acusado de herético ou anti-marxista. Assim, as edições dos anos setenta e oitenta, antes da queda do Muro de Berlim, seguiram provocando debate, fundamentalmente porque nestes escritos Marx coloca problemas importantes que não foram considerados no “Capital”, como por exemplo as questões assinaladas em meu prefácio ao volume de ensaios que você organizou (Karl Marx's Grundrisse. Foundations of the Critique of Political Economy 150 Years Later, editado por M. Musto, Londres-Nueva York, Routledge, 2008).
Marcello Musto: No prefácio deste livro, escrito por vários especialistas internacionais para comemorar o 150° aniversário de sua composição, você escreveu: “Talvez este seja o momento correto para retornar ao estudo dos “Grundrisse”, menos constrangidos pelas considerações temporais das políticas de esquerda entre a denúncia de Stalin, feita por Nikita Khruschev, e a queda de Mikhail Gorbachev”. Além disso, para destacar o enorme valor deste texto, você diz que os “Grundrisse” “trazem análise e compreensão, por exemplo, da tecnologia, o que leva o tratamento de Marx do capitalismo para além do século XIX, para a era de uma sociedade onde a produção não requer já mão-de-obra massiva, para a era da automatização, do potencial de tempo livre e das transformações do fenômeno da alienação sob tais circunstâncias. Este é o único texto que vai, de alguma maneira, mais além dos próprios indícios do futuro comunista apontados por Marx na “Ideologia Alemã”. Em poucas palavras, esse texto tem sido descrito corretamente como o pensamento de Marx em toda sua riqueza. Assim, qual poderia ser o resultado da releitura dos “Grundrisse” hoje?
ric Hobsbawm: Não há, provavelmente, mais do que um punhado de editores e tradutores que tenham tido um pleno conhecimento desta grande e notoriamente difícil massa de textos. Mas uma releitura ou leitura deles hoje pode ajudar-nos a repensar Marx: a distinguir o geral na análise do capitalismo de Marx daquilo que foi específico da situação da sociedade burguesa na metade do século XIX. Não podemos prever que conclusões podem surgir desta análise. Provavelmente, somente podemos dizer que certamente não levarão a acordos unânimes.
Marcello Musto: Para terminar, uma pergunta final. Por que é importante ler Marx hoje?
Eric Hobsbawm: Para qualquer interessado nas idéias, seja um estudante universitário ou não, é patentemente claro que Marx é e permanecerá sendo uma das grandes mentes filosóficas, um dos grandes analistas econômicos do século XIX e, em sua máxima expressão, um mestre de uma prosa apaixonada. Também é importante ler Marx porque o mundo no qual vivemos hoje não pode ser entendido sem levar em conta a influência que os escritos deste homem tiveram sobre o século XX. E, finalmente, deveria ser lido porque, como ele mesmo escreveu, o mundo não pode ser transformado de maneira efetiva se não for entendido. Marx permanece sendo um soberbo pensador para a compreensão do mundo e dos problemas que devemos enfrentar.
Tradução para Sin Permiso (inglês-espanhol): Gabriel Vargas Lozano
Tradução para Carta Maior (espanhol-português): Marco Aurélio Weissheimer


NAVEGAR É PRECISO

Blog do Nassif - http://www.projetobr.com.br/web/blog?entryId=9100

O diagnóstico de Conceição Pode-se discordar do pensamento de Maria Conceição Tavares. Mas suas avaliações sobre as grandes crises mundiais são imbatíveis. Uma capacidade única de identificar os pontos relevantes de análise

2. Site da Agência Carta Maiorwww.cartamaior.com.br
Por Isabel Loureiro
No mês da mulher, uma figura singular na sociedade imperial alemã, dominada pelo autoritarismo e o patriarcalismo que contaminavam a própria esquerda da época leia

5. Blog Tamos com Raivawww.tamoscomraiva.com.br
1. Caso Novo Jornal
Exclusivo - A redação do portal de notícias mineiro foi arrombada e documentos e computadores foram roubados. Veja as fotos.

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O jornalista José de Souza Castro se despede do Tamos com Raiva com um último artigo sobre o novo centro administrativo de Aécio.

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Conheça várias ferramentas disponíveis para saber se seu candidato está limpinho.

6. Site da Revista de Historia da BNwww.revistadehistoria.com.br
Autor da biografia censurada sobre Roberto Carlos, Paulo César de Araújo comenta sua pesquisa sobre a produção de música brega durante o governo militar.
Okupar é resistir
Originário da contra-cultura dos anos 60, o movimento squatter ganhou o mundo com seus ideais de solidariedade e afronta aos valores do sistema capitalista.
Cem latinos ilustres
Eleição escolhe os personagens mais influentes da cultura latino-americana
Três não é demais
Iphan anuncia ação integrada de tombamento de três patrimônios históricos no Piauí
Chaminés abandonadas
Pesquisadora indiana comenta sobre os processos de desindustrialização e o enfraquecimento da classe trabalhadora
Identidade eslava
Curadora do Museu Nacional de Belas Artes comenta vida e obra de Andy Warhol
Arquivos na rede
Google anuncia plano de digitalização de jornais antigos

VALE A PENA LER

1. Especial Caros Amigos – O golpe de 64 – Edição dedicada à juventude que deseja conhecer em detalhes esse episódio trágico da história política brasileira.

2. Nas bancas Arquivos Historia Viva n.2 – Os melhores textos sobre a Segunda Guerra Mundial –
Desde a ascensão dos nazistas, passando pelo pacto entre Stalin e Hitler, a invasão da França, a espionagem soviética, a luta suicida dos kamikazes, a resistência alemã, o holocausto, a queda de Berlim, a luta dos pracinhas na Europa até Nazistas e fascistas no Brasil.

3. Nas bancas a revista Leituras da Historia n.12.
O poder das Farc
Quixote contra a ignorância
Entrevista com Alexander Zherbit
Nanotecnologia
Assombrações em Diamantina


NOTICIAS

1. Concurso para professor e pesquisador em Sociologia/USP
O Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP) abre o prazo de inscrição para uma vaga de professor doutor de Sociologia, em regime de dedicação integral 'a docência e ' pesquisa, ate' 1/12/2008. O salário e' de 6.325,31 reais. Mais informações e o edital completo em http://www.ieb.usp.br.
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2. Concurso ANPOCS-FORD - Trabalhos Sobre a Constituição de 1988
Foi divulgado o edital para o Concurso ANPOCS - Fundação FORD de melhores trabalhos sobre a Constituição de 1988. Podem participar professores, pesquisadores e alunos de Centros e Programas afiliados 'a ANPOCS. O concurso contempla todos os temas da vida brasileira que são afetados pela Constituição: poderes executivo, legislativo e judiciário, direitos humanos, sociais, politicos e civis, terras indigenas, quilombos, crianças, idosos, familia, gênero, sexualidade, direitos reprodutivos, diversidade cultural e etnica, discriminação racial, meio ambiente, acesso 'a saude e 'a educação etc. As inscrições vão ate' 28/2/2009. Mais informações em http://www.anpocs.org.br/portal/images//editalconcursoffconst2008.pdf
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3. Premio Construindo a Igualdade de Gênero
Estão abertas, ate' 31/10/2008, as inscrições para a 4a edição do Premio Construindo a Igualdade de Gênero. Podem participar estudantes do ensino médio, de graduação e de pós-graduação. Os prêmios para estudantes de graduação são 5 mil reais e bolsas de Iniciação Cientifica, enquanto que os já graduados serão premiados com 10 mil reais e bolsas de Mestrado ou Doutorado do CNPq. Mais informações em http://portal.cnpq.br/portal/page/portal/CNPq/premioIgualdadeGenero.
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4. Seleção pós-graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo/NEIM-UFBA
O Programa de pós-graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo abre 10 vagas para mestrado e 5 para doutorado, sendo três as linhas de pesquisa: Gênero, identidade e cultura; Gênero, saúde e trabalho; Gênero, poder e políticas publicas. As inscrições vão de 10 a 19/11/2008 e o período de seleção e' de 25/11 a 13/12/2008. Mais informações em http://www.neim.ufba.br/site/agenda.php?ID=78.
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5. V Simpósio Estado e Poder: Hegemonia/UFF
O Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Estado e Poder no Brasil(UFF), o Grupo de Estudos Intelectuais e a Nação (UERJ-FFP) e o Laboratório de Historia Econômica e política (Polis-UFF) promovem o V Simpósio Estado e Poder: Hegemonia, de 7 a 10/10/2008. O evento será composto por mesas redondas, conferencias e comunicações coordenadas. Mais informações em http://www.simposiohegemonia.pro.br.
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6. Simpósio Internacional "A historia da presença britânica na Bahia/Salvador"
O Simpósio internacional "Diplomacia, Economia e Cultura. A historia da presença britânica na Bahia", promovido pela Sociedade da Igreja de São Jorge e o Cemitério Britânico, com a chancela de Embaixada Britânica no Brasil, realizar-se-á entre os dias 3 e 8/11/2008, em Salvador. Mais informações em http://britanicosnabahia.blogspot.com.
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7. Seminário Os vinte anos da Constituição/UFF
O Seminário "Os vinte anos da Constituição" acontecera' entre os dias 6 e 10/10/2008, no Salão Nobre da Faculdade de Direito, Niteroi-RJ (rua Presidente Pedreira, 62, Ingá). Mais informações em http://www.uff.br. ou através dos tel.: (21) 2629-9642 / 2629-9633.
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8. Conferencia e curso/João Pereira Coutinho-
O Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS) divulgou o curso "A Literatura da Política", de João Pereira Coutinho, a ocorrer nos dias 23, 24, 28 a 31/10/08, das 19h30 'as 22hs. O curso se baseara' nos seguintes Autores: Michael Oakeshott, Francis Bacon, Michel de Montaigne, Edmund Burke, William Shakespeare, Isaiah Berlin, Ivan Turgeniev, Raymond Aron e Jean-Paul Sartre, Bernard Williams, Paul Gauguin e Joseph Conrad. A carga horária e' de 15 horas e o valor do curso se divide em três parcelas de 270 reais. Mais informações em http://www.ceu.org.br/novo/evento_view.php?id=10.
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- O IICS promove também uma palestra de João Pereira Coutinho, intitulada "O espírito conservador", dia 22/10/2008 (quarta-feira), das 19h30m 'as 22 horas. A entrada e' franca. O IICS fica na Rua Maestro Cardim, 370 (Metro São Joaquim) - Bela Vista, São Paulo. Mais informações em http://www.ceu.org.br/novo/evento_view.php?id=13.
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9. Lançamento de livros
- Será lançado o livro de Paulo Fontes (CPDOC), "Um Nordeste em São Paulo - Trabalhadores migrantes em São Miguel Paulista (1945-66)", Editora FGV, nos dias 30/9 e 2/10/2008, das 18h30m 'as 21h30m, em São Paulo (Livraria da Vila - Rua Fradique Coutinho, 915 ¿ Vila Madalena, São Paulo e Rua Arlindo Colaco, 31 - São Miguel Paulista, respectivamente) e dia 8/10/2008, a partir das 18h30m, na Livraria FGV - Praia de Botafogo, 190 ¿ Botafogo, Rio de Janeiro. Mais informações em http://www.fgv.br/editora.
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- A Editora FGV e a Livraria Argumento convidam para o lançamento do livro "1968: a paixão de uma utopia", de Daniel Aarão Reis e Pedro de Moraes, dia 30 de setembro (terça-feira), a partir das 19 horas. A Livraria Argumento fica na Rua Dias Ferreira, 417 - Leblon - Rio de Janeiro.
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- "Segurança publica, direitos humanos e violência" (Editora Multifoco), organizado por Rafael Fortes. O livro traz entrevistas exclusivas com Cecília Coimbra, Chico Alencar, Ignácio Cano, João Tancredo, Julita Lemgruber, Marcelo Freixo, Marcelo Salles, Paulo Ramos e Vera Malaguti Batista; e artigos de Jose Arbex Jr., Leonardo Sakamoto, Maria Helena Moreira Alves, Mario Maestri e Rafael Fortes. O prefacio e' de João Luiz Duboc Pinaud. Mais informações pelo tel.: (21) 2222-3034, da assessoria de imprensa.
==================
- "Sujeitos e objetos do sucesso. Antropologia do Brasil emergente" (Coleção Cultura e Economia), de Diana Nogueira de Oliveira Lima.
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- "Estudos de Grupos Dirigentes no Rio Grande do Sul: algumas contribuições recentes", uma investigação sobre elites políticas, jurídicas, culturais e eclesiásticas, organizado por Odaci L. Coradini e editado pela UFRGS Editora.
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- "A escolha racional como teoria social e política: uma interpretação critica" (Topbooks, 2008), livro de Bruno Sciberras de Carvalho.
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- "Favela&cidade" (Nápoles: Giannini Editore, 2008), escrito por 9 brasileiros e 2 italianos: Pablo Benetti, Maria Julieta Nunes, Luciana da Silva Andrade, Ricardo Esteves, Eliana Sousa Silva, Jailson de Souza e Silva, Geronimo Leitao, Edmilson Brito Rodrigues, Cristóvão Fernandes Duarte, Massimo Sciarretta e Francesco Lucarelli.
==================
- De João Jose Reis, "Domingos Sodré, um sacerdote africano: escravidão, liberdade e candomblé na Bahia no Século XIX", Editora Companhia das Letras, 2008.
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- "Historia, ciência e infância - narrativas profissionais no contexto de singularizarão da pediatria como especialidade", de Junia Sales Pereira. Belo Horizonte: Editora Argvmentvm, 2008.
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10. Revista/Chamada de artigos
- A Liinc em Revista (UFRJ/IBICT) abre chamada de artigos para seu próximo dossiê, sobre a Inclusão Digital em seus diferentes aspectos e desdobramentos, coordenado por Maria Conceição da Costa (DPCT/Unicamp), que será' publicado em marco de 2009 (volume 5, numero 1). O prazo acaba em 5/1/2009. Mais informações em http://revista.ibict.br/liinc.
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11. Seleção para Mestrado/UEL
O Programa de pós-graduação em Historia Social da Universidade Estadual de Londrina abre inscrições para 25 vagas de Mestrado ate' 24/10/2008. As linhas de pesquisa são as seguintes: Territórios do político; Culturas, representações e religiosidades; Historia e Ensino. Mais informações em http://www2.uel.br/cch/his/mesthis.
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12 I Simpósio Perspectivas em Historia Social/UEL
Estão abertas, ate' 21/10, as inscrições para ouvintes do I Simpósio Perspectivas em Historia Social. O evento, que ocorrera' de 21 a 23/10/2008, esta' organizado em mesas redondas, comunicações de pesquisa, conferencias e lançamento de livros. Mais informações em http://www2.uel.br/cch/his/mesthis.
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13. X Seminário de Historia da Cidade e do Urbanismo/Recife
Os Programas de pós-graduação em Desenvolvimento Urbano da UFPE, em Arquitetura e Urbanismo da UFRN, em Engenharia Urbana e Ambiental da UFPB, o Mestrado em Dinâmicas do Espaço Habitado da UFAl e o Centro de Estudos da Conservação Integrada promovem o X Seminário de Historia da Cidade e do Urbanismo, cuja temática central e' "Cidade, território e urbanismo. Heranças e inovações". O evento, que ocorrera' entre os dias 8 e 10/10/2008, será organizado de acordo com as seguintes sessões temáticas: Transformações e permanências da cidade e do território; Temporalidades do urbanismo e planejamento urbano; Representações da cidade e do território. Mais informações em http://www.ufpe.br/xshcu. #########################
14. Debate Brasil de 1958/UFPR
O Núcleo de Estudos Futebol e Sociedade, da linha de pesquisa "Intersubjetividade e pluralidade: reflexões e sentimentos na Historia", do Programa de pós-graduação em Historia da UFPR convida para um debate sobre o ano de 1958 no Brasil, abrangendo temas como: musica popular brasileira, arquitetura moderna, artes plásticas e futebol. O evento será realizado na Rua General Carneiro, 460, 6o andar - Curitiba, no período de 7 a 9/10/2008. A taxa de inscrição e' de 5 reais. Mais informações pelo tel.: (41) 3360-5086 / 3360-5105 ou em http://www.ufpr.br.

INFORME ANPUH – OUTUBRO

EVENTOS

I FORUM ESTADUAL SOCIEDADE, HISTÓRIA, EDUCAÇÃO E MÍDIA
Fortaleza/CE - 1, 2 e 3 de outubro de 2008 - Auditório do Centro Cultural Dragão do Mar Inscrições gratuitas: forumestadualshem@gmail.com
SEMINÁRIO 1968, PARA NÃO ESQUECER
6 a 8 de outubro de 2008 Local: Auditório Sônia Viegas (FAFICH) Inscrições: De 25/09/2008 a 03/10/2008 no site http://www.fafich.ufmg.br/ppghis
V JORNADA DE ENSINO DE HISTÓRIA
Universidade Estadual do Norte do Paraná - 06 a 10 de outubro de 2008 Inscrições de 20 de agosto a 26 de setembro de 2008. www.jornadadehistoria.info
1° CONGRESSO SERGIPANO DE HISTÓRIA – História e Memória
Período: 8 a 10 de Outubro Local: Auditório do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe
Informações: http://se.anpuh.org/congresso
2° GT NACIONAL DE HISTÓRIA DAS RELIGIÕES
Tolerância e Intolerância nas Manifestações Religiosas Período: 13 a 16 de outubro de 2008 - Local: UNESP/ Campus de Franca-SP Informações: http://www.franca.unesp.br/gth/index.php
IV SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTORIA CULTURAL
Sensibilidades e sociabilidades Período: 13 a 17 de outubro de 2008 Local: Goiânia/GO Informações: www.historiacultural2008.ucq.br
I SPHS – PRIMEIRO SIMPÓSIO PERSPECTIVAS EM HISTÓRIA SOCIAL
21 a 23 de outubro de 2008 Centro de Letras e Ciências Humanas. PPGHS – Programa de Pós-Graduaçao em História Social da Universidade Estadual de Londrina http://www2.uel.br/cch/his/mesthis/ item eventos.
I SIMPÓSIO DE ORALIDADE E MEMÓRIA SOCIAL
Experiências Teórico-Metodológicas Período: 22 a 24 de outubro de 2008 Local: Universidade Federal do Ceará Inscrições: simposiooralidade@hotmail.com
XIII ENCONTRO ESTADUAL DE HISTÓRIA DA PARAÍBA
Período: 28 a 31 de outubro de 2008 Local: Guarabira/PB Informações: anpuhpb2008@gmail.com
XI CIDADE REVELADA - ENCONTRO SOBRE PATRIMÔNIO CULTURAL
III Fórum Nacional de Conselhos de Patrimônio Cultural
Período: 04 a 07 de novembro de 2008 - Local: Itajaí – SC
Informações: cidaderevelada@itajai.sc.gov.br
COLÓQUIO INTERNACIONAL JOSÉ ORTGEGA Y GASSET
Colóquio Internacional José Ortega y Gasset e a singularidade ibérica: leituras da sua obra no mundo contemporâneo 11 e 12 de novembro de 2008 - Núcleo de Estudos Ibéricos/UNIFESP Instituto Cervantes/São Paulo
II SEMINÁRIO NACIONAL DE ESTUDOS DE HISTÓRIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRAS
120 Anos de Abolição: Desafios e Perspectivas na Construção da Cidadania 17 a 20 de novembro de 2008 Campus I da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) Centro de Educação (Ceduc I) - Campina Grande – Paraíba http://neabi.uepb.edu.br/eventos/2seminario_nacional/
IV ENCONTRO DE HISTÓRIA DA ARTE
A Arte e a História da Arte entre a Produção e a Reflexão - Campinas, 1 a 5 de Dezembro de 2008 Programa de Pós-Graduação em História da Arte Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas IFCH/UNICAMPInscrições de trabalhos: até 15 de Outubro de 2008 para os estrangeiros e 1 de Outubro de 2008 para os residentes no país [exclusivamente via email]. Homepage do Encontro: http://ivehaunicamp.wordpress.com/ Email do Encontro: ivehaunicamp@gmail.com
III SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE RELIGIOSIDADES, DIÁLOGOS CULTURAIS E HIBRIDAÇÕES
Período: 21 a 24 de abril de 2009 Local: Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Campo Grande - Recebimento de propostas para Simpósios Temáticos até 30 de setembro de 2008
Informações: http://www.simposioreligioes.ufms.br
O SÉCULO XIX E AS NOVAS FRONTEIRAS DA ESCRAVIDÃO E DA LIBERDADE10 a 14 de agosto de 2009 Segunda Chamada Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro) e Universidade Severino Sombra (Vassouras)
REVISTAS – LANÇAMENTOS E CHAMADAS DE ARTIGOS
REVISTA PERCURSOS - publicação do Centro de Ciências Humanas e da Educação – FAED/UDESC Lançamento do Volume 8, número 1, 2007. www.periodicos.udesc.br/percursos/ojs
REVISTA TEMPO E ARGUMENTO - Publicação do Programa de Pós-Graduação em História – História do Tempo Presente da UDESC - Chamada para contribuições na forma de artigos, resenhas, fontes do tempo presente e traduções para lançamento da primeira edição da revista eletrônica www.tempoeargumento.faed.udesc.br
REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE E ARQUEOLOGIA
A Revista de História da Arte e Arqueologia receberá até o dia 15 de dezembro de 2008 propostas de artigos, referências, documentos, resenhas e informes para a publicação de seus próximos números: 11 e 12. As propostas devem ser encaminhadas para este e-mail, rhaaunicamp@gmail.com. Informações sobre as normas de publicação em http://www.unicamp.br/chaa/rhaa. Em anexo, encaminhamos o sumário das edições 9 e 10, em breve disponíveis para aquisição no link http://www.ifch.unicamp.br/pub/area.php?texto=pesquisa&id_serie=13.
REVISTA MUNDOS DO TRABALHO
O GT Mundos do Trabalho - ANPUH lança chamada de trabalhos para o número inaugural da Revista Mundos do Trabalho. Os trabalhos deverão ser enviados até o dia 20/10/2008. Mais informações consultar: http://www.ifch.unicamp.br/mundosdotrabalho/ ou http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/mundosdotrabalho
REVISTA HISTÓRIA - UNESP
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” Próximos dossiês e datas limites para envio de contribuições:
Patrimônio Histórico (v.27 n.2-2008): até 15 de setembro
Império Português (v.28 n.1-2009): até 31 de março de 2009.
História, Direito e Justiça (V.28 n.2 - 2009): até 31 de agosto de 2009.
Além de material para os dossiês a revista recebe também colaborações sobre outros temas historiográficos.
Normas para publicação disponíveis no site do SCIELO http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_serial&pid=0101-9074&lng=en&nrm=iso Envio de contribuições para: revistahistoria@unesp.br
REVISTA ANOS 90
Revista ANOS 90 número 26 - versão impressa e digital - Programa de Pós-Graduação em História da UFRGS - Dossiê História e Memória. - A revista também está no Portal de Periódicos da CAPES. www.ufrgs.br/ppghist/anos90.htm

REVISTA DOMÍNIOS DA IMAGEM
Laboratório de Estudos dos Domínios da Imagem na História (LEDI) Departamento de História da Universidade Estadual de Londrina http://www2.uel.br/cch/his/dominiosdaimagem/index.htm
REVISTA URBANA
Lançamento do número 2 da revista eletrônica do CIEC (Centro Interdicisplinar de Estudos sobre a Cidade)IFCH – Unicamp http://www.ifch.unicamp.br/ciec/revista/index.php
REVISTA OUTROS TEMPOS
Revista Outros Tempos v.5, nº5, 2008 (Dossiê História da América)
Publicação eletrônica semestral do curso de História Universidade Estadual do Maranhão
www.outrostempos.uema.br
REVISTA ARTCULTURA
Lançada ArtCultura: Revista de História, Cultura e Arte n. 14 Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal de Uberlândia. Nessa edição, um texto de Marshall Berman e os dossiês Relações de Gênero & Artes Política, Arte & Cultura no Brasil (Anos 1940-1970). www.artcultura.inhis.ufu.br artcultura@inhis.ufu.br
Visite o website da ANPUH NACIONAL - www.anpuh.org
Filie-se! É sua participação que faz nossa Associação Nacional de Historiadores crescer.










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