Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

28.11.07

Número 115






EDITORIAL

Hoje foi difícil escolher um tema para o editorial, tantos foram os assuntos que me chegaram às mãos. Inclusive, de última hora, troquei o que já estava pronto. Ia colocar aqui um artigo de minha amiga Teresa Armonia, mas como ele é menos datado, ficará para o próximo boletim.
Podia colocar também aqui sobre a denúncia que o procurador da República fez, mostrando que o tal “mensalão petista” que rendeu tanto, na verdade foi aprendido com os tucanos mineiros, e não só mineiros… Mas preferi deixar isso para a sessão Brasil.
De qualquer forma, creio que vocês gostarão das matérias selecionadas para este número. Há muitas, ele ficou meio grande, mas não havia outro jeito
.
Bem…e quanto ao editorial? Acabei optando por um artigo de Luis Carlos Lopes, da Agência Carta Maior, que me pareceu oportuno e pertinente, sobre o descalabro de uma moça, menor de idade, que ficou dentro de um presídio masculino no Pará. A indignação que sentimos o autor conseguiu exprimir muito bem, daí a minha opção.

A menina da prisão
Como imaginar a existência de padrões mínimos de justiça social, se a corda nunca arrebenta na ponta puxada pelos maiores criminosos? Se não pode haver um mundo sem prisões, haveria de se pensar uma nova lógica para o uso destas.
Luís Carlos Lopes
Na cornucópia das tragédias sociais brasileiras, a notícia da menina da prisão do Pará horrorizou a boa consciência do país. No passo seguinte, descobriu-se que eram pelo menos quatro casos similares. Quem sabe, talvez sejam mais... Como se não bastasse o que é divulgado sobre o inferno prisional enfrentado por cerca de 350 mil pessoas, sabe-se, agora, que os suplícios podem ser ainda maiores. Na verdade, há um pouco de cinismo e hipocrisia nisto tudo. O que se podia esperar de um sistema que defende a retórica de ressocialização do criminoso, mas que é pautado em punições, baseadas no desrespeito dos mais básicos direitos humanos? O caso horripilante das moças do Pará consiste em um grão de areia no painel dantesco do sistema prisional em vigor. Choca por se tratar de mulheres, sendo uma delas, ainda adolescente. Irrita pelas justificativas oficiais, que incluíram a trágica afirmação de que não haveria outra solução. Comove pela placidez do olhar de uma das presas, captado pelas lentes da grande mídia.
De acordo com a declaração dos direitos humanos da ONU (1948), “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”. Foi preciso que a notícia corresse, para que algumas autoridades tomassem providências. A menina foi retirada e levada para algum lugar com maior proteção e assistência. Procedeu-se com decência, frente ao escândalo do fato noticiado. O episódio deveria levar a uma ampla avaliação do que ocorre atrás das grades do país. Não se pode imaginar qualquer alternativa ao controle real da criminalidade, com prisões superlotadas, presos ociosos, doentes e tudo mais que se possa imaginar de degradação humana. Por mais brutais que tenham sido os crimes cometidos, o Estado não pode adotar o princípio da vingança e da destruição do outro.
Ainda não foi inventado um meio de se eliminar as prisões, para quem atenta contra a segurança dos indivíduos e dos seus bens. Lamenta-se que elas sejam usadas, principalmente, para internar quem comete crimes menores. É terrível constatar que elas abrigam, quase que somente, os mais escuros, pobres e menos letrados. E que estes sejam tratados de modo tão brutal. Sabe-se que nestes estabelecimentos reproduz-se a hierarquização externa. Os mais bem sucedidos, articulados e endinheirados conseguem privilégios. Os ‘pés-de-chinelo’ ficam sem nada.
As prisões são uma extensão da vida social, contendo um pouco de tudo que é encontrável no mundo externo. Dentro delas, vive-se a mesma sociedade, levada ao extremo e sob o controle direto do poder público, compartilhado com o poder paralelo do crime. Elas deveriam ser repensadas como verdadeiros espaços de ressocialização e, fundamentalmente, de trabalho e de estudo. A existência de inúmeros casos de ex-presos que conseguem abandonar a vida anterior prova que isto é possível. Não são novas, as tentativas bem-sucedidas de melhorar o espaço prisional. O elevado número de reincidências e de problemas gravíssimos na vida carcerária mostram a responsabilidade do poder público. O caso da menina do Pará ilustra o mesmo problema.
É difícil imaginar um mundo sem prisões, até porque existem pessoas soltas por aí que provocam mais danos sociais do que muitos dos que estão hoje na cadeia. Os responsáveis pela menina presa no Pará, por exemplo, deveriam estar no seu lugar. Se isto ocorresse, poder-se-ia viver em um mundo melhor. Como imaginar a existência de padrões mínimos de justiça social, se a corda nunca arrebenta na ponta puxada pelos maiores criminosos? Se não pode haver um mundo sem prisões, haveria de se pensar uma nova lógica para o uso destas. Elas deveriam ser transformadas em verdadeiros espaços de melhoria do ser humano. O mundo seria melhor sem nenhuma prisão e sem nenhum preso. Para isto, a renda teria que ser mais dividida. A propriedade da terra e dos imóveis urbanos deveriam ser reformadas. Os bens culturais realmente importantes teriam que ser mais socializados. Os direitos humanos e os princípios democráticos deveriam ser efetivamente respeitados, indo muito além da retórica de suas defesas. Assim poder-se-ia pensar na utopia de uma sociedade mais justa, onde nenhuma menina de 15 anos fosse para a cadeia, tendo que dividir e dividir-se com duas dezenas de homens adultos na mesma cela.
Luís Carlos Lopes é professor.


FALAM AMIGOS E AMIGAS


A professora Conceição Oliveira, de SP, me envia duas matérias, dos jornais A Tarde, de Salvador, e Folha de São Paulo, ambas com o mesmo teor: as incríveis mudanças que ocorreram entre os pedidos e as remessas dos livros didáticos...e todos, curiosamente, beneficiando uma editora só, aquela mesma cujo “consultor” nada mais é do que o ex-ministro da Educação de FHC, Paulo Renato... Transcrevo a matéria do A Tarde.

Fraude no Programa Nacional do Livro atinge escolas e professores
Jornal A Tarde (BA) - Deodato Alcântara 19.11.2007 15h52
O Programa Nacional do Livro, gerido pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), do Ministério da Educação e Cultura (MEC), executa quatro programas voltados ao fornecimento gratuito de livro didático para escolas estaduais e municipais. Só este ano foram adquiridos e estão sendo distribuídos 68,3 milhões de títulos para o ensino fundamental (Programa Nacional do Livro Didático - PNLD, da 5ª à 8ª série), e 14,4 milhões para o ensino médio (Programa Nacional do Livro Didático para o Ensino Médio - PNLEM, do 1º ao 3º ano), para uso a partir do ano que vem.
São R$ 968 milhões investidos nas cerca de 150 mil escolas desses dois níveis, segundo a coordenadora-geral dos programas do livro do FNDE, Sônia Schwartz. Catalogadas no censo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), essas instituições de ensino passaram, na virada do semestre, pelo processo de escolha dos livros que seus professores pretendem trabalhar em sala de aula. As obras oferecidas são títulos avaliados pelo MEC (no PNLD são 91 coleções de 15 editoras), que nas instituições passam pelo crivo dos professores antes de efetivado o pedido.
Durante o processo, há discussões com a respectiva Secretaria de Educação (municipal ou estadual), até que um representante da secretaria ou da direção da escola efetive o pedido ao MEC: em formulário pela internet (com senha fornecida via Correios pelo FNDE), ou formulário de papel que chega à escola também pelos Correios (encartado no Guia de Livros Didáticos, no qual constam etiquetas autocolantes com códigos de barras dos livros oferecidos). Segundo critérios do MEC, se for feito requerimento em duplicidade, via web e Correios, o da internet é descartado. Ao final do prazo para escolha, cabe ao FNDE negociar nas editoras, concretizar a compra e executar a distribuição.
Este ano, um número ainda não mensurado de escolas públicas vai receber até mesmo todos os títulos para o ano letivo de 2008 diferentes dos escolhidos por seus professores (a distribuição começou há menos de um mês e deve ser concluída até 10 de janeiro). Em pesquisa de apenas três dias no site do FNDE ( www.fnde.gov.br), A TARDE constatou pelo menos 350 pedidos adulterados em várias regiões do Estado, principalmente na capital, sudoeste e extremo sul, quase todos direcionando as compras do órgão à Editora Moderna, casos que tanto a empresa fornecedora quanto o MEC negam ter sido de má-fé.
Irregularidade - Tudo indica que a irregularidade teve início no primeiro semestre de 2007, quando o FNDE abriu o processo de escolha do livro didático. Em alguns municípios da Bahia, os formulários em papel não chegaram, a exemplo dos localizados no extremo sul: Teixeira de Freitas, Itabela, Nova Viçosa e Itamaraju, que foram obrigados a efetivar os pedidos via internet. "Os formulários de algumas regiões não chegaram à capital para ser distribuídos", afirmou um funcionário dos Correios, da Distribuição Grandes Empresas (agência Pituba), que pediu para não ser identificado.
Já em Salvador, muitas escolas receberam o formulário via Correios (acompanhado do livro guia e das etiquetas com códigos de barras). No entanto, em várias escolas esses kits desapareceram durante a greve dos professores, de maio a julho (período da escolha dos livros). Na apuração, A TARDE obteve cópias de pedidos originais, feitos via internet, nos quais os diretores das escolas fizeram questão de observar, de punho, que o formulário em papel e as etiquetas com os códigos de barras "sumiram dentro da secretaria". Isso aconteceu na Escola Estadual Suzana Imbassahy, no bairro de Macaúbas, cuja cópia do pedido via web é assinada pela presidente do Colegiado, Terezinha Pessoa, e professores.
Não adiantou o apelo de Terezinha: "Os professores (...) esperam que prevaleça a escolha feita, via internet, tendo em vista que as etiquetas foram extraviadas". A compra do MEC para a Escola Estadual Suzana Imbassahy, no entanto, foi efetivada com todos os títulos trocados, com base em um pedido via formulário de papel, onde consta como responsável Oledy de Azevedo Lima, moradora de Vitória da Conquista (a 509 km da capital): ao invés de Fazendo a diferença (matemática); Português e linguagens; História, sociedade e cidadania; Construindo o espaço (Geografia); e Ciências novo pensar, livros das editoras FTD, Saraiva, FTD, Ática e FTD, a escola vai receber outros títulos (130 livros), da Editora Moderna.
Na sede do município baiano de Araci há o caso do Colégio Estadual Imaculada Conceição, cuja cópia do pedido foi fornecida pela diretora, Selma Mota, assinado por sete professores participantes da escolha dos títulos. "Na semana da escolha do livro didático, ocorreu o desaparecimento do formulário fornecido pelo MEC", ressaltou.
Para surpresa dos diretores e professores das escolas, os formulários "sumidos" reapareceram ao final do processo de escolha, no site do FNDE, e se sobrepuseram aos pedidos via web, como prevê o regulamento do MEC. Centenas desses formulários (os já localizados por A TARDE) foram preenchidos em lotes de caligrafias quase idênticas. Há também casos de dez, 12 ou 15 formulários com nome e CPF da mesma pessoa, porém assinaturas muito diferentes, ou preenchidos com dados distintos, porém com a mesma caligrafia.
MUITOS CASOS - A TARDE localizou dezenas de pessoas cujos nomes constam nos documentos, quase todos professores de regiões diferentes das escolas cujos formulários de pedido de livros levam seus nomes. Afirmaram desconhecer a fraude. A TARDE detectou casos suspeitos em Sergipe, Alagoas e Minas Gerais, e a coordenadora-geral dos programas do livro didático, Sônia Schwartz, confirmou ter recebido queixa do Estado do Pará. Segundo ela, um cidadão foi ao Ministério Público local depois de ter descoberto que o nome dele foi usado em pedidos de livros para escolas com as quais não tem vínculo. "Por enquanto temos apenas 21 processos de investigação instaurados, alguns de queixas coletivas da mesma região", disse Sônia.
A mesma professora me envia esta outra matéria:

E ainda tem gente que diz que não adianta mobilizar-se contra o preconceito, a discriminação e sua veiculação.
Ministério Público neles!
Hoje escrevo com alegria, uma alegria de que a coletividade que valoriza a igualdade de direitos e o respeito à diversidade é capaz de construir uma nova sociedade civil neste país.
Vitória da mobilização da sociedade civil.
Muitos se mobilizaram, via rede
, aqui e aqui após assistirem ao programa. Muitos entraram em contato com a Procuradoria da República/ Ministério Público (no blog postei alguns dos mails de resposta do MP, veja aqui);

Muitos professores e estudantes que viram o vídeo nas oficinas de formação de professores que ministrei nos últimos meses também se indignaram e se manifestaram.

Os angolanos se manifestaram aqui no blog, por mail e nos ensinaram um pouco sobre a cultura de algumas das mais de 90 etnias que compõem Angola.
Enfim, a cidadania, o valor da igualdade de direitos e o respeito às diferenças se constroem quando todos temos os mesmos como bens caros e preciosos que devem ser preservados.grande abraço!Meu agradecimento também aos blogueiros e jornalistas que não estão cegos nem surdos.Em especial vejam esses links
:
grande abraço!
PS. Peço aos amigos que continuam mobilizados na luta que mandem para o meu mail pessoal toda e qualquer manifestação a respeito do tema, estou atualizando o blog e procurando manter lá um dossiê
.

Ministério Público Federal investiga programa por possível manifestação de preconceito
Segundo a procuradoria, houve denúncias sobre uma entrevista que abordava a questão de mulheres submetidas à cirurgia no clitóris na África e que comentários do apresentador podem ter manifestado preconceito em relação a hábitos e costumes culturais daquele continente.
As entidades que levaram a denúncia ao MPF acusam o programa de desrespeito a comunidades negras.
A representação está sob os cuidados da procuradora dos direitos do cidadão Márcia Morgado.
O MPF não informou a data exata na qual o programa foi ao ar, mas foi em 2007. A assessoria de imprensa do programa informou que não recebeu nenhuma notificação sobre o procedimento.

FALANDO DE HISTORIA

Rússia 1917, Espanha 1937: nascimento e morte de duas esperanças utópicas
(I)
Leia em http://www.espacoacademico.com.br/078/78carvalho.htm



BRASIL

Pois é…falaram tanto e olha aí o resultado das investigações: o tucanoduto realmente existiu e é a mesmíssima coisa que o tal “mensalão petista”. Na verdade, um e outro nada mais são do que o velho e conhecido Caixa 2, mas que muda de conceito dependendo da mídia. Como já insinuaram que este Boletim é defensor emérito do petismo – coisa, aliás, que nunca consegui entender direito, mas não vem ao caso – escolhi, dentro dezenas de possibilidades, dois artigos do blog do Josias, jornalista da Folha de São Paulo, jornal que, como todos sabemos, tem se esmerado na defesa dos tucanos paulistas. Pareceu-me o mais insuspeito para comentar o assunto. Em seguida, temos artigo do blog Conversa Afiada, do Paulo Henrique Amorim, em que ele faz alguns questionamentos bem pertinentes a respeito da peça entregue pelo procurador ao STF.

Denúncia do procurador dobra o bico dos tucanos

Nem FHC nem Serra nem Aécio. A grande estrela do 3o Congresso do PSDB é o procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza. A denúncia do tucanoduto trovejou sobre a festa do PSDB num instante em que o partido preparava-se para pôr o bico no trombone.

Planejara-se, por exemplo, demarcar as “diferenças” entre o PSDB e o PT na seara ética. Em documentos preparatórios, o PSDB mencionara a corrupção da era petista como parte da “herança nefasta” que será deixada por Lula. O procurador-geral tratou de chamar o feito à ordem, como dizem os advogados.

O grande protagonista da denúncia do Ministério Público (íntegra
aqui) é o senador Eduardo Azeredo, ex-governador de Minas e ex-presidente nacional do PSDB. Antonio Fernando acusa-o de ter constituído um pé-de-meia eleitoral espúrio na campanha de 1998, quando tentava reeleger-se governador mineiro.

O procurador-geral, bem a seu estilo, vale-se de vocábulos fortes, inequívocos. Refere-se às arcas de Azeredo como “esquema criminoso” de financiamento de campanha eleitoral. O envolvimento do senador é, na expressão de Antonio Fernando, “comprovado”. Diz que a verba espúria teve três origens:

1) “Desvio de recursos públicos do Estado de Minas Gerais, diretamente ou tendo como fonte empresas estatais”;

2) “Repasse de verbas de empresas privadas com interesses econômicos perante o Estado de Minas Gerais, notadamente empreiteiras e bancos, por intermédio da engrenagem ilícita” arquitetada, entre outros, por Marcos Valério;

3) “Utilização dos serviços profissionais e remunerados de lavagem de dinheiro”, operados, entre outros, por Valério e seus sócios, “em conjunto com o Banco Rural [sempre ele], para garantir uma aparência de legalidade às operações [...], inviabilizando a identificação da origem e natureza dos recursos”.

Logo que o tucanoduto ganhou o noticiário, em 2005, nas pegadas das denúncias sobre o mensalão do governo petista, o PSDB alegara que uma coisa era uma coisa e outra coisa era outra coisa. Segundo o grão-tucanato, Azeredo fizera caixa dois, enquanto que Lula e o PT haviam desviado verbas
públicas.

Noves fora o fato de que caixa dois também é crime, Antonio Fernando tratou de demonstrar que a coisa foi muito além. Nem menciona o problema das arcas paralelas. Trata de crimes como peculato, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

Demonstra, de resto, que foram borrifadas na contabilidade eleitoral de Azeredo pelo menos R$ 3,5 milhões em verbas públicas. Distribui assim a tunga: R$ 1,5 milhão da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais); R$ 1,5 milhão da Comig (Companhia Mineradora de Minas Gerais); e R$ 500 mil do Bemge (Banco do Estado de Minas Gerais).

Datada de terça-feira (20), a denúncia de Antonio Fernando foi protocolada no STF na quarta (21). E, para desassossego do PSDB, veio a público nesta quinta (22), mesmo dia em que o partido inicia o seu 3o Congresso. O tucanato paga com atraso a fatura de sua própria leniência. Dispensou a Azeredo um tratamento semelhante ao dispensado por Lula aos seus aloprados. Passou-lhe a mão sobre a cabeça e esquivou-se de puni-lo. Difícil ostentar agora o discurso da diferença ética.

Escrito por Josias de Souza às 17h14

Denúncia do tucanoduto encrenca barão do patronato
O nome dele é Clésio Andrade. Preside uma das mais poderosas casas do sindicalismo patronal: a CNT (Confederação Nacional dos transportes). Em 1998, foi à chapa do tucano Eduardo Azeredo como candidato a vice-governador de Minas. Indicou-o o PFL, hoje rebatizado de DEM. Segundo a denúncia do procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza, as digitais de Clésio Andrade estão impressas no tucanoduto desde os primórdios do “esquema criminoso.”

O procurador-geral anota em sua peça que, “no início do ano de 1996, as empresas [de publicidade] comandadas por Cristiano Paz e Ramon Hollerbach encontravam-se em dificuldades financeiras.” Os dois empresários incumbiram Marcos Valério [sempre ele] de encontrar um novo sócio para uma das firmas, a SMP&B, a mesma que, em 2005, estrelaria o escândalo do mensalão petista.

Valério jamais aturara no ramo publicitário. “Era um especialista na área financeira.” Segundo o Ministério Público, ajudou Cristiano Paz e Ramon Hollerbach a estruturar “uma empresa que, sob o manto formal de atuação na área de comunicação e publicidade, representava de fato uma empresa voltada principalmente para o ramo de lavagem de ativos financeiros. Essa atividade criminosa era desenvolvida em consórcio com instituições financeiras, notadamente o Banco Rural”.

Ainda de acordo com o procurador-geral, “identificou Clésio Andrade como o sócio perfeito.” Por que? “Empresário bem sucedido e com vários contatos políticos, especialmente no Estado de Minas Gerais, ele teria condições de alavancar os negócios de Cristiano Paz e Ramon Hollerbach”.

De início, Clésio torceu o nariz pra a sociedade proposta por Valério. O passivo da SMP&B “era enorme”. No curso das negociações, encontrou-se, porém, uma saída: decidiu-se criar uma nova empresa, a SMP&B Comunicação Ltda, “livre das dívidas da SMP&B Publicidade Ltda”. Clésio exigiu que Valério também participasse como sócio da nova empreitada.

Diz Antonio Fernando em sua denúncia: “Assim, tem início a parceria que resultaria, já em 1998, no desvio de pelo menos R$ 3,5 milhões dos cofres públicos do Estado de Minas Gerais para a campanha de reeleição de Eduardo Azeredo, tendo como candidato a vice Clésio Andrade, e, anos mais tarde, nos fatos descritos na denúncia oferecida no inquérito n.º 2245”, o caso da quadrilha dos 40 do mensalão petista.

Clésio Andrade passou a figurar como sócio da nova SMP&B por meio da C.S. Andrade Participações (40%). Valério ingressou na sociedade com 10%. Ouvido no curso das investigações, Clésio Andrade disse que não tinha participação na gestão da empresa publicitária. Lorota. De acordo com o procurador-geral, um diretor da empresa do acusado participava diretamente da administração da agência.

Decorridos cerca de dois anos do ingresso de Clésio Andrade e Marcos Valério na SMP&B, “inicia-se a montagem do esquema que viabilizou o criminoso financiamento da campanha eleitoral” da chapa Azeredo/Clésio. Um esquema que, segundo o procurador-geral, funcionou assim:

1) desvio de recursos públicos do Estado de Minas Gerais, diretamente ou tendo como fonte empresas estatais;

2) repasse de verbas de empresas privadas com interesses econômicos perante o Estado de Minas Gerais, notadamente empreiteiras e bancos, por intermédio da engrenagem ilícita arquitetada por Clésio Andrade, Cristiano Paz, Ramon Hollerbach e Marcos Valério, em conjunto com o Banco Rural;

3) utilização dos serviços profissionais e remunerados de lavagem de dinheiro operados por Clésio Andrade, Cristiano Paz, Ramon Hollerbach e Marcos Valério, em conjunto com o Banco Rural, para garantir uma aparência de legalidade às operações referidas anteriormente, inviabilizando a identificação da origem e natureza dos recursos.

À frente da CNT, Clésio Andrade costuma fustigar o governo. No início deste mês de novembro, baseando-se em dados coletados por sua confederação, ele reclamou da má conservação das rodovias: “Não se pode construir um país da magnitude do Brasil apenas com postos de pedágios, sem fortes investimentos públicos no aprimoramento das condições das rodovias federais”, escreveu, num texto veiculado no portal da CNT.
Cabe a pergunta: como construir um país em meio a esquemas que desviam dinheiro público para arcas espúrias de campanhas eleitorais?
Escrito por Josias de Souza às 20h37


MENSALÃO TUCANO: DANTAS NAS DUAS PONTAS
Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas 763
. O Procurador Geral da República enviou ao Ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, denúncia contra 15 pessoas do mensalão tucano de Minas Gerais, que o PIG chama de “mensalão mineiro”.
. Trata-se do mensalão tucano, porque diz respeito à lavagem de dinheiro e ao peculato cometidos para beneficiar o senador tucano Eduardo Azeredo, então governador de Minas e candidato à reeleição.
. Para beneficiar também o candidato a vice (derrotado) de Eduardo Azeredo e vice do governador tucano Aécio Neves, no primeiro mandato, de 2003 a 2007, Clésio Andrade.
. Portanto, a fina flor do tucanato: Eduardo Azeredo e Aécio Neves.
. Outro envolvido até os dentes é Walfrido Mares Guia, chefe da tesouraria da campanha de Eduardo Azeredo, e hoje Ministro do Governo Lula (aparentemente demissionário).
. Mares Guia, porém, não retira da denúncia seu caráter central: foi um crime para beneficiar um tucano.
. Quer dizer, se houve mensalão ou quadrilha, foi para beneficiar uma operação tucana.
. Da mesma maneira, a denúncia parte da premissa (incompleta, como se verá) de que o dinheiro do “valerioduto” vinha de fontes estatais.
. No caso do mensalão tucano, o dinheiro provinha de duas empresas controladas pelo governo tucano de Minas Gerais: Copasa e Cemig.
. Portanto, era “tucano que roubava tucano” – se se pode usar esse verbo ao tratar de seres imaculados, como os tucanos.
. Vale a pena lembrar que a Cemig foi dada na bacia das almas – no “avanço” tucano da privatização – a um grupo de empresários, entre eles, e sobretudo ... DANIEL DANTAS, do Banco Opportunity.
. Portanto, a Cemig era estatal, “pero no mucho”.
. Com 33% das ações com direito a voto, os capitais privados controlaram a empresa, a partir de maio de 1997.
. A campanha para governador estava nas ruas.
. E o candidato de oposição - finalmente vencedor -, Itamar Franco, anunciou que ia acabar com aquela falcatrua.
. O representante de Daniel Dantas na Cemig era Elena Landau.
. A Cemig foi “vendida” a Daniel Dantas e a duas empresas americanas, Southern Electric e AES, com o apoio inestimável do então presidente do BNDES, Luiz Carlos Mendonça de Barros.
. Quer dizer, tucano é o que não falta no “mensalão dos mineiros” ...
. Quem mandou todos eles embora foi o grande presidente Itamar Franco, quando derrotou Eduardo Azeredo e assumiu o Governo de Minas.
(Clique aqui para ler que Itamar Franco considera que a venda da Cemig por Eduardo Azeredo foi uma operação escusa, e não era ele, Azeredo, quem mandava na empresa)
. Vamos agora tratar do que o Procurador Geral não disse ao Ministro Barbosa:
1) Ele diz que Marcos Valério não era publicitário, mas um operador financeiro, que usou uma empresa de publicidade para “financiar” Eduardo Azeredo, porque em agências de publicidade “tudo pode”, quer dizer não fica rastro, não se paga CPMF ...
2) Por que a operação de Marcos Valério para os tucanos é uma operação financeira para lavar dinheiro e para os petistas é para montar o mensalão de apoio do Governo Lula (ainda mais que bancos envolvidos são os mesmos, Rural e Bemge)?
3) O Procurador Geral não disse ao Ministro Barbosa que desde julho de 1998 o maior cliente da empresa de “publicidade” de Marcos Valerio (a SMP&B) foi a Telemig do empresário Daniel Dantas. (*)
4) Exatamente no auge da campanha de Eduardo Azeredo.
5) Que em poucos meses o faturamento da SMP&B se multiplicou por 10.
6) Que no auge da denúncia do “mensalão” apareceram umas notas fiscais da SPM&B queimadas – e a maioria das notas fiscais era da Telemig...
7) Que o Procurador Geral procura o que quer achar: no caso do mensalão dos tucanos, ele não estabelece o vínculo óbvio entre a empresa de “publicidade” de Marcos Valerio com a origem dos recursos da campanha do tucano Eduardo Azeredo; assim como no caso do mensalão dos petistas, ele acha que todo o dinheiro do “valerioduto” veio de fontes estatais, a Visanet.
8) Quem continuava a ser o maior cliente da SMP&B – no mensalão tucano e petista ? A Telemig ...
9) E por que a Telemig precisava fazer tanta publicidade ? “Publicidade” ?
10) Finalmente, o Procurador Geral se esqueceu de informar ao Ministro Barbosa sobre algumas “empresas privadas” que aparecem na denúncia. Senão, vejamos: pág. 14: “Além do desvio de recursos públicos do Estado de Minas Gerais, diretamente ou por meio de empresas estatais, EMPRESAS PRIVADAS, com interesses econômicos perante o referido Estado puderam valer-se do esquema disponibilizado pelo grupo para repassar clandestinamente valores para a campanha eleitoral”; e, pág. 16: “b) empréstimos fictícios obtidos por empresas de Clésio Andrade, Marcos Valério, Ramon Hollerbach e Cristiano Paz em favor da campanha, cujo adimplemento seria com recursos públicos ou oriundos de EMPRESAS PRIVADAS interessadas economicamente no Estado de Minas Gearias (peculato e lavagem).” Também na pág. 59, o Procurador fala em “c) recursos públicos ou valores advindos de EMPRESAS PRIVADAS com interesses econômicos perante o estado de Minas Gerais eram empregados para quitar o empréstimo”.
11) Por que o Procurador Geral não levantou a hipótese de, talvez, por acaso, por ventura, Daniel Dantas estar nas duas pontas do processo: na Cemig e na SMP&B ?
. Ou o procurador só procura o que quer achar ?
. Procurador, que EMPRESAS PRIVADAS são essas ? O Ministro Barbosa não precisa saber ? Nem o distinto público ?
. A menos que, no futuro, o Procurador tenha tempo para fazer outras denúncias.
. É o que ele dá a entender na pág 38 da denúncia: “Todas as provas coletadas na fase pré processual revelam que o esquema verificado em Minas Gerais no ano de 1998, para financiar clandestinamente a disputa eleitoral, foi planejado e executado, sem prejuízo do envolvimento de outras (DENUNCIADAS NESSE MOMENTO OU NÃO) ...”
. Diante de tantas lacunas na denúncia do Procurador Geral, o Conversa Afiada tomou a liberdade de encaminhar esse M&M ao Ministro Joaquim Barbosa.
Às 18h15, por meio da secretária Marlene, o chefe-de-gabinete do Ministro Barbosa, Marco Aurélio Lúcio, confirmou o recebimento do e-mail.


NUESTRA AMERICA

A controvérsia envolvendo o presidente Chavez, da Venezuela, continua. Boaventura Santos, no site da Agência Carta Maior esclarece o que a frase do rei revela; Carlos Azevedo, do Correio Caros Amigos tenta entender quais as razões de tanta animosidade contra o presidente venezuelano e Luiz Carlos Azenha, na revista NovaE (contribuição do Guilherme Souto) procura desvendar o que está por trás dessa coisa toda.
Há também dois artigos sobre as mudanças constitucionais na Bolívia e no Equador e os problemas gerados. E um sobre a nova reeleição na Colômbia... mas como, a nossa imprensa não vai criticar isso????


1. Boaventura de Sousa Santos
por Carlos Azevedo
O rei de Espanha mandou o presidente da Venezuela calar-se. A euforia tomou conta de todas as direitas, mas também deixou confusa muita gente boa. O que Chávez havia dito durante a Conferência da Comunidade dos Países Íbero-americanos? Que o ex primeiro-ministro espanhol, Aznar, é um fascista. O atual primeiro ministro da Espanha, Zapatero tomou a palavra para dizer que, embora tendo grandes divergências políticas com Aznar, achava que ele devia ser tratado com respeito. Zapatero não podia fazer diferente, tinha que se manifestar, porque sabia que seria cobrado na Espanha se houvesse se mantido em silêncio diante da crítica pública de Chávez. O que fez Chávez enquanto Zapatero falava? Mesmo tendo o som cortado, continuou a falar paralelamente, interrompendo Zapatero, insistindo em seus argumentos contra Aznar, lembrando que este havia apoiado o golpe de Estado que derrubou Chávez do poder por dois dias em 2002 (por ordem de Aznar o embaixador da Espanha foi o primeiro a reconhecer o governo golpista)... Chávez estava cheio de razão, mas, como muitas vezes, foi impulsivo, deselegante, infringindo a etiqueta da diplomacia etc. Nesse momento, impaciente, o rei Juan Carlos exclamou: “por que não se cala?” A imprensa das classes dominantes do Brasil exultou e aproveitou para achincalhar Chávez mais uma vez.
Por que tanta animosidade contra Chávez? Vejamos: quando Chávez foi eleito presidente da República pela primeira vez, em 1998, a Venezuela estava em falência política, suas classes dominantes, mergulhadas em profunda corrupção, desmoralizadas, não conseguiam mais governar. A maior riqueza do país, o petróleo, entregue às multinacionais de petróleo americanas, era partilhada por estas com as elites tradicionais e a alta classe média, ambas americanizadas, vivendo mais nos Estados Unidos que em seu país, seus filhos indo em massa estudar na Flórida, falando mais inglês que espanhol, acostumados todos a ver a Venezuela como uma fazenda de onde extraiam sua boa vida.
A Venezuela é o terceiro maior produtor de petróleo do mundo e exporta a maior parte da produção para os Estados Unidos. Chávez começou por questionar a dominação americana sobre o petróleo. Procurou fortalecer a capacidade de negociação da PDVSA (a empresa estatal venezuelana) com as multis. Além disso, constatando que as políticas das grandes potências haviam levado à redução brutal do preço internacional do petróleo (chegou a menos de 20 dólares o barril de 60 litros, isto é, petróleo estava mais barato que água mineral), assumiu a presidência da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e desenvolveu uma política de valorização do preço do óleo. Isso causou ódio e remordimento nos Estados Unidos e nos outros países ricos.
Chávez também tratou de retirar das classes dominantes locais parte dos benefícios que recebiam do petróleo para poder investir na melhoria de condição de vida da população trabalhadora, especialmente em educação, saúde, alimentação, habitação. Isso enfureceu os velhos setores dominantes venezuelanos. Também o governo direitista espanhol, então comandado por Aznar, se incomodava. Porque a Espanha, ainda que há muito derrubada de sua condição de potência colonialista na América Latina, mantém grandes investimentos e desenvolve grande influência política por aqui, na condição de país sub-imperialista. Os americanos, auxiliados pelo governo de Aznar, conspiraram com as classes dominantes locais pela derrubada de Chávez em 2002. Deram o golpe, mas não levaram, impedidos por um levante popular associado a uma tomada de posição de parte das forças armadas em favor legalidade. Chávez reassumiu tendo muito mais clareza de quem eram e como atuavam os inimigos do povo venezuelano.
Aprofundou sua política de nacionalização do petróleo e de destinar os benefícios dessa riqueza para os mais pobres. Sabendo o tamanho da ameaça, tratou também de fortalecer as forças armadas venezuelanas, comprando armas para melhorar a qualidade da defesa do país, vizinho de uma super-armada e pró-americana Colômbia e de várias bases militares dos Estados Unidos. Como diz o velho ditado, “bobo é quem pensa que o inimigo dorme”. Chávez também mudou as leis do país, promoveu a elaboração de uma nova Constituição, reformou a Justiça e o Parlamento, reforçando a participação popular.
Por tudo isso, Chávez é acusado de ditatorial. O interessante é que todas as mudanças promovidas por Chávez foram feitas à partir de eleições, plebiscitos e consultas à população. Desde 1998 realizaram-se dez eleições e plebiscitos no país. Nenhum governo em tempos atuais consultou tão freqüentemente a população como o venezuelano. Eleições cuja lisura não foi contestada por observadores internacionais. Chávez ganhou todas e por larga margem. A oposição golpista, decidida a desmoralizar o regime político do país, esteve ausente de uma eleição. Comandou a abstenção, mas o povo votou em massa em Chávez e em seus candidatos ao Congresso. Resultado, com esse ato estúpido, apolítico, a oposição ficou sem representação nos poderes da República. E depois, saiu acusando Chávez de ditatorial.Certamente Chávez tem lá seus defeitos. Mas para se adotar uma posição madura sobre ele e seu governo, para ver com clareza no meio desse tiroteio é preciso levar em conta o principal.
Registro três aspectos:
1)Trata-se de um governo antiimperialista, construindo a independência de seu país e, por isso, um poderoso aliado de todos os povos latino-americanos na luta contra as políticas imperiais que nos empobrecem e mantêm dependentes. O Brasil e todos os outros países do continente têm sido beneficiados pelas posições e políticas do governo de Chávez.
2) Também é preciso ver que ele vem promovendo políticas de melhoria das condições de vida da população trabalhadora e mais pobre da Venezuela e estimulando seu desenvolvimento econômico.
3) Todas as grandes decisões de governo têm sido respaldadas em eleições legítimas. Atualmente, a irritação oligárquica contra Chávez alcança um novo ápice. Isso porque seu governo está propondo uma nova reforma constitucional. Uma das propostas é ampliar a possibilidade de reeleição do presidente da República. O povo venezuelano vai votar livremente e dizer se apóia ou não essa proposta. Se apoiar, Chávez poderá se reelegr outras vezes. E o povo venezuelano irá conferir no futuro se tomou uma decisão acertada ou não. É seu direito, é sua responsabilidade. Isso é democracia, é ou não é?
Ou democracia é comprar deputados e fazer passar uma emenda à Constituição no Congresso para permitir a reeleição do presidente, sem consultar a população, como fez FHC mudando a regra do jogo para ganhar um novo mandato em 1998? Isso é democracia ou é golpe? É golpe. Mas para a imprensa oligárquica FHC é o democrata impoluto. E Chávez é que é ditador? Poupem-nos de tanta hipocrisia!
Carlos Azevedo é jornalista

3. É o gás, estúpido!
Da revista NovaE

Luiz Carlos Azenha
Um leitor reclama que sou contra Chávez e a favor dos colonizadores. Não é bem assim. Acho que o Chávez fala mais do que deveria. Poderia fazer tudo o que faz sem dar à mídia internacional, que quer a cabeça dele, a chance de isolá-lo.
Lula vai visitar Fidel Castro na semana que vem. Seria bom que pedisse ao mentor de Chávez que aconselhasse o venezuelano a "baixar" a bola. Isso não se faz em público. Deve ser feito na quietude, na maciota, na linguagem cifrada tão cara à diplomacia brasileira, que é boa de bola.
Outra amiga, ítalo-brasileira, me liga para saber se estou com Zapatero - o primeiro-ministro do Partido Socialista espanhol - ou com Chávez. O debate entre eles, no encerramento da Cúpula Iberoamericana, esquentou o sangue de Vossa Majestade, que saiu apontando o dedo e dando ordens ao súdito.
Zapatero-Chávez é a falsa polêmica. Zapatero fez média com o antecessor, de quem vem apanhando feio através da mídia espanhola, que é francamente (sem trocadilho) favorável ao Partido Popular, de José Maria Aznar. Zapatero defendeu o adversário político, que Chávez chamou de fascista, para dar satisfação aos espanhóis, para "defender a honra" espanhola.
Aznar, se vocês não sabem, é muito bem articulado. Com a Coroa espanhola, com a Igreja Católica, com George Bush, com Fernando Henrique Cardoso. O Partido Popular, que ele dirige, tem um discurso velado para não ofender a sensibilidade dos eleitores centristas da Espanha. Mas, trocando em miúdos, está na onda européia do momento: xenofobia, defesa do catolicismo e do Ocidente contra o Oriente dos "bárbaros" muçulmanos, chineses e assim por diante.
Se vocês fizerem uma necropsia nos discursos de Aznar, vão descobrir traços comuns com os de vários partidos do mundo, inclusive com uma facção do PSDB brasileiro, a de Geraldo Alckmin. Ou com o discurso do Jornal da Globo. Ou com o que a TV Globo prega, o que é sinistro para uma emissora que fala a tantos mestiços, negros e pobres. É tradição, família e propriedade. É nós contra eles. No Brasil, nós do asfalto contra "eles" do morro; nós do Sul Maravilha contra "eles", que sustentam o governo em troca de esmola; nós, educados em Yale, contra "eles", a mestiçagem que sobe pelo elevador de serviço e dorme no quarto de empregada. Quando alguém aponta para esse discurso que, francamente (sem trocadilho) tem tons racistas e integralistas, eles se defendem dizendo que tem gente incitando à LUTA DE CLASSES.
Hoje as pessoas que procuram fontes de informação fora do Brasil sabem que a grande mídia brasileira omite, deturpa e manipula as informações sobre a Venezuela. Descaradamente. É como se estivesse em campanha eleitoral. Qual é o sentido disso, se os brasileiros não vão votar no plebiscito de 2 de dezembro, na Venezuela? O povo não é bobo, nem a Rede Globo. O objetivo concreto é evitar a entrada da Venezuela no Mercosul.
Quem não quer a Venezuela no Mercosul? Os Estados Unidos, com certeza. As empresas representadas por Aznar também não. Eles são idiotas? Não. Pensam lá na frente. A Venezuela no Mercosul fortalece as posições do bloco nas negociações econômicas com a União Européia e os Estados Unidos. Abre de novo a porta para a ALCA, ou pelo menos para um acordo comercial americano com o Brasil se o PSDB reassumir o poder em 2010.
Se eles estivessem MESMO preocupados com a democracia, estariam fazendo discursos no Congresso, publicando capas de revista e pedindo a cabeça TAMBÉM do ditador paquistanês Pervez Musharraf, que prendeu advogados, oposicionistas e colocou uma aliada americana em prisão domiciliar. O ditador Musharraf é chamado de presidente. Não tem campanha na mídia contra ele. Nem contra os reis "democratas" da Arábia Saudita. Eles são NOSSOS, entenderam?
Esse pessoal pensa longe. A turma que governou com Bush começou a "tramar" lá atrás. Ainda no governo Clinton já tinha escrito e divulgado um documento batizado de " Projeto para Um Século Americano", que prega a hegemonia americana em terra, no mar, no ar e no espaço. Assinaram o documento muitos daqueles que assumiram o poder com Bush, inclusive o ex-secretário de defesa Donald Rumsfeld.
Antes da ocupação do Iraque, lembrem-se que Rumsfeld foi porta-voz da divisão da Europa entre "velha Europa" (a que não apoiou a ocupação americana) e a "nova Europa" (Espanha, então governada por Aznar, Portugal, Polônia e outros países do leste europeu que trocaram apoio à guerra por proteção americana contra os russos e vantagens comerciais).
Quem mandou tropas para o Iraque, depois da tremenda pressão exercida pelos Estados Unidos em todo o mundo, para formar aquela coalizão meia boca? Tony Blair e José Maria Aznar.
Os europeus, em geral, não caíram naquele engodo de Europa velha vs. Europa nova, porque torpedeava a União Européia e enfraquecia o poder de barganha dela diante dos Estados Unidos.
Muitos dos brasileiros estão caindo no engodo do discurso que divide os líderes da América Latina entre "mocinhos" e "bandidos", um discurso formulado no Departamento de Estado do governo Bush. É o dividir para governar, em versão recauchutada, que abastece a artilharia da máquina de propaganda. "Época" e "Veja" dedicaram capa ao Chávez uma em seguida à outra, às vésperas da Cúpula Iberoamericana. Não acho que tenha sido por acaso. O objetivo é causar constrangimento, afastar Lula cada vez mais de Chávez e bombardear a entrada da Venezuela no Mercosul.
O que os americanos tentaram com a Europa - e não deu certo - agora patrocinam na América Latina, desta vez com apoio da turma do Aznar, de facções do PSDB e de oligarcas brasileiros. Será que são doidos? Não, ninguém dá tiro no pé. Grupos espanhóis têm grandes interesses econômicos na região, em parceria com grupos locais. Os americanos querem o petróleo da Venezuela, do Equador e o gás boliviano.
Que americanos? As grandes companhias de petróleo, que a dupla Bush-Cheney representa na Casa Branca. Essas empresas têm trilhões de dólares investidos em infraestrutura. Os Estados Unidos importam petróleo e gás. Tornam-se cada vez mais reféns do fornecimento externo. Gastam mais, por ano, do que é descoberto. E as novas descobertas acontecem em regiões que eles (ainda) não controlam politicamente.
O que representa Hugo Chávez? Um Mussolini mameluco, como definiu o Estadão? Isso é propaganda, gente. Chávez tem falado em uma OPEP do gás, que juntaria a Venezuela, a Bolívia, o Irã e quem sabe a Rússia. Essa OPEP do gás controlaria mais da metade da produção de gás do planeta. Chávez e Morales não querem entregar os recursos de seus países de graça.
O gás ganha importância na matriz energética americana. Olhem o mapa dos terminais de reconversão de gás liquefeito para produzir energia. Não estamos falando de meia dúzia de lâmpadas. É energia essencial para a indústria americana:


Olhem aí a origem do gás importado pelos Estados Unidos:



Pensem comigo: as gigantes do petróleo vão descartar a infraestrutura de trilhões de dólares que levou um século para ser construidá, da noite para o dia? Não. Vão brigar pelas gotas de petróleo e pelo direito de explorar, do jeito mais lucrativo para elas, as reservas de gás estejam onde estiverem. Ninguém menos que o vice-presidente americano Dick Cheney foi à China fazer lobby pela ExxonMobil na disputa para fornecer gás aos chineses, num negócio que envolvia o Qatar, protetorado americano no Golfo Pérsico.
Os Estados Unidos estão no Iraque para promover a democracia? Tenham dó. Os americanos queimam 15 mil litros de gasolina POR SEGUNDO e agora controlam território onde existem grandes reservas de petróleo, que praticamente brota da terra, levíssimo, de custo de refino baixíssimo em relação, por exemplo, ao da Venezuela. Na "big picture", para os financiadores de Bush, o que representam 5 mil soldados mortos?
As empresas de petróleo passaram a investir cada vez mais em gás, que antes era praticamente descartado por causa da dificuldade de lidar com o produto e da falta de tecnologia para transportá-lo e transformá-lo. Essas empresas não existem no mundo da fantasia, nem em teorias conspiratórias. Elas são grandes. Elas tem acionistas. Elas bancam termelétricas que queimam gás. Elas querem lucrar. Os executivos delas existem fisicamente. Eles contratam lobistas. Eles são representados em governos. Eles olham para o mundo e não gostam do que enxergam no futuro: precisam de acesso ao petróleo e gás, mas ele é propriedade estatal no Oriente Médio e, pior ainda, nas proximidades do maior e mais lucrativo mercado de energia do mundo, os Estados Unidos: Bolívia, Venezuela e Equador, os dois últimos integrantes da OPEP.
O gás da Venezuela é o mais próximo do mercado americano. É liqüefeito e transportado em navios-tanque para os Estados Unidos, para ser reprocessado. Antes de queimar biomassa ou biocombustível, anotem aí, teremos o auge do gás, para produção de eletricidade. Ou vocês acham que os americanos vão apagar as luzes, como os brasileiros fizeram, para economizar?
Qual era o plano do antecessor de Evo Morales, Sanchez de Lozada, que foi eleito na Bolívia com apoio de marqueteiros americanos e agora está exilado nos Estados Unidos? Fazer um acordo com o Chile, inimigo histórico dos bolivianos - por ter tomado o acesso da Bolívia ao mar - e exportar gás para os Estados Unidos, em navios-tanque. Essa idéia inflamou tanto os nacionalistas que o apóstolo do neoliberalismo foi expulso da Bolívia. O governo Morales pediu aos Estados Unidos a extradição de Lozada, por conta da repressão aos protestos que resultaram na morte de dezenas de pessoas. Pergunto: vocês acreditam que Washington vai entregar o "parceiro"? Depende da recompensa.
Olhem agora os mapas: o gás da Bolívia abasteceria a costa Oeste dos Estados Unidos. E o gás da Venezuela já abastece parte da costa Leste dos Estados Unidos.




Ou seja, enquanto a mídia brasileira fica discutindo as picuinhas, informando a você que agora tem um toque de celular com o rei da Espanha mandando Chávez calar a boca, não te conta o essencial, não te diz nada sobre os verdadeiros motivos da disputa. Poderia até tomar partido, como faz. Mas se você fosse informado dos grandes interesses econômicos que se movem nos bastidores, iria compreender que, ao Brasil, interessa ter a Venezuela no Mercosul, até porque amarra Chávez a tratados regionais. Ele poderá espernear à vontade, mas terá que decidir em grupo.
Porém, a eficaz máquina dos Mesquita, dos Civita, dos Frias e dos Marinho está a serviço das grandes empresas, sejam elas espanholas ou americanas. Notem que os sobrenomes dos controladores da grande mídia brasileira não são de mamelucos, nem de cafuzos. Quando eles precisam de algum mameluco, negro, cafuzo ou árabe, eles alugam, desde que repita o discurso da superioridade da turma que habita o topo do PIB brasileiro, que por acaso é branca e veio da Europa. Se não veio, vive mentalmente lá ou em Miami.
Não é mentira do Chávez, quando ele diz que há um grupo de ex-presidentes no circuito internacional de palestras repetindo a mesma ladainha: além de Aznar, o peruano Alejando Toledo, o mexicano Vicente Fox e o brasileiro Fernando Henrique Cardoso, cada um usando seus próprios argumentos.
Eu lhes pergunto: se o Hugo Chávez fosse presidente do Paraguai, alguém se importaria com ele? Quanto o Paraguai produz de petróleo e gás? Eu juro por Deus que este gráfico, da produção de petróleo do Paraguai, foi tirado do Livro da Central de Inteligência Americana sobre fatos do mundo, o "CIA World Factbook". Reflete, em milhares de barris por ano, a produção paraguaia de petróleo, de 1980 a 2004: ZERO.





4.
Morales acusa opositores por distúrbios e mortes na BolíviaApós aprovação do “texto geral” da nova Constituição, onda de violência toma conta de Sucre, sede da Assembléia. Pelo menos três pessoas morreram. Presidente Evo Morales aponta ação de grupos opositores e pede investigação. > LEIA MAIS Internacional 26/11/2007


4. No Equador, oposição também se mobiliza contra Constituinte
5. Uribe cogita nova reeleição na Colômbia. Nossa mídia o contestará?
NOTICIAS

1. Os Intelectuais da Educação e os Debates Sobre a Escola Pública
Miguel Gonzáles Arroyo possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (1970) , mestrado em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais (1974) , doutorado em Educação pela Stanford University (1976) e pos-doutorado pela Universidad Complutense de Madrid (1991) . Atualmente é Professor de Pós-Graduação Lato Sensu da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e Professor Titular do Instituto Superior de Estudos Pedagógicos. Tem experiência na área de Educação , com ênfase em Administração Educacional. Atuando principalmente nos seguintes temas: POLITICA EDUCACIONAL, TRABALHADOR, EDUCAÇÃO.
Conferencista: Prof. Dr. Miguel Gonzáles Arroyo / UFMG
Data: 29/11, às 19:00 horas. Auditório da Faculdade de Educação da UFMG
Lembrando que o evento é totalmente aberto ao público, e há emissão de certificado de participação.

2. FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS/UFT
CONCURSO PÚBLICO PARA PROVIMENTO DE VAGAS NO CARGO DE PROFESSOR ASSISTENTE E PROFESSOR ADJUNTO NA AREA DE HISTÓRIA

1 - Área: História Moderna
Titulação mínima: Mestrado em História

2 - Área: História da África
Titulação mínima: Mestrado em História

3 – Prática de Ensino
Titulação mínima: Mestrado em História

4 - Área: História do Brasil Império
Titulação mínima: Doutorado em História

5 - Área: História do Brasil República
Titulação mínima: Doutorado em História

A Inscrição será realizada, exclusivamente, via internet, no endereço eletrônico http://www.uft.edu.br, no período compreendido entre 8 horas do dia 23 de novembro de 2007 e 22 horas do dia 10 de dezembro de 2007, observado o horário de Palmas – TO.
Data das provas: 12 a 16 de dezembro de 2007.
Veja o edital completo na pagina da UFT: http://www.uft.edu.br


3. Uma delegação de 34 pessoas vai representar Portugal no I Encontro da Rede Internacional de Municípios pela Cultura, entre os dias 28 de novembro e 1° de dezembro, na histórica cidade mineira de São João del Rei, capital brasileira da Cultura 2007.
O Alentejo vai estar em destaque com a apresentação de dois grupos de música da região de Serpa: "Rancho dos Cantadores de Aldeia Nova de São Bento" e "Os Alentejanos".
Os participantes do evento poderão assistir também a um show luso-brasileiro-espanhol, em que a viola campaniça portuguesa, nas mãos de Pedro Mestre, se encontra com a viola caipira brasileira, animando cantores e dançarinos dos três países.
"Vejo com muito bons olhos esta proximidade e este intercâmbio com cidades de Portugal e de outros países. É fundamental a troca de experiências para que cada uma conheça a cultura da outra", disse nesta segunda-feira à Lusa a secretária de Cultura de São João del Rei, Lúcia Helena Bortolo de Rezende.
Segundo a secretária, o objetivo do evento é focar questões como a diversidade cultural, o desenvolvimento e a preservação de manifestações culturais e artísticas e valorizar as culturas locais. O projeto da Rede Internacional de Municípios pela Cultura iniciou-se na gestão do presidente da Câmara de Serpa, João Rocha, no Festival de Cultura em 2006.
Naquela época, Portugal, Brasil, Cabo Verde, Espanha, Guatemala e Bulgária firmaram um compromisso para promover a valorização do patrimônio cultural material e imaterial através de um intercâmbio entre as suas cidades. Para o I Encontro da Rede Internacional de Municípios pela Cultura já estão confirmadas as presenças de políticos, agentes culturais e artistas de cidades portuguesas como Serpa e Caminha.
Da Espanha, estarão representadas Punta Úmbria e Cortegana, e de Cabo Verde, San Vicente. Do Brasil, além da anfitriã São João del Rei, estarão presentes os municípios de Ouro Preto, Olinda, Congonhas, Itabira, Santa Bárbara e Itabirito e a Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais.
Durante o evento haverá palestras, debates, espetáculos artísticos, exibição de filmes e mostra de fotografias.Além disso, será montado um mercado cultural, com stands onde cada cidade vai apresentar alguns traços de sua cultura.


4.



LIVROS E REVISTAS

1. Depoimentos que merecem ser lembrados e reproduzidos. Reflexões que evidenciam a opinião de importantes pensadores sobre grandes – e pequenas – questões brasileiras. Lançada recentemente pela Azougue Editorial, a coleção Encontros traz livros que reúnem, cada um, entrevistas de grandes nomes da intelectualidade do país. Em destaque na primeira leva da série, estão duas figuras de peso das nossas ciências sociais – Darcy Ribeiro e Milton Santos. Um dos mais importantes antropólogos brasileiros, Darcy Ribeiro (1922-1997) dedicou grande parte de sua vida à defesa das causas indígenas e à educação. Foi um dos fundadores da Universidade de Brasília (UnB), em 1962, e um dos criadores dos Centros Integrados de Ensino Público (CIEPs), no governo de Leonel Brizola no Rio de Janeiro. Contemporâneo de Darcy Ribeiro, o geógrafo Milton Santos (1926-2001) foi o único brasileiro a receber, em 1994, o Prêmio Vautrin Lud, a mais importante láurea internacional de sua disciplina. Santos é o autor de mais de 40 livros, dentre os quais o mais conhecido é O espaço dividido, de 1979, que analisa o desenvolvimento urbano nos países subdesenvolvidos.
Cada livro da coleção Encontros traz cerca de dez longas entrevistas – inéditas ou originalmente veiculadas no rádio, na televisão, em jornais ou revistas. Cada volume apresenta ainda uma introdução e uma cronologia da vida do pensador em foco. É possível ouvir, por exemplo, uma formulação do próprio Milton Santos para o conceito que ele chamou de globalitarismo: “Eu chamo a globalização de globalitarismo porque estamos vivendo em uma nova fase de totalitarismo. O sistema político utiliza os sistemas técnicos contemporâneos para produzir a atual globalização, conduzindo-os para formas de relações implacáveis, que não aceitam discussão, que exigem obediência imediata”, declarou Santos em entrevista publicada em 1999 na revista Teoria & Debate.
O volume dedicado a Darcy Ribeiro manifesta sua avaliação crítica sobre o sistema educacional brasileiro. “A grande revolução educacional é lavar os olhos e ver que nossa escola é uma droga”, disse ele, sobre a criação dos CIEPs, em entrevista publicada na revista Leia, em março de 1986, quando era vice-governador e secretário da cultura do Rio de Janeiro. ”O capitalismo fez escolas muito boas e eu quero obrigar o capitalismo daqui a fazer boas escolas aqui”, continua o antropólogo. “No socialismo eu vou fazer muito mais. Agora, é o capitalismo que tem que dar a escola que estou querendo, aqui e agora, para a criançada daqui e de agora”.
Pensadores do Brasil
A agenda de lançamentos da coleção prevê volumes dedicados a outros grandes nomes das ciências sociais brasileiras. Para o ano que vem está previsto o lançamento da coletânea de entrevistas do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, professor do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, dos sociólogos Florestan Fernandes (1920-1995) e Octavio Ianni (1926-2004) e do historiador Gilberto Freyre (1900-1987). A lista de perfilados da coleção não se limita, porém, a nomes das ciências sociais. Entre os cinco volumes que inauguraram a coleção, há ainda livros dedicados ao poeta e compositor Vinicius de Moraes (1913-1980), ao cineasta Rogério Sganzerla (1946-2004) e ao músico e compositor Jorge Mautner. A lista de futuros lançamentos inclui também um livro dedicado ao físico Mario Schenberg (1914-1990). “Queríamos fazer uma coleção multidisciplinar, que reunisse diferentes posições políticas e estéticas formadas por grandes expoentes brasileiros provenientes das mais diversas áreas do conhecimento, como teatro, antropologia, sociologia, cinema, ciência e outros”, explica o editor Sergio Cohn, idealizador e um dos organizadores do projeto. “As entrevistas são um gênero muito interessante. Nelas o autor conta sua própria história em primeira pessoa. No livro, é muito interessante observar como o olhar de um pensador sobre determinado assunto se modificou ao longo do tempo”, destaca Cohn. “Além disso, a entrevista apresenta a intervenção direta de um intelectual sobre o que está acontecendo no país e no mundo. Por ter uma linguagem mais acessível, a visão de um pensador na entrevista é facilmente compreendida pelo público”.
Coleção Encontros Rio de Janeiro, 2007, Azougue Editorial Tel.: (21) 2240-8812 R$ 19,90 (cada livro)
Extraído do site da revista Ciência Hoje

2.


A partir deste mês a Revista Educação passa a publicar material exclusivo da revista Le Monde de l´Education. Neste número inaugural da parceria, Educação acrescenta ao conteúdo de seu dossiê sobre ensino e religião, reportagens que dão conta de mostrar ao leitor aspectos da realidade de três países europeus sobre a questão: França, Bósnia-Herzegovina e Irlanda do Norte.

SITES E BLOGUES

A Procuradoria- geral da República, depois de analisar aquele relatório da Polícia Federal divulgado no Tamos com Raiva, fez uma denúncia nesta quinta-feira contra 15 políticos envolvidos no valerioduto tucano - entre eles, Eduardo Azeredo, Walfrido dos Mares Guia e Clésio Andrade. A primeira conseqüência dessa bomba foi o pedido de demissão de Walfrido do Ministério das Relações Institucionais. Mas muita água ainda vai rolar. Conheça os detalhes de todo o esquemão tucano e da denúncia feita pelo procurador-geral Antonio Fernando de Souza. Leia, também, a denúncia de 82 páginas na íntegra.

Exatamente como em 12 de setembro, o Conselho de Ética do Senado aprovou parecer que pede CASSAÇÃO de Renan Calheiros. Será que a votação em Plenário vai repetir a pizzada de dois meses atrás? Leia todo o parecer de Jefferson Péres, enquanto aguardamos o Plenário.
Os capítulos finais de Injustiçados esquentam cada vez mais e se aproximam dos escândalos atuais que ocorreram em nosso judiciário. Sobrou até pro presidente do TRT Michel Melin.
Leia em www.tamoscomraiva. blogger.com. br








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