Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

27.1.09

Numero 173




A matéria principal de hoje vem do site da Agência Carta Maior e se refere ao Forum Social Mundial, que estará reunido em Belem (do Pará), de 27 de janeiro a 1º de fevereiro.
Nas seções fixas, bons livros recém-lançados. Mais noticias sobre o FSM nos sites da Carta Maior e do Brasil de Fato. Obama, Gaza, a crise atual. Um novo blog voltado para o Brasil Colônia e a ação da Inquisição.
Bom proveito!



Atraso se mudou para Davos. A chance de futuro visita Belém
Quando o FSM nasceu, como contraponto ao Fórum Econômico Mundial de Davos, a globalização ainda era cantada em prosa e verso e, seus críticos, taxados de anacrônicos, inimigos da tecnologia e malucos. Oito anos depois, os mantras neoliberais não só perderam força como estão cobertos hoje por pesadas nuvens de suspeição e descrédito. O novo, como se sabe mais do que nunca neste início de 2009, estará reunido em Belém, de 27 de janeiro a 1º de fevereiro, no Fórum Social Mundial.
Marco Aurélio Weissheimer e Clarissa Pont

Belém vive, de um modo muito peculiar, o ambiente que Porto Alegre conheceu em 2001, quando recebeu pela primeira vez o Fórum Social Mundial. Há, por certo, diferenças importantes. Uma delas não é um detalhe: o mundo mudou. Quando o FSM nasceu, como contraponto ao Fórum Econômico Mundial de Davos, a globalização ainda era cantada em prosa e verso e, seus críticos, taxados de anacrônicos, inimigos da tecnologia e malucos. Na época, o então presidente Fernando Henrique Cardoso chegou a escrever um artigo chamando os organizadores e participantes do Fórum de “ludistas” (numa alusão ao movimento dos trabalhadores ingleses no início do século XIX, que destruíam máquinas por temer perderem o emprego para elas).
Os supostos avanços da globalização dos mercados eram apresentados como inevitáveis e necessários para a prosperidade das nações. Oito anos depois, os mantras neoliberais não só perderam força como estão cobertos hoje por pesadas nuvens de suspeição e descrédito. De 2001 a 2009, o otimismo e a euforia dos mercados transformaram-se em angústia e lamento.
Há, portanto, um ambiente de novidade que cerca o FSM 2009. O mundo mudou, afinal. E há uma grande novidade também para os paraenses que recebem pela primeira vez o Fórum. Pelos hotéis, ruas e restaurantes de Belém, começa-se a ouvir o inglês, o francês, o alemão, entre outras línguas. Essa polifonia, porém, não chega a ser novidade em um Estado em que se falam 60 idiomas. A Amazônia poliglota vai se encontrar com as outras línguas e pedaços do mundo. E vice-versa.
Vozes conservadoras da cidade, assim como ocorreu em Porto Alegre, em 2001, falam na possibilidade do caos tomar conta de Belém. Há, sem dúvida, uma dimensão caótica no FSM, mas se trata de um caos extremamente criativo. Uma das maiores expressões dessa criatividade é a capacidade que o Fórum teve, desde 2001, de antecipar diagnósticos e análises que acabaram sendo confirmadas pela realidade. O descontrole dos mercados, a enlouquecida e enlouquecedora livre circulação do capital financeiro, a destruição ambiental pela mercantilizaçao do mundo, a crise energética e a crescente militarização da agenda política das nações são alguns exemplos.
Belém terá a oportunidade de presenciar e formular algumas das primeiras grandes sínteses da esquerda mundial sobre as crises que marcam o início de 2009: crises econômica, política, ambiental e energética. E isso num ambiente mundial bastante diferente daquele que marcou o nascimento do Fórum. Essa novidade, por si só, já representa um grande desafio para o movimento que, ao recusar as políticas e princípios da globalização neoliberal, lançou idéias e propostas que hoje já não recebem o rótulo de anacrônicas. O anacronismo, hoje, se mudou para as montanhas frias de Davos.
As vozes da Amazônia
O novo, como se sabe mais do que nunca neste início de 2009, estará reunido em Belém, de 27 de janeiro a 1º de fevereiro. Durante seis dias, milhares de pessoas estarão reunidas na região amazônica para o debate, a reflexão, a formulação de propostas, a troca de experiências e a articulação entre organizações e movimentos engajados em ações concretas, do nível local ao internacional, pela construção de um mundo, mais solidário, democrático e justo.
As vozes, cores, línguas e sons da Amazônia, os povos originários e tradicionais, indígenas, quilombolas, ribeirinhos e minorias excluídas, serão uma prioridade política no Fórum Social Mundial 2009. Pensando na participação de grupos e organizações destes povos foi criado um Fundo de Solidariedade para garantir a presença em Belém. O fundo é financiado por organizações internacionais e nacionais e ajudará a garantir uma participação equilibrada de organizações e entidades de países que historicamente não faziam parte do processo Fórum.
Em 2009, a mobilização indígena deverá ser a maior da história do Fórum Social Mundial. Belém será destino de cerca de 3 mil indígenas de todo o mundo. Cerca de 27% do território amazônico, formado pelos nove países da Pan Amazônia, é ocupado por terras indígenas e 10% de toda a população da América Latina, o equivalente a 44 milhões de pessoas, é composta por 522 povos tradicionais de diferentes etnias. São crianças e adultos que sofreram perdas irreversíveis provocadas pelo capitalismo neoliberal predatório, impulsionado pela expansão das atividades de empresas multinacionais sobre as reservas indígenas. Essa realidade, assim com a campanha mundial em defesa do planeta, está no centro da agenda destes povos no FSM 2009.
No Peru, por exemplo, das seis mil comunidades que habitam a Amazônia Andina, três mil estão ameaçadas pela exploração mineral realizada por empresas como a multinacional brasileira Vale. Nancy Iza, da Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA), que reúne movimentos indígenas de toda Pan Amazônia, alerta: “A mineração é atualmente o maior e mais grave problema enfrentado pelos povos da região Andina, que além de perder seus territórios já desertificados e improdutivos, onde os leitos de muitos rios foram desviados de seu curso normal, ainda convivem com as doenças provocadas pela substancia tóxica do mercúrio (utilizado na atividade mineral) que contamina o solo e as águas”.
Esse é um exemplo dos debates que a cidade de Belém viverá nos próximos dias. Enquanto isso, os patrocinadores do Fórum de Davos seguirão tentando explicar o que deu errado nos últimos anos. E, sobretudo, tentarão formular teorias para entender como o “novo” tornou-se “arcaico” e como aquilo que era apresentado como “velho” e “inimigo da modernidade” hoje representa a agenda de novidades que podem salvar o planeta de uma crise de proporções ameaçadoras.


Momento de descontração

VALE A PENA LER

1. Novos temas nas aulas de História (Carla Bassanezi Pinsky (org.)
Assuntos como meio ambiente, relações de gênero e direitos humanos têm sido alvo de pesquisas por parte de historiadores há décadas. Porém, permanecem um tanto distantes do que acontece nas aulas de História nos ensinos fundamental e médio. Assim, Novos temas nas aulas de História surge para aproximar a realidade das pesquisas ao conteúdo escolar. Obra fundamental para professores que querem tornar as aulas bem embasadas e mais proveitosas.
224 p. R$ 33,00
Ed Contexto

2. Direitos Humanos no Brasil – Marco Mondaini
Como os direitos humanos deixaram o discurso e passaram à prática no Brasil? Abrangente e bem organizado, o livro aborda desde a expansão dos direitos sociais da década de 1930 até o ano de 1964, passa pela luta pelos direitos civis e políticos no período militar e chega até a universalização dos direitos e a conquista da democracia. Leitura essencial para estudantes das ciências humanas, historiadores, sociólogos, professores e agentes educacionais – e todos os interessados em direitos humanos, cidadania e ética.
144 p. R$ 33,00
Ed. Contexto


NAVEGAR É PRECISO

1. No blog da minha amiga Conceição Oliveira há uma impressionante série de fotografias sobre a Faixa de Gaza. Vejam e leiam:
http://historiaemprojetos.blogspot.com/2009/01/olhe-com-olhos-de-ver-indigne-se-e-no.html
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2. Site do Observatório da Imprensa - http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/

OBAMA PRESIDENTE
A inteligência no poder e o poder da inteligência
Obama construiu uma maioria natural, a mídia percebeu e foi atrás. Obama foi smart – adjetivo abrangente que pode significar inteligente, esperto, sagaz, malicioso e até mesmo elegante (no sentido mais amplo). E a mídia também foi smart, impossível resistir aos apelos da razão, do bom senso, do bom gosto.
Alberto Dines Jornal de Debates
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MÍDIA & POLÍTICA
A imprensa adora uma cirurgia plástica
O antes e depois da ministra Dilma Rousseff foi o grande destaque da semana em todos os jornais, revistas e noticiários de TV. Todo mundo ficou sabendo que a ministra fez cirurgia plástica, trocou os óculos por lente de contato, mudou o corte e a cor do cabelo e perdeu dez quilos.
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JUSTIÇA & VIOLÊNCIA
Matar pode
É estranha a concordância de formadores de opinião e jornalistas com a tese de aceitar crimes, mortes, torturas, mutilações e assassinatos como métodos políticos válidos.
Paulo Bento Bandarra Mosaico
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LENIN, 85 ANOS DEPOIS
Vladimir Illitch, o jornalista
Em 21 de janeiro deste ano, haverá a lembrança dos 85 anos da morte de Vladimir Lenin, o primeiro líder da União Soviética e grande personagem da Revolução Russa de 1917. No entanto, as poucas comemorações que serão vistas provavelmente não lembrarão uma faceta freqüentemente esquecida desse marxista: o jornalista.
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3. um novo blog sobre estudos coloniais –
Com a temática envolvendo Brasil Colônia e Ação Inquisitorial no Brasil – www.blig.ig.com.br/estudoscoloniais
Para apresentar os principais encadeamentos da crise financeira ’e preciso partir dos mecanismos que a desencadearam; a deterioração dos mecanismos e das instituições de regulação, e o papel chave que os Estados Unidos desempenham. Na avaliação dos impactos, quem deverá em última instância pagar pela bancarrota do cassino?
Ladislau Dowbor
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5. Site da Agência Carta Maiorhttp://www.cartamaior.com.br/
Amplo noticiário e matérias sobre o Forum Social Mundial, que se realiza no Pará.
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6. Site do jornal Brasil de Fatohttp://www.brasildefato.com.br/
Fórum Social Mundial
"Auto-gestão do FSM é vacina contra fracionamento da esquerda"
Dando seqüência à série de entrevistas e reportagens com opiniões de especialistas sobre os rumos do Fórum, o Brasil de Fato entrevistou Chico Whitaker, membro do Secretariado Internacional do Fórum

-> Desafio: construir agenda socialista, democrática e ecológica
-> Para Emir Sader, FSM 2009 precisa enfrentar a luta real
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Terror em Gaza
As origens da guerra entre Israel e Palestina
Para historiador Christian Karam, a questão religiosa muitas vezes serve como pretexto para encobrir fins políticos e econômicos
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Os desafios de Obama: Iraque, Paquistão, Afeganistão
Noam Chomsky
A boa vontade de Barack Obama para "falar com o inimigo" foi um dos temas que definiu sua campanha à presidência. Pode Obama estar à altura dessa promessa?




NOTICIAS

1. O Memorial da Resistência foi inaugurado dia 24.
Situado no centro da cidade de São Paulo, o velho prédio do Largo General Osório, antiga sede da estação ferroviária e do antigo Departamento de Ordem Política e Social (Deops/SP), será palco para a instalação pública de um projeto museólogo sobre o período da ditadura em nosso país.O Deops foi um dos organismos símbolo da manutenção da ditadura entre as décadas de 60 e 80. Seu objetivo era controlar e reprimir movimentos políticos e sociais contrários ao regime no poder. Foi também para este local que muitas pessoas foram enviadas quando presas durante a ditadura e depois torturadas até a morte. Com o fim da ditadura o local foi parcialmente destruído e descaracterizado com o objetivo de apagar a memória sobre as práticas repressivas que ali foram exercidas.A instalação visa reconstruir uma das celas e também se utiliza de recursos audiovisuais para mostrar como eram as condições de vida dos presos.
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2. "80 anos dos Annales: contribuições historiográficas"O evento, promovido pelo Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal da Paraíba, ocorrerá entre os dias 20 e 23 de abril de 2009, no Campus I da UFPB, em João Pessoa. Entre os conferencistas estão os professores Angela de Castro Gomes (CPDOC-FGV), Eduardo França Paiva (PPGH-UFMG), Carlos Antonio Aguirre-Rojas (UNAM-México) e Carlos Barros (Santiago de Compostela - Espanha).Maiores informações (EM BREVE), no site: http://www.cchla.ufpb.br/ppgh/
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3. concurso para professor efetivo para o departamento de história da Universidade Federal de Sergipe. As matérias de ensino: 1 vaga para História do Brasil e 1 vaga para História Medieval. Mais informação no site da universidade: http://www.ufs.br/
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4. Cursos USP

Os cursos "História da Alemanha Nazista" e "Cinema e Televisão no Brasil" -, serão realizados no Depto. de História (FFLCH-USP), a partir de fevereiro e já se encontram com o período de matrículas abertas.








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