Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

20.10.09

Numero 208




O boletim desta semana traz um artigo enviado pelo prof. Jaime Pinsky, em que ele relata a surpresa e - por que não? – a indignação por não ter conseguido trazer a blogueira cubana mais famosa do mundo para o lançamento do livro De Cuba, com carinho.
Em seguida, transcrevemos uma conferência de Eric Hobsbawm, que pensa ser essa crise o caminho para uma nova igualdade.
Na seção de livros, recomendamos as revistas Historia Viva e Revista de Historia da Biblioteca Nacional, e os livros Império por escrito, Virgilio Gomes da Silva: de retirante a guerrilheiro, Mestres do passado: clássicos da filosofia política moderna, Poemas do povo da noite, o jornal Lê Monde Diplomatique Brasil, e uma resenha do clássico Formação Econômica do Brasil de Celso Furtado.
Em Navegar é preciso, Globo desmente Kamel: Brasil é racista sim - Mensagem de M. Moore a Obama: Se não sai do Afeganistão, devolva o prêmio – Uma segunda grande depressão ainda é possível - A fúria da extrema-direita dos EUA contra Barack Obama – Tráfico, favelas e violência – A percepção política de Brunetto Latini - Identidade, intolerância e as diferenças no espaço escolar: questões para debate.
Nas Noticias, a mesa redonda A História do Museu - temas práticas educativas e diálogos transdisciplinares – e a exposição Mulheres Reais
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Yoani Sánchez no Brasil
Jaime Pinsky
Historiador, professor titular da Unicamp, diretor da Editora Contexto.
A informática criou a ilusão de que basta montar e manter um blog para sermos lidos. A simples proliferação desses diários eletrônicos é prova de suas possibilidades, mas, por outro lado, a comprovação de seus limites. Frequentemente recebemos e-mails ou telefonemas com convites para visitarmos blogs que não passam de conjuntos desarticulados de frases de senso comum, senão piegas, comentários superficiais, “recortes” de jornais e fotos que não interessam a ninguém. Por outro lado temos blogs de muito boa qualidade, alguns dos quais se tornaram referência. É o caso de Generación Y, o blog de Yoani Sánchez.
Yoani coloca seus posts em um dos blogs mais visitados do mundo, com vários milhões de acessos mensais. Ela mora em Cuba, com seu marido Reinaldo Escobar e seu filho adolescente Teo. Nos seus posts ela conta como é a vida cotidiana na ilha, talvez com certo amargor, mas não sem boa dose de humor. Sua escrita é de muita qualidade, daí a ideia de publicarmos, na forma de livro, uma coleção de seus textos para termos uma noção do que está acontecendo com as pessoas reais na Cuba de hoje. Pelo menos sob a ótica de Yoani. Pedimos a ela que selecionasse número representativo de posts e escrevesse uma apresentação especialmente para o leitor brasileiro, coisa que ela fez com presteza. Traduzimos cuidadosamente os textos, fizemos uma apresentação, agregamos um posfácio e convidamos a autora para vir ao lançamento do livro que denominamos De Cuba, com carinho. “De Cuba”, simples tradução do site que abriga o seu blog. “Com carinho”, pois é este o sentimento que temos para com os habitantes daquela linda ilha.
Ao saber que Yoani não foi autorizada a viajar para o exterior pelas autoridades cubanas, nem mesmo
para receber os prêmios que ganhou, ou para fazer palestras em universidades, entramos em contato com o senador Eduardo Suplicy para que ele, como membro destacado do partido do Governo no Brasil e como amigo de Cuba, nos ajudasse a viabilizar a vinda de Yoani ao Brasil. (Não há nada de estranho em um autor ser convidado para divulgar seu livro. Estranho é ele não receber a autorização do seu próprio governo para essa viagem). O senador inicialmente se dispôs a fazer um convite, desde que a Editora lhe enviasse uma carta assegurando que pagaria as despesas da autora. Fizemos isso. Em seguida ele nos ligou dizendo que preferia antes entrar em contato informal com o sr Alejandro Diaz Palácio, diplomata responsável pela Embaixada Cubana. Já na embaixada, Suplicy nos ligou novamente, dizendo que estava com o encarregado de negócios ao seu lado e que ele queria falar comigo. Fiquei animado, pois como velho amigo de Cuba (que já visitei três vezes, uma das quais na qualidade de historiador convidado do Governo Cubano), ingenuamente, achei que receberíamos o apoio do diplomata à nossa demanda. Na verdade, a conversa começou mal. O representante do governo cubano disse não ver muito sentido em “convidar essa senhora, que ninguém conhece”, quando ele se dispunha a listar autores cubanos mais adequados para publicação no Brasil. Fiquei chocado e respondi que, em nosso país, quem decide o que é publicado numa editora é um conselho editorial e não representantes de governos estrangeiros. O sr. Alejandro disse que, nesse caso, ele nada poderia fazer, e que deveríamos entrar com o pedido no consulado de São Paulo e não na Embaixada em Brasília.
Mesmo tendo a desagradável sensação de estarmos sendo “enrolados” sob pretextos burocráticos, a Editora entrou com o pedido. Só uma semana depois recebemos e-mail do cônsul Carlos Trejo Sosa dizendo que deveríamos registrar em cartório o pedido, depois receber alguns carimbos do Itamaraty, para então voltar a encaminhá-lo ao consulado. Fizemos tudo isso (mais duas semanas...) Aí recebemos a informação de que teríamos que começar tudo de novo. O pedido da Editora não valia mais. Eu deveria fazê-lo em meu nome, indo pessoalmente ao cartório, etc. Ora, o convite é da Editora que publicou o livro, não meu, pessoa física. Nitidamente esgotaram-se os trâmites normais. Mas não as tratativas para trazer Yoani.
O senador Suplicy está empenhado na vinda dela. O senador Demóstenes Torres aprovou na Comissão de Justiça do Senado e o presidente da casa José Sarney encaminhou à Embaixada Cubana convite para uma audiência pública de Yoani naquela casa legislativa. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso intercedeu para que a escritora possa vir ao Brasil. Temos esperança de que isto ainda aconteça.
De Cuba, com carinho pode ser lido como um belo livro de História. História cotidiana de quem vive o dia a dia da ilha, sofre com a decadência da economia cubana, mas ama seu país. Alguém que não deseja que conquistas obtidas nas últimas décadas sejam jogadas fora, mas acha que o regime envelheceu com seus dirigentes. Yoani se dispõe a discutir suas ideias. Não é o melhor que pode acontecer para fortalecer a relação entre dois povos tão amigos?
Este artigo foi publicado no Correio Braziliense de 18 de outubro de 2009.
Eric Hobsbawm: uma nova igualdade depois da crise

O objetivo de uma economia não é o ganho, mas sim o bem-estar de toda a população. O crescimento econômico não é um fim, mas um meio para dar vida a sociedades boas, humanas e justas. Não importa como chamamos os regimes que buscam essa finalidade. Importa unicamente como e com quais prioridades saberemos combinar as potencialidades do setor público e do setor privado nas nossas economias mistas. Essa é a prioridade política mais importante do século XXI. A análise é de Eric Hobsbawm.
IHU - Instituto Humanitas (Unisinos) (Agência Carta Maior)

Publicamos aqui parte da conferência que o historiador inglês e membro da Academia Britânica de Ciências Eric J. Hobsbawm apresentou no primeiro dia do World Political Forum, em Bosco Marengo (Alexandria). Do Fórum deste ano, sobre o tema "O Leste: qual futuro depois do comunismo?", participam, dentre outros, Mikhail Gorbachev e Yuri Afanasiev.
Segundo Hobsbawn, todos os países do Leste, assim como os do Oeste, devem sair da ortodoxia do crescimento econômico a todo custo e dar mais atenção à equidade social. Os países ex-soviéticos, afirma, ainda não superaram as dificuldades da transição para o novo sistema.
O texto foi publicado no jornal La Repubblica, em 09-10-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Eis o artigo.
O "século breve", o XX, foi um período marcado por um conflito religioso entre ideologias laicas. Por razões mais históricas do que lógicas, ele foi dominado pela contraposição de dois modelos econômicos – e apenas dois modelos exclusivos entre si – o "Socialismo", identificado com economias de planejamento central de tipo soviético, e o "Capitalismo", que cobria todo o resto.
Essa contraposição aparentemente fundamental entre um sistema que ambiciona tirar do meio do caminho as empresas privadas interessadas nos lucros (o mercado, por exemplo) e um que pretendia libertar o mercado de toda restrição oficial ou de outro tipo nunca foi realista. Todas as economias modernas devem combinar público e privado de vários modos e em vários graus, e de fato fazem isso. Ambas as tentativas de viver à altura dessa lógica totalmente binária dessas definições de "capitalismo" e "socialismo" faliram. As economias de tipo soviético e as organizações e gestões estatais sobreviveram aos anos 80. O "fundamentalismo de mercado" anglo-americano quebrou em 2008, no momento do seu apogeu. O século XXI deverá reconsiderar, portanto, os seus próprios problemas em termos muito mais realistas.
Como tudo isso influi sobre países que no passado eram devotados ao modelo "socialista"? Sob o socialismo, haviam reencontrado a impossibilidade de reformar os seus sistemas administrativos de planejamento estatal, mesmo que os seus técnicos e os seus economistas estivessem plenamente conscientes das suas principais carências. Os sistemas – não competitivos em nível internacional – foram capazes de sobreviver até que pudessem continuar completamente isolados do resto da economia mundial.
Esse isolamento, porém, não pôde ser mantido no tempo, e, quando o socialismo foi abandonado – seja em seguida à queda dos regimes políticos como na Europa, seja pelo próprio regime, como na China ou no Vietnã – estes, sem nenhum pré-aviso, se encontraram imersos naquela que para muitos pareceu ser a única alternativa disponível: o capitalismo globalizado, na sua forma então predominante de capitalismo de livre mercado.
As consequências diretas na Europa foram catastróficas. Os países da ex-União Soviética ainda não superaram as suas repercussões. A China, para sua sorte, escolheu um modelo capitalista diferente do neoliberalismo anglo-americano, preferindo o modelo muito mais dirigista das "economias tigres" ou de assalto da Ásia oriental, mas abriu caminho para o seu "gigantesco salto econômico para frente" com muito pouca preocupação e consideração pelas implicações sociais e humanas.
Esse período está quase às nossas costas, assim como o predomínio global do liberalismo econômico extremo de matriz anglo-americana, mesmo que não saibamos ainda quais mudanças a crise econômica mundial em curso implicará – a mais grave desde os anos 30 –, quando os impressionantes acontecimentos dos últimos dois anos conseguirão se superar. Uma coisa, porém, é desde já muito clara: está em curso uma alternância de enormes proporções das velhas economias do Atlântico Norte ao Sul do planeta e principalmente à Ásia oriental.
Nessas circunstâncias, os ex-Estados soviéticos (incluindo aqueles ainda governados por partidos comunistas) estão tendo que enfrentar problemas e perspectivas muito diferentes. Excluindo de partida as divergências de alinhamento político, direi apenas que a maior parte deles continua relativamente frágil. Na Europa, alguns estão assimilando o modelo social-capitalista da Europa ocidental, mesmo que tenham um lucro médio per capita consideravelmente inferior. Na União Europeia, também é provável prever o aparecimento de uma dupla economia. A Rússia, recuperada em certa medida da catástrofe dos anos 90, está quase reduzida a um país exportador, poderoso mas vulnerável, de produtos primários e de energia e foi até agora incapaz de reconstruir uma base econômica mais bem balanceada.
As reações contra os excessos da era neoliberal levaram a um retorno, parcial, a formas de capitalismo estatal acompanhadas por uma espécie de regressão a alguns aspectos da herança soviética. Claramente, a simples "imitação do Ocidente" deixou de ser uma opção possível. Esse fenômeno ainda é mais evidente na China, que desenvolveu com considerável sucesso um capitalismo pós-comunista próprio, a tal ponto que, no futuro, pode também ocorrer que os historiadores possam ver nesse país o verdadeiro salvador da economia capitalista mundial na crise na qual nos encontramos atualmente. Em síntese, não é mais possível acreditar em uma única forma global de capitalismo ou de pós-capitalismo.
Em todo caso, delinear a economia do amanhã é talvez a parte menos relevante das nossas preocupações futuras. A diferença crucial entre os sistemas econômicos não reside na sua estrutura, mas sim na suas prioridades sociais e morais, e estas deveriam portanto ser o argumento principal do nosso debate. Permitam-me, por isso, a esse ilustrar dois de seus aspectos de fundamental importância a esse propósito.
O primeiro é que o fim do Comunismo comportou o desaparecimento repentino de valores, hábitos e práticas sociais que haviam marcado a vida de gerações inteiras, não apenas as dos regimes comunistas em estrito senso, mas também as do passado pré-comunista que, sob esses regimes, haviam em boa parte se protegido. Devemos reconhecer quanto foram profundos e graves o choque e a desgraça em termos humanos que foram verificados em consequência desse brusco e inesperado terremoto social. Inevitavelmente, serão necessárias diversas décadas antes de que as sociedades pós-comunistas encontrem uma estabilidade no seu "modus vivendi" na nova era, e algumas consequências dessa desagregação social, da corrupção e da criminalidade institucionalizadas poderiam exigir ainda muito mais tempo para serem combatidas.
O segundo aspecto é que tanto a política ocidental do neoliberalismo, quanto as políticas pós-comunistas que ela inspirou subordinaram propositalmente o bem-estar e a justiça social à tirania do PIB, o Produto Interno Bruto: o maior crescimento econômico possível, deliberadamente inigualitário. Assim fazendo, eles minaram – e nos ex-países comunistas até destruíram – os sistemas da assistência social, do bem-estar, dos valores e das finalidades dos serviços públicos. Tudo isso não constitui uma premissa da qual partir, seja para o "capitalismo europeu de rosto humano" das décadas pós-1945, seja para satisfatórios sistemas mistos pós-comunistas.
O objetivo de uma economia não é o ganho, mas sim o bem-estar de toda a população. O crescimento econômico não é um fim, mas um meio para dar vida a sociedades boas, humanas e justas. Não importa como chamamos os regimes que buscam essa finalidade. Importa unicamente como e com quais prioridades saberemos combinar as potencialidades do setor público e do setor privado nas nossas economias mistas. Essa é a prioridade política mais importante do século XXI.
VALE A PENA LER



1. O Império por Escrito
Formas de transmissão da cultura letrada no mundo ibérico
séculos XVI-XIXl


No Brasil, como no mundo ibérico em geral, corre a ideia de que seríamos um país de não-leitores é corrente. Mas este conceito reflete uma ideia antiga sobre a escrita, a leitura e as formas de transmissão da cultura. Resultado de um colóquio que teve lugar na Universidade de São Paulo em 2007, o livro O Império por Escrito, organizado pelas historiadoras Leila Mezan Algranti e Ana Paula Megiani, traz uma complexa diversidade de temas envolvidos na história da leitura e dos leitores – temas e ideias que vão das leituras da vida na corte às gazetas manuscritas revolucionárias do século XVIII. Por isto, neste conjunto de ensaios, são destacados a importância e os significados da comunicação escrita no mundo ibérico, em especial no império português.
Escrever uma história da leitura, ou das leituras no mundo ibérico, é uma atitude ao mesmo tempo ousada e revolucionária. Ousada por pressupor que a leitura seria uma prática cotidiana, acessível um a bom número de pessoas, que podiam escutar notícias, histórias ou relatos lidos. Atitude revolucionária por entender que a leitura vai muito além do próprio livro e seguiu um caminho diferente no Brasil colonial e imperial. Dessa maneira, a coragem de expor essas pesquisas resultou num dos mais importantes volumes sobre a história da leitura e dos leitores do país.
Os diferentes círculos e os variados níveis de comunicação são estudados tanto nos âmbitos dos documentos oficiais como nos diferentes impressos, registros e manuscritos de todo tipo. Eles desempenharam um papel fundamental na transmissão de ideias, valores, normas, costumes e saberes entre as metrópoles e suas colônias, bem como entre as diferentes possessões ultramarinas que integravam tais impérios coloniais.
Livro: O Império por Escrito
Autor: Leila Mezan Algranti e Ana Paula Megiani
Edição: Alameda
Preço: R$ 78 (608 páginas)

Sobre as autoras: Leila Mezan Algranti é professora de História na Universidade Estadual de Campinas. Ana Paula Megiani é professora de História na Universidade de São Paulo.

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2. Virgilio Gomes da Silva: De Retirante a Guerrilheiro dedica-se a recuperar a trajetória pessoal e política desse homem cuja biografia transcende sua morte porque sua história faz parte das lutas históricas do povo brasileiro contra a miséria e a opressão. Virgilio começou vencendo a miséria. Retirante, saiu do sertão do Rio Grande do Norte nos anos 50 para tentar a vida em São Paulo, onde, por meio das lutas sindicais, adquiriu consciência política e tomou contato com as ideias do Partido Comunista Brasileiro.

Após a institucionalização da ditadura, processo iniciado a partir do golpe civil-militar de 1964, Virgilio passou a assumir posição destacada na luta contra a opressão, tornando-se um guerrilheiro da Ação Libertadora Nacional, organização cujos fundadores e líderes foram Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira. Menos de um mês após ter comandado uma das ações mais espetaculares da luta de resistência contra a ditadura, o seqüestro do embaixador americano, Virgilio, o "Jonas" da ALN, foi brutalmente assassinado sob torturas na sede da famigerada Operação Bandeirantes, em 29 de setembro de 1969, e se tornou o primeiro desaparecido político brasileiro.

Esse livro surge em um contexto bastante significativo, em que se lembra os 30 anos da luta pela Anistia e os 40 anos da morte do biografado, e integra uma luta pela Memória, pela Verdade e pela Justiça, da qual fazem parte a abertura dos arquivos, a punição dos torturadores e a localização dos corpos dos desaparecidos.

Edileuza Pimenta e Edson Teixeira são historiadores e autores de Virgilio Gomes da Silva: De Retirante a Guerrilheiro.

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3. Como os clássicos viram clássicos
4. Montesquieu escreveu que os livros são uma espécie de sociedade que damos a nós mesmos. Aqueles que lêem bons livros estão no caso dos que vivem em ótima companhia, mas aqueles que lêem livros ruins são como os que se vêem malacompanhados, e que, no mínimo, perdem seu tempo nessa convivência pouco proveitosa. A leitura de “Mestres do passado”, de Marcos Antônio Lopes, é um verdadeiro convite para se freqüentar a excelente sociedade formada por algunsdos autores que a história elevou à categoria de clássicos do pensamento político moderno. Por meio de uma prosa leve e agradável, sem, contudo, perder de vista a complexidade dos assuntos tratados, Lopes apresenta as razões paraque, em pleno século XXI, continuemos a nos interessar vivamente pelo pensamento político de homens como Maquiavel, Hobbes ou Bossuet, cujas obras foram publicadas há centenas de anos. (Renato Moscateli/Doutor em FilosofiaPolítica pela Unicamp).Marcos Antônio Lopes é professor na Universidade Estadual de Londrina.Livro: Mestres do Passado: Clássicos da Sabedoria Política Moderna.Edição: Eduel, 2009.Preço: R$ 35,00 (220páginas)

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5. Nas bancas o numero 72 da revista História Viva.
Dossiê: Fim da Guerra Fria.
Biografia de Mao Tse-Tung
Artigos principais: Hititas, o império esquecido – Intolerância religiosa – Tocqueville e a democracia – A mulher brasileira e os viajantes.

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6. Nas bancas o número 49 da Revista de História da Biblioteca Nacional. Traz o índice do 4º ano da revista.
Dossiê: França
Entrevista: Manoel Salgado Guimarães
Artigos principais: Políticas da cultura – Poder feminino – Discos voadores: pneus no céu – Educação: ainda na selva? – Álbuns para segurança – Achados do povo de Luzia.

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7. Nas bancas a edição de outubro do jornal Le Monde Diplomatique Brasil.
Artigo de fundo: o novo Estado desenvolvimentista
Outros artigos: Novos paradigmas: uma outra visão de mundo - Eleições japonesas viram a mesa da direita - Entrevista com Tom Zé - O multilateralismo em questão - Terceirização da saúde: gestao pública ou privada? - El Salvador: cem dias de governo - Nanotecnologia: o futuro chegou.
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8. "Perdemos a noção do tempo". Esse é o primeiro verso dos: "Poemas do Povo da Noite". A versão definitiva do poema foi escrita em outubro de 1974, na Penitenciária do Carandiru, quando eu já cumprira o segundo ano de prisão. Antes fora rabiscada em pedaços de papel de cigarro, em letra miúda, ou memorizada para escapar das revistas constantes nas celas do 10º. Batalhão de Caçadores – 10º. BC, Goiânia; do Pelotão de Investigações Criminais – PIC, no Setor Militar Urbano, em Brasília; da OBAN/DOI-CODI do II Exército; do DOPS; do Presídio Tiradentes; do Presídio do Hipódromo; ou da Casa de Detenção e da Penitenciária do Estado de São Paulo, no complexo Carandiru e do Presídio Romão Gomes, em São Paulo. Não exatamente porque os carcereiros dessas instituições cultivassem especial interesse pela poesia...
Leia mais em http://www.correiocidadania.com.br/content/view/3870/166/
Editora: Editora Fundação Perseu Abramo em co-edição com a Publisher Brasil Editora
Título: Poemas do povo da noite - Autor: Pedro Tierra
Número de páginas: 248pp - Valor: R$ 35,00
NAVEGAR É PRECISO
O Globo desmente Ali Kamel: Brasil é racista, sim
Posted: 14 Oct 2009 10:38 AM PDT
Muita gente acha que Ali Kamel é o bambambam das Organizações Globo. Mas, como já afirmei aqui, ele é apenas um empregado. Não é ele quem dita as regras, mas sim a família Marinho. Ele é a bola da vez, o cara que representa (na verdade, o escudo) tudo aquilo que os Marinho (e seus pares – Mesquita, Civita, Frias) pensam.
Esta semana, O Globo publicou uma reportagem que desmonta todo o raciocínio de Kamel (e também de seu alter-ego, Magnoli) de que no Brasil não há racismo.
Sob título “Mulheres e minorias para trás”, o repórter Gilberto Scofield Jr. mostra que a tese de que não há racismo no Brasil é conto da Carochinha e que o Brasil é racista, sim.
A reportagem saiu na segunda-feira. Mas deveria, por sua importância, ter saído no domingo. Essa já é uma rendição aos desejos da famiglia.
Se isso não bastasse, para tentar diminuir o impacto da revelação de que somos um país racista, o foco da reportagem foi a discriminação de gênero (mulheres ganham menos do que homens) e não a de raça (indígenas e negros ganham menos do que brancos), mesmo, como afirma o texto, “considerando grupos com a mesma idade e nível de instrução”.
Ainda para tentar manter de pé a tese de que não somos racistas, o repórter coloca no final da matéria a afirmação de que o fator decisivo é a educação. Só que, contraditoriamente, no corpo da matéria ele afirma que mulheres recebem menos do que homens, “a despeito de as mulheres serem mais instruídas”.
Afinal, a educação é ou não fator fundamental para explicar a disparidade salarial? Num momento (o de gênero), eles afirmam que não. Em outro (de raça), que sim.
No fundo, é a velha manipulação, que vem sendo denunciada pela blogosfera. O Globo, a Veja, o Estadão, a Folha publicam para seus pares, enquanto o mundo ao redor se desmancha como bolhas de sabão.
Leia a íntegra da reportagem: http://blogdomello.blogspot.com/

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Mensagem de M. Moore a Obama: Se não sai do Afeganistão, devolva o prêmio
(Michael Moore)
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&cod=42002&lang=PT

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Uma segunda Grande Depressão ainda é possível
A fúria da extrema-direita dos EUA contra Barack Obama
O que em qualquer outro país democrático ocidental seriam grupos marginais, propícios para o manicômio, nos EUA contam com grandes meios de comunicação – como a cadeia Fox – e capacidade de mobilização massiva para expressar seus delírios ideológicos. Há algumas semanas, estes grupos capazes de detectar comunistas nos locais mais inesperados, estão em pé de guerra contra a reforma da saúde, proposta por Obama, que em qualquer país europeu não chegaria a merecer o título de social-democrata. O artigo é de Pablo Stefanoni.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16190&boletim_id=602&componente_id=10116

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Tráfico, favelas e violência
A política de segurança adotada por sucessivos governos da cidade e do Estado comete equívocos e dialoga com público, através das mídias, de modo ainda mais equivocado. Ao não aceitar ajuda federal, o atual governador situou o problema na esfera local, dizendo que, por ora, tinha como resolvê-lo. As questões de fundo que são as verdadeiras causas de tudo isto foram, mais uma vez, para debaixo do tapete da política e da história. O artigo é de Luis Carlos Lopes. > LEIA MAIS
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16197&boletim_id=604&componente_id=10148

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Percepção Política
por Regina Caldas
A vida de Brunetto Latini (1220-1294), coincide com um dos períodos mais agitados da história política florentina. Tendo recebido formação para se tornar notário, Brunetto foi treinado para escrever em latim nas mais variadas formas de contratos e na redação de atos e documentos governamentais. Como praticante de notário, atestou mortes, atos de ultima vontade, acordos de negócios particulares e do estado, entre Florença e outras cidades... Leia na íntegra: http://espacoacademico.wordpress.com/2009/10/20/percepcao-politica/

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Identidade, intolerância e as diferenças no espaço escolar: questões para debate
por Eliana de Oliveira
Numa abordagem antropológica, a identidade é uma construção que se faz com atributos culturais, isto é, ela se caracteriza pelo conjunto de elementos culturais adquiridos pelo indivíduo através da herança cultural. A identidade confere diferenças aos grupos humanos. Ela se evidencia em termos da consciência da diferença e do contraste do outro... Leia na íntegra: http://espacoacademico.wordpress.com/2009/10/17/identidade-intolerancia-e-as-diferencas-no-espaco-escolar-questoes-para-debate/

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NOTICIAS

O LABEPEH (Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino de História - CP/FAE- UFMG) convida você para a sessão dos *Diálogos* de outubro de 2009O projeto foi criado em 2005. Os *Diálogos* têm como papel fundamentalefetivar a relação entre pesquisa, ensino e extensão no campo do Ensino deHistória, articulando a Universidade e Escolas da Educação Básica.Atualmente o projeto é coordenado pelas profas Júnia Sales (Fae) e Soraia deFreitas (CP) e conta com colaboração direta das profas. Dilma Scaldaferri eLuisa Teixeira Andrade, além das monitoras e colegas do Labepeh.Na sessão do dia 29 de outubro (última quinta-feira do mês) discutiremoso tema "A História do Museu - temas práticas educativas e diálogos transdisciplinares, em uma mesa redonda composta por Júnia Sales Pereira, professora da Faculdade de Educação\UFMG, Naila Garcia Mourthé, professora de História da Escola Estadual Prof. José Mesquita de Carvalho e Andréia Menezes De Bernardi, arte educadora e aluna do Mestrado da Fae\UFMG.Contamos com a sua presença e pedimos especial colaboração na divulgaçãodeste evento. As sessões dos Diálogos acontecem toda última quinta-feira domês, no auditório professor Luiz Pompeu (Faculdade de Educação - UFMG),sempre às 19h.

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De 9 de outubro a 22 de novembro, exposição Mulheres Reais.
Vestuário – Modas e modos do Rio de D. João VI.
Galeria Alberto da Veiga Guignard, Palácio das Artes, Belo Horizonte
De 9 às 21 horas, de terça a domingo.
Maiores informações: www.exposicaomulheresreais.com

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