Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

5.7.06

Número 047 nova fase




Editorial

1. Durante a semana passada, das janelas de meu apartamento, o que mais se via eram bandeiras brasileiras, faixas verde-amarelas. Claro que não eram apenas meus vizinhos os animados pela classificação da seleção brasileira às quartas-de-final da Copa do Mundo. No domingo, quando cheguei à janela, não vi mais as bandeirinhas, as faixas. Todas haviam sumido. E temo que não foi apenas pela tristeza da derrota. É que o nosso “nacionalismo” só se manifesta em momentos de festa, como a copa do mundo. Depois ele se recolhe, envergonhado. Talvez porque o nacionalismo brasileiro nunca tenha existido. Antropólogos e sociólogos com certeza têm material de sobra para divagar...

Confesso que não sou muito chegado atualmente a futebol. Mas não pude deixar de ver os jogos principais e, particularmente os da seleção brasileira. Em boletim passado eu havia dito que o início não era promissor. O jogo com a Croácia foi realmente uma lástima. O Brasil jogara, na verdade, com 9 jogadores, pois os dois da frente pareciam um hipopótamo pela lentidão e um rinoceronte pelas trombadas. Veio o jogo com a Austrália e o quadro se repetiu. Contra o Japão, um quase milagre, mas... as mudanças efetuadas não eram para valer... e veio o jogo com Gana, um adversário fraquíssimo e que custamos a vencer também. A França foi o primeiro time sério e competente que enfrentamos e o resultado era previsível. Dois laterais desatentos e cansados, um meio de campo que foi colocado no fogo sem nunca ter treinado e no ataque, de novo o gorducho sem nada fazer. Perdemos de pouco, esta é a verdade.


O patético em tudo isso foi ver o “técnico”(sic) Parreira dizer que fez as mexidas certas, na hora certa, mas que – pasme-se! – faltou entrosamento e preparo físico!!! Patético!
Não menos patética a declaração do “capitão” Cafu ao chegar a São Paulo: “não faltou vontade ao grupo, mas nem sempre são os melhores que vencem” (sic). É um espanto! De que jogos ele estava falando? Com certeza não eram daqueles que nós vimos pela televisão, especialmente o último, quando os jogadores estavam completamente apáticos (com umas duas ou três honrosas exceções, sejamos justos). E o melhor ganhou sim, “capitão”... Não só ganhou como deu um baile, com direito ao belíssimo chapéu dado pelo maestro Zidane no nosso gordo atacante, que sequer teve forças e pernas para acompanhar. Sem me alongar muito, aqui vai uma crônica de Carlos Drummond de Andrade sobre a copa de 1982. Ela podia ser escrita neste domingo que passou...

Começar de novo
“Vi gente chorando na rua, quando o juiz apitou o final do jogo perdido; vi homens e mulheres pisando com ódio os plásticos verde-amarelos que até minutos antes eram sagrados; vi bêbados inconsoláveis que já não sabiam por que não achavam consolo na bebida; vi rapazes e moças festejando a derrota para não deixarem de festejar qualquer coisa, pois seus corações estavam programados para a alegria; vi o técnico incansável e teimoso da Seleção xingado de bandido e queimado vivo sob a aparência de um boneco, enquanto o jogador que errara muitas vezes ao chutar em gol era declarado o último dos traidores da Pátria; vi a notícia do suicida do Ceará e dos mortos do coração por motivo do fracasso esportivo; vi a dor dissolvida em uísque escocês da classe média alta e o surdo clamor de desespero dos pequeninos, pela mesma causa; vi o garotão mudar o gênero das palavras, acusando a mina de pé-fria; vi a decepção controlada do Presidente, que se preparava, como torcedor número um do país, para viver o seu grande momento de euforia pessoal e nacional, depois de curtir tantas desilusões de governo; vi os candidatos do partido da situação aturdidos por um malogro que lhes roubava um trunfo poderoso para a campanha eleitoral; vi as oposições divididas, unificadas na mesma perplexidade diante da catástrofe que levará talvez o povo a se desencantar de tudo, inclusive das eleições; vi a aflição dos produtores e vendedores de bandeirinhas, flâmulas e símbolos diversos do esperado e exigido título de campeões do mundo, e já agora destinados à ironia do lixo; vi a tristeza dos varredores da limpeza pública e dos faxineiros de edifícios, removendo os destroços da esperança; vi tanta coisa, senti tanta coisa nas almas…”

Este texto é de um craque, um craque imortal: Carlos Drummond de Andrade, que, além de vestir a camisa 10 da poesia brasileira, era vascaíno. Drummond escreveu este texto, tão absolutamente atual, em seguida à derrota do Brasil para a Itália na Copa de 1982. E acrescentou uma lição que vale aprender neste 1º de julho de 2006:

“Chego à conclusão de que a derrota, para a qual nunca estamos preparados, de tanto não a desejarmos nem a admitirmos previamente, é afinal instrumento de renovação da vida. Tanto quanto a vitória, estabelece o jogo dialético que constitui o próprio modo de estar no mundo. Se uma sucessão de derrotas é arrasadora, também a sucessão constante de vitórias traz consigo o germe de apodrecimento das vontades, a languidez dos estados pós-voluptuosos, que inutiliza o indivíduo e a comunidade atuantes. Perder implica remoção de detritos: começar de novo.” (do site Nominimo.com.br)

Alguns outros comentários inteligentes sobre a seleção podem ser lidos no site da Agência Carta maior:

Francisco Carlos Teixeira

Futebol bonito, futebol de resultados!

Parreira prestou um imenso desserviço ao imenso acervo cultural brasileiro chamado futebol ao trazer para a ribalta uma falsa oposição entre "futebol bonito" (ou "futebol arte") e "futebol de resultados". - 03/07/2006

Katarina Peixoto

A queda da seleção espetacular mercantil

O Brasil não jogou direito porque jamais teve um time, uma equipe, neste triste campeonato espetacular e mercantil, que assolou o imaginário do país. Parreira disse que era mais um gerente de talentos do que um treinador. Antecipou o que estava por vir. - 01/07/2006

Emir Sader

As duas derrotas do Brasil

A seleção brasileira de futebol perdeu e o Brasil, como país, perdeu. Não porque não ganhamos a Copa. O Brasil jogou cerca de 7 horas e meia, tivemos que agüentar 700 horas de comentários repetitivos e inócuos que tinham que respeitar contratos de publicidade e mascarar o nosso péssimo time. - 03/07/2006




A Agência Carta Maior fez uma entrevista com o historiador Eric Hobsbawm, tendo como tema a Copa do Mundo. Pena que a entrevistadora não aprofundasse o que Hobsbawm apresentava... acabou ficando uma entrevista não tão quente como gostaríamos...


A Copa do Mundo e suas paixões, no olhar de Eric Hobsbawm

"Acho que só participar de uma Copa do Mundo é que faz as pessoas que vivem no Togo ou em Camarões se darem conta de que são cidadãos de seus países", diz o historiador Eric Hobsbawm, em uma entrevista exclusiva à Carta Maior. "Posso entender o apelo deste tipo de patriotismo, mas eu não tenho entusiasmo nenhum pelo nacionalismo", completa ele.
Verena Glass - Carta Maior
Que fenômeno é esse que paralisa um país inteiro em dia de semana, reúne milhares, ricos e pobres, esquerda e direita, nas ruas, praças e bares, e tinge de verde e amarelo tudo e qualquer coisa? O que é esse evento em que multinacionais, como a Coca-Cola ou a Aracruz, assumem-se como os mais fervorosos entre os patriotas brasileiros? O que é esse futebol como máquina de fazer dinheiro para alguns e alegria para multidões?Para falar de Copa do Mundo, a Carta Maior buscou a opinião não especializada em esportes ou futebol de um dos mais importantes pensadores da atualidade. Aos 89 anos, Eric Hobsbawm viveu e analisou a essência do século passado em obras como A Era das Revoluções (1789-1848), A Era do Capital (1848-1875), A Era dos Impérios (1875-1914) e A Era dos Extremos (1914-1991). E, em seu último trabalho, O Novo Século, lançado em 2000, o historiador, um dos últimos grandes pensadores marxistas do mundo, olha o futuro com a mesma clareza com que explicou o passado.Na onda do também historiador Michael Hall – que já afirmou que “a excepcional amplitude dos interesses e conhecimentos [de Hobsbawm] encantam mesmo aos que nem sempre concordam com todos os seus argumentos. Hobsbawm é, sobretudo, surpreendente: flexível e original quando se espera ortodoxia” -, a Carta Maior resolveu buscar a sua opinião sobre a febre do momento. Leia a seguir a íntegra da entrevista:

Carta Maior - Durante um evento como a Copa do Mundo, principalmente no Brasil, o patriotismo aflora com enorme força, o país inteiro veste as cores na nação, as bandeiras brasileiras estão por toda parte, e diferenças sociais e políticas parecem desaparecer por algumas semanas. O que o senhor acha deste tipo de patriotismo?

Eric Hobsbawm – A capacidade de o futebol de ser um símbolo de identidade nacional há muito é conhecida. No meu livro sobre nacionalismo eu escrevi que “a comunidade imaginária de milhões parece ser mais realista do que um time de onze pessoas”. Atualmente, indubitavelmente, isto é mais importante do que nunca na história, já que grandes jogadores são recrutados de quase todos os cantos do mundo. Acho que só participar de uma Copa do Mundo é que faz as pessoas que vivem no Togo ou em Camarões darem-se conta de que são cidadãos de seus países. Posso entender o apelo deste tipo de patriotismo, mas eu não tenho entusiasmo nenhum pelo nacionalismo.

CM – No dia da abertura da Copa, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, escreveu um artigo onde dizia invejar o evento, começando pelo fato de que a Fifa tem 207 membros, contra 191 das Nações Unidas. Para ele, a Copa “é um evento no qual todos conhecem seus times e o que eles fizeram pra chegar até lá. Gostaria que tivéssemos mais competições desse tipo na família das nações. Países competindo pela melhor posição na escala de respeito aos direitos humanos, um tentando superar o outro nas taxas de sobrevivência infantil ou de ingresso no ensino médio. Estados fazendo performances para o mundo todo assistir. Governos sendo parabenizados pelas ações que levaram àquele resultado”. O que o senhor achou deste discurso?

Hobsbawm – Eu posso entender porque Kofi Annan quer usar a Copa do Mundo em benefício da ONU, mas eu acho que obviamente ele não acredita na possibilidade de países competirem por mais e melhores direitos humanos, como competem pela vitória num campo de futebol. De mais a mais, a vitória de um país sobre o outro não é o objetivo nas Nações Unidas.

CM – Grandes corporações, como a Nike e a Coca-Cola, fazem muito dinheiro com a Copa. Nos bastidores, a Nike, que patrocina alguns dos mais famosos jogadores, como Ronaldo, foi até acusada de influenciar a decisão do corpo técnico dos times sobre a escalação de jogadores. Como o senhor analisa o poder destas empresas e seu envolvimento na organização de um evento esportivo tão importante?

Hobsbawm – Eu não sei quanto as grandes corporações que patrocinam a Copa influenciam de fato a condução dos jogos, portanto não tenho opinião sobre esta questão. Certamente estas empresas têm grande influência sobre a formatação da competição, os horários dos jogos etc. e, claro, a visibilização de seus logotipos e produtos. Por exemplo, a Fifa de fato forçou torcedores holandeses a trocar de calças porque as que usavam tinham o logo de uma cerveja holandesa que compete com a Budweiser, patrocinadora oficial da Copa. No entanto, a relação da Copa com o moderno capitalismo globalizado é mais complexa do que isso. Ou seja, a indústria atualmente é altamente globalizada e não poderia subsistir na atual escala sem a existência de um capitalismo global de mídia. Mas o futebol, no geral, está dominado por alguns poucos times europeus, como Manchester United, Real Madrid, Milan etc., que, desde os anos 1980, recrutaram seus jogadores em todos os cantos do mundo. Alguns outros times na Europa fazem seu dinheiro descobrindo talentos no exterior, comprando-os barato e revendendo-os para os grandes. Isso tem acontecido muito com jogadores brasileiros e argentinos, por exemplo. Mas o paradoxo desta situação é que o apelo global do futebol, que cria o enorme público de quem corporações como a Nike tiram seus lucros, está baseado no apelo nacional do jogo. A Copa do Mundo é o mais dramático exemplo disso. Aí está a contradição. As implicações políticas, econômicas e sociais dessa situação, no entanto, nunca foram adequadamente analisadas.

CM – O senhor acredita que a Copa do Mundo tem algum caráter político, bom ou ruim?Hobsbawm – A Copa, em si, provavelmente não tem nenhum fundo político em particular, mas, assim como as Olimpíadas, é quase certo que esteja vulnerável às pressões e às promessas diplomáticas ou de outra natureza dos países mais poderosos. Infelizmente, vencer a Copa deve certamente beneficiar o regime do país, como aconteceu na Argentina durante a ditadura militar, independente, inclusive, das posições políticas de seus jogadores. A gente só pode esperar que os campeões da Copa do Mundo tenham regimes aceitáveis. Também existe a possibilidade de que, em países pequenos e periféricos, jogadores de destaque tornem-se também importantes figuras públicas; como no caso da Libéria, onde um jogador foi candidato a presidente da República.

CM – Por fim, gostaria que o senhor comentasse as preocupações com ataques terroristas durante a Copa, principalmente em relação ao time dos EUA, o mais bem protegido entre todos na Alemanha.

Hobsbawm – Estou certo de que as forças de segurança européias estavam certas em suspeitar de possíveis ataques terroristas ao time americano ou, mais genericamente, à Copa. Afinal, existe o precedente do ataque aos atletas israelenses nas Olimpíadas de 1972. Mas, obviamente, eu não tenho como saber se alguma organização planejou alguma ação este ano.



2. A Rede Globo venceu novamente. Dia 29 de junho foi anunciado, de público, com circunstância, mas pouca pompa, que o Brasil estava assinando com os japoneses a implantação da TV Digital com o modelo nipônico.
Discutimos este assunto em boletins passados. O modelo japonês não era o que mais interessava à sociedade, mas era o mais interessante para as grandes redes de televisão, notadamente as organizações Globo. Será uma simples coincidência o fato de o atual Ministro das Comunicações ser um antigo repórter global?
A Frente Nacional por um Sistema Democrático de Rádio e TV Digital, no dia anterior ao anúncio, publicou a nota “Governo comete um erro histórico”. Ela pode ser lida aqui
: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=387TVQ002

O jornalista Nelson Hoineff, no mesmo site Observatório da Imprensa, nos mostra que o maior problema será daqui em diante: o que vai ser exibido. Leia: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=387TVQ001

Governo atende "donos da mídia" e adota padrão japonês

Decreto sacramenta acordo defendido pelas empresas que dominam o setor. Segundo o presidente Lula, acesso será ampliado. Momento histórico em prol da democratização foi perdido, lamentam entidades. > LEIA MAIS Direitos Humanos 30/06/2006

3. País dos absurdos, o Brasil se vê diante de mais um, pra variar envolvendo distintos senadores, e pra variar, do PFL, PL e do PSDB. São eles: - João Batista Motta (PSDB/ES), Antônio Carlos Magalhães (PFL/BA), César Borges (PFL/BA), Magno Malta (PL/ES), Rodolpho Tourinho (PFL/BA) e Marcos Guerra (PSDB/ES). O que desejam essas excelências? Simplesmente anular uma portaria do IBAMA que criou uma ZA (Zona de Amortecimento) no Parque Nacional de Abrolhos, para garantia de maior proteção a uma das regiões mais significativas do ecossistema. E por que os distintos senadores estariam interessados em tomar uma medida que pode ocasionar risco terrível para Abrolhos? Simples: o autor do projeto – João Batista Motta – é sócio de uma empresa destinada a criar camarões no local e, devido à criação da ZA, esse empreendimento terá de se subordinar às normas do IBAMA, coisa que a divindade do PSDB não admite. Leia a integra da questão no site http://www.conservacao.org/noticias/noticia.php?id=181

Na revista Carta Capital desta semana também há uma matéria a respeito, intitulada “Camarões à moda tucana”.

4. Uma noticia interessante e pouco comentada: O papa Bento XVI determinou a abertura de todos os arquivos do Vaticano referentes ao período de 1922 a 1939.O interesse dos pesquisadores sobre esse período está relacionado ao fato de que esses arquivos, até agora secretos, referem-se ao período em que o fascismo se tornava vitorioso na Itália. Ao mesmo tempo, o Nazismo surgia e crescia na Alemanha.Em 1939 o regime franquista assumiu o poder na Espanha. Como se sabe, as relações entre a Igreja Católica e os governos fascistas sempre foram questionadas. Vários livros já foram publicados, tentando mostrar um certo apoio da cúpula da Igreja àqueles regimes, considerados o mal menor perante a expansão do socialismo com a vitória da Revolução Russa em 1917. A abertura dos arquivos será no dia 18 de setembro.

5. E atenção! A China já é a quarta economia mundial... ultrapassou a Grã-Bretanha e agora está atrás apenas dos EUA, do Japão e da Alemanha. Alguns analistas estimam que em 2020 ela será a primeira, com um volume de comércio maior do que o da União Européia. A confirmação da posição chinesa foi feita pelo BIRD – Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento, ao analisar a receita de 2,26 trilhões de dólares em 2005. O Brasil está hoje colocado em 14% lugar no ranking.



Brasil

1. Empresários resolvem investir em educação (do portal Terra) – Uma boa notícia, ao que parece. Só é preciso tomar cuidado para que as escolas administradas por eles não se tornem pequenas ilhas de excelência num oceano de fracassos. O que somente iria acentuar o desnível da educação fornecida às classes populares. Chega de exclusão!!!

Empresários se juntam aos governos para reduzir o déficit educacional brasileiro

Por Elaine Cotta
O executivo Marcos Magalhães, presidente da Philips Brasil, se orgulha de ter estudado no centenário Ginásio Pernambucano, um casarão localizado no número 703 da rua da Aurora, no Recife. Inaugurado em 1855 pelo imperador D. Pedro II, o educandário, que abrigou por muitos anos os filhos da elite de Pernambuco, enfrentou momentos de decadência nos anos 80 e 90. Mas isso é passado. Agora, graças a um grupo de 30 empresários, a unidade voltou aos bons tempos. Foi restaurada, ganhou laboratórios novos e abriga os alunos por tempo integral. “Adaptamos para a escola o modelo de gestão usado pelas empresas”, explica Magalhães. Os professores agora são remunerados de acordo com o desempenho. “Se o aluno vai bem, o salário aumenta”, diz. Para isso, foi criada uma comissão que avalia o trabalho dos professores e o aproveitamento dos estudantes. O modelo “salário-produtividade” está dando tão certo que foi copiado por outras 13 escolas de Pernambuco e começa a ser adotado em outros Estados. “O resultado prático foi a queda nos índices de repetência e evasão”, festeja Magalhães.

Esse tipo de alegria – e de preocupação – está se repetindo entre outros empresários. Cem deles estiveram reunidos nos dias 24 e 25 de junho, em Salvador, para discutir como melhorar a gestão das escolas e, conseqüentemente, a qualidade do ensino público brasileiro. Saíram do encontro lançando o compromisso “Todos pela Educação”, um movimento que pretende mobilizar empresários, educadores e sociedade para que, até 2022, o Brasil tenha cumprido ao menos cinco grandes metas. A principal delas é a universalização do ensino de qualidade. Atualmente, 98% das crianças brasileiras estão matriculadas no ensino básico, mas apenas metade conclui os estudos sabendo ler e escrever. A média de repetência entre a primeira e a quarta série no País é de 20,6%, percentual infinitamente superior aos 5,6% da América Latina e ao 0,8% verificado nos países desenvolvidos. Além disso, a cada hora, 31 jovens com idade entre 15 e 19 anos abandonam a escola. O resultado de números tão alarmantes é que, ao atingir a idade adulta, os brasileiros acumulam, em média, 4,9 anos de estudos, menos da metade da média mundial, que é de 12 anos. “Assim vamos perder a corrida do mundo globalizado”, alertou o financista Jorge Paulo Lemann, fundador da GP Investimentos, que, por meio da fundação que leva o seu nome, investe todos os anos US$ 3 milhões para formar professores e ensinar diretores de escolas públicas a gerir melhor os recursos dos ensinos básico e fundamental. “Cuidar da educação significa aumentar a competitividade econômica”, conclui o empresário Jorge Gerdau, também presente ao encontro.

A afirmação se sustenta. Pesquisa realizada pelo economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas, mostra que 35% da desigualdade de renda no Brasil se explica pelo número de anos de estudo das pessoas. “É um jogo onde todos ganham. Num país onde as pessoas são mais bem educadas, a mão-de-obra é mais qualificada e a renda maior”, concorda Antonio Matias, da Fundação Itaú Social. “Educação é o princípio de tudo, base de qualquer proposta de desenvolvimento”, afirma Norberto Odebrecht, fundador do grupo baiano e idealizador da fundação que, desde 1965, desenvolve projetos educacionais no interior da Bahia. Esse tipo de movimento apresenta duas novidades. A primeira é que o esforço pela educação movimente um número tão grande de empresários e empresas. O ativismo, até recentemente, costumava ser restrito a meia dúzia de abnegados. “As pessoas estão começando a entender que uma nação, para ser independente e desenvolvida, precisa ter gente capaz e educada”, afirma Viviane Senna, cujo instituto há 12 anos faz o elo entre as empresas e o setor público em projetos para melhoria da educação. Viviane estima que mais de 1,3 milhão de crianças em 24 Estados já foram beneficiadas pelas melhorias que as empresas financiam sob orientação do instituto. Na Câmara Americana de Comércio, em São Paulo, percebe-se a mesma tendência. Diz Ciro Fleury, coordenador do Instituto de Qualidade de Ensino da Câmara: “As empresas descobriram que a educação é boa para os negócios e fundamental para a competitividade do País.” A Ancham investe R$ 1,7 milhão por ano em treinamento de professores e programas de reforço escolar em 94 cidades brasileiras. A segunda novidade é que esse esforço de ajudar se volte para o apoio à rede pública. São antigas as iniciativas filantrópicas para educar os pobres. Mas é recente a percepção de que é preciso ajudar o governo nessa tarefa. A empresa Alstom, de equipamentos de energia, adotou 1.200 alunos de uma escola pública do Jaguaré, perto de sua sede paulistana. “Sabemos que a responsabilidade de educar é do Estado”, afirma Marcos Madureira, vice-presidente do Santander, que tem um orçamento anual de R$ 32 milhões para gastar com educação no Brasil. Seu projeto mais inovador é um curso pré-vestibular que paga salário mínimo e dá vagas para jovens carentes. “Num país com tantas demandas, a participação das empresas é fundamental.”

No último dia 24, ao lançar oficialmente sua candidatura à reeleição, o presidente Lula anunciou que a educação será a prioridade de um eventual segundo mandato. A afirmação, mesmo cercada de contexto eleitoral, foi bem recebida por quem se interessa pelo assunto. “Gostei muito”, afirma Marcio Cypriano, presidente do Bradesco. “Japão e Coréia do Sul só saíram do subdesenvolvimento porque investiram em educação. Não vejo outra alternativa.” Nos últimos 50 anos, a Fundação Bradesco educou nada menos que 620 mil crianças. Apenas este ano estão matriculados em suas 40 escolas 108 mil alunos de todos os Estados do País. O gasto anual é de R$ 180 milhões, financiados por dividendos que a Fundação recebe como acionista do Bradesco. Não existe no Brasil outra experiência desse porte e dessa profundidade. Ela cria ilhas de qualidade e paz educacional que a rede pública ainda não consegue imitar. Mas o ministro Fernando Haddad, da Educação, diz que, para melhorar radicalmente o ensino público, o caminho é esse: engajamento social, sobretudo da classe empresarial. Além de dinheiro, os empresários podem dar ao ensino público a qualidade da gestão de que ele necessita. Essa talvez seja sua grande contribuição. “Não adianta investir um caminhão de dinheiro se os recursos não forem bem administrados”, reforça o presidente do Grupo Orsa, Sérgio Amoroso. Há 10 anos ele mantém parcerias com o setor público para melhorar a qualidade do ensino em cinco municípios da Bahia e na cidade de Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo. Amoroso sabe o que diz.

2. Biocida pode salvar profetas de Aleijadinho. Artigo da Ciência Hoje online explica como os profetas de Aleijadinho podem ser salvos.

Igreja de Congonhas e adro com os profetas de Aleijadinho - Foto Ricardo de Moura Faria


Composto mata liquens e microrganismos que ameaçam as estátuas esculpidas em pedra-sabão

A salvação de um dos mais importantes patrimônios históricos e culturais do Brasil atende pelo nome de p-hidroxibenzoato de etila ou Asseptin A. Pesquisadores mineiros estão usando esse ácido orgânico na preservação da obra Os profetas, um conjunto de 12 estátuas esculpidas em pedra-sabão pelo artista Aleijadinho no século 19. O composto mostrou-se capaz de matar liquens e outros microrganismos que ameaçavam a integridade das peças, localizadas em Congonhas (MG).

Desde 1990, Brasil e Alemanha, através de um acordo de cooperação científica, desenvolvem um projeto de preservação da obra Os profetas, que conta com a participação de especialistas de diversas instituições brasileiras. Eles buscam soluções para acabar com os microrganismos (algas, fungos e liquens) que prejudicam as esculturas. Os liquens, por exemplo, além de possuírem raízes que penetram na rocha e causam trincas, produzem também ácido oxálico, muito corrosivo.

Em 1996, o Asseptin A foi aplicado na aba do manto de uma das esculturas e apresentou ótimos resultados: matou os microrganismos e impediu a recolonização da rocha por nove anos. Antes de receber o biocida, a peça é umedecida com uma solução de etanol, que ajuda a desidratar as células dos microrganismos, o que facilita a ação do produto. “O biocida coagula as proteínas presentes na membrana celular desses organismos e os leva à morte”, explica a microbiologista Maria Aparecida Resende, do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Apesar de ser normalmente associado à preservação de alimentos, o Asseptin A já havia sido usado na restauração de estátuas nos países nórdicos. Além de matar os microrganismos, de modo a que eles caiam sem necessidade de ação mecânica (fato importante quando se trata de patrimônios históricos), ele não forma crosta, não mancha a obra e não é tóxico, evitando problemas para o turismo. Tudo isso, aliado ao bom desempenho nos testes, fez com que o produto fosse aplicado, em julho de 2005, em toda a obra. Os pesquisadores registraram, na última medição, em janeiro deste ano, uma diminuição de 50% na atividade respiratória dos microrganismos. “O sucesso poderia ser ainda maior, não fossem as chuvas nesse período, que lavaram o biocida das estátuas”, diz Resende. Em abril, o produto foi aplicado novamente e os resultados serão avaliados após três meses.

Marcelo Garcia Ciência Hoje /RJ


3. Como acreditar na justiça brasileira? Os advogados interpõem recursos, atrasam o julgamento e depois o Supremo Tribunal Federal concede hábeas-corpus, alegando... o atraso no julgamento!!! Se contar isso num país sério ninguém vai acreditar!!! Será que a medida seria tomada se, em vez de ser fazendeiro, o acusado fosse um Zé-ninguém?

IMPUNIDADE

STF solta mandante do assassinato de Dorothy Stang

Por três votos a dois, o Supremo Tribunal Federal concedeu, na manhã desta quinta (29), hábeas corpus a Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão, acusado de ser um dos mandantes do assassinato da missionária americana Dorothy Stang no Pará em fevereiro do ano passado. CPT teme aumento da violência e lamenta impunidade > LEIA MAIS Direitos Humanos 29/06/2006


4. Mauro Santayana

Crônica da semana

Enquanto no mundo inteiro a globalização neoliberal sofre revezes, no Brasil o governo paulista – seguindo uma decisão do Sr. Geraldo Alckmin – privatiza a CTEEP, entregando-a a investidores colombianos por uma bagatela. Os tucanos não escondem a sua insistência no caminho neoliberal. - 01/07/2006


Nuestra América

DIRETO DA CIDADE DO MÉXICO

Narcotráfico é maior desafio para novo presidente

Apesar da guerra interna, crime organizado cresce no México, ocupa espaço nos partidos e se tornou um dos maiores problemas para o próximo presidente. Concentrado na fronteira com os EUA, o narcotráfico tem sido pretexto para maior intervenção americana no México, o que pode ser uma pedra no sapato do centro-esquerdista Lopez Obrador caso vença as eleições. > LEIA MAIS Internacional 30/06/2006

Artigo interessante

Histeria e caça às bruxas

Ao longo dos séculos, sintomas mutáveis da patologia descrita por Freud, há mais de 100 anos, são interpretados sob influências históricas, sociais, culturais - e ainda hoje intrigam profissionais da saúde.
Leia em http://www2.uol.com.br/vivermente/conteudo/materia/materia_52.html

Livros e revistas

1. REVISTA HISTÓRICA Nº 11

www.historica.arquivoestado.sp.gov.bra)

a) Publique seu Texto http://www.historica.arquivoestado.sp.gov.br/publique/

b) A família do Sion: Memórias de mulheres católicas - Vanessa Ribeiro Simon Cavalcanti http://www.historica.arquivoestado.sp.gov.br/materias/materia01/

c) Educação, trabalho e juventude: Os Centros Ferroviários de Ensino e Seleção Profissional e o perfil do jovem ferroviário - Maria Angela Borges Salvadori http://www.historica.arquivoestado.sp.gov.br/materias/materia02/

d) Corpo e Arte Contemporânea: O mosaico polimorfo em Farnese de Andrade - André Luiz de Araújo http://www.historica.arquivoestado.sp.gov.br/materias/materia03/

e) Imagens de uma época: Copa de 1970 http://www.historica.arquivoestado.sp.gov.br/imagemepoca/

2. Revista Presença Pedagógica. Ed. Dimensão, Belo Horizonte. O número 68, mar/abr. 2006, traz as Perspectivas da Escola no Mundo Contemporâneo – entrevista com Leonardo Yanez, sobre “a hora e a vez das crianças pequenas – uma questão de direitos” e para os historiadores, o artigo de Paulo Henrique Martinez: Qual história ensinar?

3. Revista Cult. O número deste mês traz importante artigo sobre Norberto Bobbio e suas idéias sobre a democracia. Pode ser lida também no site: http://revistacult.uol.com.br/

4. Nas bancas o número 33 da revista Nossa Historia. Dossiê sobre drogas e artigos sobre Brasil nuclear – Migração suíça em 1820 – O governo Wenceslau Braz – A guerra espanhola no Brasil – A revolta de Vila Rica – Abolição: a luta por liberdade com terra – Do navio negreiro à sepultura.

5. Nas bancas o número 33 da revista História Viva. Dossiê sobre o Tratado de Versalhes. Artigos: Rainha Vitória e o conservadorismo moral do século XIX – Armas atômicas, a ameaça nuclear ainda presente – Origens de Roma: arqueologia e o mito da fundação da cidade – O tempo padronizado: o calendário gregoriano e os dias atuais – Da América para o mundo: tabaco, milho e chocolate – Uma relação delicada: Plínio Salgado e Getúlio Vargas – A História Nova

Sites interessantes

No Historianet deste mês (http://www.historianet.com.br/)
Antiga

Religiao do EgitoRessurreição e vida futura, a grande idéia central da imortalidade, o viver no alem tumulo, a natureza divina e o julgamento moral dos mortos, tudo isso esta na coleção de textos religiosos que e o Livro dos Mortos.

ModernaThomas MuntzerPrincipais propostas de Thomas Muntzer e as repercussões do anabatismo.


Noticias

1. Curso de Extensão – Aspectos da cultura e da historia do negro no Brasil

Data: 03 de agosto a 23 de novembro de 2006, às quintas-feiras, das 14 às 17h Matrícula: 20 a 27 de julhoInformações: Telefone: (11) 3091-4645, e-mail: agenda@usp.br

Local: Universidade de São Paulo - USP, Rua do Lago nº 717 - em frente à Faculdade de Arquitetura – FAU, Bairro: Cid. Universitária - São Paulo - SPHorário de atendimento: de 2ª a 6ª feira, das 09 às 11h30 e das 13 às 16h30

2. Debate Carta Maior sobre política externa
Os desafios da Política Externa Brasileira será o tema do "Debates Carta Maior" de segunda-feira, 3 de julho - o primeiro de uma série de encontros que a Carta Maior organiza em parceria com a Fundação Perseu Abramo e a Revista do Brasil até o final deste ano. O evento será realizado no hotel Maksoud Plaza, em São Paulo, a partir das 18:30 horas, e será aberto ao público. Estão confirmadas as participações do secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiros Guimarães, do sociólogo Emir Sader, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, do cientista político José Luís Fiori, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, e os economistas Paulo Nogueira Batista Jr., da Fundação Getúlio Vargas, e Luiz Gonzaga Belluzzo, do departamento de economia da Unicamp. A TV Carta Maior fará a transmissão ao vivo do encontro através da internet.
A idéia geral do debate é localizar os desafios econômicos e políticos da política externa brasileira no contexto da atual conjuntura internacional. Cada um dos debatedores terá cerca de 20 minutos para fazer sua exposição inicial e depois será aberto o debate com a mediação de Flavio Aguiar. A sugestão é que sejam abordadas as seguintes linhas gerais no debate: Os objetivos e os principais desafios da política externa brasileira (Samuel Pinheiro Guimarães); a política externa brasileira no atual contexto geopolítico internacional (José Luís Fiori); o projeto de integração da América do Sul e seus condicionantes econômicos (Paulo Nogueira Batista e Luiz Gonzaga Belluzzo); a importância do projeto de integração da América do Sul do ponto de vista da esquerda (Emir Sader).
Do ponto de vista do debate propriamente dito, um dos objetivos centrais é tentar conectar o que normalmente é apresentado de modo fragmentado. Ou seja, ao tratar da política externa brasileira, abordá-la do ponto de vista econômico, no contexto da construção de um projeto nacional de desenvolvimento e segundo a atual configuração geopolítica internacional. Podemos aproveitar a ocasião também para tentar desfazer alguns mal-entendidos e inverdades, como aqueles que se verificaram no recente episódio da nacionalização do gás e do petróleo na Bolívia e na cobertura dos problemas envolvendo os países do Mercosul. Será uma oportunidade também para dialogar com as críticas à atual política externa brasileira, especialmente aquelas que "denunciam" um suposto desejo nostálgico de retorno ao terceiro-mundismo, o que seria uma demonstração de anacronismo, segundo elas.

3. ANPUH e Fórum das Instituições de Memória do Rio de Janeiro convocam Ato Público em Defesa do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional de Rio de Janeiro

Em nome dos profissionais de História de todo o país, a Associação Nacional de História / ANPUH manifesta sua indignação diante dos atos de pilhagem sistemática aos acervos de patrimônio histórico e artístico nacional que estão ocorrendo notoriamente na cidade do Rio de Janeiro. Diante da sucessão de roubos em bibliotecas, museus e arquivos, é preciso que as autoridades competentes de todos os níveis governamentais reconheçam a insuficiência das formas de proteção da memória social desenvolvidas no nosso país, deixando que bens simbólicos que representam a história nacional e do povo brasileiro transformem-se em objetos de valor econômico ou mais uma face da violência e da corrupção no Brasil. A sociedade exige políticas públicas efetivas para salvaguarda do patrimônio histórico e artístico nacional.Nesse sentido, a ANPUH junto com o Fórum de Instituições de Memória do Rio de Janeiro convoca a todos para se reunir em manifestação pública em defesa do patrimônio do povo brasileiro.

ATO PÚBLICOEM DEFESA DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL DO RIO DE JANEIRO

dia 6 de julho, quinta-feira, às 10 horas

no Largo de São Francisco Centro do Rio de Janeiro em frente ao IFCS/UFRJ
ABAIXO A PILHAGEM DE NOSSOS BENS SIMBÓLICOS!

Compareçam todos para iniciar uma mobilização para cobrar das instâncias de governo uma política eficaz de proteção e promoção do patrimônio nacional.

VAMOS DEFENDER O QUE É DO POVO

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