Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

10.3.09

Numero 179



Temos, neste Boletim, várias matérias, três das quais enviadas pelos nossos queridos colaboradores:
1. John Reed, o texto obrigatório
2. Exposição aborda programas nazistas de eutanásia e esterilização
3. O que os professores diriam aos pais dos alunos neste inicio de ano?
4. Leis dos homens contra leis de Deus
Em Vale a pena ler, indicamos a Revista de Historia da BBC, com o tema Revoluções; o jornal Le Monde Diplomatique, a revista História Viva, os livros Diarios de Bernardina e Velhos Vermelhos. E detalhamos duas obras, que consideramos indispensáveis aos professores de Historia do ensino fundamental e médio.
Em Navegar é preciso, links para os debates do Seminário Internacional sobre Desenvolvimento, os 50 anos da Revolução Cubana, entrevista com Peter Demant sobre Israel x Palestina, Plebiscito na Venezuela, 5º Forum Mundial da Agua, Com Bush ou Obama os EUA sempre ganham, Carta aberta da CPT critica o ministro Gilmar, a revista virtual Rio de Janeiro.
Dezenas de noticias: concursos, seminários, chamadas de artigos para revistas, palestras... enfim, muita coisa para se fazer!



JOHN REED (1887-1920)O texto obrigatório
Por Nei Duclós em 3/3/2009
Reproduzido do Comunique-se, 26/2/2009
Ele ficou sem dinheiro numa viagem perigosa, quando cobria a Primeira Guerra Mundial, uma carnificina promovida por comerciantes, segundo sua definição. Teve que viajar agarrado fora do trem, para não ser visto. Quando, por qualquer motivo, o comboio parava no meio da madrugada e do ermo absoluto, ele corria para o campo, se escondia, esperava. E voltava para pegar o vagão em movimento. No México, seguiu um velho viajante, cruzando montanhas geladas e desertos, e foi ao encontro de Pancho Villa. No Colorado, numa sangrenta greve de mineiros, acabou sendo preso e fez suas entrevistas com os líderes do movimento encarcerados em meio a multidões sem ar nem luz, depositados em porões imundos.
Foi preso várias vezes, confundido com o objeto de suas matérias: o povo em armas. Contou toda a história, com detalhes, do tiroteio entre mineiros e os bandidos a serviço das grandes corporações nos Estados Unidos, que durou meses e desembocou num massacre onde foram queimados homens, mulheres e crianças. Tentavam impedi-lo de trabalhar. Mas ele chegou até a Rússia e viu a revolução, que gerou seu mais célebre livro, Os dez dias que abalaram o mundo. De seu texto, magnífico na reportagem e na ficção, saíram inúmeros filmes, a começar por Outubro e Que Viva México, de Eisenstein.

Sorriso para a posteridade

Ele é o autor do personagem pobre, errante e com ares distintos que influenciou decisivamente Charles Chaplin a criar seu imortal vagabundo, num conto publicado na revista The Masses. Desconfio que as cartas dos mineiros condenados à morte pelos chacinadores, que ele publicou em suas grandes reportagens, também tenha inspirado o filme Ox Bow Incident (1943), de Willian Wellman, grande faroeste com Henry Fonda sobre o enforcamento, sem julgamento, de três suspeitos.
Ler John Reed é não apenas um prazer como um abismo de infinitas revelações sobre as primeiras décadas do século vinte, ou como ele dizia, de maneira mais apropriada, sobre a luta de classes daquela época. Nele confluía a formação apurada (fez Harvard), o texto antológico, a ousadia sem limites e a coragem de dizer com todas as letras. Quando Trotski, reportado por Reed no seu livro imortal, disse que a revolução russa seria vista no futuro como um modelo de revolução, o mesmo serve para a obra de John Reed.
Ela é um modelo de jornalismo, exatamente o jornalismo que precisamos desesperadamente hoje. Não pela sua capacidade de denúncia, pois hoje parece moda apontar o dedo para todas as direções. Mas pela maturidade da opção mais perigosa, a de contar toda a verdade e ficar firme no mesmo lugar aguardando a resposta. Quando ele debocha de Rockefeller, patrão dos mineiros, que elogiava os verdugos depois de um massacre, sabemos que boa encrenca era esse cara baixo, de queixo proeminente, testa larga, olhar fuzil e sorriso quase a explodir diante de seus contemporâneos e da posteridade.

O troar mais próximo da paz

Ao descobrir que a maioria passava necessidades para que a minoria vivesse no luxo, John Reed descobriu a missão da sua vida. Parece hoje ingênuo, ultrapassado. Vivemos uma época de pragmatismo e desilusões. Pode-se colocá-lo no índex por estar enterrado ao lado de Lênin, em Moscou. Mas seus funerais, dignos de um herói, apenas atestam o quanto foi longe o repórter e escritor que não tinha medo de nada, apesar de, nas suas memórias (Eu vi um mundo novo nascer) confessar que se sentia sempre um covarde, pois fugia de seus adversários quando era adolescente.
Admiro a coragem, essa fagulha que nos coloca no miolo do furacão como se estivéssemos indo na esquina. Quando leio John Reed e mergulho na plasticidade de suas narrativas, no movimento histórico de suas reportagens, na grandeza de sua lucidez, na graça de seu texto admirável, começo a fazer parte de algo maior. Algo que me transcende e me leva de roldão, como inundação repentina numa planície de bocejos. Ele tem o dom de escrever de maneira decisiva, sem transparecer falsidades ou intenções ocultas.
Vejam que frases: "Eu soube, então, e não foi pelos livros, como os trabalhadores produzem toda a riqueza do mundo, e que esta vai para aqueles que nada fazem para merecê-la. Vi as batalhas bem de perto, vi meus companheiros serem derrotados e mortos, corri pelo deserto para salvar minha vida. Se alguém pensa que as massas russas queriam essa guerra, é só colocar o ouvido no chão nesses dias, agora que elas estão rompendo seu silêncio secular, e escutar o troar cada vez mais próximo da paz."
John Reed. O texto obrigatório.


Colaboração da professora Laura Oliveira:

Exposição aborda programas nazistas de eutanásia e esterilização
O Museu Judaico de Berlim sedia, a partir de 12 de março, uma exposição sobre o destino de pessoas com deficiência e doentes durante o nazismo. É a primeira vez que uma mostra se dedica exclusivamente ao tema. O programa foi camuflado com o eufemístico nome de "eutanásia", quando o título adequado seria mesmo assassinato. Centenas de milhares de pessoas com deficiência, doentes e membros de diversas minorias foram vítimas do racismo nazista.

Preservar a pureza da raça ariana foi a justificativa usada na época. A argumentação sobre a suposta ameaça aos genes arianos baseava-se em diversas teorias que, desde meados do século 19 e princípios do 20, entusiasmavam cientistas de toda a Europa.
O darwinismo, a genética e o organicismo serviram aos nazistas para justificar centenas de milhares de assassinatos. Eles queriam atribuir à morte caráter laboratorial, deixando de lado as emoções inerentes ao fato de que, doentes ou não, estavam lidando com pessoas.
Margaret Kampmeyer, organizadora da mostra batizada como Medicina Mortal. Delírio racista no nazismo , que poderá ser conferida de 12 de março a 19 de julho no Museu Judaico de Berlim, cita Erich Ristow ao dizer que "o nacional-socialismo é a teoria racial aplicada".
O "improdutivo" era assassinado

Enfermos e pessoas com deficiência mental eram vistas pelo nacional-socialismo como um peso para a sociedade, ou, nas palavras do próprio movimento, como "pessoas improdutivas" que demandariam custos ao Estado sem dar nada em troca.
Já os judeus e os ciganos eram encarados como seres inferiores, "não-pessoas", que colocariam em perigo a pureza da raça ariana. Por isso, receberam um "tratamento especial" que consistiu em sua deportação e, a partir de 1941, na chamada "solução final", um plano de genocídio sistemático.
Os doentes e deficientes, por sua vez, continuaram sendo vítimas de programas de eutanásia e esterilização desde a proclamação das primeiras leis raciais em 1933 até o fim da Segunda Guerra Mundial.

Somente na Alemanha e na Áustria, 210 mil enfermos e incapacitados foram assassinados entre 1933 e 1945. Na mesma época, o número de pacientes esterilizados chegou a 400 mil.
Igualmente à perseguição aos judeus, também nesta tarefa os nazistas foram rigorosos: inauguraram dependências sanitárias públicas encarregadas do "cuidado racial e da herança genética", criaram-se centros para o alojamentos e o posterior assassinato dos "socialmente desnecessários", sempre dotados com o pessoal médico correspondente.
Nas matanças massivas, os generais da SS, a polícia nazista, deixavam o acesso livre a enfermeiras e médicos.
Uma mostra única

A exposição chega a Berlim diretamente de Washington, onde foi apresentada com grande êxito no Holocaust Memorial Museum .
É a primeira vez que uma mostra se dedica, exclusivamente, ao destino de doentes e pessoas com deficiência durante o nacional-socialismo não somente na Alemanha, mas também nos países ocupados pelos nazistas no decorrer do conflito bélico.
A exposição esmiúça as teorias que serviram de fundamento ideológico para as ações, também apresenta fotografias e informes médicos dos arquivos, e explica com detalhes atos desumanos como a chamada "Aktion T4".
Entre janeiro de 1940 e agosto de 1941, partindo do número 4 da rua Tiergartenstrasse, em Berlim, foi dirigida uma operação cujo objetivo era a morte de portadores de deficiência e doentes em diversos centros de assistência médica do país.
A exposição dá uma visão abrangente deste capítulo quase esquecido do terror nazista, mas não se restringe a isso. Os organizadores esforçaram-se para não reduzir a mostra a uma mera lista de dados e, apesar da dificuldade de reconstituir detalhadamente alguns casos muitas vezes tratados somente do ponto de vista clínico, possibilita aos visitantes conhecer histórias pessoais, com nomes e sobrenomes.



Colaboração do amigo Guilherme Souto:
Do blog do professor Rudá Ricci
A Seleções Readers Digest ouviu 672 professores de todo o Brasil em uma pesquisa online em janeiro de 2009. O que os professores dos alunos gostariam de dizer para os pais?

1) 71% dos professores gostariam de dizer: “Ajudar seu filho com a lição de casa não significa deixá-lo copiar tudo da Internet.”
2) 51% dos professores gostariam de dizer: “Quando eu era criança, se eu fosse mal nos estudos, meus pais culpavam a mim – não aos professores. O seu filho também é responsável por suas notas nas provas e desempenho em sala de aula .”
3) 50% dos professores gostariam de dizer: “Não acredito que você converse com seu filho. Apenas 15 minutos por dia de conversa fariam toda a diferença.”
4) 43% dos professores gostariam de dizer: “Você faz trabalhos de casa maravilhosos, mas é ao seu filho que eu estou tentando ensinar a matéria.”
5) 33% dos professores gostariam de dizer: “Crianças precisam se distrair depois do colégio. Tudo bem se ele quiser assistir um pouco à TV ou jogar videogame.”
6) 32% dos professores gostariam de dizer: “Você não está sendo realista quanto às verdadeiras habilidades de seu filho.”
7) 30% dos professores gostariam de dizer: “Por que eu deveria abrir mão do meu tempo livre para uma reunião de pais quando você mesmo não tem interesse em participar?”
8) 16% dos professores gostariam de dizer: “Seu filho é tão bagunceiro! Você não deveria esperar que eu conseguisse educá-lo.”
9) 15% dos professores gostariam de dizer: “Por favor, certifique-se de que seu filho toma banho antes de ir à escola.”


Recebi vários artigos e comentários a respeito do fato ocorrido em Recife: a menina de 9 anos que foi estuprada pelo padrasto, e o aborto autorizado legalmente. Como não seria possível publicar todos, optei pelo do historiador Jaime Pinsky, até mesmo pelas colocações relativas à historicidade da questão de fundo deste assunto.
Colaboração do professor e historiador Jaime Pinsky
:
Leis dos homens contra leis de Deus
Juro que minha intenção era escrever uma ode às mulheres, uma homenagem às mães, irmãs, amigas, e principalmente namoradas, noivas, amantes e esposas. Não posso, contudo, fugir de repercutir duas notícias assustadoras que vêm de Recife: a primeira é que uma menina de 9 anos, pesando trinta e poucos quilos e medindo 1 metro e 33 centímetros (pequena e mirrada, pois) vinha sendo estuprada pelo padrasto e engravidou de gêmeos. A mãe, com a anuência da menina, autorizou a interrupção da gravidez, procedimento que foi realizado com sucesso, segundo protocolo recomendado pelo Ministério da Saúde em casos de gravidez de risco ou decorrente de violência sexual. O diretor médico do Centro Integrado de Saúde, Amaury de Medeiros, da Universidade de Pernambuco, lembra que "a menina se encaixava em ambos os casos".
A segunda notícia, tão estarrecedora quanto a primeira, é que o advogado da arquidiocese de Olinda e Recife, Mércio Miranda, iria oferecer ao Ministério Público de Pernambuco denúncia contra a mãe da menina por ter autorizado um assassinato.
Sim, senhoras, ninguém leu ou entendeu errado. As mesmas autoridades religiosas que ajudam jovens a se infectarem - e muitos morrerem - , por serem contra a camisinha; as mesmas autoridades religiosas que não conseguem lidar adequadamente com o problema da pedofilia provocada por padres, insurge-se contra norma que o bom senso e a caridade impõem: impedir que uma criança morra por conta de uma gravidez decorrente de violência sexual.
Não é possível que 22 décadas após a Revolução Francesa a separação entre Estado e Igreja (entendida como estrutura de poder de caráter religioso) ainda não tenha se completado.
Já é um absurdo que, em países como Israel, ainda não haja casamento civil, quando a maioria da população assim o deseja e que em algumas cidades seja impossível tomar um ônibus aos sábados pois isso implicaria romper o caráter sagrado do Shabat. Numa sociedade democrática seria justo permitir que religiosos não andem de ônibus, ou se casem apenas sob bênçãos do ministro de sua religião, mas daí a impor isso aos demais? E não é isso que quer o advogado do arcebispado, impor uma verdade particular a todos?
No mundo islâmico, a mesma coisa. A lei, frequentemente, é a de Deus, segundo o entendimento do que seria a lei de Deus pelos poderosos de plantão. Não há justiça laica do Estado. Leis humanas - e aqui está a grande vantagem - podem e devem ser discutidas, atualizadas. Leis que decorrem do estado de evolução da sociedade, leis que têm historicidade, como devem ser as leis. Já as leis supostamente divinas - permitam-me questionar suas verdadeiras origens - não são leis, são dogmas. E dogmas, por definição, são indiscutíveis. Se Deus disse, o que um simples mortal teria a dizer a Deus?
Alguém poderia alegar que o mundo - pelo menos as democracias ocidentais - está ficando mais laico, que certas faixas sociais da população já não dão a mínima para normas emanadas das mais altas autoridades religiosas, que, felizmente, não se queimam mais "bruxas", por terem um saber desconhecido pelos prelados, que o processo é irreversível etc. Acho pouco. Acho que as religiões podem e devem ter a liberdade de pregar para as pessoas interessadas e, mesmo assim, não devem atrapalhar os vizinhos com ruído inaceitável.
Acho que as crianças podem ser orientadas por seus pais para frequentarem escolas dominicais e sabáticas, desde que a comunidade interessada arque com os custos dessa educação religiosa (portanto sou radicalmente contrário à educação religiosa paga pelo Estado). Acho que cemitérios e hospitais de determinadas religiões podem ter seus símbolos, mas que não deveriam estar em espaços dos poderes da República, como se decisões do Judiciário, por exemplo, devessem se submeter a dogmas de fé. Não devem.
Uma vez mais o ministro da Saúde (de quem, asseguro, não sou correligionário, amigo, ou sequer conhecido) dá o exemplo, declarando-se chocado com a atitude daqueles que, em nome do poder religioso, tomam atitudes inaceitáveis numa República. Ele está certo. Já é hora de promovermos a separação amigável entre Estado e religião. Para o bem de todos.
Jaime Pinsky:Historiador, doutor pela USP, professor titular da Unicamp, diretor editorial da Editora Contexto (artigo publicado no Correio Braziliense de 8.3.2009)



VALE A PENA LER

1. Nas bancas, o número 7 da coleção BBC História.
O tema deste numero é “Revoluções e batalhas que abalaram o mundo”, destacando a Revolução Francesa, o Movimento Comunista, a Operação Barbarrossa, a Batalha de Falkirk, a Guerra das Rosas.
Traz, ainda, um dossiê sobre os 50 anos da Revolução Cubana.
2. Nas bancas, o numero de março do jornal Le Monde Diplomatique Brasil.
Tema central: Moradia popular.
Outros assuntos abordados: Entrevista com David Harvey sobre a produção das cidades
– Segurança alimentar: entre a água e a comida
– Grilagem de terras
– O novo protecionismo europeu
– Direitos trabalhistas em discussão no Parlamento europeu
– Orçamento participativo
– Meio ambiente urbano: chuvas como solução.
3. Nas bancas o número 65 da Revista História viva
Dossiê – Delatores
Artigos: André Gide, uma metáfora do século XX
– Aníbal, o inferno dos romanos
– Século XVII: Paris sem luzes
– O Irã no centro do mundo
– Razão e técnica na selva brasileira na colônia
– A imprensa integralista.

4. "O diário de Bernardina - Da Monarquia 'a Republica, pela filha de Benjamin Constant" de Bernardina Botelho de Magalhaes, Jorge Zahar Editor, 2009. Organização, introdução e notas de Celso Castro e Renato Lemos. Trata-se da publicação inédita, na 'integra, do diário da filha de Benjamim Constant, em que se encontra registro da típica vida das jovens brasileiras no fim do século XIX, alem dos bastidores de um dos mais importantes acontecimentos históricos do pais.
5. "Velhos vermelhos: historia e memória dos dirigentes comunistas no Paraná'", dos organizadores Adriano Codato e Marcio Kieller (Editora UFPR, 2009), traz dois ensaios históricos e uma introdução metodológica sobre o estudo de elites, alem de depoimentos de dez dirigentes do Partido Comunista Brasileiro no Paraná' nos anos 1950 e 1960.
6. Quero usar este espaço para falar de dois livros que considero imprescindíveis aos professores de História, particularmente aqueles que trabalham nos níveis fundamental e médio.
Trata-se, inicialmente, da reedição, revista e atualizada de O Ensino de Historia e a criação do fato. Só o fato de estar há vinte anos no catálogo da editora Contexto o recomendaria, mas agora foi feita uma edição mais primorosa e com atualizações.
Trata-se de uma coletânea. São seis artigos, de professores diferentes, que enfocam temas bastante pertinentes ao cotidiano das salas de aula, tais como: as camadas populares nos livros de História do Brasil, a noção de tempo histórico no ensino, as tradições nacionais e o ritual das festas cívicas, Nação e ensino de História no Brasil, entre outros.

Além de propor uma crítica ao conteúdo de vários manuais didáticos, levantar questões a respeito da criação dos “fatos”, o livro também questiona algo que considero fundamental: o papel do professor é “ensinar ou levar a aprender”? E que competências o professor precisa ter para conduzir o processo de aprendizagem?
Vejam, essas são questões que foram levantadas há 20 anos atrás... e será que os professores já se deram conta de que elas ainda são pertinentes?
O outro livro, que também já indiquei em outra edição deste Boletim é Novos temas nas aulas de História.
Desnecessário enfatizar a importância deste manual. Quando comecei a ler, lembrei-me dos cursos que costumava ministrar aos professores do interior de Minas e de alguns outros Estados, todos ansiosos com as mudanças, com as novas temáticas, as novas metodologias. Todos buscando uma “receita de bolo” para resolverem suas angústias.
Ora, a pretensão dos professores que participaram deste trabalho Novos temas nas aulas de História não era, evidentemente, fornecer “receitas de bolo”. Mas acabaram fornecendo, na medida em que levantam uma série de alternativas para que os professores se sintam seguros ao trabalhar questões relevantes que se colocam
em seu cotidiano e para as quais, a grande maioria não teve qualquer informação enquanto cursava sua graduação.

Que temas são esses? Como trabalhar, novamente, e com novo enfoque, as biografias. Como discutir as questões de gênero. Direitos humanos como um novo eixo do ensino de História. Como traduzir a cultura em experiências escolares? O papel da alimentação na História. A temática do corpo, aí incluindo-se saúde, alimentação, esporte, consumo, moda, etc. O que é História Integrada. Como tratar a História Ambiental. O enfoque nas identidades nas Histórias Regionais. E o papel da Ciência e Tecnologia.
Como afirma a coordenadora do livro, todos os autores se preocuparam em identificar a importância do tema para os estudantes; procuraram trazer exemplos e tratar com clareza os conceitos e conteúdos envolvidos; apresentaram sugestões de trabalho em sala de aula; comentaram obras e leituras que podem ser usadas pelos professores e, principalmente, falaram de materiais didáticos alternativos que podem ajudar a ilustrar o estudo do tema.




NAVEGAR É PRECISO

1. Realizou-se dias 5 e 6 passados o I Seminário Internacional sobre Desenvolvimento. Os principais artigos estão no site da Agência Carta Maior: WWW.cartamaior.com.br
Combater a desigualdade é a forma mais eficaz de enfrentar a crise (James Galbraith)
PAC e Territórios da Cidadania são ações gêmeas contra a crise (Ignacy Sachs)
Limites e resultados de um keynesianismo que desafia o Brasil
Pessimismo global, otimismo nacional e críticas entre ministros

2. Site do Observatório da Imprensa
PLEBISCITO NA VENEZUELA
A cobertura enviesada da TV Globo
Leonardo Fernandes Tv em Questão
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=527TVQ001

3. Dossiê 50 anos da Revolução Cubana está disponível no site da revista Espaço Acadêmico: http://www.espacoacademico.com.br/
5. Blog do Mello
‘Que o Deus de Justiça ilumine nosso País e o livre de juízes como Gilmar Mendes’
A Comissão Pastoral da Terra, órgão vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), divulgou uma nota contra o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. "Ai dos que coam mosquitos e engolem camelos" (MT 23,24)
http://blogdomello.blogspot.com/2009/03/deus-nos-livre-gilmar-mendes.html
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Com Bush ou com Obama EUA ganham sempre
A imagem aqui ao lado é da etiqueta de um míssil americano utilizado pelo exército israelense contra a população de Gaza, no recente massacre. Segundo a Anistia Internacional, esse míssil foi responsável pela morte de três paramédicos e uma criança, em janeiro. As vendas desse míssil e de outros iguais, e mais tanques, outros tipos de armas etc. engordaram o cofrinho americano.
http://blogdomello.blogspot.com/2009/03/bush-obama-eua-lucro-guerras.html#blogdomello
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6. Terra Magazine
5o Fórum Mundial da Água (FMA): Água, uma crise também global
http://www.ecodebate.com.br/2009/03/06/5o-forum-mundial-da-agua-fma-agua-uma-crise-tambem-global/

7. Revista/Lançamento
A revista "Rio de Janeiro", nº 20-21, dossiê "A literatura no Rio de Janeiro" esta' disponível para consulta on-line em http://www.forumrio.uerj.br. Acesse em "Publicações">"Revista Rio de Janeiro - Fase III".

8. Site do Jornal Brasil de FatoWWW.brasildefato.com.br
Entrevista
“A Igreja fica encastelada em seu principismo abstrato”, afirma Frei Betto
Em entrevista ao Brasil de Fato, o frade dominicano comenta os dois recentes casos polêmicos envolvendo representantes da Igreja Católica.
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Palestina
Al Fatah e Hamas negociam a criação de governo unificado
A reunião acontece dois dias após a notícia da renúncia do primeiro ministro da ANP, Salam Fayyad


NOTICIAS

1. Concurso para professor adjunto de Historia Contemporânea/UFVO prazo para inscrições no concurso para professor adjunto na 'área de Historia Contemporânea da Universidade Federal de Viçosa se encerra em 23/3/2009. Ha' uma vaga, de dedicação exclusiva, e a remuneração inicial e' de R$ 6.722,85. Mais informações em: http://www.ufv.br/soc.
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2. II Seminário de Historia e Cultura Histórica/UFPB
O Programa de Pós-Graduação em Historia da Universidade Federal da Paraíba promove o II Seminário de Historia e Cultura Histórica, cujo tema e' "80 anos dos Annales: contribuições historiográficas". O evento será realizado de 20 a 23/4/2009, no Auditório da Reitoria da UFPB, no Campus I, em João Pessoa. As inscrições vão ate' 18/4. Mais informações em: http://www.cchla.ufpb.br/ppgh/seminario2009.
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3. V Encontro Regional Sul de Historia Oral/UNIOESTE-PR
A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE) convida para o V Encontro Regional Sul de Historia Oral - "Desigualdades e Diferenças", que ocorrera' de 25 a 28/5/2009, no Campus de Marechal Candido Rondon. As inscrições de trabalhos nos GT's e as de mini-cursos vão ate' 12/04. Mais informações em: http://www.unioeste.br/eventos/historiaoral.
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4. Serie de debates "Biblioteca fazendo historia"/Biblioteca Nacional-RJ
Revista de Historia, em parceria com a Biblioteca Nacional, promove o primeiro encontro deste ano da serie de debates "Biblioteca fazendo historia", dia 12/3, 'as 16h, no Auditório Machado de Assis da Biblioteca Nacional (Rua México, s/nº - Rio de Janeiro). Nesta próxima edição, Isabel Lustosa e Marly Motta irão participar do debate sobre corrupção no Brasil. Mais informações em: http://www.revistadehistoria.com.br.
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5. Revistas/Chamada para artigos
- O conselho editorial da Revista Historia (UNESP) abre chamada de artigos, resenhas e traduções para os dossiês: Império Português (volume 28, n.1, 2009), ate' 31/3/2009; Historia, direito e justiça (volume 28, n.2, 2009), ate' 31/8/2009. O e-mail para envio dos trabalhos e' revistahistoria@unesp.br. Mais informações em: http://www.scielo.br/revistas/his/pinstruc.htm.
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- A revista Outros Tempos (UFMA) recebe contribuições para o volume 6 (numero 7 - Dossiê: Historia e memória e numero 8 - Dossiê: Escravidão), ate' 31/3/2009. Mais informações em http://www.outrostempos.uema.br.
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- A revista eletronica Intellectus, produzida pelo Laboratório de idéias, cultura e política do Departamento de Historia da UERJ, abriu chamada para artigos e resenhas ate' 15/3/2009. Os trabalhos devem ser enviados para o e-mail: revistaintellectus@gmail.com. Mais informações em: http://www.intellectus.uerj.br.
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- A revista "Historia: debates e tendências", do Programa de Pós-Graduação em Historia da Universidade de Passo Fundo, recebera' artigos para o dossiê "Da revolução cubana 'a queda do muro" ate' 30/5. Mais informações em: http://www.ppgh.upf.br.
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6.Infelizmente, só me chegou às mãos esta notícia depois de já iniciada a mostra. Mas ainda há muitos filmes a serem vistos:
MOSTRA SERGUEI MIKHAILOVITCH EISENSTEIN

O Cinecentro, projeto do Centro Cultural UFMG, este mês de março vai contemplar o grande cineasta russo, Serguei Mikhailovitch Eisenstein, um dos diretores mais inovadores e pioneiros da história do cinema. Eisenstein influenciou diretores como Orson Welles e outros. Os filmes elencados na mostra serão exibidos nos dias, 07, 08, 14,15,28 e 29 deste. A saber: A Greve, Encouraçado Potemkim, Outubro, Alexandre Nevski e Ivan O Terrível - Partes I e II.
CENTRO CULTURAL UFMG
Av. Santos Dumont, 174 - Pça Rui Barbosa - fones: 3409 1091 – web: www.centrocultural.ufmg.br

7.Palestras
- O Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano Regional (IPPUR) da UFRJ promove a palestra O lugar das novas metrópoles na dinâmica das metrópoles mundiais", a ser ministrada por Luc-Normand Tellier (Universite de Quebec 'a Montreal), dia 12/3/2009, 'as 14h. A palestra e' uma atividade do Projeto "Metrópoles, desigualdades e planejamento democrático". Mais informações em: http://www.ippur.ufrj.br.
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- A serie "Pensar a imprensa" promove a palestra Imprensa, pesquisa e informação: uma ponte entre Nelson Werneck Sodré e a atual condição da comunicação social no Brasil, a ser ministrada por Olga Sodré. O evento acontece em 19/3/2009, 'as 14h30, na sala de cursos da Fundação Casa de Rui Barbosa (Rio de Janeiro). Mais informações em: http://www.casaruibarbosa.gov.br.
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8. Seminário Internacional "Informação, poder e política"/RJ
Já estão abertas as inscrições gratuitas, com numero limitado de vagas, para o Seminário Internacional "Informação, poder e política: novas mediações tecnológicas e institucionais", a ser realizado de 15 a 17/4/2009, na Companhia de Pesquisa em Recursos Minerais (Av. Pasteur, 404, Urca, Rio de Janeiro). Mais informações em http://www.liinc.ufrj.br/seminario
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9. XIV Encontro Nacional de Economia Política/PUC-SP
Foi divulgada a chamada de trabalhos para o XIV Encontro Nacional de Economia Política, intitulado "A crise financeira mundial e as alternativas de desenvolvimento da America Latina". O prazo se encerra em 16/3/2009. O evento será realizado na Pontifícia universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), de 9 a 12/6/2009, em conjunto com o IX Colóquio Latino americano de Economia Política e o IV Colóquio de la Sociedad Latinoamericana de Economia Politica y Pensamiento Critico (SEPLA). Mais informações em http://www.sep.org.br/pt/evento.php.
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10. Seleção de bolsa de Pós-Doutorado/CEDEC, SP
O Centro de Estudos de Cultura Contemporânea (CEDEC), de São Paulo, oferece bolsa de Pós-Doutorado para o projeto "Linhagens do pensamento político e social brasileiro". Este projeto esta' sendo desenvolvido com a participação de varias instituições acadêmicas: USP, Unicamp, Unifesp, UFSCar e UFRJ, com o apoio da FAPESP. Mais informações em: http://www.cedec.org.br.
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11. III Encontro Nacional da Associação Brasileira de Defesa/UEL
A Associação Brasileira de Estudos de Defesa realizara' o III Encontro Nacional da ABED "A estratégia nacional de defesa", de 28 a 31/7/2009, na Universidade Estadual de Londrina. As inscrições para apresentação de trabalhos vão ate' 31/3/2009 e para ouvintes, ate o primeiro dia do evento. Mais informações em http://www2.uel.br/cch/his/mesthis/abed.
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12. I Festival do Filme Etnográfico de Recife
Estão abertas, ate' 30/4/2009, as inscrições para o I Festival do Filme Etnográfico do Recife, promovido pelos Programas de Pós-Graduação em Antropologia e em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco. Os documentários etnográficos devem ter sido produzidos a partir de 2006. O evento será realizado de 1 a 4/6/2009. A mostra competitiva ocorrera' 'as 19h durante todos os dias do festival. Os prêmios que a comissão designara' são de Melhor Filme Etnográfico e Melhor Documentário. Mais informações em http://www.filmedorecife.com.br.
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13. XIV Encontro de Ciências Sociais do Norte e Nordeste (CISO)
O XIV Encontro de Ciências Sociais do Norte e Nordeste (CISO), de tema Desigualdade e justiça social: regiões, classes e identidades no mundo globalizado, esta' sendo promovido pela Fundaj, em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco, Universidade Federal de Pernambuco, Faculdade Marista e Universidade Católica de Pernambuco, e será realizado no periodo de 8 a 11/9/2009. As inscrições de mesas-redondas, foruns, mini-cursos e de trabalhos para os 58 GTs do encontro devem ser realizadas ate' 31/3/2009. Mais informações em: http://www.fundaj.gov.br.
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14.


CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
Módulo 1
O Atlântico negro – trânsitos históricos e culturais, políticas e identidades nas diásporas negras nos séculos XIX e XXFormador: “Salloma” Salomão Jovino da Silva
Dias: 14/3, 21/3, 28/3 e 4/4
Módulo 2
Introdução às musicalidades afro-brasileiras
Formador: Paulo Dias
Dias: 18/4, 25/4, 9/5 e 16/5
Módulo 3
Historiografia e literatura africana e afro-brasileira
Formadores: palestrantes convidados
Dias: 23/5, 30/5, 6/6 e 13/6
Módulo 4
Sociedades africanas: entre as dádivas e o mercado
Formador: Acácio Almeida
Dias: 20/6, 27/6, 4/7 e 11/7
LOCAL DO CURSOAssociação Cultural Cachuera!Rua Monte Alegre, 1.094 - Perdizes - São Paulo
INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕESSegunda a sexta-feira, das 9h 30 às 18h 30. Na Associação Cultural Cachuera!. Por telefone: (11) 3872-8113 e 3875-5563. Por e-mail: renatacelani@cachuera.org.br. Na página www.cachuera.org.br
INFORMAÇÕES GERAIS
. Cada módulo tem um total de 16h. Os módulos podem ser cursados de forma independente
. As aulas acontecem aos sábados, das 9h às 13h, com intervalo de 15 minutos e pequeno lanche. Valor da inscrição por módulo: R$ 150,00. Professores e estudantes (mediante comprovação) têm 20% de desconto na inscrição em quatro módulos. A inscrição pode ser realizada pessoalmente e por e-mail. Ficha de inscrição e demais instruções para pagamento são enviadas mediante solicitação. Certificado emitido mediante comparecimento em 75% das aulas
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15. Novo museu na Inglaterra conta a história do rock britânico
O museu British Music Experience, inaugurado em Londres nesta segunda-feira, usa vídeos, memorabília e outros artefatos para contar a história da música britânica desde a 2a Guerra Mundial, lançando olhares aprofundados sobre gêneros que vão do skiffle ao reggae, passando pelo punk, blues e urbano.

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