Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

24.1.07

Número 075




EDITORIAL

Começou o fórum Social Mundial, desta vez a sede é o Quênia. Há um blog diário, do Renato Rovai, da revista Fórum, que você deve acessar para ficar por dentro de tudo que está acontecendo lá.
http://blogdorovai.blogspot.com/
Você pode acompanhar também pelo site da Agência Carta Maior:
• Leia Cobertura Completa do 7º Fórum Social Mundial

Eduardo Galeano é um autor que desperta opiniões contraditórias. Alguns apreciam seu lado panfletário, bem ao estilo dos anos 70, enquanto outros o desprezam exatamente por esse motivo. De qualquer forma, é um autor que deve ser lido e discutido. No texto que escolhemos para este editorial, publicado no blog do Emir Sader, ele aborda uma questão crucial nos nossos dias: o consumo. Vale a pena ler e discutir.

Eduardo Galeano e o império do consumo
Por Emir Sader
Em um texto instigante, Eduardo Galeano fala de um tema sobre o qual os sacerdotes da teologia dos mercados não gostam de falar. Fala de um mundo que funciona segundo o lema: "Dize-me quanto consomes e te direi quanto vales". Um mundo onde o consumidor exemplar é o homem quieto.
Leia o post na íntegra >>

No mais, um texto muito interessante no Falando de História: a utilização da historia e a guerra contra o terrorismo. Na seção Brasil, conheça um bispo do Xingu que anda ameaçado de morte e saiba mais sobre o trabalho escravo no Brasil atual; Bernardo Kucinsky fala da imprensa a propósito do acidente do metrô em São Paulo e você já poderá ter um primeiro comentário crítico sobre o Programa de Aceleração da Economia proposto pelo governo.
Na seção Nuestra América, uma entrevista com o novo presidente do Equador.
Na seção Internacional, um dossiê sobre a União Européia e seus desafios e uma entrevista com Samir Amin, cujo tema é a África.
Para concluir, indicação de livros e revistas e de filmes históricos, completando a série.
Bom proveito!

FALAM AMIGOS E AMIGAS

Mudando um pouco o foco: hoje quero falar para uma amiga, em vez de publicar algo que amigos e amigas enviam.
Quero parabenizar a Cristina Castro, do blog que vivo recomendando aqui, o “tamoscomraiva”, pela formatura no curso de Jornalismo da UFMG. Como não poderei estar presente, quero deixar aqui o meu abraço e votos de muito sucesso, e que a nossa parceria bloguística continue ainda por muitos e muitos anos!!!

FALANDO DE HISTORIA

O que se vai ler a seguir é uma colaboração que nos foi enviada pela Ana Cláudia, extraída do site www.resistir.info/eua/zinn_utilizacao_historia.html.


A utilização da história e a guerra contra o terrorismo
por Howard Zinn
Howard Zinn é um dos historiadores mais célebres dos EUA. A sua obra clássica A People's History of the United States mudou a forma como vemos a história norte-americana. Publicado pela primeira vez há um quarto de século, o livro vendeu mais de um milhão de exemplares e é um fenômeno no mundo editorial – vende mais exemplares a cada ano que passa.
Depois de servir como artilheiro na Segunda Guerra Mundial, Howard Zinn tornou-se um dissidente e ativista vitalício da paz. Participou ativamente no movimento pelos direitos civis e em muitas das lutas pela justiça social nos últimos 40 anos. Ensinou no Spelman College, ahistórica universidade negra para mulheres, e foi despedido por insubordinação, por defender as estudantes. Recentemente convidaram-no para que voltasse para fazer o discurso de recepção aos estudantes.
Howard Zinn escreveu muitos livros e é professor emérito da Universidade de Bóston. Recentemente discursou em Madison, Wiscosin, ao receber o prêmio "Uma vida de contribuição para a sabedoria crítica", do Haven Center. Apresenta-se a seguir a transcrição da sua conferência.
"Madison é um lugar muito especial. Tenho sempre um sentimento especial quando aqui venho. Sinto que estou num país diferente. E fico contente. Há algumas pessoas para quem a política dos EUA não lhes agrada e vão viver para outro país. Não. Venham para Madison.
Ora bem, é pressuposto que eu diga alguma coisa. Estou contente por estarem aqui, não importa quem sejam, e esta luz brilha nos meus olhos para me despertar.
Bem, vocês têm por vezes a impressão de que vivem num país ocupado? Freqüentemente este é um sentimento que experimento quando acordo pela manhã. Penso: "Vivo num país ocupado. Um pequeno grupo de estranhos apoderou-se do país e fazem dele o que lhes dá na real gana", e na realidade é isso que acontece. Pretendo dizer que para mim são estranhos. Quero dizer que essa gente que cruza a fronteira do México, não me é estranha. Também os muçulmanos que vêm viver neste país não me são estranhos. Essas manifestações, essas maravilhosas manifestações que vimos há bem pouco tempo, a favor dos direitos dos emigrantes, com cartazes dizendo "Nenhum ser humano me é estranho". E eu penso que istoé verdade. Com a exceção do pessoal de Washington. [ . . . ]
Se as pessoas conhecessem a sua história, saberiam que o presidente McKinley quando – quando o exército americano já estava nas Filipinas, e a marinha americana já estava ali, e Theodore Roosevelt, um de nossos grandes heróis presidentes, ansiava pela guerra, não sabia sequer onde ficavam as Filipinas. Ainda hoje, com freqüência, os presidentes precisam que os informem e lhes digam onde ficam as coisas. Vocês sabem como foi com George Bush, "Isto é o Iraque é". Lyndon Johnson, "O Golfo de Tonkin é aqui". Eles precisam dessa ajuda. [ . . . ]
Isto é algo demasiado difícil de fazer: sermos honestos falando de nós próprios. Quero dizer, mas, vocês são educados e dizem, "Juro fidelidade", sabem como é, etc, etc, "liberdade e justiça para todos", "Deus abençoa a América". Porquê nós? Porque nos abençoa Deus? Porque será que Ele nos elege para a sua bênção? Porque não antes "Deus abençoa todos?" Se realmente – mas, vocês sabem, somos educados – se realmente fôssemos educados para entender a nossa história, saberíamos que não somos como as outras nações, porque somos maiores e temos mais armas e mais bombas, e então somos capazes de mais violência. Podemos fazer o que outros impérios não puderam fazer em tamanha dimensão. Vocês sabem, somos ricos. Bem, nem todos nós. Alguns de nós são ricos, estão a ver? Mas, não, temos de ser honestos.
IMPERIALISTAS ANÔNIMOS
Não se juntam as pessoas que pertencem a grupos de Alcoólicos Anônimos para que se consigam levantar e serem honestos consigo próprias? Talvez devêssemos ter uma organização chamada de Imperialistas Anônimos, e assim os dirigentes do país poderiam ir à televisão nacional e dizerem: "Bem, já é tempo, tempo de dizer a verdade". Embora não espere que isto suceda, mas seria refrescante. [ . . . ]
E assim, sem dúvida, precisamos de fato de uma certa compreensão histórica, basta apenas recordar o Iraque, ou a histeria em torno do Vietname. Meu Deus, um comunista poderia apoderar-se do Vietname do Sul! E depois? Basta apenas um pequeno salto até São Francisco. Não, alguns de vocês são capazes de se recordar que quando o Reagan estava a apoiar os Contras na Nicarágua, ele dizia, "Vocês sabem, vocês vêm onde fica a Nicarágua? Não levaria muito tempo para que conseguissem chegar ao Texas". Admirei-me com isto. Procurei então saber porque seria que os nicaragüenses desejariam chegar até ao Texas. E isto não é nenhuma calúnia contra o Texas, mas – uma vez lá chegados – o que fariam?Apanhavam um avião da United Airlines para Washington? Realmente, é muito importante conhecer um pouco esta história para perceber como a histeria impede por completo ter consciência do que está a suceder à vossa volta. [ . . . ]
Tudo o que fazemos é importante. Cada pequena coisa que possamos fazer, cada piquete em que participamos, cada carta que escrevemos, cada ato de desobediência civil em que nos envolvermos, cada recrutador com que falamos, cada pai com que falamos, cada soldado com que falamos, cada jovem com que falamos, tudo o que fizermos na aula, fora da aula, tudo oque fizermos por um mundo diferente é importante, embora no momento essas ações até possam parecer fúteis, mas é assim que se consegue a mudança. A mudança ocorre quando milhões das pessoas fizerem pequenas coisas, que em certos momentos da história se somam, e então algo bom e algo importante acontece.
Obrigado.
O original encontra-se em
Há mais de 40 anos na região, o bispo da Prelazia do Xingu se destaca por seu trabalho em defesa da população e do meio ambiente amazônico, dedicação que traz reconhecimento e ameaças de morte -
http://www.reporterbrasil.com.br/exibe.php?id=876

2. No blog do Sakamoto, do Repórter Brasil:
A regra do jogo

Os produtores rurais utilizam trabalho escravo e diminuem custos de produção para aumentar sua capacidade de competição nos mercados interno e externo de commodities agropecuárias. Por mais que a diminuição seja pequena, a competição é muito grande e os preços de referência, iguais para todos, o que garante que qualquer economia faça diferença.

O trabalho escravo contemporâneo no Brasil não é resíduo de uma situação historicamente ultrapassada, ainda não destruída pelo avanço do capitalismo, e sim uma forma de exploração antiga reinventada pelo próprio capitalismo para garantir a exploração de trabalhadores nas regiões de sua expansão.

Onde encontra situações pré-capitalistas com características que poderão beneficiá-lo, ele não as elimina e sim as recria. Por exemplo, no que pese o assalariamento ser uma regra do capital, há locais em que empreendimentos capitalistas mantiveram as práticas antigas de servidão.
Grosso modo, para produzir mais pelo mesmo custo há duas alternativas. Ou você tem tecnologia para garantir o aumento da produtividade (o que acontece nos locais desenvolvidos) ou você reduz o custo com a força de trabalho para não ficar para trás (como em empreendimentos na fronteira agrícola na Amazônia e no Cerrado). Ou seja, o trabalho escravo contemporâneo no Brasil é uma forma de garantir a capacidade de concorrência despendendo investimentos menores.

A espoliação do trabalhador não fica restrita ao momento em que o empreendimento é implantado, mas continua ao longo do tempo para compensar essa sua natureza mais atrasada. O professor José de Souza Martins discorre sobre isso de forma bastante interessante em seus textos sobre o tema.

Vale notar que há fazendas no Pará, Mato Grosso e Tocantins com uma parte extremamente desenvolvida tecnologicamente e correta no trato com os funcionários, enquanto a outra parte explora peões da forma mais degradantes possível. Isso normalmente ocorre nas atividades de expansão da propriedade, como o desmatamento, ou de baixa especialização, em que o maquinário não consegue operar - como catação de raízes e fabricação de cercas.

É claro que a entrada dessas novas fronteiras agrícolas elevam a oferta mundial de commodities em uma velocidade que tem sido historicamente maior que o crescimento da demanda. Conseqüente, os preços pagos aos produtores rurais diminuem constantemente. Isso beneficia as tradings e, principalmente, as indústrias, que podem continuar aumentando sua margem de lucro, com a diminuição do custo das matérias-primas. A exploração intensiva do trabalhador da periferia do mundo contribui com o desenvolvimento do capital global.

O trabalho escravo é apenas a ponta de um iceberg, a parte mais cruenta e desumana de um sistema de explora e nega direitos trabalhistas para garantir o aumento da margem de lucro. Se temos pelo menos 25 mil trabalhadores rurais nessas condições, há um número maior de pessoas em condições degradantes de trabalho e uma quantidade maior ainda de superexplorados. Como em uma pirâmide, o número de explorados vai aumentando na medida em que diminui o grau de exploração. Na base, estão milhões de pessoas com remuneração abaixo das necessidades para sua reprodução social. Ou seja, roubados em sua força de trabalho, mas no limite da lei.

O sistema de combate ao trabalho escravo, quando se utiliza de instrumentos de repressão econômica, age, portanto, não apenas para evitar esse crime, mas também para melhorar a condição de vida de todos os que fazem parte dessa pirâmide. A pressão econômica, do consumo consciente, passando pelas restrições comerciais à perda do valor das ações em bolsa dos clientes de fazendas que superexploram o trabalhador, forçam uma adequação às regras do jogo.

O problema é que o capitalismo ideal (para os seus ideólogos, é claro) - com trabalhadores remunerados o suficiente para suprir suas necessidades e com liberdade para vender sua força de trabalho a quem garantir as melhores condições - é de rara aplicação. As práticas recorrentes no campo no Brasil mostram que a situação tem sido bem diferente e que o capitalismo precisa dessa exploração da periferia para crescer no centro.

É triste constatar (pelo tamanho do encrenca) que a garantia da qualidade de vida dos trabalhadores em todo o mundo dependerá de mudanças estruturais em um sistema de exploração que se adapta rapidamente.

3. Do jornalismo dos desastres ao desastre do jornalismo
Cobertura do desastre da Linha 4 do Metrô paulistano revela, além de debilidades, opções políticas feitas pela grande imprensa para isentar responsabilidades.
Bernardo Kucinski
Foi preciso uma tragédia para ficarmos sabendo que a linha 4 do metrô de São Paulo, uma gigantesca obra de engenharia, estava sendo construída através de um contrato de “porteira fechada”. O preço é fixo. Quanto mais o consórcio construtor economizar, mais ele lucra. Ninguém sabia disso porque a nossa imprensa nunca se interessou por esse contrato.Nunca o discutiu.
Os paulistanos não sabiam que a linha quatro era uma obra assim tão grande, nem sabiam das várias opções de métodos de construção dos túneis. Não sabiam nada. Só agora fomos informados que o método das explosões, usado na região do desastre, rachara dezenas de casas e há tempos assustava os moradores. Esses casos haviam sido tratados comopequenos episódios isolados, não ocorrendo a nenhum editor investigar mais a fundo a natureza das obras.
* Alckmin escondido
Os paulistanos não sabiam que as obras eram fiscalizadas pelo próprio consórcio. Eles fiscalizavam-se a si mesmos. O Estado, dono da companhia do metrô, não assumiu nenhuma responsabilidade, admitiu o governador José Serra, depois de fugir um dia inteiro dos repórteres. Alckmin está escondido até hoje. E dele os jornais nem falam. Ele, que se apresentava como o melhor “gerente” para o Brasil.
Depois de tantas tragédias, já é possível definir um padrão da cobertura de desastres no Brasil. De início, os jornalistas são surpreendidos. O desastre revela precariedades ou abusos pré-existentes que a imprensa não acompanha como deveria. Assim foi com o apagão do sistema elétrico, que estava todo desenhado nos mapas da ANEEL, sem que os jornalistas soubessem, porque não há mais repórteres especializados em energia.
Depois, foram surpreendidos pelo apagão do sistema de controle de tráfego aéreo, crise antiga, mas por eles desconhecida. Assim como não acompanharam o cumprimento do contrato de ajustamento de conduta entre a Mineradora Rio Pomba e o Ministério Público de Minas Gerais, depois do primeiro desastre da sua barragem, em março de 2006. Só se lembraram depois do desastre muito maior, do dia 10 deste mês. Numa segundo etapa,consumadas as tragédias, os jornalistas saem correndo atrás do prejuízo, mas sem fontes, sem métodos e sem conhecimentos especializados. Escrevem páginas e páginas de notícias fragmentadas, ora dizendo uma coisa, ora outra, jogando culpas e suspeitas por todos os lados – nunca assumindo a própria culpa, é claro. Esse traço da cobertura ficou muito evidente naqueda do avião da Gol, o maior desastre aéreo da história do Brasil. Cada dia, era um outro pedacinho de informação que aparecia nos jornais, nem sempre de acordo com a do dia anterior ou encaixada no lugar certo do quebra-cabeças .
* Fragmentação e sensacionalismo
Sem informação estruturante, os jovens jornalistas postam-se à beira do desastre, e passam a falar das vítimas, dos seus namorados, do fulano que escapou por sorte, porque perdeu o vôo ou não pegou aquela van. E assim por diante. É a fase do sensacionalismo. Se conseguirem fazer um entrevistado chorar, é a glória. A cena será repetida várias vezes. Surgem também os gigantescos mapas, infográficos, tudo o que deveríamos saber antes do desastre, aparece agora, depois da porta arrombada. No desastre da linha 4 os repórteres estavam tão aflitos e sem fontes, que entrevistaram falsos engenheiros e até falsos bombeiros, atraídos à cratera pelos holofotes da tevê.
Pode haver um ou outro repórter especializado, que tem fontes boas. Mas essa é a exceção e não a regra. Ao mesmo tempo em que cresceram as editorias de economia, foram, sendo extintas as de cidade, de educação, de saúde, de transporte. E só há uma reportagem, a “geral”, encarregada de cobrir tudo. Nesse sistema de “linha de produção”, os repórteres sãoobrigados a cumprir duas a três tarefas num único dia. Em algumas empresas, nem essa reportagem geral existe mais, tendo sido fundida à agência de noticias da empresa.
Mas só a extinção das editorias especializadas não explica a negligência em acompanhar uma obra como a da linha 4 do metrô de São Paulo. Subjacente a essa negligência está uma cultura de desprezo pelos fatos e muito maior dedicação de tempo e energia editorial ao combate ideológico.
A extinção das editorias especializadas faz parte de todo um processo que vê a informação correta e bem contextualizada como um obstáculo ao uso ideológico dos fatos. O neoliberalismo reorganiza até a estrutura das redações.
* Panfletos ideológicos
Muitos leitores ainda não perceberam que os jornalões brasileiros são hoje muito mais panfletos ideológicos do que boletins informativos. Jornais, revistas semanais e emissoras de tevê de maior audiência parecem ter formado uma espécie de “consórcio político”, com o objetivo central de combater políticas que rotulam a priori de “populistas”. Passaram um ano e meio dedicando tanto espaço e energia no combate ao governo Lula e ás CPIs da oposição, que se esqueceram dos fatos e processos do Brasil real.
A terceira fase da cobertura padrão dos desastres é justamente a mais ideológica. É quando buscam escamotear as verdadeiras causas das tragédias: o esvaziamento do Estado promovido pelos neoliberais, a privatização do setor elétrico, a terceirização dos serviços, a não contratação de novos servidores, a falta de fiscais, a subordinação a regras de privatização do FMI e pelo Banco Mundial. Enfim, aprivatização generalizada do Estado, da qual o desastre da Rua Capri revelou uma nova dimensão, a privatização até mesmo das responsabilidades do Estado, expressa na frase do governador José Serra: “a responsabilidade é das empreiteiras”.
* Dois pesos
Faz parte do padrão de manipulação ideológica dos desastres o uso de dois pesos e duas medidas: complacência com autoridades envolvidas, se foram do campo conservador e a crítica impiedosa e repetida, se foram do campo popular. Basta comparar editoriais da Folha e do Estadão, nos casos do mero entupimento do túnel da Rebouças que não matou ninguém,construído na gestão Marta Suplicy, e os do desabamento da Rua Capri, que matou seis pessoas e talvez uma sétima.
O editorial do Estadão, apesar de reconhecer a “gravidade do acidente” da Rua Capri, fala de “reações emocionais registradas pela imprensa”. Reconhece a necessidade de apuração das causas. Mas sem esperar por essa apuração, já vai defendendo as empreiteiras: “que têm uma folha de serviços prestados no país e no exterior que não deixa dúvidas quanto ao seu preparo técnico”.
Nem uma palavra de crítica ao governo do Estado ou ao contrato de porteira fechada. Ao contrário, diz “serem precipitadas as afirmações de que o acidente teria sido resultado da pressa com que, por razões políticas, as obras estariam sendo executadas”. A Folha também diz que “não é o momento de precipitar-se na busca das causas e responsáveis pelo acidente.” Mas no caso do túnel Rebouças, sem esperar por laudo nenhum, o jornal foi logo acusando que “a obra foi realizada às pressas e sem observar padrões mínimos de qualidade apenas para conquistar votos, como parece ter sido o caso do referido túnel”.
Prestem bem atenção: passada a fase sensacionalista, calma e ponderação, vão ser as palavras de ordem dos jornalões para a quarta etapa da cobertura desse desastre. Trata-se da etapa prolongada na qual vão começar a sair laudos, vão ser ouvidas testemunhas nos inquéritos.
Talvez se instale uma CPI, que nenhum dos jornalões exigiu. A probabilidade é que tenham sido muitas as causas e não uma só – mais ou menos como aconteceu na queda do avião da Gol. Ou seja, uma provável falta de rigor ao longo de todo o processo, devido à natureza docontrato, de modo que a falha em uma fase não é detectada e corrigida na outra. Isso significa que Serra e sua base tucana paulista poderiam sofrer um prolongado desgaste, atravessando este ano todo e entrando por 2008. É isso que os jornalões vão evitar.
* Bernardo Kucinski, jornalista e professor da Universidade de São Paulo, é editor-associado da Carta Maior. É autor, entre outros, de “A síndrome da antena parabólica: ética no jornalismo brasileiro” (1996) e “As Cartas Ácidas da campanha de Lula de 1998” (2000). (extraído da Agência Carta Maior – enviado pela Ana Cláudia)

4. AVALIAÇÃO DO PROGRAMA
Em entrevista ao Brasil de Fato, o novo presidente do Equador, Rafael Correa, defende a busca de inovações políticas e rejeita a visão dos economistas ortodoxos que reduzem tudo a uma questão mercantilista
* Bolívia e Equador podem mudar Mercosul

INTERNACIONAL

No Le Monde Diplomatique deste mês:

DOSSIÊ UNIÃO EUROPÉIA

No momento em que se expande e reúne 27 países, a Europa está vivendo uma crise de identidade. Para continuar significando valores positivos, ela terá de ser muito mais que apenas um grande mercado.
Novas dúvidas e questionamentos abalam o grande projeto europeu. Para evitar que a crise se aprofunde, a saída é pensar num continente articulado por visões comuns de mundo — não pelas forças cegas do mercado(Ler)
Um conjunto de circunstâncias dará a Paris, nos próximos dois anos, condições de questionar a tendência mercantilista da União Européia. A pergunta é: os candidatos às eleições presidenciais, em tese favoráveis à proposta, estarão dispostos a levá-la adiante?(Ler)
Ao longo dos últimos anos, dirigentes da União Européia têm procurado difundir a impressão de que são favoráveis a regras mais justas para o comércio internacional. Infelizmente, isso não passa de miragem (Ler)
Uma coleção de preconceitos de parte a parte ainda perturba as relações entre União Européia e Rússia. A Europa precisa superá-los: sem boas relações com o vizinho não poderá influir num cenário mundial onde o risco de bipolarização EUA-China parece cada vez maior (Ler)
Veja em http://diplo.uol.com.br/2007-01,a1496

ENTREVISTA - SAMIR AMIN
Samir Amin, o conhecido professor e militante egípcio, referência no Fórum Social Mundial, fala à Carta Maior sobre a história da luta pela posse do poder sobre a terra no continente africano e sua relação com as constantes guerras que devastaram vários países da região. > LEIA MAIS Movimentos Sociais 24/01/2007


LIVROS E REVISTAS

1. Nas bancas o nº 16 da Revista de Historia da Biblioteca Nacional. Artigos principais: as “polacas”, judias na prostituição no Rio de Janeiro – Ouro de tolo – Visões do México – a gripe espanhola – Iseb: estamos construindo o Brasil – o Anauê das Patrícias – Os homens de negócio na economia colonial – Prestes, o cavaleiro da controvérsia – escravos de Campina Grande: apagados pela história – Entrevista com Kenneth Maxwell.

2. Nas bancas
A edição de janeiro da revista Fórum traz um especial com a história do Fórum Social Mundial contada desde o seu surgimento em 2001, na cidade de Porto Alegre. Neste número, você poderá ler entrevistas e depoimentos de personalidades que fazem parte do processo do FSM como José Saramago, Oded Grajew, Eduardo Galeano, Rigoberta Menchú, Edgardo Lander, Joseph Stiglitz e Tariq Ali.


FILMES HISTÓRICOS

Concluímos hoje a relação de filmes enviados pelo Breno. Espero que tenham gostado!
Quem tiver coisas interessantes assim, pode mandar que a gente publica...


181. Guerra de Canudos - Guerra de Canudos ***
182. A Guerra dos Pelados - Guerra do Contestado *
183. O Cangaceiro - Cangaço ***
184. Corisco e Dadá - Cangaço ***
185. Baile Perfumado - Cangaço *
186. Lua de Outubro - RS - década de 20 *
187. O País dos tenentes - Tenentismo *
188. A Guerra Civil de 32 - Documentário – Rev. Constitucionalista (SP – 1932) ***
189. Olga - Era Vargas - período entre Guerras ****
190. For All. O trampolim da vitória - Brasil anos 40 *
191. Senta a Pua - Brasil na II Guerra - Documentário ***
192. Lamarca - Ditadura Militar – Resistência armada ***
193. O que é isso companheiro? - Ditadura Militar – Resistência armada ****
194. Ação entre Amigos - Ditadura Militar – Resistência armada ***
195. Prá Frente Brasil - Ditadura Militar (1964 – 1985) ***
196. Cabra marcado para morrer - Ditadura Militar - Ligas camponesas ***
197. Barra 68 - Ditadura Militar - Documentário (UNB) **
198. Eles Não Usam Black Tie - Ditadura Militar - Brasil anos 70 ****
199. Lúcio Flavio - o passageiro da agonia - Ditadura Militar - Brasil anos 70 **
200. Que bom te ver viva - Ditadura Militar - Brasil anos 70 **
201. Verdes Anos - RS (interior) – anos 70 *
202. Deu Pra Ti - Anos 70 RS (Poa) – anos 70 **
203. Central do Brasil - Brasil anos 90 ***
204. Terra para Rose - MST **
205. Yndio do Brasil - Como o índio foi abordado no cinema no Brasil *
206. O Velho - Documentário – Luís Carlos Prestes ***
207. A Ferro e Fogo - História do RS ***
208. Testemunha da História - Documentário jornalístico - séc. XX (Geral e Brasil) ***








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