Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

2.9.09

Numero 202

BOLETIM MINEIRO DE HISTORIA


A revista Saúde, de junho de 2000, já alertava para uma possível epidemia. E, na reportagem, listava os principais vírus, entre os quais – pasmem! – o H1N1, sigla que ficou tão conhecida nossa neste ano, pois passou a designar a “gripe suína”.
No entanto, segundo aquela revista, tal vírus já se manifestara no mundo, exatamente em 1918, ao final da Primeira Guerra Mundial, pois ele é, nada mais nada menos do que vírus que provocou a tão falada “gripe espanhola”!
Esta semana, colocando em ordem a papelada que tenho, descobri algo interessante também a respeito deste assunto. Em 12 de março de 2006, o jornal Estado de São Paulo publicou um “Ensaio sobre a grippe”, escrito pela jornalista Mônica Manir, mostrando a situação vivida naquele Estado em função da “grippe” (com dois pês) espanhola, e lá também aparecia a tão temida sigla:
Utilizando o trabalho do historiador Cláudio Bertolli Filho (A gripe espanhola em São Paulo, 1918), ela afirmava na reportagem:
O vírus da espanhola era outro, o H1N1, também originário das aves. Imagina-se que tenha sofrido mutação e acometido humanos em escala industrial a partir dos EUA ou da China.
Minha dúvida: por que ninguém está divulgando que o vírus H1N1 é o mesmo da gripe espanhola? Medo de pânico? A verdade assusta? O encobrimento produzirá menos mortes?

Neste número, dois artigos de fundo: A análise feita por Saul Leblon sobre o arsenal udenista atualmente em uso pela mídia, e o artigo/entrevista elaborado por Cristiano Navarro: As escolas foram pensadas como uma forma para disciplinar a mão-de-obra.
Muitos livros e revistas na seção Vale a pena ler.
Em Navegar é preciso: ênfase na crítica ao “caso Lina Vieira”, Pré-história e paleoarte, África, esta desconhecida – as novidades do Café Historia - O pré-sal e o esforço tucano contra a Petrobrás - EUA: pés na Colômbia e olhos no Brasil – Ibope, Globo, Folha: a metodologia do golpismo – Unasul sucumbirá à nova escalada militarista dos EUA? – os 70 anos da Segunda Guerra Mundial – Os delírios da direita norte-americana.
Em Noticias: lançamento de DVDs sobre a história do século XX – Mostra sobre Rodin – Concurso para professor da UFRJ e a Semana de Historia da UNESP Assis
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O arsenal udenista está de volta, o que poderá detê-lo?

A moralidade de quase todos os grandes órgãos da imprensa brasileira está empenhada em corroer a candidatura Dilma Rousseff, custe o que custar. A observação de Gramsci sobre a "imprensa que adquire funções de partido político" se aplica como uma luva ao jornalismo praticado hoje no país. Carlos Lacerda (foto), caracterizado como "o Corvo" nas charges publicadas pelo jornal getulista Última Hora, manejava com maestria o ferramental de fraudes & ofensas, que hoje encontra aprendizes excitados nas redações.O artigo é de Saul Leblon.
Saul Leblon (Da Agência Carta Maior)

O método da calúnia é tão antigo no arsenal político da direita quanto o seu objetivo de alcançar o poder a qualquer custo, seja pelo voto, o impeachment, o golpe, a fraude ou uma mistura das quatro coisas simultaneamente, como fez a UDN nas eleições de 1955, na primeira chance real de chegar ao poder pelo voto, depois da tentativa de golpe abortado pelo suicídio de Vargas.
Não deu certo. Os udenistas Juarez Távora e Milton Campos tiveram 30% dos votos contra 36% dados a Juscelino. A vitória apertada, mas indiscutível da chapa que tinha como vice João Goulart, herdeiro político de Vargas, não desanimou os udenistas.
Derrotados nas urnas em outubro de 1955, desencadearam uma campanha agressiva para impedir a posse de Kubitschek, marcada para janeiro do ano seguinte. Na linha de frente do golpismo estava o jornal O Estado de São Paulo - alter-ego da UDN paulista. O mesmo que hoje lidera a pressão pela derrubada de Sarney em nome da "moralização" do Congresso e da faxina ética na política nacional.
Não é preciso ser simpatizante da oligarquia maranhense para suspeitar que existe algo mais do que mau jornalismo no bombardeio que atribui a Sarney todas as malfeitorias praticadas no Senado, desde a sua criação em 1824, na primeira Constituição do Império. O que está por trás é a volta do arsenal "democrático" udenista em pleno aquecimento para 2010, quando o PMDB terá peso decisivo na sucessão de Lula, que cultiva o apoio da legenda num acordo de reciprocidade com Sarney.
A ressalva é tão óbvia que chega a ser admitida nas entrelinhas de editorialistas espertos, funcionando mais como salvaguarda cínica do texto, do que uma crítica efetiva ao jornalismo praticado em nome da moralidade.
A moralidade de quase todos os grandes órgãos da imprensa brasileira está empenhada em corroer a candidatura Dilma Rousseff, custe o que custar. A observação de Gramasci sobre a "imprensa que adquire funções de partido político" se aplica como uma luva ao jornalismo praticado hoje no país.
Cada flanco que se abre nas fileiras do governo aciona pautas especiais; mini-editorias específicas; forças-tarefas montadas a toque de caixa. "Analistas" e acadêmicos são requisitados para teorizar sobre "a decadência irreversível do petismo", ao mesmo tempo em que petistas hesitantes, e ex-petistas recorrentes, endossam a dissolução da pureza vermelha contaminada pelos vícios do poder.
Desprovida de partidos de massa, a direita sempre teve nas campanhas midiáticas um valioso instrumento de intervenção na ordem institucional.
Se desta vez a mutação flagrada por Gramasci ganha acentuação inédita é porque os resultados acumulados pelos dois mandatos de Lula deixaram um minúsculo campo programático para a coalizão demotucana se movimentar em 2010. O braço midiático deve compensar com denúncias a fragilidade propositiva.
Malgrado as limitações da aliança que o sustenta, Lula superou a pior crise do capitalismo desde 1930, acentuando as linhas de vantagem do seu governo em relação à estratégia conservadora abraçada pelo PSDB e predominantemente apoiada pela mídia. A saber: o desastroso recuo do Estado em todas as frentes do desenvolvimento; o alinhamento carnal com os EUA na política externa e comercial; a terceirização dos grandes desafios sociais à "eficiência dos mercados auto-regulados". Hoje esse cardápio se traduz na tentativa de desconstrução caluniosa da candidatura Dilma Rousseff; nas denúncias contra a Petrobras e na torcida mal-disfarçada com o êxito do país no pré-sal.
Tivesse o Brasil persistido nessa rota, seria hoje uma terra arrasada por desemprego e quebradeira, a exemplo do que sucede no Leste europeu - última fronteira de expansão do neoliberalismo e seu obituário mais dramático.
Ocultar esse flanco substituindo o principal pelo secundário, portanto, sobrepondo à transparência da crise o que o monopólio midiático pauta como relevante, é o recurso precioso de Serra para contrabalançar sua opacidade programática em 2010.
Trata-se de uma das especialidades legadas pelo udenismo à política nacional. Carlos Lacerda, caracterizado como "o Corvo" nas charges publicadas pelo jornal getulista Última Hora, manejava com maestria o ferramental de fraudes & ofensas, que hoje encontra aprendizes excitados nas redações.
Exemplos: dia 22 de agosto o comentarista político Fernando Rodrigues, classificou o senador Mercadante de "vassalo" do Planalto, com chamada na primeira página da Folha; antes dele, Danuza Leão comparou a ministra Dilma Rousseff , na mesma Folha, a um misto de pai autoritário e diretora "carrasca". Analista das Organizações Globo, o que não significa apenas uma inserção profissional, Lucia Hippolito espetou no título de um comentário sobre o PT (Globo online) o vocábulo-síntese de sua filiação carnal ao udenismo: "a pelegada".
A fome dos petizes lacerdistas encontra fontes obsequiosas nas fileiras oposicionistas.
Olhos, ouvidos e bocas de Serra na capital federal, ao lado de Virgílio, Agripino, Sergio Guerra e Jereissati, o senador pernambucano Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) definiu o PT, em recente entrevista, como uma sublegenda do "lulismo". Na boa tradição udenista equiparou o "lulismo", portanto o Presidente da República, aos "caudilhismos latinoamericanos, a exemplo do peronismo argentino". O conservadorismo do senador evoca um tema recorrente no cardápio lacerdista, que inspirou violenta campanha contra Vargas nos anos 50, fartamente difundida pela rádio Globo, dirigida pelo jovem udenista, Roberto Marinho.
Vale a pena rememorar esse "case" do modo udenista de abduzir a realidade e derivar daí vale-tudo de aniquilação dos adversários.Em abril de 1954, o governo Vargas sangrava. Uma ciranda de ataques descomprometidos de qualquer outra lógica que não a derrubada de um projeto de desenvolvimento nacionalista fustigava o Presidente que criara a Petrobras, o BNDES e aplicava uma política de fortalecimento do mercado interno com forte incremento do salário mínimo.
O clima pesado de acusações e ofensas pessoais atingia Getúlio e sua família de forma indiscriminada. Lutero, irmão do Presidente, era tratado nas manchetes como "bastardo" e "ladrão". O ministro do Trabalho, João Goulart, era reduzido a "personagem de boate". Faltava, porém, um ponto de coagulação para transformar o tiroteio desordenado em míssil capaz de abrir um rombo na legalidade institucional.
Em meio à radicalização, em março de 54 surge a denúncia de que "os caudilhos" Vargas e Perón planejavam um suposto "Pacto ABC" (Argentina –Brasil –Chile), cuja meta era "a integração sul-americana num arquipélago de repúblicas sindicais contra os EUA".
Carlos Lacerda, na Tribuna da Imprensa e na rádio Globo, e a Banda de Música da UDN no Congresso – um pouco como o jogral que hoje modula as vozes da coalização demotucana e da mídia "ética" - martelavam a denúncia incansavelmente, testando por aproximação as condições para o impeachment de Vargas.
A notícia do pacto foi vigorosamente desmentida pela chancelaria argentina, mas um ex-ministro rompido com Getúlio, aliou-se a Lacerda para oferecer "evidências" das negociações entre o Brasil e Perón.
A inexistência de provas – exceto a menção genérica de Perón à uma aliança regional — não demoveu a mídia que deu à declaração ressentida do ex-ministro contornos de verdade inquestionável, repetida à exaustão até acuar o governo.
Vargas reagiu na única direção que lhe restava. No 1º de maio de 1954 anunciou o famoso reajuste de 100% para o salário mínimo num discurso marcado por elogios a Goulart, o ministro do Trabalho, mentor do reajuste, afastado pela pressão udenista.
Ao conclamar os trabalhadores a se organizarem para defender seus próprios interesses, o discurso de 1º de Maio soava como um ensaio de despedida. Talvez até mais radical, na convocação aos trabalhadores, do que a própria Carta Testamento deixada quatro meses depois, quando o Presidente atirou contra o próprio peito para não ceder à pressão da mídia pela renúncia.
"A minha tarefa está terminando e a vossa apenas começa. O que já obtivestes ainda não é tudo. Resta ainda conquistar a plenitude dos direitos que vos são devidos e a satisfação das reivindicações impostas pelas necessidades (...) Como cidadãos, a vossa vontade pesará nas urnas. Como classe, podeis imprimir ao vosso sufrágio a força decisória do número. Constituí a maioria. Hoje estais com o governo. Amanhã sereis o governo" (Getúlio Vargas, 1º de Maio de 1954).
A dramaticidade do suicídio iluminou o quadro político gerando transparência e revolta diante do golpismo em marcha. Porta-vozes da oposição a Getúlio foram escorraçados nas ruas do Rio; uma multidão consternada e enfurecida cercou e depredou a rádio Globo que saiu do ar; veículos do jornal de Roberto Marinho foram caçados e queimados nas ruas da cidade. Para Carlos Lacerda não sobrou um centímetro de segurança em terra: o "Corvo" foi obrigado refugiar-se no mar, a bordo do cruzador Barroso.
A determinação conservadora de arrebatar o poder, todavia, não esmoreceu.
Poucas semanas depois do suicídio, em 16 de setembro de 1954, uma segunda "denúncia" associada ao Pacto ABC explodiria nos microfones da rádio Globo. Era a largada, com 12 meses de antecipação, para a primeira disputa eleitoral em vinte e quatro anos que não contaria com a presença divisora de Getúlio na cena nacional. O alvo agora era João Goulart, o herdeiro político do presidente morto e adversário certo da UDN no pleito de outubro de 1955. Na voz estridente de Lacerda, comentarista de diversos programas da emissora de Marinho, foi lida em primeira mão a "Carta Brandi". Uma suposta correspondência do deputado argentino Antonio Brandi a João Goulart , apresentada como a prova "definitiva" da conspiração para implantar "uma república sindicalista no Brasil".
Na efervescência da guerra eleitoral, o escândalo levou o Exército a abrir inquérito imediatamente, enviando missão oficial a Buenos Aires para aprofundar as investigações. A conclusão oficial de que tudo não passara de uma grosseira fraude, forjada por Lacerda e alimentada pela imprensa anti-getulista, não abalou seus protagonistas. Lacerda rapidamente mudou o foco da denúncia, invertendo os termos da equação: fora vítima de uma cilada, uma isca arquitetada por adversários eleitorais para desmoralizar a democracia e acelerar a implantação de uma república sindical no país - exatamente como descrevia a (falsa) "Carta Brandi".
"(...) Se a carta não é verdadeira", escreveu na Tribuna de Imprensa, um mês depois da derrota da UDN para JK e Jango no pleito de outubro de 1955, "seu conteúdo está de acordo, mais ou menos, com o que se sabe da vida política do sr. Goulart..."
Qualquer semelhança com o malabarismo denuncista que povoa a mídia tucana nos nossos dias não é mera coincidência. Os mesmos objetivos, os mesmos métodos, a mesma elasticidade ética e democrática estão de volta.
A vitória apertada de JK em 1955 foi tratada pelo udenismo como uma sintoma de "ilegalidade das urnas". Inconformada, a chamada "imprensa da UDN" iniciou uma nova campanha, desta vez liderada pelo jornal Estado de São Paulo, que não poupou papel e tinta na luta para impedir a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek.
Se chegaram a esse ponto contra JK em 1955 e fracassaram, muito se deve ao desbloqueio do discernimento popular causado pelo suicídio do estrategista genial que foi Getúlio Vargas. O arsenal udenista, porém, está de volta e seu partido midiático não disfarça a determinação de transformar 2010 na nova inflexão conservadora na vida do país. Resta saber que força poderá detê-los agora, a ponto de despertar na sociedade o mesmo efeito esclarecedor do tiro que sacudiu o país na manhã de 24 de agosto de 1954.

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Do Jornal Brasil de Fato:

"As escolas foram pensadas como uma forma para disciplinar a mão-de-obra"
Em entrevista, relator da ONU para direito à educação aponta crise na educação relacionada com exclusão e crise do modelo Estado-Nação
Cristiano Navarro
da Reportagem

A lógica da exclusão educacional segue a mesma lógica histórica da exclusão econômica. O que parece óbvio neste diagnóstico, não o é em sua solução para os problemas encontrados na educação tradicional.

Por exemplo, o que muitos consideram como um debate polêmico, para o relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) pelo direito à educação, o costariquenho Vernor Muñoz Villalobos, trata-se de um debate “inútil”. Em suas andanças pelos cinco continentes, Villalobos constatou que as políticas afirmativas são medidas eficientes contra as diferenças. “Não entendo muito bem por que se produz este debate se há provas que sim funcionam os sistemas de cotas”, argumenta o relator citando a cota para mulheres como exemplo fundamental para o equilíbrio de gêneros na participação política.

A crise do modelo econômico global reflete na incapacidade de dar acesso à educação escolar. Hoje, em todo mundo, cerca de 100 milhões de crianças e quase 800 milhões de jovens e adultos estão fora do sistema educacional. “O sistema educativo tradicional, parte da afirmação da superioridade de certos grupos”, avalia Villalobos.

Coletando informações desde 2004 no posto de Relator Especial da ONU, Villalobos produziu relatórios anuais sobre o direito à educação das pessoas privadas de liberdade (2009); o direito à educação em situações de emergência (2008); o direito à educação de pessoas com deficiência (2007); e o direito à educação das meninas (2006) verificando semelhanças nos grupos sociais descriminados.

Sem respostas aos dilemas humanos de suas sociedades, os Estados-Nação se deparam também com uma forte crise de seus modelos educacionais. “O sistema educativo é filho dos estados nacionais e, no momento histórico em que os estados nacionais entram em crise, entra em crise também o sistema educativo”, confirma Villalobos .

Quais são os grupos mais discriminados ao Direito a Educação? Existe alguma característica comum?
Sim, este é uma resposta um pouco retórica. Tratam-se dos grupos que são históricamente excluídos das oportunidades sociais e econômicas em geral. O sistema educativo tradicional, parte da afirmação da superioridade de certos grupos. Com a emergência dos direitos humanos este esquema começa desmoronar-se. No entanto, a herança que recebemos do estado da modernidade e de sistema educativo baseado em uma racionalidade utilitarista segue causando discriminação contra os povos indígenas, contra meninas, adolescente e mulheres, contra pessoas com deficiência física e contra as minorias étnicas e culturais. Se tivermos que definir as características os grupos discriminados são amplas. E no caso específico do Brasil, pessoas com deficiência física, a população negra, indígena e, também, meninas adolescentes, seguem sendo os grupos humanos discriminados das oportunidades educativas, e portanto são os pobres. Os pobres em setores rurais e camponeses seguem sendo vítimas de um sistema educativo discriminador e excludente.

Pode fazer uma comparação da situação do Brasil com a América Latina?
Bem as comparações não funcionam, porque pode ser que alguns países tenham indicadores globais muito bons, mas pode ter certos setores de sua população em muito má situação. Eu poderia te dizer que globalmente a escolarização no mundo aumentou nos últimos sete anos de 1,5% a 1,75%, mas isso pode não querer dizer nada na medida em que sabemos que os grupos que foram discriminados através dos tempos seguem estando discriminados igual ou pior a antes. Pode ser que um país tenha melhorado seus indicadores brutos de escolarização, mas isso não significa que as pessoas mais empobrecidas, que as pessoas mais discriminadas, tenham maiores oportunidades educativas. Por isso que eu me recuso muito a fazer essas comparações

Pode se dizer que por isto a ONU tem a opção de trabalhar com temas e não por regiões?
Exatamente, porque inclusive no primeiro mundo encontramos populações discriminadas. Exemplo, se vamos examinar uma situação de um país como a Alemanha vamos observar que as populações de imigrantes turcos seguem sendo excluídas e segregadas. Então, mesmo no chamado primeiro mundo há problemas. Há países europeus que têm de um a um milhão e meio ou dois milhões de pobres, excluídos, e mesmo assim têm indicadores econômicos extraordinários. Por isso temos que ter atenção não ao Esados, mas as pessoas que estão excluídas.

No Brasil há um intenso debate sobre as políticas de cotas. Quais são os efeitos das políticas afirmativas no sistema de educação?
Me parece que este é um debate inútil. A prova mais eficiente e contundente é a de reivindicação dos direitos das mulheres. O sistema de cotas para participação política das mulheres funcionou extremante bem para maior participação feminina. E se aprendemos com a história, podemos aprender também que desenvolver ações afirmativas para população afrodescente e para os povos indígenas, não somente vai dar mais oportunidades a estas pessoas como também contribui para dignificar a vida em geral e o direito de todas as pessoas. Assim, não entendo muito bem porque se produz este debate se há provas que, sim, funcionam os sistemas de cotas.

Há países que você pode nos apontar que depois implantação do sistema de cotas houve um desenvolvimento no direito ao acesso a educação?
Claro, um exemplo que neste momento me vem à mente é a Malásia. Malásia teve uma população étnica grande e majoritária discriminada, o povo Bumiputera. A esta população se instalou um sistema de ações afirmativas e, neste momento, é a população de maior poder político e social. E há muitos outros exemplos. No caso das mulheres há incontáveis exemplos de que o sistema de cotas tem funcionado. Mesmo no meu país, Costa Rica. Creio que esta é uma discussão que deve ser superada em curto prazo.

Os Estados recorrentemente usam o lema “educação para todos”, mas os mesmos Estados têm respeito ou sabem o que significa “para todos” em suas diferenças culturais?
Creio que não pode haver educação para todos se não se respeitam as particularidades culturais. Uma pessoa que recebe uma educação diferente da sua. Uma pessoa que receba uma educação onde agrida ou se invisibilize a sua cultura é uma pessoa que está condenada a exclusão cedo ou tarde. Então, na medida que não se respeitem e garantam sua língua, sua cultura, sua cosmovisão, nessa mesma medida não se poderá garantir a permanência e o êxito escolar. A base de uma educação para todos é o reconhecimento a diversidade cultural e o estabelecimento de sistemas educativos que garantam o respeito a esta diversidade. Se não, será impossível que o Brasil, ou qualquer outro país, consigam a universalização da educação.

Há alguns exemplos de Estados que respeitam a diversidade cultural e a autonomia educacional dos povos?
Há experiências em todo mundo. No Canadá seguem desenvolvendo experiências interessantes dos povos indígenas. Na Nicarágua há um sistema interculutral bilíngue. Sim, temos observados boas práticas que, para serem generalizadas, precisam de recursos para que funcionem. Sistemas educativos que correspondam às necessidades dos estudantes. Se este sistema parte desses processos de adequação curricular e não se dota de recursos suficientes, estes processos não vão funcionar.

Fala-se muito sobre uma crise da educação formal. O senhor acredita que a escola hoje está direcionada para responder aos dilemas econômicos, sociais e culturais que enfrentam as sociedades?
A educação formal esta em crise total. A educação existe de tempos imemoriais. Mas educação como sistema surge no mesmo momento em que aparecem o sistema penitenciário, as fábricas, os hospitais psiquiátricos. É dizer, as escolas foram pensadas como uma forma para disciplinar a mão-de-obra para o mercado. Assim foi como se pensou a escola. Claro! Quando aparecem os direitos humanos este sistema educativo entra em crise. Porque os direitos humanos dizem à educação que seu objetivo não é formar mão-de-obra. O objetivo é construir conhecimento para dignificar a vida. Então neste momento temos um sistema educativo gerado da modernidade com propósitos diferentes que assinam os direitos humanos. Então este modelo educativo já não pode responder as necessidades de dignificar os seres humanos, por que foi pensado para outro fim. Coloco como exemplo: se estamos dizendo que as pessoas com deficiência física têm direito a assistir à mesma escola que as outras pessoas sem deficiência física isso não se pode conseguir com o modelo educativo que se tem atualmente. Teremos que pensar em outro sistema educativo. Se dizemos que devemos preparar os estudantes para viver em democracia e liberdade isso não se pode conseguir se seguimos mantendo um sistema educativo baseado nas assimetrias entre professores e estudantes. Não podemos ensinar a viver em liberdade mediante um processo de aprendizagem que está fixado para fins opostos. Então creio que o modelo deve mudar. Não me pergunte como. Este é um tema da pedagogia e dos teóricos da educação, mas o que posso te dizer é que este sistema educativo tal como está pensado não pode ser um aporte significativo para vivência total dos direitos humanos.

Pode-se dizer que o sistema educacional segue as demais crises econômicas e sociais?
O sistema educativo é filho dos estados nacionais e no momento histórico em que os estados nacionais entram em crise, entra em crise também o sistema educativo. Assim que acredito que temos uma grande oportunidade de mudar este sistema. Como dizem no meu país: o bonito disto é o feio que está sendo colocado
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UMA GOTA DE SANGUE
história do pensamento racial
Autor: Demétrio Magnoli

Há 100 mil anos, poucas dezenas de seres humanos saíram da África. Seus descendentes, adaptando-se aos diferentes climas, desenvolveram inúmeras tonalidades de cor da pele. Um dia, alguns voltaram. Primeiro, como comerciantes, adquiriram cativos escravizados pelos próprios conterrâneos. Depois, como conquistadores, impuseram o poder de suas nações sobre a África, alegando que os primos que ficaram faziam parte de uma raça distinta. A curiosa ideia pegou. Sobreviveu à proclamação dos direitos humanos e à razão científica, difundindo-se no mundo da política. Pessoas de prestígio de todas as cores (até negros!) fingiram acreditar nela - e começaram a passar-se por líderes raciais. Hoje, a pretexto de fazer o bem, traçam-se fronteiras sociais intransponíveis, delineadas com as tintas de uma memória fabricada.Este livro conta a história de um engano de 200 anos: o tempo da invenção, desinvenção e reinvenção do mito da raça. O nosso tempo.
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Afeganistão-Paquistão: uma encruzilhada fatal –
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A Larousse está colocando nas bancas a coleção Larousse das Civilizações Antigas. São livros ricamente ilustrados e com textos bem didáticos, escritos por especialistas europeus.

O jornal Le Monde Diplomatique Brasil n. 25 está nas bancas. Artigo de capa: Estratégia Nacional de Defesa – mais poder com novas armas. Artigos principais: Honduras: o que está por trás do golpe – Violência na China – Crise Imobiliária da Flórida – Crescer menos, viver mais – Democratização da comunicação.

A Folha de São Paulo está colocando nas bancas a coleção Grandes Museus do Mundo, com excelentes reproduções e comentários sobre as principais obras de cada um dos 20 museus, entre os quais o do Prado, o Louvre, a Galeria Nacional de Londres, o D´Orsay, o Egípcio.

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NAVEGAR É PRECISO


Seminário
África, esta desconhecida!
Muito pouco se sabe sobre o continente e o que se sabe em grande medida reproduz a lógica do eurocentrismo
Elaine Tavares
http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/internacional/africa-esta-desconhecida-1

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Confira o post especial do Café História sobre os 70 anos do início da Segunda Guerra Mundial.
Saiba como encontrar os monumentos de São Paulo divididos por região e artista. E mais: saiba como chegar lá com um simples clique!Britânicos na América em 1499Pijama de Getúlio Vargas é recuperadoVídeo conta um pouco da História de BrasíliaE siga o Café no twitter: http://twitter/cafehistoriaVisite Cafe Historia em: http://cafehistoria.ning.com

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O pré-sal e o esforço dos tucanos contra a Petrobras
Os EUA querem manter um papel protagonista no mundo e, para tanto, tentam expulsar a China da África e impedir uma aliança entre Rússia e Europa Ocidental. Essas duas grandes estratégias estão fracassando, daí a necessidade de garantir que a América Latina seja sua zona de influência exclusiva. A presença militar na Colômbia é um passo nesta direção, mas o verdadeiro alvo de Washington na região é o Brasil, país com maior poder relativo da região. A análise é dos cientistas políticos argentinos Marcelo Gullo e Carlos Alberto Pereyra Mele. > LEIA MAIS Internacional

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Ibope, Globo, Folha: a metodologia do golpismo
A entrevista concedida pelo presidente do Ibope Carlos Augusto Montenegro à revista Veja bate de frente com o rochedo da verdade, lançando uma nuvem de suspeita sobre os rigores científicos de futuras pesquisas, seus modelos matemáticos e estatísticos.
Gilson Caroni Filho
http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4424&boletim_id=586&componente_id=9903


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Sem enfrentamento, Unasul sucumbirá à nova escalada militarista dos EUA
Escrito por Miguel Lamas
http://www.correiocidadania.com.br/content/view/3699/9/

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2ª GUERRA MUNDIAL
No dia 29 de agosto de 2008, o jornal Estado de São Paulo denunciava em matéria que a então chefe da Receita Federal, Lina Vieira, estava aparelhando o órgão e "loteando cargos entre sindicalistas". O jornalista Luiz Carlos Azenha recupera a memória deste episódio, mostrando que a grande imprensa brasileira desistiu definitivamente de ser levada a sério e transformou-se numa usina de factóides. > LEIA MAIS Política
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16125&boletim_id=585&componente_id=9883

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Folha, omissão e manipulação
Por Mauricio Caleiro

Nascido como denúncia nas próprias páginas da Folha, o “caso Lina Vieira” talvez mereça figurar nessa lista que documenta a decadência de um dos órgãos de imprensa que um dia encarnou as esperanças de aprimoramento das posturas jornalísticas do país.
http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/Noticiasintegra.asp?id_artigo=7415

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Pré-História une arte e ciência
Congresso de paleoarte mostra o trabalho dos especialistas em retratar a vida há milhões de anos.
http://cienciahoje.uol.com.br/151955



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NOTICIAS

A revista História Viva está lançando uma coleção de DVDs intitulada Os Grandes Dias do Século XX. São 12 episódios, iniciando com a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa de 1917.
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Mostra sobre Auguste Rodin

Exposição reune 194 fotografias que retratam o processo criativo de Rodin e traz ainda 22 esculturas, expostas na Casa Fiat de Cultura.
Entre as obras está a escultura Les Trois Ombres, que sai pela primeira vez do jardim do Museu Rodin, em Paris, para uma exposição fora da capital francesa.
Período da exposição: de 13 de agosto a 13 de outubro
Sábados às 13;30, 15;00, 16:30, 18:00 e 19:30 horas
Segunda a sexta: 9:30, 11:00, 12:30, 14:00, 15:30, 17:00, 18:30 e 20:00
Ônibus especial em frente ao prédio da ex-secretaria de Educação, na praça da Liberdade..

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Concurso para professor adjunto do Departamento de História da UFRJ, na área de História Moderna e Contemporânea. Remuneração inicial: R$ 6.497,16. O prazo de inscrição se encerra em 6/9. Mais informações em
http://www.ufrj.br/detalha_edital.php?no=Concursos%tp=Academicos&id_edital=151&idtp=5

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XXVI Semana de Historia UNESP Assis
O Depto. De Historia da UNESP convida para a XXVI Semana de Historia UNESP Campus de Assis. Esta Semana será dedicada aos 80 anos da revista francesa Annales, suas repercussões e diálogos na historiografia brasileira. O evento ocorrerá de 21/9 a 25/9. Mais informações em http://www.assis.unesp.br/semanadehistoria



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