Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

13.1.10

Numero 217



Todo início de ano é a mesma coisa: desastres nas estradas e nas cidades, onde, em virtude de uma série de fatores, casas são construídas em locais totalmente inapropriados e, claro, desabam sob as fortes chuvas. Ultimamente, em virtude das alterações climáticas, as chuvas tem caído com mais intensidade, o que só faz aumentar o número de desastres e, claro, o de mortos e desabrigados.

Angra dos Reis, a paradisíaca cidade fluminense, tal como descrita nos folders das agências de turismo, com suas mansões, pousadas e até com sua usina atômica, e Ilha Grande, de terrível memória, tornaram-se as personagens principais dos noticiários da grande imprensa.

Com ares compungidos, os(as) apresentadores(as) dos noticiários mostram as vítimas, as expressões de desespero, os choros convulsivos de quem tudo perdeu.

E a grande pergunta é: por que isso continua a acontecer?

Uma resposta irada veio do historiador da UFF, Edson Teixeira, publicada no Correio Caros Amigos. Como ele afirma desde o título, a culpa não pode ser atribuída ao santo tradicionalmente apontado como responsável pelas chuvas. Estamos falando e devemos falar de processos históricos para explicar as desgraças que inauguram todos os anos-novos, logo depois da extraordinária queima de fogos que atraem turistas.

Leia o que ele diz:

A culpa não é de São Pedro!

Como admirador e turista extra-oficial da Ilha Grande e Angra dos Reis, não posso deixar de remeter algumas reflexões sobre a falácia que estamos assistindo na porca mídia brasileira. O que lá ocorreu é uma tragédia anunciada. Vejamos três motivos:
Primeiro, não há política de turismo para essa região, com exceção dos tradicionais salões de festas da burguesia brasileira. Esta possui partes inteiras da ilha para ancorar suas lanchas e iates, desfrutando da mais-valia absoluta que extraem dos trabalhadores que subcontratam em suas pastagens empresariais.
Segundo, a população nativa, na Ilha, vive a deus dará. Não há apoio municipal condizente. Os serviços são precários e não incentivam a democratização do espaço "natural". A completa destruição do presídio da praia de Dois Rios é o retrato do descaso do Governo do Estado com o local. Aquilo poderia ser um centro de memória, mas lembrar o que incomoda não interessa à classe dominante.
Terceiro, o que ocorre em Angra dos Reis é fruto do que ocorre em todo o mundo capitalista. Quem mora na cidade, além das tradicionais "elitinhas" de merda, são os subproletários do Sul fluminense, ou regiões mais distantes, atraídos pelo falso eldorado das empresas que lá se instalaram. - além da possibilidade de algum ganho com o movimento de turistas. Tudo numa precarização humana e social que é visível e correlata à ocupação do espaço urbano.

Angra, com exceção dos condomínios de luxo, não passa de uma favela gigante regida pela especulação imobiliária. Isso não implica acatar, passivamente, os preconceitos comuns quando se fala em favela. Mas, a favelização é um processo mundial, que se alia à precarização das relações sociais trazidas com as políticas neoliberais.
Diante desse pequeno retrato, qual é a espetacularização midiática mais deslavada?
Romantizar o episódio como "tragédia natural", quando de "natural" não há nada na formação social dos povos. Tudo é intencional; tudo é construção humana. Seja pela ação ou omissão do poder público, seja pela sua eficácia ou ineficácia.
Não por acaso somos bombardeados diuturnamente pelos dramas familiares. Em cada lágrima, em cada caixão, não vai uma vida. Vai a vida e o projeto de sociedade de toda uma nação. Daqui a pouco vão querer implantar algo semelhante à firula política de unidade pacificadora na Ilha e em Angra. Ou, talvez, num culto ecumênico fantoche, rezar para que santos e deuses cessem a catástrofe.
Angra é a denúncia do que vem por aí. Ou melhor, do que já é uma realidade perversa. Ocultar essa perversidade é que é uma tragédia - ou uma farsa.
Edson Teixeira é historiador - doutor em História da Universidade Federal Fluminense, professor universitário, pesquisador e escritor



Minha ex-aluna e grande amiga Alexia, agora morando na Holanda, me manda uma foto para eu sentir o drama do inverno... Belíssima foto, mas imagino o frio! Ela diz que de dia ta fazendo – 6, - 8, e de noite cai uns 10 graus... socorro!!!!


foto: Alexsandra Nogueira

Se você tem uma foto legal e quer vê-la publicada aqui, pode mandar! Será um prazer mostra-la para os 258.732 leitores deste blog....


Sou fã de carteirinha do Chomsky. Suas análises sempre me impressionam e, particularmente quando ele fala de nosso subcontinente. É uma pena que a grande imprensa não lhe dê o devido valor, mas isso é bastante compreensível, já que ele é um crítico contundente do “consenso da mídia”, como ele chama.
Em 1982 ele escreveu um artigo analisando a ideologia e a realidade da Guerra Fria que, durante mais de uma década eu “obriguei” meus alunos a ler. Talvez eles me odeiem por isso, mas o artigo era de uma clareza e de uma objetividade que até hoje eu o releio.
Um livro dele, publicado aqui no Brasil com o título de O lucro ou as pessoas também foi leitura obrigatória em minhas turmas na faculdade onde lecionava. É uma análise muito bem feita dos interesses econômicos das grandes corporações mundiais e de como as pessoas deixaram de ser importantes. O lucro sempre é o mais importante.

Nesta semana, há um artigo de Chomsky no site da CartaMaior.
Recomendo. Ele analisa o que os quatro presidentes norte-americanos que receberam o Nobel da Paz fizeram na América Latina. E, o mais sério, o que o Obama está fazendo.
Não deixe de ler aqui
: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16314&boletim_id=632&componente_id=10528



Recebo e publico, com muito prazer, mais uma colaboração do professor Antônio de Paiva Moura. Ele faz um texto interessante, relacionando a Conferência de Copenhague (aquela que reuniu centenas de autoridades para não resolverem nada...) e a situação do Médio Paraopeba, aqui em Minas.



O Médio Paraopeba e a questão ambiental.

Antonio de Paiva Moura

O final da conferência de mudanças climáticas da ONU, em Copenhague, capital da Dinamarca, que tentou estabelecer um programa de cooperação global para combate às mudanças climáticas, foi frustrador, embora tenha reunido 119 chefes de estado, dos 192 paises de todo o mundo. Serviu, contudo, para esclarecer as posições e as intenções dos principais paises emissores de CO2. Na verdade, nenhum país está disposto a interromper ou diminuir o ritmo de crescimento econômico, em favor da natureza.
O aquecimento global não é um problema novo. É notado desde a segunda revolução industrial empreendida com apoio dos ideais iluministas. Conforme estudo de Michael Löwy (1993), desde o século XIX pensadores românticos já combatiam a modernidade capitalista que desembocava em impasses: por um lado, devido a seu caráter destruidor do ponto de vista humano, social e cultural; por outro, devido à ameaça que fazia pesar sobre a própria sobrevivência da espécie, com o perigo de catástrofes ecológicas. É neste aspecto que o romantismo revelou toda a sua força crítica e sua lucidez diante da cegueira das ideologias do progresso. Os críticos românticos viram o que estava fora do campo da visão liberal individualista do mundo: quantificação, perda dos valores qualitativos, humanos e culturais; solidão dos indivíduos, desenraizamento, alienação pela mercadoria, dinâmica incontrolável do maquinismo e da tecnologia, degradação da natureza.
De 1967 a 1973, a UNESCO realizou cinco conferências intercontinentais, visando o desenvolvimento social, sem destruição das culturas regionais. (Klineberg, 1982). Na Conferência de Bogotá, Colômbia, em 1978, aprofundou na problemática da identificação cultural, a partir das experiências singulares próprias da região, em que a mestiçagem produziu culturas sincréticas de dimensão universal; valorizou a criação artística; educação e situação do meio ambiente. A conferência de Jogiakarta, Indonésia, em 1973, preconizou a busca de modelos originais de desenvolvimento que pudessem garantir um equilíbrio entre as culturas nacionais e a assimilação necessária da ciência e da tecnologia. A carta dessa conferência afirma que não se deve confundir a manutenção da tradição com a rejeição do progresso científico e tecnológico. O acesso à "modernidade" não deve adotar a forma de uma alienação nem a de um imperialismo econômico. A experiência tecnológica e científica deve ser controlada pelos países usuários e aplicada segundo modelos adaptados às características sociais e culturais próprias e às necessidades reais das populações.
Os segmentos populacionais das pequenas cidades, das vilas sedes dos distritos e dos povoados do Médio Paraopeba são portadores da cultura popular tradicional que constituem os seus modos e meios de vida. A cultura popular tradicional é coerente com o planejamento e com as ações visando o desenvolvimento, sem a degradação do meio ambiente. Quando se fala em desenvolvimento sustentável, ainda tem sido com o ideal de progresso, ainda inseparável da busca da produção e do consumo. A crise financeira de 2008/2009 representou uma freada na produção de bens de consumo e poderia ser vista como um alívio para a natureza. Mas, ao contrário, o mundo entrou em pânico: desemprego, fome e aumento da criminalidade. A avidez de consumo e de lucro, vivenciada durante a referida crise, prova que a sociedade contemporânea está longe de colocar o pé no freio do produtivismo e ainda não consegue conviver com pequenos índices de crescimento. Enquanto um terço da população do mundo esbanja e consome em excesso, dois terços são carentes de bens indispensáveis à vida. A água que consumimos tornou-se mercadoria cara. Brevemente teremos que pagar também pelo ar que respiramos. Teremos que andar com um balão de oxigênio pendurado nas costas.
A mineração, clandestina ou legal, é altamente prejudicial ao meio ambiente. Os royaltys que se pagam aos municípios são insignificantes. O trabalho que as mineradoras oferecem à população é de baixa remuneração. Qualquer reboliço no sistema financeiro, as empresas dispensam seus empregados.
A lavoura e a pecuária praticadas no Médio Paraopeba são de pequenas propriedades que não agridem a natureza como a grande lavoura de exportação. A cultura popular tradicional acumula experiência de vida sem excessos; é frugal e digna. A mulher e o homem atuam cooperativamente na busca da melhoria de vida; na educação dos filhos e na construção da moradia. O canto, a dança, os jogos, as práticas religiosas e tudo que se produz tem a função de exprimir a coesão do grupo, além de identificá-lo. As expressões da cultura popular tradicional não agridem a natureza, mas são partes integrantes dela.

Referências

KLINEBERG, Otto. Cultura e culturas em um mundo em mutação. Correio da UNESCO, Rio de Janeiro, set. 1982.
LÖWY, Michael. Ideologias e ciência social. São Paulo: Cortez, 1993.

Antonio de Paiva Moura é professor da Escola Guignard, UEMG




Neste ano fazem exatos 35 que escrevo livros. Didáticos, a maioria. Recordo que exatamente nesse início de 1975 eu me dirigi à Editora Lê, que publicava a coleção que eu adotava nas escolas do Sesi, onde lecionava.
Preocupação: a escola estava exigindo uma definição, pois a coleção, iniciada, com dois volumes já publicados, relativos à História do Brasil, não tivera seqüência.
Fui, então, procurar os editores e saber deles. E fiquei sabendo que o autor havia tido um infarto, e eles não sabiam quando e se ele completaria a coleção.
Foi aí que o Emidio Telles, o editor, virou-se para mim e disse à queima-roupa:
- Você não quer escrever para nós? Nós precisamos lançar os livros de História Geral, pois estamos perdendo mercado.
Levei um susto, na hora. Eu já havia escrito apostilas para cursos supletivos, mas, livros... nunca pensara nisso. Pois bem, as maluquices que fazemos quando somos jovens falou mais alto. Topei na hora. Ele me deu um prazo de 6 meses para fazer os dois volumes.
E consegui. Claro que hoje, ao rever os livrinhos, fico imaginando como é que eles conseguiram, como é que eu consegui...
E mais tarde cheguei até a receber elogios de uma professora do Rio de Janeiro!
Esta é a capa do primeiro volume que escrevi. A ilustradora, Verônica, desenhista fantástica, brincou comigo, fazendo uma caricatura para colocar na capa e dentro do livro, dando dicas, fazendo perguntas para os alunos.
Começando, é impossível parar... até hoje ainda estou escrevendo...







Estava eu meio sem entender toda a celeuma provocada pelo decreto do final do ano, que dizia respeito, aparentemente, aos direitos humanos e que parecia estar exigindo revisão da anistia, algo assim...a balbúrdia do fim do ano me impediu de ler a respeito e entender o que se passava.
Mas ontem eu acho que comecei a entender. Minha amiga Vânia me enviou o artigo do Jânio de Freitas, publicado na Folha de São Paulo de domingo passado. Ela grifou:

É suficiente notar dois dos muitos propósitos que o decreto junta à pretendida comissão da verdade -causa de imediata e extremada reação dos comandos militares-, para captar o desatino masoquista do governo: modificação das regras de renovação dos canais de TV, para dissolver as atuais concentrações e impedir novas, e criação de imposto específico sobre a grande riqueza pessoal.

Hum.... acho que comecei a entender... esse é o desatino masoquista do governo... sei!!!!
As coisas começaram a ficar mais claras....

No Observatório da Imprensa, vários artigos analisaram a questão. Alberto Dines, por exemplo, mostrou a falta de atenção da imprensa para com a Conferência Nacional dos Direitos Humanos, que foi realizada em 2008 e o açodamento em criticar o decreto, que é resultante daquela conferência, que por sua vez já era a continuidade da política de Direitos Humanos iniciada por FHC.
Disse ele:

Nossa imprensa não se tocou com a Conferência Nacional de Direitos Humanos, realizada em dezembro de 2008, que desenhou o arcabouço do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos. E quando este foi lançado, em 21 de dezembro de 2009, os porteiros (e porteiras) das redações estavam mais interessados na aparência de Dilma Rousseff (que aparecia pela primeira vez sem peruca) do que no teor do programa.”
E mais adiante:

De repente, irrompem a galope as corporações empresariais da mídia comandadas pela intrépida Associação Nacional de Jornais (ANJ) e subvertem um debate sério e grave que a sociedade brasileira finalmente parecia disposta a encarar. A Joana D´Arc das liberdades considera mais importante pinçar do 3º PNDH sugestões e indicações de propostas que vinculam conteúdos da mídia (eletrônica) a violações de direitos humanos do que punir torturadores. Passa-se uma borracha nos Anos de Chumbo e cria-se um factóide preventivo.”

No mesmo site, Marcos Rolim, um dos redatores do III Programa Nacional de Direitos Humanos, mostra como a deturpação da imprensa foi grave, pois a maioria das medidas sugeridas pelo III PNDH eram a simples repetição (algumas com alguns acréscimos, mas que terão de ser votados pelo Congresso) de normas que vinham desde o I PNDH, no governo tucano de FHC.
Por que a gritaria agora?

Se quiser ler mais, veja os artigos do Observatório da Imprensa aqui
www.observatoriodaimprensa.com.br





A Editora Alameda está com novos lançamentos:

Livro: São Paulo 1932
Autor: Marco Cabral dos Santos e André Mota
Preço: R$ 28 (172 páginas)

A cidade de São Paulo ostenta múltiplos signos de celebração da “guerra civil” de 1932. Duas de suas maiores avenidas foram batizadas com datas que fazem alusão ao conflito: 9 de julho e 23 de maio. Naquilo que diz respeito diretamente à revolução e seus desdobramentos simbólicos, a construção do evento acabou se tornando o grande mito da história estadual, cuja memória começou a ser construída imediatamente após a deflagração da guerra. Este livro procura estudar e refletir sobre esse período através da análise minuciosa dos historiadores Marco Cabral dos Santos e André Mota.
São Paulo de 1932, além de escrever uma história da “revolução”, mostra alguns de seus contornos figurando como importante elemento constitutivo de uma suposta identidade paulista e de sua memória coletiva. Dividido em quatro capítulos, o livro aborda temas específicos que, em conjunto, convergem para a avaliação do movimento armado de 1932 sob o olhar da constituição de uma memória oficial, confirmada por finalidades políticas bem definidas. O episódio da Revolução de 32 evidenciou as tensões entre o papel desempenhado por São Paulo na construção da nação e suas aspirações frustradas com a Revolução de 1930. A memória estabelecida desde então guarda uma correspondência com o complexo quadro político e social que culminou com a guerra civil ou seja, o mito da “excepcionalidade paulista”, calcado em sua constituição racial e sócio-cultural diferenciada.
Este livro busca interpretar a identidade paulista, por meio de uma junção entre as mudanças corporativas vividas pelos médicos, com a luta entre as especialidades e as propostas centralizadoras vindas do novo governo. Por esse contexto, se para muitos aquele momento correspondia a uma “crise profissional”, para outros foi uma oportunidade de abrir espaço para a sua área de atuação e participação nos projetos médicos e sanitários vigentes.


Livro: Sopro de vitrines
Autor: Rosana Piccolo
Preço: R$ 20 (78 páginas)

A São Paulo caótica do século XXI

Rosana Piccolo é uma poeta do século XXI. Inspirada por Rimbaud e Baudelaire, com seus símboloes de modernidade e sua Paris fugidia, a cidade da poeta retrata a São Paulo do século XXI, megalópole não planejada, caótica, que estende seus tentáculos para bairros de periferia longínquos e outras cidades conturbadas, marcadas pelas transformações urbanas que tiveram desdobramentos em vários campos – político, econômico, social, cultural – com grande impacto em termos subjetivos.
Habilíssima na artesania de enunciados imagéticos, a escritora, coloca-se diante de duas vertentes. Em muitos poemas, enfrenta com suas melhores armas questões prementes da vida contemporânea. Em outros, a abordagem parece mais suave, contemplativa, reverente, impermeável aos conflitos da realidade. Ao se deparar com Sopro de vitrines, o leitor terá diante de si dois polos para o rico exercício de pensar a poesia: um de deslocamento, que se propõe a refletir e a mover o mundo; outro de deleite, que se propõe a apaziguá-lo.
Vivemos o tempo das catracas, das portas giratórias, dos detentores de metais, dos raios X, das grades, dos vidros blindados, dos muros. Em seu novo livro, Rosana Piccolo se propõe a ver essa cidade através das vitrines. A vitrine, mais um tipo de barreira, é por excelência o local de exposição de mercadorias, um dos símbolos mais emblemáticos da contemporaneidade, uma vez que, na sociedade de consumo, é aquilo que determina a clivagem social, ou seja, separa aqueles que podem ter acesso aos bens daqueles que gostariam, mas estão impedidos.




O Café História tem ampliado seu campo de ação. Acho que todos os professores de Historia deveriam se associar. Há de tudo ali: textos, entrevistas, análises de filmes, dicas para aulas, noticias.

Esta semana, por exemplo, temos lá:
- Duas novidades. A primeira é uma proposta de construção do conhecimento sem fronteiras. Trata-se de um centro de estudos que pertence a Universidade de Évora, em Portugal. Quer acessar textos de pesquisas? Então, confira a página inicial do Café!
- A outra novidade é o projeto "Museu da Amazônia", que promete ressignificar o conceito de museu vivo.
- Pirâmides do Egito não foram construídas por escravos
- Diretora do Museu Imperial é demitida por suspeita de réplica de jóias.
- "Das Igrejas ao Cemitérios", de Vanessa de Castro Sial, é a nova resenha do Café com Prosa, que chega totalmente repaginado ao leitor do Café História. Na resenha, descubra porque os mortos tiveram que deixar as Igrejas e rumar aos cemitérios, na segunda metade do século XIX. Uma mudança para lá de tensa!

- "Projeto Desaparecidos - Por La Memoria, la Verdad y la Justicia". Site discute os desaparecidos políticos na América Latina nas décadas de 1960, 70 e 80.

Estive lendo o exemplar da revista Fórum de dezembro. Um artigo, particularmente, me chamou a atenção, o que trata do Acordo EUA-Colômbia, escrito por Gilberto Maringoni.
É realmente assustador ver o que está sendo feito, a partir de tal Acordo. É a volta, em grau maior ainda, do velho direito de extraterritorialidade que a Inglaterra utilizou bastante no século XIX. Os norte-americanos que vierem para um das bases não terão de pedir visto (nem para entrar nem para sair), podem levar qualquer bagagem (é proibido às autoridades colombianas inspeciona-las); não poderão ser julgados pelas leis colombianas caso venham a cometer algum delito; os veículos, embarcações e aeronaves dos EUA estarão isentos de inspeções... e por ai vai.
Quem quiser saber mais, veja a Revista (ainda está nas bancas) ou o site:
www.revistaforum.com.br. Além desse artigo, há vários outros, que vale a pena ler.


A Segunda Guerra Mundial vista pela ótica dos civis é uma novidade que a revista História Viva número 75 apresenta. De fato, acostumados à descrição das batalhas, aos bombardeios, às operações militares, em suma, esquecemo-nos de que a população civil viveu os anos de guerra enfrentando dificuldades.
Como diz a editora da revista, “Como era viver, casar-se, ter filhos, comer, dormir e se divertir em uma Inglaterra sob ataque, em uma França ocupada? Ou na Rússia, no Japão e na Alemanha, três nações destroçadas?”
O propósito da revista foi apresentar essas situações. São cinco artigos, que compõem um dossiê. Professores, não deixem de ler! E de recomendar aos seus alunos!
Para além desse dossiê, a revista ainda traz matérias sobre Ivan, o Terrível, da Rússia; a dura vida dos intérpretes do Além; o antigo Império Persa, exemplo de tolerância; Futebol, da elite aos operários; O Manifesto comunista, o panfleto dos panfletos
.
A Scientific American Brasil concluiu a publicação das revistas cuja temática é a História da Ciência no Brasil.
Fora
m 3 números, o primeiro dos quais já comentamos em boletim anterior. Agora temos os dois últimos.
O volume 2 trata do período de 1921 a 1969. Da visita de Einstein à investigação espacial. Aborda também a fundação de univesidades, da SBPC, do CNPq, da Petrobrás.
Já o volume 3 aborda de 1970 aos dias atuais. Biotecnologia, Genética, Medicina, Arqueologia, Astrofísica, a interdisciplinaridade e articulação dos campos científicos são os temas abordados.
Vale a pena consultar. Temos pouco material sobre a Historia da Ciência no Brasil acessível ao grande público
.


No começo de uma longa viagem
Uma espantosa campanha midiática vem utilizando alguns sinais isolados para dizer que o pior da crise econômica mundial já passou. O renascimento da bolha nas bolsas de valores foi apresentado como o sintoma de uma melhoria geral. Na verdade, estamos perto de uma segunda queda recessiva seguramente mais forte que a de 2008. Os socorros globais de 2008-2009 desaceleraram a queda econômica, mas geraram enormes déficits fiscais nas potências centrais, o que as coloca diante de graves ameaças inflacionárias e de um enfraquecimento extremo em sua capacidade de pagamento. A análise é de Jorge Beinstein.
Pode ser lida em http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16321&boletim_id=633&componente_id=10547

1 Comentários:

  • Às 11:09 AM , Anonymous Meg Mamede disse...

    Olá querido amigo... visitando o Boletim sempre encontro leituras interessantes e aproveito para deixar alguns comentários.
    Sobre o cambio climático que assola o planeta, isso é geral... chuvas fortes aí a aqui na Espanha tb... além da onda de frio Siberiano aqui por toda Europa e que aqui em Euskadi, nos deixou bem abaixo de 0... de fato temperaturas baixíssimas nesta semana, madrugadas de -10, -15... agora choveu e o vento sul ajudou a dimunuir a quantidade de neve em casa e nas ruas também.
    Quanto a questao da livre circulaçao de norte-americanos nas bases colombianas... fazer o que né... em contrapartida a UE terá que adotar medidas energicas como a implataçao de scanner de corpo inteiro nos aeroportos para os vôos com destino aos EUA, assunto polêmico que dividi os europeus e para o qual ñ há reciprocidade.
    Já a leitura que sugeriu da ediçao História Viva nr 75 sobre a Segunda Guerra Mundial â partir da ótica de civis, me fez lembrar o artigo de jornal que acabei de ler sobre Miep Gies a guardia do Diário de Anne Frank, uma das pessoas que alimentou e ajudou a manter a familia de Anne escondidos no escritório do pai, o Sr. Otto, único sobrevivente da família, já que Anne morreria de tifo em Bergen-Belsen dois meses antes da liberaçao da Holanda, em março de 1945. O que me chamou atençao no artigo foi a frase de uma companheira do campo de concentraçao de Anne "nos demos conta que sua beleza residia nos olhos, que pareciam cada vez maiores a medida de emagrecia" e graças a Sra. Miep Gies, que faleceu nesta segunda-feira aos 101anos, muitos puderam conhecer o que viram esses olhos cheios de vida em plena noite. Eu me pergunto: Quantas Anne's foi, é e será necessário morrer para alimentar os interesses dos Senhores da Guerra?

    Saludos desde Euskadi.

     

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