Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

30.11.07

Número 116



EDITORIAL






Ponte JK, Brasilia. Foto GBmurta















Acordo hoje, dia 5 de dezembro, em Brasilia. Duas notícias de impacto logo de manhã: o resultado de uma avaliação internacional que coloca o Brasil entre os últimos no setor educacional. Notas de matemática e de leitura entre as piores do mundo. E tome comentários de especialistas, entre eles Claudio de Moura e Castro, renomado, a diretora da Faculdade de Educação da USP, o sociólogo José Pastore. Todos são unânimes em falar óbvio. Mas ninguém toca nas questões de fundo. A meu ver são dois os problemas que, a cada ano, fazem piorar ainda mais o que já estava ruim nas últimas décadas. O primeiro, sem dúvida, são as mágicas inventadas para garantir estatísticas favoráveis aos órgãos financiadores mundiais, eliminando - ou quase - a repetência e a evasão. Nada de qualidade, o que importa são os números que irão mostrar os "avanços grandiosos" conseguidos. Pois sim! Sem reprovação, os alunos, em sua maioria, compreendem que não precisam estudar. E não precisam mesmo, pois sua aprovação (sic) está garantida desde o primeiro dia de aula. Basta ele, portanto, fingir que estuda, porque os professores também irão fingir que estão ensinando, e as diretoras e inspetoras irão fingir que tudo está correndo muito bem....e a farsa continua....

O segundo problema é a deficiente formação de professores, hoje feita essencialmente por faculdades privadas, que recebem alunos sem qualquer condição intelectual para fazerem um curso universitário, pois são incapazes de construir um pensamento complexo, uma frase inteligível, ou até mesmo, são incapazes de ler um texto e compreender minimamente o que o autor quis dizer. Pois esses alunos estão se transformando em professores (sic), que irão lecionar para alunos que não estão interessados no que eles trazem para a sala de aula, quando não se divertem vendo os erros de português que o professor comete.

E alguém ainda quer bons resultados nas avaliações?



A segunda grande notícia da manhã. Renan Calheiros é, novamente, absolvido por seus digníssimos pares. Nem preciso comentar nada. Apenas constato, mais uma vez, que este país é, realmente, muito, mas muiiiiiittttoooooooooooo sério mesmo!!!














Uma bela campanha. Afinal, os números da violência contra as mulheres no Brasil ainda são assustadores. Ajude a divulgar, você também, o 180.

Publico aqui o artigo de Maria Tereza Armonia, que discute um importante tema , tocando em mais algumas feridas que realmente incomodam a quem se preocupa seriamente com a educação neste país.


EDUCAÇÃO ESPECIAL - UM OUTRO OLHAR

Maria Tereza Armonia *

Sabe-se que há alguns poucos anos a escola pública teve que tomar para si (mais) uma atividade nova e desconhecida, que foi a inclusão das crianças especiais. A bem da verdade, constitucionalmente, nenhum cidadão brasileiro pode ser discriminado pela cor, pelo sexo, pelo credo e muito menos, convenhamos, pela condição de especial, diferente. Então, por princípio, não se pode recusar nenhum aluno em nenhuma escola.

Acontece que, romantismo à parte, a escola não está aparelhada para receber tal clientela. Para início de conversa, porque os prédios escolares construídos antes do advento da inclusão (a maioria), não têm estrutura física para receber crianças que tenham pouca coordenação motora nos membros inferiores ou os cadeirantes (indivíduos que se locomovem em cadeiras de rodas). Seria necessário que houvessem rampas de acesso, portas mais largas. Dos banheiros, então, melhor nem lembrar.

Há alguns anos, no início da inclusão, na escola de primeiro ciclo (antigos pré, 1ª e 2º séries primárias) em que trabalhei, onde só há mulheres, a primeira professora contemplada com um aluno especial, portador de paralisia cerebral severa, media pouco mais de 1,50 m., devia pesar uns 45 Kg e era necessário descer e subir as escadas com o aluno, porque ele não se locomovia sozinho. Não me lembro bem a solução encontrada à época, mas lembro-me que foi um desconforto para todas nós, tanto pelo problema criado para a professora, quanto pelo fato de o aluno chegar à escola com tantas dificuldades, ele, que já tinha tantas limitações...

Não fosse este problema material, há a questão da formação do professor. O problema material, de uma forma ou de outra, a gente improvisa. Escola é um lugar que faria inveja ao antigo programa "Esta noite se improvisa", porque vive-se improvisando... Mas, se a escola não vem dando conta dos alunos para os quais o professor é direcionado e formado, muito menos para crianças com necessidades especiais. As Faculdades de Educação, salvo grande engano meu, ainda não formularam um currículo contemplando os alunos com necessidades especiais. No máximo, oferecem disciplinas optativas, duas pelo curso inteiro, que levam talvez a conhecer certas patologias, mas não suficientes para formar um profissional habilitado.

Há alguns anos, a Prefeitura de Belo Horizonte contrata estudantes de níveis médio e superior para monitorarem as crianças especiais, juntamente com a professora. Salvo a necessidade desses sujeitos de ganharem um salário para sobreviver e permanecer com a sua formação escolar e acadêmica, tornam-se tomadores de conta das crianças - trocam fraldas nos que necessitam, ajudam-nos a comer a merenda sem se sujar, tratam-nos com carinho mas, menos ainda que o professor, sabem lidar com as patologias e/ou ajudá-los nas tarefas escolares e na própria aprendizagem, que seria o correto e o esperado.

Mas, como a escola nos últimos tempos tomou a configuração de psicóloga-assistente social-babá-titia-papai-mamãe e outras coisas mais, talvez este seja apenas mais um momento que para os professores irá se tornar rotina nos próximos anos. Ou, talvez, o que se quer determinar como inclusão, seja a exclusão mais perversa que o aluno com necessidades especiais possa vir a ter. Porque, se ele estivesse na escola especial, com professores formados para conhecer e trabalhar com os portadores das patologias, com 8 alunos no máximo dentro das salas de aula, certamente estaria sendo muito mais incluído do que numa sala de 30 alunos, em que não se pode individualizar nenhuma das crianças e cujo professor não tem conhecimento suficiente para ensinar o mínimo necessário.

Inclusão? Isto, a meu ver, em todos os sentidos, é uma grande balela!
* Maria Tereza é pedagoga, professora e mestra em Educação



FALAM AMIGOS E AMIGAS

1. Depois de ficar um tempo sem mandar noticias, estou escrevendo para comentar o assunto da menor estuprada no Pará. Hoje cedo passando em frente a uma banca de jornais, li uma reportagem (não gravei o nome do jornal) em que dizia que o delegado responsável afirmava que a referida menor tinha limitações mentais por não avisar que "era de menor". Desde quando avisar a idade a uma autoridade da lei é comprovação de saúde mental? Este senhor é que não podia ter prendido essa moça junto com os demais presos masculinos, pois só podia dar no que deu. O que você acha disso?
João Miguel

João, você já deu a resposta que eu daria....

FALANDO DE HISTORIA








O Brasil de hoje é fruto do golpe de 1964

O golpe militar de 1964 impôs não apenas 21 anos de ditadura, mas também o ambiente político e cultural que possibilitou – no período da “redemocratização” – ao neoliberalismo aportar com tudo no território brasileiro, estimulado pelas elites empresariais, saudado pelas classes médias e engolido pelos trabalhadores sem maiores resistências.
Em plena Guerra Fria, com o imperialismo norte-americano jogando pesado contra os blocos socialista e terceiro-mundista, o golpe interrompeu o processo de reformas de base articulado por lideranças trabalhistas com o governo João Goulart. As reformas faziam sentido no bojo do desenvolvimento industrial das décadas de 40 e 50, e representavam a justa cobrança dos trabalhadores no acerto de contas com o capital, especialmente para virar a página do atraso oligárquico.
Com o golpe, a experiência educacional transformadora foi duramente reprimida e todo o sistema passou a ser controlado de cima para baixo, com rígida vigilância. Tanto é que inúmeros professores e projetos educacionais foram banidos. Ao mesmo tempo acelerou-se o processo de privatização do ensino superior. Foram criadas as “fundações sem fins lucrativos” que enriqueceram tanta gente. As fábricas de diplomas ganharam status de faculdades e universidades. O sistema criado na ditadura permanece intacto, não apenas vigora até hoje, como é um dos pilares de formação e sustentação intelectual do neoliberalismo.
O projeto de reforma agrária de Celso Furtado, que o governo João Goulart ensaiava colocar em prática, previa a desapropriação de todas as terras ao longo das rodovias e ferrovias, de forma que se pudessem assentar rapidamente todas as famílias que quisessem trabalhar na terra. O golpe de 1964 abortou a reforma agrária e até hoje o Brasil não conseguiu resolver a secular questão agrária e nem criar um modelo para o desenvolvimento da agricultura familiar, a produção de alimentos e a proteção ambiental. Ao contrário, o Brasil agora convive com o latifúndio improdutivo e com o latifúndio do agronegócio – a concentração da terra voltada para a exportação (soja, eucalipto, cana e pecuária), altamente destruidora das reservas florestais, dos recursos hídricos e do meio ambiente.
Nem bem o Brasil saiu da ditadura militar, em 1985, e as elites brasileiras já estavam salivando para privatizar o patrimônio público acumulado nos anos de centralização e de estatização, quando os gestores do regime endividaram o País e o povo brasileiro com inúmeros projetos faraônicos. A ditadura acelerou a destruição da Amazônia com a rodovia Transamazônica e os projetos fracassados de colonização; a ditadura acelerou a destruição dos recursos hídricos com os projetos de grandes hidrelétricas; a ditadura acelerou a destruição cultural do Brasil com os seus projetos autoritários de educação e comunicações. O apoio da ditadura à TV Globo e às demais redes de televisão foi decisivo para “formar” gerações alienadas com a cabeça no consumo e no circo. O sistema de controle da informação e da cultura montado pela ditadura continua intacto até hoje – sob o domínio de alguns grupos empresariais e coronéis eletrônicos espalhados no território nacional.
Nem bem saiu da ditadura e ingressou no neoliberalismo, as elites brasileiras avançaram sobre os direitos dos trabalhadores, retiraram conquistas de décadas, investiram pesado nas “flexibilizações” e “desregulamentações” da legislação trabalhista e social, passaram a arrochar sistematicamente os salários, colocaram milhões na informalidade e multiplicaram várias vezes o exército de reserva – também chamado de desemprego estrutural. Isso só foi possível porque a sociedade brasileira moldada pelos 21 anos de ditadura apagou da memória e da história oficial as lutas feitas e as reformas sonhadas antes de 1964. Depois do último embate, nas eleições de 1989, quando as forças democráticas e populares foram derrotadas – em “eleições livres” – pelo neo-coronelismo apoiado pela velha imprensa empresarial e pelo aparato televisivo construído pelo regime militar, a resistência democrática e popular entrou em declínio, importantes setores da esquerda se renderam ou foram cooptados pelo modelo político-econômico, as propostas transformadoras e socializantes desapareceram dos sindicatos e das universidades. É nesse quadro que o movimento social ainda tenta se reerguer – com muita dificuldade.
Basta lembrar que toda a imprensa brasileira – com exceção do jornal Ultima Hora – apoiou o golpe militar de 1964, na defesa dos interesses dos fazendeiros, do capital industrial nacional e do capital estrangeiro. Da mesma forma, hoje, a grande maioria da imprensa brasileira defende ardentemente os postulados do neoliberalismo, apóia a entrada desenfreada do capital estrangeiro, o sistema financeiro concentrado em grandes bancos e a concentração da terra para o agronegócio. Os motivos de fundo para o golpe de 1964 constituem ainda hoje o programa em vigor das elites dominantes. Isso significa que o golpe de 1964 pode ser considerado completamente vitorioso, pois interrompeu de forma duradoura – há 43 anos – o que estava sendo ensaiado de transformações em favor das classes trabalhadoras. Desde então os trabalhadores não vivenciaram mais nenhum processo de reformas que pudesse mudar as estruturas do País. O Brasil é hoje mais capitalista do que já foi em toda a sua história. Com todos os problemas que esse sistema produz.
por HAMILTON OCTAVIO DE SOUZA


http://www.espacoacademico.com.br/- © Copyleft 2001-2007
É livre a reprodução para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída





BRASIL

1. Gilson Caroni Filho


Lula, por que o ódio da imprensa?


No momento em que o Brasil entra pela primeira vez para o grupo de países com alto Índice de Desenvolvimento Humano, a imprensa destaca a sabotagem parlamentar da oposição oligárquica como uma expressão de resistência cívica.

2. A classe média engasgada (ou o coronel pantaneiro que fazia engolir jornal)

(da revista NovaE – encaminhado por Guilherme Souto).



Raul Longo Tubino


Apesar de Luís Ignácio da Silva ter sido indicado durante solenidade na ONU como estadista do ano (2006) por significativa entidade internacional, e há questão de uma semana o terem apontado como o mais destacado líder político do continente americano, numa enquete onde o presidente da mais rica nação do mundo ficou em penúltimo lugar, continuo recebendo aqui no meu computador a correspondência de pessoas que divulgam velhas e, há muito, ridicularizadas acusações ao presidente, ao governo e ao seu partido. Comprovadas e recomprovadas mentiras, falsidades, falcatruas e armações da mídia. Até para os de mais fraca percepção já se evidenciou que todo o escândalo do "mensalão" não passou de armação de tucanos e DEMoniocratas (antes pefelentos), sem outros argumentos que não fossem o recurso da hipocrisia.



Até mesmo a mídia, conivente com o escrachado e evidente golpismo que transcorreu 2005 e 2006 sem o menor sucesso, hoje se vê obrigada a mascarar tal hipocrisia como "mensalão mineiro", apesar do próprio ex-presidente do partido já ter declarado que FHC, Serra, Alckmin também se beneficiaram do esquema. Todo o esforço do poder Judiciário em incriminar integrantes do governo Lula, até hoje não obteve qualquer evidência. No legislativo se cassou líderes históricos da população, sem nunca terem comprovado coisa alguma, e hoje seus detratores, por mais que a mídia tente esconder, sabidamente estão arrolados nos mais diversos crimes que vão da corrupção passiva e ativa, ao cumpliciato, quando não a pratica de escravatura ou homicídio.



Mas meus correspondentes da classe média continuam repetindo, como velha vitrola quebrada, as mesmas piadinhas gastas, as mesmas acusações tão desmoralizadas perante a grande maioria que reelegeu o governo Lula por inédita diferença em relação ao seu opositor que, como também é sabido, deixou o estado que antes governava com a maior dívida de sua história. A ela apenas se aproxima a do estado de Minas Gerais, governada pelo mesmo partido de preferência dessa classe média sem memória dos 8 anos de um governo que, global e historicamente, derrubou o Brasil aos piores níveis econômicos e sociais já registrados. Um escândalo para uma nação de nosso porte, recriminado em todo o mundo até pelos comparsas internacionais daquele governo neo-liberalista.



Apesar de estes mesmos comparsas internacionais do governo anterior, inclusive a mídia de todo o mundo, não poder calar a admiração pela recuperação social e econômica brasileira, atingindo níveis nunca antes alcançados, num processo que pode ser comparado com a recuperação japonesa ao pós-guerra (e se alguém achar que exagero, é só conferir os índices entre 2002 e 2006 nas páginas eletrônicas do IBGE); a classe média continua patinando no mesmo rame-rame. Não me admiraria se daqui a pouco me enviarem aquela primeira acusação que ouvi dirigida a Lula, sobre uma tal mansão que possuiria no Morumbi.



O que acontece com a classe média brasileira? Quando externam tamanha saudade do governo FHC ou dão continuidade ao caos governamental de estados como Minas e São Paulo, me fazem lembrar uma piadinha popularizada por Juca Chaves contando de um menino escoteiro perguntando ao líder sobre os hábitos da hiena, em uma visita ao zoológico: " - Se come merda e faz sexo apenas uma vez por ano, ri do quê?"



Mas é ao me deparar com notícias como a de abaixo (*), que me lembro de um certo coronel responsável por um órgão estadual de preservação do Pantanal sul-matogrossense. O coronel flagrara uns paulistas depredadores da fauna local e dera a voz de prisão. Ditadura que ainda era, não faltou empáfia de parente de político. Linha dura, o coronel pouco se importou. Para comprovar o "sabe-com-quem-está-falando?" o tal parente de alguém tentou lhe esfregar uma notícia de jornal nas fuças. Não teve dúvida, fez o prepotente engolir o jornal. O caso veio à divulgação nacional, e o governador chamou o coronel que se defendeu na convicção do cumprimento de sua missão. "- Mas fazer o rapaz engolir o jornal, Coronel!" - lastimou o governador do Mato Grosso do Sul. Ao que o coronel se defendeu: "- Pera lá governador! Isso é exagero da imprensa! Eu não fiz o rapaz engolir o jornal. Eu apenas fiz com que comesse uma página do jornal."



Já para os meus correspondentes da classe média, coleções de edições inteiras não são nada indigestas. Ainda fazem sobremesa com páginas eletrônicas e écrans de televisores, e saem arrotando satisfeitos. Mas a verdade dos indiscutíveis avanços do país em todos os setores, lhe são indigestos. Caem mal. Dão preferência a dieta da hiena, abundantemente produzida no governo passado. Enfim, questão de paladar.



(*) Polícia Federal desmente matéria da Folha contra o PT Nota emitida nesta segunda-feira (19) pela Polícia Federal desmente reportagem da Folha de S.Paulo de domingo, ao informar que não se pronunciou sobre o andamento da Operação Persona, por esta correr em segredo de Justiça.
A reportagem da Folha, que virou manchete do jornal e ocupou três páginas internas, acusa o PT de ter recebido R$ 500 mil da multinacional Cisco, por meios de empresas "laranjas", para supostamente beneficiá-la em um pregão da Caixa Econômica Federal.
Em vários trechos da reportagem, bem como nos títulos, a Folha leva o leitor a crer que as acusações partem de fonte oficial e constituem fato consumado, ao usar assertivas como "diz a PF", "afirma a PF" e "segundo a PF". Na verdade, as conclusões a que se refere o jornal estariam baseadas em "interpretações" de "policiais envolvidos na investigação" – motivo pelo qual a PF informa, na nota divulgada hoje, que irá instaurar inquérito policial para apurar o vazamento de informações.
Abaixo, a íntegra da nota:


A Polícia Federal em São Paulo, em referência à matéria "Cisco utilizou laranjas para doar R$ 500 mil ao PT, diz PF", publicada pelo jornal Folha de São Paulo edição de 18.11.2007 , comunica à imprensa que não se pronunciou sobre o andamento das investigações referentes à Operação Persona, deflagrada no dia 16.10.2007. Referida investigação corre sob segredo de justiça e o vazamento das informações de caráter sigiloso configura infração criminal que será apurada, como em casos anteriores, através de inquérito policial a ser instaurado nos próximos dias nesta Superintendência.



3. Depois do bolsa-escola, o "bolsa-professor".



Para manter mestres na sala de aula - como universitários de licenciatura e também como instrutores da Educação Básica na rede pública -, o Ministério da Educação (MEC) dará 20 mil bolsas de incentivo à docência a partir de março: 10 mil para projetos desenvolvidos de fevereiro a dezembro e 10 mil para agosto a dezembro. O benefício será de R$ 350 mensais para cada universitário que tiver projeto selecionado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
O Programa de Bolsa Institucional de Iniciação à Docência (Pibid), antecipado por O Dia em agosto, terá R$ 75 milhões em 2008 para combater a evasão de profissionais do magistério. Pesquisa do MEC divulgada há uma semana mostrou que 71,2% dos professores formados não atuam na Educação Básica da rede pública.
O Pibid atenderá inicialmente alunos de licenciatura em Física, Química, Biologia, Matemática, Letras, Pedagogia e Educação Artística das federais, mas deverá ser ampliado. A portaria será publicada até o fim do mês. As regras para escolha de projetos incluem inovação e capacidade de superar problemas de aprendizagem dos alunos de uma ou mais escolas. Os bolsistas atuarão em laboratórios ou oficinas extraclasse enquanto cursam a faculdade.
O objetivo é antecipar o vínculo entre os futuros mestres e as salas de aula da rede pública, já que o estágio obrigatório só começa no penúltimo período. Para a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda, o programa criará compromisso com o magistério após o fim do curso.
Hoje, professor graduado não é sinônimo de mestre na rede pública. A maioria dos alunos da licenciatura tem planos distantes dessa realidade. Os que querem ensinar, sonham fazê-lo na universidade. "Desmotiva muito, não só o salário, mas a dificuldade de lidar com os alunos. Diminuiu muito a autoridade do professor, principalmente em áreas de risco. Dá insegurança", admite o estudante do 2º período de Matemática na Uerj Karlos do Amaral, 20 anos.
Ele vê a bolsa como um incentivo. O exemplo do pai, professor de Ciências em Ciep de Magé, orgulha e assusta: "Vejo sua luta: os alunos não querem estudar, tem muito repetente e gente com dificuldades em Português, Matemática. Meu pai tenta orientar em outras áreas também".
Ao antecipar o contato com a rede pública, o Pibid teria dois possíveis efeitos, acredita a estudante de Geografia da Uerj Rejany Ferreira dos Santos, 28 anos: "Diante de todas as dificuldades, os bolsistas podem se apaixonar ou desistir de vez".
Evasão ainda na faculdadeLivros e fotocópias caros, passagens diárias e falta de tempo para trabalhar são barreiras que fazem com que as turmas de licenciatura nas universidades se reduzam período a período até a diplomação. É aí que o Pibid deverá fazer diferença.
Estudante de Geografia da Uerj, Rejany Ferreira dos Santos faz o último período do curso, mas só se formará no ano que vem, pois deixou de estudar matérias do início da faculdade, quando trabalhava como secretária numa gráfica para se sustentar.
"A bolsa será importante para manter o aluno na faculdade. Minha turma começou com 45 e agora somos 30", conta Rejany, que não teve Matemática na 6ª série do Ensino Fundamental por falta de professor e é exceção entre os colegas: deseja ser mestre da rede pública. "A maioria dos meus amigos não quer. Quando se fala em curso da Polícia Federal, o olho de uma colega minha brilha. Há desânimo com relação à docência", conta.



4. do Correio Caros Amigos
Quanto e quem
por Pedro Cardoso da Costa


Caso essas palavrinhas fossem respondidas pelos órgãos da Administração Pública brasileira os serviços prestados seriam bem melhores. Ninguém sabe quantos, e quem, são os funcionários de qualquer ministério. Se formulada, essa pergunta seria transferida várias vezes para descobrir quem deveria respondê-la. Depois, a resposta seria subdivida em vários órgãos. E no final não haveria uma resposta conclusiva.

Essa mesma pergunta poderia ser feita sobre quantos alunos foram à aula numa noite ou quantos médicos atendem num posto de saúde; quantos são os policiais de uma delegacia, de um quartel, de uma companhia. Aplica-se a qualquer órgão público. Além de nunca saber quantos são, também não se sabe quantos estão ou quantos deveriam ser ou estar, pois para saber desses números seria fundamental que se soubesse para quê.

Esse “quê” ajudaria na definição clara das políticas públicas necessárias à solução de determinados problemas. Assim, caso tivesse definição do nível básico de aprendizado de um aluno de quarta série, saber-se-ia quantos alunos deveriam ter por turma. Serviria para mensurar a qualidade do serviço de um médico em função da quantidade de pacientes. Serviria para saber quantos policiais dariam segurança, segurança para valer, num determinado bairro. Com a intenção de colocar a informação num livro, certa vez, perguntei ao governo do estado de São Paulo quantas escolas existiam sem pichação. Respondeu que a pergunta deveria ser dirigida à Secretaria da Educação, como se esta não lhe pertencesse. Esta informou-me que caberia a cada delegacia responder e as delegacias, claro, informaram-me que a pergunta deveria ser dirigida a cada escola. Já sabia de antemão que não teria a informação, mas a pergunta também tinha por objetivo provar que o vandalismo toma conta do país por que o Estado brasileiro não existe em determinadas áreas. A pichação generalizada das escolas seria, e é, apenas a prova disto.

Uma administração minimamente eficiente começa por saber quantos são os servidores e quantos seriam necessários. Assim, os desnecessários num setor seriam transferidos para outros. Quantificar serviria para controlar material. Trata-se de outro desperdício permanente nas instituições públicas. Seria incalculável a quantidade de papel gasta com dinheiro público nos trabalhos escolares ou particulares de servidores; ou para seus filhos, sobrinhos, netos e até amigos. Basta levar em conta que a União tem mais de um milhão de servidores. Além disso, telefonemas, xerox e tudo mais sem nenhum controle por parte dos superiores, pois se trata de prática generalizada em todas as esferas da administração pública. Quando a União, os Estados e os municípios tiverem controle suficiente para responder a estas perguntas imediatamente, a melhoria dos serviços será constatada pela população, porque teria os médicos, professores e policiais necessários e o desperdício com despesas diminuiria sobremaneira. Por enquanto não se tem resposta, vez que a Administração Pública brasileira tem como filosofia de atuação o clichê de que as coisas não são tão simples assim, e de que se tem complexidade como sinônimo de eficiência e de qualidade. E dessa visão que, por absoluto desconhecimento, impossibilita uma resposta a qualquer pergunta sobre quanto e quem.
Pedro Cardoso da Costa é Bacharel em Direito




2. O strip-tease da Folha de S.Paulo





A manchete deste domingo revela a pretensão do jornal paulista em distorcer fatos e números, além de evidenciar o papel da grande imprensa como elemento central das articulações das forças conservadoras. A análise é de Gilson Caroni Filho. > LEIA MAIS Política



NOTICIAS


1. Prezados Amigos, envio como um convite e peço que divulguem se possivel esse simpósio que estamos, eu e a Profa. Dra. Evelyne Sanchez, organizando para o 53 ICA, na cidade do México, em julho de 2009. Grande abraço e meu muito obrigado, Wilton.

Simposio: Sociedad y Derecho en América Latina, siglos XIX y XX.



Organizadores: Wilton C. L. Silva (UNESP – Universidade Estadual Paulista, Brasil) wilton@assis.unesp.br



Evelyne Sanchez (Colegio de Tlaxcala, México /Universidad de Toulouse 2, Francia) s_evelyne@yahoo.com



53° CONGRESO INTERNACIONAL DE AMERICANISTAS (Los Pueblos Americanos – Cambios y Continuidades: La Construcción de lo Propio en un Mundo Globalizado), México, 19 – 24 de julio de 2009



Estamos nos propondo a organizar um encontro multidisciplinar a partir das referências da História e das Ciências Sociais para refletir sobre as relações entre Sociedade e Direito na América Latina dos séculos XIX e XX. A partir de abordagens diversificadas sobre a forma como aspectos políticos, sociais e culturais de diferentes grupos e sociedades na América Latina se relacionam com as dinâmicas da lei e da justiça e com o processo de codificação jurídica, objetivamos elaborar um panorama amplo das interrelações possíveis entre instituições, controles e sociedade. A teorização, a sistematização, a organização e a operação dos instrumentos legais, assim como as complexas relações de grupos diversos e de sociedades locais e nacionais com as instituições jurídicas oferecem um campo extenso para reflexões teóricas e empíricas voltadas para a compreensão das influências recíprocas entre os processos históricos, sociais e culturais e as realidades jurídicas. A prioridade às comunicações será dada para aquelas que propõem explicitamente um assunto relacionado ao tema do Congresso – “Mudanças e Continuidades: A Construção de Identidades em um Mundo Globalizado ”, ou seja, sobre a construção da sociedade a partir das relações com o aparato legal no processo de formação e consolidação dos Estados-Nações no continente.



As propostas de comunicação devem ser enviadas aos coordenadores pelo correio eletrônico, até 28 de fevereiro de 2008, e devem fornecer os seguintes dados: Nome, instituição e endereço eletrônico do autor, título da comunicação, um resumo sumário com no máximo 500 palavras e com 5 palavras-chaves.




2. A Biblioteca Nacional da França (BNF) abre pela primeira vez as "portas do inferno", e expõe em Paris seus livros e gravuras "contrários aos bons costumes", mantidos em sigilo há mais de 150 anos.



Proibida excepcionalmente para os menores de 16 anos, a exposição "Eros em segredo" apresenta, a partir desta terça-feira e até o dia 2 de março, cinco séculos de erotismo, ilustrados com manuscritos de Sade ou de Apollinaire, com estampas obscenas e fotos pornográficas.
"O inferno" é um lugar imaginário, que corresponde a uma categoria criada em 1844 pela BNF para compilar as obras "tendenciosas".
As primeiras são do século XVI, mas é principalmente o século XVIII, conhecido também como o século da libertinagem, que alimenta as coleções.
"Eros em segredo" também apresenta manuscritos e edições originais de textos de Sade. O marquês escreveu a maior parte destes textos, como "La philosophie dans le boudoir", A Filosofia na Alcova, segundo uma tradução livre, ou "Les infortunes de la vertu" quando estava na prisão.

3. MBA em Relações Internacionais (Rio)

O que explica o comportamento dos países no mundo? Quais as origens da guerra e da paz? O que faz uma sociedade internacional ser mais ou menos próspera, justa ou estável? Qual é o ambiente estratégico em que vivemos, e o que há de novo nas relações internacionais nos dias de hoje? Essas são algumas das questões que o MBA em Relações Internacionais da FGV, com inscrições abertas, propõe para debate e reflexão. O programa conta com uma equipe multidisciplinar, que prepara seus alunos para pensar, discutir e escrever sobre temas centrais da política mundial com sofisticação. O objetivo do curso é qualificar o aluno para lidar criticamente com a conjuntura mundial, bem como capacitá-lo a atuar em ambientes internacionais com destreza.
Mais informações pelo e-mail cpdoc@fgv.br.
http://www.cpdoc.fgv.br/cursos/index.asp?curso=ri

3. MBA em Bens Culturais: cultura, economia e gestão (São Paulo)

Estão abertas as inscrições para a segunda turma do MBA em Bens Culturais, em São Paulo, uma parceria entre CPDOC e a EESP - Escola de Economia de São Paulo. O curso alia excelência acadêmica e foco no mercado de bens culturais, e pretende habilitar o aluno a aplicar o conhecimento produzido pela FGV em Ciências Sociais, Economia e História a uma das áreas mais dinâmicas do mundo contemporâneo.
Mais informações pelo e-mail cpdoc@fgv.br.
http://www.cpdoc.fgv.br/cursos/index.asp?curso=bensculturais



LIVROS E REVISTAS

1.


Uma grata surpresa. A Universidade Estadual de Londrina inicia a publicação de uma revista, cujo primeiro número mostra-se promissor. A revista intitula-se MAQUINAÇÕES: Idéias para o ensino das Ciências. Veja bem: DAS e não DE. Ou seja, é uma revista multidisciplinar, direcionada para os cursos de graduação. Segundo a apresentação, a revista publicará artigos em todas as áreas do conhecimento. Historiadores terão, portanto, espaço nesta revista, como, aliás, já compareceram vários no primeiro número.






2.


3.











Hoje estamos acostumados a reivindicar direitos que protegem nossa liberdade e igualdade, garantidos por lei. No entanto, nem sempre eles existiram e garantiram nossa dignidade. Do seu revolucionário surgimento no decorrer dos séculos XVII e XVIII aos dias de hoje, a tradição dos direitos humanos conta com um número significativo de detratores e adversários, pois muitos têm a incapacidade de compreender a fundo seu caráter universal e democrático. Este livro surge entre o crescente interesse pelos direitos fundamentais e suas constantes violações, seja pela falta de informação ou pela discordância acerca de sua eficácia. Abrangente e bem organizada, a obra disponibiliza ao leitor cinqüenta textos e documentos sobre direitos humanos desde seu surgimento até os mais recentes.

O autor

Marco Mondaini é historiador com mestrado pela Universidade de São Paulo (USP) e doutorado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atualmente é professor do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Atenção: Para aqueles que acessam o site da Editora Contexto, está sendo oferecido, até o dia 10 de dezembro, um desconto de 40%.

Para que o desconto seja concedido, basta digitar a palavra "direitos", durante o procedimento de compra, no campo "Caso possua um código promocional, digite-o aqui".





4.



Nas bancas mais um número de Carta na Escola. Os artigos principais são: A escola sem salas de aula - Revendo os 90 anos da Rev. Russa - O lixo não se desmancha no ar - A cultura da repetência em debate - Reféns do lixo - Adeus ao giz - Fotografias não são neutras - a nova arquitetura educacional (entrevista com o ministro da Educação).




SITES E BLOGUES


1. Reflexões despretensiosas sobre o caso da menina de 15 anos estuprada por vinte companheiros de cela em Abaetetuba (PA) e sobre tudo o que isso implica.
Crítica da cobertura da imprensa mineira sobre o "tucanoduto" de Eduardo Azeredo e Mares Guia. Ou: por que nossa imprensa prefere os caros anúncios de Aécio à confiança dos leitores. Ou: como a imprensa paulista noticia melhor que a mineira um escândalo de imensas proporções que envolve, principalmente, políticos de Minas. Enfim, críticas não faltam, e elas se respaldam numa leitura detalhada de cinco diários de Belo Horizonte, em um período de tempo razoável.
Nos dois últimos capítulos de Injustiçados, acontece o que já temíamos: Ari Portilho é demitido e espera longamente pela solução de seu caso, às vésperas da aposentadoria.
Leia em http://www.tamoscomraiva.blogger.com.br/


2. Bem interessante!

É só entrar no endereço abaixo e clicar sobre a bandeira do país que deseja, depois escolha o jornal de sua preferência e abrirá a edição atualizada de cada um deles. É um mundo de informações ...
http://www.indekx.com/

3. Taí um site pra quem viveu a época do Regime Militar (ou mesmo para os fãs de Chico e afins, que tiveram suas letras censuradas pelo militarismo).

http://www.censuramusical.com.br/

O censuramusical.com baseia-se não apenas nas músicas conhecidas pelo grande público, mas também nas inúmeras composições de artistas populares que tiveram suas obras vetadas. Nesse sentido, um dos principais assuntos destrinchados é a atuação das Divisões de Censura de Diversões Públicas. Para tal abordagem, não podemos deixar de destacar o fundamental acesso aos documentos oficiais da censura do Arquivo Nacional de Brasília, do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro e do Arquivo Público do Estado de São Paulo.

Divulgue para seus amigos.
É a história do Brasil e da melhor fase da música nacional, sem censura!

0 Comentários:

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

Links para esta postagem:

Criar um link

<< Página inicial