Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

14.4.10

Numero 230


No Boletim de hoje, uma matéria que merecia ter sido publicada na semana atrasada, mas não foi possível. Ela faz referência à sexta-feira da Semana Santa e mostra-nos uma aterrorizante via crúcis que se passou não na Palestina, mas aqui mesmo no Brasil.
E como já estamos em plena campanha eleitoral, apesar de a legislação proibir qualquer campanha por enquanto, dois artigos para ajudar a pensar sobre o que vamos fazer nas eleições. Um, do jornalista Luiz Carlos Azenha, que mostra “de dentro”, como as redes de televisão manipulam à vontade, sob o pretexto de estarem agindo de forma equânime com relação aos diversos candidatos. E o outro, de um também jornalista e professor da PUC-SP, alertando para as possibilidades dos movimentos sociais melhor se articularem com vistas à defesa da mais ampla democracia.
No mais, entreamos, neste boletim, diversas fotografias de Brasília, que semana próxima completa 50 anos. São fotos mais antigas, que nos foram enviadas pela leitora e amiga Rosa Varella.




As 12 estações de uma Via Crúcis brasileira
( Hildegard Angel - JB 02/04/2010)

Hoje não é dia de rir nem brincar, como a gente tantas vezes aqui faz. É Sexta-Feira da Paixão, dia de jejuar, de lembrar o Cristo crucificado, sua paixão, os suplícios sofridos em nome de salvar a Humanidade de seus próprios horrores. São as 14 estações da Via Crúcis, que nós nos acostumamos a ver nas paredes das igrejas. Mas hoje, dia de chorar e carpir dores, percorreremos juntos as 12 estações de uma Via Crúcis diferente.

Uma Via Crúcis brasileira, vivida e sofrida por mulheres notáveis, que vocês agora vão descobrir. Elas são parte das 27 sobreviventes e das 45 assassinadas ou desaparecidas, que não eram nem assaltantes nem traficantes nem criminosas. Eram brasileiras patriotas, jovens idealistas, estudantes na maioria, militantes que lutavam para reconduzir nosso país ao estado democrático, para que pudéssemos todos exercer a liberdade do pensamento, do ir e do vir, do discutir, do divergir, para que pudéssemos voltar a ser cidadãos, voltar a pensar como indivíduos, e não como um rebanho perfilado e obediente, um Brasil de catatônicos, sob a ditadura militar.

Essas mulheres bravas, corajosas, únicas, enchem as páginas do livro Luta, substantivo feminino — mulheres torturadas, desaparecidas e mortas na resistência à ditadura, lançado pelos ministros Paulo Vannuchi e Nilcéia Freire, no auditório superlotado da PUC de São Paulo, gente em pé, gente sentada no chão. Todos os casos, comprovados pela Comissão dos Mortos e Desaparecidos, nos dão vergonha, nos tiram qualquer possibilidade de inocência e revelam o quanto sórdido pode ser o homem quando detém poder absoluto sobre seu semelhante. São horrores com técnicas de tortura à altura desses "micro-ondas", onde traficantes assam pessoas nas favelas cariocas, e praticados por agentes do Estado que agiam com a mesma frieza de um Elias Maluco. Tudo pago com o dinheiro do contribuinte! Perdão, meus amores, mas a Hildezinha tão confortável de todos os dias vai hoje soar tão amarga quanto as lembranças relatadas aqui. Mas, creiam, dói tanto em mim escrever sobre isso quanto será dolorosa, para vocês, a leitura. É a penitência que a coluna propõe nesta Sexta a todos nós, na esperança de que cada vez mais brasileiros apóiem a Comissão da Verdade e entrem nessa luta, para que tais horrores, sob ordem e patrocínio daqueles governos vigentes, não caiam no esquecimento e jamais se repitam...

A paixão segundo Rose

"Sobe depressa, 'Miss Brasil', dizia o torturador enquanto me empurrava e beliscava minhas nádegas escada acima no Dops. Eu sangrava e não tinha absorvente. Eram os '40 dias' do parto.
Na sala do delegado Fleury, num papelão, uma caveira desenhada e, embaixo, as letras EM, de Esquadrão da Morte. Todos deram risada quando entrei. 'Olha aí a Miss Brasil. Pariu noutro dia e já está magra, mas tem um quadril de vaca', disse ele. Um outro: 'Só pode ser uma vaca terrorista'.

Mostrou uma página de jornal com a matéria sobre o prêmio da vaca leiteira Miss Brasil numa exposição de gado.

Riram mais ainda quando ele veio para cima de mim e abriu meu vestido.

Segurei os seios, o leite escorreu. Eu sabia que estava com um cheiro de suor, de sangue, de leite azedo. Ele (delegado Fleury) ria, zombava do cheiro horrível e mexia em seu sexo por cima da calça com um olhar de louco. O torturador zombava: 'Esse leitinho o nenê não vai ter mais ".

Rose Nogueira, que conheci quando eu apresentava, na Globo, um quadro no programa TV Mulher, dirigido por ela, é jornalista e foi presa, em 1969, em São Paulo...

A paixão segundo Gilze
"Eu estava arrebentada, o torturador me tirou do pau de arara. Não me aguentava em pé, caí no chão. Nesse momento, fui estuprada".

De Gilze Cosenza, assistente social aposentada de Belo Horizonte. Foi presa em 1969. Sua filha tinha quatro meses.

A paixão segundo Izabel
"Eu, meu companheiro e os pais dele fomos torturados a noite toda ali, um na frente do outro. Era muito choque elétrico. Fomos literalmente saqueados. Levaram tudo o que tínhamos: as economias do meu sogro, a roupa de cama e até o meu enxoval. No dia seguinte, eu e meu companheiro fomos torturados pelo capitão Júlio Cerdá Mendes e pelo tenente Mário Expedito Ostrovski.

Foi pau de arara, choques elétricos, jogo de empurrar e ameaças de estupro. Eu estava grávida de dois meses, e eles estavam sabendo. No quinto dia, depois de muito choque, pau de arara, ameaça de estupro e insultos, eu abortei. Quando melhorei, eles voltaram a me torturar"...

A professora Izabel Fávero foi presa em 1970, em Nova Aurora, no Paraná. Hoje, ela é docente universitária, lecionando administração, no Recife.

A paixão segundo Hecilda
"Quando fui presa, minha barriga de cinco meses de gravidez já estava bem visível. Fui levada à delegacia da Polícia Federal, onde, diante da minha recusa em dar informações a respeito de meu marido, Paulo Fontelles, apanhei e comecei a ouvir, sob socos e pontapés: 'Filho dessa raça não deve nascer'. (...) me colocaram na cadeira do dragão, bateram em meu rosto, pescoço, pernas, e fui submetida à 'tortura científica'. Da cadeira em que sentávamos saíam uns fios, que subiam pelas pernas e eram amarrados nos seios. "As sensações que aquilo provocava eram indescritíveis: calor, frio, asfixia. Eu não conseguia ficar em pé nem sentada. " As baratas começaram a me roer. Aí, levaram-me ao hospital da Guarnição de Brasília, onde fiquei até o nascimento do Paulo. Nesse dia, para apressar "as coisas, o médico, irritadíssimo, induziu o parto e fez o corte sem anestesia".

Hecilda Fontelles Veiga, estudante de Ciências Sociais, presa no quinto mês de gravidez, em 1971, em Brasília. Hoje, vive em Belém, onde é professora da Universidade Federal do Pará.

A paixão segundo Marise
"Eu era jogada, nua e encapuzada, como se fosse uma peteca, de mão em mão. Com os tapas e choques elétricos, perdi dentes e todas "as minhas obturações".

A socióloga Marise Egger-Moellwald ainda amamentava seu filho quando foi presa em 1975.

Marise mora em São Paulo.

A paixão segundo Yara
"Era muita gente em volta de mim. Um deles me deu pontapés e disse: 'Você, com essa cara de filha de Maria, é uma filha da puta'. E me dava chutes. Depois, me levaram para a sala de tortura. Aí, começaram a me dar choques direto da tomada no tornozelo. Eram choques seguidos no mesmo lugar".

Yara Spadini, assistente social, foi presa em 1971, em São Paulo, onde é professora aposentada da PUC.

A paixão segundo Inês Etienne
"Fui conduzida para uma casa em Petrópolis.
O dr. Roberto, um dos mais brutais torturadores, arrastou-me pelo chão, segurando-me pelos cabelos. Depois, tentou me estrangular e só me largou quando perdi os sentidos. Esbofetearam-me e deram-me pancadas na cabeça. Fui espancada várias vezes e levava choques elétricos na cabeça, nos pés, nas mãos e nos seios. O 'Márcio' invadia minha cela para 'examinar' meu ânus e verificar se o 'Camarão' havia praticado sodomia comigo. Esse mesmo 'Márcio' obrigou-me a segurar seu pênis, enquanto se contorcia obscenamente. Durante esse período fui estuprada duas vezes pelo 'Camarão' e era obrigada a limpar a cozinha completamente nua, ouvindo gracejos e obscenidades, os mais grosseiros".

Inês Etienne Romeu - bancária, presa em São Paulo, em 1971. Hoje, vive em Belo Horizonte.

A paixão segundo Ignez Maria
"Fui levada para o Dops, onde me submeteram a torturas como cadeira do dragão e pau de arara. Davam choques em várias partes do corpo, inclusive nos genitais. De violência sexual, só não houve cópula, mas metiam os dedos na minha vagina, enfiavam cassetete no ânus. Isso, além das obscenidades que falavam. Havia muita humilhação. E eu fui muito torturada, juntamente com o Gustavo [Buarque Schiller], porque descobriram que era meu companheiro".

Ignez Maria Raminger estudava medicina veterinária quando foi presa em 1970, em Porto Alegre, onde trabalha atualmente como técnica da Secretaria de Saúde.

A paixão segundo Cecília
"Os guardas que me levavam, frequentemente encapuzada, percebiam minha fragilidade e constantemente praticavam vários abusos sexuais contra mim. Os choques elétricos no meu corpo nu e molhado eram cada vez mais intensos. Me senti desintegrar: a bexiga e os esfíncteres sem nenhum controle. 'Isso não pode estar acontecendo: é um pesadelo... Eu não estou aqui...', pensei. Vi meus três irmãos no DOI-Codi/RJ. Sem nenhuma militância política, foram sequestrados em suas casas, presos e torturados".

Cecília Coimbra era estudante de Psicologia quando foi presa no Rio em 1970. Hoje, ela preside o Grupo Tortura Nunca Mais e é professora de psicologia da Universidade Federal Fluminense.

A paixão segundo Dulce
"Eu passei muito mal, comecei a vomitar, gritar. O torturador perguntou: "Como está ? E o médico: "Tá mais ou menos, mas aguenta". E eles desceram comigo de novo . De Dulce Chaves Pandolfi, professora da FGV-Rio.

Da ALN, foi presa em 1970 e serviu de "cobaia" para aulas de tortura.

A paixão segundo Maria Amélia
"Fomos levados diretamente para a Oban. Eu vi que quem comandava a operação do alto da escada era o coronel Ustra. Subi dois degraus e disse: 'Isso que vocês estão fazendo é um absurdo'. Ele disse: 'Foda-se, sua terrorista', e bateu no meu rosto. Eu rolei no pátio. Aí, fui agarrada e arrastada para dentro. Me amarraram na cadeira do dragão, nua, e me deram choque no ânus, na vagina, no umbigo, no seio, na boca, no ouvido. Fiquei nessa cadeira, nua, e os caras se esfregavam em mim, se masturbavam em cima de mim. Mas com certeza a pior tortura foi ver meus filhos entrando na sala quando eu estava na cadeira do dragão. Eu estava nua, toda urinada por conta dos choques".

Maria Amélia de Almeida Teles, diretora da União de Mulheres de São Paulo, era professora de educação artística quando foi presa em São Paulo, em 1972.

A paixão segundo Áurea
"Uma vez eu vi um deles na rua, estava de óculos escuros e olhava o mundo por cima. Eu estava com minha filha e tremi".

A enfermeira Áurea Moretti, torturada em 1969, pediu a palavra, no lançamento do livro na PUC-SP, para dizer que a anistia foi inócua, porque ela cumpriu pena de mais de quatro anos de cadeia, mas seus torturadores nem sequer foram processados pelos crimes que cometeram.

A Catedral de Brasilia, ainda incompleta.

A reprise de 2006. Agora, como farsa.
por Luiz Carlos Azenha
Em 2005 e 2006 eu era repórter especial da TV Globo. Tinha salário de executivo de multinacional. Trabalhei na cobertura da crise política envolvendo o governo Lula.
Fui a Goiânia, onde investiguei com uma equipe da emissora o caixa dois do PT no pleito local. Obtivemos as provas necessárias e as reportagens foram ao ar no Jornal Nacional. O assunto morreu mais tarde, quando atingiu o Congresso e descobriu-se que as mesmas fontes financiadoras do PT goiano também tinham irrigado os cofres de outros partidos. Ou seja, a “crise” tornou-se inconveniente.
Mais tarde, já em 2006, houve um pequena revolta de profissionais da Globo paulista contra a cobertura política que atacava o PT mas poupava o PSDB. Mais tarde, alguns dos colegas sairam da emissora, outros ficaram. Na época, como resultado de um encontro interno ficou decidido que deixaríamos de fazer uma cobertura seletiva das capas das revistas semanais.
Funciona assim: a Globo escolhe algumas capas para repercutir, mas esconde outras. Curiosamente e coincidentemente, as capas repercutidas trazem ataques ao governo e ao PT. As capas “esquecidas” podem causar embaraço ao PSDB ou ao DEM. Aquela capa da Caros Amigos sobre o filho que Fernando Henrique Cardoso exilou na Europa, por exemplo, jamais atenderia aos critérios de Ali Kamel, que exerce sobre os profissionais da emissora a mesma vigilância que o cardeal Ratzinger dedicava aos “insubordinados”.
Aquela capa da Caros Amigos, como vimos estava factualmente correta. O filho de FHC só foi “assumido” quando ele estava longe do poder. Já a capa da Veja sobre os dólares de Fidel Castro para a campanha de Lula mereceu cobertura no Jornal Nacional de sábado, ainda que a denúncia nunca tenha sido comprovada.
Como eu dizia, aos sábados, o Jornal Nacional repercute acriticamente as capas da Veja que trazem denúncias contra o governo Lula e aliados. É o que se chama no meio de “dar pernas” a um assunto, garantir que ele continue repercutindo nos dias seguintes.
Pois bem, no episódio que já narrei aqui no blog, eu fui encarregado de fazer uma reportagem sobre as ambulâncias superfaturadas compradas pelo governo quando José Serra era ministro da Saúde no governo FHC. Havia, em todo o texto, um número embaraçoso para Serra, que concorria ao governo paulista: a maioria das ambulâncias superfaturadas foi comprada quando ele era ministro.
Ainda assim, os chefes da Globo paulista garantiram que a reportagem iria ao ar. Sábado, nada. Segunda, nada. Aparentemente, alguém no Rio decidiu engavetar o assunto. E é essa a base do que tenho denunciado continuamente neste blog: alguns escândalos valem mais que outros, algumas denúncias valem mais que outras, os recursos humanos e técnicos da emissora — vastos, aliás — acabam mobilizados em defesa de certos interesses e para atacar outros.
Nesta campanha eleitoral já tem sido assim: a seletividade nas capas repercutidas foi retomada recentemente, quando a revista Veja fez denúncias contra o tesoureiro do PT. Um colega, ex-Globo, me encontrou e disse: “A fórmula é a mesma. Parece reprise”.
Ou seja, podemos esperar mais do mesmo:
– Sob o argumento de que a emissora está concedendo “tempo igual aos candidatos”, se esconde uma armadilha, no conteúdo do que é dito ou no assunto que é escolhido. Frequentemente, em 2006, era assim: repercutindo um assunto determinado pela chefia, a Globo ouvia três candidatos atacando o governo (Geraldo Alckmin, Heloisa Helena e Cristovam Buarque) e Lula ou um assessor defendendo. Ou seja, era um minuto e meio de ataques e 50 segundos de contraditório.
– O Bom Dia Brasil é reservado a tentar definir a agenda do dia, com ampla liberdade aos comentaristas para trazer à tona assuntos que em tese favorecem um candidato em detrimento de outro.
– O Jornal da Globo se volta para alimentar a tropa, recorrendo a um grupo de “especialistas” cuja origem torna os comentários previsíveis.
– Mensagens políticas invadem os programas de entretenimento, como quando Alexandre Garcia foi para o sofá de Ana Maria Braga ou convidados aos quais a emissora paga favores acabam “entrevistados” no programa do Jô.
A diferença é que, graças a ex-profissionais da Globo como Rodrigo Vianna, Marco Aurélio Mello e outros, hoje milhares de telespectadores e internautas se tornaram fiscais dos métodos que Ali Kamel implantou no jornalismo da emissora. Ele acha que consegue enganar alguém ao distorcer, deturpar e omitir.
É mais do mesmo, com um gostinho de repeteco no ar. A história se repete, agora com gostinho de farsa.
Querem tirar a prova? Busquem no site do Jornal Nacional daquele período quantas capas da Veja ou da Época foram repercutidas no sábado. Copiem as capas das revistas que foram repercutidas. Confiram o conteúdo das capas e das denúncias. Depois, me digam o que vocês encontraram.





Do Correio Caros Amigos:
Disputa eleitoral e avanço popular
O que os trabalhadores e os movimentos sociais podem fazerpara ampliar sua organização e fortalecer suas próprias lutas Por Hamilton Octavio de Souza A disputa eleitoral já está nas ruas. Ou melhor, está na mídia. Os jornais, as revistas, a TV, o rádio e a Internet já estão noticiando a movimentação dos partidos e dos candidatos. Ao mesmo tempo veiculam também os podres de sempre, as matérias encomendadas, a baixaria, a troca de denúncias sensacionalistas. Tudo indica que até o primeiro turno das eleições, no dia 3 de outubro, o povo brasileiro será bombardeado por uma guerra suja sem limites éticos e políticos.

O tiroteio generalizado evidentemente encobre o verdadeiro sentido das eleições, que é a escolha consciente de propostas, programas e candidatos que expressem coerentemente as demandas maiores do povo. No meio da guerra suja, com acusações de todos os lados, fica cada vez mais difícil selecionar partidos e candidatos identificados com os trabalhadores e as causas populares, que mereçam a confiança não apenas no voto, mas principalmente depois de eleitos.

Nessas horas, o melhor mesmo é não se deixar enganar pelo discurso demagógico e nem pela propaganda enganosa, não embarcar no denuncismo rasteiro da grande imprensa, já que a artimanha dos setores conservadores, das elites e da direita em geral, é confundir o eleitorado, é colocar todo mundo no mesmo saco da despolitização, do fisiologismo, da corrupção e dos interesses pessoais. Os eleitores precisam se livrar dessas armadilhas e escolher candidatos verdadeiramente comprometidos com as transformações sociais.

Mais do que isso, o momento da eleição pode e deve ser aproveitado para que a comunidade, os trabalhadores e o povo, tratem de fortalecer as suas próprias organizações, as associações de moradores, os sindicatos, os movimentos sociais por moradia, educação, saúde, emprego, melhores condições de vida e de trabalho. Independemente da escolha de partidos e candidatos nessa eleição, as organizações populares devem debater a conjuntura política e econômica do país, construir suas próprias pautas de reivindicações, definirem seus métodos de luta, ter uma atuação forte e contínua para a obtenção de conquistas duradouras. A visão imediatista de que a eleição resolve tudo, é um grande equívoco.

A eleição deste ano vai escolher presidente da República, senadores, governadores, deputados federais e estaduais. Devemos apoiar e votar somente naqueles candidatos que tenham projetos para o País, que não vão jamais trair o povo, que vão honrar os votos depois de eleitos. A eleição não é a única forma de o povo trabalhador influenciar na política brasileira. A verdadeira democracia é mais ampla que o sistema representativo, contempla a participação efetiva do povo trabalhador nos destinos do país, nos espaços públicos e privados, nas escolas, nos locais de trabalho e nas instituições em geral.

O Brasil precisa de uma democracia real, ampla, participativa, com igualdade de direitos para todos. Mais importante do que o voto é a capacidade de pressão organizada dos trabalhadores e dos movimentos sociais. Se o povo não defender as suas propostas com total autonomia, dificilmente o que é prometido na campanha eleitoral será cumprido posteriormente. A força dos trabalhadores depende de sua própria organização permanente, em movimentos sociais, sindicatos e partidos. A hora é de refletir e de agir. O que devemos fazer para construir no Brasil a democracia que assegure o avanço popular?
Hamilton Octavio de Souza é jornalista e professor da PUC-SP











É um vídeo de 17 min. sobre Belo Horizonte, filmado em 1949 pelo governo americano, para divulgação do potencial de investimento de Minas Gerais.

Fala sobre minério, pedras, cimento, café, milho etc., além de mostrar as cidades importantes na época, como Itabira, Monlevade, Ouro Preto.

Tem até o Juscelino, ainda governador, Colégio Sto Agostinho, Minas Tênis, desfile de 7 de setembro na Afonso Pena, a galera chique no Iate Clube e a Pampulha, ainda sem casas. É muito legal.

Acessem o link
: http://www.archive.org/details/BeloHori1949



Vista aérea de Brasilia


Algumas questões didático-pedagógicas envolvidas no ensino de Ciências Sociais
Faço aqui um mea culpa: estamos empanturrando os alunos ao obrigá-los a devorar uma quantidade enorme de informações em pouquíssimo tempo. Tenho a sensação de que o curso está se transformando numa grande comilança de informações em que o importante durante o festim é não parar para pensar. A conclusão a que estou chegando é que a sobrecarga de tarefas e de conteúdos incute nos alunos uma atitude intelectual consumista...
por NILSON NOBUAKI YAMAUTI

LEIA NA ÍNTEGRA: http://espacoacademico.wordpress.com/2010/04/10/algumas-questoes-didatico-pedagogicas-envolvidas-no-ensino-de-ciencias-sociais/


Palácio da Alvorada


A Revista Espaço Acadêmico, edição nº 107, abril de 2010, foi publicada.
Acesse:
hhttp://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/issue/current

Neste número, destaca-se o DOSSIÊ - A SITUAÇÃO ATUAL DA MULHER: REFLEXÕES E PERSPECTIVAS, organizado pela Profª Drª Eva Paulino Bueno.


Congresso Nacional


ASSOCIAÇÃO JUÍZES PARA A DEMOCRACIA

Rua Maria Paula, 36 - 11º andar - conj. 11-B - tel./ FAX (11) 3105-3611 - tel. (11) 3242-8018

CEP 01319-904 - São Paulo-SP - Brasil http://www.ajd.org.br/ - juizes@ajd.org.br

Subscritores(as) do Manifesto Contra a Anistia aos Torturadores!
Informamos que o Supremo Tribunal Federal marcou o julgamento do processo (ADPF 153) que requer que o STF declare que a Lei de Anistia não se aplica aos crimes comuns praticados pelos agentes da repressão contra os seus opositores políticos, durante o regime militar.
O Manifesto já recebeu 15.800 assinaturas
Se você conhece alguém que possa aderir, encaminhe link para possibilitar o conhecimento do apelo, os subscritores e outras informações
http://www.ajd.org.br/contraanistia_port.php
Os crimes praticados durante a ditadura, como tortura, assassinato, desaparecimento forçado, são crimes contra a humanidade e nesta medida não podem ser anistiados .
A decisão do STF estabelecerá um novo marco de democracia para o Brasil.
O julgamento será:
Dia: 14/04/2010
Hora: ás 14 horas
Local: Supremo Tribunal Federal, em Brasília,
O julgamento é público.
Compareça!!!

Rodoviária de Brasilia



O corvo da rua Chile

Emir Sader foi muito feliz ao criar o prêmio "O Corvo do Ano 2010", numa homenagem ao jornalista Carlos Lacerda, extremado líder golpista dos anos cinquenta e parte dos sessenta. Lacerda soube usar como ninguém a mídia da época, aliando-se aos militares para derrubar governos democráticos. É preciso destacar que nenhum dos jornalistas dos tempos modernos chega aos pés de Carlos Lacerda, um traidor convicto mas dotado de rara capacidade de polemizar. O artigo é de Eliakim Araújo.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16523&boletim_id=673&componente_id=11229

Palácio da Alvorada


A insuportável e prepotente presença do neo-fascismo espanhol

A primeira pessoa que sentará no banco dos réus na história da Espanha pelos crimes do fascismo espanhol, 35 anos depois da morte do general golpista, não será alguém que tenha feito parte daquela infâmia infinita, ou algum apologista de sua bondade e necessidade histórica, mas sim o juiz Baltasar Garzón, que tentou, com maior ou menor acerto, usar algumas armas jurídicas para superar a Lei do Ponto Final, como foi chamada a Lei da Anistia, de 1977. O artigo é de Salvador López Arnal, do Rebelión.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16519&boletim_id=673&componente_id=11233



Robert Darnton é convidado confirmado da Flip 2010

Robert Darnton é historiador, formado em Harvard, Estados Unidos, e com um doutorado em história na universidade inglesa de Oxford. Especialista em história da França do século XVIII, seus estudos estão voltados para o iluminismo e a Revolução Francesa. Umas das grandes preocupações de Darnton é com o poder crescente que os meios de comunicação vêm assumindo, e a falta de espaço e penetração das obras de história junto ao público em geral. No Brasil, tem publicado os seguintes livros: O grande massacre de gatos e outros episódios da história cultural francesa, Boemia literária e revolução, O beijo de Lamourette, Edição e Sedição, O Iluminismo como negócio e Os dentes falsos de George Washington. A obra Best-Sellers proibidos da França pré-revolucionária, ganhou, em 1995, o prêmio National Book Critics Circle na categoria de crítica. Em 2007, Darnton se aposentou da Universidade Princeton e assumiu a direção da Biblioteca da Universidade Harvard. Tomou a missão de digitalizar e tornar acessível gratuitamente pela internet o conjunto da produção intelectual da universidade norte-americana.





Estão abertas as inscrições para professor de História para o CEFET de Leopoldina
Exigência: Graduação: Licenciatura em História.
Pós-Graduação: Mestrado em História ou áreas afins.
O conteúdo programático para as Provas Escrita e Didática é o seguinte:
As Bases da Modernidade, América Colonial, Consolidação da Ordem Burguesa na
Europa, Crise do Antigo Sistema Colonial, Críticas e Contestações ao Capitalismo no Século XIX, América no Século XIX, O Grande Século XIX Brasileiro, Hegemonia Européia: do Auge à Crise, a República Oligárquica, a Crise do Estado Liberal, a Segunda Grande Guerra e o Novo Jogo de Forças Internacionais, o Brasil Contemporâneo, o Mundo Contemporâneo: os Conflitos Atuais.
É de inteira responsabilidade do candidato acompanhar as publicações no Diário Oficial da
União de todos os atos, editais e comunicados referentes a este concurso público, e também as publicações no sítio www.concursos.cefetmg.br






O REITOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DOS VALES DO JEQUITINHONHA E MUCURI, no uso de suas atribuições regimentais, e considerando o que dispõe a Portaria/MP nº 124 de 15/03/2010 e a Portaria MEC nº 327 de 19/03/2010, em conformidade com o Decreto nº 6.944 de 21 de agosto de 2009, torna público que estarão abertas as inscrições para o Concurso Público de Provas e Títulos para Professor de Ensino Superior, destinado ao provimento de vagas na Classe de Professor ADJUNTO ou ASSISTENTE, em Regime de Trabalho de Dedicação Exclusiva, para a Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri – UFVJM, Campus Diamantina, conforme discriminação a seguir:

ÁREA(S) DE CONHECIMENTO - REQUISITOS - Departamento - CAMPUS - VAGAS
Sociologia e Antropologia - Graduação em História, Ciências Sociais ou Filosofia; com Doutorado ou Mestrado em Ciências Humanas. - Ciências Básicas - Diamantina - 01

Bioestatística e Epidemiologia - Graduação na área da Saúde e Doutorado ou Mestrado em Epidemiologia ou Bioestatística. - Ciências Básicas - Diamantina - 01

Turismo, Oferta e Demanda Turística, Lazer e Hospitalidade - Graduação em Turismo, Educação Física, Sociologia, Hotelaria, Hospitalidade ou Lazer; com Doutorado ou Mestrado nas
áreas do concurso. - Turismo - Diamantina - 01

DAS INSCRIÇÕES:
1.1. De 05 de abril a 27 de abril de 2010.
1.2. Horário: segunda a sexta-feira, de 08:00 às 11:00 e de 14:00 às 17:00 horas, exceto sábados, domingos e feriados.
1.3. Local: Superintendência de Recursos Humanos - SRH do Campus de Diamantina, Rua da
Glória, 187 Centro, Diamantina - MG, 39100.000 - Fone: (38) 3532-6019.
1.4. No ato da inscrição o candidato deverá apresentar os seguintes documentos:
a) Requerimento de inscrição;
b) Cópia da carteira de identidade. Se estrangeiro deverá ser portador de visto permanente ou
protocolo de solicitação do visto;
c) curriculum vitae ou currículo em formato Lattes/CNPq em via única;
d) comprovante do recolhimento da taxa de inscrição.
Só deverão proceder o recolhimento da taxa de inscrição, os candidatos a Professor Adjunto,
portadores do Título de Doutor.
Mais informações em http://www.ufvjm.edu.br/




Novos recursos de consulta ao acervo do CPDOC

Documentos dos Arquivos Pessoais, entrevistas do Programa de História Oral e verbetes do Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro já estão reunidos em uma busca integrada, a nova Busca Simples do Portal CPDOC. Outra ferramenta que o CPDOC está colocando à disposição de seu público é o Colabore, que permite enviar correções e/ou novas informações relativas aos documentos consultados.

Seminário: Digitalização e difusão de acervos históricos (Rio)

Após dois anos de desenvolvimento do projeto “Preservação e Divulgação do Acervo Histórico do CPDOC”, financiado pelo Banco Real, a equipe do Setor de Documentação do CPDOC deseja compartilhar os resultados e desafios dessa experiência com profissionais e instituições interessados nas áreas de acervo e disseminação da informação.
http://cpdoc.fgv.br/noticias/eventos/09042010
Dia 9 de abril, sexta-feira, a partir das 14h. Local: Auditório 318 (3º andar) - Fundação Getulio Vargas.


Palestra: Escravidão e Colonialismo no Brasil e na Índia (Rio)

O CPDOC convida para a palestra do pesquisador bolsista Cláudio Pinheiro, "Escravidão e Colonialismo no Brasil e na Índia: O desenvolvimento de formas sociais imaginadas da exclusão no Sul Global".
http://cpdoc.fgv.br/noticias/eventos/31032010
Dia 15 de abril de 2010 - quinta-feira, às 15h. Local: Auditório 1013, 10º andar, Fundação Getulio Vargas


Palestra: Crisis internacional y regionalización (Rio)

O Centro de Relações Internacionais da FGV, sediado no CPDOC, convida para a palestra "Crisis internacional y regionalización", a ser proferida por Celia Himelfarb, do Institut d'Études Politiques de Grenoble. A palestra será mediada por Tatiana Pedro do Coutto (CPDOC) e será proferida em espanhol.
http://cpdoc.fgv.br/relacoesinternacionais/eventos/16042010
Dia 16 de abril, sexta-feira, às 16h30. Local: Auditório 318 (3º andar) - Fundação Getulio Vargas

MBA em Jornalismo Investigativo e Realidade Brasileira (Rio e São Paulo)

Reúne conhecimento acadêmico, experiência jornalística e novas técnicas de investigação utilizadas por jornais, revistas e emissoras de TV. Mostra como a investigação jornalística contribuiu para as transformações da sociedade brasileira nas últimas décadas e fornece instrumentos teóricos e práticos para o aperfeiçoamento das técnicas de apuração e investigação em todas as áreas do jornalismo. Conta um corpo de professores altamente qualificado na reflexão e na prática do jornalismo investigativo, beneficiando-se também da experiência acadêmica do CPDOC, unidade da FGV com amplo reconhecimento nas áreas de História e Ciências Sociais.
Mais informações nas páginas: MBA Jornalismo Investigativo - Rio de Janeiro
MBA Jornalismo Investigativo - São Paulo


Seleção de professor horista para História Medieval (Rio)

A Escola Superior de Ciências Sociais CPDOC/FGV informa a abertura de processo seletivo para a contratação de um professor horista para a disciplina História da Idade Média, a ser ministrada no segundo semestre letivo do ano de 2010. Os candidatos deverão apresentar experiência docente ou de pesquisa na área de concentração História da Idade Média do Ocidente e comprovante de titulação acadêmica (mestrado ou doutorado). Os interessados deverão enviar um breve memorial acadêmico acompanhado de currículo e de uma proposta de programa/bibliografia para o curso em questão - prevendo a programação diária de atividades acadêmicas (28 sessões de 1h50). Veja mais em: http://cpdoc.fgv.br/noticias/avisos/042010_selecaoprofessorhorista1
As inscrições devem ser enviadas (até a data de 07/05/2010) para o endereço eletrônico gradcshist@fgv.br


Seleção de professor horista para Filosofia 2 (Rio)

A Escola Superior de Ciências Sociais / CPDOC/FGV informa a abertura de processo seletivo para a contratação de um professor horista para a disciplina Filosofia 2, a ser ministrada no segundo semestre letivo do ano de 2010. Os candidatos deverão apresentar experiência docente e comprovante de titulação acadêmica (mestrado ou doutorado). Os interessados deverão enviar um breve memorial acadêmico acompanhado de currículo e de uma proposta de programa/bibliografia para o curso em questão - prevendo a programação diária de atividades acadêmicas (28 sessões de 1:50h). Veja mais em:http://cpdoc.fgv.br/noticias/avisos/042010_selecaoprofessorhorista2
As inscrições devem ser enviadas (até a data de 07/05/2010) para o endereço eletrônico gradcshist@fgv.br




Capela do Palácio da Alvorada

MISCELÂNEA

História em 140 Caracteres

Cada vez mais popular entre internautas brasileiros, Twitter é uma ferramenta de comunicação que pode auxiliar o trabalho de historiadores e educadores


CAFÉ EXPRESSO NOTÍCIAS

Hotel que hospedou Getúlio Vargas poderá virar um museu no Araguaia

Nelson Jobim critica revisão e julgamento de crimes da Ditadura


CINE HISTÓRIA

"A Leste de Bucareste" - Dirigido por Corneliu Porumboi, o filme é um verdadeiro achado, misturando humor negro, crítica política e, claro, inteligência na hora de "brincar" com a escrita da história.


FÓRUNS

Livros sobre séc XX. Quais os melhores ?

É correto falar em fascismo Japonês?

Visite Cafe Historia em: http://cafehistoria.ning.com/?xg_source=msg_mes_network

2 Comentários:

  • Às 7:11 AM , Blogger Meg Mamede disse...

    Olá Ricardo,

    Sobre o juiz Baltazar Garzon, aqui na Espanha há mobilizações e muito apoio ao juíz por parte de intelectuais, artistas, políticos, jornalistas e parte da população, além do apoio vindo da Argentina e EUA. Para saber mais indico o artigo publicado no Blog "Blanco y Negro" http://smfdiario.blogspot.com/2010/02/manifietos-favor-de-garzon.html ou o artigo publicado hoje no jornal "El País" de José Maria Izquierdo, autor do blog "El ojo Izquierdo"
    http://www.elpais.com/articulo/opinion/apropiada/querella/amigo/fascista/elpepiopi/20100416elpepiopi_13/Tes
    Garzon sempre esteve muito envolvido com a questão da memória histórica e a justiça, mas há gente que prefere passar por cima de tudo colocando-o no banco dos réus, numa inversão de papéis. Espanha tem muito que trazer à tona, muita coisa varrida para baixo do tapete.

    Abs,

     
  • Às 10:59 PM , Anonymous Elane Marques disse...

    Oi Ricardo! li como sempre nas quartas o Boletim, gostei muito do artigo que fala das mulheres que foram torturadas no período ditatorial no Brasil, o que mais envergonha é saber que os mandantes de tais atrocidades continuam livres em nosso país e muitos deles ocupando cadeiras no Senado e Camaras.
    Abraços.

     

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