Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

25.10.06

Número 062



EDITORIAL

Duas amigas enviaram emails para atender ao que eu havia solicitado no número anterior, a respeito da situação dos professores. Logo abaixo vocês podem ler dois desabafos, que acabam reforçando a matéria que postamos aqui e que motivou os depoimentos. Realmente, é triste a situação. Quando será que a educação deixará de ser mera peça publicitária de homens públicos em vésperas de eleição para se tornar de fato a preocupação maior da sociedade brasileira?

Neste número temos o último dossiê das eleições-2006. Semana que vem, quando estiver postando o novo boletim, já saberemos se Lula foi reeleito ou se Alckmin conseguiu realizar a virada que pretende. Será que no último debate, da Globo, algum fato novo ou alguma forma de edição “técnica” conseguirão mudar os dados das pesquisas do Ibope e do Datafolha desta semana, que apontam mais de 60% dos votos válidos para o atual presidente? Desde as eleições de 1982 que sempre fico com um pé atrás com relação ao que a Globo pode fazer (lembro-me sempre da edição do debate CollorxLula, do esquema de fraudes da Proconsult, com total apoio da Globo, contra Brizola...)... enfim... para o bem ou para o mal, domingo à noite já saberemos quem estará no Planalto de 2007 a 2010.

Votemos com consciência! E, como diria o velho Machado: “ao vencedor... as batatas”...


FALAM AMIGOS E AMIGAS

1. A respeito do dia do professor: esqueci. Não dei parabéns para ninguém. Minha irmã que também é professora de História é que chegou aqui no Domingo me dando parabéns! Eu não quero mais ser professora. Quero não. Vi professora chorando, em depressão, estressada, desiludida, quero fazer parte dessa galera não.
Solução teria, se a sociedade quisesse. A educação vem de casa, mas os pais não querem saber, querem que a escola eduque. Aí já se viu. As crianças na rua já não respeitam nada, nem ninguém - claro que estou exagerando, mas....
Até
Rosana Araújo.

2. Comemorando o Dia do Professor (comemorando o que?)
Maria Tereza Armonia


“Domingo passado foi o Dia do Professor. Não sei se foi impressão minha, mas não vi praticamente ninguém falar disso... O que nos deixa perplexos, afinal sempre se falou, e muito, nesse dia. Desde os famigerados discursos do “sacerdócio” até as duras críticas da coisificação dos mestres... sempre se falou. Até mesmo cumprimentos, só recebi dois, quando, geralmente, minha caixa postal ficava abarrotada de cartões, mensagens... tempos estranhos esses nossos...” Prof. Ricardo Moura Faria, professor, na edição n° 61 do seu Boletim Mineiro de História em 18/10/2006


Eu vi, professor, mas de uma forma que não me agradou.
Lamentavelmente, vou ter que fazer aqui o mesmo discurso repetitivo de sempre, porque repetitivo é também o abandono do qual sofre a educação em nosso país e repetitivo é também o descaso para com os professores deste país.
Na verdade, não recebi dos meus alunos, ex-alunos, colegas da educação, nenhuma manifestação no dia dedicado ao professor. Contrapartida, não mandei nada a ninguém. Abri o programa de desenho, esbocei um trabalho bonito mas, enquanto o produzia, conjecturava a respeito da realidade do cotidiano do professor. Salvei o que tinha feito e pensei que num ano qualquer, quando as condições forem outras, eu envio o trabalho que compus com tanto carinho.
Contudo, o pior foi ver mensagens de agradecimento aos ‘mestres’ dos grupos de desenho, formatação de emails, scripts e outras tranqueiras. Eu mesma recebi várias mensagens de cumprimento, não por ser a professora profissional que sou, mas porque participo de grupos de desenho e afins... Acho que as pessoas nem sabem que eu ganho a vida no magistério. Mesmo sendo cumprimentada, me deu uma sensação de vazio enorme por pensar que todo mundo virou professor, ‘mestre’... E aquela confusão na cabeça das pessoas me trouxe desânimo, porque não foram poucos os anos que investi para a minha formação e assim mesmo ela ainda é incipiente. Principalmente na era da informação, quando as coisas mudam com uma rapidez inacreditável, para ser professor não são necessários apenas os anos de faculdade, mas uma gama de informação além da formação acadêmica.
Abrindo um parêntesis aqui, parece uma ironia falar de informação para um contingente tão mal formado!
Continuando o fio do pensamento, para nos colocarmos em dia com a nova ordem e com a demanda de nossa clientela, é necessário que busquemos cada vez mais e mais formação.
Tornamo-nos pós-graduados, mestres, doutores, à custa de um sacrifício enorme para, ao final, sermos colocados no mesmo patamar de alguém que pratica as coisas de forma aleatória e não sistematizada. Daí, nas minhas reflexões, criaram corpo as discussões políticas em torno da nossa profissão, o respeito que já não auferimos, o valor que vimos perdendo ao longo de décadas, a coisificação... E a pieguice com que somos distinguidos na sociedade: a ‘professorinha’, o mestre do coração... Isto soa de uma falsidade sem medidas! Desenvolveram por nós, e isto eu falo livre de culpa, uma figura paterno-materna na educação. Costumo dizer que professor bonzinho é o professor que não tem nada para transmitir porque, de alguma forma, ele tem que dar conta daquilo que se propôs e impor um valor individual entre os alunos e seus pais. No meu ponto de vista, e sempre disse isso aos meus alunos, fossem de que idade fossem, que o nosso trabalho é semeado agora e colhido no futuro e que eu seria imensamente feliz se fosse considerada hoje a professora chata, ranzinza, que cobra e aperta, mas que suscitasse a lembrança deles em alguma situação em que precisassem desvendar algo no mundo. E, então, neste momento, se lembrassem de que eu teria lhes dado as ferramentas necessárias para o enfrentamento e o desvelamento das situações mais complicadas e intrincadas.
Evidentemente que este status de relação pessoal/afetiva na educação nada mais é que servir a interesses politiqueiros de que não nos profissionalizemos mesmo, porque é melhor a situação do jeito como está: com todo mundo sendo ‘professor’, temos bastante concorrência para não atingir o inatingível, ou seja, o reconhecimento como profissionais e um salário digno que não nos obrigue a trabalhar os três turnos escolares.
Assim, por este imenso respeito que tenho à minha profissão, é que não concordei e não concordo que, da noite para o dia, todo mundo de alguma forma vire professor, mestre. Temos que estabelecer as coisas com mais racionalidade porque ninguém, salvo exceções, se arvora em ser médico, advogado, engenheiro, sem que o seja, de fato e de direito. Então, que a nós seja dado o mesmo tratamento de respeito e não queiram as pessoas ocupar um espaço, por si só já tão desorganizado e confuso. Somos professores de direito e de fato porque assim nos formamos, porque assim escolhemos, indiferentes ao fato de sermos ou não bem-remunerados, respeitados ou valorizados. Não temos que ceder este espaço a quem quer que seja e que não tenha vocação para tal.
Finalizando, gostaria muito de num futuro próximo tirar do computador o meu lindo trabalho de cumprimentos ao professor, mas com motivos consistentes para comemorar alguma coisa: salários dignos, boas condições de trabalho, respeito pelo profissional, valor pessoal e a recuperação da nossa dignidade.


BRASIL

1. Cristiano Navarro
Em nome da Lei, a Lei do Cão (clique na ementa para ler a matéria toda)

Segundo dados oficiais, a média de suicídio entre os Guarani Kaiowá é de 50 mortes por ano, em uma população de 38 mil pessoas. É um drama que parece não ter fim. Dia 11, uma história de tragédia se abateu sobre as índias Plácida de Oliveira e Teresa Murilha, em Dourados. - 19/10/2006

2. Fiscalização flagra trabalho escravo em terras de reitor, em Goiás

Fazenda do reitor da Universidade de Uberaba (Uniube) é flagrada com 164 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão em Catalão (GO). Eles participavam da derrubada de árvores para a venda da madeira. > LEIA MAIS Direitos Humanos

3. Bernardo Kucinski
Como FHC enterrou a CPI da Corrupção - 11/05/2001

Antecipando o próximo livro do jornalista Bernardo Kucinski, que incluem as Carta Ácidas publicadas durante o governo Fernando Henrique Cardoso, Carta Maior passa a rememorar aqueles anos de apogeu do neoliberalismo no país, que agora ameaça retornar com toda força. Neste primeiro texto, de 11 de maio de 2001, o articulista conta 'como FHC enterrou a CPI da Corrupção'. > LEIA MAIS 17/10/2006

INTERNACIONAL

1. Francisco Carlos Teixeira
Iraque urgente: o colapso

Com as eleições de meio-de-mandato nos calcanhares, Bush busca uma saída honrosa, que salve as aparências, e capaz de mitigar a passagem de seu governo para a história com o epíteto de um dos livros mais vendidos nas livrarias dos EUA sobre a guerra (Iraq´s War, de Tom Risk): o fiasco. - 20/10/2006


2. Como Bush está perdendo a guerra

A oposição ao conflito no Iraque já não está restrita ao movimento pacifista. Entre os próprios conservadores norte-americanos, crescem a cada dia as correntes que condenam a aventura militar do presidente e pedem o início da retirada - leia em:
http://diplo.uol.com.br/2006-10,a1412


NUESTRA AMERICA

1. Luiz Hernández Navarro
Resistência e repressão em Oaxaca

Em Oaxaca (México), a população vive uma insurrecional permanente, liderada pelo movimento dos professores. Até agora nem manobras políticas nem a violência de uma “guerra suja” conseguiram deter o movimento. - 20/10/2006

2. No site da Revista Caros Amigos, uma análise do caso chileno, descrito como o supra-sumo do neoliberalismo. Renato Pompeu discorda...

Chile, exemplo a seguir, ou caminho a evitar?
por Renato Pompeu

Se formos dar ouvidos à mídia grande brasileira, o Chile é um exemplo de país a ser seguido por todas as nações latino-americanas, porque, por ter adotado todas as reformas neoliberais, com privatizações, reforma tributária, reforma previdenciária e o mais que se segue no receituário do chamado Consenso de Washington, o país do general Augusto Pinochet cresce estavelmente há décadas, a um ritmo mais acelerado do que as demais nações latino-americanas, e desfruta de um padrão de vida invejável. É claro que a mídia grande não destaca que o cobre, a grande riqueza do Chile, continua sendo estatal, o que explica a situação fiscal tão favorável do país, pois os preços do cobre têm sido bem manejados. Também não se fala que nem Pinochet tocou na reforma agrária de Allende; interrompeu as desapropriações, mas não anulou as já efetivadas. A mídia grande, ao contrário, atribui o “bem-estar” chileno às privatizações, por exemplo, da previdência.
Se, porém, examinarmos mais de perto a situação chilena, como podemos ver em artigo do jornal ibero-americano La Insignia, em
http://www.lainsignia.org/2006/junio/ibe_058.htm, verificaremos que o desemprego em Concepción, uma das regiões mais avançadas do país, supera 12 por cento da mão-de-obra – e ainda assim se medirmos pelos índices chilenos, que são semelhantes aos americanos, ou aos do IBGE, pois, se fôssemos medir pelos índices europeus ou do Dieese, o desemprego seria muito maior.
Isso, apesar do crescimento acelerado da economia da região. Ocorre que, como todo crescimento econômico capitalista, o desenvolvimento chileno, por mais acelerado que seja, é sempre excludente; sempre há uma faixa de no mínimo um terço da população (no caso dos países mais bem-sucedidos, como a Alemanha, chamada de “sociedade dos dois terços”) que fica na pobreza. No caso de países em desenvolvimento, a faixa dos pobres é sempre superior a um terço da população, e o Chile não é exceção.
Em Concepción, o último recurso dos desempregados é o mesmo do Brasil: o comércio ambulante. Existem programas governamentais para garantir trabalho aos desempregados, mas a maioria se refere à pesca, cujas atividades só duram dois meses por ano, ou a serviços como pintar prédios públicos ou limpar terrenos, que também não são duradouros.
Além do mais, as reformas neoliberais foram impostas ao Chile pela ditadura assassina do general Augusto Pinochet, cujo legado político se manteve em grande parte após a redemocratização do país. Assim, se no Chile foram realizadas “todas as reformas” que a América Latina deveria seguir, não foi feita plenamente a reforma política. Um dos dispositivos, a divisão do país em distritos eleitorais, garante que as forças de esquerda tenham representatividade parlamentar menor do que sua força eleitoral, pois a divisão foi feita de modo que os bairros e regiões em que as esquerdas têm mais densidade eleitoral elejam menos representantes para o Parlamento do que os bairros e regiões em que os conservadores e os socialistas, estes convertidos ao neoliberalismo e que atualmente governam o país, têm mais votos. Por isso é que não se ouvem as vozes dos deserdados chilenos, gerando a impressão de que lá tudo está bem.
Desse modo, o Chile não é de jeito nenhum um exemplo de democracia a seguir. Existe um movimento da esquerda extraparlamentar para modificar a legislação eleitoral e tornar o parlamento mais representativo da vontade política de toda a população chilena, mas até agora não foi possível eliminar esse legado de Pinochet.

Renato Pompeu é jornalista e escritor.

NOTICIAS

1. Arqueólogos descobrem 397 tumbas de 2.300 anos de idade na China

Pequim, 24 out (EFE).- Arqueólogos chineses descobriram recentemente em pleno centro de Louyang, antiga capital do império chinês, 397 tombas pertencentes à dinastia Zhou do Leste - séculos VIII-III a.C. -, segundo a agência oficial "Xinhua".Também foram encontrados na necrópole, de 6.000 metros quadrados, 18 altares de sacrifício de cavalos e outros animais e túmulos de dinastias posteriores, como a Qin (III a.C.) ou a Han (III a.C.-I d.C.), acrescentou a agência.
Os especialistas acreditam que seja um cemitério para reis e aristocratas da época e que, após ser usado por vários séculos, foi destruído mais de mil anos depois, no século XI da nossa era.A descoberta arqueológica foi feita de forma casual, durante obras na praça principal da cidade de Luoyang, localidade famosa por suas cavernas budistas (Patrimônio Mundial da Unesco).
As escavações agora estão concentradas na área maior de sacrifícios achada em busca do túmulo de algum rei ou aristocrata importante, pois nesta época se costumava colocar cavalos e carros perto das tumbas das pessoas mais ilustres do reino.
Dentro das tumbas, inclusive as pertencentes a classes mais humildes, estão cerâmicas, bronzes, armas e artigos de jade. (fonte: http://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2006/10/24/ult1766u18337.jhtm)

2. A revista Ciência Hoje e o Jornal do Brasil firmaram uma parceria para divulgar a ciência feita no Brasil para o grande público. Todos os domingos, a partir do próximo dia 22 de outubro, o JB trará na seção Saúde, Ciência & Vida uma página com versões resumidas de artigos publicados na revista. A iniciativa parte da premissa de que a informação científica é um instrumento essencial para a educação da sociedade e um poderoso aliado no entendimento de questões que afetam diretamente o dia-a-dia de todos. A cada domingo, os avanços e resultados recentes de pesquisas científicas desenvolvidas no país serão abordados de forma simples – mas precisa – por cientistas e jornalistas de diversas áreas do conhecimento

3. Debates Carta Maior - A mídia e as eleições de 2006

A mídia e as eleições de 2006 será o tema do próximo “Debates Carta Maior”, a ser realizado nesta próxima quinta-feira, 26 de outubro. O evento acontece no hotel Maksoud Plaza, em São Paulo, às 19:00 horas, e será aberto ao público. Estão confirmadas as participações de Raimundo Pereira, colaborador da revista Carta Capital, Luiz Nassif, comentarista econômico da TV Cultura, Bernardo Kucinski, editor associado da Carta Maior, e Paulo Henrique Amorim, editor do blog Conversa Afiada . A mediação será feita pelo editor da Carta Maior, Flávio Aguiar. A TV Carta Maior (www.tvcartamaior.com.br) fará a transmissão do evento ao vivo.
O que: Debate “A mídia e as eleições de 2006"
Quando: quinta-feira, 26 de outubro
Onde: sala Rio de Janeiro do Hotel hotel Maksoud Plaza, Alameda Campinas, 150, São Paulo
Horario: 19:00 horas

LIVROS E REVISTAS

1. Depois do enorme sucesso de Os italianos e O mundo muçulmano, a Contexto lança:
Os espanhóis - Josep M. Buades
A obra chega em nosso estoque no dia 25/10 e em seguida poderá ser encontrada nas melhores livrarias do país.
Como são os espanhóis? Afáveis e simpáticos, como querem alguns, ou facilmente irritáveis, de pavio curto, como dizem outros? Como a Espanha, já considerada uma das nações mais pobres e atrasadas da Europa Ocidental, tornou-se uma das maiores economias mundiais? Como os espanhóis convivem com um movimento separatista dentro de seu próprio país? Terra de conquistadores, sedutores e sonhadores, a Espanha forjou Dom Quixote, um dos mitos mais importantes da cultura universal, e também passou por um dos episódios mais sangrentos do século XX, a Guerra Civil Espanhola. Com texto provocativo e solidamente pesquisado, Josep M. Buades – doutor em História na Espanha, hoje residindo no Brasil – rastreia as origens da cultura multifacetária e do caráter vulcânico desse povo, que tem sangue na areia, no altar e no copo. Leitura cativante e esclarecedora
Preço: R$49,90
Nº Págs.: 384

2. Nas bancas a edição especial temática nº 15 da revista História Viva. O tema desta edição é Maquiavel, o gênio de Florença – o homem que revolucionou o pensamento político.

3. Nas bancas o nº 6 da revista Scientific American História – Os grandes erros da ciência. Na atividade científica, errar é a regra, não a exceção. Só aceitando esse fato, o conhecimento pode avançar.

4. Nas bancas o número 115 da revista Caros Amigos. Entre os artigos, As duas faces do segundo turno – Renato Pompeu divulga o relatório do Banco Mundial contra os direitos trabalhistas – a trajetória do coronel Ubiratan.


SITES INTERESSANTES

1. Memória
O renascimento do Patriarca
Projeto publica on-line documentos, livros e imagens reunidas de José Bonifácio de Andrada e Silva
Neldson Marcolin
Edição Impressa 128 - Outubro 2006
José Bonifácio de Andrada e Silva não descansa em paz. Quase 170 anos após sua morte, há muito por saber sobre quem foi o personagem crucial do Império e ator imprescindível da Independência. Isso para falar apenas da parte mais conhecida de sua vida.
Se forem computados os longos anos como cientista, administrador, pensador, poeta e político em outros países além do Brasil, é caso quase para se desistir de pesquisar seriamente o Patriarca da Independência. “Este é um enorme problema para o pesquisador brasileiro: José Bonifácio passou 40 de seus 70 anos no exterior”, diz Jorge Caldeira, doutor em ciência social e jornalista. “Reunir informações sobre ele é um drama também no Brasil, onde todo o material está muito fragmentado.”
Caldeira criou e dirige o projeto José Bonifácio: obra completa, um ambicioso trabalho de reunião de tudo o que foi produzido por Andrada e Silva e dos documentos que tenham relação com ele. O objetivo é fotografar documentos, manuscritos e imagens e deixar disponível para consulta no site http://www.obrabonifacio.com.br/.
Hoje o site tem o equivalente a 35 livros de 300 páginas, o que caracteriza a maior coleção sobre José Bonifácio (1763-1838) reunida no Brasil. Caldeira começou a pensar no projeto quando organizou a coleção Formadores do Brasil para a Editora 34. “Descobri que a biografia mais recente sobre ele foi publicada em 1943 por Otávio Tarquínio de Souza”, diz. A dificuldade em encontrar material disponível torna qualquer mestrado ou doutorado muito complicado e caro, o que explica o número pequeno de estudos específicos sobre Bonifácio.
A partir dessa constatação, Caldeira acreditou que poderia usar uma das características da internet, a universalidade, para divulgar em um site, gratuitamente, as informações que ainda não existiam reunidas. Todas as imagens e documentos encontrados aqui ou no exterior são fotografados e disponibilizados no site.
Para transformar essa idéia em realidade Caldeira conseguiu o patrocínio da Cosipa e da Rio Negro, empresas do sistema Usiminas, por meio da Lei Rounet. Formou um conselho diretor com nomes competentes da história e da ciência política brasileiras: Boris Fausto, Alberto da Costa e Silva, Celso Lafer, José Murilo de Carvalho e Esther Caldas Bertoletti. “São eles que indicam onde estão as coisas sobre e do Bonifácio”, explica.
Para tocar o projeto cotidianamente há uma equipe que já chegou a ter 27 historiadores, entre graduandos e doutores. Uma equipe técnica adapta as ferramentas existentes na internet à prática da pesquisa histórica e às necessidades dos internautas. O que já está no ar hoje é resultado do trabalho de 60 pessoas. Nestas duas páginas há dois bons exemplos do que encontrar na coleção on-line. Um é o decreto de 3 de junho de 1822 em que Bonifácio convoca a Assembléia Constituinte do Brasil, baixado cerca de três meses antes do 7 de Setembro – é a primeira amostra dos preparativos para a proclamação da Independência. Outro é uma Carta de Mercê concedida a ele por dom João VI, em 1820, quando recebeu o título de conselheiro real. Ambas estão disponíveis no site.
O projeto começou em 2005 e deve ir até 2008 – ainda existem milhares de informações a serem encontradas e transportadas para o meio virtual. Até agora foram consumidos R$ 2 milhões. E ainda será preciso visitar Paris, Lisboa, Coimbra e Freiberg, onde Bonifácio viveu, e arquivos e bibliotecas da Suécia, Dinamarca, Itália e Hungria, por onde ele passou como estudante de mineralogia ou a trabalho. Uma característica do projeto é que ele permite uma ampla pesquisa não apenas sobre o Patriarca, mas também acerca do Império ou de quaisquer outros personagens importantes que tenham convivido com ele, como dom Pedro I. O enciclopédico Bonifácio certamente ficaria muito feliz com tantas informações.

2. REVISTA HISTÓRICA Nº 15
www.historica.arquivoestado.sp.gov.br

a) Abreviaturas: simplificação ou complexidade da escrita? - Renata Ferreira Costa http://www.historica.arquivoestado.sp.gov.br/materias/materia01/
b) Narrativa e conhecimento histórico: alguns apontamentos - Carlos Eduardo França de Oliveira
http://www.historica.arquivoestado.sp.gov.br/materias/materia02/
c) Fontes para a História da Imprensa Católica Popular no Brasil: A Revista Ave Maria - Marcos Gonçalves
http://www.historica.arquivoestado.sp.gov.br/materias/materia03/
d) Imagens de uma época: Grande Otelo http://www.historica.arquivoestado.sp.gov.br/imagemepoca/

3. Para trabalhar com seus alunos:
Seguindo passos do passado (clique na ementa para abrir a noticia)
18/10/2006
Você já deve ter ouvido falar que nosso parente mais distante viveu na África. Mas como ele fez para habitar o resto do planeta? Recentemente, milhares de anos mais tarde, um brasileiro foi a primeira pessoa do mundo a refazer a trajetória que os cientistas acreditam ter sido a do homem pré-histórico até chegar ao nosso país. Confira essa aventura!



BOLETIM 22/2006 DA ANPUH

1. XXIV Simpósio Nacional de História – últimos dias para propor simpósios e mini-cursos
Faltando mais de uma semana para se encerrar o prazo de recebimento de propostas de simpósios e mini-cursos para o próximo Simpósio Nacional da ANPUH. Lembramos que a validação das propostas depende do pagamento da taxa de inscrição via boleto bancário por parte do proponente, logo pedimos aos colegas para que não deixem para mandar suas propostas no último dia. A inscrição de propostas simpósios (por associados portadores do título de doutor) e de mini-cursos (por associados portadores de título mínimo de mestre) está condicionada à quitação até o dia 31/10 de boleto bancário do Banco do Brasil, no valor de 80 reais, emitido em favor da ANPUH. Cada proponente receberá o boleto eletrônico assim que cumprir os requisitos para proposição de simpósios e mini-cursos descritos no site do evento: http://snh2007.anpuh.org/ (sob nenhuma hipótese os proponentes deverão fazer o pagamento do valor da inscrição diretamente em contas da ANPUH ou de suas seções regionais. Aguardem o recebimento dos boletos!). Lembramos aos demais associados interessados em faze sua inscrição para apresentar trabalhos ou assistir aos mini-cursos que poderão fazê-lo depois da divulgação da lista oficial de Simpósios e Mini-cursos do evento, na segunda quinzena do mês de novembro.

2. EVENTOS
(a) VII Simpósio de História "Clio e seus artífices: repensando o fazer histórico", de 22 a 24/11/2006, na Universidade Federal de Goiás - Campus de Catalão - CAC/UFG. O Curso de História do Campus de Catalão/UFG convida os professores, pesquisadores e estudantes vinculados à sua área de conhecimento a participarem do VII Simpósio de História, cuja temática central será Teoria da História e Historiografia. As atividades a serem desenvolvidas no evento serão organizadas em conferências, simpósios temáticos, mini-cursos e exposições. As inscrições de trabalhos (comunicações orais) podem ser feitas até o dia 03 de novembro. Mais informações e fichas de inscrição podem ser obtidas no site do Campus de Catalão/UFG http://www.catalao.ufg.br/ ou pelo e-mail historia_ufgcatalao@yahoo.com.br.

(b) A SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos - divulga o site de seu XIV Congresso, que se realizará entre os dias 03 e 07/9/2007 e que terá como tema "Ócio & Trabalho no Mundo Antigo". O site do evento é http://sbec2007.classica.org.br

3. SELEÇÃO DE MESTRADO E DOUTORADO
O Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (UPF), com área de concentração em "História Regional", informa a abertura do edital de processo seletivo 2007/1. O curso de mestrado conta com duas linhas de pesquisa: "Política e Cultura" e "Espaço, economia e sociedade". O edital e demais informações estão disponíveis na página da web: http://www.upf.br/posgraduacao/mestrado/historia/processoSeletivo.php .
As inscrições encerram no dia 04 de janeiro 2007.

4. CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO DE ARTIGOS
(a) A Revista de História informa que até 30 de novembro encontra-se aberto o dossiê Histórias em Zonas de Contato, o qual discute temáticas relacionadas aos espaços de encontros entre diferentes povos e culturas. Tal perspectiva enfatiza a complexidade do campo de estudos, em geral, marcado por relações desiguais de poder, atravessado por descontinuidades e deslocamentos e por apresentar múltiplas possibilidades de transformações. São considerados, neste âmbito, movimentos vincados por embates, trocas e interações interculturais, bem como processos de hibridismos, mestiçagem e formação de populações hifenizadas. Mais informações no site www.fflch.usp.br/dh/dhrh

(b) A Revista Eletrônica História em Reflexão, uma iniciativa do corpo discente do Programa de pós-graduação em História da Universidade Federal da Grande Dourados, apoiada pela Associação de pós-graduandos em História da UFGD, do Programa de Pós-graduação em História e da Pró-reitoria de pesquisa e pós-graduação da UFGD. Abre chamada para artigos. Acesse o link e veja informações com mais detalhes:http://www.ufgd.edu.br/revhistoria.php

5. LANÇAMENTO DE REVISTAS
Chega às bancas este mês a edição nº13 da Revista de História da Biblioteca Nacional, celebrando seu primeiro aniversário com um Dossiê sobre os 70 anos do Clássico “Raízes do Brasil” de Sérgio Buarque de Holanda. Nomes como o de Fernando Novais, Ângela de Castro Gomes, Edgard de Decca e João César de Castro Rocha estão entre os colaboradores que abordam a atualidade deste clássico da historiografia brasileira. Dúvidas, críticas e sugestões pelo tel. (21) 2220 4300 ou através dos e-mails revistadehistoria@revistadehistoria.com.br
e comercial@revistadehistoria.com.br.

6. LANÇAMENTO DE LIVROS
(a) Edvaldo Correa Sotana, doutorando em História na UNESP/Assis, lançou o livro "Relatos de viagens à União Soviética em tempos de guerra fria: uma prática de militantes comunistas brasileiros (Curitiba: Aos Quatro Ventos, 2006). O trabalho é fruto do mestrado em história na mesma instituição. Maiores informações poderão ser obtidas pelo e-mail edsotana@bol.com.br ou no site www.aosquatroventos.com.br.

(b) Foi lançado o livro “Formação de professores Raça/Etnia: reflexões e sugestões de materiais de ensino em português e inglês” (Editora Coluna do Saber), de Aparecida de Jesus Ferreira. O livro pode ser adquirido na Livraria Livros Abrindo Horizontes, de Cascavel (PR), tel. (045) 3325 1028 ou pelo sitehttp://www.abrindohorizontes.com.br/ .

(c) O livro "América Latina em construção – Sociedade e Cultura – século XXI", organizado por Maria Teresa Toríbio Brittes Lemos, será lançado no dia 08/11, às 19h30, no auditório 93 - 9º andar, no Campus Universitário do Maracanã, da UERJ. Segue breve descrição da obra: "Com o intuito de analisar a pluriculturalidade que norteia as sociedades americanas, o livro América latina em construção – Sociedade e Cultura – século XXI, reúne textos de professores e pesquisadores que pretendem identificar e interpretar as mudanças sociais e culturais que acompanham o desenvolvimento da América Latina".

(d) Será lançado na 52ª Feira do Livro de Porto Alegre, no dia 09/11, às 16h30, o livro "Italianidade no Brasil Meridional - a construção da identidade étnica na região de Santa Maria-RS" (Santa Maria: Editora da UFSM, 2006), de Maria Catarina Chitolina Zanini. Informações: Editora da UFSM, tel. (55) 3220-8610 ou mailto:oueditora@ctlab.ufsm.br
Visite nosso Site : http://www.anpuh.org/

DOSSIE ELEIÇÕES 2006

1. Capitalistas racistas da AFRICA DO SUL controlam a revista Veja
Altamiro Borges

Na sua penúltima edição, a revista Veja estampou na capa a foto de uma mulher negra, título de eleitor na mão e a manchete espalhafatosa: "Ela pode decidir a eleição". A chamada de capa ainda trazia a maldosa descrição: "Nordestina, 27 anos, educação média, R$ 450 por mês, Gilmara Cerqueira retrata o eleitor que será o fiel da balança em outubro". O intuito evidente da capa e da reportagem interna era o de estimular o preconceito de classe contra o presidente Lula, franco favorito nas pesquisas eleitorais entre a população mais carente. A edição não destoava de tantas outras, nas quais esta publicação da Editora Abril assume abertamente o papel de palanque da oposição de direita e destina veneno de nítido conteúdo fascistóide.

Agora, o escritor Renato Pompeu dá novos elementos que apimentam a discussão sobre a linha editorial racista desta revista. No artigo "A Abril e o apartheid", publicado na revista Caros Amigos que está nas bancas, ele informa que "o grupo de mídia sul-africano Naspers adquiriu 30% do capital acionário da Editora Abril, que detém 54% do mercado brasileiro de revistas e 58% das rendas de anúncios em revistas no país. Para tanto, pagou 422 milhões de dólares. A notícia é de maio e foi publicada nos principais órgãos da mídia grande doBrasil. Mas não foi dada a devida atenção ao fato de a Naspers ter sido um dos esteios do regime do apartheid na África do Sul e ter prosperado com a segregação racial".

Líderes da segregação racial

A Naspers tem sua origem em 1915, quando surgiu com o nome de Nasionale Pers, um grupo nacionalista africâner (a denominação dos sul-africanos de origem holandesa, também conhecidos como bôeres, que foram derrotados pela Grã-Bretanha na guerra que terminou em 1902). Este agrupamento lançou o jornal diário Die Burger, que até hoje é líder de mercado no país. Durante décadas, o grupo, que passou a editar revistas e livros, esteve estreitamente vinculado ao Partido Nacional, a organização partidária das elites africâneres que legalizouo detestável e criminoso regime do apartheid no pós-Segunda Guerra Mundial.

Como relata Renato Pompeu, "dos quadros da Naspers saíram os três primeiros-ministros do apartheid". O primeiro diretor do Die Burger foi D.F. Malan, que comandou o governo da África do Sul de 1948 a 1954 e lançou as bases legais da segregação racial. Já os líderes do Partido Nacional H.F. Verwoerd e P.W. Botha participaram do Conselho de Administração da Naspers. Verwoerd, que quando estudante na Alemanha teve ligações com os nazistas, consolidou o regime do apartheid, a que deu feição definitiva em seu governo, iniciado em 1958. Durante a sua gestão ocorreram o massacre de Sharpeville, a proibição do Congresso Nacional Africano (que hoje governa o país) e a prolongada condenação de Nelson Mandela.

Já P. Botha sustentou o apartheid como primeiro-ministro, de 1978 a 1984, e depois como presidente, até 1989. "Ele argumentava, junto ao governo dos Estados Unidos, que o apartheid era necessário para conter o comunismo em Angola e Moçambique, países vizinhos. Reforçou militarmente a África do Sul e pediu a colaboração de Israel para desenvolver a bomba atômica. Ordenou a intervenção de forças especiais sul-africanas na Namíbia e em Angola". Durante seu longo governo, a resistência negra na África do Sul, que cresceu, adquiriu maior radicalidade e conquistou a solidariedade internacional, foi cruelmente reprimida - como tão bem retrata o filme "Um grito de liberdade", do diretor inglês Richard Attenborough (1987).

Os tentáculos do apartheid

Renato Pompeu não perdoa a papel nefasto da Naspers. "Com a ajuda dos governos do apartheid, dos quais suas publicação foram porta-vozes oficiosos, ela evoluiu para se tornar o maior conglomerado da mídia imprensa e eletrônica da África, onde atua em dezenas de países, tendo estendido também as suas atividades para nações como Hungria, Grécia, Índia, China e, agora, para o Brasil. Em setembro de 1997, um total de 127 jornalistas da Naspers pediu desculpas em público pela sua atuação durante o apartheid, em documento dirigido à Comissão da Verdade e da Reconciliação, encabeçada pelo arcebispo Desmond Tutu. Mas se tratava de empregados, embora alguns tivessem cargos de direção de jornais e revistas. A própria Naspers, entretanto, jamais pediuperdão por suas ligações com o apartheid".

Segundo documentos divulgados pela própria Naspers, em 31 de dezembro de 2005, a Editora Abril tinha uma dívida liquida de aproximadamente US$ 500 milhões, com a família Civita detendo 86,2% das ações e o grupo estadunidense Capital International, 13,8%. A Naspers adquiriu em maio último todas as ações da empresa ianque, por US$ 177 milhões, mais US$ 86 milhões em ações da família Civita e outros US$ 159 milhões em papéis lançados pela Abril. "Com isso, a Naspers ficou com 30% do capital. O dinheiro injetado, segundo ela, serviria para pagar a maior parte das dividas da editora". Isto comprova que o poder deste conglomerado, que cresceu com a segregação racial, é hoje enorme e assustador na mídia brasileira.

Os interesses alienígenas

Mas as relações alienígenas da revista Veja não são recentes nem se dão apenas com os racistas da África do Sul. Até recentemente, ela sofria forte influência na sua linha editorial das corporações dos EUA. A Capital International, terceiro maior grupo gestor de fundos de investimentos desta potência imperialista, tinha dois prepostos no Conselho de Administração do Grupo Abril - Willian Parker e Guilherme Lins. Em julho de 2004, esta agência de especulação financeira havia adquirido 13,8% das ações da Abril, numa operação viabilizada por uma emenda constitucional sancionada por FHC em 2002.

A Editora Abril também têm vínculos com a Cisneros Group, holding controlada por Gustavo Cisneros, um dos principais mentores do frustrado golpe midiático contra o presidente Hugo Chávez, em abril de 2002. O inimigo declarado do líder venezuelano é proprietário de um império que congrega 75 empresas no setor da mídia, espalhadas pela América do Sul, EUA, Canadá, Espanha e Portugal. Segundo Gustavo Barreto, pesquisador da UFRJ, as primeiras parcerias da Abril com Cisneros datam de 1995 em torno das transmissões via satélites. O grupo também é sócio da DirecTV, que já teve presença acionária da Abril. Desde 2000, os dois grupos se tornaram sócios na empresa resultante da fusão entre AOL e Time Warner.

Ainda segundo Gustavo Barreto, "a Editora Abril possui relações com instituições financeiras como o Banco Safra e a norte-americana JP Morgan - a mesma que calcula o chamado 'risco-país', índice que designa o risco que os investidores correm quando investem no Brasil. Em outras palavras, ela expressa a percepção do investidor estrangeiro sobre a capacidade deste país 'honrar' os seus compromissos. Estas e outras instituições financeiras de peso são os debenturistas - detentores das debêntures (títulos da dívida) - da Editora Abril e de seu principal produto jornalístico. Em suma, responsáveis pela reestruturação da editora que publica a revista com linha editorial fortemente pró-mercado e anti-movimentos sociais".

Um ninho de tucanos do PSDB e da direita brasileira

Além de ser controlada por grupos estrangeiros, a Veja mantém relações estreitas com o PSDB, que é o núcleo orgânico do capital rentista, e com o PFL, que representa a velha oligarquia conservadora. Emílio Carazzai, por exemplo, que hoje exerce a função de vice-presidente de Finanças do Grupo Abril, foi presidente da Caixa Econômica Federal no governo FHC. Outra tucana influente na família Civita, dona do Grupo Abril, é Claudia Costin, ministra de FHC responsável pela demissão de servidores públicos, ex-secretária de Cultura no governo de Geraldo Alckmin e atual vice-presidente da Fundação Victor Civita.

Não é para menos que a Editora Abril sempre privilegiou os políticos tucanos. Afora os possíveis apoios "não contabilizados", que só uma rigorosa auditoria da Justiça Eleitoral poderia provar, nas eleições de 2002, ela doou R$ 50,7 mil a dois candidatos do PSDB. O deputado federal Alberto Goldman, hoje um vestal da ética, recebeu R$ 34,9 mil da influente família; já o deputado Aloysio Nunes, ex-ministro de FHC, foi agraciado com R$ 15,8 mil. Ela também depositou R$ 303 mil na conta da DNA Propaganda, a famosa empresa de Marcos Valério que inaugurou um ilícito esquema de financiamento eleitoral para Eduardo Azeredo, ex-presidente do PSDB. Estes e outros "segredinhos" da Editora Abril ajudam a entender a linha editorial racista da revista Veja e a sua postura de opositora radical do governo Lula.

Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB, editor darevista Debate Sindical e autor do livro "As encruzilhadas do sindicalismo"(Editora Anita Garibaldi, 2ª edição).



Da série "Capas interessantes da Veja no passado não muito remoto..."


2. Alckmin ignora conflito de interesses em processo da Nossa Caixa

Candidato afirmou que não vê “problema algum” no fato do empresário Ruy Martins Altenfelder fazer parte, ao mesmo tempo, do Conselho do Programa Estadual de Desestatização, que definiu os critérios para a privatização da Nossa Caixa, e do conselho administrativo da empresa que comprou uma de suas subsidiárias. > LEIA MAIS Política

3. Onde foi que eles erraram

Luiz Weis

À altura do respeito profissional que faz por merecer, o ombudsman da Folha, Marcelo Beraba, talvez o mais rigoroso dos colegas que já passaram pela função, critica hoje duramente o seu jornal pela forma como deu a história das fotos do dinheiro do dossiê. http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=391

4. Maria “Frô” me enviou este email:

Muito interessante a reflexão desse senhor de classe média, ah! Se toda a classe média refletisse....
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O quarto de empregada e os bichos de estimação de meus vizinhos

Outro dia, sem mais o que fazer, fui observar o quarto de empregada construído em meu apartamento.
Aliás, parece que é politicamente correto no Brasil se referir às empregadas domésticas como secretárias.
O nome mudou, mas o quartinho continua o mesmo.
O de casa é um depósito de malas e outras quinquilharias.
Não tem janela.
E tem vista para a máquina de lavar.
Por que diabos fui observar o quarto de empregada?
Porque não muito antes eu tinha ouvido, no bairro onde moro, uma reclamação contra o Programa Bolsa Família.
Nos tempos de Fernando Henrique Cardoso, era um projeto social.
Mas agora, no newspeak adotado pela mídia brasileira, é um programa assistencialista.
A reclamação ouvi de uma vizinha, abalada pela perspectiva de reeleição do presidente Lula.
Argumento dela?
A classe média paga impostos e o dinheiro é desviado para dar esmola.
Ela disse saber que muitas famílias do Nordeste recebem o Bolsa Família sem precisar.
Meses atrás, o programa que garante renda a uma família para que mantenha os filhos na escola era tido como revolucionário.
Mas em tempos eleitorais passou a ser criticado, principalmente depois que se descobriu que é uma grande fonte de votos para o presidente Lula.
Em minha opinião, os programas sociais do governo tem qualidades e defeitos.
É bem provável que haja quem receba o dinheiro sem precisar.
É preciso, portanto, investir na fiscalização.
É preciso, também, aperfeiçoar a porta de saída - ou seja, acompanhar a evolução de renda da família para que ela não permaneça eternamente dependente do dinheiro público.
De outra parte, ainda que lentamente, o Brasil começou a fazer algum tipo de distribuição de renda.
Além da ampliação dos programas sociais, o salário mínimo teve seu poder de compra reforçado.
Houve a ascensão de milhões de brasileiros da classe D para a C e da C para a B.
Ou alguém acredita que o sucesso das Casas Bahia se deve aos consumidores dos Jardins paulistanos?
A dinâmica do comércio no Nordeste mudou: mais dinheiro com as pessoas significou aumento de vendas, criação de empregos, dinamização da economia.
Mas e a minha vizinha, tem razão de reclamar?
O bairro onde moro, Higienópolis, na região central de São Paulo, tem uma superpopulação de bichos de estimação.
Cães parecidos com o maltês da foto acima.
Decidi visitar um petshop da região para verificar os preços do tratamento dos cãezinhos de madame.
Havia um vestidinho muito simpático, para cachorro, ao preço de 77 reais.
Uma bandeja para alimentos sai por 63 reais.
O banho e tosa, com direito a tratamento de VIB, very important bicho, sai por 52 reais.
E um saco de alimento para os bichinhos custa 54 reais.
Segundo a vendedora, a quantidade necessária para alimentar um cão pequeno, com comida de alta qualidade, fica em cerca de 100 reais mensais.
É o PF básico, sem mistura.
Não estamos nem falando num bicho mais sofisticado, como o da foto acima, que deve custar uma fortuna de manutenção.
Eu sou apaixonado por cães.
Tive um que me acompanhou por toda a infância e adolescência, o Bafo.
Mas não pude deixar de refletir sobre o Brasil, o país que ainda incorpora, à arquitetura de classe média, um quarto sem janela para o serviçal.
O Programa Bolsa Família (PBF) é um programa de transferência direta de renda com condicionalidades que beneficia famílias pobres (com renda mensal por pessoa de R$ 60,01 a R$ 120,00) e extremamente pobres (com renda mensal por pessoal de até R$ 60,00), diz o site do governo.
O programa, diga-se, começou no governo de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, e foi ampliado no de Lula, do PT - portanto não existe aqui qualquer partidarismo.
Valor da contribuição?
Os valores pagos pelo Bolsa Família variam de R$ 15 a R$ 95, de acordo com a renda mensal por pessoa da família e o número de crianças.
No Brasil, país que tem a pior distribuição de renda do mundo, contribuintes reclamam do Bolsa Família enquanto gastam até duas vezes mais por mês para dar comida a seus animais domésticos.
É por isso que me orgulho tanto deste país.

4. Lula e a derrota da Casa Grande (enviado por Ana Cláudia Vargas, de São Paulo)

"Casa-Grande & Senzala"(1933) de Gilberto Freyre representa mais que um dos textos fundadores da moderna interpretação do Brasil. Os dois termos dão corpo a um paradigma e a uma forma de habitar o mundo. Habitar na forma da Casa-Grande significa estabelecer uma relação patriarcal de dominação social, de criação de privilégios e hierarquias. Habitar na forma da Senzala é ser expoliado como ser humano, seja na forma do escravo negro, feito "peça" a ser vendida e comprada no mercado, seja do trabalhador, usado como "carvão a ser consumido"(Darcy Ribeiro) na máquina produtiva. Estas duas figuras sociais superadas historicamente, ainda perduram introjetadas nas mentes e nos hábitos, especialmente de nossas oligarquias e elites dominantes. Elas ainda se consideram as donas do Brasil com exígua sensibilidade pelo drama dos pobres. A Casa-Grande se transformou em poderosa realidade virtual que se manifesta na forma como age o grande capital nacional, como se fazem alianças entre donos da imprensa empresarial, como se manejam os fatos e se cria o imaginário pela televisão para que a Senzala continue Senzala, seu lugar na sub-história.

Ocorre que os da Senzala sempre resistiram, se revoltaram, criaram seus milhares de quilombos, se fundirem com os demais pobres e marginalizados e conseguiram, especialmente a partir de 1950, se organizar num sem-número de movimentos sociais populares. Conquistaram aliados de outras classes, intelectuais e setores importantes das Igrejas. Criaram o poder social popular que, num dado momento, se afunilou em poder político e com outras forças deram origem ao Partido dos Trabalhadores(PT). De dentro desse povo irrompeu Lula como legítimo representante destes destituídos da Casa Grande, com carisma e rara inteligência. Dou meu testemunho pessoal: corri quase todo o planeta, encontrei-me com nomes notáveis da política, das ciências, do pensamento e das artes. Dentre os mais inteligentes que encontrei, está Luiz Inácio Lula da Silva, agora nosso Presidente. Somente ignorantes podem chamá-lo de ignorante. Sua inteligência pertence ao seu carisma: desperta, arguta, indo logo ao coração dos problemas e sabendo formulá-los do seu jeito próprio, sem passar pelo jargão científico.

Sua vitória é de magnitude histórica, pois por duas vezes a Senzala venceu a Casa Grande. Os continuadores da Casa Grande fizeram tudo e tentarão ainda tudo para atravancar essa vitória. Como não têm tradição democrática e parco senso ético, costumam usar todas as armas, armar "maracutaias", como fizeram em eleições anteriores. Apenas esperamos que não utilizem o expediente do assassinato.

O desafio agora é consolidar a vitória da Senzala e dar sustentabilidade a um projeto que supere historicamente esta divisão perversa da Casa-Grande &Senzala para se inaugurar um novo tempo de uma "democracia sem fim" (Boaventura de Sousa Santos), de cunho popular e participativo.

Esse projeto só ganhará curso se Lula realimentar continuamente suas raízes numa articulação orgânica com as bases de onde veio. São elas as portadores do sonho de um outro Brasil e infundirão força ao Presidente. As feridas que a Casa Grande abriu no tecido social e ecológico de nosso pais são sanáveis. Uma política que tem o povo como centro fará bem até a estas elites. Agora não tem lugar a revanche mas a magnanimidade, o pais unido ao redor de um projeto includente.
Leonardo Boff, Teólogo - Petropolis, RJ, 24 de outubro de 2006.

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