Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

2.5.07

Número 088




EDITORIAL

Para abrir o Boletim desta semana, escolhi um artigo do Altamiro Borges, publicado no site da Revista Fórum. Relevante, pois ele nos mostra como a imprensa, apesar de mamar nas tetas do erário, e mamar regiamente, chega ao cúmulo de criticar os gastos do governo com propaganda... como se não fossem eles que recebessem a grana e que se não recebessem, fatalmente quebrariam...
Mas há outras matérias muito importantes na edição de hoje.
Vamos lá:
Falando de Historia – Aniversário do bombardeamento da cidade basca de Guernica
Brasil – Entidades se organizam para pressionar governo a vetar a redução da maioridade penal
Nuestra América
México: o novo mosaico da resistência Esquerda uruguaia, avanços e limites
Internacional – as eleições na França (várias opiniões) - Fascismo à polaca -
Trabalhar mais, para ganhar menos Estamos condenados aos salários?
José Luis Fiori analisa o capitalismo inglês e norte-americano – O Iraque, de novo... e os escândalos sexuais do governo Bush.
Revistas e livros, Notícias de congressos e palestras, sites.
Bom proveito!

Publicidade oficial alimenta cobras
Por Altamiro Borges [26/4/2007] (do site da Revista Fórum)

Sem disfarçar seu partidarismo, o jornal "Folha de S.Paulo" de terça-feira, 24, fez alarde com a manchete “Lula é recordista em publicidade”. O artigo, da suspeita lavra de Fernando Rodrigues, visou nitidamente envenenar o leitor incauto. Afirma que “o presidente Luiz Inácio Lula da Silva bateu seu próprio recorde e os gastos com a propaganda federal passaram de R$ 1 bilhão pela primeira vez na história do Brasil em 2006. O valor consumido pelos órgãos da administração direta e indireta sob comando do PT chegou a R$ 1.015.773,838”. Mas a manchete e o texto, bem ao gosto da oposição de direita, têm um mérito: mostram que o governo Lula continua alimentando cobras ao repassar fartos recursos publicitários à mídia privada.
Manipulação ardilosa
A manipulação é evidente ao se embaralhar verbas do governo com os recursos das empresas estatais. Em tese, as primeiras servem para divulgar as ações governamentais; já as verbas das estatais fazem parte da acirrada disputa de mercado. Como explicou o ministro Franklin Martins, elas “refletem a presença forte das estatais, que estão entre as maiores do Brasil e precisam competir no mercado”. A intenção marota de confundir o leitor fica visível na forma como o mesmo jornalão aborda a publicidade das estatais de São Paulo, como Metrô e Sabesp, que nunca é tratada pejorativamente como “verba sob comando do PSDB”.
A reportagem também ofusca que o governo FHC, protegido da "Folha", gastou quase o mesmo montante – R$ 953,7 milhões – em 2001. Durante o seu reinado, os gastos publicitários das estatais corresponderam a 65,4% do total da publicidade oficial. Mas o autor, num evidente ardil jornalístico, faz questão de afirmar que, em 2006, “as empresas do governo que disputam o mercado com a iniciativa privada consumiram 76,3% da verba lulista total em propaganda”. Por que antes ele nunca falou da verba tucana? O badalado repórter tem todo o direito de questionar o montante de recursos públicos investidos em publicidade, só não vale aproveitar a oportunidade para fazer descarada propaganda anti-Lula e a favor dos tucanos.
Financiando o “partido da direita”

A gritaria da "Folha" e de outros veículos da mídia hegemônica, porém, contribui para o atual debate sobre a democratização dos meios de comunicação. Em recente editorial, a mesma "Folha de S.Paulo" protestou raivosamente contra a proposta de governo Lula de criação de uma rede pública de televisão. Com o título sarcástico de “aparelho na TV”, a famiglia Frias acusou a idéia de ser autoritária e estatizante. “O PT e o governo Lula optaram pela marcha a ré. Sequiosos por deixar gravada a sua marca no telecoronelismo, desejam abrir uma nova sucursal de autopromoção para acomodar apaniguados à custa do erário público”.
Já que está preocupada com o erário público, a mídia venal deveria reconhecer que a quase totalidade dos milhões de reais investidos em publicidade pelo governo “autoritário e estatizante” de Lula foi destinada a ela própria – que insiste em fazer um anti-jornalismo e a se comportar como o “partido da direita” no país. Somente no ano passado, 62% das verbas publicitárias do governo e das estatais foram para as emissoras de televisão, 12% para as rádios, 9% para os jornais, 8% para as revistas, 1,5% para a internet, 1,5% para outdoors e 6% para as outras mídias. Só a TV Globo ficou com quase 60% dos recursos da televisão. Os três principais jornalões do país ("Folha", "Estadão" e "O Globo") abocanharam o grosso dos recursos do setor.

“Abram mão do dinheiro público”

O próprio Fernando Rodrigues, num artigo escrito há algum tempo atrás, confessou que a mídia privada iria à falência da noite para o dia se não contasse com as verbas publicitárias dos governos. Para ser mais coerente, a mídia venal deveria acatar a recente sugestão do jornalista Alon Feuerwerker em seu blog. Ele propõe, em tom provocativo, que as empresas privadas abram mão de todas as isenções e renúncias fiscais e também da publicidade oficial. “Para introduzir consistência granítica e coerência indestrutível ao argumento dos que se levantam contra a comunicação estatal, os veículos privados deveriam abrir mão, até o último centavo, do dinheiro público que recebem para exibir propaganda do governo”.
A proposta é interessante, mas é evidente que a mídia hegemônica, que prega o “estado mínimo” para os trabalhadores, mas gosta de mamar nas tetas deste mesmo erário público, não irá topá-la. Caberia, então, ao governo Lula, que atualmente é o alvo predileto deste autêntico “partido da direita”, abrir os olhos e alterar radicalmente sua política de comunicação. Além de não se acovardar diante das críticas da mídia privada à proposta da rede pública de televisão, o governo bem que poderia incentivar a multiplicação das rádios comunitárias – e não criminalizá-las, como fez até agora – e utilizar as verbas publicitárias para viabilizar outros meios alternativos de comunicação. Ele prestaria um inestimável serviço á democracia!
Enfrentar a mídia hegemônica

Enquanto alimenta as cobras, despejando a maior parte dos recursos publicitários em veículos autoritários e manipuladores, o governo Lula até hoje não deu a devida atenção às mídias alternativas. Alega motivos técnicos, de mercado, para destinar a publicidade oficial. No fundo, teme a reação histérica e hipócrita dos latifundiários da mídia. Em alguns países da Europa, como forma de estimular a pluralidade e zelar pela democracia, existem leis contrárias ao acelerado processo de monopolização dos meios de comunicação. Os recursos são carimbados para apoiar financeiramente os veículos alternativos e independentes.

Seria interessante que a Secretaria de Comunicação Social, agora sob o comando do jornalista Franklin Martins, estudasse as melhores formas para estimular jornais populares, como o "Brasil de Fato", revistas progressistas, com a "Fórum", "Caros Amigos" e Princípios, e portais da internet, como o "Vermelho", "Carta Maior", "Adital", "Alainet", "Nova-e" e "Espaço Acadêmico", que vivem a mingua e penam para realizar a heróica batalha contra-hegêmonica ao pensamento único neoliberal que impera na mídia privada brasileira.
Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor do livro “As encruzilhadas do sindicalismo” (Editora Anita Garibaldi, 2ª edição). A partir da próxima edição da Fórum (de número 50), passa a integrar o time de colunistas da publicação.


FALAM AMIGOS E AMIGAS

1. A professora Mônica Liz me envia esta colaboração, artigo de Jânio de Freitas, da Folha de São Paulo:
JANIO DE FREITAS
Pelegos outra vez
Sindicalistas do governo nos trouxeram um peleguismo disfarçado na forma e idêntico aos fins do predecessor
OS SINDICALISTAS AGRACIADOS no atual governo com a oportunidade, em ministérios e outros postos influentes, de fazer alguma coisa coerente com o sentido do sindicalismo mostraram-se, todos, omissos ou desleais para com sua origem de classe.
Sindicalistas mais apegados ao poder e a políticos do que aos seus princípios declarados constituíram -conhecidos como pelegos- uma praga que contribuiu muito para a derrocada do regime democrático em 1963/64, até o golpe. Com os modos de operação e peculiaridades determinados pelas circunstâncias atuais, bastante diferentes daquele passado, o que nos trouxeram os sindicalistas do governo é um peleguismo disfarçado na forma e idêntico aos fins do predecessor. Digamos, em homenagem à moda palavrosa, um neopeleguismo.
A proposta com que o sindicalista Luiz Marinho, ex-presidente da CUT, inaugura sua estada como ministro da Previdência é de um reacionarismo imoral. Quer esse sindicalista a redução das pensões por morte à sua metade, com o eventual acréscimo de 10% se houver, além da viúva, dependente menor. Isso, neste país que ostenta a mais indecente aposentadoria dos assalariados, assistência social que é uma humilhação e salários que não permitem ao trabalhador se prover nem sequer minimamente para os males da velhice. (Não incluídos, é claro, os privilegiados metalúrgicos das montadoras automobilísticas e outras indústrias do ABC paulista.)Luiz Marinho passou pelo Ministério do Trabalho e lá não deixou mais que o registro contábil dos seus vencimentos e das mordomias generosas. Alguém se lembra que Jaques Wagner foi ministro de alguma coisa, fez ou disse alguma coisa aproveitável pelos sindicalizados que o elevaram a figura política? Ricardo Berzoini, que até empurra bem o PT para as aparências da sobrevida, só será ministro lembrado como precursor da investida de Luiz Marinho contra a viuvez desvalida e os idosos sem auto-suficiência. Três casos que valem por tantos outros.
Manchete distraidamente ultradireitista, no caderno Dinheiro da Folha de domingo, decretava: "Benefício social é bomba-relógio fiscal". Referia-se ao que é gasto com portadores de deficiência e com idosos. A explicação da diretora de Benefícios do Ministério de Desenvolvimento Social (sic), Maria José Freitas (sic), "há sempre entrada de pessoas", no "estoque de benefícios" (sic) e a "saída não ocorre na mesma proporção". Um dia talvez o estoque de informação da tecnocrata inclua as notícias de que a população brasileira cresce e envelhece, adoece mais porque são mais pessoas com menos assistência, e o crescimento econômico é insuficiente para gerar os empregos que aumentem a arrecadação da Previdência.
Bomba-relógio é o neopeleguismo que pratica as receitas neoliberais e recheia uma bomba-relógio que não é a da manchete.

2. Euler Bernardes me encaminha esta notícia, a respeito das mudanças que irão ocorrer em breve na escrita da língua portuguesa:

Nova ortografia portuguesa
Alfabeto passa a ter 26 letras
Está para entrar em vigor a unificação da Língua Portuguesa que prevê, entre outras coisas, um alfabeto de 26 letras."
A frequência com que eles leem no voo é heroica!". Ao que tudo indica, a frase inicial desse texto possui pelo menos quatro erros de ortografia. Mas até o final do ano, quando deve entrar em vigor o "Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa", ela estará corretíssima. Ospaíses-irmãos Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste terão, enfim, uma única forma de escrever.
As mudanças só vão acontecer porque três dos oito membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) ratificaram as regras gramaticais do documento proposto em 1990. Brasil e Cabo Verde já haviam assinado o acordo e esperavam a terceira adesão, que veio no final do ano passado, em novembro, por São Tomé e Príncipe.
Tão logo as regras sejam incorporadas ao idioma, inicia-se o período de transição no qual ministérios da educação, associações e academias de letras, editores e produtores de materiais didáticos recebam as novas regras ortográficas e possam, gradativamente, reimprimir livros, dicionários, etc.
O português é a terceira língua ocidental mais falada, após o inglês e o espanhol. A ocorrência de ter duas ortografias atrapalha a divulgação do idioma e a sua prática em eventos internacionais. Sua unificação, no entanto, facilitará a definição de critérios para exames e certificados para estrangeiros.
Com as modificações propostas no acordo, calcula-se que 1,6% do vocabulário de Portugal seja modificado.
No Brasil, a mudança será bem menor: 0,45% das palavras terão a escrita alterada. Mas apesar das mudanças ortográficas, serão conservadas as pronúncias típicas de cada país.
O que muda.
As novas normas ortográficas farão com que os portugueses, por exemplo, deixem de escrever "húmido" para escrever "úmido". Também desaparecem da língua escrita, em Portugal, o "c" e o "p" nas palavras onde ele não é pronunciado, como nas palavras "acção", "acto", "adopção", "baptismo", "óptimo" e "Egipto".
Mas também os brasileiros terão que se acostumar com algumas mudanças que, a priori, parecem estranhas. As paroxítonas terminadas em "o" duplo, por exemplo, não terão mais acento circunflexo. Ao invés de "abençôo", "enjôo" ou "vôo", os brasileiros terão que escrever"abençoo", "enjoo" e "voo".
Também não se usará mais o acento circunflexo nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos "crer", "dar", "ler", "ver" e seus decorrentes, ficando correta a grafia "creem", "deem", "leem" e "veem".
O trema desaparece completamente. Estará correto escrever "linguiça", "sequência", "frequência" e "quinquênio" ao invés de lingüiça, seqüência, freqüência e qüinqüênio.
O alfabeto deixa de ter 23 letras para ter 26, com a incorporação do "k", do "w" e do "y" e o acento deixará de ser usado para diferenciar "pára" (verbo) de "para" (preposição).
Outras duas mudanças: criação de alguns casos de dupla grafia para fazer diferenciação, como o uso do acento agudo na primeira pessoa do plural do pretérito perfeito dos verbos da primeira conjugação, tais como "louvámos" em oposição a "louvamos" e "amámos" em oposição a "amamos", além da eliminação do acento agudo nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas, como "assembléia", "idéia", "heróica" e "jibóia".
Antônio Houaiss
A escrita padronizada para todos os usuários do português foi um estandarte de Antônio Houaiss, um dos grandes homens de letras do Brasil contemporâneo, falecido em março de 1999. O filólogo considerava importante que todos os países lusófonos tivessem uma mesma ortografia. No seu livro "Sugestões para uma política da língua", Antônio Houaiss defendia a essência de embasamentos comuns na variedade do português falado no Brasil e em Portugal

Fontes para comentar o assunto:
William Roberto Cereja - Mestre em Teoria Literária pela USP, Doutor em Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Professor graduado em Português e Lingüística e licenciado em Português pela Universidade de São Paulo (USP), Professor da rede particular de ensino em São Paulo e Autor deobras didáticas.
Marcia Paganini Cavéquia - Professora graduada em Português e Literaturas de Língua Portuguesa; Inglês e Literaturas de Língua Inglesa pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Pós-graduada em Metodologia da Ação Docente pela UEL, Palestrante e consultora deescolas particulares e secretarias de educação de diversos municípios e Autora de livros didáticos.
Cassia Garcia de Souza - Professora graduada em Português e Literaturas de Língua Portuguesa pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Pós-graduada em Língua Portuguesa pela UEL, Palestrante e organizadora de cursos para professores da rede de ensino, Assessora pedagógica e Autora de livros didáticos.Fonte: www.comunique-se.com.br

FALANDO DE HISTORIA
Em 26 de abril de 1937, a cidade de Guernica foi arrasada pela aviação alemã. Os nazistas treinavam suas armas e táticas de guerra intervindo na Guerra Civil Espanhola, apoiando as tropas do general Francisco Franco que, dois anos depois, tornou-se um novo ditador fascista no poder.

A destruição de Guernica motivou o célebre quadro de Picasso, que hoje está exposto no Museu Rainha Sofia, em Barcelona. Conta-se que um alemão (creio que embaixador) teria perguntado a Picasso se ele era o autor da obra, ao que o genial pintor teria respondido secamente: - Não. Foram vocês.
Leia mais sobre Guernica em
http://educaterra.terra.com.br/voltaire/mundo/guernica_eta.htm
Aqui também: http://diplo.uol.com.br/2007-04,a1541


BRASIL


DIREITOS DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Entidades se articulam contra PEC da maioridade aos 16

Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou PEC do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. Maioria da base do governo foi contra, mas infiéis e oposiçao garantiram vitória. > LEIA MAIS Direitos Humanos 27/04/2007


NUESTRA AMERICA

No site do Le Monde Diplomatique:
México: o novo mosaico da resistência

Esquerda uruguaia, avanços e limites

INTERNACIONAL

1. SÉGOLÈNE X SARKOZY

Idéias para uma nova França e uma nova Europa

O sociólogo Edgar Morin, presidente da Agência Européia para a Cultura, em artigo no Le Monde, apresentou idéias de uma hipotética candidatura para retirar França e Europa do marasmo, com a retomada dos ideais da Revolução Francesa. > LEIA MAIS Internacional 26/04/2007

2. Um brasileiro vê as eleições francesas:
O mundo está em jogo na eleição francesa
por Marcos Arruda (do Correio Caros Amigos)


A eleição francesa sacode o planeta. Pois está em jogo um pouco do destino do mundo, e não somente da França, nos próximos cinco anos. Concluído o primeiro turno, a população está inquieta, dividida entre passado e futuro.

Nicholas Sarkozy obteve 31,1%. Ele representa o fascismo engravatado, que só recorre à farda e às armas em casos extremos. Olhos frios, pálpebras semifechadas e sobrancelhas em arco lhe dão um ar de arrogância e convicção de que a sua é a única verdade. Ele é um político do pensamento único. Sua vitória no primeiro turno surpreende, ainda mais em se tratando de um país que deu à luz a tríade Liberdade-Igualdade-Fraternidade. Neste momento, ele se disfarça atrás do discurso da união (ensemble é o logo da sua campanha). Unir a França em torno de um projeto conservador, neoliberal, alérgico ao mundo de imigrantes que compõe uma parcela crescente da população francesa. Mas sem a mordacidade do candidato da extrema direita, Jean-Marie Le Pen, que obteve mais de 10% dos votos do primeiro turno. Curioso é que o batalhão de Le Pen esteja agora mobilizado, segundo a imprensa, para a derrota de Sarkozy, que roubou de Le Pen a possibilidade de vencer. Sarkozy, cujo programa de direita, como o de Le Pen, pretende aprofundar a demolição dos serviços públicos, debilitar o papel do Estado como regulador do capital, aprofundar a focalização nos valores do sistema centrado no indivíduo abstrato e no conceito egocêntrico de nação.

Ségolène Royal tem a difícil tarefa de apresentar um PS unido e orientado para a mudança. Um PS que se mostrou avançado no discurso e conservador na ação política e econômica, durante os longos anos de liderança do Estado francês. Ségolène pode se tornar a primeira Mulher - Presidente da França. Este é um ponto forte da sua presença na política francesa. Ela representa um projeto de mudança, mas as falsas promessas dos seus antecessores levantam suspeitas e enfraquecem sua imagem. Contudo, ela tem um projeto coerente e uma visão abrangente. Ela consegue articular a diversidade e preencher os interstícios o que parece sem nexo. Ela simboliza a possibilidade do fim das dominações, de classe, de sexo, de raça. Estará ela à altura deste potencial?

Bayrou, o "centrista radical", obteve uma votação surpreendente. Ele é afável e convincente, tem o sorriso fácil e o discurso oportuno. Sua votação triplicou em relação a 2002. Diz ser contra o sistema. Mas q sistema... O da propriedade excludente? O das desigualdades sociais? O das tropas no Afeganistão? O da corporatocracia voraz, que só existe se crescer, e crescendo empobrece a gente e destrói o Planeta? Hoje ele está numa posição curiosa. É o fiel da balança. Com seus 18 mais por cento de votos, ele pode decidir o segundo turno daqui a 15 dias. É a encruzilhada para onde se dirigem os dois candidatos vencedores. Ségolène adiantou-se, propondo um diálogo público com Bayrou por qualquer meio que a ele aprouver. Excelente ocasião de ambos testarem suas propostas. É provável que Sarkozy exija o mesmo direito. Bayrou está com as cartas do jogo nas mãos.

Os demais candidatos e candidatas de esquerda tiveram votações inexpressivas, apesar de mensagens vigorosas e promissoras. O voto útil esteve presente, levando o velho PCF a uma esmagadora derrota.

No plano internacional, as energias da nação francesa têm barrado a agressiva expansão do Império estadunidense. Uma possível vitória de Sarkozy tende a aprofundar as divisões do povo da França. Duas voluntárias francesas no Afeganistão, uma mulher e um homem, seqüestradas pelo Talibã, talvez tenham seu destino selado pela eleição presidencial da França. A tendência com Sarkozy será de um maior envolvimento no Afeganistão e, talvez mesmo, no Iraque, ao lado de Bush e de Blair; uma redução dos recursos destinados à cooperação internacional; um aumento do investimento bélico e do comércio de armas; uma aliança mais forte com governos autoritários e subservientes dos países do Sul, a começar pela área de influência francesa na África. Sarkozy no poder pode ter por conseqüência o endurecimento da posição da França na União Européia e nas instituições multilaterais, e uma competição econômica ainda mais acirrada entre os sáurios corporativos de diferentes bandeiras nos espaços financeiro e comercial. A equação Sarkozy + George W. Bush pode resultar numa ameaça ainda mais grave contra a vida no Planeta.

Durante as duas semanas que nos separam do segundo turno, o Planeta prende a respiração e reza para que prevaleça o bom senso do povo francês.
Marcos Arruda é economista e educador, coordenador do PACS - Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul.


3. E o jornal francês Le Monde também opina sobre a eleição:
França, eleição longe do mundo
http://diplo.uol.com.br/2007-04,a1548


4. José Luís Fiori (da Agência Carta Maior)

O capitalismo liberal

As histórias da Grã Bretanha e dos Estados Unidos se prolongam numa mesma direção, da qual é possível se concluir que o imperialismo não é a “fase superior do capitalismo”, mas, pelo contrário, o seu ponto de partida.

5. Do site do Le Monde Diplomatique:

Iraque: novos retratos da velha tragédia

No momento em que os EUA debatem o futuro da ocupação, três textos revelam a recaída agressiva do governo Bush, as contradições da "nova" estratégia de contra-insurgência e o fiasco dos planos de "reconstrução"
http://diplo.uol.com.br/2007-04,a1566


6. Mais do Le Monde:
Editorial: Fascismo à polaca

Trabalhar mais, para ganhar menos

Estamos condenados aos salários?

7. E o governo Bush está às voltas com outro escândalo, este interno... Pois não é que lá naquele país também existem as madames que fornecem “serviços particulares” a políticos e outras altas autoridades??? O presidente da USAID já renunciou por conta...
Leia aqui:

http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI1582492-EI8141,00.html


NOTICIAS


1. I Encontro Regional de Historia Social e Cultural/UFRPE

O Grupo de Estudos em Historia Social e Cultural (GEHISC), realizará o I Encontro Regional de Historia Social e Cultural. O Encontro acontecera' na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), entre os dias 16 e 19/10/2007. Mais informações em www.gehisc.atspace.com

2. A Revista Historia e Ensino, esta' recebendo ate' 20/6/2007, artigos e resenhas para comporem o numero 13 da revista que será lançado ate novembro de 2007. Mais informações pelo e-mail: arruda@sercomtel.com.br.

3. De 7 a 12 de maio, será realizada a Semana Acadêmica da FDV/2007, que este ano prevê uma programação mais dinâmica e diversificada, com destaque para uma participação mais efetiva dos alunos, além de atrações culturais. A partir do tema central meio ambiente, a promoção pretende debater a gestão, a educação e o uso da tecnologia dentro deste contexto, englobando todos os cursos da Faculdade.

Durante o evento
Exposição de Fotografias (Viagens - Zé do Pedal). Exposição de Fotografias (Meio Ambiente em Viçosa - alunos da FDV) Comunicações, em Pôsteres.

4. Dando proseguimento ao projeto "Oficinas da História", do professor Robert Daibert Júnior, o Curso de História do CES/JF realizará uma mesa redonda com o tema História e mídias audivisuais: cinema e tv.
O evento ocorrerá no dia 4 de maio, sexta-feira, às 19:30 no Anfiteatro da Academia de Comércio.
As convidadas serão:
Profa. Dra. Sônia Lino (UFJF)
Profa. Cássia Rita Louro Palha (UFSJ)
Profa. Patrícia Moreno (CES-JF)
Será discutido o uso das fontes audiovisuais (cinema e tv) em pesquisas históricas.
As inscrições são gratuitas e serão realizadas na hora e será fornecido certificado posteriormente.

5. O I Encontro Nacional de História Religiosa e das Religiões é uma iniciativa do Grupo de Trabalho de História das Religiões e das Religiosidades da ANPUH. Este evento marca o início de encontros nacionais na área. Nesta primeira edição, a Universidade Estadual de Maringá (UEM-PR) e o Centro Universitário de Maringá (CESUMAR) serão sede do evento, que ocorrerá entre os dias 07 a 10 de Maio de 2007.Por meio deste site, divulgam-se os informes necessários relativos à Programação Geral do Encontro:
http://www.dhi.uem.br/gtreligiao/

6. I Seminário Dimensões da Política na História: Estado, Nação, Império, organizado pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Juiz de Fora e pelo Núcleo de Estudos em História Social da Política.
De 22 a 24 de maio de 2007, no ICH, UFJF.
Conferências, mesas redondas e comunicações!
Maiores informações e inscrições na página do Programa de Mestrado em História da UFJF www.mestradohistoria.ufjf.br


FILME

A serie da BBC que está passando no canal pago HBO, Roma, tem chamado a atenção pela imponência da reconstituição. Mas leiam este artigo do Diplo e sintam como tudo é falso!http://diplo.uol.com.br/2007-04,a1555


SITES

1. Vale a pena dar um pulo no site http://www.h-net.org
Consórcio internacional de scholars e professores, o site Humanities and Social Sciences On-Line (H-Net)foi pioneiro em criar uma network que permita a troca de informações acadêmicas, especialmente na área de história. Pesquisadores dos Estados Unidos, América Central e do Sul, Europa e África recebem de graça newsletters interativas, onde podem postar desde pedidos de bibliografia sobre determinado tema até buscar informações sobre alojamento em outros países. São mais de 100 mil historiadores, jornalistas, estudantes, bibliotecários e pesquisadores em contato constante. Além da possibilidade de integrar o grupo, o site oferece resenhas dos principais lançamentos na área de história, dicas de bolsas e ofertas de empregos em universidades, informações sobre conferências e "calls for papers" de revistas especializadas

2. notícias importantes no site da revista Nova Escola sobre o Plano de Desenvolvimento da Educação
Confira reportagens especiais e exclusivas sobre o PDE. Conheça em detalhes as 28 ações que compõem o plano, anunciado na última terça-feira pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, e pelo presidente Lula. Confira também podcasts com trechos de uma entrevista exclusiva concedida à NOVA ESCOLA pelo ministro Haddad.


LIVROS E REVISTAS

1. Nas bancas a revista História Viva

edição 43 - Maio 2007
DOSSIÊ - Roma esplêndida decadência
ARTIGOS - Biografia Sartre de todas as batalhas - Antigüidade: A heróica resistência nas Termópilas - Tradição: Hara Kiri, a honra lavada com sangue - Costumes: Adultério liberado por um dia - Sociedade: A grande diáspora irlandesa - Disney a serviço do rei.



2. Nas bancas a revista BR Historia


edição 2 - Maio 2007
A capa preta - De metralhadora em punho, Tenório Cavalcanti marcou a política da Baixada Fluminense
Peste Branca - Verdadeira sentença de morte, a tuberculose assombrou o Brasil nos séculos XIX e XX
A viagem da cura -Como a cidade de Campos do Jordão se tornou a grande esperança dos tuberculosos
Ceifadora de artistas - Associada ao “estilo de vida romântico”, a tuberculose atacou diversos artistas e virou tema de livros e óperas
Vargas e Perón - Com trajetórias semelhantes, os maiores líderes de Brasil e Argentina marcaram o século XX
Os herdeiros? - Como Lula e Néstor Kirchner lidam com o legado de seus antecessores ilustres
Entrevista - Hélio Jaguaribe“Desenvolvimentismo hoje tem de ser diferente da década de 50”
Letras na tribo - Alfabetizados, índios usaram a escrita como arma na luta por seus direitos
Tropa da Abolição - Leal à monarquia, a Guarda Negra, formada por ex-escravos, foi o terror dos militantes republicanos
Da senzala ao piquete - Nos atos de resistência dos escravos, a origem do que viria a ser o movimento operário brasileiro
Hollywood tropical - Dos estúdios da Cinédia surgiram alguns dos principais filmes feitos no Brasil
A cidade dos bandeirantes - Casando-se com índias e desafiando jesuítas, homens rústicos abriram o caminho para o crescimento de São Paulo

3. A Revista Estudos Históricos do Centro de Documentação Historia Contemporânea do Brasil (CPDOC) foi lançada. O tema e' Bens Culturais, os resumos do numero 38 e mais informações estão disponíveis em www.cpdoc.fgv.br.

4. "A luta armada contra a ditadura militar: A esquerda brasileira e a influencia da revolução cubana", de Jean Rodrigues Salles, editora Fundação Perseu Abramo. O livro busca compreender o surgimento, as características políticas e ideológicas e a atuação da esquerda revolucionaria em sua oposição à ditadura militar, colocando em relevo um tema fundamental e pouco estudado desse processo: a influencia da revolução cubana nas organizações de esquerda no período. Mais informações em www.efpa.com.br.

5- "Uma ilusão de desenvolvimento: Nacionalismo e dominação burguesa nos anos JK", de Lucio Flavio de Almeida, editora da UFSC. O livro aborda as principais analises dos "50 anos em 5", rejeita a nostalgia predominante na literatura sobre o tema e apresenta uma analise critica do "nacionalismo triunfante" que, segundo o autor, foi a configuração especifica adquirida pelo nacional-populismo na segunda metade dos anos 50. Mais informações em edufsc@editora.ufsc.br.

6. Deixei para o fim, mas isso não quer dizer que seja menos importante, pelo contrário. Minha amiga Conceição Oliveira, educadora e batalhadora incansável, me mandou, eufórica, um email , dando conta de que a coleção de História que ela escreveu foi a melhor pontuada no PNLD-2008. Foram inscritas 31 coleções e 19 foram aprovadas.
Sugiro aos professores que não deixem de ler o guia 2008, que está disponível no site do FNDE (http://www.fnde.gov.br/)
Abaixo temos as capas dos volumes da quinta e sexta séries.


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