Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

9.8.06

Número 052



EDITORIAL

Pode a imprensa mudar a história? É uma pergunta complexa, de resposta praticamente impossível. Seria ela tão importante assim? É mesmo o quarto poder, como se diz há muito tempo? Qual o papel da imprensa nos dias de hoje, quando as fontes de informação multiplicaram-se em quantidade tal que praticamente impedem o conhecimento? Alberto Dines, jornalista consagrado no Brasil, atualmente no Observatório da Imprensa, produziu um artigo interessante, que utilizo neste editorial. Apesar de ele abordar essencialmente a questão da guerra no Oriente Médio, ilações podem ser feitas para outros espaços, outros tempos, outras personagens!

ORIENTE MÉDIO, ANO 58
Réquiem para a Era da Informação
Por Alberto Dines em 1/8/2006

A imprensa é um Poder. Porém, impotente. Pode tudo: derrubar tiranias, punir corruptos, denunciar barbaridades, reparar injustiças, persistir na busca da verdade. Também é capaz de proteger déspotas, mascarar crueldades, submeter-se aos demagogos, acobertar a opressão, corromper e confundir.
Mas a imprensa não conseguiu ao longo de 58 anos interromper a carnificina no Oriente Médio. Muito menos desativar os ressentimentos que a produziram.
A imprensa já esteve a serviço de guerras (Inglaterra versus Rússia, no Cáucaso), começou outras (EUA versus Espanha e a Primeira Guerra Mundial) e conseguiu o magistral feito de mobilizar a sociedade americana para pular fora do conflito do Vietnã.
Este é um caso clássico: o governo americano, afinal, convenceu-se a deixar a parte sul da antiga Indochina porque a mídia, sobretudo a mídia eletrônica, trouxe o horror da guerra – ao vivo e em cores – para dentro dos lares na terra do Tio Sam. É óbvio que as gigantescas manifestações dos jovens, o intenso debate acadêmico e a massa de fatos oferecidos pela imprensa diária pavimentaram o caminho para a retirada dos EUA de Saigon. Mas o empurrão definitivo foi dado pelo gosto amargo da derrota que se aproximava.


Informação vs. esclarecimento

Convém lembrar que a causa da paz, às vezes, só consegue se impor quando o triunfalismo guerreiro perde o gás. Na Primeira Guerra Mundial, muitos pacifistas apelaram para o derrotismo – o defaitisme (défaite = derrota) – como antídoto para o belicismo que empolgava corações e mentes. A inabalável certeza da vitória e a ira sagrada, combinadas sob o nome de arrogância (ou prepotência), embora entoadas por poetas e sábios, são muitas vezes os maiores obstáculos para a paz.
Só se alcança o verdadeiro entendimento a respeito de uma guerra quando os beligerantes cansados de guerrear e indignar-se começam a lamber as feridas.
A edição da Veja desta semana (nº 1967, de 2/8/06) trouxe ao debate uma questão sensível: raras são guerras justas. A Segunda Guerra Mundial talvez tenha sido uma exceção porque nazi-fascismo é (ainda) o mal absoluto.
Os 58 anos de confrontos bélicos no Oriente Médio começaram formalmente em 14 de maio de 1948, quando os ingleses encerravam o seu mandato na Palestina em obediência à decisão da ONU de partilhar o território em dois Estados. Um deles foi fundado, o outro, não.
Os motivos que impediram o acatamento integral da decisão da ONU são os mesmos que alimentaram as cinco guerras formais, as duas intifadas, os horrorosos atentados terroristas, o massacre de Sabra-Chatila e o atual confronto Israel-Hezbollah em território libanês.
A mídia tenta explicar as origens e causas do conflito há quase seis décadas consecutivas. Não consegue. Na primeira fase contava com jornais, revistas, rádio, cinema e livros. Na fase 2 acrescentaram-se a televisão, a internet e a comunicação por satélite. Também não conseguiu.
Este é justamente o ponto que nos interessa: a Era de Ouro da Informação não coincide com a Era do Esclarecimento. Estamos cada vez mais informados e cada vez menos impregnados pela humanização da informação.

Mais dúvidas, mais questionamentos

Veja-se a cobertura do conflito pelos jornalões nacionais a partir do dia 13 de julho, em seguida ao seqüestro de dois reservistas israelenses: edição equilibrada, titulação imparcial, espaço razoável, horror distribuído eqüitativamente, assim também as análises assinadas pelos mais abalizados especialistas internacionais. Repórteres foram despachados para cobrir os dois lados (impossível acompanhar o que se passa com o Hezbollah). Cumpridos todos os ritos da isenção.
Mas o número de editoriais foi pequeno: em 20 dias, apenas 12 textos de responsabilidade da direção do jornal (cinco no Globo, quatro na Folha e três no Estadão). Na segunda-feira (31/8/), dia seguinte ao banho de sangue em Qana, as páginas de opinião dos três jornalões desconheciam o que havia acontecido. Mas é justamente nos editoriais que o leitor interessado e os tais "formadores de opinião" deveriam encontrar material impessoal para formar seus juízos. Um editorial num grande jornal brasileiro dificilmente mudará o curso da guerra no Oriente Médio, mas será registrado, computado, e em algum momento poderá fazer a diferença.
A humanidade jamais teve acesso a tantos fatos e, ao mesmo tempo, jamais se mostrou tão incapacitada para entendê-los. Os experts afirmam que o problema do Oriente Médio tem origem no fanatismo que impregna a região. Melhor seria dizer que a discórdia começa com a quantidade de certezas proclamadas pelas partes. Um pouco mais de perplexidades, uma dosagem de dúvidas e questionamentos ajudariam a podar o excesso de indignação e impedir que esta se converta em outra Guerra dos Cem Anos.

Não consegui resistir. A crônica de Lula Miranda, no site da Agência Carta Maior é muito contundente. Faz a gente ficar com inveja da grande capacidade de escrever que ele possui:

A tribuna dos cínicos
Vendo-os, assim à distância, esgrimindo sua verve e cinismo na tribuna do Congresso, não se diria que são apenas os ordinários coronéis de sempre.
Lula Miranda

Os cínicos, os velhacos estão em todos os lugares: no Congresso, nas Assembléias Legislativas, nas Câmaras Municipais, nas demais instituições, nas empresas, na vida enfim. Mas são facilmente reconhecíveis. Sobretudo quando ocupam a tribuna do Congresso. No Senado, mais precisamente. São arrogantes. São autoritários. Dissimulados. Continuam esgrimindo, como há muito o fazem em seus currais eleitorais, o puído chicote numa mão e a burra repleta de dinheiro e benesses na outra. Numa grotesca pantomima, invisível aos olhos dos que vêem nesses senhores apenas a suposta respeitabilidade e autoridade de senadores da República. Invisível aos olhares ingênuos dos que, por mais que observem, enxergarão ali apenas a pose, a prepotência intimidadora, o bem cortado terno e a retocada maquiagem que dissimula a máscara e a sua nova fantasia de ocasião, de paladinos da moral.

Hoje, posam, de modo canhestro, de “oposição”. Mas são, em verdade, eles mesmos, ou seja, a mais perfeita tradução e o mais fiel retrato da situação de ontem, de hoje e de sempre: a personificação dos desmandos, do nepotismo, da roubalheira, da desfaçatez, do velho coronelismo recauchutado/repaginado com um fosco e malcheiroso verniz de “modernidade”.

Posam de senhores da situação, de “donos do poder”, mas são, de fato, apenas uma espécie de capatazes a serviço dos verdadeiros donos do Brasil. São corruptos. São amorais. Dividem, somam e subtraem o poder em fatias, refestelando-se com o maior naco e distribuindo pequenas fatias e farelos aos seus correligionários e àqueles que, subservientes, prestam-lhe serviços/favores.

Mantém-se por décadas no poder. Via de regra, para eles, o poder, e as benesses que dele advém, é, mais ou menos, algo inato, algo que lhe é devido, pois de direito, inalienável. Como um bem herdado de geração a geração. Como uma herança de família. Dominam os órgãos de comunicação, pois eles (ou “os seus”) são proprietários dos principais veículos de comunicação. Dominam o Ministério Público em seus estados e, além do Executivo, também dão as cartas no Judiciário e no Legislativo. Têm em suas mãos, pois, todas cartas e poderes da república.

Posam de senhores respeitáveis, de representantes do povo e de seus estados, seja na Câmara ou no Senado. Nem parecem, vendo-os assim de longe, que são apenas os ordinários coronéis de sempre. São, na verdade, homens pequeninos, indignos do mandato que lhes foram outorgados. São cínicos, repito: velhacos.

São deputados e senadores que, em sua maioria, desonram e amesquinham a representação parlamentar. São, apesar da pose, meros feitores e/ou meliantes, e executam com impressionante desenvoltura e um desdém absoluto pelo julgamento público, a pilhagem do Estado, por intermédio do aparelhamento da máquina pública, de gigantescos e incessantes desfalques no erário e da privatização de bens públicos – a chamada “privataria” da República.Desviam recursos da saúde (de remédios, de hospitais, de ambulâncias etc), da educação, da merenda escolar, até da Previdência e da Assistência Social – por mais hediondo que isso possa parecer-nos. Desviam recursos até mesmo da chamada “indústria da seca”. E, afinal, como todos sabemos, recursos esses que já são escassos na sua origem.

Vendo-os, assim à distância, esgrimindo sua verve e cinismo na tribuna do Congresso, não se diria que um deles serviu, de modo diligente, à ditadura militar, perseguiu e até matou adversários políticos em seu estado, que grampeou a intimidade de uma sua amante, que violou o sigilo do painel do próprio Senado e, por isso, teve que renunciar ao mandato; não se diria que um outro foi dirigente de um dos organismos da repressão à época da ditadura; não se diria (quem poderia imaginar?) que um outro, o mais virulento deles, é líder da bancada de um partido que, nos oito anos em que esteve no poder, num passado mais que recente, fez inconfessáveis negociatas, destruiu a saúde, a educação, comprou consciências, privatizou quase todo patrimônio público nacional e quase levou o país à bancarrota. Vendo-os assim à distância, até parecem homens dignos, respeitáveis. Mas, olhando-os de perto, não passam de velhacos. Não passam de homens desprezíveis que já deveriam, há muito, ter deixado a vida pública. Para o bem da República. Para o bem da nação.

Afinal, enquanto esses senhores exercem sua retórica cínica, eleitoreira, vazia, na tribuna do Congresso Nacional ou diante dos holofotes das câmeras de TV, o país prossegue refém do medo, da miséria, da violência e do crime (organizado ou não).


INTERNACIONAL

O conflito no Líbano e, por extensão, no Oriente Médio, motivou o envio de várias colaborações de nossas leitoras.

De São Paulo, a mineira Ana Cláudia Vargas nos enviou o texto a seguir:

“Tolerar o sofrimento dos outros, tolerar a injustiça de que não somos vítimas, tolerar o horror que nos poupa não é mais tolerância: é egoísmo, é indiferença, ou pior. Tolerar Hitler era ser seu cúmplice, pelo menos por omissão, por abandono, e essa tolerância era já colaboração.” (Comte-Sponville)

TOLERAR O INTOLERÁVEL É TORNAR-SE CÚMPLICE
Marta Guerra - Jornalista – DRT 297-RN

É verdade que o mundo tornou-se insensível às tragédias humanas. A distância entre nosso Eu anestesiado pela avalanche de informações, pelo consumismo e pelo comodismo e aquele Outro que sofre exclusão, fome e miséria funciona como um escudo que protege nossa sensibilidade da dor por algo que julgamos fora do nosso alcance resolver. Até certo ponto, isto é um mecanismo de defesa da Vida, porque ela quer viver apesar de tudo o que conspira contra ela. Contudo, há coisas cuja magnitude provoca a penetração para além desse escudo e, se ainda nos resta alguma sensibilidade, exige uma tomada de posição. Porque se o nosso egoísmo nos impede desta tomada de posição, nos impede também de ter dignidade, considerada por Kant como o diferencial dos seres humanos face às outras espécies animais.

A presente situação do Líbano é paradigmática disto. A assimetria de forças e de tecnologia nesta guerra (não digo injusta, porque seria um pleonasmo. Não existem guerras justas) que sob o pretexto de deter o Hezbollah está destruindo toda a infra-estrutura de um pequeno país menor que o Estado de Sergipe e a indiferença do mundo aos efeitos colaterais representados pela morte e pelo êxodo de centenas de civis inocentes, como que legitima a barbárie e o retrocesso da nossa humanidade. O bombardeio do 30 de julho que destruiu um prédio de quatro andares em Canaã que abrigava refugiados na sua maioria mulheres e crianças deve ser este ponto de não retorno para que nos posicionemos ante a barbárie, quando mais não seja, porque se a legitimarmos amanhã poderemos ser suas vítimas.

É fora de dúvida que Israel tem o legítimo direito de defesa. Mas este direito só deve ser exercido dentro de certos limites e sobretudo guardar proporcionalidade com o ataque sofrido. Se o que aquele Estado deseja é a entrega dos dois soldados capturados numa operação militar pelo Hezbollah com o objetivo de troca de prisioneiros, é evidente a desproporcionalidade de destruir todo um país e matar (até agora) mais de 700 civis para conseguir de volta esses dois soldados. Esta desproporcionalidade é por si mesma reveladora de que este pretexto não é o móbile da guerra, mas de que ela está ligada a objetivos maiores, como diz Bush, conectados a outros interesses.

Continuo acreditando que a situação do Oriente Médio só se resolverá SE, e QUANDO, potências estrangeiras alheias ao conflito deixarem de tirar proveito da situação em benefício próprio e às custas de vidas que consideram insignificantes. Em segundo lugar, SE, e QUANDO, todas as partes envolvidas aceitarem um diálogo franco e sobretudo verdadeiro através do qual cada parte reconheça seus erros e aja concretamente de modo a redimi-los. A destruição do Líbano ocorre justamente quando o Hezbollah, o Hamas e o Fatah haviam se mostrado dispostos a reconhecer ao Estado de Israel o seu direito de existir legitimamente, em troca da paz e da demarcação do território palestino como previsto na resolução n° 181 da ONU que em 1948 criou o Estado de Israel, destinando-lhe 56% do território Palestino e reservando 44% desse mesmo território para a criação do Estado Palestino. Estamos em 2006, o Estado Palestino ainda não existe sequer informalmente e pior: a sua área foi reduzida a cerca de 20% da partilha original por força das anexações unilaterais praticadas por Israel. Evidentemente, os próprios palestinos já reconhecem que terão de fazer concessões sobre estes territórios ocupados, mas exigem que isto faça parte de negociações diplomáticas bilaterais e não que seja imposto pela força. É esta a reivindicação do Hamas e do Fatah, e ainda que enquanto pacifistas possamos discordar dos seus métodos não podemos deixar de reconhecer a justiça do seu pleito. Quanto ao Hezbollah, ele reivindica apenas a integridade do território libanês e a sua soberania. É por isso que não existem homens-bomba do Hezbollah nem ações dessa organização contra civis fora do território libanês. Fora do Líbano há apenas incursões militares que objetivam resgatar libaneses feitos prisioneiros ou liberar as fazendas de Chebaa, no sul do país, ainda na posse de Israel.

Vale lembrar que da Resolução 273/49 que acolheu Israel como membro da ONU faz parte o seguinte: “...decide que Israel é um Estado amante da paz, que aceita as obrigações contidas na Carta e está capaz e desejoso de cumprir essas obrigações.” Evidentemente, entre estas obrigações não se encontra a destruição de um país vizinho nem o massacre de seus habitantes. É interessante recordar também que Hitler chamava de terroristas os partisans que resistiam à ocupação nazista da Itália e da França. Embora pintados como terroristas, os combatentes do Hezbollah são na realidade patriotas que defendem seu já exíguo território, cuja culpa é somente a de ser uma das regiões mais férteis e mais bonitas do Oriente Médio. Além disso, o Hezbollah é também um partido político que integra legitimamente a coalizão que governa o Líbano, sendo responsável por ações sociais no sul daquele país como a criação e a manutenção de escolas e de hospitais. É por esta razão que conta com o apoio da população por eles beneficiada, sendo um grave erro de cálculo da inteligência militar supor que culpar o Hezbollah pelo flagelo do Líbano iria fazer a população libanesa voltar-se contra ele.

O filósofo francês Michel Foucault diz que as relações de poder não se estabelecem sem a produção, a acumulação, a circulação e o funcionamento de discursos apresentados como verdadeiros. Diz também que a suposta verdade desses discursos é orientada pela vontade de verdade que distorce a realidade para adequá-la ao fim pretendido. Nessa questão do Oriente Médio isto pode ser observado de modo cristalino, pois são os interesses que orientam a imposição de um novo Oriente Médio segundo um desenho e objetivos traçados em confortáveis gabinetes de empresas e governos estrangeiros que usam as populações e as forças armadas daquela região como peças de um sangrento jogo de xadrez, para ditarem as regras sujas de um jogo no qual sequer aparecem, muito menos se colocam na mira das armas químicas jogadas no Líbano ou dos katiushas atirados sobre Israel. É essa vontade de verdade que transforma patriotas em terroristas e vítimas em culpados, colocando a verdade ao lado da desrazão e da brutalidade e a razão ao lado da fantasia e da maldade.

Esta situação denuncia a patética impotência da ONU frente aos interesses da globalização e exige dos seres humanos que conservam um mínimo de dignidade que se posicionem e façam o que estiver ao seu alcance para denunciar a injustiça desse estado de coisas, exigindo um cessar-fogo imediato e incondicional como condição de possibilidade para qualquer negociação. Porque se não fizermos isto, além de ajudarmos a enfraquecer e deslegitimar a ONU estaremos também sendo cúmplices da barbárie.


Porque, como ensina Comte-Sponville, “Tolerar o sofrimento dos outros, tolerar a injustiça de que não somos vítimas, tolerar o horror que nos poupa não é mais tolerância: é egoísmo, é indiferença, ou pior. Tolerar Hitler era ser seu cúmplice, pelo menos por omissão, por abandono, e essa tolerância era já colaboração.”

Domingo, 30 de julho de 2006, dia do massacre de Canaã.


Luciana Macedo, de Viçosa, colabora com este artigo de Eduardo Galeano:

¿Hasta cuándo?

Eduardo Galeano

Un país bombardea dos países. La impunidad podría resultar asombrosa si no fuera costumbre. Algunas tímidas protestas dicen que hubo errores. ¿Hasta cuándo los horrores se seguirán llamando errores?

Esta carnicería de civiles se desató a partir del secuestro de un soldado. ¿Hasta cuándo el secuestro de un soldado israelí podrá justificar el secuestro de la soberanía palestina? ¿Hasta cuándo el secuestro de dos soldados israelíes podrá justificar el secuestro del Líbano entero?

La cacería de judíos fue, durante siglos, el deporte preferido de los europeos. En Auschwitz desembocó un antiguo río de espantos, que había atravesado toda Europa. ¿Hasta cuándo seguirán los palestinos y otros árabes pagando crímenes que no cometieron?

Hezbollá no existía cuando Israel arrasó el Líbano en sus invasiones anteriores. ¿Hasta cuándo nos seguiremos creyendo el cuento del agresor agredido, que practica el terrorismo porque tiene derecho a defenderse del terrorismo?

Iraq, Afganistán, Palestina, Líbano… ¿Hasta cuándo se podrá seguir exterminando países impunemente?

Las torturas de Abu Ghraib, que han despertado cierto malestar universal, no tienen nada de nuevo para nosotros, los latinoamericanos. Nuestros militares aprendieron esas técnicas de interrogatorio en la Escuela de las Américas, que ahora perdió el nombre pero no las mañas. ¿Hasta cuándo seguiremos aceptando que la tortura se siga legitimando, como hizo la Corte Suprema de Israel, en nombre de la legítima defensa de la patria?

Israel ha desoído cuarenta y seis recomendaciones de la Asamblea General y de otros organismos de las Naciones Unidas. ¿Hasta cuándo el gobierno israelí seguirá ejerciendo el privilegio de ser sordo?

Las Naciones Unidas recomiendan pero no deciden. Cuando deciden, la Casa Blanca impide que decidan, porque tiene derecho de veto. La Casa Blanca ha vetado, en el Consejo de Seguridad, cuarenta resoluciones que condenaban a Israel. ¿Hasta cuándo las Naciones Unidas seguirán actuando como si fueran otro nombre de los EE.UU.?

Desde que los palestinos fueron desalojados de sus casas y despojados de sus tierras, mucha sangre ha corrido. ¿Hasta cuándo seguirá corriendo la sangre para que la fuerza justifique lo que el derecho niega?

La historia se repite, día tras día, año tras año, y un israelí muere por cada diez árabes que mueren. ¿Hasta cuándo seguirá valiendo diez veces más la vida de cada israelí?

En proporción a la población, los cincuenta mil civiles, en su mayoría mujeres y niños, muertos en Iraq, equivalen a ochocientos mil estadounidenses. ¿Hasta cuándo seguiremos aceptando, como si fuera costumbre, la matanza de iraquíes, en una guerra ciega que ha olvidado sus pretextos? ¿Hasta cuándo seguirá siendo normal que los vivos y los muertos sean de primera, segunda, tercera o cuarta categoría?

Irán está desarrollando la energía nuclear. ¿Hasta cuándo seguiremos creyendo que eso basta para probar que un país es un peligro para la humanidad? A la llamada comunidad internacional no la angustia para nada el hecho de que Israel tenga doscientas cincuenta bombas atómicas, aunque es un país que vive al borde de un ataque de nervios. ¿Quién maneja el peligrosímetro universal? ¿Habrá sido Irán el país que arrojó las bombas atómicas en Hiroshima y Nagasaki?

En la era de la globalización, el derecho de presión puede más que el derecho de expresión. Para justificar la ilegal ocupación de tierras palestinas, la guerra se llama paz. Los israelíes son patriotas y los palestinos son terroristas, y los terroristas siembran la alarma universal.

¿Hasta cuándo los medios de comunicación seguirán siendo miedos de comunicación?

Esta matanza de ahora, que no es la primera ni será, me temo, la última, ¿ocurre en silencio? ¿Está mudo el mundo? ¿Hasta cuándo seguirán sonando en campana de palo las voces de la indignación?

Estos bombardeos matan niños: más de un tercio de las víctimas, no menos de la mitad. Quienes se atreven a denunciarlo son acusados de antisemitismo. ¿Hasta cuándo seguiremos siendo antisemitas los críticos de los crímenes del terrorismo de estado? ¿Hasta cuándo aceptaremos esa extorsión? ¿Son antisemitas los judíos horrorizados por lo que se hace en su nombre? ¿Son antisemitas los árabes, tan semitas como los judíos? ¿Acaso no hay voces árabes que defienden la patria palestina y repudian el manicomio fundamentalista?

Los terroristas se parecen entre sí: los terroristas de estado, respetables hombres de gobierno, y los terroristas privados, que son locos sueltos o locos organizados desde los tiempos de la guerra fría contra el totalitarismo comunista. Y todos actúan en nombre de Dios, así se llame Dios o Alá o Jehová. ¿Hasta cuándo seguiremos ignorando que todos los terrorismos desprecian la vida humana y que todos se alimentan mutuamente? ¿No es evidente que en esta guerra entre Israel y Hezbollá son civiles, libaneses, palestinos, israelíes, quienes ponen los muertos? ¿No es evidente que las guerras de Afganistán y de Iraq y las invasiones de Gaza y del Líbano son incubadoras del odio, que fabrican fanáticos en serie?

Somos la única especie animal especializada en el exterminio mutuo. Destinamos dos mil quinientos millones de dólares, cada día, a los gastos militares. La miseria y la guerra son hijas del mismo papá: como algunos dioses crueles, come a los vivos y a los muertos. ¿Hasta cuándo seguiremos aceptando que este mundo enamorado de la muerte es nuestro único mundo posible?
http://www.lajiribilla.cu/2006/n273_07/273_15.html


A mesma Luciana, de Viçosa, e Geordana Natali, de Belo Horizonte, enviaram a carta-protesto de Boaventura Santos a um seu amigo israelense:

CARTA A FRANK
Boaventura De Sousa Santos*

Escrevo-te esta carta com o coração apertado. Deixo a análise fria para a razão cínica que domina o comentário político ocidental. És um dos intelectuais judeus israelitas - como te costumas classificar para não esquecer que um quinto dos cidadãos de Israel são árabes – mais progressistas que conheço.

Aceitei com gosto o convite que me fizeste para participar no Congresso que estás a organizar na Universidade de Telavive. Sensibilizou-me sobretudo o entusiasmo com que acolheste a minha sugestão de realizarmos algumas sessões do Congresso em Ramalah.

Escrevo-te hoje para te dizer que, em consciência, não poderei participar no congresso. Defendo, como sabes, que Israel tem direito a existir como país livre e democrático, o mesmo direito que defendo para o povo palestiniano. "Esqueço" com alguma má consciência que a Resolução 181 da ONU, de 1947, decidiu a partilha da Palestina entre um Estado judaico (55%
do território) e um Estado palestiniano (44%) e uma zona internacional (os lugares santos: Jerusalém e Belém) para que os europeus expiassem o crime hediondo que tinham cometido contra o povo judaico. "Esqueço" também que, logo em 1948, a parcela do Estado árabe diminuiu quando 700.000 palestinianos foram expulsos das suas terras e casas (levando consigo as chaves que muitos ainda conservam) e continuou a diminuir nas décadas seguintes, não sendo hoje mais de 20% do território.


Ao longo dos anos tenho vindo a acumular dúvidas de que Israel aceite, de facto, a solução dos dois Estados: a proliferação dos colonatos, a construção de infra-estruturas (estradas, redes de água e de electricidade), retalhando o território palestiniano para servir os colonatos, os check points e, finalmente, a construção do Muro de Sharon a partir de 2002 desenhado para roubar mais território aos palestinianos, os privar do acesso à água e, de facto, os meter num vasto campo de concentração). As dúvidas estão agora dissipadas depois dos mais recentes ataques na faixa de Gaza e da invasão do Líbano. E agora tudo faz sentido. A invasão e destruição do Líbano em 1982 ocorreu no momento em que Arafat dava sinais de querer iniciar negociações, tal como a de agora ocorre pouco depois do Hamas e da Fatah terem acordado em propor negociações. Tal como então, foram forjados os pretextos para a guerra. Para além de haver milhares de palestinianos raptados por Israel (incluindo ministros de um governo democraticamente eleito), quantas vezes no passado se negociou a troca de prisioneiros?

Meu Caro Frank, o teu país não quer a paz, quer a guerra porque não quer dois Estados. Quer a destruição do povo palestiniano ou, o que é o mesmo, quer reduzi-lo a grupos dispersos de servos politicamente desarticulados, vagueando como apátridas desenraizados em quadrículos de terreno bem vigiados.

Para isso dá-se ao luxo de destruir, pela segunda vez, um país inteiro e cometer impunemente crimes de guerra contra populações civis. Depois do Líbano, seguir-se-á a Síria e o Irão. E depois, fatalmente, virar-se-á o feitiço contra o feiticeiro e será a vez do teu Israel. Por agora, o teu país é o novo Estado pária, exímio em terrorismo de Estado, apoiado por um imenso lobby comunicacional - que sufocantemente domina os jornais do meu país - com a bênção dos neoconservadores de Washington e a vergonhosa passividade a União Europeia.

Sei que partilhas muito do que penso e espero que compreendas que a minha solidariedade para com a tua luta passa pelo boicote ao teu país. Não é uma decisão fácil. Mas crê-me que, ao pisar a terra de Israel, sentiria o sangue das crianças de Gaza e do Líbano (um terço das vítimas) enlamear os meus passos e embargar-me a voz.

Coluna Visão - 27 de Julho de 2006
* Boaventura de Sousa Santos é Professor Catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e Distinguished Legal Scholar da Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin-Madison. É igualmente Director do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e Director do Centro de Documentação 25 de Abril da mesma Universidade.


NUESTRA AMERICA

A cirurgia a que Fidel Castro se submeteu foi outro assunto muito badalado. Boa parte da grande imprensa já decretou a morte de Castro, já fala da transição política. Os exilados em Miami festejam. Bush não aceita que o velho líder encarregue seu próprio irmão de comandar o país enquanto ele está hospitalizado (na minha terra isso que Bush anda dizendo era conhecido como interferência nos assuntos internos de uma nação soberana... mas os conceitos andam tão mudados...). Reproduzo a seguir: 1.Editorial da revista Fórum com uma interessante comparação entre o ditador cubano e os democratas tucanos; 2.Nota do blog de Pedro Doria, mostrando que os “urubus” estão de olho na Ilha, e 3. Manifesto de personalidades mundiais exigindo respeito a Cuba e aos cubanos.


1. A “ditadura” de Fidel e a "democracia" tucano-pefelê
Por Editorial [3/8/2006]

Nem toda a crítica que se faz ao modelo cubano é inconsistente. Há de fato coisas injustificáveis e que não podem ser explicadas apenas pelo fato de o país estar sob o bloqueio econômico estadunidense e viver sob a ameaça deste país. Em Cuba, não há liberdade de imprensa e os jornalistas não têm o direito de expressar suas opiniões com independência. Por isso, principalmente aqueles que tratam das questões locais, não são jornalistas, mas escribas de dirigentes partidários.
Poderia ser diferente. Sim, poderia. E não precisaria ser como no Brasil ou em tantos outros países onde os jornalistas também cada vez menos podem ser jornalistas e precisam ser escriturários dos coronéis modernos, os proprietários dos veículos informativos, ou seus capatazes.
Poderia haver em Cuba uma enorme revolução nesta área, com a abertura de centenas, milhares de rádios comunitárias e TVs locais, absolutamente autônomas e administradas do ponto de vista editorial por conselhos populares, por exemplo. Cuba e Fidel dariam mais um belo exemplo ao mundo, como já deram ao fazer daquele país um lugar onde o povo é saudável e educado. Onde a qualidade de vida é a melhor da América Latina. E onde há formação cultural e esportiva como em lugar nenhum no mundo. Cuba precisa avançar nesse aspecto, mas Fidel não se torna uma figura menor para a história política mundial por isso. Ele já está na história como um dos maiores líderes políticos do seu tempo. E não por aspectos negativos.
Não se pode dizer o mesmo dos dirigentes partidários do PSDB e do PFL que foram à Justiça para impedir a circulação da edição número 1 da Revista do Brasil, publicação que surge a partir da iniciativa de alguns sindicatos, entre eles os bancários de São Paulo e os metalúrgicos do ABC.
A alegação da coligação partidária é de que a revista fazia propaganda eleitoral por ter uma capa positiva ao presidente Lula. A lógica bicuda-pefelista é uma beleza. Liberdade de imprensa só vale para falar bem da gente e mal dos outros. Se for o contrário, pau. Ou melhor, censura.
Veja, publicação horrorosa, deve ser defendida no seu direito de existir. Deve ser combatida, quando informa mal. Deve ser questionada na Justiça, quando mente. Mas se um dia quiserem tirar Veja de circulação por conta de sua linha editorial, Fórum tapa o nariz, mas sai em defesa dela.
Se um empresariado tacanho como o que controla a editora Abril deve ter respeitado o seu direito de editar uma Veja, por que sindicatos e sindicalistas devem ser impedidos de ter sua revista? A resposta é simples: os princípios democráticos de alguns dirigentes que se escondem atrás das siglas PSDB e PFL é limitado aos seus interesses. É ditatorial.Fórum deseja longa vida a Fidel que, com seus defeitos, é muito mais democrático do que a maioria dos que o atacam.

(Editorial da edição de agosto da revista Fórum. Reserve já com seu jornaleiro a partir da próxima semana)


2. Urubus em vigília (do blog de Pedro Doria)
A ansiedade é grande. Enorme. Líderes da comunidade cubana aqui têm o seu próprio plano pós-Fidel, independente de qualquer coisa tramada na Casa Branca. Por enquanto ele não passa de uma fantasia. Afinal, os estrategistas dos grupos anticastristas acreditam, por exemplo, que seriam recebidos de braços abertos ao voltar ao seu país de origem.
Mais: eles acham que teriam controle total, ancorados num plano de ação em que os Estados Unidos entrariam apenas como figurantes dessa ópera. Ingenuidade ou ignorância? Talvez ambas as coisas, com umas pitadas de arrogância.
José Meirelles Passos, o experiente repórter dO Globo em Washington, está passando uns dias em Miami. E seu blog é ótimo.

3. Personalidades mundiais exigem respeito à soberania de Cuba

Mais de 400 personalidades de todo o mundo, entre eles oito prêmios Nobel, assinaram um manifesto divulgado à imprensa nesta segunda-feira (7/8) no qual exigem que os Estados Unidos respeitem a soberania de Cuba. O texto condena também as crescentes ameaças contra a integridade territorial da ilha
Entre as personalidades estão os brasileiros Chico Buarque, Frei Betto e Oscar Niemayer, além de nomes como Eduardo Galeano, José Saramago, Ignacio Ramonet, Miguel Bonasso, Rigoberta Menchú, Desmond Tutu, Mario Benedetti e Noam Chomsky.
O documento, intitulado ''A soberania de Cuba deve ser respeitada'', critica com firmeza a postura de Washington diante do problema de saúde do presidente Fidel Castro, afastado há uma semana do poder para se recuperar de uma cirurgia abdominal.
''Devemos impedir a todo custo uma nova agressão'', defende o documento, levando em conta a crescente militarização da política externa norte-americana. Ao final, há o endereço de uma página na internet criada especialmente para propagar o manifesto e conquistar mais adesões.
Confira abaixo a íntegra do manifesto:
A soberania de Cuba deve ser respeitada
Desde que foi comunicado o estado de saúde de Fidel Castro e a delegação provisória de seus cargos, altos funcionários norte-americanos têm formulado declarações cada vez mais explícitas acerca do futuro imediato de Cuba. O secretário de Comércio Carlos Gutiérrez opinou que ''chegou o momento de uma verdadeira transição até uma verdadeira democracia'' e o porta-voz da Casa Branca Tony Snow disse que seu governo está ''pronto e ansioso para outorgar assistência humanitária, econômica e de outra natureza ao povo de Cuba'', o que acaba de ser reiterado pelo presidente Bush.
Já a ''Comissão por uma Cuba Livre'', presidida pela secretária de Estado Condoleezza Rice, havia destacado um informe em meados de junho ''a urgência de trabalhar hoje para garantir que a estratégia de sucessão do regime de Castro não tenha êxito'' e o presidente Bush sinalizou que este documento ''demonstra que estamos trabalhando ativamente por uma mudança de Cuba, não simplesmente esperando que isso ocorra''. O Departamento de Estado destacou que o plano inclui medidas que permanecerão secretas ''por razões de segurança nacional'' e para assegurar sua ''efetiva realização''.
Não é difícil imaginar o caráter de tais medidas e da ''assistência'' anunciada se tem-se conta da militarização da política exterior da atual administração estadunidense e sua atuação no Iraque.
Ante essa ameaça crescente contra a integridade de uma nação, a paz e a segurança na América Latina e no mundo, os abaixo-assinados exigimos que o governo dos Estados Unidos respeite a soberania de Cuba. Devemos impedir a todo custo uma nova agressão.

Para aderir: http://www.blogger.com/


BRASIL




A campanha eleitoral brasileira continua de vento em popa. E as pesquisas deixam cada vez mais os tucanos apavorados. Comentamos aqui, em número anterior, que eles estavam felizes, crendo que Heloisa Helena estava tomando votos de Lula, mas agora que ficou patente que ela está roubando votos é do Chuchu, na certa vão começar a querer detona-la....É disso que trata Flávio Aguiar (1). Em seguida, a pequena noticia que causou grande constrangimento aos partidos de oposição que teimavam em querer jogar o problema dos sanguessugas sobre o governo Lula – a descoberta de uma foto em que o então ministro da Saúde, José Serra, posa ao lado de vários sanguessugas... e agora, José? Os artigos 3, 4 e 5, discutem a questão da corrupção e da chamada Operação Dominó, que, no meio deste mar de escândalos, conseguiu assombrar a todos, pois numa tacada só juntou os 3 poderes estaduais numa pocilga só...No item 6, a iniciativa da ONG Transparência Brasil, colocando no site todos os candidatos e suas obras, tanto as louváveis quanto as execráveis. Veja se seu candidato está lá e se ele(ela) merecem seu voto! Finalmente, no item 7, indicamos o link para o Debate Carta Maior sobre a questão do emprego no Brasil.



1. Flávio Aguiar
Lula x Heloísa Helena no 2° turno: já pensou? (clique no resumo para abrir o link)

Há poucas semanas Heloísa Helena era saudada por tucanos e pefelês como o novo fator que poderia garantir o segundo turno. Agora eles e seus aliados na imprensa terão de se preocupar com a possibilidade da senadora ofuscar a cena do candidato deles. - 08/08/2006

2. No blog da revista Forum, uma pequena notícia, mas muito interessante!!!

O blog do jornalista Fernando Rodrigues publica hoje fotos de José Serra, quando ministro da Saúde, participando de cerimônia de entrega de ambulâncias no Mato Grosso, em maio de 2001. Nas fotos, ele está com os deputados Lino Rossi (PL-MT), Pedro Henry (PP-MT) e Ricarte de Freitas (PTB-MT), que constam da lista fornecida por Darci Vedoin à Polícia Federal. Segundo as investigações, a atuação da máfia das ambulâncias teve início em algum momento quando Serra ainda era titular da pasta da Saúde (ele ocupou o cargo entre março de 1998 a fevereiro de 2002), embora ele não tenha sido citado como beneficiário ou participante do esquema.O líder do PT na Câmara, deputado Henrique Fontana (RS), defendeu que a CPI dos Sanguessugas convoque José Serra, argumentando que a operação teria funcionado pelo menos durante três anos no governo anterior e, ainda assim, não houve investigação. "A máfia foi fundada no período em que o Serra era ministro, operou três anos sem ser incomodada. Uma prova da confiança que o esquema tinha no Executivo é que chegou a entregar cem ambulâncias, em 2002, antes de o recurso ser liberado", disse.

3. Clique no link para ler a notícia completa no UOL

PF prende presidentes do TJ e da Assembléia de Rondônia

Reuters -

http://noticias.uol.com.br/ultnot/reuters/2006/08/04/ult1928u2341.jhtm

4. Delegado da PF revela esquema da Operação Dominó
Sexta, 4 de agosto de 2006, 14h13
Bob Fernandes


Terra Magazine entrevistou com exclusividade o delegado superintendente da Polícia Federal, Joaquim Claudio Figueredo Mesquita que detalhou a Operação Dominó, realizada desde a manhã desta sexta no estado de Rondônia e que levou à prisão de 23 autoridades. Entre elas, o Presidente da Assembléia Legislativa do Estado, Carlão de Oliveira, o Presidente do Tribunal de Justiça, Sebastião Teixeira, o ex-Procurador-Geral de Justiça do Estado, José Carlos Vitachi, o Vice-Presidente do Tribunal de Contas do Estado, Edílson de Souza Silva e mais juízes, funcionários públicos.
Leia também» PF prende Presidente da Assembléia e mais 22 em RO

» Nove dos 23 detidos chegam hoje a Brasilia

» Opine aqui

O delegado recusou-se a responder apenas uma pergunta, que continha uma informação obtida por Terra Magazine: além dos 22 deputados investigados, e das 23 autoridades já detidas, a lista entregue aos conselhos nacional do Ministério Público e da Magistratura tem ainda o nome de magistrados e procuradores do Estado que estão sendo investigados.
Terra Magazine - Quando começaram as investigações?

Delegado Mesquita - Há um ano, com autorização do Ministério da Justiça.
A partir de que fatos?

Fatos relacionados à Assembléia Legislativa; tentativa de suborno (NR: divulgada pelo Fantástico) gravada pelo governador do Estado, Ivo Narciso Cassol. A partir daí, a políca investigou.
Valeu-se dos instrumentos de sempre: gravações autorizadas etc?

Valeu-se dos instrumentos de sempre, sempre com autorização.

Vocês chegaram ao que com as investigações?

A quadrilha, na verdade, uma organização criminosa que envolvia quase todos os comandos de instituições do Estado.

As informações extra oficiais que temos são de que 22 dos 24 deputados estão sendo investigado e teriam sido presos se não houvesse imunidade.

É isso aí. A Assembléia tinha um esquema de laranjas que recebiam como se fossem funcionários públicos, outro esquema de contratos fraudados, com produtos e serviços supostamente adquiridos junto a cerca de 20 empresas e cujo dinheiro dava a volta e retornava numa operação centralizada no presidente da Assembléia.

Como a Polícia Federal conseguiu romper esse circuito?

Fomos ao Superior Tribunal de Justiça, que nos autorizou uma ampla investigação.

Com que dificuldades vocês se depararam?

Com uma quadrilha que domina o Estado e que se auto acobertava. Todas as vezes, antes de irmos ao STF, em que tentávamos medidas para coibir a continuidade desse esquema, eles usavam os seus poderes e impediam a ação da polícia. Com a autorização pudemos investigar toda a organização criminosa.

Que outras conseqüências haverá a partir das prisões?

Primeiro, a polícia vai enviar o resultado disso tudo aos conselhos nacional do Ministério Público e da Magistratura, com um relatório, no qual se pede a investigação de outras autoridades.

Quantos agentes participaram da ação?

Participaram da ação 300 policiais dos estados de Amazonas, Distrito Federal, Mato Grosso, Acre e Rondônia.

Terra Magazine tem a informação de que magistrados e procuradores estão sendo investigados.

Não sei... Esse é um assunto sobre o qual não posso falar.



5. Partidarização do escândalo encobre problemas estruturais

O esquema de desvio de recursos públicos nasceu de problemas estruturais do Estado brasileiro. Corrupção ativa, financiamento de campanha, participação de prefeitos e barganha de emendas compõem o quadro por trás das irregularidades.

> LEIA MAIS Política 07/08/2006

• Lado ativo da corrupção continua em plena atividade

• Dependência de recursos privados contamina mandato

• Esquema não funcionaria sem colaboração de prefeituras

• Emendas parlamentares coroam fisiologismo entre Poderes

6. Iniciativa interessante, e utilíssima, a da ONG Transparência Brasil.
Ficha corrida de Suas Excelências

Quer saber se o seu candidato a deputado federal tem bons antecedentes? Se responde a processo na Justiça? Se é suspeito de envolvimento em alguma falcatrua? O site de uma ONG mostra que a transparência é o melhor detergente contra a sujeira na política

Luiz Antônio Ryff
http://transparencia-1.ig.com.br/

7. DEBATES CARTA MAIOR

Brasil precisa mudar política econômica se quiser criar vagas para seus 8 milhões de desempregados

Encontro reuniu em São Paulo alguns dos maiores especialistas brasileiros em mercado do trabalho, ligados à Unicamp, à UFRJ e à UFRRJ. Eles defenderam que o país deve mudar sua política econômica, desde 1994 focada quase que exclusivamente no combate à inflação, e adotar políticas direcionadas à geração de novas vagas. China e Índia são exemplos.

> LEIA MAIS Economia 08/08/2006

LIVROS E REVISTAS

1. Nas bancas o nº 34 da revista Nossa Historia. Artigos principais: O serviço secreto brasileiro - Justiça contra marreta no inicio do século – a historia do serviço postal brasileiro – Delfim Moreira assumiu devido à morte de Rodrigues Alves – Entrevista com Antonio Manuel Hespanha – Loucos isolados à beira-mar – o hospital-colônia de Barbacena – Pantanal desbravado – A conta do gás boliviano – o conflito entre Bolívia e Paraguai – Abolição, ainda que tardia – A deusa da dança.


SITES INTERESSANTES

1. Já está no ar a décima primeira edição da REVISTA TEMA LIVRE (http://www.revistatemalivre.com), que apresenta:Entrevistas com os historiadoresArtigos acadêmicosMatéria sobre o Real Gabinete Português de LeituraExposição Virtual de Fotografia Basta acessar: http://www.revistatemalivre.com/

2. No site http://www.historianet.com.br/, novidades:

a) Antiga

Cleópatra, a rainha do EgitoCleópatra, a rainha grega do Egito. Provavelmente tudo que o mundo sabe sobre ela esteja errado. Muitas versões a descrevem como uma mulher fatal e de rara beleza. Alguns relatos valorizam, com certo exagero, a questão estética da jovem rainha.

b) Filmes

MAUÁ, O IMPERADOR E O REIO filme mostra a infância, o enriquecimento e a falência do Barão de Mauá (1813-1889), empreendedor gaúcho, considerado o primeiro grande empresário brasileiro, responsável por uma série de iniciativas

c) História da Arte

A Arte RenascentistaA produção artística do Renascimento espelha-se na cultura greco-romana, porém traduz as mudanças vividas pela sociedade moderna.

NOTICIAS

1. Abertas inscrições para curso a distância de história política
Estão abertas as inscrições para o curso a distância História Política de Minas Gerais - Uma Introdução Crítica, oferecido pela Assembléia Legislativa de Minas Gerais através da Escola do Legislativo. O curso terá 50 vagas, preferenciais para agentes públicos e políticos do Estado, com formação de nível superior e conhecimento mínimo dos fenômenos e personagens históricos. A carga estimada será de 45 horas e o professor é o historiador Luiz Fernandes de Assis, coordenador do programa de Educação a Distância da Escola. O início das aulas será no dia 4 de setembro de 2006 e o término em 24 de novembro de 2006. As inscrições, abertas exclusivamente para o público externo da ALMG, podem ser feitas até o dia 25 de agosto, em formulário disponível no Painel de Avisos da internet - www.almg.gov.br.
Todo o material do curso será enviado aos alunos pelo correio eletrônico. Não haverá salas de bate-papo nem site com o conteúdo. As mensagens ficarão armazenadas no site do YahooGrupos e os interessados poderão se inscrever com qualquer endereço eletrônico. Serão cinco aulas, com os seguintes temas: entendimento do conceito de História; fundação da Assembléia Legislativa Provincial e o projeto de hegemonia política no Tempo Saquarema; República Velha e a consolidação do regime oligárquico; a Revolução de 30 e as fissuras nos quadros dirigentes do País; os anos de chumbo e os partidos políticos na clandestinidade.
Cada aula será subdividida em cinco partes, que serão postadas a cada dia útil, durante uma semana. No quinto dia útil serão postadas, além da última parte daquela aula, 10 questões abertas para o aluno escolher uma ou mais para debate. Na semana seguinte, todos os alunos deverão debater a aula anterior, escolhendo uma questão e escrevendo sua participação. Segundo o professor, Luiz Fernandes de Assis, o objetivo é estabelecer uma "aprendizagem colaborativa", ou seja, cada participante pode e deve interagir com os colegas e professor, o que permitirá aos participantes construírem, conjuntamente, o conhecimento histórico através da discussão, da reflexão e tomada de decisões.
A avaliação está diretamente relacionada com a participação do aluno nas questões postadas ao final de cada aula. Será exigida a leitura de textos - média de 50 laudas por mês - e a escrita de dois parágrafos, no mínimo, sobre as questões em debate, a serem enviados para a lista. Não será levado em conta, na avaliação, o nível de conhecimento prévio histórico ou conceitual, respeitada a liberdade de expressão e de opinião.
Mais informações pelo e-mail escola.eventos@almg.gov.br.

2. Publicado edital de seleção do mestrado – turma 2007-2009 da Fundação João Pinheiro
Foi publicado, no dia 14 de julho, edital para seleção de alunos do Curso de Mestrado em Administração Pública – turma 2007-2009. Serão oferecidas vagas para as áreas de concentração de Gestão Econômica (15), Gestão da Informação (12) e Gestão de Políticas Sociais (18). As inscrições ficarão abertas de 21 de agosto a 6 de setembro e deverão ser feitas na Secretaria Geral da Escola de Governo.

3. Seminário de Pesquisa 2006

As atividades do Seminário de Pesquisa da EG, neste 2º semestre, serão iniciadas no dia 11 de agosto, com palestra do professor Paulo Roberto de Almeida do Curso de Mestrado em Direito do UNICEUB, sobre o tema “A inserção econômica internacional do Brasil: a agenda diplomática regional e multilateral”. A programação terá seguimento no dia 18, com seminário sobre “Diferenciais de Rendimentos entre Homens e Mulheres no Brasil”, a ser apresentado pelo professor Eduardo Pontual Ribeiro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O Seminário de Pesquisa é aberto a todos os interessados e sempre tem lugar às sextas feiras, de 15 às 17 horas, no Auditório Jussara Seixas.


INFORME ANPUH EXTRAORDINÁRIO


O site do XXIV Simpósio Nacional de História está no ar.
A Diretoria da ANPUH comunica aos seus associados e à comunidade de historiadores brasileiros, em geral, que já está no ar o site do próximo Simpósio Nacional de História, que se realizará entre os dias 15 e 20 de julho de 2007, no campus da Unisinos, em São Leopoldo, Rio Grande do Sul.
Neste momento, o site traz, além das instruções para proposição de simpósios e minicursos (proposição que ocorrerá ao longo dos meses de setembro e outubro), muitas informações sobre o evento, sobre a cidade de São Leopoldo e sobre a universidade.
Instruções para inscrição de trabalhos nos simpósios, em mini-cursos e na condição de ouvinte estarão disponíveis a partir da segunda quinzena de novembro, quando for divulgada a lista dos simpósios e minicursos aprovados pela Comissão Científica do evento.
http://snh2007.anpuh.org/

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