Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

2.12.09

Número 214



Esta semana abrimos com um artigo que me foi enviado por uma colega e amiga, Maria José, ainda indignada, como muitos, com as repercussões do episódio da moça da Uniban. O artigo é de um jornalista que acabei descobrindo, Flávio Gomes, fanático por carros (e outros meios de transporte).
Em seguida, uma entrevista com Ladislau Dowbor sobre a construção do conhecimento. E concluímos a primeira parte do Boletim com dois artigos sobre a mais recente crise, a corrupção explicita em Brasília. Pasmem...agora não foi o PT, nem o PMDB, mas o campeão da moralidade política, o “impoluto” DEM...
Em Vale a pena ler,
Tempo, espaço e passado na Mesoamérica, Padre Cícero, poder, fé e guerra no sertão, Cabeza de Vaca, Revoluções.
Navegar é preciso: Arcebispo de Mariana demite e recolhe jornal – Fazendeiros despejam índios Terena sem ordem judicial – O “poder invisível” do mercado – Qual o melhor caminho para a universidade brasileira? – A democracia pós-moderna – Uruguai e Honduras: o contraste entre duas eleições – Novidades do Café Historia – História deletada. E uma preciosidade: vários pequenos vídeos mostrando a Lisboa soterrada. Imperdível!
Noticias: II Conferencia Latinoamericana de Historia Econômica – Reunião sobre Ensino de Historia – Conferência: Estudos antropológicos sobre a cultura guarani.




A MOÇA, A SAIA, A "FACULDADE"
SÃO PAULO (é o fim) – Fiz faculdade entre 1982 e 1985. Faculdade deriquinho, FAAP. Não havia sinal de movimento estudantil ali. Na verdade, com o fim da ditadura, a eleição de Tancredo e a perspectiva de diretas em 1989, o movimento estudantil se enfraqueceu e, sendo bem sincero, foi sumindo aos poucos. Minha atividade mais próxima da subversão foi vender sanduíches naturais para arrecadar dinheiro para uma festa das Diretas.
Hoje, as entidades representativas dos estudantes servem para emitir carteirinhas para a turba pagar meia-entrada em shows e no cinema. Sem um inimigo claro, que no caso das gerações imediatamente anteriores à minha era o governo militar, ficamos sem ter do que reclamar. Porque,no fundo, por conta da politização desses movimentos todos, a questão educacional foi colocada de lado por muitos anos, e deixou de ser prioridade.
Já como repórter, cheguei a cobrir algumas confusões na USP na segunda metade dos anos 80. Sem querer simplificar demais, mas recorrendo ao que minha memória me permite lembrar, o tema central era o aumento do preço do bandeijão nos refeitórios da universidade. Deu greve e tudo.Muito pouco. Ainda mais porque, como se sabe, boa parte dos que conseguem chegar à USP vêm de escolas particulares, e o preço do bandeijão não chegava a afetar seriamente o orçamento de ninguém.
O caso dessa moça de minissaia da Uniban poderia ser um bom motivo para despertar algum tipo de reação na molecada. De repúdio aos que ofenderam a menina, de reflexão sobre os rumos da universidade, de protesto contra sua expulsão, de perplexidade com o recuo da reitoria por razões obviamente mercantis.
Reitoria… Era palavra respeitada, antigamente. Hoje, os reitores dessas espeluncas mal falam português. A transformação do ambiente universitário em quitandas que vendem diplomas é assustadora. E os estudantes são coniventes. Não exigem ensino de qualidade, compromisso com a educação, P**** NENHUMA. Querem se formar logo, se possível pagando pouco, e dane-se o mundo.
Fico espantado ao observar como pensa e age essa juventude urbana entre 18 e 25 anos. São fascistóides, hedonistas, individualistas, retardados ao cubo. Basta ver o perfil da menina da minissaia no Orkut. Uma completa debilóide, mas nada diferente, tenho certeza, de seus colegas de faculdade (vejam as “comunidades” às quais ela pertence; coisas como “Gosto de causar, e daí?”, “Sou loira sim, quem me aguenta?”, “Para de falar e me beija logo”, coisas do tipo). O que,evidentemente, não dá a ninguém o direito de fazer o que fizeram com ela. Até porque são todos iguais, idênticos, tontos, despreparados,sem noção.
Aí a Uniban expulsa a menina, dizendo que os alunos que a chamavam de“puta” e queriam bater na coitada estavam “defendendo o ambiente escolar”. PQP! Como é que pode? Como podem adultos, “educadores”, que teoricamente têm um pouco mais de neurônios em funcionamento, reduzirem a questão a isso? E criticarem a menina porque ela se veste assim ou assado, anda rebolando, “se insinua”?
PIOR: muitos, mas muitos mesmo, alunos defenderam a expulsão. Acham que a menina é uma vagabunda que provoca os colegas. Bando de animais, intolerantes, sádicos, hostis, agressivos. Eu nunca deixaria um filho meu estudar numa universidade frequentada por esse tipo de gente e dirigida por cretinos do naipe dos que assinaram a expulsão e, depois, revogaram-na sem revelar o motivo — aquele que nunca será admitido, o prejuízo à imagem dessa porcaria de empresa, sim, empresa, e das mais lucrativas, porque chamar um negócio desses de “universidade” é desmoralizar a palavra.
O Brasil está f.... com essas gerações que vêm por aí. Um caso desses, que poderia trazer à tona discussões importantes sobre ocomportamento dos jovens, suas angústias, seus rumos, resume-se ao tamanho da saia da moça e ao seu comportamento “inadequado”, seja lá o que for isso. A educação, neste país, tem sido negligenciada de forma criminosa há décadas. O governo poderia começar a limpar a área por essas fábricas de diploma, que surgem aos montes sem que ninguém se preocupe com o tipo de gente que está à frente delas.
O que se vê hoje, graças a essas faculdades privadas de esquina, sem história e princípios, é uma população cada vez maior de “nível superior” sem nível algum. Um desastre completo. Gente que não pensa,não argumenta, não lê, não raciocina coletivamente, se comporta como gado raivoso, passa o dia punhetando no Orkut e no MSN, escreve “aki”,“facu”, “xurras”, “naum”, “huahsuahsua”, um bando de tontos desperdiçando os melhores anos de suas vida com uma existência vazia,um vácuo intelectual, sob o olhar perplexo de gerações, como a minha,que um dia sonharam em fazer um mundo melhor e, definitivamente, não conseguiram.
Somos todos culpados, no fim. Me incluo.


Entrevista com Ladislau Dowbor: ‘A construção do conhecimento é um processo colaborativo'


IHU - Unisinos *
Adital - http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&cod=43385&lang=PT

Segundo o economista, a reação de tentar travar o acesso ao conhecimento, principalmente com as oportunidades que a Internet disponibilizou para tal ação, é compreensível. "Quando surgiu o cinema, diziam que ia matar o teatro; quando surgiu a televisão, disseram que ia matar o cinema, e assim por diante". Ladislau Dowdor, que concedeu à IHU On-Line, por telefone, a entrevista a seguir, falou sobre a economia do conhecimento e as transformações que ela traz para as relações, para a política e, claro, para a própria economia. "Na realidade, acho que não há prejuízo necessário. A densidade do conhecimento está aumentando no planeta, e a venda de livros continua aumentando", opinou. "O que é absurdo em termos econômicos é as pessoas registrarem uma ideia e ficar vivendo de um pedágio sobre ela, quando o que interessa para o resto da humanidade é que o máximo de gente possível tenha acesso", continuou.
Ladislau Dowdor é graduado em Economia Política pela Université de Lausanne (Suíça), com especialização em Planificação Nacional pela Escola Superior de Estatística e Planejamento, onde fez o mestrado em Economia Social e doutorado em Ciências Econômicas. Atualmente, é professor na PUC-SP.

Confira a entrevista.

IHU On-Line - O que marca essa passagem da Propriedade Intelectual para a Economia do Conhecimento?
Ladislau Dowbor - O debate da propriedade intelectual é, em grande parte, um debate jurídico em torno dos produtos criativos a quem pertencem e como devem ser remunerados. O que proponho é ver isso de maneira bem mais ampla no quadro da sociedade do conhecimento. Hoje, quando se compra um produto por cem reais, por exemplo, como ordem de grandeza, 75% do que se paga não é o bem físico em si, mas o conhecimento incorporado. Ou seja, a criação de valor hoje está centrada dominantemente no conhecimento incorporado aos bens. Isto muda profundamente todo o conceito de produção econômica, pois, no século XX, os bens eram essencialmente físicos, e se eu passasse um produto físico para alguém, eu deixaria de tê-lo, portanto é um bem rival, a propriedade é essencial. Quando eu passo um conhecimento para uma pessoa, eu não o perco. A economia se chama "bem não rival". É um bem cujo consumo não reduz o estoque, pelo contrário, quanto mais o conhecimento circula, mais toda a sociedade enriquece. Isto leva a uma necessidade de se repensar o próprio conceito de propriedade intelectual, porque os bens criativos se regem por leis diferentes do que os bens físicos.
IHU On-Line - Que tipo de prejuízos o copyright nos traz hoje?
Ladislau Dowbor - Os prejuízos são de diversos tipos. Pense no seguinte: no mundo da educação, somando alunos, professores e administradores, são 60 milhões de pessoas no Brasil, é quase um terço da população do país. Estamos dedicando imensos esforços para formar uma geração com capacidade de "navegar" na sociedade do conhecimento. Na universidade onde trabalho, e em outras também, o acesso aos livros é extremamente complicado, tanto pelo preço como pelas dificuldades das bibliotecas. O que acabamos fazendo é autorizar a cópia de um capítulo de um livro. Isso é pré-história. O Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), principal centro de pesquisa norte-americano, elaborou o que se chama Open Courseware, onde todo o material científico dos professores é disponibilizado gratuitamente on-line para todos os alunos. É profundamente contraditório ter gigantescos investimentos no mundo da educação e, ao mesmo tempo, dificultar o acesso aos textos científicos, aumentando a necessidade de um aluno comprar os livros. O GPOPAI, um núcleo de pesquisa da USP leste, com Pablo Ortellado e outros, calculou que, por ciclo letivo, os alunos teriam que gastar R$ 3.800,00 em livros, mas 80% dos alunos são de famílias com menos de cinco salários mínimos. Isto não vai acontecer.
De certa maneira, temos que pensar o seguinte: quem produz os conteúdos, ou seja, quem é autor com direito autoral, recebe muito pouco neste processo. Quem, efetivamente, recebe o dinheiro são empresas que controlam a intermediação ao fornecer a base material desse conhecimento, que pode ser um livro, um DVD, um disco, entre outros. Agora, com as novas tecnologias, isso não é mais necessário, porque o acesso on-line ao conhecimento é perfeitamente possível. É normal que essas editoras cobrem por seus livros, mas não devem proibir as outras formas de acesso. Quando muita gente gosta de um livro, o compra, mas a proibição em torno do copyright, pirataria, e coisas do gênero, trava imensamente a liberdade de acesso e de criação do mundo da educação. Digamos que para assegurar um volume relativamente limitado de lucros de intermediários, gera-se um prejuízo imenso em termos de acesso ao conhecimento por parte da população.
Outro eixo que está sendo muito discutido hoje, inclusive para a Conferência de Copenhague, é que não podemos enfrentar o aquecimento global e os dramas da mudança do paradigma energético produtivo do planeta, sem generalizar o acesso às tecnologias limpas. 97% das patentes são propriedade de países desenvolvidos, e elas nem sempre criaram seus conhecimentos, mas têm poderosos grupos que trabalham com o registro de todo e qualquer conhecimento no planeta. O resultado disso é uma dependência de todo o planeta sobre os países desenvolvidos e seu controle de patentes. As Nações Unidas, em seu último relatório da situação social e econômica do planeta, chamado World Economic and Social Survey 2009, propõem a flexibilização radical de patentes copyright, royalties etc. para generalizar o uso das tecnologias limpas. Outro eixo onde há um desequilíbrio radical é entre os que colocam pedágios e querem ganhar sobre estes conhecimentos, muito frequentemente desenvolvidos por terceiros.
Um exemplo muito importante é na área farmacêutica. Temos um travamento do acesso à produção dos chamados coquetéis para enfrentar a AIDS. Temos 25 milhões de pessoas que morreram da doença, 36 milhões de pessoas infectadas e um grupo limitadíssimo de pessoas que têm acesso aos medicamentos, pois os grandes grupos farmacêuticos, a chamada big farma, travam essa produção nos países de terceiro mundo, alegando que estariam infringindo os seus direitos de propriedade intelectual. Isto tem uma dimensão ética, e é óbvio que se trata de uma tragédia planetária. É também uma tragédia econômica, pois, para assegurar os lucros de alguns grandes grupos multinacionais, e essencialmente de investidores financeiros, estamos reduzindo dramaticamente a produtividade de grande parte das populações afetadas pela AIDS. O que está havendo é que a tecnologia evoluiu muito, hoje é fácil generalizar conhecimentos, e isso se torna uma imensa oportunidade de desenvolvimento do planeta e de redução das desigualdades. Isso está sendo travado por grupos que se reapropriam do conhecimento e utilizam leis do século passado, na linha da propriedade, como se fossem bens físicos, e não é. Para o conhecimento as ideias, tem que se circular no planeta de maneira livre.
IHU On-Line - O compartilhamento de informações que antes não tínhamos acesso é algo mais natural hoje. No entanto, há batalhas empresariais em torno do título de donos do conhecimento. De que forma a economia do conhecimento muda nossa relação com o processo econômico?
Ladislau Dowbor - A reação de tentar travar o acesso é compreensível, porque sempre houve essa atitude. Quando surgiu o cinema, diziam que ia matar o teatro; quando surgiu a televisão, disseram que ia matar o cinema, e assim por diante. Agora que acham que as pessoas têm acesso ao conhecimento on-line, o que vão fazer os proprietários de empresas que asseguram a antiga base material que era necessária? Na realidade, acho que não há prejuízo necessário. A densidade do conhecimento está aumentando no planeta, e a venda de livros continua aumentando, apesar de o estoque de livros disponíveis on-line estar aumentando radicalmente.
Eu, quando gosto de um livro, o compro. O próprio Paulo Coelho decidiu que é honesto uma pessoa poder ler o seu livro on-line, e ver se gosta mesmo, para comprá-lo. Há um processo de adaptação que é necessário. O que é absurdo em termos econômicos é as pessoas registrarem uma ideia e ficar vivendo de um pedágio sobre ela, quando o que interessa para o resto da humanidade é que o máximo de gente possível tenha acesso.
É natural se assegurar a remuneração de uma pessoa que cria um determinado conhecimento, isso é um elemento importante, mas não deve se tornar uma apropriação indefinida e, sobretudo, não de intermediários que criam muito pouco. A quase totalidade dos copyrights e patentes é de pessoas que compram empresas, ou de editoras que se apropriam do copyright da editora, e não do autor. Se olharmos o quanto se remunera os artistas pelos grandes selos, é lamentável. É só perguntar para o Lobão, Gilberto Gil e outros, para ver como isso se dá. Não se trata de propriedade de autores, mas da propriedade de grupos de advogados que aconselham a apropriação desses direitos. Na realidade, algumas coisas são óbvias. O uso não comercial individual do conhecimento e dos bens culturais devem ser simplesmente liberados, pois isso pode circular em todo o planeta pela Internet, e pode enriquecer a todos. Outro ponto que devemos entender é que os pontos onde se faz dinheiro estão se deslocando.
Por exemplo, eu disponibilizo on-line toda a minha produção científica, e isso não estará reduzindo a renda dos meus livros, pelo contrário. Mas se uma pessoa lê um livro on-line e não comprou na livraria, que seja de bom proveito para ela que está aumentando sua cultura. E mais: meus livros ficam sendo mais conhecidos, com isso, recebo convites para palestras. Não preciso ganhar dinheiro com tudo o que eu faço. De certa maneira, desloca-se o ponto onde você assegura sua remuneração. Eu posso ganhar dinheiro com palestras, e já tenho meu salário de professor da PUC. E professor de pós-graduação não significa só dar aula, é também produção científica, ou seja, eu já estou sendo pago por isso. Assim, é também questão de bom senso que deve imperar.
IHU On-Line - O senhor pode nos explicar como a economia do conhecimento pode gerar uma nova divisão do trabalho?
Ladislau Dowbor - A construção do conhecimento é um processo colaborativo. As pessoas imaginam que "No quadro de bens não rivais, como o conhecimento, quanto mais ele circula, mas todos podem avançar com conhecimentos novos." uma grande corporação chega, faz grandes investimentos, laboratórios etc. Na realidade, o planeta está numa fase de explosão tecnológica impressionante, e todos aproveitam os avanços dos outros. Todo mundo aproveita o WWW para comunicar, para facilitar o trabalho cooperativo entre centros de pesquisa. A web é um consórcio não governamental e sem fins lucrativos, todo mundo navega em cima disso. Agora, uma empresa se apropriar disso e afirmar que controla o produto final que aproveitou todos esses processos colaborativos, obtendo lucro sobre isso, é lamentável. A reorientação geral que está se dando é que mesmo as empresas estão descobrindo que o que elas chamam de colaboração em massa é mais produtivo do que a forma tradicional de trancar seus conhecimentos e protegê-los com advogados e coisas do gênero. No quadro de bens não rivais, como o conhecimento, quanto mais ele circula, mas todos podem avançar com conhecimentos novos.
IHU On-Line - Depois dessa crise financeira mundial, que lições podemos tirar da economia da colaboração?
Ladislau Dowbor - Uma coisa é bastante evidente, cada núcleo de especulação, como os grandes bancos - Citybank, o Lehman Brothers e outros -, fazia seus cálculos de risco e trancava essas informações. Nem o banco central estadunidense ou europeu tinha acesso à visão de conjunto, cada um fecha as suas informações. Resultado: cada banco calculava na situação atual e, assim, todos ficavam com a alavancagem superior à sustentável. Então, quando um quebra, todos quebram de repente, porque todos estavam no limite, todos pensando que o sistema estava bem. Na área financeira, não termos uma visão sistêmica de como anda a alocação de recursos é mortal e nos leva a essa série de crises e desorganização econômico-financeira. Agora, eles conseguiram sair do buraco porque se transferiu uma fabula de recursos públicos para o bolso dos especuladores. Isso se transforma num déficit pelo qual pagamos juros com impostos para os mesmos bolsos. A realidade básica é o seguinte: tanto a dimensão do conhecimento de toda a produção e o fato de serem bens não rivais quanto às novas tecnologias de comunicação que permitem que todo mundo se conecte uns aos outros estão gerando um novo ambiente de negócios que precisa de novas regras.

* Instituto Humanitas Unisinos



Um ramo de arruda na Caixa de Pandora

Antonio de Paiva Moura

Os jornais do país publicaram no dia 29 de novembro de 2009, com chamadas vistosas, que a Polícia Federal, em operação denominada “Caixa de Pandora”, contra esquema de pagamento de propina envolvendo o governador José Roberto Arruda (DEM-DF), seus assessores, deputados distritais e empresas fornecedoras do governo. Além disso, já existe no STJ (Supremo Tribunal de Justiça) uma gravação em que Arruda entrega a seu secretário extraordinário, Durval Barbosa para distribuir a importância de 400 mil reais como pagamento da sua “base aliada”. Com base nesse documento o STJU determinou a busca na residência oficial do governador.

O editorialista Fernando Rodrigues, da Folha de São Paulo diz que agora foi a vez do DEM entrar na base do clientelismo e dos mensalões. Insinua que até agora os democratas fossem políticos limpos. Em 2005 a Polícia Federal apreendeu em Brasília, 10 milhões de reais com o deputado federal João Batista Ramos da Silva do PFL (hoje DEM) em flagrante transação ilegal, com cumplicidade da Igreja Universal. O deputado federal Edmar Moreira era do DEM quando foi indicado por seu partido para fazer parte do Conselho de Ética do Senado, pouco antes da denúncia de uso indevido de verba indenizatória pelo mesmo. A Comissão de Ética do Senado rejeitou a proposta de suspensão do mandato do deputado Edmar Moreira, no dia 8 de julho de 2009. Acabou sendo absolvido de tais acusações. O volume de recursos públicos desviados por Edmar Moreira para a construção de um castelo no Sul de Minas, cerca de 25 milhões de reais, é enorme, mas não é visto pelos partidários do DEM e do PSDB, como escandaloso; Da mesma forma que Paulo Maluf, certamente, Edmar Moreira jamais será punido. No dia 20 de outubro de 2009, por sete votos a um o STF determinou que o senador Expedito Júnior do PSDB de Roraima deixasse o cargo em face de ter sido caçado por compra de votos em 2008, mas a mesa do Senado se recusava a cumprir. Só depois que o ministro do Supremo, Celso Melo achou uma anomalia a posição Senado é que o referido senador resolveu cumprir a ordem. O Senador Renato Azeredo, do PSDB de Minas Gerais responde processo no STF. No dia 4 de novembro de 2009 o ministro-relator da matéria, Joaquim Barbosa aceitou parte da denúncia contra Azeredo, acusado pelo Ministério Público de peculato e de lavagem de dinheiro. O senador Flexa Ribeiro do PSDB do Pará, dono de uma construtora, invadiu terra de domínio da Marinha, fechando uma rua que dá acesso ao mar. No espaço invadido e fechado, o senador vai construir um edifício de 19 andares. Na planta da edificação já reservou o apartamento cobertura para ele.

Diz Renato Janine Ribeiro, que no mandato de Fernando Henrique Cardoso do PSDB-SP, através do procurador geral impediu-se que a Polícia Federal agisse contra seus correligionários; impediu-se que fossem instaladas importantes CPIs para apurar atos ilícitos de seus funcionários. Na verdade, a grande imprensa enxerga, mas não quer ver que os políticos do PSDB e do DEM são velhos na prática do clientelismo e da corrupção. Ocorre que são blindados porque são defensores da continuidade do chamado neoliberalismo o novo condutor ideológico do american way of life (estilo americano de vida), na versão Bush filho, que é a preservação da ideologia liberal da valorização somente do indivíduo lutador e vencedor. Considera-se vencedor o indivíduo que tem capacidade para comprar o que deseja, desprezando os princípios éticos. É também a mentalidade de combater ou resistir às políticas públicas; crítica exagerada aos serviços públicos e às assistências sociais; discurso em defesa do estado máximo para o capital e estado mínimo para o povo. Os partidários do PSDB e do DEM, se dizem os únicos competentes para administrar os serviços públicos e direcionar os recursos do estado. A propalada competência é mais fruto da propaganda que da realidade e da verdade.

A nação brasileira catequizada no american way of life está repleta de jovens que se divertem espancando mendigos, índios, prostitutas e homossexuais. Pernas de fora, fofoca e traição viram notícia produzindo celebridades e revertem em bons cachês na “Playboy”. Como diz Inez Lemos, do cabaré de Brasília ao Big Brother a ordem é arriscar alguns minutos de glória, mesmo que fora da lei e fora do decoro.

A P Moura é professor da Escola Guignard – UEMG





O ciclo dos mensalões põe grandes jornais brasileiros diante de dilema
Postado por Carlos Castilho em 30/11/2009 (Observatório da Imprensa)

Depois do mensalão do PT vieram os do PSDB e agora o dos Democratas, no governo do Distrito Federal. Todos os três seguem mais ou menos o mesmo script mostrando que o uso do suborno em dinheiro é generalizado e, mais do que isto, virtualmente institucionalizado, porque os acusados e suspeitos reagem como se não estivessem cometendo um delito. Simplesmente tiveram o azar de serem flagrados.

O ciclo dos mensalões mostra também que, como a prática é generalizada, há um farto material disponível para retaliações, denúncias anônimas e deduragem a granel. Alimenta igualmente a engrenagem denuncista da mídia, que se transformou no palanque ideal para ajustes de contas entre desafetos políticos.

Para o leitor de jornais, a sucessão de mensalões deixou de provocar escândalo e indignação para gerar uma coisa muito pior: indiferença. É o sintoma de que a política e os políticos já não representam quase nada para a população, tal o grau de degradação moral a que chegaram os nobres deputados e senadores.

Passamos a olhar Brasília como uma espécie de circo onde atores canhestros procuram fazer de conta que trabalham para o eleitor quando, na realidade, preocupam-se apenas com a manutenção do próprio emprego e a ampliação de seu patrimônio.

Neste circo, a mídia é um coadjuvante pouco expressivo porque se limita a oferecer os microfones, câmeras e manchetes para que a troupe de excelências promova a pantomina de sempre, trocando acusações descontextualizadas que, em geral, acabam em nada.

A indiferença do leitor é o sintoma de cansaço com a sucessão de escândalos nos poderes Legislativo e Executivo, onde quotidianamente alguém acusa alguém de algo só para aparecer na mídia. Pura performance.

Os jornais acham que estão prestando um serviço ao leitor ao afogá-lo com informações, vídeos, gravações e fotos sobre atos ilícitos cometidos por funcionários públicos, parlamentares e governantes. Só que o público passou a rejeitar também a imprensa porque começou a vê-la como uma ferramenta inútil para mudar o estado de coisas.

O que a imprensa parece não ter percebido é que o tão falado “mar de lama” na política tupiniquim já foi longe demais. Os editoriais dirão que não cabe à imprensa mudar as coisas, simplesmente noticiar o que está acontecendo. Mas o público quer mudanças e se não encontra elementos na imprensa para ajudá-lo nesta busca, vai seguramente procurar noutro lugar.

A desilusão do publico com os políticos se soma à queda nos índices de circulação dos jornais. Se estes insistirem na estratégia de usar a política como forma de tentar manter sua participação no jogo do poder, podem se afastar ainda mais do público, agravando o seu déficit de receita com venda avulsa.

A sucessão de denúncias e escândalos de certa forma criou anticorpos no leitor, que não se impressiona mais com as maracutaias em Brasília. Uma forma de reconquistar a atenção do público seria identificar-se com o desejo de mudança, mas é aí que as redações tropeçam na inércia das suas direções.

Os laços com a elite político-partidária do país são fortes demais para serem rompidos repentinamente. Os jornais pareciam esperar que os eleitores fizessem a mudança, via urnas, para buscar depois uma reacomodação com os novos mandantes. Foi assim no início do governo Lula, mas quando o establishment brasiliense percebeu que a tendência era o fortalecimento do ex-metalúrgico, ficou difícil resistir à tentação conservadora.


Nos Comentários a esta matéria, dois leitores concordaram em que a falta de credibilidade da grande imprensa não se deve ao cansaço dos leitores, nem à indiferença. Deve-se, isso sim, ao fato de a imprensa ter escolhido uma posição política alinhada com o PSDB e o DEM, e de oposição sistemática aos partidos que estão no poder (PT e PMDB). Daí que ela critica com denodo os seus alvos, esquecendo-se que os seus protegidos sofrem dos mesmos males: a corrupção neste país não começou no atual governo.






VALE A PENA LER

Livro: Tempo, espaço e passado na mesoamérica
Autor: Eduardo Natalino dos Santos
Edição: Alameda (11 3012-2400)
Preço: R$ 55 (432 páginas)

Tempo, espaço e passado na mesoamérica o calendário, a cosmografia e a cosmogonia nos códices e textos nahuas

O livro de Eduardo Natalino dos Santos, Tempo, espaço e passado na Mesoamérica, é um ponto de referência indispensável para todos os leitores que se interessam pela América indígena. Sua reflexão é o ponto de partida para os brasileiros com relação à análise dos códices pictoglíficos de origem nahua, e partir deles descobrir todo o universo que se esconde entre uma cultura cheia de mistérios como a teoria sobre o fim do mundo no ano de 2012.
Os códices não eram lidos da maneira como nós, usualmente, lemos um livro em alfabeto latino. Eles eram exibidos publicamente por especialistas que de acordo com a ocasião recitavam os relatos, cantos, preces e outros textos da tradição oral, vinculados à informação visual contida nos manuscritos. A relação entre as imagens e escritos constantes nos códices e a tradição oral que os acompanhava era complexa, uma vez que nenhum desses dois elementos limitava as interpretações do outro. As imagens transmitiam conteúdos simbólicos e afetivos que nem sempre eram contemplados nos relatos orais, os quais poderiam incluir informações que não se encontravam nas imagens. Dessa forma, os códices e as tradições que os acompanhavam eram discursos plenamente audiovisuais. Para a realização desse trabalho, o historiador estudou principalmente os códices Borbónico, Vaticano A e Magliabechiano e os textos alfabéticos intitulados Leyenda de los soles, Anales de Cuauhtitlan, Historia de los mexicanos por sus pinturas e Histoire du Mechique.
O historiador Eduardo Natalino entrega ao leitor algumas as principais chaves de compreensão do universo indígena mesoamericano – o calendário, a cosmografia e a cosmogonia indígena. Com eles poderemos caminhar com segurança por entre pedras, pirâmides e palavras, conhecendo as maravilhas de uma cosmogonia que, ao invocar sistematicamente as mudanças no tempo e no espaço, permite ao leitor conhecer melhor a “Nossa América”.

Sobre o autor: Eduardo Natalino dos Santos atualmente é Professor Doutor no Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

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PADRE CÍCERO - PODER, FÉ E GUERRA NO SERTÃO

Nesta biografia seminal, o jornalista Lira Neto promove um mergulho na vida do padre Cícero Romão Batista, o mais amado e controverso líder religioso e político que o Brasil já teve - e um dos personagens mais fascinantes da nossa história. Padre Cícero é o resultado de dez anos de pesquisa de Lira Neto, autor de livros como O Inimigo do Rei: uma biografia de José de Alencar, premiado com o Jabuti em 2007, e Maysa: só numa multidão de amores, que deu origem à minissérie da TV Globo. Nesta biografia, uma das mais aguardadas do ano, o autor se debruça sobre a vida do mais amado e controvertido líder religioso que o Brasil já teve: Cícero Romão Batista, o "Padim Ciço" dos romeiros e fiéis. Baseado em documentos raros e inéditos, o autor reconta, com riqueza de detalhes, os noventa anos de vida do sacerdote, desde seu nascimento no sertão cearense até a consagração como líder popular. Santo para alguns, impostor para outros, nesta biografia o padre Cícero é alvo de um olhar preciso, que desfaz equívocos históricos e ajuda a enxergar o homem por trás do mito. Da infância pobre à transformação em líder religioso, passando pelo banimento da Igreja e a reinvenção como político, este livro seminal retoma cada um dos passos que fizeram do "padim" um fenômeno de massa, responsável por arrebatar milhões de fiéis que até hoje, 75 anos após sua morte, fazem de Juazeiro do Norte um dos maiores centros religiosos do planeta.
Cia. Das Letras, 49 reais, já nas livrarias

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CABEZA DE VACA

Paulo Markun

Paulo Markun narra a incrível história de Cabeza de Vaca, intrépido desbravador do século XVI que, entre outras peripécias, sobreviveu a três naufrágios na América do Norte, viveu quase dez anos entre os índios, percorreu milhares de quilômetros a pé e tornou-se um mítico curandeiro.
Cia. Das Letras, 42 reais.


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Livro resgata registros fotográficos de processos revolucionários
Autor: Michael Löwy
Tradução: Yuri Martins Fontes
Título original: Révolutions
Páginas: 552Preço: R$ 68,00
Editora: Boitempo






NAVEGAR É PRECISO

Minas Gerais
Arcebispo de Mariana demite e manda recolher jornal
Decisão é motivada por conteúdo que faz duras críticas a prefeitos da região e ao governador Aécio Neves
Danilo Augusto
http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/arcebispo-de-mariana-demite-e-manda-recolher-jornal

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Mato Grosso do Sul
Fazendeiros despejam indígenas Terena sem ordem judicial
Marcy Picanço
http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/fazendeiros-despejam-indigenas-terena-sem-ordem-judicial/view

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O “poder invisível” do mercado
por Antônio Inácio Andrioli
Muito tem sido falado sobre o mercado e seu domínio sobre a sociedade. Especialmente com a ampliação do livre comércio, que possibilitou uma até então inimaginável especulação financeira, cresce a crença num assim chamado “poder invisível” do mercado. O Estado de bem-estar social e a democracia são mundialmente apresentados como obstáculos à “ordem econômica”.
Leia na íntegra: http://espacoacademico.wordpress.com/2009/11/24/o-%e2%80%9cpoder-invisivel%e2%80%9d-do-mercado/

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LISBOA DEBAIXO DA TERRA (Canal História)

As Galerias Romanas da Rua da Prata
http://www.youtube.com/watch?v=Ivs6km260Kk

A Se de Lisboa
http://www.youtube.com/watch?v=quO0qXC8EFI&feature=related

O Aqueduto das Aguas Livres
http://www.youtube.com/watch?v=fr2Et9XIvkI&feature=related

Bairro Estrela D'Ouro
http://www.youtube.com/watch?v=vbOW0meYjv4&feature=related

O Teatro Romano
http://www.youtube.com/watch?v=KgRO3C6lxkA&feature=related

Reservatorio da Patriarcal
http://www.youtube.com/watch?v=l_INtKF8d1g&feature=related

Convento de Corpus Christi
http://www.youtube.com/watch?v=QMKvo0ZqGVQ&feature=related

Aqueduto das Aguas Livres
http://www.youtube.com/watch?v=fr2Et9XIvkI&NR=1

Nucleo Arqueologico da Rua dos Correeiros
http://www.youtube.com/watch?v=9XGps3kHVfE&feature=related

Padrao do Chao Salgado
http://www.youtube.com/watch?v=poyiROJFmM8&feature=related

A Muralha Fernandina
http://www.youtube.com/watch?v=9MCUTjKaFxw&feature=related

Os Moinhos de Vento
http://www.youtube.com/watch?v=PtDw4vK-qkI&feature=related


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Modelo americano ou europeu: qual o melhor caminho para a Universidade brasileira?
por João Fábio Bertonha
Desde que iniciei minha vida universitária, como aluno de graduação, várias coisas são aparentemente imutáveis. Uma é o fato da Universidade estar em “crise” (que, de tão contínua, deveria ser chamada de outro nome) e a segunda são as promessas dos candidatos a Reitor e outros cargos da administração superior durante as épocas eleitorais: defesa da autonomia e do caráter público da Universidade, administração competente, manutenção do trinômio ensino/pesquisa/extensão, valorização do material humano, recuperação da infra-estrutura, etc.
Leia na íntegra: http://espacoacademico.wordpress.com/2009/11/30/modelo-americano-ou-europeu-qual-o-melhor-caminho-para-a-universidade-brasileira/

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A democracia pós-moderna
A democracia pós-moderna é "democracia sem democratas". Substituiu o sujeito da intimidade por uma identidade pessoal sem pessoa, baseada não em valores morais admiráveis e dignos de renome, mas no modelo das celebridades e dos "conselheiros em comunicação".
Olgária Mattos
http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4480&boletim_id=620&componente_id=10377

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Uruguai e Honduras: o contraste entre duas eleições
No Uruguai, a jornada eleitoral foi uma festa cívica exemplar na qual o candidato apresentado pela Frente Ampla, José Mujica, venceu o segundo turno sem qualquer dúvida ou impugnação, derrotando o ex-presidente direitista Luis Alberto Lacalle, do Partido Nacional (Branco). No país centroamericano, em troca, ocorreu uma farsa, desprovida de credibilidade e de legitimidade, onde as vontades determinantes não foram as dos cidadãos hondurenhos, mas sim as da reduzida oligarquia local e a do governo dos Estados Unidos. O editorial é do jornal La Jornada, do México.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16270&boletim_id=621&componente_id=10387

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Acesse o Café História e descubra mais como era difícil ser alemão durante a guerra fria!
E mais:
Especialistas discutem o impacto da teoria da evolução
Sociedade Brasileira de História da Medicina
Fotos, vídeos, fóruns e eventos!
Visite Cafe Historia em: http://cafehistoria.ning.com/?xg_source=msg_mes_network

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História deletada
(Lúcio Flávio Pinto)
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&cod=43461&lang=PT






NOTICIAS


II CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE HISTÓRIA ECONÔMICA (SIMPÓSIO 5)
03 a 05/02/2010 - Cidade do México - México

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Reunião sobre Ensino de História no Rio de Janeiro
04/12/2009 - Unirio, sala 207 do prédio José de Anchieta, no PPGH, 4/12/2009, às 14hs, na Unirio
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Estudos antropológicos de la cultura guaraní. Historia y antropología (etnohistoria), La problemática indígena y los procesos de etnogénesis del presente y el pasado americano, la problemática estética en perspectiva antropológica
Conferencista: Guillermo Wilde (UNSAM, Argentina)
Data: 8, 9 e 10 de dezembro
Horários: diversos
Local: Auditório Pantheon IFCH UFRGS
Temas: Estudos antropológicos de la cultura guaraní. Historia y antropología (etnohistoria), La problemática indígena y los procesos de etnogénesis del presente y el pasado americano, la problemática estética en perspectiva antropológica.


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