Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

4.4.07

Número 085




EDITORIAL

O espetáculo da semana foi o apagão aéreo. E mais do que ele, a nossa grande imprensa, que só faltou pedir aos militares para darem outro golpe (por coincidência, no dia 31 de março...). Quem falou muito bem sobre isso foi Mino Carta, em seu blog. Leia lá o artigo publicado dia 02/04, com o titulo “Sem condições de decolar”.
http://blogdomino.blig.ig.com.br/

E veja no blog Tamoscomraiva, uma alentada pesquisa feita pela Cristina Castro a respeito da questão da redução da maioridade penal.
www.tamoscomraiva. blogger.com.br

Afora isso, veja na seção Falando de História o que os algozes de Che Guevara tem a dizer...e também a indicação para ver, no site da BBC, os 200 anos do fim do trafico de escravos pela Inglaterra. Na seção Brasil,duas entrevistas: uma sobre a gestão em educação e a outra sobre a questão de transgênicos no Brasil (leia, é algo bem grave o que se denuncia lá), e um artigo sobre Colonialismo e agroenergia. O tema é retomado em Nuestra América, onde se mostra que os caminhos da política externa brasileira e uruguaia acabam fortalecendo as direitas nas Américas. Veja também como a Bolívia pretende erradicar completamente o analfabetismo. Em Internacional, uma notícia surpreendente (será mesmo surpreendente?): praticamente metade dos habitantes da Rússia preferem o socialismo. E José Luis Fiori analisa a estranha forma de os EUA governarem o mundo. E mais as colunas de sempre: Notícias, Livros e Revistas, Sites interessantes.
Bom proveito!

FALAM AMIGOS E AMIGAS

1. Olá Professor Ricardo,

Que bom estar recebendo o Boletim toda semana, muito obrigado pela atenção e carinho.
Um grande abraço,
Maurilio Araújo ex-aluno curso História UNI - BH

2. Aline Guimarães recomenda uma visita ao Centro de Arte Contemporânea de Ihotim, na cidade de Brumadinho, 60 km de Belo Horizonte.
Conheça virtualmente aqui: http://www.portaldebrumadinho.com.br/caci.asp
E depois... vá lá!!!!


FALANDO DE HISTORIA

1. Revelações dos algozes de Che Guevara
A versão dos homens que liderarama caçada ao revolucionário l Os restos mortais do guerrilheiro não estão em Cuba l Os últimos diálogos antesda execução
Leia em: http://www.terra.com.br/istoe/1953/brasil/1953_revelacoes_algozes_cheguevara.htm

2. indicação do prof. James William Goodwin Jr.
a dica é do blog do Luís Felipe Alencastro (http://sequenciasparisienses.blogspot.com/). Vale a pena conferir....
A BBC criou um sítio sobre os 200 anos da abolição do tráfico negreiro britânico, em 1807.
em espanhol
http://news.bbc.co.uk/hi/spanish/specials/2007/esclavitud/newsid_6378000/6378667.stm
em inglês (mais completo)
http://www.bbc.co.uk/history/british/abolition/
BRASIL

Da Revista Fórum:
Para Sérgio Haddad, problema da educação não é só de gestão
Por Brunna Rosa [27/3/2007]

Em entrevista a Fórum, Sérgio Haddad, coordenador da Ação Educativa e diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong), analisa o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). Para ele, a iniciativa do governo é positiva, mas desconsidera a necessidade de participação da comunidade na escola e da sociedade no desenvolvimento das políticas. Ele comenta ainda comenta a pesquisa Educação e Exclusão no Brasil, lançada na terça-feira (27) na Ação Educativa, em São Paulo.
Sérgio afirma que a formulação do PDE deveria ser discutida em conjunto com a sociedade e se mostra preocupado com algumas das ações anunciadas pelo governo. Ao lançar a pesquisa Educação e Exclusão no Brasil, foi ressaltada a importância da presença da comunidade local no cotidiano da escola e da elaboração, pelo Estado, de políticas públicas destinadas a promoção da igualdade de acesso e de inclusão dos grupos mais vulneráveis. Segundo a pesquisa, a educação, apesar de ser considera um dos fatores mais importantes para a mudança do padrão de desigualdade, a experiência brasileira desafia está lógica.
Fórum - Qual a sua opinião acerca do PDE?
SÉRGIO HADDAD -- O PDE ainda está em processo de formação. O anúncio foi feito em “Powerpoint” (programa de computador que organiza apresentações no modelo de slides ou transparências) e não há nenhum projeto ou documento definitivo. Só houve indicações das linhas gerais. Sobre os indicativos, primeiramente, o anúncio de que o plano está voltado para a educação global, incluindo o ensino básico, é um grande avanço. Até o final da gestão do Fernando Henrique Cardoso a educação estava focada no ensino fundamental, deixando de lado a educação infantil e o ensino médio, o que gerou uma limitação muito grande no desenvolvimento do setor no país. O PDE tentará reverter a situação ao centrar suas ações nos municípios.Precisamos ficar atentos para algumas ações anunciadas pelo Governo Federal, como os indicadores técnicos que dizem respeito a indicadores de qualidade no ensino dos municípios, pesquisas ou provas, como a “provinha Brasil”, utilização das premiações, como as gincanas ou olimpíadas de português. Precisamos acompanhar e verificar como serão construído os indicadores para selecionar os municípios que receberão o apoio financeiro e técnico do Governo Federal. É positivo que se realizem avaliações em relação ao desenvolvimento do ensino infantil, porém é insuficiente. A qualidade da educação não muda e o governo não conseguirá acompanhar todos os municípios, por mais que se invista em tecnologia, sem pensar no problema educacional de uma forma mais ampla, não conseguiremos resolvê-lo.
A sociedade civil está participando da formulação do PDE?
HADDAD -- A principio não. O projeto ainda está muito calcado sobre a idéia de gestão, como se o problema de educação fosse só de gestão. É também, mas o plano é insuficiente do ponto de vista da participação. Somente quando os grupos sociais e a comunidade de uma maneira geral -- professores, pais, funcionários, alunos e a sociedade civil -- participarem por meio de conselhos de escola, conselhos do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) ou mesmo através dos conselhos municipais é que o mecanismo de gestão tem condições de ser mais controlado, pressionado e implementado.
Quando o presidente Lula diz que precisamos de um “mutirão pela educação” ele não está incluindo a sociedade na construção do projeto?
HADDAD -- Ele está tentando chamar a sociedade, que ainda desconhece o plano. Mas o projeto ainda está muito empresarial. A sociedade não conhece, não está envolvida e desconhece os mecanismos tradicionais que são os conselhos.Para concluir a avaliação das linhas gerais do PDE, considero positiva a institucionalização da EJA (Educação de Jovens e Adultos) nas escolas públicas, desde que fique aberta a possibilidade de as organizações da sociedade civil atuarem em setores que normalmente o poder público não opera. A idéia de criar um banco de tecnologias educacionais a ser aplicada de município em município, dependo o tipo de dificuldade que cada um enfrenta, é pouco operativo. Não se consegue reduzir a educação a apenas experiência técnicas que são transmitidas de um lado para outro.
A discussão sobre a educação tem a ver com um estudo recém produzido pela Ação Educativa, coordenada pelo sr., chamado Educação e Exclusão no Brasil. O sr. poderia comentar a respeito?
HADDAD -- No Brasil, o processo de exclusão na educação vem ocorrendo sobretudo de duas formas: falta de acesso às escolas ou inserção precária dos alunos no sistema de ensino. Neste estudo, realizado por demanda da agência internacional Save the Children, trato a questão da oferta pública da educação no Brasil que, ao longo do século passado, cresceu consideravelmente, e da não-qualificação da educação. A questão é como esses fatores são reproduzidos pelo próprio sistema.Duas idéias básicas me orientaram. Primeiro é a relação entre educação e desenvolvimento. Especialistas apontam que a educação está diretamente ligada ao desenvolvimento e mudanças no padrão da desigualdade. No estudo aponto exemplos que demonstram que não é uma relação imediata. Depende-se do tipo de educação e do tipo de desenvolvimento que se tem. Analiso, por exemplo, o caso brasileiro após a Segunda Guerra Mundial, onde o Brasil obteve um crescimento econômico muito grande e, concomitantemente, ampliou seu sistema escolar. Isso não gerou melhoria de condições de vida para a população, porque esse tipo de desenvolvimento foi marcado pela exclusão social e concentração de renda. A outra idéia é que, olhando os dados de escolarização no país, percebemos que os grupos com menores condições de acesso são aqueles que recebem as piores condições de escolaridade. Há uma correlação direta entre os grupos mais vulneráveis e a escola de pior qualidade. No atual momento quando tratamos de escola pública e dizemos que deve ser aquela escola que dá um atendimento a todos e de qualidade devemos saber que, antes disso acontecer, deveríamos ter políticas específicas para aqueles grupos mais vulneráveis. A oferta igualitária para grupos desiguais significa nos reportarmos a desigualdade, isso é, a desigualdade continuará a se reproduzir enquanto o poder público não se preocupar em ter uma ação compensatória e políticas públicas específicas para esses grupos mais vulneráveis.

2. Outra entrevista, também do site da Revista Fórum:
Professores da USP pedem transparência na CTNBio
Por Brunna Rosa [3/4/2007]

Em entrevista a Fórum, Jorge Machado, professor de gestão de políticas públicas da USP, fala sobre a carta produzida por professores da instituição para a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). O documento questiona a possibilidade de liberação do plantio de sementes geneticamente modificadas. Machado é um dos docentes que assina a carta e tentará autorização para participar da próxima reunião da comissão.
Após o cancelamento da sessão da CTNBio no dia 22, a comissão ameaça suspender o próximo encontro, previsto para o dia 18 e 19 de abril, caso pessoas que não pertencem à comissão insistam em participar da reunião. O aviso foi dado pelo presidente da comissão, Walter Colli, que segundo Jorge Machado, tem seu ingresso na CTNBio questionado na Justiça.
A íntegra da carta está na página do Centro de Mídia Independente (http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2007/03/376182.shtml).
Procurada, a assessoria de imprensa da CTNBio respondeu (leia Confira a entrevista.)
FÓRUM – A carta aberta à comunidade científica e à CTNBio é a primeira manifestação da academia sobre a atual situação da liberação dos transgênicos. O que motivou a publicação?
JORGE MACHADO – Na realidade, há pessoas se posicionando individualmente em relação aos trabalhos da comissão, especialmente em relação a Walter Colli, professor da USP e presidente da CTNBio, cuja indicação não tem consenso da academia. A forma como se compõe a Comissão, por meio de indicações de membros pelos ministérios, faz com que setores contrários ou que pedem maior rigor não sejam ouvidos. Colli chegou à presidência da CTNBio como representante dos movimentos sociais, por indicação da Saúde. A vaga é ocupada por um conjunto de associações, que produzem uma lista de três nomes e as entrega para o ministério, que escolhe um para a vaga. A entrada de Colli atropelou os procedimentos, por isso está sendo questionado na Justiça. Ele diz que fala em nome da academia, mas ele não fala, não tem a representação para isso. É um dos interessados [na liberação das sementes geneticamente modificadas], pois tem dois pedidos de patente. A carta questiona a forma como o processo tem acontecido. Quando se fala em procedimento científico, uma série de questões são exigidas. Ao realizar uma pesquisa, há de se ter clareza do que está sendo proposto – a hipótese, o método, os critérios e como se vai avaliar. No caso da liberação do uso das sementes transgênicas, uma série de procedimentos científicos rigorosos devem ser tomados.

FÓRUM – A CTNBio não divulga os estudos para isso?
MACHADO – Em uma ciência séria, os estudos devem ser publicados e mostrados à sociedade. No caso, esses estudos [da CTNBio] não estão sendo apresentados ou sequer realizados. Como a comissão vai avaliar se deve haver uma liberação ou não? Não estão sendo divulgados os critérios, métodos de avaliação, medidas de segurança e as medidas preventivas para o caso de contaminação. Ao autorizar o plantio, quem será a pessoa responsável caso aconteça uma contaminação que coloque em risco a biodiversidade? A comissão está aí para legitimar o processo. Da forma como as decisões têm sido tomadas, não há garantias de que não ocorram violações. As reuniões são realizadas a portas fechadas. Eu, por exemplo, tento participar da próxima para entregar a carta e fazer as perguntas pessoalmente, mas é muito difícil. Nem mesmo na audiência pública os membros da sociedade civil, indicados a falar, conseguiram fazê-lo. O presidente da comissão impediu. Existe um silêncio que se esconde por trás de um mecanismo de decisão. O professor Walter Colli alega que os membros da comissão estão sob pressão, até pede segurança para impedir que manifestantes tenham acesso à reunião. Ele quer impedir que as reuniões sejam públicas. Em um Estado democrático, as decisões devem ser tomadas com transparência, o que não está acontecendo. É uma coisa muito perigosa para nossa democracia. Estamos prestes a violar nossa Constituição e as convenções que o Brasil assinou, como a de Roma e a de Biodiversidade.
FÓRUM – A crítica é à intransigência da CTNBio?
MACHADO – A CTNBio é composta por um conjunto de membros, e alguns membros têm uma posição mais transparente e tentam que o conjunto responda a algumas questões. Houve uma manobra política que altera o quorum para a maioria simples (metade mais um voto), para a aprovação do milho transgênico. Com isso, o grupo majoritário está impondo um sistema de decisão não-democrático e não-transparente. O que há por trás? A comissão quer bloquear o acesso às informações se revestindo de uma suposta legitimidade, por ser formada por especialistas, conseguindo tomar decisões no âmbito governamental que não são populares ou que são desvinculadas do interesse da sociedade civil. Isso é típico de governos ditatoriais, onde se escolhia, para cargos chaves do governo, pessoas detentoras de um saber, um especialista, para se contrapor ao saber dos “leigos”. Isto é uma forma de despolitizar. Participamos de um sistema democrático, então temos que promover um debate mais amplo que envolva diversos setores e áreas.Eu não acusaria todos os membros da CTNBio, mas o professor Walter Colli está a frente e diz que é o senhor ciência, o que sabe das coisas. Ele está taxando todos os que questionam a forma de trabalho da comissão como anti-Ciência. Mas Ciência é responder questões, se ele não responder, estará sendo acientífico.
FÓRUM – Quanto a decisão do governo de diminuir o número de votos para a aprovação na comissão, qual sua opinião a respeito?
MACHADO – Acho muito estranho. Qual a motivação? Responderei com uma pergunta. Por que mudar o sistema, sendo que a CTNBio já liberou mais de 500 tipos de plantações de transgênicos para estudos, com fins científicos? A comissão está funcionando, o problema são as deliberações comerciais. A liberação comercial envolve questões muito mais complicadas, que é fazer com que o produto transgênico chegue a mesa do consumidor. Neste ponto, entram os questionamentos das organizações e cientistas sobre o risco de se liberar as sementes sem responder tais perguntas. Enviei essas perguntas para a SBPC [Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência] e à Estação Brasileira de Ciência, e ainda não houve resposta. A SBPC indica um membro para a comissão e não existe consenso interno. A organização tem dificuldade com a posição.


3. Colonialismo e Agroenergia (clique no título)
O encontro do presidente Lula com George W. Bush teve um objetivo central: melhorar a imagem do governo estadunidense junto à opinião pública (os EUA respondem por 25% da poluição atmosférica do planeta) e se contrapor à influência de países onde há forte sentimento antiimperialista na América Latina. Análise de Maria Luisa Mendonça e de Marluce Melo
(Jornal Brasil de Fato)

NUESTRA AMERICA

1. Bush recebe Lula em Camp David (clique no titulo)Raúl ZibechiAs atitudes de governos de esquerda como o de Lula e o de Tabaré Vázquez para com o governo de Bush estão dando fôlego às direitas do continente (Jornal Brasil de Fato

2. A nova Bolívia 2007 (I)
O editorial do jornal de direita e opositor La Razón, de La Paz, fala por si só, de maneira insuspeita, sobre a campanha para terminar com o analfabetismo na Bolívia, o que permitirá que esse país se torne, no máximo em 2008, o 3º país livre de analfabetismo na América, somando-se a Cuba e à Venezuela. - 03/04/2007 Tá no Blog do Emir Sader, que pode ser acessado pelo site da Carta Maior


INTERNACIONAL

Pesquisa diz que 46% dos russos apóiam a idéia do socialismo
por jpereira — Última modificação 02/04/2007 17:09
02/03/2007
da redação

O Centro Nacional de Estudo da Opinião Pública da Rússia (VTsIOM), realizou em todo o país uma pesquisa sobre o que os russos acham da idéia de reedificar o socialismo na nova Rússia. A pesquisa apontou que 46% apóiam a idéia, enquanto 17% acham razoável e 37% não consideraram uma boa saída para o país.

Na pesquisa, divulgada pela agência de notícias RIA-Novosti, a maioria das pessoas afirmou que o sistema socialista tem vantagens se comparado ao capitalista. As principais estão na segurança do sistema social (71% contra 13%), nas possibilidades de receber uma educação digna (63% contra 21%), no caráter acessível e de boa qualidade da assistência médica (60% contra 22%), na igualdade de oportunidades para todos os membros da sociedade (62% contra 17%), na harmonia de relações entre diversos povos e etnias (62% contra 17%), nas garantias de segurança pessoal e ordem pública (54% contra 18%).

Em relação à liberdade de informação e acesso a valores culturais, 40% dos entrevistados afirmaram que o socialismo oferece mais oportunidades que o capitalismo, enquanto 38% discordaram dessa afirmação.

As vantagens do capitalismo sobre o socialismo se manifestaram apenas em duas questões apresentadas pelo VTsIOM. Cerca de 45% dos entrevistados afirmaram que o interesse das pessoas pelo trabalho é maior no capitalismo, enquanto 38% discordaram. Já 51% das pessoas afirmaram que as mercadorias produzidas são melhores, enquanto 32% discordaram da tese.

Na opinião de 20% dos entrevistados, o socialismo mais conveniente seria o modelo sueco, ''onde a economia funciona segundo o princípio capitalista e a esfera social, segundo o socialista'', afirma o estudo.

Alguns entrevistados (6%) propuseram aproveitar a experiência chinesa de desenvolvimento da ''economia de mercado'', conservando o papel dirigente do Partido Comunista. Somente 1% dos entrevistados acreditam que o melhor modelo de socialismo seria o praticado na República Popular Democrática da Coréia, enquanto 12% dos russos prefeririam edificar do início um novo modelo socialista.

Perguntados de como se daria a transição para o socialismo, 56% dos russos responderam que ela só seria possível com uma revolução, enquanto apenas 15% acreditaram que seria possível uma transição pacífica.

A pesquisa foi realizada durante 17 e 18 de março deste ano, com 1.600 pessoas de 153 cidades em 46 regiões da Rússia. A margem de erro não passa de 3,4%
(do Jornal Brasil de Fato)

2. Estranha forma de governar o mundo
Interessante ao se observar o fracasso dos EUA em Cuba, no Vietnã e no Iraque é que quem tomou a iniciativa foram os próprios norte-americanos e, nos três casos, o resultado foi ruim para os próprios interesses dos EUA. Como explicar esse comportamento autodestrutivo?
José Luís Fiori (da Agência Carta Maior – www.cartamaior.com.br)
“O desejo de todos os estados, ou de seus governantes, é alcançar uma paz perpétua, através da conquista de todo mundo, se isto fosse possível.”Immanuel Kant, A Paz Perpétua, 1795
Há quem associe a derrubada do presidente Kennedy, em 1963, ao fracasso da intervenção americana em Cuba, em 1961, como no caso da renúncia do presidente Nixon, em 1974, que seria impensável sem a derrota dos Estados Unidos na guerra do Vietnã. Duas derrotas militares que dividiram o establishment norte-americano, como está acontecendo de novo, neste momento, depois do fracasso do Oriente Médio. Estas três intervenções militares mudaram radicalmente a história de Cuba e da América Latina, depois de 1961; a história do Vietnã e do sudeste asiático, depois de 1973; e a história do Iraque e do Oriente Médio, depois de 2003. O interessante é que, nos três casos, quem tomou a iniciativa foram os Estados Unidos, e também nos três casos, esta iniciativa desorganizou uma ordem estabelecida e acabou desfavorecendo os próprios interesses americanos. Como explicar a repetição deste comportamento “compulsivo” e “autodestrutivo” da superpotência que ficou responsável pela ordem política mundial, depois da Segunda Grande Guerra?
Em 1939, o inglês Edward Carr – pai da teoria política internacional contemporânea – reconheceu, pela primeira vez, a necessidade de um “superestado”, mais poderoso que todos os demais, para que pudesse existir no mundo uma paz duradoura (1). A mesma tese defendida pelo sociólogo francês Raymond Aron: “não haverá paz mundial, enquanto a humanidade não tiver se unido num Estado Universal” (2). Por outro lado, durante a crise econômica mundial dos anos 70, os norte-americanos Charles Kindelberger (3) e Robert Gilpin (4) chegaram separadamente à mesma conclusão, de que é indispensável a existência de uma “potência hegemônica” no mundo, para que a economia internacional funcione de forma adequada. Edward Carr e Raymond Aron estavam preocupados com as guerras, e Charles Kindelberger e Robert Gilpin com as crises econômicas, mas existe um denominador comum entre eles: a idéia de que um Estado todo-poderoso ou hegemônico seria indispensável para a obtenção da paz e da estabilidade econômica, dentro do sistema mundial.
Agora bem, desde 1945, os Estados Unidos vem concentrando em suas mãos uma quantidade de poder cada vez maior, e vêm ocupando uma posição hegemônica como potência política e econômica, tal como foi preconizado por Carr, Aron, Kindelberger e Gilpin. Mas, apesar disto, as guerras e as crises econômicas não desapareceram, e o que é pior, quase todas as grandes crises do sistema mundial, neste período, foram provocadas pelo “superpoder” que deveria pacificar e estabilizar o sistema. Foi o que ocorreu em Cuba, no Vietnã e no Iraque, mas foi também o que ocorreu quando os Estados Unidos abandonaram o Sistema de Bretton Woods, em 1973, ou quando subiram suas taxas de juros, em 1979, derrubando a economia mundial. Em todos os casos, o que se observa é o mesmo movimento expansivo e desestabilizador que ficou ainda mais visível depois de 1991, quando os Estados Unidos se transformaram na única superpotência militar e econômica do mundo. Nunca o mundo esteve tão perto de um “império mundial” como na década de 1990, mas, mesmo assim, seguiram-se as guerras, as crises econômicas e o aumento geométrico dos arsenais militares. Sendo assim, como explicar esta distância tão grande entre as expectativas teóricas de Carr, Aron, Kindelberger e Gilpin, e a maneira em que funciona de fato o “governo do mundo”?
Começando pelo reconhecimento de que o ponto fraco das suas teorias é seu caráter excessivamente normativo, quase utópico. Movem-se no campo do “dever ser” e não tomam em conta o fato de que a “hegemonia” é sempre uma posição relativa que foi conquistada, durante algum tempo, por algum Estado em particular, através da competição e da luta com outros Estados que ambicionam a mesma posição. E tampouco tomam em conta o fato de que esta competição, e esta luta, não param, no momento em que uma das grandes potências vence e conquista transitoriamente a posição hegemônica, porque os derrotados não abandonam a competição, e porque sempre surgem novos candidatos dispostos a lutar por um lugar ao sol. Por isto, ao analisar o expansionismo norte-americano, e a questão mais geral do “governo do mundo”, se deve reconhecer e partir de algumas premissas fundamentais:
i) dentro do sistema mundial, formado pelos Estados nacionais, todo e qualquer “superpoder” ou “potência hegemônica” estarão sempre condenados a expandir seu poder de forma contínua, para manter sua posição relativa dentro do sistema;
ii) esta expansão ou acumulação de poder se faz através da competição e da luta com os demais Estados que também almejam a conquista – em última instância – de um “império mundial”, que nunca poderá ser alcançado sem o automático desaparecimento do próprio sistema mundial que vive da competição entre os Estados;
iii) por isto mesmo, a competição e a luta entre as grandes potências se reproduz de forma permanente, e nenhum “superpoder” será jamais capaz de estabilizar o sistema mundial, porque ele mesmo precisa da competição e da “guerra virtual crônica” para poder seguir expandindo o seu poder;
iv) neste sentido, se pode dizer que é a própria potência ganhadora quem desestrutura sua “situação hegemônica”, porque só ela tem condições de se desfazer das regras e instituições que construiu em algum momento – como no caso das Nações Unidas e de Bretton Woods – toda vez que estas regras e instituições obstaculizem seu caminho expansivo;
v) por fim, o segredo mais bem guardado deste sistema político mundial, que nasceu na Europa, nos séculos XVII e XVII, e se globalizou na segunda metade do século XX: na maioria dos casos, é o próprio “poder expansivo” ou hegemônico que cria ou inventa os seus competidores e adversários, porque – como já vimos – o “superpoder” ou “hegemon” não pode crescer e se expandir sem ter concorrentes, mesmo quando seu poder pareça absoluto e incontestável.
Notas
(1) Carr, E. (1939), The Twenty Year´ Crisis: 1919-1939, Perennial, London,
(2) Aron, R. (1962) Paz e Guerra entre as Nações, Ed. Univ. Brasília, p: 47
(3) Kindelberger, C. (1973), The World in Depression 1929-1939, Universityof Califórnia Press, Berkeley
(4) Gilpi, R. (1972), “The politics of transnational economic relations”, in: Keohane, R.&Nye,J. , Transnational Relations and world politics, Harvard University Press, Cambridge

José Luís Fiori, cientista político, é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.


NOTICIAS

1. Evento: III Semana de História da Unirio(Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro)Tema: "Estado, Poder e Resistência"Período: 09/04 até 13/04Local: Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro(Unirio) - Centro de Ciências Humanas e Sociais(CCH) - Rio de Janeiro.End.:Av. Pasteur, 458 - Urca. Site: www.semanaunirio.cjb.net

LIVROS E REVISTAS

1.

Nas bancas o nº 42 da revista Historia Viva. Traz um dossiê Em nome da fé – a sangrenta trajetória do fundamentalismo religioso, da Roma imperial ao século XX. Artigos principais: Chaplin, palhaço proibido – Veneza inventou o gueto – a Guerra dos Trinta Anos – Espanha: mortos sem sepultura – Bruegel, pintor de um tempo de crise – A esquerda brasileira vai ao Chile.

2.

A matéria de capa da Carta Capital desta semana intitula-se Uma sombra cobre a história, e trata da possível destruição dos arquivos dos serviços de inteligência relativos ao período militar (1964-1985). Vale a pena ler!

3. Revista de Historia da Biblioteca Nacional

Confira o conteúdo da edição de abril:
- Matéria de capa. “A outra face de Tiradentes”
Dúvidas e polêmicas sobre a Inconfidência Mineira
Dossiê com seis matérias com diferentes abordagens do tema
- Entrevista Ulpiano Bezerra de Meneses. "Os dirigentes dos museus brasileiros ainda não aprenderam a conquistar seu público".
- Invasão do Uruguai: um delírio da ditadura. Em 1971, durante a ditadura militar, tropas brasileiras se prepararam para ocupar o Uruguai, caso a esquerda assumisse o poder naquele país. (por Enrique Serra Padrós)
- Ironia da história. Em contradição com sua própria linha política, o regime militar brasileiro apoiou, em 1974, a Revolução dos Cravos, em Portugal. (Por Francisco Carlos Palomanes Martinho)
- Skinheads do Brasil. Um retrato dos jovens desajustados, também conhecidos como “carecas”, que semeiam a violência e o preconceito em São Paulo(Por Alessandro Bracht)


SITES

No site da Revista Escola:
Com Álvaro Marchesi
Para o educador espanhol, a cidadania só faz sentido quando os alunos são respeitados. Um dos pais da reforma educacional da Espanha - que inspirou nossos PCNs - Marchesi afirma que a escola não está preparada para atender aos jovens. Confira a entrevista.

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