Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

28.7.10

Numero 239

Este numero ira ao ar meio improvisado, porque estou fora de base. O computador que estou usando nao tem acentos...rsss... mas acho que tudo saira dentro dos conformes.
Temos dois artigos bem interessantes logo no inicio. E alguns links em seguida.
Um abraco


Um paradoxo na República brasileira: ditadura na democracia
por Wellington de Oliveira

A Copa do Mundo é nossa, não há quem possa com os brasileiros! Eh, Eh, esquadrão de ouro… (Trechos da música alusiva à seleção brasileira comemorativa da conquista do Bicampeonato, 1962)
É fato, em 1962 o técnico do “escrete canarinho”, talvez ninguém se lembre, mas todo mundo se recorda quem foram os “heróis” da conquista, quem nunca ouviu falar de Garrincha, Didi, Djalma Santos e, ai sim, o fabuloso Amarildo que coube a ele a incumbência de substituir o insubstituível, Pelé.
Outra pergunta se coloca, qual era o esquema tático do time brasileiro? Caso existisse, provavelmente existia, não era a tônica da crônica esportiva tampouco era a preocupação do povo brasileiro, colados com seus ouvidos nos radiozinhos de pilha e não com os “amigos da Rede Globo”, torciam eufóricos com aquela conquista.
O Brasil, politicamente, vivia um momento democrático, conflituoso, porque os setores conservadores faziam uma oposição crônica ao governo do presidente João Goulart que havia assumido o posto máximo de nossa nação compromissado com as “Reformas de Base”, de cunho popular e desenvolvimentista. Os representantes de uma determinada direita, principalmente aquela ligada ao capital internacional se articulava em torno e em volta dos militares um golpe contra a democracia que acabou se concretizando em 1964. O país entrou nos chamados “anos de chumbo”, foi a “Ditadura Militar” que se instalou e se consolidou até 1985.
Outras copas vieram. Em 1966, foi um fiasco! Os “heróis” de 1958 e 1962 envelheceram e a geração que poderia superá-los, jogadores como Gérson, Carlos Alberto, Tostão, não foram o eixo central da seleção naquele momento. Pelé estava lá também, mas não em seus melhores dias, inclusive, fortemente “caçado” literalmente na partida contra Portugal de Eusébio (outro que mereceria uma crônica à parte) nada fez. Garrincha estava lá, mas envelhecido e sem a condição que o havia transformado no “Anjo das pernas tortas”. Enfim, 1966, me parece foi a cara de um Brasil atônico, sem saber o que estava acontecendo.
Em 1970, a Copa do Tri, das “Feras do Saldanha” e depois as “Formiguinhas de Zagalo”. Parece-me que aqui se revelam as contradições da sociedade brasileira. A conjuntura era do momento áureo da ditadura militar no Brasil. Sob o ponto de vista econômico vivia-se o “Milagre Econômico” capitaneado pelo economista mor da ditadura, Delfim Neto. Aproveitando esse crescimento econômico o governo Médici prendia e torturava com a classe média respaldando. Era o “Ame ou deixe”.
A pergunta central ai é essa, onde está paradoxo? O governo militar ditatorial, através da Confederação Brasileira de Desporto – CBD, com o ultra-reacionário João Havelange à frente, indica o comunista João Saldanha, crítico do governo e da estrutura do futebol brasileiro. A relação que se estabelece entre os jogadores era democrático e essa seleção montada por Saldanha se organiza para a Copa do México.
Ora, será que o governo Médici admitiria um comunista à frente de uma seleção que participaria de uma Copa? Um técnico que respondia à imprensa internacional sem medo, esse era inclusive o seu apelido (João Sem Medo), que existia tortura no nosso país. Pois bem, três meses antes do início da Copa, João Saldanha foi substituído pelo Zagalo, sabidamente homem do establishment, como diria Norbert Elias. A equipe brasileira foi campeã e arrebatou definitivamente a taça Jules Rimet. O que vimos foi uma democracia na ditadura, não que o governo brasileiro promoveu uma abertura na ditadura para o caso específico da seleção brasileira. Mas o espírito daquele grupo de jogadores que por sinal se identificava com a torcida, pois viviam, jogavam e se relacionavam com seu público aqui no Brasil e penso eu, a presença, inicialmente, de uma pessoa que renegava a ditadura, no caso do Saldanha, mesmo após sua saída, permitiu essa identificação, essa idéia de pertencimento. Se os mentores da ditadura almejavam ganhar apoio junto à população a história veio demonstrar o contrário, em 1974, foi momento de maior votação para o partido de oposição consentida que era o Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
A vitória do Brasil na Copa de 1970 marca o espírito da população brasileira na década, ou seja, a alegria de jogar e de se relacionar dos jogadores dizia claramente, queremos um país plenamente democrático. Foi a década que emerge as lutas sindicais do ABC paulista, o renascimento de um movimento estudantil culminando com o movimento das “Diretas Já” e o retorno à democracia com a eleição da dupla Tancredo/Sarney, inaugurando a “Nova República”, apesar da triste morte de Tancredo.
O meu objetivo nesse pequeno espaço não é fazer uma análise da participação da Seleção Brasileira em todas as copas, portanto não investirei analiticamente em outras. Minha tentativa é lançar luzes sobre essa última participação de nossa seleção na Copa da África do Sul em 2010. Vejo no contexto preparativo e na participação brasileira na referida competição aquilo que estou chamando de “paradoxo da república brasileira”.
Como já havia escrito anteriormente o espírito libertário e democrático da seleção de 1970, possibilitou um diálogo seleção com sua torcida e não com o governo ditatorial da época. Mas já em 2010, a idéia de disciplinar, centralizar que é contrário do que está presente na sociedade brasileira, que cada vez mais clama por democracia, agora não só representativa, mas também e, sobretudo, participativa, foi hegemônica. A figura de seu técnico, o famoso Dunga (espero que sua época tenha acabado), foi bastante emblemática para aquilo que estou dizendo: sem elegância, sem educação e autoritário.
Formou-se um grupo fechado que a linguagem popular chama, acertadamente, de panela e aquelas pessoas que não comungavam com esse grupo estavam fora, é o “ame ou deixe-o” da ditadura, ai mora o paradoxo, isso já acabou, mas permanece na mentalidade principalmente dos nossos dirigentes esportivos. O espírito da seleção não estava em conformidade da população, quando isso acontece, penso eu, a “copa não é nossa” é “deles”.
“Eles”, jogadores, não são “nós”, a idéia de identidade não aparece, mesmo porque “eles” não vivem mais entre “nós”. “Eles”, só aparecem em nossos lares pelas mídias, principalmente a televisa. Alguns só aparecem nas “TVs pagas”, ai que a maioria da população não vê e tampouco conhece. E não podemos esquecer que vivemos o ápice da mercantilização das relações sociais. É aquilo que o velho Marx nos apontava no capítulo I da sua grande obra, O Capital, tudo se transforma em mercadoria, inclusive a arte.
* WELLINGTON DE OLIVEIRA é Professor adjunto da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Doutor em Educação pela UFMG.




A burocratização do professor universitário
por WALTER PRAXEDES*
Em uma carta ao professor Fernando de Azevedo, datada de 13 de novembro de 1935, o sociólogo Gilberto Freyre confessa ao amigo que jamais assumiria “deveres definitivos de professor” e se explica: “tenho medo de me burocratizar – e a burocracia pedagógica é a mais esterilizante”.
Qualquer professor universitário sabe que suas obrigações rotineiras o deixam muito longe de realizar o seu projeto de vida como alguém voltado para a busca do conhecimento e para a ação educativa.
Membro de comissões de inquéritos administrativos, autor de inúmeros e inúteis relatórios e participante de reuniões intermináveis, o professor universitário tem seu tempo de pesquisa e de ensino roubado. Some-se a tudo isso o tempo dedicado às articulações políticas em defesa ou ataque à sanha competitiva dos pares e encontraremos um pseudo-educador que precariamente pesquisa, escreve e leciona.
Como já advertia Florestan Fernandes nos anos setenta, o professor universitário corre o risco de deixar de ser um investigador, um cientista, para tornar-se um mero funcionário com horário marcado e ponto para assinar, deixando, assim, embaixo do tapete do cumprimento das normas a sua covardia, mediocridade e falta de criatividade.
Sufocado pela burocracia e corrompido pela competição por cargos e prestígio institucional, resta ao professor universitário tornar-se repetidor mecânico daqueles pensadores que conseguiram fazer de seus projetos de vida o oposto do que nós estamos fazendo com o nosso.
A sentença para a nossa decadência já foi proclamada por Hegel: “Naquilo com que um espírito se satisfaz, mede-se a grandeza de sua perda”.
A competição meritocrática da vida universitária pode até produzir gênios, mas todos nós sabemos como produz também neuróticos e esquizofrênicos. A concentração obsessiva facilmente se transforma em introversão narcisista. O medo de ousar na busca do novo tem nos tornado a cada dia mais conformistas.
Acredito que temos que pensar em novas possibilidades de reeducação daqueles que têm como missão a educação das novas gerações. Venho tentando imaginar alternativas que apontem para a nossa reeducação. Ainda não cheguei a nenhuma conclusão que possa ser apresentada para o debate, mas não tenho dúvidas de que a responsabilidade pela passividade, evasão ou oportunismo e falta de compromisso com o conhecimento por parte de muitos dos nossos alunos pode ser atribuída aos exemplos que lhes apresentamos
.
* Graduado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo, mestre e doutor em Educação pela mesma instituição. Co-autor dos livros O Mercosul e a sociedade global (São Paulo, Ática, 2002, 12ª Edição) e Dom Hélder Câmara: Entre o poder e a profecia (São Paulo, Ática, 1997 / Brescia (It.), Editrice Queriniana, 1999). Professor de sociologia da Universidade Estadual de Maringá e Faculdades Nobel em Maringá, Paraná. Publicado na REA, nº 29, outubro de 2003, disponível em http://www.espacoacademico.com.br/029/29wlap.htm




Verde demagogia

Como sabemos, o capitalismo é responsável por toda a sorte de agressão à natureza. Os políticos verdes são contraditórios porque assumem compromissos com o capitalismo norte-americano e vem pousar ou desfilar com as bandeiras dos partidos verdes, em moda no Ocidente. Parece que o povo brasileiro sabe compreender essa incoerência e essa demagogia, pois as posições de Marina Silva e de Gabeira nas pesquisas eleitorais são de lanterninhas. Como é que alguém que é a favor do lucro capitalista pode falar em natureza. Segundo Gilberto Vasconcelos, Marina, quando ministra, não moveu uma palha pelo projeto das micro-destilarias a álcool, em pequenas propriedades. Agora defende a grande plantação e as grandes fábricas de óleos vegetais. Os projetos sociais de Gabeira e de Marina são iguais a manga de colete. São como uma faca sem cabo e sem lâmina também.
Belo Horizonte, 23 de julho de 2010.

Antonio de Paiva Moura





A Revolução de Maio de 1810 (1)
Este e o primeiro de uma serie de 3 artigos, escritos por Mario Maestri
http://www.correiocidadania.com.br/content/view/4878/9/



A América do Sul em 2022
As características da América do Sul – grande riqueza mineral e energética; grandes extensões de terras aráveis não utilizadas; população cada vez mais urbana em processo de estabilização demográfica; regimes políticos estáveis; inexistência e distância geográfica de áreas de conflitos intensos – tenderão a condicionar o papel da América do Sul em um cenário político mundial em que a disputa pelo acesso a recursos naturais e a alimentos será fundamental. em 2022, quer se queira ou não, devido a razões econômicas, políticas e sociais, o Brasil se encontrará inserido na América do Sul de forma muito mais intensa, complexa e profunda, tanto política quanto economicamente, do que se encontra hoje. A análise é de Samuel Pinheiro Guimarães.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16822&boletim_id=736&componente_id=12288



A privatização da segurança e a democracia nos EUA
Empresas privadas estão atuando em todos os setores que cuidam da segurança nacional dos serviços de inteligência dos EUA (cerca 70% do orçamento). Com o fim da Guerra Fria, as companhias militares privadas passaram a converter-se em soluções do mercado frente às novas tendências à privatização de várias funções governamentais. Crescimento do mercado privado de segurança anda de mãos dadas com a também crescente avaliação nos EUA de que as democracias não conseguem vencer as “pequenas guerras”, principalmente porque as exigências morais e políticas vão muito além do que a oposição doméstica está disposta a aceitar. O artigo é de Reginaldo Nasser.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16820&boletim_id=736&componente_id=12291



Programa REDE de ARTE
Coordenadora Paula Braga
Início 03 de Agosto
Dias Terças feiras, às 19hs
Duração 8 encontros por bimestre
Local Diversos
Valor R$ 200,00 na inscrição + duas parcelas de R$ 220,00
A REDE de ARTE propiciará aos seus membros conhecer de perto o sistema da arte, por meio de visitas a galerias, ateliês de artistas e exposições guiadas, leia mais
http://www.projetocultura.com.br/linksinternos/l5rededearte/rededearte.htm



:: Nicarágua após 31 anos da vitória sandinista de 1979
(Sergio Ferrari)
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&cod=49425&lang=PT

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