Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

10.5.06

Número 038 nova fase

Editorial

O grande tema do momento é a relação Brasil-Bolívia, em função do decreto de nacionalização dos hidrocarburetos feita pelo presidente Evo Morales. Como as redes de TV, especialmente a Globo com sua comentarista Miriam Leitão, entenderam de, desde o primeiro momento, meter o pau no governo, mas sem explicar direito o que estava acontecendo, achei por bem dedicar este número do Boletim para a discussão da questão. Para tanto, fiquei uma semana procurando dados, comentários, artigos e explicações. Espero que o material que eu consegui ajude a todos a compreenderem melhor a situação e a avaliarem os comportamentos e atitudes dos envolvidos no drama que está quase virando um dramalhão mexicano em plena América do Sul.

Além dessa questão, temos mais novidades no front da crise política brasileira. A Agência Carta Maior enviou questionamento ao procurador-geral da República, Antonio Fernandes de Souza, que teria produzido, segundo as oposições, o mais avassalador relatório sobre a corrupção do governo Lula, dizendo que se formara uma quadrilha...etc e tal... Foram dezenas de perguntas formuladas a partir da leitura atenta do tal relatório. Mas o procurador-geral está sem tempo para responder... Avaliem vocês mesmos... Na matéria seguinte, uma entrevista com o ministro Patrus Ananias, cujo título é bem sugestivo para se entender uma certa oposição: questão dos pobres deixou de ser marginal e virou prioridade. Com certeza, alguns opositores gostariam de fazer voltar os tempos em que a questão social era caso de policia. E Flávio Aguiar mostra a “novidade” do possível golpe que está se desenrolando sob nossos olhos e nem sempre percebemos... mesmo porque o número de golpistas de plantão é impressionante...

Denúncia sobre mensalão

Peça do MPF ainda não pode ser considerada consistenteProcurador-geral da República, Antonio Fernandes de Souza, não responde aos questionamentos sobre inconsistências, equívocos ou dúvidas que comprometem a credibilidade das acusações encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal. > LEIA MAIS Política 02/05/2006

Entrevista - Patrus Ananias

“Questão dos pobres deixou de ser marginal e virou prioridade”A chave do segredo que vem determinando os resultados do governo Lula na área social está na integração de programas e políticas públicas voltadas para a proteção e a promoção social dos pobres, explica o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social). > LEIA MAIS Direitos Humanos 04/05/2006• 'Comida não é assistencialismo, é direito'

Flávio Aguiar

O golpe do golpe

Na nossa história, de Dom Pedro I a Collor, houve golpes e golpes. A novidade deste momento político é que, contra Lula, dispensa-se a necessidade de uma conspiração tradicional, com reuniões fechadas, mensageiros secretos, senhas sigilosas. Trama-se o golpe, abertamente, via internet, jornais e outros meios de comunicação. - 05/05/2006

Não deixe de ler, ao final do boletim, o Informe nº 7/2006 da ANPUH –Nacional. Quanto ao “menino do Rio”, melhor que as piadas que saíram na internet, como esta charge ao lado, só mesmo o slogan para adesivos de carro: “NÃO VOTO EM GAROTINHO. PEDOFILIA É CRIME!”


Falam amigos e amigas

1. Minha amiga Ana Claudia Vargas me enviou um email com uma carta aberta dirigida a Daniela Mercury, que também achei importante reproduzir aqui. Dá o que pensar, principalmente para quem conhece as coisas só pela TV e pela Veja... E principalmente, para aqueles que recebem emails e não verificam a procedência... Com certeza você já deve ter recebido um email te convidando a fazer parte do movimento QUERO MAIS BRASIL. Se não recebeu, não se preocupe...vai receber!!! Mas antes de aderir a uma causa que parece justa, leia o que o jornalista descobriu sobre este movimento.

Carta Pública a Daniela Mercury
Cara Daniela,
Antes de enveredar pela trama de motivos que geraram esta missiva, gostaria de te agradecer pela freqüente companhia melodiosa. Compartilhaste comigo, ainda que distante, bons e maus momentos. Acalentado na tua voz, curti a saudade de minha mãe, uma senhora-menina que se foi numa madrugada fria, anos atrás. [...]
Também foste companhia de farra e júbilo, como em 1998, na Copa do Mundo, quando rodei por Paris, tua cantoria feliz no som do Citroën emprestado.[...]
E ainda atapetaste o assoalho cupinizado de meu cotidiano. Quantas vezes, “embriagado” de coca-cola, não repeti em desafino os versos...
Tem que saber que eu quero é correr muito /
Correr perigo / Eu quero ir embora / Eu quero dar o fora / E quero que você venha comigo /Todo dia, todo dia...

Logicamente, teus espetáculos sempre foram maravilhosos. Porém, mais me encantou tua passagem pela sampa querida. Foste alegre capitã d’um trio elétrico que serpenteou a Avenida de 23 de Maio rumo ao Anhangabaú. Equilibrado em barranco movediço, segurando os filhos pelos colarinhos, vibrei com tua homenagem à moça-urbe que completava 450 anos.
Vivo de amor profundo / Sou perecível ao tempo / Vivo por um segundo /Perdoa meu amor / Esse nobre vagabundo...

Sim, Daniela... Quando musicados, os episódios da vida se enfiam numa cognição sonhada, que se enverniza celeremente na memória. Formidável seria se nossas prosaicas aventuras tivessem permanente e simultânea trilha sonora. No meu caso, sempre que possível, arranjo de botar fundo musical à minha biografia. No filme inacabado da minha existência, tens nobre participação vocal. Teu nome figura, com justiça, nos créditos.

Invasão na telinha

Recentemente, entretanto, tomou-se de assalto um “spam”, mensagem não solicitada que o UOL enviou a minha congestionada caixa de e-mails. Tratava de um certo movimento, denominado Quero Mais Brasil, uma espécie de “levante”, cuja palavra de ordem principal é “menos corrupção”, seguida de outras imprecações cínicas berradas pela oposição ao governo federal. Procurei escarafunchar a propaganda sinistra e, de cara, espantei-me com a declaração de que não se tratava de uma iniciativa partidária. Porém, à parte ligeiro refinamento publicitário, a semântica e a sintaxe repetiam o paradigma discursivo dos parlamentares que propugnam um golpe branco contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Como jornalista, bisbilhoteiro por natureza, busquei a costura entre os reclamantes civilistas e os protagonistas do alastrado movimento anti-governo. Lá no cabeçalho da propaganda, estrategicamente tingida de verde e amarelo, capturei o link explicativo. O cérebro pensante e operativo da campanha é o famigerado Instituto Millenium, dedicado à celebração do neoliberalismo e à desmoralização de tudo que soe como popular ou socializante.

De cara, topei com uma remissão para a entrevista de Paulo Guedes à revista Veja. A chamada é a seguinte: “o economista, com PhD em Chicago, diz que o Brasil precisa abandonar conceitos fossilizados e abraçar a liberal-democracia”. Coerente. Afinal, Veja abdicou do jornalismo para constituir-se hoje num grosseiro panfleto de doutrinação neoconservadora. Para atingir seus objetivos políticos, exagera, inventa, agride e mente. Quem é jornalista sabe que a palavra ética foi suprimida da cartilha de procedimentos do semanário da Editora Abril. Em suas páginas mal redigidas, restou mobiliário de segunda linha, como o sacripanta Diogo Mainardi, vítima de uma formação escolar básica deficiente e de uma natural inclinação à maldade.

Seguindo pelas páginas do site millenista, descobri outras pérolas da pregação neoliberal. Num texto que a princípio me pareceu cômico, um certo Pedro Sette Câmara trata da oposição entre realismo e idealismo, vinculando o primeiro ao capitalismo e o segundo ao comunismo. O artigo funda-se num reducionismo histórico estarrecedor. Com meus botões, pensei: “aqui, sim, apresenta-se um exemplo vivíssimo da miséria da Filosofia”. Permito-me repetir um trecho hilário da lição camareira:

O realismo mostra que as pessoas não ficam felizes quando são obrigadas a fazer o que não querem, mesmo que isso pareça (e às vezes até seja) melhor para elas; que dar liberdade a cada um é a melhor maneira de não ser responsável pela desgraça alheia – o que, no caso do comunismo, significa ter mergulhado as mãos em rios de sangue.

Noutro artigo, assinado por Paulo Gontijo, imaginei ter enveredado pelo universo da ficção zombeteira. Segundo o articulista, o setor privado é a melhor solução para a educação primária nos países em desenvolvimento. Atiladíssimo humorista ou cínico desvairado, Gontijo sugere que os famintos da Nigéria e da Somália paguem para aprender a ler e escrever. Construído a partir de uma extração marota de dados do Fraser Institute, o artigo reproduz o tom burlesco das preleções do premier italiano Berlusconi, recentemente derrotado nas urnas.

Na data de meu primeiro acesso ao site, esbarrei num link para o tal Fórum da Liberdade, uma espécie de resposta capitalista ao Fórum Social Mundial. O encontro da direita brasileira também mistura desfaçatez a fanáticas celebrações do Deus Mercado, divindade à qual se oferece o dialético sacrifício do outro. Realizada a exegese do evangelho neoliberal, percebe-se a insistência no mito da igualdade das oportunidades e na associação da pobreza à incompetência e à preguiça. Movidos por um fundamentalismo alucinado, os “pastores” do capital dispõem-se a bombardear todos aqueles infiéis que se contraponham aos sagrados privilégios das elites. Afinal, a desigualdade econômica brasileira ainda não os satisfaz.

Entre os palestrantes do fórum, figuram acadêmicos obscuros, acadêmicos ressentidos e acadêmicos espertinhos, mas também fanfarrões lunáticos, como o “filósofo” Olavo de Carvalho, um extremista de direita que seria atração tropical nos festins do Terceiro Reich.
Três cliques e naveguei até a página dos apoiadores do Quero Mais Brasil. Há gente bem conhecida dos programas vespertinos dominicais, como a bela e bem comportada Sandy, o inquieto e criativo Carlinhos Brown e a cantora ufologista Elba Ramalho. Entre eles, uma galeria do high-society da TV noturna, estrelando engomados “finérrimos” como João Dória Jr., Roberto Medina e Guilherme Afif Domingos.

Creio que nem todos participam do álbum pelos mesmos motivos. Alguns certamente são simpáticos às idéias de Gontijo, ou mesmo de Olavo de Carvalho. Outros, provavelmente, apenas pugnam por um Brasil melhor, sem aderir conscientemente à mesquinhez elitista que subjaz à ideologia do grupo Millenium. Não me parece que Ana Paula Oliveira Felix Costa, ali candidamente misturada com os ricos do Brasil, pretenda pagar menos impostos para torrar com modelinhos da Daslu.

Retorno à pilhagem?

Bem, querida Daniela, foi lá, nessa constelação de ilustres e anônimos, que encontrei teu rostinho simpático. Sorridente, argumentaste que o Quero Mais Brasil consiste de um movimento pela cidadania. Depois, revelaste que os que pagam impostos vão tomar posse “desse nosso chão”. A frase, entretanto, pareceu-me descolada da realidade da campanha e de seus mentores. Na verdade, se me permites dizer, identifiquei ali impressionante paradoxo.

Afinal, a história recente atesta que esses nobres senhores engravatados pregam a radical privatização dos bens públicos. Foram eles e seus ancestrais que, desde 22 de Abril de 1500, tramaram para tornar particular o que pertencia à coletividade. Para isso, não mediram esforços. Massacraram índios, escravizaram negros e oprimiram os trabalhadores. No governo neoliberal do professor Fernando Henrique Cardoso, pilharam o Estado brasileiro. A preço de banana, ou a preço nenhum, apropriaram-se indebitamente do que era de todos os cidadãos. Dessa constatação, emerge a pergunta, cara Daniela: a qual cidadania te referes?

Note-se que o conveniente reducionismo dos patrocinadores do movimento não poupa os heróis nacionais. Para eles, Tiradentes foi assassinado porque não lhe agradava pagar impostos altos!! A saga do mártir, portanto, é resumida a uma mera pendenga de natureza fiscal. Será mesmo? Vale sublinhar que o alferes era o “primo pobre” dos inconfidentes, o menos interessado nessa questão específica. Aliás, como o “plebeu” do grupo, foi o único que pagou com a vida pela aventura rebelde.

Durante dias, preferi acreditar que a ingenuidade tivesse conduzido a nobre Daniela à alcatéia dos detentores da riqueza brasileira. De repente, no entanto, te encontro na manchete da versão eletrônica do Estadão, o tradicional diário paulistano. Ora, mas eles nunca te deram essa honra... Ué... Primeirinha da silva, no alto da página, com direito a foto colorida, tão espichada que exibe até teus bem articulados joelhos. Alguma reportagem sobre tua arte? Não!! Deram-te destaque porque foste a Portugal detratar o presidente da República e solicitar aos brasileiros de lá que não lhe permitam mais quatro anos no Planalto.

De acordo com o jornalista João Caminoto, pediste ao eleitores que “castiguem” Lula por “tudo que aconteceu nos últimos anos”. De seu palanque internacional, a Daniela do Estadão pede uma cabeça. Às acusações da mídia monopolista brasileira, muitas delas absurdas, atribui status de verdade. Ao mesmo tempo, nega qualquer articulação das classes dominantes para desconstruir a imagem do supremo mandatário. Ao exigir punição exemplar, assume que julgamentos são desnecessários se o objetivo eleitoreiro é afastar do caminho uma figura pública. Por último, ao ignorar a história, faz acreditar que a corrupção é patrimônio exclusivo do PT, que o mineiro Azeredo é um beato, que os governos tucanos são magníficos exemplos de transparência, honestidade e zelo administrativo.

Quem se acostumou a ouvir tua voz de seda, outras vezes de vime, salgada ou doce, conforme a mensagem, apegou-se à idéia de que seguias o caminho justo da partitura. De repente, entretanto, substituiu-se a diva compassiva pela propagandista sem requinte, olhos acusadores e dedinho em riste. Um amigo me soprou ao ouvido: “o que não fazem as más companhias”. Em seguida, arriscou uma reflexão amarga: “está aí a nova Regina Duarte, mulher de bem, convocada a semear o medo e o ressentimento”.

Utopia: uma lição para ninguém

Talvez nada do que eu escreva te seja de valia. Sabe-se a que grau de cegueira conduz a doutrinação neoliberal, especialmente quando apoiada na prática da adulação generosa. Ainda assim, Daniela, caso te sobre tempo, dê as costas ao belo mar da Bahia e procure mirar o semi-árido nordestino. Somente em 2005, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome investiu ali R$ 3,9 bilhões. Esses recursos foram repassados a vários programas de inclusão social. Há, por exemplo, um belo projeto de fornecimento de leite. Mais de R$ 190 milhões foram utilizados para adquirir o produto de pequenos produtores e distribuí-lo para mais de 700 mil famílias. Ainda que moça urbana, deves saber o que é uma cisterna e sua importância para o povo do sertão. Pois esse governo que julgas totalmente empenhado em cometer delitos já distribuiu recursos para a construção de 49 mil cisternas, o que contribuiu decisivamente para elevar o padrão de vida de 200 mil pessoas.

Caso te reste alguma boa vontade, busque conhecer um pouco sobre o Bolsa Família, o programa do governo que atende a mais de 8,7 milhões de famílias. Não tem nada no jornal? Procure outras fontes. Sabe usar o Google? Não? Então, que tal uma viagem pelo Interior do País, sem corriola e sem gurus? Talvez possas compreender o efeito do programa sobre a nutrição infantil.
Vale um exemplo bem didático, retirado da pesquisa Chamada Nutricional. Caso não fossem atendidas pelo programa, as crianças de seis a onze meses correriam risco 62,1% maior de apresentar desnutrição crônica e sucumbir a doenças banais, como infecções respiratórias. No mínimo, Daniela, isso quer dizer que muitos desses brasileirinhos e brasileirinhas seguem vivos justamente por conta dos empreendimentos do governo que você pretende “castigar”. Será que essa infância teria sido poupada pelos governos neoliberais, fanáticos pela disputa de mercado e tão avessos ao investimento social?

E já que és tão ligada na brasilidade, que tal comparar as ações do governo tucanos e do governo Lula em benefício das comunidades indígenas? Em 19 de Abril, caso perdeste tempo com o Jornal Nacional, noticiário oficialmente destinado aos Homers do Brasil, nem ficaste sabendo que sete mil índios kaigangues e guaranis foram beneficiados pelo Programa Luz para Todos, no Rio Grande do Sul.

Ops... Teus parceiros neoliberais dirão que é bobagem gastar dinheiro com silvícolas. Bem, Daniela, esses descendentes dos primeiros brasileiros pensam de modo diferente. A energia elétrica lhes permitirá adquirir freezers e resfriadores para ampliar a produção de leite e derivados. Também pretendem adquirir um triturador e construir um aviário. Nas mesmas comunidades, a Fundação Nacional de Saúde investiu cerca de R$ 1 milhão somente na construção de poços artesianos. O brilho inédito das lâmpadas chegou também para os esquecidos quilombolas da região, agora libertos da escuridão secular.

Talvez não saibas, Daniela, mas o País acaba de conquistar a auto-suficiência em petróleo. Teus amigos vão usar o manjado argumento: “isso é coisa do governo anterior”. Afinal, segundo a catecismo da imprensa tucanista, conquistas correspondem sempre a um legado do professor. Mazelas, ainda que originadas no Brasil colonial, resultam da vilania do metalúrgico. Se vale esclarecer, o governo atual empenhou-se com vigor no apoio às atividades de prospecção e desenvolvimento de tecnologia. Nos últimos três anos, houve um volume recorde de investimentos: R$ 68 bilhões. Em 2006, mais R$ 38 bilhões serão destinados a esse setor. Este ano, Daniela, com o incremento da produção, a Petrobras deverá registrar um superávit de US$ 3 bilhões nas transações internacionais, o que contribui significativamente para aumentar o saldo positivo da balança comercial do País.

“Ah, mas nada do que o governo faz se traduz em benefícios para a população”, ranhetará o bom mocinho neoliberal, aquele que toda mãe sonha em ter como genro. Será que não? Pela primeira vez, em séculos, o Brasil diminuiu significativamente o número de miseráveis, aqueles que ganham menos de R$ 115 ao mês. Essa parcela da população diminuiu em 8% somente entre 2003 e 2004, um recorde na história do País.

Nos últimos meses, é provável que tenhas concentrado sua atenção em discursos como os de Arthur Virgílio, aquele senador encrenqueiro que considera elegante a ameaça de surrar o presidente da República. Portanto, Daniela, não deves ter prestado atenção aos resultados do PNAD, divulgados pelo IBGE. Vai aqui, portanto, uma síntese do apurado. A pesquisa mostrou que em 2004 o índice Gini, que mede a desigualdade de renda, foi o mais baixo desde 1981. Leste direitinho? Pois é, desde 1981. De acordo com o PNAD, a metade mais pobre da população teve ganho real de 3,2%.

Ah, não acreditas? Provavelmente é porque não tens lido a respeito. Afinal, os jornais não ligam pra isso. Preferem exibir e festejar o caseiro arranjado pelo senador Antero Paes de Barros para detonar o ministro da Fazenda. Então, segue a informação fresca. Entre 2003 e 2006, o salário mínimo acumula aumento de 75% em seu valor nominal, com incremento de 25,3% do valor real. Ok, achas uma ninharia. Não conseguirias viver com tão pouco, não é? Entretanto, para 40 milhões de pessoas, essa elevação de valores tem sido vital à sobrevivência e à manutenção da esperança. Compra-se um pouco mais, come-se um pouco melhor.

Em suma, mesmo com toda a sabotagem dos teus amigos, o Brasil tem seguido em frente. O IPCA fechou 2005 em 5,69%, o menor valor dos últimos oito anos. O nível de emprego com carteira assinada também apresentou um crescimento expressivo. De janeiro de 2003 a fevereiro de 2006, 3,68 milhões de brasileiros obtiveram um posto de trabalho. Muitos deles simplesmente retornaram ao jogo. São pais e mães de família que foram atirados à informalidade e à marginalidade nos oito anos do desastroso governo neoliberal do PSDB.

“Ah, mas o governo está endividando o país com o assistencialismo”, protestará outro dos teus amigos, enquanto bóia numa piscina de hotel na Riviera Francesa. Nem isso... O Brasil conseguiu uma redução significativa da dívida externa, que caiu de US$ 214,9 bilhões, em dezembro de 2003, para US$ 169 bilhões em fevereiro deste ano. Em dezembro do ano passado, foram pagos US$ 15,5 bilhões referentes a acordos firmados entre o FMI e o governo brasileiro. “Ah, mas o governo só quer dar dinheiro para os banqueiros”, reclamará outro de teus amigos, enquanto sorve uma dose de uísque 12 anos num bar do Aveiro. Nem isso... O pagamento antecipado permitiu uma economia de US$ 900 milhões com juros. É isso mesmo. Convém anotar, Daniela: US$ 900 milhões.

Ok... Cansaste? Estás zangada? Tudo bem. Poderíamos discorrer sobre o Prouni ou sobre os excelentes programas de agricultura familiar. Entretanto, o assunto pode te enfadar. Afinal, os beneficiários desses empreendimentos públicos são, na maior parte, brasileiros simples. Não pertencem à classe de personalidades que batem papo com teu colega João Dória Jr.
Enfim, o que mais me entristece é perceber que teu show, ainda que baiano, tem por finalidade agradar a casa grande. À senzala brasileira, reduto eterno dos coadjuvantes, o olhar compadecido, mas de viés, posto que o poder pertence aos herdeiros do engenho. Pensei bater em teu peito aquele coração dos alfaiates conjurados, mestiça vanguarda política brasileira. Vi em ti, quimera, a fibra das forras Ana Romana e Domingas Maria do Nascimento. Enganei-me, entretanto. Deixei-me hipnotizar pelo canto da Yara. Assim, despeço-me, desejando-te permanente evolução de espírito, capacidade de discernimento e humildade para a revisão de conceitos. Além disso, ouso presentear-te com uma advertência. Depois que te despedes, muitos de teus amigos silenciam tua voz na “vitrola”, e vão dormir com Britney Spears.
Beijos,
Mauro Carrara, jornalista

2. Hélvia Vorcaro me mandou este comentário do Clóvis Rossi:

CLÓVIS ROSSI - O fracasso (da memória)

SÃO PAULO - Se eu lesse os jornais distraidamente, acabaria acreditando que toda a culpa pela nacionalização do gás boliviano é do presidente Lula e de sua política externa.Tudo bem, cada um acredita no duende de sua preferência, mas, para os que preferem fatos, um modesto ajuda-memória:

1 - A Petrobrás se lançou ao gás boliviano no governo Fernando Henrique Cardoso, não no governo Lula. Logo, se culpa há (e, nesse caso, acho que não há), é do governo anterior.

2 - Digamos que, após a vitória de Evo Morales, na esteira de uma campanha em que prometeu nacionalizar os recursos naturais, a Petrobrás e o governo deveriam ter ficado espertos. Tudo bem, mas o que fazer? Fechar as torneirinhas, botar o gás no bolso e voltar para casa? Ou mandar as tropas brasileiras se anteciparem e ocupar as refinarias antes que as bolivianas o fizessem?

3 - Da mesma forma, achar que Lula alinhou-se demais com Evo e, antes, com o venezuelano Hugo Chávez é acreditar em duendes. O grande esforço da diplomacia brasileira foi na construção do que agora se chama Comunidade Sul-Americana das Nações (desde FHC, aliás, e até antes, com Sarney e depois Itamar).Incluía Chávez, claro, mas incluía também Carlos Mesa, o antecessor de Evo, e Alejandro Toledo, o agora inimigo de Chávez.Note-se que o melhor gesto do governo Lula para com a Venezuela foi ajudar na criação do grupo de amigos daquele país, ao lado dos Estados Unidos da América, entre outros. Foi logo no início do governo e ajudou a evitar uma guerra civil.Se Chávez se diz amigo de Lula, um certo George Walker Bush também se diz. Bush invadiu o Iraque. Culpa do seu amigo Lula?

4 - O governo FHC deu apoio ao fracassado processo re-reeleitoral de Alberto Fujimori, personagem e processo muito mais deletérios para a democracia do que todas as bobagens e bravatas de Chávez. E ninguém falou nada.

3. Prezado Professor,
É com grande prazer que mais uma vez converso consigo, só que desta vez é para lhe pedir que me explique a bagunça da nacionalização das refinarias na Bolívia. Afinal de contas a Petrobrás perdeu ou não a refinaria. E se perdeu como é que ficamos? Essa atitude me parece uma atitude populista, tomada por alguém que me parece não estar totalmente preparado para governar o país. E ainda vem um importante jornal americano dizendo que nós temos pouco a temer? E o que os americanos têm a ver com os nossos interesses?
João Miguel S. Lopes - UNI-BH - 6º

João Miguel: leia o dossiê a seguir. Ele deve te ajudar a compreender umas tantas questões que a grande imprensa se recusa a tratar...


Dossiê: Nuestra América e a Bolívia

Esta matéria, construída a partir das declarações do especialista em Relações Internacionais, José Flávio Sombra Saraiva, mostra que o alarmismo não tem maior sentido. Os números que Saraiva maneja são muito claros. Do ponto de vista econômico não há o que temer. A grande questão que se coloca não é econômica, mas política: é a questão da integração da América do Sul, essa sim, com certeza ficou mais capenga.

1. INTEGRAÇÃO REGIONAL

Decreto boliviano não deve abalar economia brasileiraA análise do consumo de gás natural no Brasil, principal foco da atuação da Petrobras na Bolívia, sugere que o governo tem condições de administrar com tranqüilidade os reflexos econômicos da decisão de Evo Morales. > LEIA MAIS Internacional 03/05/2006

• Bolívia nacionaliza gás e petróleo; Lula convoca reunião de emergência

• Antecedentes: as nacionalizações do México (1938) e do Irã (1951)

• Resenha: 'Tierra Mártir – Del socialismo de David Toro al socialismo de Evo Morales'

A reação da imprensa mundial ao decreto de Evo Morales. A matéria a seguir sintetiza o que publicaram os principais jornais do mundo. A grande maioria se posiciona contrariamente ao governo boliviano. O que não é surpresa. Pois essa imprensa já assumiu – há muito tempo – que a globalização é inevitável e que atitudes como a de Morales significa apenas os suspiros dos dinossauros que querem se opor à nova ordem.

2. Do Terra Magazine:

A decisão do presidente da Bolívia, Evo Morales, de nacionalizar o gás de seu país ganhou enorme destaque na mídia européia. A reação geral foi de surpresa combinada com pesadas críticas, não apenas de publicações alinhadas com o que pensam os mercados, mas até mesmo em jornais considerados de esquerda.
Será que o presidente boliviano fez uma avaliação cuidadosa do que a Bolívia tem a ganhar ou perder com a nacionalização? Ou simplesmente, como diz o jornal britânico The Times, foi uma "petulância ultrapassada"?
O editorial do The Times ilustra a avaliação que predomina em diferentes línguas nos jornais europeus: Morales "chamou as tropas e afastou os investidores". Também é geral a conclusão de que o presidente boliviano está simplesmente seguindo orientação do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
Em entrevista publicada pelo britânico Financial Times e por seu associado espanhol Expansión, o vice-diretor da Agência Internacional de Energia, William Ramsay, avisa que a Bolívia pode se dar muito mal se seguir o exemplo da Venezuela, que confiscou jazidas da francesa Total e da italiana Eni e obrigou a espanhola Repsol a renegociar contratos.
"Se não se obtém o equilíbrio entre os interesses das empresas e os de um país, no final é o país quem perde. É só ver a capacidade de produção da Venezuela, que caiu dramaticamente: esse é o preço", disse o vice-diretor da AIE, órgão criado pelos países ricos para tratar da área de energia.
Para o FT, é uma situação em que "a história se repete como farsa". O jornal diz que a iniciativa é parte da onda de "nacionalismo" que, na América Latina, é também "resposta ao fracasso em se desenvolver economicamente, à persistência da pobreza generalizada e a uma atração fatal ao populismo".
Já o jornal britânico The Guardian, admite que a decisão de Morales é uma tentativa de "redistribuir a riqueza na América Latina". No entanto, embora seja considerado um jornal mais à esquerda, com raízes no sindicalismo, o Guardian chama a atenção para o impacto sobre as empresas e suas conseqüências. "Nacionalistas econômicos, mesmo aqueles eleitos por quem Morales chamou de 'os mais desprezados e discriminados', precisam avaliar todas as conseqüências de seus atos".
E talvez essa seja a principal questão. Num primeiro momento, a Petrobrás e a Repsol provavelmente terão que fazer concessões e aceitar condições piores do que as que têm hoje. Mas poderão buscar novas alternativas de investimento e receita e outras fontes de abastecimento de gás.
A Bolívia não desenvolveu a tecnologia para explorar sua principal riqueza e depois de mais essa nacionalização, qualquer outra empresa estrangeira vai cobrar muito mais caro para fazer esse investimento de altíssimo risco. Mesmo no capitalismo vermelho da China, as empresas não investem para perder, pois é o lucro que aumenta a renda dos chineses. Será que esta nacionalização vai dar os lucros que o povo boliviano espera?

Maria Luiza Abbott é jornalista, diretora da AJA Media Solutions, sediada em Londres, primeira agência de comunicação internacional criada para atender brasileiros.

Professor da UFF, Luis Carlos Lopes mostra-se francamente favorável a Morales e a suas atitudes. As novidades que ele trouxe para o governo são sinteticamente apresentadas por ele:

3. Luís Carlos Lopes

O gás da liberdade

Os primeiros 100 dias de governo de Evo Morales trazem pelo menos 4 novidades para a política latino-americana. Em primeiro lugar, a ousadia do boliviano em cumprir o que prometeu em seu programa de governo, num continente que é marcado pelo paradoxo retórico. - 05/05/2006


A revista Carta Capital também se dedicou a examinar o assunto. Nesta curta entrevista, Ildo Sauer, diretor da Petrobrás, explica como foi o envolvimento da empresa na Bolívia. Diga-se a bem da verdade, e isso será dito também em outro artigo, que essa dependência do Brasil em relação ao gás boliviano – pra variar – é obra do FHC e não do Lula...

4. UM FRACASSO NEOLIBERAL - A nacionalização desmonta o projeto gestado na era FHC, diz Ildo Sauer
Por Maurício Dias

A crise política criada pela nacionalização das refinarias na Bolívia é uma das grandes evidências da reversão da hegemonia neoliberal no continente. Na lógica geral do movimento, o projeto de desenvolvimento do gás boliviano estava ancorado no desenvolvimento do mercado brasileiro, com risco assumido integralmente pela Petrobras. O objetivo, como lembra Ildo Sauer, diretor de Gás e Energia da Petrobras, era o de “viabilizar a monetização de reservas” que foram apropriadas por algumas empresas, a partir de acordos com o ex-presidente boliviano Gonzalo Sánchez de Lozada. Progressivamente os recursos da estatal boliviana YPFB tornaram-se recursos privados das multinacionais.
Inicialmente, bem no início dos anos 90, o objetivo era outro. Tratava-se, efetivamente, de um acordo de cooperação entre Brasil e Bolívia. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, como ministro das Relações Exteriores, assinou as primeiras notas reversivas que deram nova figuração ao projeto. Essa mudança, segundo Sauer, “fez da Petrobras o instrumento de políticas neoliberais que, no fim de 2002, projetaram um prejuízo de aproximadamente 1,5 bilhão de dólares para a empresa”. Sauer, 51 anos, professor titular do Instituto de Energia Elétrica da Universidade de São Paulo, nesta entrevista a CartaCapital revela parte dessa história e conta como a
Petrobras conseguiu baixar o prejuízo da empresa, estimado agora em torno de 500 milhões de dólares.

CartaCapital: A decisão de suspender os investimentos na Bolívia não é uma medida dura demais?

Ildo Sauer: Na verdade, desde 2003 o investimento da Petrobras na Bolívia tem sido muito pequeno. Havia um clima de incerteza política que nos levou à cautela. Antes da posse de Morales havia um clima de incerteza total, inclusive com a deposição de um presidente. A relação estava difícil. Dos cerca de 1 bilhão de dólares investidos de 1996 a 2005, o governo Lula só é responsável por algo em torno de 90 milhões de dólares. Ou seja, menos de 10%. A relação empresarial e o ambiente político complicado precedem a posse de Morales.

CC: Foi um investimento errado?

IS: Absolutamente. Foi correto, na direção certa, dentro da concepção inicial de cooperação entre dois países. Não houve erro em produzir e consumir gás natural. Posteriormente, mudou a lógica que estava por trás daquele processo. E tudo ficou subordinado à lógica neoliberal da monetização. Fazer dinheiro fácil e rápido com os recursos naturais da Bolívia. Tudo articulado com o mercado brasileiro, onde havia, também, um governo operando com a mesma lógica. O paradigma supremo desse comportamento era a Enron, que, por sinal, faliu.

CC: Como a Petrobras, empresarialmente, analisa a decisão de nacionalização?

IS: A Petrobras foi tratada inamistosamente pelo governo Sánchez de Losada. Ele não nos dava acesso a coisa nenhuma para a privatização. A história do uso do gás boliviano é antiga. Desde os anos 30 e 40. Nos anos 60 a própria Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) encomendou estudos, desenvolvidos por Joaquim de Carvalho. Ele concluiu, naquele tempo, que em razão da escala, do volume, dos custos do gasoduto, não valia a pena. Em 1992, o então presidente Fernando Collor assinou, inclusive, um acordo no âmbito da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), um instrumento dos anos 80 que dá proteção ao incremento das trocas comerciais entre os países.

CC: Como foi mudado o curso dessa história?

IS: Foram feitos diversos acordos suplementares, consolidados por um acordo principal formalizado, em 1996, no governo Fernando Henrique Cardoso. Há, por sinal, notas reversais assinadas por ele como ministro das Relações Exteriores. Criou-se todo um arcabouço institucional que previa, inclusive, a privatização do Gasoduto Bolívia–Brasil. Era um compromisso assinado pelo então ministro Raimundo Brito, no primeiro governo Fernando Henrique. Houve, também, um aditivo em 2000 que configura bem essa mudança. Resolveram aumentar o volume de gás boliviano importado para atender ao que seria um mercado industrial de gás no Brasil. Isso atendia a empresas do tipo Enron – uma das estrelas do movimento neoliberal – que buscavam poucos ativos e muita ação. Sempre com um garantidor. O risco era assumido por alguém, embora anunciassem que o risco era contido pelo próprio projeto que se auto-sustentava.

CC: E nesse caso, quem foi?

IS: Foi a Petrobras. Os dois riscos. O da compra de gás que permitiu todos os investimentos e desenvolvimento do mercado de gás na Bolívia e o da construção do gasoduto. O próprio gasoduto foi feito com a garantia da Petrobras. Embora ele pertença 49% a investidores privados, que aportaram 180 milhões dos 2 bilhões de dólares, coube à Petrobras o ônus de desenvolver o mercado de gás que, no fundo, garantia a receita que sustenta toda a festa anterior.

CC: O que coube à empresa?

IS: A Petrobras ficou com a obrigação de desenvolver mercado. Isso foi feito em duas etapas. A primeira delas, em 1996, previa a compra de 16 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Naquele tempo se dizia o seguinte: um gasoduto que não tinha mercado garantido de um lado e nem o gás era garantido pelo lado oposto. Em 2000, o governo Fernando Henrique voltou à carga. Uma senhora chamada Rebecca Marques, estrela da Enron, que transitava com desenvoltura em influentes gabinetes públicos da Bolívia e do Brasil, organizou os interesses e a importação de gás foi ampliada para até 30 milhões de metros cúbicos por dia.

CC: Mas havia demanda para isso no Brasil?

IS: Isso foi feito, basicamente, para ancorar o programa de termoelétricas que virou, ao final, um grande fracasso. Tanto que o ano de 2002 foi encerrado com a projeção de um enorme prejuízo. Cerca de 1,5 bilhão de dólares que, hoje, reduzimos para alguma coisa em torno de 500 milhões de reais. Entramos no ano de 2002 com racionamento e, portanto, com queda no consumo de energia elétrica. Por outro lado, o choque cambial de 1999 tinha deteriorado completamente a competitividade do gás natural e o petróleo estava cotado entre 18 e 20 dólares o barril. Naquele momento era até explicável, do ponto de vista estritamente competitivo, que usinas movidas a gás pudessem competir com as hidráulicas. Quando o câmbio explodiu, com o combustível em dólar, a tecnologia em dólar, provocou uma deterioração em todas essas relações do contrato de suprimento de gás. A Petrobrás ficou com um contrato na mão com a obrigação de retirar já nos meados de 2003 cerca de 24 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Estava retirando 9 milhões e as termoelétricas não tinham entrado em funcionamento como previsto. Mas a empresa tinha de pagar por 24 milhões na produção e, no transporte, por 30 milhões de metros cúbicos por dia.

CC: E como esses nós foram desatados?

IS: Em 2002, antes da mudança de gestão, foi anunciada aquela expectativa de perda no negócio do gás e termoelétricas. O então presidente da Petrobrás Francisco Gros assinou um Fato Relevante que pode ser conferido na home page da empresa. Criamos o programa de massificação do uso do gás, congelamos o preço que pagaria se retirasse ou não, se transportasse ou não, e transferimos esse benefício para o mercado para que, mais rapidamente, absorvesse esse gás. Foi um benefício enorme. Em 2003 o petróleo oscilava entre 23 e 25 dólares o barril. O gás chegava por quase 17 ou 18 dólares o barril.

CC: A conjuntura de crise internacional favoreceu.

IS: Claro que fomos ajudados pelo avanço do preço do petróleo no mercado internacional que tornou o gás altamente competitivo. Competitivo ainda hoje, mesmo com os aumentos recentes vinculados ao preço do óleo, mais o preço de transporte. O gás chega ao Brasil a um preço inferior a 30 dólares o barril equivalente. E substitui derivados de petróleo que têm o valor vinculado ao petróleo, hoje com preço superior a 70 dólares o barril. Essa é a razão pela qual há uma ansiedade pelo gás. Isso dá à indústria competitividade e melhora a qualidade ambiental e a qualidade de alguns produtos como o vidro, a cerâmica e outros.

CC: A Bolívia agora vai, no mínimo, forçar a renegociação de preços. Para mais, evidentemente... IS: Em 2003, nós iniciamos conversas de renegociação de preços para menos. Não era competitivo. A previsão era de 300 milhões de dólares anuais só nesse negócio. Saímos disso através do desenvolvimento do mercado e graças à conjuntura internacional.

CC: Mas e a renegociação...?

IS: Não teve sucesso. Está aberta até hoje quando a Bolívia, inversamente, diz que vai invocar os mesmos mecanismos para pedir aumento.

Em discurso pronunciado na cidade de Aimorés, o presidente Lula procurou tranqüilizar os consumidores de gás, dizendo que se houver aumento ele será absorvido pela Petrobrás.

5. Petrobrás absorverá eventual aumento do preço do gás, diz Lula (do portal Yahoo)
Se houver um reajuste no preço do gás para o país, a Petrobrás deverá absorver esse aumento, informou nesta sexta-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"Eu não tenho dúvida nenhuma de que o gás não vai aumentar e, se aumentar, vai aumentar para a Petrobrás e não para o consumidor brasileiro", disse o presidente em discurso durante inauguração da usina hidrelétrica Eliezer Batista, em Aimorés, Minas Gerais.
Lula defendeu sua postura de negociar a situação delicada para o Brasil e para a estatal brasileira criada pela nacionalização do setor de gás e petróleo na Bolívia no início da semana, ao invés de partir para a confrontação.
"Tem gente que acha que só ser duro resolve o problema, eu às vezes acho que ser carinhoso resolve mais do que ser duro", afirmou o presidente.
"A Bolívia é o país mais pobre da América do Sul, precisam de ajuda e não de arrogância. E nós também precisamos de respeito e de consideração", acrescentou, recebendo aplausos.
Lula também informou ter dito ao presidente boliviano, Evo Morales, que não havia necessidade de os militares invadirem as instalações da estatal brasileira no país vizinho.
"Não precisa ter mandado o Exército cercar a Petrobrás porque nós temos endereço, temos residência fixa."
No pronunciamento, Lula ressaltou ainda que "precisamos ter consciência de que a Bolívia vai cumprir os seus contratos com o Brasil".
(Por Natuza Nery)

Já a Petrobrás diz que não aceita aumento. Se se fala tanto em negociação, é claro que não se pode chegar à mesa de negociações com posições tão inflexíveis assim.
do portal Carta Maior

6. Petrobrás negocia, mas diz que não aceita aumento no preço do gás Empresa rechaça a possibilidade de apagão ou de adoção de um plano de contingenciamento, garante que o fornecimento de gás vindo da Bolívia não será interrompido e exibe dados que demonstrariam que o Brasil não sofrerá impacto econômico relevante com a nova lei boliviana. > LEIA MAIS Internacional

Este artigo talvez seja o mais esclarecedor. Mostra porque e quando (governo FHC) a Petrobrás entrou nesse “buraco negro”. Mostra, principalmente, que a Dona Miriam Leitão (que sempre fica preocupada em conversar com o mercado) esqueceu de fazer uma coisa simples: ler o decreto e toda a legislação boliviana para entender que Evo Morales apenas baixou uma norma para dar eficácia a artigos da Constituição boliviana, artigos esses que haviam sido aprovados antes mesmo de ele assumir o poder.

7. Lei boliviana desmente cobertura mídia brasileira

A imprensa brasileira, em sua maior parte, saiu atirando antes de examinar a legislação boliviana. Não há nenhuma desapropriação ou arresto de bens da Petrobras. Existe é uma luta para garantir maiores ganhos ao Estado de um país pobre. > LEIA MAIS Internacional

Jose Paulo Kupfer, do site http://www.nominimo.ibest.com.br/ mostra o descalabro daqueles que anunciam o apocalipse por causa da atitude do governo boliviano.

8. Não espanta o escândalo em torno da nacionalização do petróleo e do gás boliviano. Análises consistentes e coerentes é tudo o que não se pode pedir dos opinadores nacionais. O quadro de caos no abastecimento de gás, pintado pelos artistas da conversa fiada, é um objeto vazio. Um balão de gás, com as devidas desculpas pelo trocadilho infame, sustentado na leveza dos argumentos de ocasião. O corte no fornecimento é hipótese mais do que remota e, ainda que viesse a ocorrer, afetaria apenas parcial e limitadamente as atividades econômicas e o cotidiano no Brasil. Mesmo um aumento nos preços do gás boliviano, esta sim uma possibilidade mais concreta, esbarra em limites não muito elásticos.Para uma avaliação mais serena dos acontecimentos, sugere-se separar a questão energética das trapalhadas de uma política diplomática que, adubada por um composto de ingenuidade e megalomania, tem produzido uma safra de desastres e frustrações. Os mercados financeiros, capazes de tudo menos de queimar dinheiro, entenderam direitinho a diferença. Já no primeiro dia útil depois da nacionalização do gás, que atingiu em cheio os negócios da Petrobras na Bolívia, as ações da companhia brasileira até subiram na Bolsa de São Paulo.O peso do gás boliviano no total da oferta de gás no Brasil é alto – chega a 50%. Mas o peso do gás no total da matriz energética brasileira ainda é baixo – não chega a 10%. Isso significa que menos de 5% do consumo de energia no Brasil depende do gás boliviano. Há setores mais dependentes, como o vidreiro e o de cerâmica, que recentemente completaram programas de conversão de óleo combustível, mais caro e mais poluente, para o gás natural. Mas esta situação não é generalizada na indústria. E menor ainda é o peso do gás boliviano em outras atividades do dia-a-dia. Uma interrupção no fornecimento de gás boliviano, em resumo, seria um transtorno, mas a coisa ficaria longe do fim do mundo que alguns andaram desenhando. O que os especialistas consideram, na maioria esmagadora dos casos, é a possibilidade de um aumento nos preços. Não há muita discordância também nesse ponto. Mais do que uns 30% de aumento nos preços, dizem eles, tornará o negócio desinteressante para as empresas estrangeiras que exploram o gás na Bolívia. O gás boliviano custa hoje US$ 3,5 por milhão de BTUs (a medida de energia em que são firmados os contratos de fornecimento) na boca do poço, chegando aqui por US$ 5,20. Se esticar a corda toda, a Bolívia conseguiria puxar os preços, de acordo com técnicos independentes, para um máximo de US$ 5 na boca do poço, correspondentes a US$ 7 na ponta dos usuários. Além disso, a corda estouraria. Detalhe: há quase unanimidade em considerar que, principalmente depois da atual puxada nas cotações do petróleo, o produto boliviano ficou muito barato. Mesmo com os preços esticados até US$ 7 dólares por milhão de BTUs, seu preço continuaria inferior ao praticado no mercado internacional, onde o gás natural é negociado entre US$ 7,5 e US$ 8. Embora tenha ocupado os campos de produção explorados por multinacionais, numa ação em que jogou obviamente para as arquibancadas locais, o presidente boliviano, Evo Morales, não tem muitas fichas para apostar no endurecimento do jogo. No caso do Brasil, nem se fala. Só a Petrobras já investiu na Bolívia o equivalente a 20% do seu PIB e os contratos de exploração de gás são fundamentais para a economia do vizinho. “O Brasil pode viver sem o gás da Bolívia, mas os bolivianos não podem viver sem vender gás para o Brasil”, resume o economista Adilson de Oliveira, do Instituto de Economia da UFRJ, reconhecido especialista em economia da energia.Com o lance de Morales, comprova-se, mais uma vez, que a diplomacia de Lula errou feio ao considerar que poderia levar seus vizinhos falastrões no gogó. É bem possível que tais erros tenham origem num projeto meio jeca, meio fantasioso de liderança regional do operário que, ao chegar lá, não tem sido capaz de conter a hiperinflação do próprio ego. Só não vale, como querem seus críticos mais descabelados, ofender a realidade econômica para fazer prevalecer seu ponto de vista político.É bom acostumar porque esta não foi a primeira e provavelmente não será a última vez em que o fim do mundo econômico será anunciado. Também não seria o caos com a substituição de Antonio Palocci por Guido Mantega? Bem, em meio à crise com a Bolívia, quando a agenda de Palocci era preenchida por depoimentos em inquéritos policiais, o dólar chegou ao ponto mais baixo desde 2001, a Bolsa superou seu próprio recorde de valorização e o risco-país desceu para os níveis mais baixos já conhecidos. Os famosos “fundamentos” lá deles estavam cada vez melhores. E eles, os arautos do anterior fim do mundo econômico, esperando a hora de anunciar o próximo – este aí do gás boliviano.

Flávio Aguiar faz algumas comparações pra lá de interessantes. Confira:

9. Flávio Aguiar

Ocupações e ocupações

O gesto intempestivo de Morales me lembrou outro. Que não foi intempestivo, mas cuidadosamente planejado. Em maio de 1995, Fernando Henrique Cardoso mandou o Exército ocupar 53 campos produtores, dutos e refinarias no país, diante da greve dos petroleiros. - 08/05/2006

10. E Maringoni comenta o que a mídia brasileira tem feito no que se refere às decisões de Evo Morales. Segundo ele, nossa mídia está sedenta de sangue e exige do governo atitudes que não deveriam ser sequer pensadas, quanto mais escritas!

A mídia brasileira está cada vez mais venezuelana

No episódio da nacionalização dos hidrocarbonetos bolivianos, mídia queria sangue. Como os fatos desmentem sua conduta, o problema, para a revista Veja, a Folha e o Estadão, está com os fatos. - 08/05/2006



Emir Sader levanta bandeira contrária aos alarmistas de plantão, afirmando que Brasil e Bolívia tem muito a lucrar se ambos estiverem unidos aos demais sul-americanos no sentido de criar uma área integrada. Do contrário, sobraria apenas a idéia da ALCA, que, definitivamente não nos interessa. Marco Cepik levanta as alternativas a esse projeto de integração sul-americana. E Mauro Santayana apresenta suas dúvidas.

11. Emir Sader

Brasil-Bolívia: mais e não menos integração

O Brasil não deve ceder às pressões conservadoras que buscam explorar sentimentos chauvinistas, mas avançar ainda mais e de forma mais decidida, no processo de integração regional. - 02/05/2006

12. QUAL INTEGRAÇÃO

Mercosul, ALBA, integração sul-americana: quais os desafios da política externa?O Brasil reagiu bem aos acontecimentos da Bolívia, mas vivemos uma crise que envolve o futuro do Mercosul e do projeto da Comunidade Sul-Americana de Nações, avalia Marco Cepik, pesquisador na área de política internacional e integração regional e professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. > LEIA MAIS Internacional 03/05/2006• Uruguai nega saída do Mercosul, mas insatisfação é crescente

13. Mauro Santayana

Nem unidos, nem dominados

Estamos vivendo momento singular e difícil no continente. A realidade, com a reação de Morales contra o Brasil, no caso da Petrobrás, e de Vazquez, no caso do Uruguai, mostra que a integração política e econômica da América Latina é ainda utópica. - 03/05/2006


NOTICIAS

1. UFC - Estão abertas ate' 9/5/2006 as inscrições para o concurso publico para professor adjunto do setor de estudos Pratica de Ensino em Historia, no Departamento de Historia da Universidade Federal do Ceara' (UFC). Mais informações em www.ufc.br ou pelo tel.: (85) 4009-7738.-

2. UFV - Estão abertas ate' 22/5/2006 as inscrições para o concurso publico para professor adjunto da Universidade Federal de Viçosa (UFV), na 'área de Historia da América. Mais informações em www.ufv.br.

INFORME ANPUH

Associação Nacional de História - Nº 07/2006 – 06/05/2006

1. MANIFESTOS

Conheça as manifestações do Forum de Coordenadores de Programas de Pós-graduação em História e do Departamento de História da Unicamp em apoio ao trabalho desenvolvido pelo Comitê da Área de História e por seu representante, Prof. Guilherme Pereira das Neves, e de apreensão face às recentes deliberações do Conselho Técnico Científico da CAPES relacionadas à aprovação de novos cursos de pós-graduação na área de história.

2. EVENTOS

Publicada a Primeira Circular do VIII Corredor de las Ideas del Cono Sur "América Latina en vísperas del Bicentenario: Balance y proyección de dos siglos", que será realizado na Universidade de Talca, Chile, de 3 a 6 de janeiro de 2007. + Detalhes

Estão abertas desde o dia 30/4 as inscrições (até o dia 15 de maio) para o II Congresso Paulista de História da Medicina, através do site http://www.fcmscsp.edu.br/. O Congresso acontecerá de 15 a 18 de Junho de 2006 na Santa Casa de São Paulo, r. Dr. Cesário Mota Junior, 112, promovido pela Sociedade Brasileira de História da Medicina SBHM e Santa Casa de Misericódia de São Paulo e apoio da UNIFESP.

Em sua 4ª edição, a Semana Nacional de Museus de 2006, promovida pelo Governo Federal, por intermédio do IPHAN do Ministério da Cultura e com o apoio da Associação Brasileira de Museologia, do Conselho Federal de Museologia e do Comitê Brasileiro do Conselho Internacional de Museus, será comemorada de 15 a 21 de maio, trazendo o tema “Museus e Público Jovem”. São mais de 1.200 eventos promovidos por 436 instituições de todos os estados e do Distrito Federal, evidenciando a capacidade de mobilização dos museus e a capilaridade da Política Nacional de Museus. Para programação de sua cidade ou Agenda Comemorativa, acesse: www.revistamuseu.com.br

GT de Estudos Célticos – primeiras abordagens (Coord. Ana Donnard [UFMG] e Adriene Baron Tacla [St Cross College, Oxford]) que terá lugar no XI Simpósio Nacional de Letras e Lingüística e 1º Simpósio Internacional de Letras e Lingüística do Instituto de Letras e Lingüística da Universidade Federal de Uberlândia, de 22 a 24 de Novembro de 2006. Os Estudos Célticos são, por sua natureza própria, multidisciplinares e transnacionais. Proporcionam, portanto, um grande leque de abordagens desde a antiguidade até a modernidade, sabendo-se que a marca distintiva em relação às outras disciplinas é a recorrente discussão sobre o termo Celta/Céltico e seus desafios historiográficos, arqueológicos e ideológicos. Maiores informações no site do evento http://www.ileel.ufu.br/silel2006/

3. DEFESAS DE DISSERTAÇÃO & TESE
Foi defendida em 10/4/2006, no Programa de Pós Graduação em História das Ciências, da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, a dissertação de mestrado intitulada "A política biológica como projeto: A 'eugenia negativa' e a construção da nacionalidade na trajetória de Renato Kehl (1917-1932)", de Vanderlei Sebastião de Souza. Foi orientador o Prof. Dr. Robert Wegner.

4. CONCURSOS

Estão abertas as inscrições para o concurso de História do Brasil e África na UNESP, Campus de Assis, no período de 19/4 a 18/5/2006. O edital encontra-se no seguinte endereço: http://www.assis.unesp.br/concursos/EDITAL%20079-2006.pdf

Estão abertas as inscrições para Professor Adjunto do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro - 2006. Maiores informações no site: https://www.ifcs.ufrj.br/concursos/concurso_publico.htm

5. CURSOS

Solicito divulgação para o curso Gestão de arquivos e o controle de documentos que tem como público alvo profissionais das áreas de história, arquivologia, ciências da informação, administração e biblioteconomia. Informações podem ser obtidas no link:O índice analítico da documentação referente a Africa, Ásia e Oceania do acervo do IHGB está publicado na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro Nº 427. Coordenado pela Prof. Regina Wanderley contém 1699 documentos com índices toponímico, onomástico e de assuntos. O índice é um produto do convênio CONARQ/UERJ/ IHGB. Os interessados devem dirigir-se http://br.f373.mail.yahoo.com/ym/Compose?To=ighbpresidencia@globo.com.br ou IHGB Av. Augusto Severo , 8 , Lapa, RIo de Janeiro Cep 20021-040

7. LANÇAMENTO DE LIVROS

A MAUAD Editora, a EDUFES e a UFRJ, e os organizadores Gilvan Ventura e Norma Mendes, convidam para o lançamento do livro Repensando o Império Romano: Perspectiva Sócioeconômica, Política e Cultural, dia 15/5/2006, às 18h, no evento História Antiga em Vídeo, na UERJ, IFCH-Departamento de História, Hall do 9o. andar.

Lançado o livro Evolução da Sociedade e Economia Escravista de São Paulo: de 1750 a 1850, de Francisco Luna e Herbert S. Klein (Edusp, 280pp. ISBN: 853140844X) Francisco Vidal Luna é professor aposentado da Faculdade de Economia e Administração da USP; Herbert S. Klein é professor doutor do Departamento de História da Universidade de Columbia, em Nova Iorque (EUA).

Foi lançado o livro Os caminhos da riqueza dos paulistanos na primeira metade do oitocentos, de Maria Lucília Viveiros Araújo. (HUCITEC, 2006, 223pp. ISBN: 8527106884). O livro trata da formação da capital de São Paulo. Em especial das estratégias de sobrevivências e ascensão social das primeiras gerações de paulistas com projeção "nacional". http://www.hucitec.com.br/produto.asp?categoria_id=7&id=1354

8. CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO DE ARTIGOS:

História Antiga: contribuições ibero-americanas, de Pedro Paulo A. Funari, Dionísio Pérez e Glaydson José da Silva (organizadores). A pesquisa sobre o mundo antigo, no mundo ibero-americano (Portugal, Espanha, e países de língua espanhola e portuguesa), tem se destacado, nos últimos anos, no contexto da renovação do conhecimento da Antigüidade. Os países de tradição ibérica apresentam contribuições originais, tanto do ponto de vista das temáticas, como dos objetos de estudo e, por isso mesmo, sua produção tem despertado interesse mesmo em outros ambientes acadêmicos. Neste contexto, insere-se o projeto de livro sobre as contribuições ibero-americanas para o estudo da História Antiga. O livro procurará congregar o que há de mais original e criativo, no que se refere à História social, cultural, política e econômica do mundo antigo. Os organizadores do volume procederão à divisão dos capítulos em eixos temáticos, prepararão uma introdução e, em seguida, ainda em 2006, procederão à preparação dos originais para publicação. Espera-se poder publicar o livro em 2007. Os capítulos deverão ser enviados, em forma eletrônica, até 15 de julho de 2006. As normas e recomendações para aos colaboradores são as que seguem: (1) Os capítulos poderão ter, no máximo, 30.000 caracteres (com espaço), podendo incluir imagens originais de boa resolução (300 dpi); (2) O título do texto deve ser colocado no alto da primeira página; (3) As referências bibliográficas, no corpo de texto, deverão figurar entre parênteses e indicar o nome do autor, o ano da publicação e a página; e.g. (Eikhenhaum, 1970: 27). Recomenda-se a não utilização de notas de rodapé bibliográficas; (4) A bibliografia deverá ser colocada no final do texto; os agradecimentos deverão preceder a bibliografia citada; (5) Cada capítulo deve ser subdividido em itens, a cada 3 a 4 páginas, com uma introdução ao início e conclusão ao final; (6) Os originais devem ser encaminhados exclusivamente por e-mail para http://br.f373.mail.yahoo.com/ym/Compose?To=ppfunari@uol.com.br, http://br.f373.mail.yahoo.com/ym/Compose?To=ppfunari@terra.com.br, http://br.f373.mail.yahoo.com/ym/Compose?To=canisio@usal.es, http://br.f373.mail.yahoo.com/ym/Compose?To=sglaydson@hotmail.com, seguidos de uma autorização expressa na qual os proponentes cedem seus direitos autorais de publicação para os organizadores do volume até a data acima indicada.

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