Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

23.4.06

Número 036 - nova fase





Você já foi a Ouro Preto? Recorda-se de ter visto este edifício? Não? Pois é... trata-se do antigo Hotel e restaurante Pilão, na Praça Tiradentes, que "pegou fogo" há um tempo atrás. O local tinha ficado assim: E agora foi reconstruído e se tornou o Centro Cultural e Turístico do sistema Fiemg em Ouro Preto. No subsolo temos o Espaço Estrada Real, livraria e bar-café. No 1º pavimento, o setor de Informações, a Sala dos guias turísticos e um espaço multiuso para palestras, exposições, cursos e exibição de filmes. O 2º pavimento é o Salão nobre. A foto das ruínas foi feita por mim em 2003 e a do prédio reconstruido pela minha filha Raquel, domingo passado.

Editorial

A questão do Estado, segundo o Le Monde Diplomatique

Fréderic Lordon, pesquisador e autor de Et la vertu sauvera le monde, publicou artigo no site do Diplo – Le monde diplomatique, que não posso reproduzir porque é de acesso pago. Mas vou comentar, porque percebi ser muito importante o que ele diz e ainda podemos associar as idéias centrais com o artigo na seqüência, que indaga Qual Estado? para discutir uma questão chave para a sociedade brasileira.

Lordon começa seu texto falando sobre um anúncio publicado na mídia francesa, dando conta da restauração da Galeria dos Espelhos do Palácio de Versalhes. Essa Galeria é famosa, todos já viram pelo menos um retrato dela nos livros didáticos, entre outros motivos porque foi lá que se assinou o Tratado de Versalhes, encerrando a Primeira Guerra Mundial. Pois bem, a Galeria foi totalmente restaurada... por uma empresa privada. E é sobre esta “tendência generosa” do capital que Lordon quer falar, pois enxerga nela algo bem mais sério do que à primeira vista pode parecer.
[Sabemos nós, aqui no Brasil, que quase sempre são as empresas privadas que investem seu capital na proteção e restauração de nosso patrimônio. Veja-se, por exemplo, o recente Museu de Artes e Ofícios em Belo Horizonte, a Ferrovia que vai ligar Ouro Preto a Mariana sob patrocínio da Vale do Rio Doce, e tantos outros exemplos...]
Mas para Lordon, o que significa isso? Qual a razão desse interesse das grandes empresas na cultura?
“Na verdade, a mensagem essencial é outra. Nada foi dito mas todo mundo compreende: o Estado está renunciando a suas responsabilidades, ou tornou-se financeiramente incapaz. As empresas são cidadãs, têm no lucro seu meio de agir; os capitalistas não são movidos apenas por dividendos, mas também pela cultura.”

Portanto, para ele, mais do que uma tendência, mais do que um interesse filantrópico competitivo, mais do que lavagem de dinheiro, essas atitudes dos grandes empresários estão nos dando o seguinte recado, tão caro ao pensamento neoliberal: O Estado não é apenas importuno e ineficaz: é inútil.
A única atividade do Estado que interessa deverá ser mantida: o caráter de mantenedor da ordem pública. Para mais nada se precisa do Estado. Tudo o mais ficará por conta da moral individual que, como Lordon nos lembra, é a única forma de regulação social tolerada pelo liberalismo.

“Fazer da política pública um moralismo plutocrático e pronunciar assim a dissolução definitiva do Estado social, será, talvez, a nova - e última - fronteira liberal.”

Esta é a conclusão do autor. Na verdade, ele discorre longamente a respeito disso, a síntese que estou apresentando tem suas falhas, na medida em que não é possível sintetizar todo o pensamento dele em poucas palavras.

E no Brasil,

QUAL ESTADO?

Imprensa falseia dados sobre gastos públicosPensamento conservador ataca qualquer despesa ou investimento público que não destinado aos credores da dívida. Necessidades de pessoal e de reestruturação do estado são vistos como gastança. > LEIA MAIS Política

Além disso, temos o Estado que sabe a quem oferecer benesses e de quem deve cobrar impostos. O jornalista Xico Vargas, em sua coluna no site www.nominimo.ibest.com.br, mostra que a presteza com que a polícia do Rio buscou solucionar o assalto à casa do senador Mestrinho (do Amazonas, mas mora no Rio...) tem uma explicação lógica:

De Mestrinho sabe-se que o Congresso não ouviu a voz este ano, mas é do PMDB, como a governadora, manda em boa penca de votos no diretório de seu estado, o Amazonas, e marca vários pontos na prévia que escolherá o candidato do partido à presidência da República (e que casualmente poderá ser Garotinho). Com esse rol de atributos é até possível que o assalto se some às esquálidas estatísticas policiais de crimes solucionados

E recentemente uma dissertação de mestrado defendida no Rio de Janeiro, veio mostrar como a elite brasileira utiliza mil e uma estratégias para permanecer no poder. Apesar de a autora ter feito um recorte no século XIX, podemos afirmar que suas conclusões são válidas também para os dias de hoje.

A elite quer se perpetuar no poder. Para isso inúmeras estratégias são desenvolvidas por ela. Não importa o tipo de regime adotado, desde a independência em 1822 até o Estado republicano foi sempre do mesmo jeito. A elite quer participar e dar as cartas do jogo político. Seus integrantes são unidos por amplas teias de relacionamentos pessoais, negociações entre o público e o privado, entre grupos e instituições, com sucessivos realinhamentos. A dinâmica dessas relações, embora tenha um caráter aparentemente conjuntural, oculta a lógica do modelo político. Essa conclusão, óbvia à primeira vista, reflete muito bem o modo de fazer política na história do Brasil. Mas é dessa forma que a tese de Maria Fernanda Vieira Martins - A velha arte de governar: um estudo sobre política e elites a partir do Conselho de Estado (1842-1889) - se encerra.

Leia a resenha da dissertação em http://www2.uol.com.br/historiaviva/conteudo/editorial/editorial_30.html

Então? Vale a pena discutir isso? Envie seu comentário para rimofa@terra.com.br, para publicarmos na próxima edição!


Falam amigos e amigas

1. Obrigado professor Ricardo.
Uma boa semana com muita saúde, paz e sucesso.
Abraços.
Sebastião Elias

2. Olá Ricardo

Aqui é Rita, ex-aluna da UNI-BH, espero que você ainda se lembre de mim... Como vai? tudo bem? Tenho recebido os Boletins e me entristeço com a atual situação política do país, aqui em Portugal quase que não tem saído nada sobre a crise. As vezes vejo o jornal da Record, mas com a diferença de fuso horário acaba por ser tarde.

Meu objetivo com esse email é para pedir ajuda. Estou no segundo ano do mestrado em museologia, na Universidade Lusófona em Lisboa, já na parte de escrita da dissertação. Meu tema é sobre educação para o patrimônio e farei um estudo de caso sobre o trabalho da SUM (superintendência de Museus Mineiros) no campo da educação patrimonial. um dos tópicos que vou abordar é a História cultural de Minas Gerais, fato que me leva a lhe solicitar que me venda seu livro, pois acredito que será um importante apoio bibliográfico para meu trabalho.
Rita de Cássia
Rita, parabéns mais uma vez. Estou enviando o livro, e postei seu email porque pode ser que algum(a) leitor(a) tenha condições de contribuir para sua pesquisa. É só enviar para o email rimofa@terra.com.br que eu encaminho para a Rita.

3. Li a entrevista [no site http://revistahonoriscausa.org ] e me enchi de orgulho pelo amigo que tenho...Um texto de muita inteligência e lucidez. O boletim está excelente como sempre...Pena que as notícias continuam péssimas. Por todo lado que a gente olha só vê absurdos, corrupção e toma lá dá cá. Até quando a gente vai agüentar???
Malu Coelho

Brasil

A parte relativa ao Brasil deste boletim está bem superior à Internacional. Assuntos variados são apresentados: violência no campo; arquivos da ditadura; críticas àquele sujeitinho que acha que é jornalista e consegue publicar uma coluna na Veja; os escândalos dos vestidos da Madame Chuchu e do menino do Rio que recebeu dinheiro de presidiários para a campanha; a selvageria dos universitários da cidade de Marilia (SP); pretas, pobres e feias: as mulheres que não comovem a imprensa; o teatro da escravidão; a CPI dos Bingos e suas ilegalidades. Leiam e comentem!

1. VIOLÊNCIA NO CAMPO

Relatório revela explosão de mortes por causas indiretas no ano passado - Documento da Comissão Pastoral da Terra (CPT) aponta aumento de mais de 100% de mortes causadas indiretamente por problemas relacionados com a opção pelo agronegócio. > LEIA MAIS Movimentos Sociais 18/04/2006

2. ARQUIVOS DA DITADURA

“É hora de um movimento nacional pró-abertura”, diz Comparato

Na opinião do jurista Fábio Konder Comparato, iniciativas como mover uma ação de inconstitucionalidade contra a lei que estabelece o sigilo e ações individuais para o acesso a documentos específicos podem contribuir para revelar dados importantes da história do país e criar o ambiente de um movimento nacional pela abertura dos arquivos. > LEIA MAIS Direitos Humanos 18/04/2006


3. Com certeza vocês já ouviram falar (infelizmente!) de um sujeitinho que escreve na Veja, chamado Diogo Mainardi. Ele cismou que entende alguma coisa e vive juntando letras e formando palavras para tentar dizer alguma coisa inteligente, mas é difícil...muito difícil...
Fiquei sabendo – já que a leitura da Veja saiu de meus hábitos há muito tempo – que ele andou atacando alguns jornalistas da Globo e da Folha de São Paulo, entre eles o Franklin Martins, que resolveu responder. Não respondeu à altura, porque é impossível, já que ninguém é tão baixo quanto o Mainardi, mas, com elegância e refinamento colocou o sujeitinho no lugar que lhe cabe: a pocilga
.
Vale a pena ler a resposta do Franklin Martins, que reproduzo aqui graças à minha querida amiga Maria da Conceição Oliveira, que a postou no orkut, na comunidade séria dos historiadores: Novos filhos de Clio.

Desafio a um difamador

O sr. Diogo Mainardi, em artigo intitulado “Jornalistas são brasileiros”, publicado na revista Veja de 16 de abril de 2006, acusou a mim e a outros profissionais de imprensa de sermos “moralmente frouxos” e de mantermos “relações promíscuas” com o poder político. No meu caso, saiu-se com a estapafúrdia história de que eu teria uma cota pessoal de nomeações no serviço público. Nessa cota, estariam meu irmão, Victor Martins, diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP), e minha mulher, Ivanisa.

Seguem-se alguns esclarecimentos. Devo-os não ao sr. Mainardi, mas a meus leitores, telespectadores e ouvintes, e também a meus colegas de profissão que, com razão, continuam a acreditar que o jornalismo só tem valor se for exercido com espírito público e ética:

1. Não tive, em qualquer momento ou em qualquer instância, nada a ver com a nomeação de meu irmão, profissional conceituado na área de petróleo, para a diretoria da ANP.
Jamais intercedi junto a quem quer que fosse no Poder Executivo para sua indicação. Jamais pedi a qualquer membro do Senado, a quem cabe constitucionalmente aprovar ou recusar as diretorias das agências reguladoras, que olhasse com simpatia seu nome. Não movi uma palha nesse episódio. Meu irmão tem a vida profissional dele e eu, a minha.

O sr. Mainardi não é obrigado a acreditar no que digo. Mas, se não fosse um difamador travestido de jornalista, teria se esforçado para apoiar suas acusações em fatos que revelassem uma conduta inadequada da minha parte, e não apelado para trechos de discursos desse ou daquele parlamentar com referências à minha pessoa que não significam absolutamente nada. Sobre o que falam deputados e senadores nem eu nem o sr. Mainardi temos a menor responsabilidade. Qualquer pessoa medianamente informada sabe disso. Somos eu e ele responsáveis apenas pelos nossos atos.

Por isso, lanço-lhe um desafio. Se qualquer um dos 81 senadores ou senadoras – um só, não é necessário mais do que um – vier a público e afirmar que o procurei pedindo apoio para o nome de meu irmão, me sentirei sem condições de seguir em meu trabalho como comentarista político. Pendurarei as chuteiras e irei fazer outra coisa na vida. Em contrapartida, se nenhum senador ou senadora confirmar a invencionice do sr. Mainardi, ele deverá admitir publicamente que foi leviano e, a partir daí, poupar os leitores da “Veja” da coluna que assina na revista.

Tudo ou nada, bola ou búrica. O sr. Mainardi topa o desafio ?

Se topa, proponho que escolha uma pessoa de sua confiança, enquanto eu pedirei à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) que designe um profissional acima de qualquer suspeita, para que ambos conversem imediatamente com todos os senadores e senadoras e ponham essa história em pratos limpos.

Se não topa o desafio, o sr. Mainardi estará apenas confessando que não tem compromisso com a verdade e deixando claro que não passa de um difamador.
Sei os riscos que estou correndo. Entre os 81 senadores, há vários que, em um ou outro momento, já foram frontalmente criticados por mim. Outros devem ter discordado inúmeras vezes de minhas opiniões e avaliações. É provável que haja, inclusive, quem, em algum episódio, tenha se sentido injustiçado por alguma palavra minha. Mesmo assim duvido que apareça um só senador, governista ou oposicionista, do Norte ou do Sul, veterano ou novato, que confirme a afirmação insultuosa do sr. Mainardi de que fiz tráfico de influência para nomear um irmão para a ANP. Duvido que apareça por uma razão muito simples: isso simplesmente nunca ocorreu.

2. Quanto à minha mulher, é funcionária pública há mais de 20 anos. E servidores públicos, sr. Mainardi, por incrível que lhe pareça, trabalham no serviço público. Não sei qual a razão de sua surpresa com o fato. Devo esclarecer que, embora seja profissional extremamente competente, com mestrado em planejamento social na London School of Economics, já tendo dirigido agências e programas nacionais na área, no momento minha mulher não exerce cargo comissionado e sequer tem função gratificada. Por que? Não sei. Coisas do serviço público ...

Dados os esclarecimentos, sigo adiante.

Nem sempre concordo com o que escrevem Eliane Cantanhede, da “Folha de S. Paulo”, e Helena Chagas, de “O Globo”, também difamadas pelo sr. Mainardi no artigo mencionado. Mas isso não me impede de dizer que são duas tremendas profissionais, das melhores jornalistas deste país. Na nossa profissão, como em todas outras, há gente séria e gente que não presta, pessoas íntegras e pessoas sem caráter. Eliane e Helena estão na primeira categoria e me honra ter sido colocado na companhia delas. Para mim, desabonador seria o contrário.

Os ataques que sofremos Eliane, Helena e eu talvez sejam os mais graves, mas não são os primeiros que o sr. Mainardi lançou recentemente contra jornalistas.
Nos últimos meses, semana sim, semana não, pelo menos duas dúzias deles, foram vítimas de investidas absolutamente desrespeitosas, carregadas de insinuações capciosas contra suas atividades e carreiras. Mas como ninguém deu pelota para os arreganhos do rapaz – nem os jornalistas, que simplesmente não o levam a sério, nem os leitores da “Veja”, que já se cansaram de ver um anão de jardim querendo passar-se por um gigante da crônica política –, o sr. Mainardi decidiu aumentar o calibre de seus ataques. E partiu para a difamação pura e simples.

Vivemos numa democracia, felizmente. Todos têm o direito a defender suas idéias, mesmo os doidivanas, e a tornar públicas suas posições, mesmo as equivocadas. Em compensação, todos estão obrigados a aceitar que elas sejam criticadas livremente. O sr. Mainardi, por exemplo, tem a prerrogativa de dizer as bobagens que lhe dão na telha, mas não pode ficar chateado se aparecer alguém em seguida dizendo que ele não passa de um bobo. Pode pedir a deposição do presidente Lula, mas não pode ficar amuado se alguém, por isso, chamá-lo de golpista. Pode dizer que o povo brasileiro é moralmente frouxo, mas não pode se magoar depois se alguém classificá-lo apenas como um tolo enfatuado. Ou seja, o sr. Mainardi pode falar o que quiser, mas não pode querer impedir que os outros falem.

Mais ainda: o sr. Mainardi é responsável pelo que fala e escreve. Enquanto permaneceu no terreno das bobagens e das opiniões disparatadas, tudo bem. Faz parte da democracia conviver com uma cota social de tolices e, além disso, presta atenção no bobo da corte quem quer. Mas quando o bufão passa a atacar a honra alheia, substituindo as bobagens pela calúnia e as opiniões disparatadas pela difamação, seria um erro deixá-lo prosseguir na sua torpe empreitada.

No Estado de Direito, existe um caminho para os que consideram que tiveram a honra atacada por um detrator: recorrer à Justiça. É o que farei nos próximos dias. No processo criminal, o sr. Mainardi terá todas as oportunidades de provar que usei minha condição de jornalista para traficar influência. Como é mais fácil um burro voar do que ele dar substância às suas invencionices a meu respeito, estou confiante de que se fará justiça e o difamador será condenado pelo seu crime.

Desde já, adianto que, se a Justiça fixar indenizações por danos morais, o dinheiro será doado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e à Associação Brasileira de Imprensa. Não quero um centavo dessa causa. Não dou tanta importância a dinheiro como o sr. Mainardi, que já definiu seu próprio perfil: “Hoje em dia, só dou opinião sobre algo mediante pagamento antecipado. Quando me mandam um e-mail, não respondo, porque me recuso a escrever de graça. Quando minha mulher pede uma opinião sobre uma roupa, fico quieto, à espera de uma moedinha”.

Prefiro ficar com Cláudio Abramo: “O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter”. Mas, para tanto, o sr. Mainardi está incapacitado. Não porque lhe seja escassa a inteligência; simplesmente falta-lhe caráter. A história da moedinha diz tudo.

Da minha parte, seguirei fazendo o único jornalismo que sei fazer, o que busca dar informações ao leitor, ao telespectador, ao ouvinte, com inteligência e respeito, para que ele forme sua própria opinião sobre os fatos. Não quero fazer a cabeça de ninguém. Não creio que essa seja a missão da imprensa, ainda que alguns jornalistas e alguns órgãos de comunicação, de vez em quando, queiram ir além das suas chinelas. Existimos para informar à sociedade, e não para puxá-la pelo nariz para onde quer que seja.

E desse jornalismo não vou me afastar, apesar das mentiras, da gritaria e das difamações do colunista da “Veja”.O macartismo não me intimida. O sr. Mainardi, muito menos.

Podia dormir sem essa, não, seu Mainardi, arremedo de Paulo Francis??? E sem essa outra também, do Alberto Dines, na revista Novae:

Veja aderiu à imprensa marrom
Alberto Dines

Diogo Mainardi não conseguiu celebrizar-se como encarnação tupiniquim de Gore Vidal. Exigiria muito talento, muito trabalho, anos de pesquisa. Sobretudo recolhimento e silêncio. Preferiu o caminho mais rápido e barulhento: afamar-se através da difamação. Queria a glória instantânea, holofotes, lantejoulas – optou pelo paradigma Matt Drudge, o pinico-escarradeira da imprensa americana.
Não foi casualidade, mas livre arbítrio. O rapaz sabe o que lhe convém.
Veja é que não tem o direito de achincalhar seus quase 40 anos de história incorporando com tanto gosto a depravação que Diogo Mainardi espalha em seus escritos. Os nomes que enfeitam o expediente da Veja não merecem entrar para a história associados a um dos episódios mais nauseantes do jornalismo brasileiro
.

O carro-chefe da Editora Abril tem responsabilidades, compromissos com a sociedade. Uma de suas co-irmãs, Nova Escola, é distribuída pelo Ministério da Educação, concebida como ferramenta para a formação de cidadãos decentes e dignos.
Veja segue impávida na direção contrária: a brava resposta do jornalista Franklin Martins às patacoadas mainardianas não foi publicada, sequer em parte, na edição nº 1.953 (de 26/4/2006). A democrática Veja não admite contestações, é tão infalível como o Santo Ofício da Inquisição. Do convívio com a ditadura, os responsáveis pelo semanário não desenvolveram uma repugnância à arbitrariedade, ao contrário, assimilaram a arrogância e a prepotência.

Ganhou a parada

No lugar de respeitar o direito de resposta de quem foi ultrajado, Veja preferiu exibir o poder do arbítrio: publicou duas cartas de mainardis-mirins. Seus atentos editores nem perceberam a única frase verdadeira que Diogo Mainardi escreveu nos últimos dez anos:
"Jornalistas não estão acostumados a prestar contas a ninguém" (pág. 127, 6º parágrafo).
Ele, principalmente. Seus contratantes, mais do que ninguém.
De vilania em vilania, Veja transformou-se no exemplo de um voluntarismo tornado démodé até na máfia siciliana. Sua famosa "lista negra" perenizou-se, atravessa gerações, transfere-se para outros veículos, caso clássico de fascismo que nossa imprensa – apesar das mazelas – não merece exibir.
Mainardi ganhou a parada: contaminou a revista Veja com o lado marrom da sua alma.


4. Pedro Doria

Idade Média em Marília

Não é a primeira nem será a última vez que fotos de relações sexuais de gente comum vão parar na internet. O que espanta no caso da estudante de Direito de Marília (SP) é o grau de selvageria da reação puritana de seus colegas universitários.

Leia o artigo no site http://nominimo.ibest.com.br - procure os artigos de Pedro Doria na coluna à esquerda e encontre o título Idade Média em Marília.
Eu mandei um comentário para o site: achei que comparar o que houve em Marilia com a Idade Média é ofender profundamente a Idade Média...


5. Não deixem de ler esta crítica do Maringoni. É muito bem pensada e muito bem escrita.

Gilberto Maringoni

A Imelda brasileira

A primeira-dama paulista Maria Lucia (Lu) Alckmin parece não se dar conta que suscitou uma comparação incômoda. O caso de seus 400 vestidos remete de imediato a outra primeira-dama, famosa por seus exageros no guarda-roupa. - 22/04/2006

6. E depois dos escândalos do Xuxu (ou será Chuchu?), lá vem aquele menininho do rio que quer ser presidente:

O Ministério Público do Rio de Janeiro pediu nesta terça-feira à Polícia Federal a abertura de um inquérito para investigar supostas irregularidades em doações para a campanha do ex-governador Anthony Garotinho, pré-candidato do PMDB à Presidência.
Segundo a assessoria de imprensa do MP, a abertura do inquérito foi motivada pelas denúncias veiculadas na imprensa de que a campanha de Garotinho pode ter recebido dinheiro de empresas de fachada.
Segundo notícias publicadas nos últimos dias, uma das empresas doadoras tinha como um dos sócios o assaltante José Rodrigues Ferreira, que está preso no complexo de Bangu, no Rio. Ele teria sido usado como laranja para abrir uma empresa que doou 50 mil reais para a campanha de Garotinho.

E os dois, o menininho e o xuxu, dizem que o Lula é que não tem ética.... só rindo mesmo!!!

7. Notícias que não foram notícias
!

PRETAS, POBRES E FEIAS Mulheres que não comovem a imprensa
Ligia Martins de Almeida (*)

Quanto valem, para a imprensa, notícias envolvendo descaso médico, mau atendimento pelo SUS e as tragédias diárias de que são vítimas os brasileiros que, quando ficam doentes, têm que esperar na fila até chegar a sua vez? Se o parâmetro for o que aconteceu com uma jovem, filha de lavradores do interior do Espírito Santo, histórias assim valem pouco mais que dez linhas.
Maria Helena Zibel, brasileira, 29 anos, moradora em Santa Maria de Jetibá (ES), vai pagar pelo erro do hospital onde se internara para uma cirurgia simples, e de onde saiu sem o útero. Segundo um dos médicos...
"Foi problema de ortografia. A cirurgia foi perfeita, apenas não era a cirurgia que deveria ser feita." (Folha de S.Paulo, 16/04/2006)
A culpa, segundo o médico, foi da enfermeira que preencheu a ficha, como se esses erros fossem coisa de rotina. A família, segundo o diário capixaba A Gazeta, vai processar o hospital por erro médico e pedir uma indenização. O processo vai rolar, provavelmente a família receberá algum dinheiro, e o assunto será esquecido.
Esquecido porque a envolvida é uma mulher simples, moradora de uma pequena cidade do interior que não tem, a seu serviço, advogados de renome. É mais um brasileira vítima do descaso do poder público. E da imprensa.
Se a família de Maria Helena tivesse dado motivos para aparecer no noticiário policial, certamente a cobertura seria diferente. Se o Fantástico e a Veja encontrassem na história de Maria Helena alguma coisa além de uma tragédia particular – e infelizmente muito comum, como a precariedade do serviço público no Brasil – o tratamento da imprensa seria outro. Mas Maria Helena, para azar dela, não é de classe média, não matou ninguém, não tem advogados para dizer como agir para comover o público. Mulher pobre e mal-atendida pelo sistema de saúde não dá ibope, não vende jornal. Não merece mais que dez linhas.
Para a imprensa só interessam casos que comovam a opinião pública, principalmente o seu público-alvo: a classe média-média ou média-alta, que, além de poder pagar advogados, tem como prioridade um bom plano de saúde. Essa opinião pública que fica indignada com uma jovem de boa família que mata os pais, porque identifica Suzane von Richthofen com seus filhos, não tem nada a ver com os pobres que sequer um plano de saúde conseguem pagar.
Tema de novela
Para alívio dos responsáveis pelo hospital e pelo SUS, o caso de Maria Helena não deve entrar na pauta de Veja ou do Fantástico. E passará despercebido do grande público.
O público que se comove com um bebê abandonado nas águas de uma lagoa, que fica indignado com a moça que se diz vítima do namorado, merece ser melhor informado. O caso de Maria Helena poderia ser tratado com a mesma emoção – ou a mesma indignação – do caso de Suzane. Era só mostrar que essa moça humilde viu interrompido, por um erro médico, o sonho de ter filhos. Um bom pauteiro saberia transformar essa história numa grande matéria. Matéria de angulação humana que teria espaço para a análise do sistema de saúde que atende a maioria do povo brasileiro.
Mas quem vai comprar jornal ou ligar a televisão para ver uma história que faz parte de outra realidade? Os pobres e suas tragédias interessam mais quando são tema da novela das 8.
(*) Jornalista (do site Observatório da Imprensa)

8. Uma mistura de turismo e história, mas com grandes interesses econômicos por trás. As fazendas de café do século XIX se transformaram hoje num ponto de interesse. Os casarões são restaurados e os turistas podem conhecer como era uma importante fase da nossa história. Mas será que conhecem mesmo? A reportagem do site Nominimo mostra alguns problemas sérios, levantados exatamente por historiadores. Para ler a reportagem completa e ver as fotografias, abra o www.nominimo.ibest.com.br e procure a seção REPORTAGEM, na coluna da esquerda e clique em Teatro da escravidão.

Um pequeno trecho:

Vestida com roupas típicas do senhorio do século XIX – babados, rendas, camafeu e saia rodada – a 'sinhá' Luizinha apresenta a fazenda São João da Prosperidade, em Barra do Piraí, no interior do estado do Rio de Janeiro, a um grupo de 30 visitantes. Circula pelos corredores da casa grande, mostra os 15 aposentos, a capela folheada a ouro, conta a história dos objetos vindos da Europa, explica o sentido das alcovas: cômodos sem janela trancados por fora para abrigar caixeiros viajantes. Da janela, aponta a senzala: "Tenho 300 escravos" orgulha-se, voz impostada e dedo em riste. De repente, entra correndo pela varanda uma negrinha com remendos de algodão e cabelos presos em tranças. A menina, de apenas seis anos, se agarra à barra da saia da sinhá, põe o dedo polegar na boca e fixa os olhos nos visitantes. Basta um gesto da sinhazinha para que a pequena escrava abaixe a cabeça e saia da sala. "Não vê que estou com visitas?" - esbraveja a senhora. A menina vai brincar no alambique. Pouco depois, uma mucama adentra o salão, sob ordens de servir café aos convidados. [...]
A proprietária da fazenda admite que os funcionários não recebem dinheiro extra pela atuação, apesar da visita, com direito a lanche, custar R$ 18 por turista. O dinheiro, segundo ela, é usado para a conservação do patrimônio, pois a sede ainda está em fase de análise para tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Como moram e trabalham na propriedade, os empregados participam da encenação como parte de seus afazeres rotineiros. [...]
Autor do livro "Tráfico, cativeiro e liberdade", sobre o período de escravidão no Brasil, o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Manolo Florentino, critica: "O problema é que a encenação transmite ao turista uma visão parcial do período escravocrata. Não existiu apenas a submissão, isto tudo fez parte de um processo. E os revoltosos? Os zumbis? A venda de uma história nacional passiva é, senão curiosa, preocupante.

9 Para especialistas, CPI dos Bingos é abusiva ao desviar foco da investigação
Do site Ultima Instância – revista jurídica
João Novaes

A CPI dos Bingos perdeu o objetivo inicial de suas investigações, comprometendo sua eficácia e sua base jurídica, podendo até mesmo acarretar na anulação de seu relatório final. Esta é a conclusão de uma consulta feita por Última Instância a três especialistas em direito constitucional, que comentaram as consequências a respeito da diversidade de assuntos abordados pela comissão.

Eles foram indagados se a CPI dos Bingos não está saindo de seu núcleo de apuração, e se tal fato não violaria artigos constitucionais. Todos responderam enfaticamente que sim, e citam, em voz unânime, o § 3º do artigo 58 da Constituição Federal, no trecho que diz: "As Comissões Parlamentares de Inquérito, que terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais (...) serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal (...) para a apuração de fato determinado e por prazo certo...".

Pedro Serrano, professor de Direito Constitucional da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), lembra que a ação das CPIs é claramente limitada pela Constituição. "Nenhum poder de investigação é absoluto nem imperial, e sim republicano e limitado pela ordem constitucional e legal".

De acordo com o constitucionalista Roberto B. Dias da Silva, também professor da PUC, esse dispositivo é importante para coibir possíveis abusos do órgão investigativo, já que a CPI se trata de um órgão de caráter político.

Para o jurista Dalmo Dallari, o desvirtuamento da CPI para objetivos políticos é tão grave que tanto a CPI dos Bingos quanto até mesmo a dos Correios, que já concluiu seus trabalhos, poderiam ser anuladas, pois sua constitucionalidade é colocada em cheque.

Os três advogados consideram que a CPI dos Bingos já passou, e muito, de suas funções iniciais e, por muitas vezes, suas ações são abusivas e com princípios eleitoreiros. "Ela extravasou muito seu foco de investigação e suas convocações são inconsistentes. Por exemplo: (o advogado) Roberto Teixeira não tem nada a ver com a questão dos bingos. Ele foi chamado porque é amigo do (presidente) Lula. Também não ficou clara a razão para ele depôr nem em qual condição ele deveria comparecer (testemunha ou acusado). E ele não teve tempo para preparar a defesa. Isso remete a uma questão maior: a CPI não pode convocar ninguém fora do tempo, sem constar motivo. Isso é uma evidente aberração", diz Serrano.

Dallari vai além, chama as investigações parlamentares de devassa, e considera que elas se tornaram uma tentativa de controle do Poder Legislativo sobre o Executivo. Ele não perdoa nem mesmo a CPI dos Correios, e considera que ambas oferecem relatório final inconstitucional, com base jurídica para possível anulação. "Não estão aplicando a lei com bom senso e inteligência. E eles não estão sendo usados na medida em que se convoca quando alguém (Teixeira) de um dia para o outro", diz Dallari, que compara as intenpestividades da CPI dos Bingos com o Tribunal da Inquisição.

Para Dias da Silva, os interesses eleitorais já contaminaram a CPI dos Bingos de forma irremediável. "Já é o fim do mundo. A questão eleitoral e política já estão presentes nas investigações. Dos bingos, ela se expandiu de tal forma que agora se investiga a morte dos prefeitos de Santo André (Celso Daniel) e Campinas (Toninho do PT), o sigilo do caseiro (Francenildo dos Santos), entre outros. Extrapolou suas funções, e as investigações estão de mãos atadas. Teria de haver certo bom senso, o que não é fácil em ano de eleição." Dias da Silva considera que a CPI dos Correios, apesar de alguns desvios de foco, conseguiu manter-se nos trilhos. "Nesse caso, começou-se com o vídeo de Marinho recebendo propina. Uma série de outros acontecimentos levaram à descoberta do mensalão. Foram fatos conexos, relacionados entre si. Se não investigássemos fatos correlatos, a CPI que derrubou Fernando Collor não teria chegado onde chegou".

Dias cita a CPI que determinou o impeachment do ex-presidente Fernando Collor como um exemplo a ser seguido para investigar corretamente os fatos diferentes, mas correlatos entre si. "Nada impede que haja um aditamento (acréscimo de informação a um documento com a finalidade complementação) para ampliar e estender prazos ou objetivos da comissão, desde que sejam fatos imediatamente conexos", afirma.

Dallari e Serrano acreditam que o excesso de temas abordados pela CPI resulta no comprometimento de seu resultado. “Ela se torna naturalmente ineficaz. Qualquer investigador vai dizer que quanto mais se aumenta o foco de investigação, mais difícil fica para apurar”, diz Serrano."Seu resultado ficará vago. Com esse emaranhado de fatos, ela se perde", afirma Dallari, que cita como exemplo outra CPI, a dos Correios. "Os Correios foram os grandes ausentes do relatório final. Falou-se de tudo, menos sobre eles".

Segundo o jurista, "a CPI mostra um despreparo evidente para a realização de investigações. O Ministério Público tem mais experiência e aparato para conduzi-las". A única restrição para o MP, de acordo com Dallari, seria investigar questões diretamente políticas. "Mas ele tem liberdade para investigar todo tipo de crime ou lesão aos cofres públicos."

Internacional

Ultimamente não tenho gostado muito das crônicas do Carlos Heitor Cony. No entanto, esta, publicada na Folha de São Paulo de 21 de abril, e que me foi enviada pela colega Vânia, me pareceu interessante. Para aqueles que foram meus alunos na universidade, o que Cony está falando é o mesmo que Hans Magnus Enzesberger discutiu no livro Guerra Civil, que a maioria leu quando estava matriculada na disciplina de História Contemporânea.

CARLOS HEITOR CONY

Os suicidas da Terceira Guerra Mundial

Muita gente achou exagero quando o 11 de setembro de 2001 foi considerado o início da Terceira Guerra Mundial. Depois de Hiroshima e Nagasaki, uma guerra generalizada não poderia ser travada na base de todos a perderem: as retaliações seriam tais e tantas (sobretudo "tais") que não valeria a pena uma luta em que os vencedores não teriam tempo nem condições de comemorar e aproveitar a vitória.

Com a proliferação do arsenal atômico em diversos países de blocos conflitantes, a Terceira Guerra Mundial seria travada como está sendo. Sem as trincheiras tradicionais, enlameadas e mais ou menos inúteis da primeira; e sem os raids aéreos e os desembarques espetaculares, como o do Dia D, na Normandia, quando as forças aliadas começaram a encurralar os alemães no território continental da Europa.

Coisas do passado, como as lutas de arco e flecha nas guerras primitivas da humanidade. O furo agora é mais em cima. Nem se precisa apelar para o arsenal atômico propriamente dito. A Terceira Guerra Mundial está sendo travada sem trincheiras e fronts, sem territórios a ocupar ou desocupar. Todos estamos dentro da linha de fogo, não mais existe a terra de ninguém. Muito menos a Convenção de Genebra, que estabelece regras que nem sempre foram cumpridas no passado e não o serão agora, quando os alvos civis são atacados, os presos torturados, como aconteceu nas guerras localizadas: Vietnã, Afeganistão, Iraque e, esparsa, mas continuamente, no Oriente Médio.

Nesta semana, um jornal britânico revelou que no Irã, possível país a ser invadido pelas forças da chamada "civilização ocidental", 40 mil suicidas potenciais já estão alistados para defender (ou impor) os valores islâmicos, tão legítimos quanto os valores ditos cristãos defendidos por Bush e Blair.

Evidente que, em termos matemáticos, serão 40 mil alvos espalhados em todos os cantos e recantos do planeta -o que torna a Terceira Guerra Mundial mais do que mundial, mas geral, uma vez que os alvos poderão ser qualquer um que esteja rezando numa catedral, na fila de um banco, num ônibus urbano, num cinema, num campo de futebol.

Isso sem falar na ameaça da guerra bacteriológica, nos reservatórios de água envenenados. Como a Casa do Pai mencionada por Cristo, o Mal tem muitas moradas.

E nem adianta discutir quem tem razão, quem tem moral ou não tem. Ao contrário da Segunda Guerra Mundial, quando os dois lados antagônicos se tornaram precisos, sendo fácil distinguir o Bem do Mal, no terceiro conflito que estamos vivendo a confusão é geral. Tomemos como exemplo o caso do Oriente Médio. Em seu discurso na Páscoa comemorada no último domingo, o papa fez referência à necessidade de os árabes admitirem pacificamente a existência do Estado judeu e, na mesma frase, aconselhou o mundo a ajudar os palestinos a criar o seu Estado soberano e territorialmente demarcado.

Simples, quando dito num discurso acadêmico (o atual papa é um acadêmico típico), na praça de São Pedro, onde todos são revistados para poderem entrar na basílica, que pode ser alvo de um atentado como o do WTC, sendo, como é, um dos símbolos da cultura ocidental. Com todo o respeito que o papa nos merece, lembra aquele conselho dado por Maria Antonieta ao povo que foi a Versalhes pedir pão: por que não comem brioches?

Não bastando a tensão do Oriente Médio, que se tornou aguda a partir de 1948, quando estourou o primeiro conflito entre árabes e judeus, e que, de certa forma, é o embrião, mas não a causa única da tensão entre o Ocidente cristão e o Oriente islâmico, na última década do século passado e nos primeiros anos do século atual criou-se tensão maior e mais complicada, com as duas guerras contra o Iraque, a primeira com uma causa que pode ser defendida moralmente (o Iraque havia invadido um país vizinho); a segunda, absolutamente imoral pelos padrões do próprio Ocidente cristão.

Surge agora (agora não, o problema vem lá de trás) o caso do Irã, que, de cara, admite estar enriquecendo urânio para obter tecnologia nuclear, cuja ponta final não será um submarino, muito menos uma usina geradora de eletricidade. Ao contrário da deslavada empulhação dos Estados Unidos no caso do Iraque, não serão necessárias as missões internacionais para investigar o arsenal atômico que o próprio Irã faz questão de proclamar. O furo -repito- será mais em cima.

Quarenta mil suicidas decididos a atacar alvos ocidentais poderão fazer, a curto prazo, estrago equivalente ao da explosão de algumas bombas atômicas, que os Estados Unidos não poderão usar impunemente.

Saindo da órbita dos Estados, descendo ao cidadão comum, o terceiro conflito mundial é uma realidade na medida em que num metrô em Londres ou de Madri, amanhã não se sabe onde, qualquer um pode ser vítima da bala perdida disparada por um terrorista em qualquer parte do mundo. Ou da mesmíssima bala perdida disparada pelos que combatem o terror em nome de uma ordem econômica e social cada vez mais injusta e universal.

Livros e revistas

1. “Contragolpes” seleciona artigos da “New Left Review”
Boitempo lança “Contragolpes”, coletânea de artigos da “New Left Review”, compilados por Emir Sader. Uma excelente oportunidade para conhecer uma das mais importantes revistas teóricas de esquerda ou para reler alguns de seus mais impactantes artigos publicados entre 2002 e 2004.
Da Redação - Carta Maior

A "New Left Review" é uma das revistas teóricas de esquerda mais importantes do mundo. Fundada em 1960, teve entre seus editores nomes como os de Edward Thompson, Perry Anderson e Robin Blackburn. A intenção da revista, plenamente realizada, foi criar um espaço para o que se convencionou chamar, naquele momento, de “nova esquerda”, para diferenciar-se tanto dos partidos comunistas quanto dos socialdemocratas.Em 2000, depois de quase vinte anos tendo Robin Blackburn como editor da revista, Perry Anderson reassumiu a direção, mudou sua tradicional capa e imprimiu-lhe um novo impulso teórico e político, com uma nova numeração.

Nenhuma outra publicação de esquerda ousou cobrir uma extensão tão grande de assuntos – principalmente política, economia, estética, filosofia e sociologia. Na definição de Anderson, a NLR é: “uma revista política, sediada em Londres, que intentou lidar com ciências sociais e morais – teoria, se você preferir – além de artes e de outros assuntos – cultura, para resumir – com o mesmo espírito de historicidade com que trata a política”.

"Contragolpes” traz para o público brasileiro onze artigos essenciais, extraídos de números publicados entre 2002 e 2004, abarcando uma gama diversa de temas e autores. Entre estes, figuram, além do próprio Perry Anderson: Tariq Ali, Susan Watkins – atual editora da NLR –, Mike Davis e Robert Brenner – todos membros do comitê editorial da revista. A estes se acrescentam Fredric Jameson, Slavoj Žižek e Giovanni Arrighi – colaboradores regulares da NLR –, um entrevistado da China – Qin Hui –, Loïc Wacquant – colaborador estreito de Pierre Bourdieu – e Peter Hallward. Iraque, China, crescimento das favelas, papel do intelectual político por meio da vida de Edward Said e da questão palestina, a crise africana e o poder dos Estados Unidos são alguns dos temas urgentes e atuais tratados no livro.

Os textos de “Contragolpes” permitem reforçar a capacidade analítica do marxismo para captar os novos fenômenos do mundo no século XXI, mostrando como a “New Left Review” continua a ser uma fonte permanente de renovação do pensamento crítico e transformador.” Contragolpes – seleção de artigos da New Left Review”Organização de Emir SaderTradução de Beatriz MedinaBoitempo264 páginasR$ 39,00

2. Está no ar a décima edição da Revista Tema Livre, que conta com entrevista com historiadores, artigos acadêmicos, matéria sobre lançamento de livro e exposição virtual de fotografia.Basta acessar:http://www.revistatemalivre.com

3. Depois de um sumiço, quando muitas pessoas pensaram que até ela tinha se encerrado, volta a Revista de História da Biblioteca Nacional a circular. Nas bancas, o nº 8 (fevereiro e março), trazendo 3 artigos sobre a música no Brasil, entrevista com Nicolau Sevcenko, análise das chanchadas brasileiras, o tabaco como moeda para aquisição de escravos, as marchas da família em 1964, biografia de Varnhagen, a participação do clero na Inconfidência Mineira, a integração latino-americana. Na seção de Educação: ensinar história a partir de arquivos pessoais.
4. Para quem gosta de detalhes interessantes sobre fatos históricos, um livro recentemente publicado por iniciativa da viúva do autor: Tiradentes – crônicas da vida colonial brasileira, de Rubens Fiúza. O autor não é historiador, mas era dono de uma erudição muito grande e o detalhe interessante do livro é o que ele conta a respeito de um documento a que teve acesso em 1941 e do qual ele não sabe mais o paradeiro. Tal documento, entre outras coisas, fornece um relato circunstanciado de como seu autor, Capitão José de Sousa Coelho, presidente da Câmara da Vila do Pitangui, foi o responsável pela retirada da cabeça de Tiradentes do local onde estava exposta e onde ele a enterrou. Quem desejar o livro, pode adquiri-lo na rede de livrarias Leitura, em Belo Horizonte.

5. Foi lançado o livro "As Revoluções do Poder", de Eunice Ostrensky, São Paulo, Alameda, 2006. A autora debruça-se sobre o confronto das idéias que permearam a Revolução Inglesa de 1640. Procura recuperar os sentidos do debate reconstruindo o pano de fundo intelectual mais amplo que tornou possivel sua produção. Mas não se limita aos autores e textos consagrados, pois pesquisa panfletos, jornais, documentos de governo. Cruzando filosofia, política e história, coloca em debate o corpo clássico da teoria política inglesa e discute alguns conceitos do vocabulário cotidiano de então e que até hoje são parte de nosso vocabulário atual : o direito, a liberdade e a propriedade.

Notícias

1. Estão abertas as inscrições para Concurso Público de Provas e Títulos para o cargo de Professor Adjunto do Departamento de História da Universidade Federal de Mato Grosso na área de História da América. Os detalhes do edital podem ser vistos no site www.ufmt.br .

2. O Simpósio Temático 27, Hagiografia e relações de poder, acontecerá durante o XII Encontro Regional de História da Anpuh-Rio (http://www.encontroanpuhrio.pro.br/), que se realizará na Universidade Federal Fluminense, no campus do Gragoatá, na cidade de Niterói, Rio de Janeiro, de 14 e 18 de agosto de 2006.

3. Estarão abertas de 24 a 28/4/2006 as inscrições para o Concurso Público de Provas e Títulos para admissão de docentes na carreira de Magistério Superior da Universidade Federal de Uberlândia /UFU. Ver Edital Área: Historiografia. Nº de vagas: 02. Qualificação mínima exigida: Doutorado em História. Principais atividades a serem desenvolvidas pelo docente: ministrar, no mínimo 08 aulas semanais, das disciplinas relacionadas à área do concurso; desenvolver atividades de pesquisa e extensão. Regime de Trabalho: Dedicação Exclusiva. Local de inscrições: Bloco H, Sala H 153. Campus Santa Mônica, Uberlândia-MG. Outras informações: Telefone: (34) 3239-4130; e-mail: inhis@ufu.br; www.ufu.br;

4. Concurso para Professor Adjunto em História da América na Universidade Federal de Viçosa (MG). As inscrições estarão abertas até o dia 09 de maio. Classe: Professor Adjunto (Edital 12/2006) - DOU nº 74, de 18.4.06 Área/Subárea: História da América. Nº vagas: 01. Titulação exigida: Graduação: Licenciatura e, ou, Bacharelado em História ou áreas afins e Doutorado em História ou áreas afins. Inscrição: até 9 de maio de 2006.Mais informações: www.ufv.br

5. Estão abertas até o dia 13 de maio as inscrições para Concurso para Professor Adjunto (Doutor) para o setor de estudos Prática de Ensino em História, no Departamento de História da Universidade Federal do Ceará. Informações pelo site www.ufc.br ou pelo telefone 85-40097738.

6. Concurso público para professor adjunto efetivo de Metodologia da História do Departamento de História da UFRJ. As inscrições encerram-se no dia 22 de maio. As provas deverão acontecer nos dias 5, 6, 7 e 8 de junho. mais informações no Edital.

7. Pós-Graduação em Cultura e Arte Barroca pela Universidade Federal de Ouro PretoUFOP recebe inscrições a partir do dia 2 de maioO Instituto de Filosofia e Artes (IFAC) da Universidade Federal de Ouro Preto recebe, a partir de 2 de maio, inscrições para o XV Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Cultura e Arte Barroca. São 35 vagas para o curso de 360 horas/aula, divididas em dois módulos: o primeiro de 3 a 28 de julho de 2006 e o segundo de 8 de janeiro a 2 de fevereiro de 2007.

Inscrições

Para participar basta, a partir de 2 de maio, preencher a ficha de inscrição que estará disponível no site da UFOP (www.ufop.br). Também é necessário uma foto 3x4 recente, xerox do documento de identidade, curriculum vitae e comprovante de depósito da taxa de inscrição, no valor de R$ 50,00, que deve ser depositada em nome da Fundação Educativa de Rádio e TV de Ouro Preto, na conta nº 500.176-0, da agência 2012 da Caixa Econômica Federal.As inscrições também podem ser feitas pessoalmente no Instituto de Filosofia, Artes e Cultura, à Rua Coronel Alves, n° 55, em Ouro Preto, das 9 às 11h e das 14 às 16h, ou por meio de correspondência, enviada, impreterivelmente, até o dia 27 de maio de 2006. Formas de pagamentoÀ vista, valor total do curso é de R$1.800. Para saber outras formas de pagamento, consulte o site www.ufop.br. Outras informações sobre o curso Cultura e Arte Barroca pelo telefone (31) 3559-1732 ou ainda pelo e-mail barroco@ifac.ufop.br


Sites interessantes

A academia na internet

Instituições que oferecem cursos de pós-graduação têm até o final do ano para publicar na internet, no site Domínio Público, todas as teses de doutorado e dissertações de mestrado defendidas a partir de março de 2006. A determinação é do Ministério da Educação. Leia matéria completa de O Globo, em 19/4

Especial

Dia do Trabalhador

O Dia do Trabalhador (no Brasil também chamado Dia do Trabalho) é celebrado anualmente no dia 1 de Maio em numerosos países do mundo, sendo feriado nacional em muitos deles.

História

No dia 1 de Maio de 1886 realizou-se uma manifestação de trabalhadores nas ruas de Chicago nos Estados Unidos da América. Essa manifestação tinha como finalidade reivindicar a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias e teve a participação centenas de milhares de pessoas. Nesse dia teve início uma greve geral nos EUA. No dia 3 de Maio houve um pequeno levantamento que acabou com uma escaramuça com a polícia e com a morte de um dos protestantes. No dia seguinte, 4 de Maio, uma nova manifestação foi organizada como protesto pelos acontecimentos dos dias anteriores, tendo terminado com o lançamento de uma bomba por desconhecidos para o meio dos polícias que começavam a dispersar os manifestantes, matando sete agentes. A polícia abriu então fogo sobre a multidão, matando doze pessoas e ferindo dezenas. Estes acontecimentos passaram a ser conhecidos como a Revolta de Haymarket.
Três anos mais tarde, a 20 de Junho de 1889, a segunda Internacional Socialista reunida em Paris decidiu por proposta de Raymond Lavigne convocar anualmente uma manifestação com o objetivo de lutar pelas 8 horas de trabalho diário. A data escolhida foi o 1º de Maio, como homenagem às lutas sindicais de Chicago. Em 1 de Maio de 1891 uma manifestação no norte de França é dispersada pela polícia resultando na morte de dez manifestantes. Esse novo drama serve para reforçar o dia como um dia de luta dos trabalhadores e meses depois a Internacional Socialista de Bruxelas proclama esse dia como dia internacional de reivindicação de condições laborais.
A 23 de Abril de 1919 o senado francês ratifica o dia de 8 horas e proclama o dia 1 de Maio desse ano dia feriado. Em 1920 a Rússia adota o 1º de Maio como feriado nacional, e este exemplo é seguido por muitos outros países.

Dia do Trabalho no Brasil

Até o início da Era Vargas (1930-1945) eram comuns nas grandes cidades brasileiras certos tipos de agremiação dos trabalhadores fabris (o que não constituía, no entanto, um grupo político muito forte, dada a pouca industrialização do país). Esta movimentação operária tinha se caracterizado em um primeiro momento por possuir influências do anarquismo e mais tarde do comunismo, mas com a chegada de Getúlio Vargas ao poder, ela foi gradativamente dissolvida e os trabalhadores urbanos passaram a ser influenciados pelo que ficou conhecido como trabalhismo (uma espécie de "ideologia" que não está interessada na desconstrução do capital, mas em sua colaboração com o trabalho). O trabalhismo foi usado pela propaganda do regime varguista como um instrumento de controle das massas urbanas: isto se vê refletido na forma como o trabalho é visto cada vez mais como um valor. Fonte: Wikipédia.org



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