Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

20.1.10

Numero 218





Não há como ignorar a tragédia que se abateu sobre o Haiti. Fica até difícil falar de 18 brasileiros mortos, perante o caos representado por mais de 100.000 mortos. Mas é forçoso reconhecer que uma das pessoas mortas está sendo chorada hoje por, no mínimo, dois milhões de crianças, a quem ela dedicou boa parte de sua vida, a quem ela salvou da morte certa com modestas receitas caseiras.

Refiro-me, é claro, à médica Zilda Arns. Não bastasse ela ser irmã do Cardeal Arns que se destacou na defesa dos direitos humanos, principalmente nos anos mais pesados do governo militar, doutora Zilda criou a Pastoral da Criança, cujo trabalho despertou atenção em vários países, e que quase tornou possível que ela ganhasse o Nobel da Paz há quatro anos.

Ela recebeu um prêmio em 2005, das mãos do rei da Espanha, pelo seu trabalho. Em nosso último livro, a coleção Estudos de História, na pagina 307 do volume 3 está a foto tirada no momento em que ela era aplaudida pelo rei.

E colocamos, também, um trecho de uma entrevista dada por ela, em que explicava o que era a Pastoral da Criança:

A Pastoral da Criança é um trabalho desenvolvido em todo o Brasil. É ecumênico, suprapartidário e visa à formação de frentes de solidariedade em bolsões de pobreza e miséria. Um trabalho que tem objetivos específicos como a diminuição da mortalidade infantil, da desnutrição, da violência e a redução do analfabetismo entre jovens e adultos, em suma, nós educamos ou capacitamos lideranças comunitárias que queiram se comprometer a trabalhar como voluntárias e partilhar com outras famílias aquilo que aprenderam. Nós multiplicamos o saber e democratizamos a informação, conseguimos reduzir drasticamente a mortalidade infantil, a desnutrição e a violência.

Dos muitos artigos que foram publicados nos jornais e na internet, gostei muito do que Leonardo Boff escreveu e que foi publicado pela agência Adital.
Particularmente me chamou a atenção este trecho:

Ela tinha clara consciência de que a solução vem de baixo, da sociedade que se mobiliza, sem com isso dispensar o que o Estado deve fazer. Problemas sociais se resolvem a partir da sociedade. Para isso, ela suscitou a sensibilidade humanitária que se esconde em cada pessoa e inaugurou a política da boa vontade. Mais de 250 mil voluntários, sem nenhum ônus financeiro, se propuseram assumir os trabalhos junto com ela.


foto de Gilson Camargo, em: http://www.gilsoncamargo.com.br/blog/





Minha amiga Janaina me enviou o discurso que a Dra. Zilda iria pronunciar no Haiti. Como se trata de um texto muito longo, vou reproduzir só o final, e deixar o link para quem quiser ler tudo.

Ela concluiria assim:


Desde a sua fundação, a Pastoral da Criança investe na formação dos voluntários e no acompanhamento de crianças e mulheres grávidas, na família e na comunidade.



Atualmente, existem 1.985.347 crianças, 108.342 mulheres grávidas de 1.553.717 famílias. Sua metodologia comunitária e seus resultados, assim como sua participação na promoção de políticas públicas com a presença em Conselhos de Saúde, Direitos da Criança e do Adolescente e em outros conselhos levaram a mudanças profundas no país, melhorando os indicadores sociais e econômicos. Os resultados do trabalho voluntário, com a mística do amor a Deus e ao próximo, em linha com nossa mãe terra, que a todos deve alimentar, nossos irmãos, os frutos e as flores, nossos rios, lagos, mares, florestas e animais. Tudo isso nos mostra como a sociedade organizada pode ser protagonista de sua transformação. Neste espírito, ao fortalecer os laços que ligam a comunidade, podemos encontrar as soluções para os graves problemas sociais que afetam as famílias pobres.
Como os pássaros, que cuidam de seus filhos ao fazer um ninho no alto das árvores e nas montanhas, longe de predadores, ameaças e perigos, e mais perto de Deus, deveríamos cui
dar de nossos filhos como um bem sagrado, promover o respeito a seus direitos e protegê-los.
Muito Obrigada!
Que Deus esteja convosco!
Dra. Zilda Arns NeumannMédica pediatra e especialista em Saúde PúblicaFundadora e Coordenadora da Pastoral da Criança InternacionalCoordenadora Nacional da Pastoral da Pessoa Idosa



O link para o teor completo do discurso está aqui:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=572CID014



Já no Correio da Cidadania, Plínio Sampaio deixa patente sua revolta pela presença das tropas brasileiras no Haiti:

Não há outra expressão para esclarecer o que as tropas brasileiras estão fazendo no Haiti senão aquela versão popular: "está segurando a vaca para os Estados Unidos mamarem".
Os militares brasileiros que acabam de morrer naquele país, vítimas do terremoto que o assolou recentemente, tiveram, infelizmente, uma morte inglória.
O Haiti é a nação maldita pelos países ricos do mundo. Motivo disso foi a sua guerra de independência – a primeira do continente latino-americano. Em vez de uma rebelião de ricos senhores de terras contra a metrópole, o que se viu no Haiti foi uma rebelião de escravos africanos contra a França.
Transgressão desse tamanho não pode ser esquecida, porque o exemplo tem grande potencial desesta
bilizador. Por isso, tome repressão!
A versão oficial sobre a pobreza do país faz parte desse processo de repressão: "os negros não conseguem se entender e não foram capazes de tocar uma economia açucareira extremamente produtiva que os franceses haviam estabelecido na ilha, na base das "plantations" coloniais". Mentira rematada. O Haiti teria todas as condições de manter-se como uma economia baseada na pequena agricultura de cultivo do café (o melhor do mundo).
A instabilidade política decorre precisamente das intrigas dos países ricos, interessados em explorar a população. Os Estados Unidos, por exemplo, ocuparam militarmente o país de 1915 a 1934 e novamente de 1991 a 1994.
Para se ter uma idéia a respeito da perseguição ao Haiti, basta dizer que a poderosa França exigiu até o governo de Aristide o pagamento de indenização pelos prejuízos sofridos no começo do século XIX em decorrência da insurreição haitiana!

Como um país assim não há de ser pobre?

Corre solta a versão de que os Estados Unidos não intervêm no Haiti para explorá-lo, mas para manter um mínimo de ordem pública dada a incapacidade de auto-governo dos haitianos. Os que a defendem ou agem por ignorância ou por má fé. O que os norte-americanos exploram no Haiti é a mão-de-obra barata.
Para se ter idéia de como é barata essa mão-de-obra, basta ter presente que é grande o número de jovens haitianos que vivem de vender sangue para abastecer de plasma sanguíneo os hospitais de Miami.
A opinião pública brasileira precisa exigir a retirada das nossas forças armadas daquele país. Não temos nada com esse complô de ricos contra o Haiti e não devemos manchar nossas mãos nesse massacre.

Como diria Brecht: Tantas histórias...
Tantas questões...




Recebemos mais uma colaboração do professor Jaime Pinsky.

CORRUPTOS ANÔNIMOS

Jaime Pinsky

Cada um de nós já se deparou com um ex-alcoólico. O camarada sabe exatamente o número de dias que está sem beber, não se aproxima de uma taça de vinho ou de um copo de cerveja,evita situações em que possa ser tentado por um drinque. Sabe, por experiência própria e de seus colegas, que não é um abstêmio. Mesmo 20 anos depois de parar de beber. Foi e continua sendo um alcoólico e necessita fiscalizar-se todos os dias, 24 horas por dia, por que nunca conseguirá beber “socialmente”. Se tomar uma, tomará todas. É um autêntico alcoólico anônimo.

E os gordos, então? Quem já foi gordinho na adolescência vai se ver eternamente como um gordo. Conheço um fulano que era muito guloso na infância. Quando ia a festas de coleguinhas de escola fazia a alegria das mães que se aventuravam a preparar sozinhas os salgadinhos sem recheio e os brigadeiros gosmentos e super açucarados. Enquanto a turma disputava corrida de saco ou brincava de esconde esconde ele, feito uma draga, detonava a mesa de comida. Quando chegou aos 16 anos e viu não ter sucesso com as garotas tomou a decisão de emagrecer. Fechou a boca, fez judô, natação, corrida, musculação, alongamento e tornou-se um “gato”, no parecer das meninas. Namorou todas que pode (e até algumas que não pode, mas namorou assim mesmo), casou-se, teve filhos, tornou-se empresário de sucesso, magérrimo, com o rosto até um pouco chupado. Mesmo assim, até hoje conta calorias. Jantar com ele é um tormento, já que fiscaliza o número de azeitonas comidas pelos convivas, ou dispara um número sobre as prováveis gorduras que aquele filé traz consigo. É um verdadeiro gordo anônimo. Mais de duas décadas passadas após seu período de “robustez” não foram suficientes para faze-lo acreditar no espelho. O fato é que se conhece. Sabe que continua amando comida, especialmente doces e que qualquer pequeno abuso poderá leva-lo a reincidir e voltar a ser gordo. Por se conhecer, se cuida.

Nelson Rodrigues, com seu talento, descreveu em várias peças um tipo que poderíamos caracterizar como o devasso anônimo. Uma figura que destila moral o tempo todo, revolta-se contra o biquíni, o vestido curto, a calça comprida feminina (particularmente quando justa), a liberdade de costumes, o sexo prazeroso. Todos nós conhecemos certos pais de família que, quando solteiros, foram predadores sacanas que conquistavam e largavam garotas inocentes e sequer pagavam o aborto quando a coitada engravidava. Pois esse tipinho, agora, controla os horários das filhas, fiscaliza suas gavetas com chaves falsas que mandou fazer, pergunta ao farmacêutico da esquina se a menina compra pílula anticoncepcional. Sua relação com a mulher é fria e burocrática, prazer para ele é sinônimo de pecado. Numa festa não consegue olhar as demais mulheres nos olhos, resmunga contra os decotes excessivos, os vestidos de alcinha, o tecido marcando a calcinha. Continua um devasso, não praticante, mas pronto para cair na gandaia, que sabe inevitável, se se deixar tentar. Não é um moralista, é um devasso anônimo. Ou melhor, um moralista é um devasso anônimo...

Quando trabalhava numa universidade no interior paulista tinha um colega que chegava diariamente às 8 da manhã, saia às 12 para almoçar, voltava às 13 e ficava trabalhando até as 18 horas, a não ser em dias de aula. Como a maioria dos colegas se permitia horários bem mais elásticos (alguns porque trabalhavam em casa, ou em arquivos, outros porque não trabalhavam mesmo) perguntei-lhe o porque de seu comportamento. Disse-me ser um cara preguiçoso e desorganizado. A vida toda sua escrivaninha foi uma bagunça e sua condescendência para consigo mesmo não tinha limites. A duras penas terminou a faculdade. Quando entrou no mestrado transformou-se num legítimo cdf, mas, com medo de reincidir e voltar ao que tinha sido. Pronto, eu havia encontrado o preguiçoso anônimo.

Como vê meu leitor a lista é muito extensa. Dizem até que pode incluir um espécime bastante comum no Planalto (neste e em vários outros), o corrupto anônimo. O tipo já foi pilhado, há algum tempo, apropriando-se de bens públicos, arrependeu-se, pediu perdão e foi perdoado. Passou a criticar corruptos e corruptores e a apresentar-se como modelo de virtudes. Durante um bom tempo ficou longe da tentação de aumentar fácil e rapidamente o seu patrimônio, utilizando-se de funções públicas. Tinha medo de não poder resistir. Mas ao contrário de alcoólicos, gordos, devassos e preguiçosos conta com um trunfo: Se reincidir será novamente perdoado. Afinal, brasileiro tem memória curta mesmo.
Publicado originalmente no Correio Braziliense de 10.01.2010.




A publicação da foto da neve na Holanda, animou nossa querida amiga Margarete Cardoso a nos enviar imagens do inverno no País Basco.


























Fotos de Margarete Cardoso





Dois lançamentos da Editora Contexto para começar bem o ano:

Diferentes tipos participaram da formação do Brasil. Índios, portugueses, escravos, perseguidos religiosos... todos eles tiveram uma importância ímpar para a construção da terra que herdamos. Este livro é uma biografia bem pesquisada e deliciosamente escrita de 12 pessoas que simbolizam tantos homens e mulheres que aqui viveram nos três primeiros séculos. O português Caramuru e a índia Bartira (mais tarde, Isabel Dias), o jesuíta Manuel da Nóbrega e o bandeirante Raposo Tavares. Há também personagens que não se tornaram tão conhecidos, como a cristã-nova Branca Dias, o senhor de engenho Fernão Cabral Taíde, o latifundiário revoltoso Manuel Beckman e o tropeiro Felipe dos Santos. Alguns nomes, porém, seguem em nossa cabeça, como o poeta Gregório de Matos, a ex-escrava Chica da Silva, Maurício de Nassau e Marquês do Lavradio. Após mergulhar na história desses personagens, podemos nos compreender melhor como Nação.

Nº de Páginas: 272

Formato: 16 x 23

Data de chegada: 19/01

43,00



Em História, metodologia, memória, Antonio Torres Montenegro - um dos responsáveis pela criação da Associação Brasileira de História Oral - dialoga com a historiografia anterior e posterior ao golpe civil-militar de 1964. Ao trazer à tona os debates atuais acerca das teorias do fazer historiográfico, o livro apresenta fontes históricas de diversas naturezas para explicitar as novas tendências metodológicas. Dessa forma, o autor ensina como usar os relatos memorialísticos de forma inovadora. Consegue tirar deles o essencial, aquilo que projeta os significados dos atos e das palavras.Através do trabalho com relatos orais de memória, Montenegro reflete sobre a produção da inteligibilidade histórica e sobre o uso desses relatos atentando para a relação entrevistador/entrevistado e para as possibilidades de sentidos obtidos. A pesquisa sobre documentos escritos é contemplada na análise de arquivos do antigo Departamento de Ordem Política e Social de Pernambuco (Dops-pe) de onde foi possível obter, após sua transferência para o Arquivo Público Estadual, amplo material procedente dos dois lados que antagonizavam durante o período ditatorial: entidades de esquerda e o próprio Dops.
Nº de Páginas: 192

Formato: 16 x 23

Data de chegada: 15/01
C$ 33,00



Muita gente ainda se pergunta as razões do Acordo entre EUA e Colômbia. Interessante que ontem, por acaso, dando uma limpeza nos recortes que tenho guardado, vi um artigo de 1990, no Jornal do Brasil, em que Carlos Augusto R. Santos-Neves afirmava que “o movimento natural dos EUA é voltar-se para a América do Sul”. E nesses vinte anos... bem, todos sabemos o que anda acontecendo. Mas este artigo de Ignácio Ramonet merece ser lido:


EUA já têm 13 bases militares em torno da VenezuelaA Venezuela e sua Revolução Bolivariana estão rodeadas hoje por nada menos do que 13 bases estadunidenses na Colômbia, Panamá, Aruba e Curazao, assim como pelos porta-aviões e navios de guerra da IV Frota. Em outubro, o presidente conservador do Panamá, Ricardo Martinelli, admite que cedeu aos EUA o uso de quatro novas bases militares. O presidente Barack Obama parece ter deixado o Pentágono de mãos livres neste tema. E o presidente venezuelano Hugo Chávez denuncia que está sendo tramada uma agressão contra o país. O artigo é de Ignacio Ramonet.

Leia em http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16322&boletim_id=634&componente_id=10566


A celeuma provocada pelo III Programa Nacional de Direitos Humanos continua a gerar artigos nos jornais e na internet. Este, da agência Carta Maior, defende o Programa:

Quem tem medo da verdade e da justiça?
O Programa Nacional de Direitos Humanos aprovado em 2008 sofreu alterações no decorrer de 2009, e a Comissão da Verdade e Justiça foi reduzida apenas à Comissão da Verdade. Mesmo assim, os familiares e amigos dos desaparecidos político apoiaram e apóiam na integra o PNDH-3. Há uma conivência histórica de setores dominantes da sociedade brasileira perante as violações aos direitos humanos que vem desde os idos da escravização da população negra e da dizimação de indígenas. Mas é preciso mudar este quadro para consolidar a democracia. O artigo é de Maria Amélia de Almeida Teles
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16326&boletim_id=634&componente_id=10569




Recebi ontem o Informativo da ANPUH referente ao mês de janeiro. Muita coisa interessante para divulgar, mas, infelizmente, criaram um formato que não me permite o famoso Copiar e colar. Não dá para digitar aqui tudo que está lá, em termos de concursos, mestrados, lançamentos de livros, eventos diversos. Por isso, àqueles que estão interessados, recomendo acessar diretamente o site da Associação:
ANPUH - Associação Nacional de Históriahttp://www.anpuh.org/







Minha amiga e pintora Rosa Varella me mandou um email com um comentário:

Eu jamais comeria alguma coisa desta padaria. Kkkkkkk


Nem eu, Rosa, nem eu!!!!








As novas tecnologias da comunicação estão provocando uma verdadeira revolução no ensino e na maneira de lidarmos com o mundo. Como será a função social do professor? E o lugar do aluno? Leia a nova matéria do Café História e conheça mais um pouco do trabalho do educador americano Marc Prensky.
Visite Cafe Historia em: http://cafehistoria.ning.com/?xg_source=msg_mes_network

Nada que uma boa História não resolva!
Quem diz é a professora Julia Cristina Ramos Lopes. Em seu texto, Lopes conta um dia na rotina de um professor de história. Identificou-se? Então leia o texto:
http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/nada-que-uma-boa-historia-nao?xg_source=msg_mes_network




A revolução possível – história oral de soldados brasileiros na Guerra Civil Espanhola

Autor: José Carlos Sebe Bom Meihy

Xamã Editora 223 páginas Preço: R$ 35,00*

Este é um livro de histórias de vida. É o resultado de longas entrevistas com os últimos cinco sobreviventes entre os soldados brasileiros que participaram da Guerra Civil Espanhola (1936-1939). Ao longo de suas trajetórias ocorreram alguns dos mais importantes episódios da vida nacional: o tenentismo, a Coluna Prestes, a chamada Revolução de 30, o movimento constitucionalista, a raiz da oposição entre comunistas e integralistas, o Levante Comunista de 1935 e a Macedada. Pela ótica das Forças Armadas, a educação militar mostra-se como escola de preparação política. Caixa de ressonância dos acontecimentos da sociedade em geral, confrontos ocorreram polarizando esquerda e direita. Esse contingente de “soldados subversivos” participou de momentos radicais que colocavam em cheque o papel dos militares na sociedade civil. Presos em 1935, muitos insurgentes organizaram-se nas cadeias e, ao serem libertados em 1937, optaram por lutar na Espanha. Os resultados dessa aventura mexeram com os destinos de quantos padeceram reconhecimento grupal. A atuação brasileira é analisada pela ótica de experiências pessoais de soldados que, impedidos de fazer em sua terra a sonhada revolução, abraçaram a oportunidade de lutar na Espanha. Dimensionando o papel da história oral como testemunho, episódios da vida política brasileira são articulados de maneira a propor uma abordagem diferente do papel dos indivíduos em processos políticos amplos. As diferentes experiências da formação dos protagonistas revelam a pluralidade das procedências sociais e regionais que foram equiparadas pela educação militar. A memória e a narrativa são materiais essenciais para a constituição desta obra que merece contemplação por sua originalidade e riqueza de detalhes.

1 Comentários:

  • Às 3:18 PM , Blogger Janaina disse...

    Plínio Sampaio não está sozinho ao se colocar contra as tropas brasileiras no Haiti. Cada vez mais junta-se a ele vozes que defendem a retirada das tropas por motivos diversos, não só os históricos-políticos citados, como outros tantos. Imagino que todos essas vozes concordem que a hora agora é de ajudar, mas fora isso, a presença das tropas brasileiras no Haiti causa incômodo e dúvidas.

     

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