Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

10.2.10

Numero 221






Meu amigo Guilherme Souto enviou este artigo, publicado no blog Viomundo do Azenha. Escrito por um norte-americano, dá o que pensar:

do site: viomundo.com

O jogo dos Estados Unidos na América Latina

Interferência dos Estados Unidos no Haiti e em Honduras são apenas os exemplos mais recentes das manipulações de longo prazo na América Latina

por Mark Weisbrot*, no jornal britânico Guardian

Quando eu escrevo sobre a política externa dos Estados Unidos em lugares como o Haiti ou Honduras, geralmente recebo respostas de pessoas que acham difícil acreditar que os Estados Unidos se preocupam suficientemente com esses países para tentar controlar ou derrubar seus governos. Estes são países pequenos, pobres, com poucos mercados ou recursos. Por que os formuladores de política de Washington deveriam se preocupar com quem os governa?
Infelizmente, eles se preocupam. Eles se preocuparam suficientemente com o Haiti para derrubar o presidente eleito Jean-Bertrand Aristide não apenas uma vez, mas duas. Da primeira vez, em 1991, foi feito de forma encoberta. Só descobrimos depois que as pessoas que lideraram o golpe foram pagas pela Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos. E então o Emmanuel Constant, o líder do mais notório esquadrão da morte -- que matou milhares de apoiadores de Aristide depois do golpe -- disse à rede CBS que ele, também, foi financiado pela CIA.

Em 2004, o envolvimento dos Estados Unidos no golpe foi muito mais aberto. Washington liderou um boicote de quase toda ajuda econômica internacional ao Haiti por quatro anos, tornando o colapso do governo inevitável. Como o New York Times informou, enquanto o Departamento de Estado dos Estados Unidos dizia a Aristide que ele deveria fazer um acordo com a oposição política (financiada por milhões de dólares de dinheiro do contribuinte americano), o Instituto Republicano Internacional [Nota do Viomundo: braço de política externa do Partido Republicano] dizia à oposição que não deveria fazer acordo.

Em Honduras no último verão e outono, o governo dos Estados Unidos fez tudo o que pôde para evitar que o resto do hemisfério fizesse uma política eficaz de oposição ao golpe em Honduras. Por exemplo, bloqueou uma decisão da Organização dos Estados Americanos de que não reconheceria as eleições que fossem realizadas sob a ditadura. Ao mesmo tempo, o governo Obama se dizia publicamente contrária ao golpe.

Isso foi apenas parcialmente bem sucedido, do ponto-de-vista das relações públicas. A maioria do público dos Estados Unidos acha que o governo Obama foi contra o golpe em Honduras, embora em novembro do ano passado foram publicadas várias reportagens e editoriais críticos dizendo que Obama tinha cedido à pressão dos republicanos e não tinha feito o suficiente. Mas isso era uma leitura equivocada do que aconteceu: a pressão republicana de apoio ao golpe hondurenho mudou a estratégia de relações públicas do governo Obama, não sua estratégia política. Quem acompanhou os eventos de perto desde o início pode ver que a estratégia política era bloquear e adiar quaisquer tentativas de restaurar o presidente eleito [Manuel Zelaya], enquanto se pretendia que o retorno à democracia era o verdadeiro objetivo.

Entre os que entenderam isso estavam os governos da América Latina, inclusive os peso-pesados como o Brasil. Isso é importante porque demonstra que o Departamento de Estado estava disposto a pagar um preço político significativo para ajudar a direita em Honduras. Isso convenceu a grande maioria dos governos da América Latina de que [o governo Obama] não era diferente do governo Bush em seus objetivos no hemisfério, o que não é um resultado prazeiroso do ponto-de-vista diplomático.

Por que se preocupar com a forma com que esses países pobres são governados? Como qualquer bom jogador de xadrez sabe, os peões contam. A perda de alguns peões no começo de um jogo pode fazer a diferença entre quem vence e quem perde. Eles olham para esses países como uma questão de poder bruto. De governos que concordam com a maximização do poder dos Estados Unidos no mundo, eles gostam. Daqueles que tem outros objetivos -- não necessariamente antagônicos aos Estados Unidos -- eles não gostam.

Não é surpreendente que os aliados mais próximos do governo Obama no hemisfério são os governos direitistas da Colômbia ou Panamá, embora Obama não seja ele próprio um político de direita. Isso demonstra a continuidade da política de controle. A vitória da direita no Chile, a primeira vez que venceu uma eleição em meio século, foi uma vitória significativa para os Estados Unidos.
Se o Partido dos Trabalhadores de Lula perder a eleição presidencial no Brasil no outono, isso seria outra vitória para o Departamento de Estado. Embora autoridades do Departamento de Estado sob Bush e Obama tenham mantido uma postura amigável em relação ao Brasil, é óbvio que eles se ressentem profundamente das mudanças na política externa brasileira que aliaram o Brasil a outros governos social-democratas do hemisfério e se ressentem da posição independente do Brasil em relação ao Oriente Médio, ao Irã e a outros lugares.

Os Estados Unidos intervieram na política brasileira tão recentemente quanto em 2005, organizando uma conferência para promover mudanças legais que tornariam mais difícil para legisladores mudar de partido. Isso teria fortalecido a oposição ao Partido dos Trabalhadores (PT) do governo Lula, já que o PT tem disciplina partidária mas muitos políticos da oposição, não. Essa intervenção do governo dos Estados Unidos só foi descoberta no ano passado através de um pedido de informações sob o Freedom of Information Act [Nota do Viomundo: Lei americana que permite obter, na Justiça, informações sigilosas do governo] apresentado em Washington. Há muitas outros intervenções por todo o hemisfério das quais não sabemos. Os Estados Unidos tem estado pesadamente envolvidos na política do Chile desde os anos 60, muito antes de organizar a derrubada da democracia chilena em 1973.

Em outubro de 1970, o presidente Richard Nixon andou gritando no Salão Oval, sobre o presidente social democrata do Chile, Salvador Allende: "Aquele filho da puta!", disse Richard Nixon no dia 15 de outubro. "Aquele filho da puta do Allende -- vamos esmagá-lo". Algumas semanas depois ele explicou:

A maior preocupação no Chile é que [Allende] consolide seu poder e a imagem projetada para o mundo será de seu sucesso... Se deixarmos líderes em potencial da América do Sul pensarem que podem se mover como o Chile, teremos dificuldades.

Este é outro motivo pelo qual peões contam e o pesadelo de Nixon se tornou verdadeiro 25 anos depois, quando um país depois do outro elegeu governos de esquerda independentes que Washington não queria. Os Estados Unidos acabaram "perdendo" a maior parte da região. Mas estão tentando ganhar de volta, um país por vez. Os menores e mais pobres e mais próximos dos Estados Unidos são os que mais correm risco. Honduras e o Haiti terão eleições democráticas um dia, mas apenas quando a influência de Washington sobre a política deles for reduzida.

* Mark Weisbrot é co-diretor do Centro de Pesquisa Política e Econômica de Washington

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A propósito, nesta semana, no site da Carta Maior, há uma análise muito interessante feita por Imanuel Wallerstein.
Wallernstein é conhecido em todo o mundo pelas suas análises críticas e contundentes. Neste artigo, publicado na Carta Maior, ele comenta sobre a política externa norte-americana e seus erros. Aliás, haja erros!!!

"EUA lêem erroneamente a política externa do Brasil"

Os Estados Unidos parecem não ter aprendido nada com os seus erros do passado em matéria de política externa. A principal jogada geopolítica de Obama até aqui foi converter a reunião do G-8 em uma reunião de um G-20. O grupo crucial que foi adicionado à reunião é o formado pelos chamados países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). O que os EUA oferecem ao Brasil é “associar-se” (na condição de sócio menor), a mesma oferta feita à Europa Ocidental e ao Japão no início dos anos 70. Desta vez, não se passarão 20 anos para que esse intento se mostre fracassado. O artigo é de Immanuel Wallerstein.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16386&boletim_id=644&componente_id=10758

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O Congresso Nacional tem a oportunidade de promover a Segunda Abolição da Escravidão no Brasil. Para isso, é necessário confiscar a terra dos que utilizam trabalho escravo. A expropriação das terras onde for flagrada mão-de-obra escrava é medida justa e necessária e um dos principais meios para eliminar a impunidade.
A Constituição do Brasil afirma que toda propriedade rural deve cumprir função social. Portanto, não pode ser utilizada como instrumento de opressão ou submissão de qualquer pessoa. Porém, o que se vê pelo país, principalmente nas regiões de fronteira agrícola, são casos de fazendeiros que, em suas terras, reduzem trabalhadores à condição de escravos - crime previsto no artigo 149 do Código Penal. Desde 1995, mais de 31 mil pessoas foram libertadas dessas condições pelo governo federal.
Privação de liberdade e usurpação da dignidade caracterizam a escravidão contemporânea. O escravagista é aquele que rouba a dignidade e a liberdade de pessoas. Escravidão é violação dos direitos humanos e deve ser tratada como tal. Se um proprietário de terra a utiliza como instrumento de opressão, deve perdê-la, sem direito a indenização.
Por isso, nós, abaixo-assinados, exigimos a aprovação imediata da Proposta de Emenda Constitucional 438/2001, que prevê o confisco de terras onde trabalho escravo foi encontrado e as destina à reforma agrária. A proposta passou pelo Senado Federal, em 2003, e foi aprovada em primeiro turno na Câmara dos Deputados em 2004. Desde então, está parada, aguardando votação.
É hora de abolir de vez essa vergonha. Neste ano em que a Lei Áurea faz 120 anos, os senhores congressistas podem tornar-se parte da história, garantindo dignidade ao trabalhador brasileiro.
Pela aprovação imediata da PEC 438/2001!
Até o momento, 166.653 assinaturas coletadas. A meta a 1.ooo.ooo.
Assine aqui.
http://www.trabalhoescravo.org.br/abaixo-assinado/

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Dois artigos sobre educação. O primeiro, aborda a criação da UNILA, o segundo é a continuação do que foi publicado no número passado, sobre “o processo imbecilizador da educação” em São Paulo.

Uma Universidade para a integração da América Latina

A criação da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) consolida a política brasileira de abertura ao continente, de resgate das identidades comuns e da busca de soluções autênticas para os problemas sociais da América Latina, com o respeito à diversidade cultural. A UNILA já é realidade, deixou de ser um projeto desafiador ou uma utopia daqueles que pensam e vivem o continente latino-americano. É uma grande novidade e deve ser motivo de orgulho e entusiasmo. O artigo é de Gisele Ricobom.
Gisele Ricobom (Publicado na Agência Carta Maior)
No último dia doze de janeiro o governo brasileiro deu um passo histórico e irrevogável no caminho da integração latino-americana. A sanção da Lei que cria a Universidade Federal da Integração Latino-Americana – UNILA consolida a política brasileira de abertura ao continente, de resgate das identidades comuns e da busca de soluções autênticas para os problemas sociais da América Latina, sempre com o respeito à diversidade cultural.
A UNILA já é realidade, deixou de ser um projeto desafiador ou uma utopia daqueles que pensam e vivem o continente latino-americano. É a grande novidade e deve ser motivo de orgulho e entusiasmo, pois sepulta no passado as práticas dependentistas e o pensamento subserviente a uma intelectualidade estrangeira e inatingível para a realidade do continente, cujas teses abstratas sempre ocultam as ideologias, em nome da neutralidade do saber.
A nova Universidade é resultado da iniciativa do Ministério da Educação que elaborou o projeto de Lei em 2007 e que instituiu em março de 2008 a Comissão de Implantação da UNILA, composta por especialistas de reconhecida competência e presidida pelo Professor Doutor Helgio Trindade, cujo currículo de excelência dispensa apresentações.
A Comissão fez trabalho primoroso, aprofundou as discussões sobre os objetivos e princípios da Universidade, reuniu-se com professores de diversos países e realizou uma consulta internacional a diferentes especialistas latino-americanos que puderam apresentar a compreensão e delimitar os desafios de uma Universidade voltada à integração latino-americana.
A criação do Instituto Mercosul de Estudos Avançados – IMEA também foi determinante para o processo de constituição da Universidade. O IMEA é verdadeiro laboratório de idéias que congrega acadêmicos de reconhecimento internacional com o objetivo de contribuir, planejar e pensar as atividades da UNILA.
No segundo semestre de 2009, o IMEA promoveu - na sede provisória da UNILA localizada no Parque Tecnológico da Itaipu, em Foz do Iguaçu - as Cátedras Latino-Americanas. Esses eventos atraíram profissionais, professores e estudantes de diversos campos do conhecimento para debate sobre temas mais relevantes da atualidade, o que permitiu verificar tendências e necessidades que poderão ser contempladas nos novos cursos. Foi transmitida pela rede mundial de computadores e pôde receber sugestões de espectadores distantes. Nomes como Ignacy Sachs, Aldo Ferrer, Carmen Guadilla, Miguel Rojas Mix, Celso Pinto de Mello, entre outros, estiveram na Unila e contribuíram desde suas perspectivas para a nova Universidade.
A mobilização e engajamento que o nome da UNILA desperta possibilitou alguns avanços rápidos. A parceria com a Universidade Federal do Paraná – UFPR, como entidade tutora, foi crucial para a realização das primeiras atividades. O apoio da Itaipu Binacional resultou na instalação da Unila em sua sede provisória e na doação do espaço da sede definitiva, em Foz do Iguaçu. O projeto arquitetônico foi realizado por Oscar Niemayer, que se sentiu tocado pela grandiosidade da proposta. E inúmeras foram as pessoas que se envolveram nos trabalhos iniciais, sempre movidos pelas expectativas que uma Universidade dessa natureza é capaz de provocar.Todo o trabalho já desenvolvido demonstra que o projeto pedagógico da Instituição está sendo pensado de forma criteriosa, contemplando uma variedade de pensamentos convergentes quando se trata de aliar ensino e integração, num espaço aberto e democrático, verdadeiramente sem fronteiras. A condução dos trabalhos é cuidadosa e se empenha em abrir desde o início os canais de comunicação necessários com os outros países, construindo as bases de um relacionamento duradouro e bem-sucedido.
Os desafios são imensos, pois a UNILA é uma instituição única no continente e possui compromissos que vão além das universidades tradicionais. Nasceu vocacionada para a integração, o que significa que deve interagir de forma nacional e transnacional, buscando o fortalecimento das relações entre os povos e valorizando o diálogo intercultural como metodologia de ação.
Para cumprir esses propósitos, a UNILA será bilíngüe (português e espanhol) e destinará metade das vagas para alunos latino-americanos, respeitando igual proporção para o corpo docente. A seleção dos alunos brasileiros ocorrerá pelo ENEM e exame semelhante deverá ocorrer nos demais países latino-americanos. Em seu pleno funcionamento a Universidade terá quinhentos professores e dez mil estudantes.
Os cursos de graduação e pós-graduação serão todos inovadores, não apenas em termos de currículo e metodologia de ensino, mas principalmente porque estão sendo estruturados para formar massa crítica capaz de dar respostas às vulnerabilidades da América Latina. Ao longo do tempo, cursos com esse perfil serão ofertados em todas as áreas do conhecimento, os primeiros no segundo semestre deste ano.
A história apenas se inicia. Vivemos um contexto de resgate de nossas capacidades perdidas, tentando superar o descrédito que um governo titulado impingiu às universidades públicas. Nesse campo, as políticas estatais estão consolidadas com a criação de treze novas universidades federais. A sociedade brasileira está preparada e certamente impedirá qualquer tentativa de retrocesso nesse sentido.
Gisele Ricobom é Doutora em Direitos Humanos e Desenvolvimento pela Universidade Pablo de Olavide e Professora Visitante da UNILA. (www.unila.ufpr.br)

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O “Processo Imbecilizador” da Educação em SP (2)


2. Uma insana metástase
"Não há outro inferno para o homem além da estupidez ou da maldade dos seus semelhantes." (Marquês de Sade)
O "Processo Imbecilizador" na rede oficial de educação pública de São Paulo constitui-se numa das políticas mais cretinas e eficientes por parte de um poder público irresponsável e fascista.
Num primeiro momento, o objetivo é fragmentar e pulverizar a categoria docente atribuindo-lhe uma política salarial de "bônus" individuais (até hoje não existe sequer um regra minimamente racional para se entender o misterioso processo de sua concessão!). A política de bônus serve apenas como um "cala boca", fragmentadora da mobilização dos docentes. Como sua concessão é aleatória, quem "ganha" o bônus acaba, por sua vez, sendo cooptado na ilusão de ampliação financeira em seus proventos. Mais uma vez, a Secretaria de Educação do Estado (SEE-SP) se aproveita do narcisismo primário dos professores e consolida sua política de desestabilização do funcionalismo público.
No segundo momento, busca-se responsabilizar os professores pelo caos na rede pública e deixar cada vez mais difíceis as condições de trabalho e sobrevivência dos docentes. É importante frisar os sistemáticos processos de humilhação dos professores contratados (os chamados OFA/ACT) que a cada ano convivem com a insegurança de sua vida funcional. Para piorar, agora precisam passar por "provinhas" anuais estapafúrdias para conseguirem algumas aulas. Outra humilhação de início de cada ano letivo é também o processo de distribuição/atribuição de aulas para estes professores. Além de conviverem com o fantasma do desemprego sob a ameaça de não poderem obter aulas se não "passarem" nas provinhas.
O terceiro momento é terceirizar ou diluir as atribuições dos professores dentro de uma unidade escolar com projetos completamente alienados no interior escolar. Um exemplo é o midiático e perdulário projeto "Escola da Família", onde a SEE-SP assume um papel lamentável de "cafetina educacional" para angariar jovens universitários da rede privada sem o menor preparo, motivação ou compromisso com a Educação para "atuarem na escola pública". Naturalmente, o resultado é o mais ridículo, alienado e inútil processo de ilusão educacional à custa do dinheiro públic
o, além de contribuir para ampliar a desvalorização do quadro docente.
A humilhação continua no quarto momento, que consiste na oficialização do arrocho salarial da categoria docente e imposição sistemática de provinhas para conquistar um ilusório aumento de salário. Destaca-se que nenhuma categoria de servidores públicos do Brasil passa por vexame humilhante e coube à alienação franciscana e beneditina do quadro docente assumir a serviçal postura de conceder aval às loucuras irresponsáveis dos gestores tucanos da SEE-SP. Como sucesso da campanha fascista da gestão tucana, a humilhação e a falta de amor-próprio por parte dos docentes é tamanha que não raro tais professores acham ser "importante passar por este tipo de avaliação"!
Merece breve menção outra maldição que impregna o inconsciente da classe docente: a tarefa sacerdotal da profissão ser vista como uma dádiva divina, tal como o processo de construção do heroísmo messiânico descrito na Bíblia sobre o martírio de Jesus Cristo, que percorreu a ferro, escárnio e seguidas humilhações a via crúcis (perfazendo as catorze estações) desde o Pretório de Pilatos até ser crucificado no Monte Calvário. Dentro dos limites do imaginário docente, cada professor carrega consigo a ambivalência do narcisismo docente e o sacerdócio divino. Nesta psicanálise metafísica do ofício docente, o professor se sente incapaz de sublevar com maior tenacidade as agruras que sobrecarregam suas costas no inimaginável submundo de seu pequeno campo de concentração educacional.
Escolas públicas depauperadas, arquitetura carcerária, política do silêncio, desqualificação docente, administração primitiva (operadas por diretores incompetentes, omissos ou corruptos, salvo algumas exceções) e aliando-se as condições subumanas de trabalho. Devido a uma variabilidade assimétrica originada pelo caos que é a rede pública estadual, cada unidade escolar poderá ter suas especificidades, porém as condições de precariedade são um fator comum a praticamente todas as escolas. Com uma política da "promoção automática" dos alunos imposta nos anos iniciais ainda na gestão tucana de Mario Covas, a ridicularização do trabalho docente ganhou maior desenvoltura ao ponto surreal de um aluno do final da Educação Básica, ou seja, o terceiro ano do Ensino Médio, sair com um diploma debaixo do braço e continuar sendo apenas um analfabeto funcional!
Clique aqui para ler a primeira parte deste artigo.
Wellington Fontes Menezes é professor da rede pública.
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Da miséria ideológica à crise do capital

O livro da cientista social Maria Orlanda Pinassi emerge, em tempos de ilusões pós-modernas, na oposição da apologética acadêmica niilista. Pinassi reflete sobre a incidência do conceito de decadência ideológica na atualidade, principalmente diante das ideologias que pregam o “fim da história”, o “fim da ideologia”, o “fim do trabalho”. O grande mérito da autora foi resgatar a categoria decadência ideológica como um dos mais férteis instrumentos da crítica marxiana-lukacsiana. A resenha é de Ricardo Lara, professor da Universidade Federal de Santa Catarina.
Leia em: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16384&boletim_id=643&componente_id=10741


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A Cidade Administrativa e "o povo que paga"
[José de Souza Castro]
O faraó de Minas constrói sua pirâmide, mas as terras do Egito ainda têm dono: o povo. E é ele que vai pagar.
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Abertas inscrições para 13º Congresso Brasileiro de Língua Portuguesa
Nos dias 29, 30 de abril e 1º de maio de 2010 acontece em São Paulo a 13º Congresso Brasileiro de Língua Portuguesa e o 4º Congresso Internacional de Lusofonia que têm como tema “Língua Portuguesa – aspectos linguísticos, culturais e identitários”.
Dirigidos a professores de Língua Portuguesa, graduandos, pós-graduandos e profissionais na área de Linguagem, os congressos têm como objetivos divulgar pesquisas na área, ampliar as reflexões sobre as atuais tendências dos estudos, promover a participação dos professores do ensino fundamental e médio na comunidade acadêmica, além de contribuir para o aperfeiçoamento dos professores de Língua Portuguesa.
A programação inclui mesas redondas, minicursos e sessões de comunicação. Entre os assuntos que serão abordados neste ano estão o acordo ortográfico, globalização e a área cultural luso-brasileira, políticas linguísticas e identidade nacional.
As inscrições estão abertas e devem ser feitas no site www.ippucsp.org.br.
Os sócios do SINPRO-SP têm desconto.

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Uma mensagem a todos os membros de Cafe Historia
MISCELÂNEA
Comunidade Acadêmica ganha Youtube
Instituições brasileiras se unem para lançar o portal de vídeos da comunidade científica, o Zappiens.br. Leia mais sobre essa iniciativa
A Democratização do Conhecimento
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A Importância do Ensino da História: Campo de estudos é fundamental para a construção do conhecimento histórico e também da consciência cidadã de todos os alunos
CAFÉ EXPRESSO NOTÍCIAS
Auschwitz resultou de uma modernização do discurso das massas - Ferran Gallego
FÓRUNS
Quais foram as principais contribuições da UDN para a democracia brasileira?
O que deve ser abordado na primeira aula de história do ano letivo?
Criacionismo e Evolucionismo - Como você lidaria com os dois temas em sala de aula?
Antigas metrópoles deveriam indenizar suas ex-colônias?
Dia Nacional do Historiador. O que você acha?
VÍDEOS
Museu da Língua Portuguesa - Série Monumentos de São Paulo
Entrevista sobre a História de Charqueadas (RS) - Antônio Saldino Pires
BLOG EM DESTAQUE
Memória da Imprensa - Beatriz Salinas conta mais sobre o lançamento do Arquivo Público do Estado de São Paulo. Confira:
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Visite Cafe Historia em: http://cafehistoria.ning.com/?xg_source=msg_mes_network
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ENCONTRO REGIONAL DE PRESERVAÇÃO E REVITALIZAÇÃO FERROVIÁRIA

11 a 13 de março - 2010
Sesc Pousada - Juiz de Fora - MG
PALESTRAS - DEBATES - INTERCÃMBIO DE EXPERIÊNCIAS
VEJA NO SITE DO MPF
Programação Preliminar - Informações Logísticas - Ficha de Inscrição
INSCRIÇÕES GRATUITAS ON LINE
Clique aqui:
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Já está disponível o novo número da Revista Espaço Acadêmico.
Dossiê Rastros de Alteridade:
Rastros de alteridade: artes de descrever
Pesquisa etnográfica com jovens e crianças na cidade do Recanto das Emas
Antropologia ao acaso dos encontros: experimentações com alguns colombianos em São Paulo e Barcelona
Narrativas (auto)biográficas como fonte para pesquisa antropológica
De guerrilheiros urbanos a escritores de ficção política: Brasil, 1977-1984
Autobiografia, trajetória e etnografia: notas para uma Antropologia da Ciência

Educação superior
(Re)pensar a Educação e o Ensino da Literatura

Especial: Governo Obama> primeiro ano
O primeiro ano de governo de Barack Obama: tempestades à toda volta
Os doze trabalhos de Obama
Paradoxos da política externa de Obama

O itinerário da fé na religiosidade do povo brasileiro
A voz do morro na voz de Bezerra da Silva.
Sobre a responsabilidade dos intelectuais: devemos cobrar-lhes os efeitos práticos de suas prescrições teóricas?
Promoção e divulgação no Brasil Império: Turismo na Monarquia
Resenhas de livros.
http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/issue/current/showToc

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Fórum 82:
Na Fórum de janeiro, entrevista exclusiva com Raquel Rolnik sobre a crise das cidades.
Confira também:
Os próximos passos na comunicação
Outro mundo possível, dez anos depois
A cruzada para negar o aquecimento global
A única forma de ser livre é conhecer a verdade - Daniele Cini, diretor do documentário "Nós que ainda estamos vivas", sobre as vítimas da ditadura argentina, fala sobre a justiça que ainda está para ser feita nos países da América Latina.
E muito mais.

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Tem gente que não acredita, mas os números estão ai...

A Classe "C" vai ao paraíso!

Os resultados estão aí, brotando do fundo da sociedade brasileira: entre 2003 e 2005, 27 milhões de pessoas mudaram de patamar social no Brasil, ascendendo para uma condição social superior, mais digna e mais humana. Também a desigualdade regional foi atacada e recuou nos últimos cinco anos. O Nordeste cresceu a um ritmo “chinês” atingindo 7.7% ao ano. Mesmo sofrendo os efeitos da crise, o país foi capaz de oferecer oportunidades e esperança de vida melhor para 91 milhões de brasileiros. O artigo é de Francisco Carlos Teixeira.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16389&boletim_id=644&componente_id=10756

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