Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

6.4.09

Numero 183



Se na semana passada foi difícil colocar o Boletim no ar, esta semana o trabalho foi facilitado pelas colaborações de alguns amigos que estão sempre participando. Assim, o primeiro artigo de fundo, uma entrevista de Noam Chomsky, que afirma a necessidade da OTAN para os Estados Unidos. Em seguida, uma charge do Blog do Mello, imperdível!. Terceiro item, a questão das cotas. Vamos debater? Apresento um argumento a favor e um contrario. E espero manifestações. Finalmente, Crise e religião, outra contribuição que recebemos.
Na seção Vale a pena ler, apenas uma indicação: Leite derramado, de Chico Buarque.
Em Navegar é preciso, muitos links: novo site científico, o ScienceBlogs Brasil. Outro site interessante é o Café História. Matérias relevantes: no Blog do Mello, a respeito dos paraísos fiscais – no site do Brasil de Fato, a Lei Rouanet e a explosão social esperada na França. Los ninos desaparecidos de Espana e Dossiê Darwin completam as indicações.
Em Notícias, o II Ereh e o curso Guerra de Estratégia na Grécia Clássica, além de duas conferências.
Bom proveito!


1. Agradeço ao Guilherme Souto o envio desta matéria, publicada no Blog do Azenha:
Chomsky: Os EUA precisam da Otan
Noam Chomsky:
"Os EUA precisam da OTAN, para expandir o componente militar da guerra."
Entrevista a Robert Harneis, para Russia Today, 2/4/2009

No dia do 60º aniversário da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte, também chamado "Aliança Atlântica", criada dia 4/4/1949), Noam Chomsky conversou com Robert Harneis, para Russia Today, sobre Kosovo, Afeganistão e OTAN – por que ainda existe e o futuro. O professor Chomsky, do MIT, é encarniçado crítico da OTAN e da política dos EUA.
Pergunta que se faz cada vez mais frequentemente é "para quê serve a OTAN?" Dado que ninguém sabe para que serve, por que, na sua opinião, sobrevive ainda, 20 anos depois do fim da Guerra Fria?

Professor Chomsky: Sim, essa é a pergunta certa. Pode-se perguntar por que sobreviveu um mês, depois do fim da Guerra Fria. Por que sobreviveu? Se se olha para trás, no colapso da União Soviética, Gorbachev fez uma concessão realmente espantosa. Concordou com que uma Alemanha unificada passasse a integrar a OTAN, uma aliança militar. Isso é muito importante à luz do século passado. Primeiro, que a Alemanha, sozinha, virtualmente destruiu a Rússia, duas vezes; e a Alemanha, apoiada por uma aliança militar hostil, centrada no mais fenomenal poder militar da história... isso é uma ameaça real. Pois mesmo assim, Gorbachev concordou.
Mas houve uma condição: em termos bem claros, acertaram que a OTAN não poderia ser expandida para Leste, de modo que a Russia tivesse, pelo menos, uma espécie de zona de segurança. E George Bush e o então secretário de Estado dos EUA, James Baker concordaram: a OTAN não avançaria uma polegada em direção ao Leste. Gorbachev também propôs uma região livre de armas nucleares na região, mas os EUA nem consideraram a ideia. Acho que sequer responderam à proposta. E foi assim. Acabou a União Soviética. Fim de jogo.
Então... o que fez o governo Bush? Lançou um documento sobre defesa estratégica em que se dizia, efetivamente, que a maior ameaça, então, seria, de fato, o avanço tecnológico dos países do Terceiro Mundo; e que era preciso preservar a superioridade da base tecnológico-militar dos EUA, ameaça que ninguém pensaria em atribuir ao Kremlin. É onde se vê que o tratado original da OTAN envolvia uma mentira. São negócios, como sempre, no que tenha a ver com a OTAN.
Pergunta: Como o senhor vê a situação atual no Afeganistão?
Chomsky: Em minha opinião, Obama parece mais violento e agressivo que Bush. Praticamente seu primeiro ato implicou ataques no Afeganistão e no Paquistão, nos quais muitos civis foram mortos. Ataques completos, quero dizer, com armamento pesado. Os EUA estão apoiando os taliban e o terror. Obama quer ampliar a face militar da guerra do Taliban contra a grande população pashtun. Isso não é o que os afegãos desejam.
Se se considera a situação do presidente Karzai, sua primeira mensagem a Obama foi um pedido para que parasse de matar afegãos. Interessante que, no instante em que esse pedido foi divulgado, Karzai tornou-se impopular no ocidente. Antes, era muito admirado; comentava-se sua elegância, que era homem agradável etc. De repente, tornou-se incompetente, corrupto... De fato, os EUA planejam derrubá-lo. Isso já está declarado. Os EUA querem agora introduzir lá o que chamam de "um outro administrador". Karzai será provavelmente 'demitido para cima'.
Pergunta: E o que acontecerá? Livrar-se-ão de Karzai?
Chomsky: Os EUA estão claramente expandindo o componente militar da guerra, agora, com mais 21 mil soldados no total. A Inglaterra com certeza acompanhará. Querem controlar os poderes da OTAN e aumentaram os ataques com mísseis e outros armamentos no Afeganistão e no Paquistão.
Há um movimento afegão pró-paz – é bastante representativo e é difícil avaliar a extensão desse movimento. Estima-se que seja muito amplo. Pedem o fim da violência e mais atenção à reconstrução e ao desenvolvimento. Se se lêem as declarações de Karzai, e também Zadari, elogiando formalmente a nova abordagem de que Obama fala, se se analisam as próprias declarações... há detalhes importantes. Só falam de ajuda e desenvolvimento – que, me parece, é a direção certa a seguir. Reconciliação entre todos os afegãos não significa que os EUA decidam quem conversará com quem; significa que os afegãos decidam.
Pergunta: Quanto ao Kosovo, os países da OTAN repetem que seria caso ‘sui generis’, caso especial, não um precedente a ser seguido por outros possíveis novos países. O senhor concorda?
Chomsky: Kosovo foi caso especial, porque foi a primeira que a OTAN – principalmente os EUA – atacaram Estado dentro da Europa, com pretextos, de fato, quase cômicos. O ocidente envolveu-se nessa questão, sobretudo intelectuais ocidentais, como ânimo religioso, de fanatismo religioso. Não se consegue discutir o assunto. Mas os fatos são muito evidentes. Há enormes quantidades de registros do Departamento de Estado, da OTAN, de monitores, e todos dizem a mesma coisa. Foi baixo o nível de violência dos ataques do Exército de Libertação do Kosovo (Kosovo Liberation Army, KLA), da Albânia e das forças sérvias, as disputas não eram pesadas e sabiam que, se respondessem, só fariam aumentar muito o nível de atrocidade, como, de fato, se viu acontecer. O General Clarke, que estava no comando, preveniu-os: "Se reagirem, eles reagirão em campo, aqui. Não vão bombardear Washington. Só conseguirão aumentar o nível das atrocidades". Isso, exatamente, foi o que aconteceu.
Quando Milosevic foi acusado, durante a guerra, foi acusado quase integralmente por crimes cometidos depois do início da guerra. Mas havia opções diplomáticas. Dentre os mais altos funcionários do governo Clinton, Strobe Talbot, subsecretário de Estado para o Leste Europeu, encarregado do que estava acontecendo então, já disse – e está bem evidente nos documentos – que o ataque não foi motivado pelos kosovares (como se via nos primeiros documentos), mas porque a Servia não adotara as reformas socioeconômicas exigidas. Os intelectuais ocidentais agarraram-se a isso com paixão.
Você lembrará que, naquele momento, houve quantidade imensa de declarações muito embaraçosas sobre a nobreza, sobre uma fase excepcionalmente nobre da política exterior dos EUA, sobre como os Estados mais 'iluminados' lideravam o mundo rumo a uma nova era na qual as pessoas seguiriam princípios e valores, e tal e tal – foi terrível.
Não lembro de outro momento semelhante na história intelectual; depois, foi muito difícil descer daquelas alturas e dizer "Desculpe, pessoal! É tudo diferente." Então, tiveram de continuar aferrados à primeira explicação.
Pergunta: Como o senhor vê a rivalidade entre a OTAN e a ONU?
Chomsky: Não há rivalidade alguma. A ONU faz o que as grandes potências – os EUA, sobretudo – permitem que ela faça. Lembre-se que a Iugoslávia tentou levar a questão contra a OTAN à Corte Internacional. Não conseguiu, por razões bem interessantes. Um congressista norte-americano declarou que, se, algum dia, alguém se atrever a acusar os EUA [na Corte Internacional] "Nós tomaremos o prédio da ONU e o destruiremos, tijolo a tijolo, e jogaremos tudo no East River".
Pergunta: Uma das razões para a aparentemente ilimitada expansão da OTAN é a criação de uma espécie de exército mercenário, que poderia combater sem necessidade de alistamento nos EUA? Como, por exemplo, a Geórgia mandar o terceiro maior contingente para ocupar o Iraque?
Chomsky: O Pentágono foi contra o serviço militar. Desde antes do Vietnam querem livrar-se dele. No Vietnam, os EUA cometeram um erro tático: tentaram lutar guerra colonial com um exército de cidadãos. Tampouco é possível fazer guerra colonial com mercenários mal treinados. Se se analisa a Revolução Americana contra os ingleses no século 18, vê-se que muitos dos soldados eram hessianos, de Hesse, Alemanha, muitos dos quais mercenários. Porque há outro tipo de mercenários, como a Legião Estrangeira, francesa; ou os Ghurkas, britânicos. Guerras coloniais são brutais demais, duras demais paras soldados regulares. Sim, os EUA querem recrutar nações do Leste Europeu para que se unam à OTAN porque os generais pensam que estarão dispostas a mandar soldados lutar guerras coloniais.
Pergunta: Como o senhor vê o desenvolvimento futuro da OTAN?
Chomsky: Se a pergunta é "Como deve ser o futuro da OTAN?" a resposta é: "imediata desmobilização". Mas não há sinais de mudança. Você deve ter observado que, apesar da crise financeira, desde a posse de Obama não se fala de qualquer movimento na direção de limitar os gastos militares dos EUA. Talvez cancelem alguns projetos mais caros, de alta tecnologia, como a compra do bombardeiro F22. Esse tipo de avião não é necessário no tipo de guerra que há hoje.
Antes de Bush deixar a presidência, aprovou-se verba de 30 bilhões para apoiar Israel durante os próximos dez anos. Israel, hoje, é como uma legião avançada do exército norte-americano.
O plano é aumentar o número de soldados em campo. Esses são os soldados de que eles precisam para as guerras que planejam. Durante a invasão de Gaza, os EUA planejavam entregar milhares de toneladas de munição a Israel, em navios alemães, via a Grécia. Os gregos impediram a entrega. Tiveram de achar outra via, mas o Pentágono declarou que a munição seria para fazer reservas, para próximos conflitos.
Pergunta: O senhor acredita nisso?
Chomsky: Ah, sim. Aquela munição não afetaria a luta em Gaza naquele momento. É verdade. Planejam já as guerras futuras. Quanto ao futuro da OTAN, tudo dependerá da ação dos cidadãos – como a Conferência Anti-OTAN, em Estrasburgo.
[Robert Harneis for Russia Today]


2. Não tive como resistir....rssss...
Do Blog do Mello:

Nunca antes na história deste país um presidente brasileiro foi tratado com tanta deferência no mundo. Só a mídia daqui com suas reporcagens, seus porcalistas de aluguel e de esgoto não reconhecem o trabalho do governo brasileiro.

E fazem isso por preconceito, ressentimento e por inveja – sim, inveja braba, como a de seu representante-mor FHC, o Invejoso, tudo tão bem captado e sintetizado nessa charge de Chico Caruso estampada na capa do Globo hoje (3 de abril).
3. Um assunto polêmico: devemos ou não estabelecer cotas para os afro-brasileiros? Dezenas de artigos já foram escritos a respeito, embora a maioria dos que eu tenha lido estivessem eivados de emocionalismo, quando o que importa, em minha opinião, é discutir essa questão com algo grau de racionalidade. Esta semana vi, no blog do Nassif, uma correspondência enviada a ele por José Roberto Militão, identificado como advogado e membro da Comissão de Assuntos Antidiscriminatórios da OAB-SP e ex-secretário do Conselho da Comunidade Negra do Estado de São Paulo. Creio que é leitura interessante para ampliar o debate de um tema tão polêmico.
Por outro lado, existem pessoas e grupos que defendem as cotas. No blog da minha amiga Conceição Oliveira, por exemplo, tem este email que ela subscreve, que foi enviado a todos os senadores e senadoras. Como ela explica, o texto original foi escrito por Diva Moreira, com adendos de Anna Felipe.

Tomo a liberdade de reproduzir aqui o artigo contrário e o email favorável, esperando que os leitores e as leitoras se manifestem também:
Afro-brasileiros contra leis raciais
a) Por: José Roberto F. Militão - 2/4/2009

No Congresso debatem-se os polêmicos projetos de leis raciais, que preveem cotas em universidades e até no mercado de trabalho e em concursos. São matérias que interessam a todos e dividem também os afro-brasileiros. Há os favoráveis, muitos bem organizados e bem financiados, e há os cidadãos comuns, não organizados - 62,3% são contrários às leis e cotas raciais, de acordo com pesquisa Cidan/IBPS de 20 de novembro.
Os argumentos contrários são de razões éticas e psicossociais, já que a aprovação dessas leis significa a imposição pelo Estado de uma identidade jurídica racial que hoje não temos, alterando substancialmente o status da cidadania de todos. A Constituição federal repudia a classificação racial e está conforme as convenções internacionais que, desde a 2.ª Guerra Mundial e desde a Declaração Contra o Racismo da Unesco, de 1950, têm reiterado o consenso de que a luta contra o racismo exige esforços estatais para a destruição da crença em raças. Isso pressupõe a necessária abstenção do Estado para não legitimar essa crença racial.
Desde então, nenhum país tem recorrido a leis raciais para conferir ou excluir direitos. Estamos trilhando a contramão da história. Sem pensar nas gerações futuras, leis e políticas públicas estão racializando o Brasil e violando os artigos 5.º e 19.º da Constituição, segregando direitos da cidadania. Não é disso que precisamos. Queremos que o Estado nos assegure o direito à igualdade de tratamento e de oportunidades, o que não equivale a privilégios raciais.
Outra objeção conceitual é que políticas de cotas raciais não são equivalentes a programas de ações afirmativas. As cotas compulsórias não têm acolhimento em razão dos males que produzem: aprofundam a crença racial, geram no meio social, a médio e a longo prazos, divisões, conflitos e ódios raciais, em que as vítimas são os afro-brasileiros. Os defensores de leis raciais ludibriam a boa-fé alegando que cota racial é ação afirmativa. Mas especialistas ensinam que "ação afirmativa" é a boa doutrina jurídica acolhida pelo Direito, destinada a coibir todos os tipos de discriminações atuais cotidianas, como racismo, sexismo, machismo, homofobia, etc. Portanto, nos moldes do que lecionava em 2001 o jurista Joaquim Barbosa, atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), "somente os inimigos de ações afirmativas é que as denominam por cotas raciais". Era essa, também, a opinião da ministra do STF Carmem Lúcia e do professor Mangabeira Unger: as ações afirmativas não fazem reparações do passado, não fazem cotas estatais, mas atuam com eficácia para que as discriminações históricas não persistam no presente. Portanto, os afro-brasileiros precisam de políticas públicas de inclusão, indutoras e garantidoras da promoção da igualdade, e não das cotas de humilhação.
No caso da escassez de vagas nas universidades, não é razoável que, sem qualquer novo investimento público, sob alegação de falacioso direito racial, venha o Estado retirar vagas de brancos pobres para entregá-las a pretos também pobres, oriundos de mesma escola pública e mesmo ambiente social. Basta, portanto, a reserva de 50% das vagas por meio de critérios sociais e de origem na escola pública, suficientes para ampliar oportunidades e igualar a disputa entre os pobres. Com isso também se reduz o privilégio dos ricos.
A realidade inaceitável é que a apologia de raças pelo Estado produzirá efeitos colaterais conhecidos e prejudiciais aos afro-brasileiros, pois se trata da crença racial edificada para oprimir. Ao Estado cabe atuar para destruir a crença em raças, neutralizar as discriminações no presente e induzir a igualdade de oportunidades. Leis raciais não servem para redução das desigualdades entre brancos e pretos, pois atacam os efeitos, mas aprofundam as causas, alimentando a perniciosa autoestima racial, em prejuízo da autoestima humana. Isso é violência contra a dignidade humana, pois deduz-se, nesse conceito, pelo senso comum, que há uma perversa hierarquia implícita, na qual a "raça negra" seria a "raça" inferior.
Nos EUA, desde 1990, importantes intelectuais afro-americanos como Thomas Sowell, Cornell West, Kevin Gray e inclusive o atual presidente, Barack Obama, denunciam que a autoestima racial está dilacerando a juventude afro-americana, vítima do niilismo social. Dados oficiais revelam que 1 em cada 3 jovens de 16 a 24 anos está sob a custódia da Justiça. Quase 2 milhões estão nas prisões, o equivalente a mais de 4% dos afro-americanos. Eles são 12% da população, correspondem a 60% dos presos e a 70% dos casos de gravidez na adolescência. São estatísticas que revelam a tragédia social numa sociedade que cultua uma profunda crença racial. Atinge inclusive os filhos da classe média. Não é justo que o Parlamento condene nossas crianças com a mesma crença de que pertencem a uma "raça negra e inferior". Essas leis, segregando direitos, aumentam a autoestima racial, mas enfraquecem o caráter e deformam a personalidade, afirmava Martin Luther King em Carta da Prisão de Birmingham (1963).
Até o presente momento, não somos vítimas dessa autoestima racial. Se nossos jovens talentos tiverem oportunidades iguais, sem o estigma da inferioridade implícita nas cotas raciais impostas pelo Estado, saberão aproveitá-las. A identidade racial é, portanto, assunto que diz respeito aos afro-brasileiros, pois nos afetará, enfraquecendo a autoestima humana. O Parlamento atento a preceitos éticos não deve cometer esse crime de lesa-humanidade. Com sabedoria, nossas avós ensinaram: somos homens e mulheres "de cor". Elas deduziam que a cor de pretos e pardos é uma característica biológica natural, diferente do conceito de "raça negra" - uma construção social para oprimir, violar a dignidade dos humanos de cor e sonegar a inteira humanidade, conforme dizia o líder afro-americano Malcom X.
**********************

b) Vimos solicitar a V. Ex.ª nos ajude a fortalecer a corrente daqueles que defendem e lutam pelas políticas de cotas, como ação afirmativa em favor de estudantes de origem africana e indígenas.
Defendemos, para um tempo apropriado, as políticas chamadas de universalistas e que poderão garantir o acesso às universidades daqui a aproximadamente 30 anos de quaisquer alunos e alunas que entrarem nas BOAS escolas públicas que serão implantadas no País [só Deus sabe quando!].
A ação afirmativa vem suprir as decenais omissões e descasos históricos do poder público na área da educação, em nosso País. Mas uma medida tão singela tem virado um “bicho de sete cabeças”.
A POLÍTICA (em caixa alta) é irmã gêmea da ÉTICA. Se é assim, deve ser exercida em sintonia com uma dimensão fundamental: o TEMPO.
Em nosso vivido, temos sofrido junto com a população brasileira majoritária, pelo fato de alguns políticos, alguns intelectuais – e alguns/mas outros/a “românticos/as” ou “interesseiros/as” – colidirem contra a boa política e a ética quando negam a necessidade da implementação de políticas que promovam a igualdade e a justiça HOJE, e as adiam para as “calendas gregas”.
Neste futuro sempre adiado, os/as jovens negros/as e indígenas que estão, com justeza, reivindicando um lugar nas universidades públicas serão avôs, antes de poderem ver reconhecidos seus direitos que são legítimos em função de um regime de segregação – com “ares” de “democracia racial” – que teve início nos anos 1500 e que os governos do Brasil têm feito questão de perpetuar, especialmente a partir do dia 14 de maio de 1888!
Negros e negras estão exaustos de viverem o “dia seguinte” de uma abolição inconclusa após 120 anos!
Nesse sentido, vimos solicitar a V. Ex.ª, na condição de Senador/a da República considere a necessidade do povo brasileiro [com todas as características históricas, políticas e demais que V. Ex.ª bem conhece para o exercício do mandato] e vote, na próxima 4a. feira, em favor da PL 180/2008.
No caso V. Ex.ª já ser um/a digno/a defensor/a de uma política que tornará a presença de homens e mulheres negros/as e indígenas em nosso País uma realidade de dignidade para mais de 50% da população e para todos/as os/as demais que, juntos, se irmanam (de um jeito ou de outro) na constituição da brasilidade… solicitamos nossas desculpas no encaminhamento indiscriminado deste Ofício, considerando o tempo exíguo para nos dirigirmos a cada um/a em particular.
Mui Respeitosamente,
Conceição Oliveira
historiadora, pedagoga e autora de livros didáticos

4. Contribuição do professor Antônio de Paiva Moura, como ele mesmo diz, uma contribuição para uma semana quase santa.
Crise e Religião
Em artigo do teólogo Leonardo Boff, publicado no jornal “O Tempo”, de Belo Horizonte, ele começa afirmando que para responder à crise atual, há que assumir desafios seminais. As tentativas de solução têm sido panacéias que não afetam a raiz do caos atual. Preferem alimentar e vender ilusões de que, dentro de pouco tempo, tudo vai voltar ao normal. Diz mais o teólogo: O sistema e a cultura do capital não dão mais conta de condução da vida social da humanidade”.
Sintetiza dizendo que a crise única é espiritual, não podendo, contudo identificar o espiritual com o que praticam as religiões, especialmente a católica, por sua falta de compaixão e de sensibilidade. São absurdas as declarações do papa na África, com relação ao problema da AIDS. Igualmente é absurda a posição do clero com relação ao abordo; a impunidade e a proteção de padres pedófilos; posições antigas e recentes contra os judeus.
Há exatamente um século, o filósofo católico Charles Péguy, (1873-1914), em 1910, em artigo publicado no periódico “Notre Jeunesse” disse: O golpe mais bem desferido pelo modernismo foi tornar moderno até mesmo a própria Igreja e o cristianismo; transformando-os em uma “religião dos ricos”.
O capitalismo conseguiu fazer valer para o modernismo um único sentido semântico que é o de classificar tudo que não é interessante para a industria e para o comércio, como velho, “Jurássico”, retrógrado. Moderno é tudo que é bom para o consumo, que provoca o impulso de consumir. O conhecimento científico ou filosófico que estiver em desacordo com a ideologia do modernismo conveniente, fica discriminado, excluído. Mas para Péguy esse modernismo tornou-se conservador e anda na contramão do humanismo e do progresso humano. Continua dizendo que uma das formas de expressão dessa corrupção moderna é a “política clerical”, a manipulação da religião pelos clérigos e pelos reacionários, em total contradição com a mística cristã autêntica.
Leonardo Boff, portanto, tem razão em dizer que não é nas religiões que se deve buscar a espiritualidade. As instituições religiosas do ocidente estão envolvidas em negócios. As igrejas ambicionam o aumento constante de seus patrimônios e são, em parte, responsáveis pela crise atual.
Belo Horizonte, abril de 2009.
Antonio de Paiva Moura

VALE A PENA LER
1. Leite derramado, de Chico Buarque de Holanda
Um homem muito velho está num leito de hospital. Membro de uma tradicional família brasileira, ele desfia, num monólogo dirigido à filha, às enfermeiras e a quem quiser ouvir, a história de sua linhagem desde os ancestrais portugueses, passando por um barão do Império, um senador da Primeira República, até o tataraneto, garotão do Rio de Janeiro atual. Uma saga familiar caracterizada pela decadência social e econômica, tendo como pano de fundo a história do Brasil dos últimos dois séculos. A fala desarticulada do ancião cria dúvidas e suspenses que prendem o leitor. O discurso da personagem parece espontâneo, mas o escritor domina com mão firme as associações livres, as falsidades e os não-ditos, de modo que o leitor pode ler nas entrelinhas, partilhando a ironia do autor, verdades que a personagem não consegue enfrentar. Tudo, neste texto, é conciso e preciso; como num quebra-cabeça bem concebido, nenhum elemento é supérfluo.
Cia. Das Letras, 200 p. R$ 36,00



NAVEGAR É PRECISO

1. Unidos, venceremos!
A blogosfera científica brasileira acaba de ganhar um impulso que tem tudo para aumentar sua visibilidade e credibilidade: foi criado no fim de março o portal ScienceBlogs Brasil, versão nacional do maior condomínio de blogs de ciência do mundo. A iniciativa confirma o potencial dos blogs brasileiros sobre ciência, que vivem um momento de expansão sem precedentes.
http://cienciahoje.uol.com.br/141845

2. http://cafehistoria.ning.com/
Este site é bem interessante. Cadastrando-se nele, de graça, você passa a ter muito material (textos, fotos, vídeos), pode fazer parte de grupos de discussão, pode enviar matérias. Vale a conferida!

3. Paraísos fiscais, uma reportagem
Agora que os líderes do G-20 anunciam um cerco aos paraísos fiscais, é um boa oportunidade para dar uma conferida nesta produção da TV Espanhola ... (ler +)
http://blogdomello.blogspot.com/2009/04/paraisos-fiscais-uma-reportagem.html

4. Política Cultural
Lei Rouanet: a cultura como marketing e negócio
Diretor teatral explica o histórico da lei e analisa como as grandes corporações são as que mais se beneficiam dela
http://www3.brasildefato.com.br/v01/agencia/entrevistas/a-cultura-como-marketing-e-negocio

5. França está “à beira da explosão social”, diz cientista político da Sorbonne
Stéphane Monclaire, professor de Ciências Políticas na Universidade Sorbonne, em Paris, alerta sobre a defasagem cada vez maior entre as elites políticas e a população.
http://www3.brasildefato.com.br/v01/agencia/entrevistas/franca-esta-201ca-beira-da-explosao-social201d-diz-cientista-politico-da-sorbonne-1/

6. Minha amiga Lise Sedrez postou estes links no Orkut, dando conta das crianças desaparecidas na época do Franquismo. Transcrevo:
Os niños desaparecidos da Espanha
Estava ouvindo hoje na radio sobre as crianças desaparecidas no período Franquista na Espanha. E não era algo que eu soubesse (não que eu saiba muito sobre o franquismo, de qualquer forma)Para além do horror da história, há dois elementos interessantes. Um é a semelhança com o caso argentino, mas também com o australiano (crianças aborígenes mestiças) e americano (crianças indígenas). O segundo ponto é que as crianças eram alvo preferencial se as mães eram politicamente ativas, e um pouco menos se os pais o eram. Isto partia da idéia que a mulher politicamente ativa era uma mãe ruim, renegava um certo modelo de feminilidade. Aqui tem uma notícia em espanhol..http://www.20minutos.es/noticia/429812/0/garzon/franquismo/ninos/. E aqui tem um filme no youtube, excelente..http://www.20minutos.es/noticia/429812/0/garzon/franquismo/ninos/(dá para entender, mas não é bem espanhol. Pode ser catalão?)

7. Dossiê - 150 anos da obra de Charles Darwin
Darwin, os transgênicos e a imunodeficiência
Antônio Inácio Andrioli
***
Marx e Darwin, há 150 anos marcando a visão científica do mundo
Carlos Pompe
***
Darwin, materialismo radical e singularidade humana
Eliane Sebeika Rapchan
***
A sobrevivência do mais modificado: o que diria Darwin?
Eva Paulino Bueno
***
Darwin e sua presença na teologia
Jorge Pinheiro
***
Darwin nu
Nildo Viana
***
O ensino da Teoria da Evolução e os criacionistas – notas para comentar o filme "O vento será tua herança"
Raymundo de Lima
Leia este dossiê no site da Revista Espaço Acadêmico – http://www.espacoacademico.com.br/


NOTICIAS

1. Guerra de Estratégia na Grécia Clássica
Curso de Extensão Universitária NEA/UERJFacilitador: Prof. Mestrando Alair Figueiredo Duarteas Sextas-Feiras de 24/04 a 04/06/09 de 16:00h as 18:00hInscrições Abertas - Investimento R$ 30,00Rua São Francisco Xavier, Campus UERJ/Maracanã sl 9030aSite: www.nea.uerj.br - Tel: (21) 2587-7295

2. O II EREH do Centro Oeste e Triangulo Mineiro, estará acontecendo em Três Lagoas MS.maiores informações entrar no blog:http://ereh2009.blogspot.com/



3.




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