Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

14.4.09

Número 184




!Neste número tratamos de vários assuntos. Inicialmente, apresento a mudança que está sendo proposta para o currículo de ensino médio nas escolas do Estado de Minas. Tema polêmico, está recebendo críticas e elogios. Gostaria de ler o que os leitores deste boletim podem dizer a respeito.
Em seguida, um artigo que me foi enviado por uma colaboradora, chamando nossa atenção para o perigo que representa a direita togada em nosso pais.
Em terceiro lugar, uma suculenta resenha do mais recente livro de Ignacio Ramonet, abordando a crise econômico-financeira atual.
Dois livros chamam a atenção na seção Vale a pena ler: Modernismo, de Peter Gay, e As religiões que o mundo esqueceu, organizado por Pedro Paulo Funari. Além deles, o jornal Le Monde Diplomatique Brasil e as revistas Leituras da História e da Biblioteca Nacional.
Muitas indicações de sites e blogues na seção Navegar é preciso. Assuntos? Olha só: Lixo Eletrônico e a ilusão de obsolescência - Amós Oz fala da Guerra, da Paz e do Futuro - "O mundo segundo a Monsanto" – Fujimori é condenado – A mídia e a banalização da violência – O acervo digital da revista Veja – Dezenas de artigos na Revista Espaço Acadêmico – Para onde vai o Leste europeu – Chomsky: Nacionalizações são um passo para a democratização – A abertura dos EUA em relação a Cuba – O significado político da greve de fome de Evo Morales – O Brasil quer ter seu muro da vergonha – Fonte desmente seqüestro de Delfim e acusa Folha de má fé.
Em Notícias, o debate sobre a Esquerda na América Latina e o Informe da ANPUH.
Bom proveito

MG muda currículo do ensino médio e provoca polêmica
Alunos do 2º ano têm de escolher se focam esforço em humanas, exatas ou biológicas Desde o início do ano, quem escolher por humanas, por exemplo, não tem mais aulas de biologia, química e física até o fim do 3º ano
BRENO COSTA
DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE
Alunos do 2º ano do ensino médio de Minas têm agora de optar por uma área específica (humanas, exatas ou biológicas) para seguir até o fim do antigo colegial. A medida do governo Aécio Neves (PSDB) está em vigor desde o início do ano. Há 200 mil matriculados nessa série em toda a rede estadual.O número de aulas continua o mesmo. O que muda é que, se o aluno escolhe humanas, passa a não ter mais aulas de biologia, química e física nos dois últimos anos do ensino médio.Já o que opta por exatas e biológicas deixa de ter aulas de história, geografia e língua estrangeira. A maioria dos vestibulares exige todo o conteúdo.A escolha vale para quem obtiver rendimento de 70% em todas as disciplinas obrigatórias do 1º ano do ensino médio. A direção da escola definirá a área para quem entrar no 2º ano após passar por recuperação em alguma disciplina.As normas constam de uma resolução da Secretaria da Educação, publicada em dezembro."Em vez de aprender um pouco de muito conteúdo, o aluno vai aprender mais aprofundadamente com menos disciplinas. Com muita disciplina, perde-se o foco. Achamos que isso é mais útil para o aluno", afirma o secretário-adjunto da Educação, João Filocre.O Ministério da Educação diz que o Estado tem autonomia para criar sua norma desde que não se choque com a Lei de Diretrizes e Bases, que dita as regras gerais da educação no país.A lei federal diz que são disciplinas obrigatórias língua portuguesa, matemática, educação física, filosofia e sociologia.Alunos ouvidos pela Folha afirmam que a ausência de disciplinas básicas poderá atrapalhá-los na hora do vestibular.Os alunos de Minas têm a chance cursar as disciplinas que não constam da grade obrigatória da sua área de ênfase.Para isso, precisam estudá-las em turno extra. O aluno matriculado na manhã pode cursar a aula que não faz parte do currículo à tarde ou à noite, desde que haja ao menos 20 alunos interessados. A direção da escola, então, comunica o desejo das aulas extras à secretaria, que abre a turma.Uma outra possibilidade, que também depende da decisão de cada uma das 1.800 escolas estaduais de ensino médio de Minas, é que oito aulas de 50 minutos sejam distribuídas livremente, desde que respeitado o teto de dez disciplinas no 2º ano e de nove no 3º ano.Isso foi feito na escola Governador Milton Campos, em Belo Horizonte, que tem mais de 3.700 alunos no ensino médio. Segundo a diretora, Maria José Duarte, como há seis disciplinas obrigatórias para cada área de ênfase, além de sociologia e filosofia, exigidas por lei federal, restaram só duas para serem incluídas no 2º ano.Uma votação com os alunos foi feita. Na área de humanas, física ficou em terceiro lugar e, portanto, fora do currículo. Uma aula de biologia e uma de química foram incluídas. Na área de exatas e biológicas, língua estrangeira foi sacrificada.Em um colégio menor, em São João del Rei, no interior de Minas, a diretora decidiu colocar todos numa
só área: exatas.

Colaboração da professora Laura Nogueira:
DIREITA TOGADA

Léo Lince - sociólogo e mestre em ciência política pelo IUPERJ
No começo do mês passado, 2 de março, o jornalista Ricardo Noblat, em sua coluna regular de “O Globo”, desenhou bifurcações imaginárias para se colocar a seguinte questão: que papel desempenha no cenário político brasileiro o ministro Gilmar Mendes, atual presidente do Supremo Tribunal Federal?
Se, segundo ele, a situação é de funcionamento regular e democrático das instituições, “cenário otimista”, o bom juiz é o que só fala nos autos. Não se mete em política, tampouco se faz sócio de empresas e negócios. O solene poder de julgar, dar a última palavra, requer recato, contenção e sobriedade. Entretanto, se o quadro é de erosão generalizada das instituições, “cenário pessimista”, o bom juiz poderia ser aquele que “rompe o silencio que a toga lhe obriga” para, no rigor da lei, defender a ordem ameaçada. Herói ou bufão, bom ou mau juiz, o papel de Gilmar Mendes se decifra no cenário real da luta política. “Você decide”, diz Noblat.
Em sabatina realizada pela “Folha de S. Paulo” (súmula publicada na edição de 25/03), o ministro Gilmar Mendes forneceu, ao opinar sobre um vasto leque de pontos da pauta política, a sua própria resposta para a questão: está na ofensiva e se considera imbuído de missão salvífica. A matéria do jornal, depois de informar sobre o clima tenso entre o ministro, entrevistadores e manifestações de apoio e crítica por parte da platéia, traz o seguinte trecho: “Mendes afirmou que o juiz De Sanctis, com sua atitude, “quis desmoralizar o STF, apostando que a opinião pública respaldaria aquela decisão”. Para o ministro, se isso prevalecesse, De Sanctis seria hoje “o supremo juiz do Brasil””.
O trecho é confuso, está truncado, mas muito importante. A atitude através da qual o juiz Fausto De Sanctis procurou, segundo Mendes, desmoralizar o STF todos conhecem: é a ordem de prisão contra o banqueiro Daniel Dantas. Ao dar plantão no Supremo para revogar, principalmente, a segunda ordem de prisão contra o indigitado, o presidente do STF imagina ter salvo, no corpo do banqueiro, o espírito das instituições. Soltar Daniel Dantas, são palavras do ministro, evitou a desmoralização da nossa Suprema Corte.
O raciocínio do ministro vai além. Especula sobre o possível respaldo da opinião pública ao mandado de prisão e suas repercussões no equilíbrio geral no quadro da política. Soltou o banqueiro, evitou a desmoralização do STF e, além do mais, preveniu um possível e indesejável (para ele) deslocamento da opinião pública. Ao valorizar o seu gesto como crucial, o ministro busca papel de protagonista do momento político. É do que se trata quanto se afirma: “se isso prevalecesse, De Sanctis seria hoje o supremo juiz do Brasil”. A versão espelhada desta frase é mais do que evidente: não prevaleceu, barrei a catástrofe, logo, o supremo juiz do Brasil sou eu.
Gilmar Mendes fala pelos cotovelos e faz política de forma ostensiva. Opina sobre qualquer assunto, chama para si o foco das atenções e opera na linha da mais absoluta nitidez ideológica. Ele se oferece como pólo de condensação e rearticulação da tradição autoritária e do pensamento conservador. Tratar a questão social como caso de polícia, criminalizar os movimentos, usar a lei como chicote para disciplinar os pobres, entre outros, são temas que readquirem relevância com o agravamento da crise. Os democratas de todos os matizes devem abrir o olho: muito cuidado com a direita togada
.

O krach perfeito
Em seu novo livro, Ignacio Ramonet faz uma minuciosa análise dos eventos que, segundo ele, se configuram como uma precipitação do “fim de uma era do capitalismo”
Douglas Estevam, de Paris

Ignacio Ramonet acaba de publicar seu mais recente trabalho, “O krach perfeito, crise do século e refundação do futuro”, no qual desenvolve uma minuciosa análise dos eventos que, para o autor, se configuram como uma precipitação do “fim de uma era do capitalismo”, em que “o sistema financeiro internacional foi comprometido como nunca antes. Pior do que em 1929”.
Em um ensaio conciso, a descrição dos elementos ideológicos, políticos e econômicos que configuraram as bases da atual crise financeira se articulam com a exposição da emergência de uma ordem mundial marcada pela globalização neoliberal em detrimento dos mecanismos de regulação, estímulos econômicos e investimentos públicos realizados pelo Estado que, somados às políticas de pleno emprego, haviam caracterizado o período anterior, fortemente influenciado pelo pensamento de Keynes. Ele enfatiza ainda um outro fenômeno inédito que se produziu no último ano: a alta simultânea dos preços do petróleo, dos produtos primários e dos produtos alimentares. “Todos os elementos são reunidos para um krach [equivalente francês ao termo inglês crash] perfeito, que só vemos uma vez a cada século”.
Arqueologia do krach
“Tudo começou em 15 de agosto de 1971. Neste dia, o presidente estadunidense Richard Nixon anuncia que os EUA suspendem a conversibilidade do dólar em ouro”. Chegava ao fim o sistema de Bretton Woods e abria-se o caminho às manobras monetárias de Washington e à desregulamentação financeira, marcos de um novo capitalismo.
Em sua Arqueologia do Krach, título do primeiro capítulo do livro, as teorias dos “três oráculos do neoliberalismo” Schumpeter, Hayek e Milton Friedman, são analisadas. A presença dos teóricos formados pela Escola de Chigago (da qual os dois últimos foram os maiores expoentes) nas ditaduras de Pinochet no Chile e de Suharto na Indonésia, em 1971, e depois, no início dos anos oitenta, nos governos de Margaret Thatcher e Ronald Reagan, na Inglaterra e Estados Unidos, marcam a chegada ao poder da chamada “revolução conservadora”. Centradas em um “neoliberalismo agressivo, redobrada por um anti-keynesianismo militante”, suas teses, que têm como principal objetivo “chegar ao fim da longa tradição de intervenção econômica e social do Estado, dominaram o campo teórico do capitalismo real dos últimos trinta anos”.
Schumpeter introduziu o conceito de destruição criativa, para o qual a lógica do capitalismo seria marcada por uma constante inovação, tendo singular importância a inovação tecnológica e a figura do empreendedor.
Hayek, “muito mais ideológico, o verdadeiro mestre do pensamento, o profeta dos neoliberais”, defendia um conceito próprio de ”Estado mínimo, desprovido de poder de intervenção econômica, e a ideia de que o mercado tem sempre razão”. O teórico americano Milton Friedman contribuiu com sua tese da nova violência capitalista. Para ele, “o livre mercado é um sistema científico perfeito” e o “Estado teria como única função proteger nossa liberdade contra os inimigos externos”.
“Ao longo dos anos 80, as principais firmas multinacionais, os bancos de Wall Street, o Federal Reserve dos Estados Unidos e os organismos financeiros internacionais, elaboram em comum, sob a base destes comandos neoliberais, uma doutrina feita de competitividade, disciplina orçamentária, reforma fiscal, redução de despesas públicas, liberalização de trocas comerciais, financeiras e privatizações massivas do setor público”.
Estas medidas são postas em prática com os “programas de ajustamento estrutural”. No final da década de oitenta e início dos anos noventa, com a queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética, ficava “suprimido o principal obstáculo político à expansão do neoliberalismo”, dando aos neoliberais a segurança de que “suas concepções de economia foram a chave da vitória”. Responsáveis do Banco Mundial sintetizam as teses neoliberais no “Consenso de Washington”, que o “Pôquer do Mal – FMI, Banco Mundial, OCDE e OMC” se encarregariam de promover, primeiro na América Latina, e logo depois na Ásia e África. É o apogeu do mercado contra o Estado, marcado por uma transformação profunda da política, a adoção de uma globalização que “concerne sobretudo ao setor financeiro. A liberdade de circulação dos capitais tornando-se absoluta, este setor dominando, de longe, a esfera da economia”.
A fábrica do krach
Ramonet dedica uma parte de sua análise às crises que precederam o krach atual. Nesta parte de seu estudo, denominada “A fábrica do krach”, ele percebe o primeiro sintoma da “crise do século” nos eventos que atingiram os “tigres asiáticos” em 1997, que demonstraram claramente que “o sistema financeiro edificado pela teoria neoliberal, com mercados desregulados e liberalizados, atores abusando dos efeitos de alavancagem e capitais internacionais em movimento permanente, estava se tornando perigosamente frágil”. Recuando no tempo, ele menciona os impactos da crise do México, amenizada por uma massiva intervenção dos Estados Unidos.
A revolução da internet, que no início da década de noventa “parecia confirmar as duas teses schumpeterianas: a da mudança de cíclo, provocada pelo salto tecnológico, e a da destruição criativa”, foi duramente abalada pela explosão da Bolha da Internet. Os especuladores estavam persuadidos de que “uma das transformações mais rápidas que o mundo conheceu, em virtude das leis da destruição criativa” obrigaria as empresas a “se adaptarem, a investir enormemente em equipamentos de informática, telecomunicações, redes numéricas, cabos ópticos etc. As perspectivas de crescimento pareciam ilimitadas”. As cotações das ações das empresas de internet explodem, as “stock options desempenham um papel importante nesta febre” e, depois de cinco anos de especulação, em março de 2000, a bolha explode.
Os outros exemplos são as empresas Enron e Parmalat. Reconhecida como “um modelo de audácia e modernidade, de governabilidade de empresa, com a capacidade de melhor operar nos mercados desregulamentados de produtos derivados”, a norte-americana Enron conseguiu um aumento de 90% do valor de suas ações em único ano. “A ascensão do valor das ações fazia calar os últimos céticos”. Seu sucesso se devia a escandalosos métodos fraudulentos. Em 2001 foi descoberto que a empresa “exagerava artificialmente seus rendimentos, ocultando déficits, utilizando uma infinidade de sociedades fantasmas e falsificando suas contas”, tudo em cumplicidade com uma agência de auditoria. Um prejuízo de 68 bilhões de dólares.
A Parmalat, outro “exemplo de sucesso impulsionado pela dinâmica da globalização liberal” não ficaria atrás, falsificando documentos, balanços e realizando desvios contábeis que, em 2003, viriam à tona numa operação que envolvia prejuízos de mais de 11 bilhões de euros. Todos estes acontecimentos não foram suficientes para conter os “instintos animais” que, segundo Keynes, a liberdade econômica estimula.
O fim de uma Era de Ouro
Apesar de todas estas crises, o sistema parecia miraculosamente intocável. Um dos artesãos deste milagre foi Alan Greenspan, presidente do Banco Central Americano. Ele desenvolve “uma política agressiva de taxas de juros baixas e encoraja os americanos a se endividarem além de suas possibilidades”. Estimulado pelo contexto de desregulamentação, “surge um novo capitalismo ainda mais brutal e concorrente” para o qual Robert Rubin iria desempenhar um papel central ao implementar as reformas que eliminavam as incompatibilidades entre bancos de investimento e bancos de depósito. “A porta é aberta para toda sorte de excessos da parte de financistas ávidos de rendimentos máximos”. Com estas medidas, os fundos de investimentos se tornam os “novos mestres do universo”.
Essa iniciativa resultou na crise imobiliária norte-americana que, através de uma “indústria financeira hipersofisticada”, acompanhada de uma “engenharia financeira dotada de uma forte criatividade, não cessou de se desenvolver inventando instrumentos (títulos derivados, subprimes, hedge fonds) e técnicas” que provocaram a generalização internacional de uma crise, desencadeando em todo o mundo uma sequência de falências, desempregos, nacionalizações, planos de salvamento e quebras que veríamos eclodir em 2008.
A todas estas crises vêm ainda se juntar as crises energética e alimentar. Para Ramonet, “cada uma delas age sobre as outras. Elas se estimulam. Elas constituem o saldo deplorável de três décadas de neoliberalismo”. A emergência da China como superpotência econômica “é um presságio de que os dias dos Estados Unidos como primeira potência econômica estão contados”. As manifestações sociais que se espalham pelo mundo, como as que se viram nos países mais afetados pela crise alimentar, as que se realizaram na Grécia, ou a eleição de Obama, que gerou um entusiasmo que pode “rapidamente se transformar em decepção, frustação e cólera”, são para o autor sinais de emergência da questão social que se coloca “no coração do debate político”.
Contudo, Ramonet reconhece que “este krach talvez não signifique o fim do capitalismo, que já conheceu outros e conseguiu se recuperar”, mas não deixa de perceber que, mesmo num contexto de vazio teórico das esquerdas, “a crise atual, pela sua extensão e intensidade, fornece a ocasião de transformar, enfim, a arquitetura geoeconômica e geopolítica do mundo”.
Douglas Estevam é correspondente do Brasil de Fato, em Paris (França).


VALE A PENA LER

1. Edição de abril do jornal Le Monde Diplomatique Brasil.
Matéria principal: A força das ruas.
Outros artigos: A Escola pública no Brasil – Otan: a volta da França – Efeitos da crise: nacionalizar os bancos – Literatura: a primavera de Kundera – Ideologias: uma esquerda liberal – Internet: limites da Wikipedia – Cultura popular: o circo no Brasil.

2. Revista de História da Biblioteca Nacional nº 43.
Dossiê: Chocolate, o doce sabor da América
Entrevista: Istvan Jancsó
Matérias principais: Olinda garimpada – Tiradentes: quem tem boca vai à forca – Quando o ferro virou arte – Marcilio Dias: heroísmo bem-vindo – Serviço postal: remessas tardias – É duro ser francesa: a moda no Rio do século XIX – Normalistas em pauta.

3. Revista Leituras da História nº 18
Artigo de capa: Ku Klux Klan: passado e presente do terror
Entrevista: John Sack
Artigos: Mulheres e máquinas – A honra dos nobres – Antônio Carlos Magalhães – Profissão: historiador.

4. MODERNISMO- O fascínio da heresia: de Baudelaire a Beckett e mais um pouco
Peter Gay
Companhia das Letras, 600 páginas, R$ 64,00.
Somente alguém com a ampla visão cultural e o profundo conhecimento histórico de Peter Gay teria condições de abarcar em um volume a gama tão diversificada de fenômenos artísticos que veio a ser chamada de modernismo. É o que ele faz neste estudo das origens, dos autores, das obras marcantes e do declínio desse movimento que abrange mais de cem anos da história da literatura e das artes.
Para Peter Gay, há dois traços centrais na atitude modernista: a atração pela heresia, pela inovação, e a exploração profunda da subjetividade. Por mais diversos e até mesmo opostos que fossem, os modernistas acreditavam que o desconhecido era muito superior ao conhecido, que o raro era melhor que o comum, e que o experimental era mais atraente que o rotineiro. O modernismo gerou uma nova maneira de ver a sociedade e o papel do artista nela, e trouxe consigo novas ideias, sentimentos e opiniões. O autor situa o começo dessa nova era em meados do século XIX, com o horror à classe média burguesa manifestado por Charles Baudelaire e Gustave Flaubert e, mais adiante, no culto da arte pela arte de Oscar Wilde. No entanto, também mostra como o fenômeno só foi possível graças ao apoio de uma classe média esclarecida, fruto da prosperidade econômica, da urbanização e do avanço da democracia. Na segunda parte deste ambicioso panorama, Gay pinça escritores, artistas, músicos, arquitetos, dramaturgos e cineastas cuja importância será inegável daqui em diante: o assalto à arte acadêmica feito por Edvard Munch, Wassily Kandinsky, Piet Mondrian e Pablo Picasso; o ataque à ficção vitoriana empreendido por James Joyce, Marcel Proust e Virgina Woolf; a rejeição ao tradicionalismo na música encabeçada por Igor Stravínski e Arnold Schoenberg; o abandono da arquitetura historicista pela Bauhaus e por Frank Lloyd Wright, sem falar na chegada do cinema de Charlie Chaplin e Orson Welles.Entre os muitos representantes inegáveis do modernismo também estão os autores "excêntricos" que Gay analisa na terceira parte do livro: o poeta conservador T. S. Eliot, o compositor "provinciano" Charles Ives e o escritor nazista Knut Hamsun. Nesta parte, Gay também se detém na perseguição aos modernistas realizada pelo nazismo, fascismo e socialismo soviético, o que levou muitos artistas a se refugiar nos Estados Unidos. E é na América que acontece o último ato do modernismo, primeiro com a explosão do expressionismo abstrato e depois com a pá de cal da pop art, quando a produção comercial da cultura se impõe de forma avassaladora. Mas nas cinzas do modernismo Gay ainda vê sinais de vida modernista, como na literatura de García Márquez e na arquitetura de Frank O. Gehry. E assim termina o livro com uma pergunta que é quase um desejo: será que o modernismo poderia renascer?

5. As religiões que o mundo esqueceu – Pedro Paulo Funari (Org.)
Ed Contexto, 224 p., R$ 39,00
Junto à capacidade de produzir e transmitir cultura, a experiência religiosa é a marca mais distintiva da humanidade. E isso desde os primórdios. Registros de dezenas de milhares de anos já retratavam a fé em deuses e cultos. Esta obra dedica-se a algumas das mais interessantes e marcantes religiões que deixaram de existir ou quase desapareceram. São pequenas pérolas, escritas por especialistas, que convidam o leitor a viagens mais profundas pelos domínios de deuses tão diversos como An, Ra, Zeus, Thor e Huitzilopochtli. Aceito o convite, o leitor encontrará parte da sua própria história, mas também se deparará com facetas desconhecidas de seus próprios sentimentos e emoções




NAVEGAR É PRECISO

1. Lixo Eletrônico e a ilusão de obsolescência[Felipe Fonseca]
Com o auxílio da mídia especializada, a indústria de eletroeletônicos se esforça para criar a ilusão de obsolescência – convencer as pessoas de que precisam trocar seus computadores, celulares, câmeras e outros equipamentos em períodos cada vez mais curtos.http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=1238
******************
2. Rua 8 de Fevereiro? Não!"Rua 7 de Abril", Pádua.
Dia 7 de abril próximo, completam-se 30 anos do dia em que o filósofo italiano Toni Negri foi preso em Pádua, Itália. Leia o texto assinado por ele para relembrar a data. http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=1237
*************
3. Amós Oz fala da Guerra, da Paz e do Futuro
[Por Joahann Hari] Diz o escritor e ativista: "Eu me recusaria a lutar por qualquer coisa que não fosse pela vida e pela liberdade".
http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=1237
*************
4. Site do jornal Brasil de Fato – WWW.brasildefato.com.br
Entrevista
"O mundo segundo a Monsanto"
Pesquisadora francesa denuncia poder da maior multinacional de sementes: corrupção de governos, produção armas químicas, controle de alimentos em nível global
****
Peru
Fujimori é condenado por violação de direitos humanos
Esta é a primeira vez que um presidente latino-americano eleito democraticamente é condenado por esse tipo de abuso em seu próprio país. Alberto Fujimori governou o Peru entre 1990 e 2000
*****************
5. BARBÁRIE ELETRÔNICA
A mídia e a banalização da violência
Venício A. de Lima Jornal de Debates
Na mesma semana em que a "responsabilidade" da grande mídia brasileira e da televisão, em particular, foi louvada em voto no Supremo Tribunal Federal, é preocupante que um assassino declare ter se inspirado nela para cometer seus crimes.
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=532JDB001
*************
6. APESAR DE HOJE SER UMA REVISTA DE MORAL DUVIDOSA, DEVE VALER A PENA RELÊ-LA NOS VELHOS TEMPOS DE "GUERRA" E DE EDITORIALISTAS, COLUNISTAS E CHEFES DE REDAÇÃO DIGNOS.
Estou enviando para vocês, um Link de acesso à todas as revistas Veja, editadas pela Abril nesses últimos 40 anos. Da capa à contra-capa, incluindo todas as páginas.
É um trabalho impressionante e creio que servirá como fonte de consulta e garimpagem de dados para efetivação de eventuais trabalhos de pesquisa.
todas as edições de VEJA poderão ser consultadas na íntegra na web
http://veja.abril.com.br/acervodigital/
A revista liberou o acervo em comemoração ao seu aniversário de 40 anos. A primeira edição de VEJA foi publicada em 11 de setembro de 1968.
O sistema de navegação é similar ao da revista em papel: o usuário vai folheando as páginas digitais com os cliques do mouse.
Com investimento de R$ 3 milhões, o projeto é resultado de uma parceria entre a Editora Abril e a Digital Pages e levou 12 meses para ficar pronto. Mais de 2 mil edições impressas foram digitalizadas por uma equipe de 30 pessoas. O banco Bradesco patrocinou a iniciativa.
**************
7. Revista Espaço AcadêmicoWWW.espacoacademico.com.br
Falácias acadêmicas, 7: os mitos em torno do movimento militar de 1964
Paulo Roberto de Almeida
***
Tecnologia verde para desenvolvimento sustentável
Antonio Mendes da Silva Filho
***
O Movimento Na Luta, PT! (NLPT)
Antonio Ozaí da Silva
***
Meio ambiente, saúde e desenvolvimento sustentável
Henrique Rattner
***
O fim da era Bush e Obama: uma nova era para os Estados Unidos, sua política externa e sua sociedade? Parte 2
João Fábio Bertonha
***
O enfrentamento da violência contra a mulher: um resgate da auto-estima
Adriano Ricken Barone & Cristina Vilela de Carvalho
***
A natureza no Cárcere: o conceito de natureza na obra de Gramsci
Alexandre Reinaldo Protásio
***
Uma infausta data: 45 anos do golpe de abril
Caio Navarro de Toledo
***
O jornal O COMBATE e as lutas autônomas desenvolvidas em Portugal na Revolução dos Cravos (1974-1978)
Danúbia Mendes Abadia
***
La historiografía ambiental y la cuestión de la naturaleza
David Alejandro Ramírez Palacios
***
“Sí, nosotros podemos.” A mudança chega a El Salvador
“Si, nosotros podemos” – Change Comes to El Salvador
Larry Hufford
***
A Organização Pan-americana de Saúde (OPAS) e a difusão do ideal da medicina preventiva
Lucirleia Alves Moreira Pierucci
***
Movimentos sociais e democracia participativa
Marcio Renan Hamel
***
Por mais terras que eu percorra .... Vida, luta e martírio do sargento Manoel Raimundo Soares [Parte 1]
Mario Maestri & Helen Ortiz
***
8. Site da Agência Carta Maior – WWW.cartamaior.com.br
Para onde vai o leste europeu?
[Cristina Moreno de Castro] Há exemplos de vários muros que ajudaram a segregar povos ao redor do mundo. Sérgio Cabral quer construir 11 deles, ao redor de favelas da parte "nobre" do Rio de Janeiro.Leia. Manifeste-se
http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=1244
******************
10. Fonte desmente "seqüestro de Delfim" e acusa jornal de má-fé
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=532FDS001


NOTICIAS
A esquerda na América Latina é tema de 2º debate do Vermelho

No próximo dia 16, quinta-feira, o portal Vermelho, em parceria com a agência Carta Maior, a Boitempo Editorial e a Fundação Maurício Grabois, realiza em São Paulo o debate “Os caminhos das esquerdas na América Latina”. O evento terá como debatedores Emir Sader, secretário-geral do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso) e de José Reinaldo Carvalho, dirigente do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz).


Informe Anpuh Abril 2009


1. Encontros
O Laboratório de Estudos dos Militares na Política (LEMP - Universidade Federal do Rio de Janeiro) e o Grupo de Pesquisa Estudos Políticos e Militares Contemporâneos (Universidade Estadual de Londrina) têm o prazer em convidar todos a participarem do I Seminário de Estudos sobre a Força Expedicionária Brasileira, que será realizado no dia 15 de junho de 2009, no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro.Maiores informações aqui.
****
V Encontro Regional Sul de História Oral “Desigualdades e Diferenças”. Inscrições de trabalhos e minicursos até 12 de abril de 2009!Local: UNIOESTE - Campus de Marechal Cândido Rondon. Data: 25 a 28 de maio de 2009.Mais Informações: www.unioeste.br/eventos/historiaoral
****
O I EEEM – Encontro Estadual de Estudos Medievais/RS ocorrerá de 23 a 26 de Junho de 2009 no Campus Central da UFRGS.
Inscrições de trabalhos – até 01/05/2009
Inscrições ouvintes – até 23/06/2009
Para a programação completa, cronograma e fichas de inscrição, favor acessar: http://www.gtestudosmedievais.ufrgs.br/eeem.htm
****
12º Encontro Internacional sobre Pragmatismo.
O Centro de Estudos do Pragmatismo adia a chamada para os artigos que comporão as sessões de comunicações do 12º Encontro Internacional sobre Pragmatismo, que acontecerá entre os dias 9 e 12 de novembro de 2009 na PUC-SP.Data limite para o envio do resumo: Adiada para 07. 04. 2009 Data limite para o envio do artigo: 15.6.2009 E-mail : cepragmatismo@pucsp.br
****
2. Chamadas de artigos
Estamos enviando o Edital para chamada de artigos para 2009 da Revista Tempos Históricos.Veja o edital aqui.
****
3. Curso de especialização
Informamos que estão abertas as matrículas para o Curso de Especialização em História do Brasil das Faculdades INTA.
Início das aulas: 10 de maio de 2009
Local: Av. Júlio Abreu 160, 7º andar - Bairro: Varjota - Fortaleza.
http://www.inta.edu.br/novo/



1 Comentários:

  • Às 9:08 PM , Anonymous Ana Claudia disse...

    Olá Ricardo,




    Atendendo sua solicitação :-) vou comentar essa questão da mudança do currículo no Ensino Médio em Minas..Bom , não sou professora por isso não vou analisar a questão com (talvez) o rigor necessário; escrevo como jornalista e penso que, essa atitude do governo Aécio (só assim que ele aparece na mídia, não é?) é bem desnecessária e vai empobrecer (o já empobrecido) currículo do ensino médio. Acho que é bom saber um pouco de tudo e isso faz falta depois, qdo chega o momento de seguir uma carreira... Hoje há tantos especialistas nisso e naquilo, tanta gente que estuda uma área e nada há de errado nisso; mas ao mesmo tempo é importante refletir em outra questão: muitas áreas do conhecimento se entrelaçam e claro, isso se reflete na vida profissional...Para terminar (pq isso está ficando enorme)acho que os futuros profissionais, independente de suas áreas, perderão muito de sua capacidade de crítica e análise com esta mudança...Acho que o mundo está emburreecendo e isso é muito triste e desanimador...



    Um abraço (ainda) esperançoso



    Ana Claudia Vargas



    Segue um trecho do que falaram por aqui sobre isso:





    Dirigente da PUC fala em "retrocesso"



    Folha de São Paulo - Afonso Benites



    Para a psicopedagoga Neide Noffs, diretora da Faculdade de Educação da PUC-SP, a decisão do governo mineiro de alterar a grade curricular do ensino médio é um retrocesso e precipita as decisões dos estudantes. (AFONSO BENITES)



    FOLHA - Qual a sua opinião sobre as mudanças em MG?

    NEIDE NOFFS - É lamentável dizer. Eu já vi esse filme. Quando eu era estudante, era assim. Você fazia clássico, mais voltado para humanas, ou científico, para exatas. Isso não deu certo.



    FOLHA - Por que?

    NOFFS - Porque as profissões têm caráter generalista. Você não pode ser uma coisa ou outra. Tem de ter um pouco de cada habilidade.



    FOLHA - E como isso influencia a carreira do estudante?

    NOFFS - Essa mudança não é uma boa alternativa porque um dos problemas do ensino superior é o estudante entrar na universidade sem uma visão clara da profissão que escolheu. Se no primeiro ano do ensino superior a gente já identifica vários estudantes que apresentam problemas no aprendizado, imagina isso no segundo ano do ensino médio.



    FOLHA - E o fato de o aluno só ter o direito de optar pela área se tiver 70% de aprovação?

    NOFFS - É mais do que uma imposição. Isso tira do estudante sua autonomia e o seu compromisso. Acho que a escola deveria ser parceira do estudante.





    Ana Claudia

     

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

Links para esta postagem:

Criar um link

<< Página inicial