Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

26.7.06

Número 050


Editorial

Abro o Boletim 50 da nova fase, em blog, com a reprodução de uma página do folder elaborado pela Prefeitura Municipal de Itabirito, que mostra o belo trabalho de restauração e preservação da Estação Ferroviária daquele município. Como se pode ler no folder, foi criado no local o Complexo Turistico da Estação que hoje abriga, entre outros, a Biblioteca Pública, a Sala dos Ferroviários, o Centro de Informação Turística.

Os itabiritenses estão de parabéns por este exemplo que é dado a todas as prefeituras que podem fazer trabalhos semelhantes, sem praticamente gastar um centavo sequer, utilizando patrocínios da iniciativa privada.

A preservação da memória ferroviária é um trabalho significativo que pode ser efetuado por historiadores, dai o nosso interesse em divulgar um curso de pós-graduação em História, Patrimônio Cultural e Turismo. Veja, ao final deste boletim, as informações sobre o curso. Há também a recomendação de um novo livro sobre Patrimônio, do Pedro Paulo Funari, na seção Livros e revistas.



A questão das cotas e do Estatuto da Igualdade Racial continuam na pauta. Mas, como observa muito bem Alberto Dines, do Observatório da Imprensa, há coisas preocupantes na maneira como se conduzem o Congresso e a Imprensa ao tratar da questão.

Muita discussão, muito desconhecimento
Por Alberto Dines em 24/7/2006
Comentário para o programa radiofônico do OI, 24/7/2006

As manchetes com as sentenças de Suzane e os irmãos Cravinho dominaram todo o fim de semana. Mas, sob o ponto de vista político, o que chamou a atenção foi a manchete da Folha de S.Paulo no domingo (23/7), com os resultados da sondagem do Datafolha sobre quotas raciais.

O resultado realmente surpreendente não é o percentual de pessoas que apóia as quotas. Não estava na primeira página, mas lá no meio do caderno "Cotidiano", sem destaque, estava a informação: menos da metade dos entrevistados pelo Datafolha conhece a proposta das quotas raciais e destes apenas 9% – nove por cento – declararam estar bem informados.

Sabemos que a tramitação do Estatuto de Igualdade Racial no Congresso leva tempo, mas a irada celeuma travada entre os dois grupos de intelectuais – contra e a favor das quotas – sugeria que o confronto chegara a toda a sociedade. Engano.
Conclusão: os intelectuais brigam, a mídia faz onda e a opinião pública não sabe de nada.


Creio que nos meses de agosto e setembro terei de postar uma menor quantidade de assuntos. Afinal, não temos como fugir do óbvio: as eleições no Brasil e, atualmente, a guerra no Oriente Médio. Com certeza não teremos como fugir de tais assuntos e por isso vou evitar tratar de muitos temas.

Falam amigos e amigas

1. Ana Cláudia Vargas, de São Paulo, me envia esta matéria da revista O Berro:

O exemplo de Ricardo
por TIÃO LUCENA.
O Brasil, que aprendeu a roubar logo cedo, decerto não sabe que em João Pessoa, na Paraíba, um prefeito devolve ao contribuinte o dinheiro do imposto pago a mais. E não faz isso forçado pela decisão do juiz. Faz por um dever de ofício e por ser honesto.
O prefeito é Ricardo Coutinho, do PSB. O dinheiro que está devolvendo, diga-se antes de mais nada, não foi tomado por ele. É dinheiro extorquido do cidadão em administrações passadas, que agora Coutinho devolve por não ser da Prefeitura.
A partir desta quarta-feira e até o caixa da Prefeitura zerar, as pessoas que tinham saldos a receber da Prefeitura referentes a impostos calculados a mais pela ganância dos matemáticos de antanho, podem se dirigir aos guichês, apresentarem os documentos pessoais e embolsarem o dinheiro que davam como perdido.
Um verdadeiro presente de São João. Um orgulho danado tinindo no peito da gente. Esse prefeito, de quem já divergi por motivos familiares, cativa-me pelo exemplo. Faz o dever de casa direitinho e, quando penso que não tem mais nada a mostrar ao povo, aparece com essa novidade. Onde já se viu devolver dinheiro a gente do povo? Aprendemos no Brasil que as chamadas autoridades tomam o que nos pertence na maior cada de pau e nunca falam em devolver. O prefeito Ricardo Coutinho, esse Ricardo compridão e feio que chegou na vida pública da Paraíba para mudar costumes e vícios, pega o que está guardado no cofre e manda de volta ao legítimo dono. É ou não é espantoso?
Se você mora fora daqui, venha ver de perto o que esse moço está fazendo na cidade de João Pessoa. Acabou com a bagunça das calçadas invadidas por camelôs, entregou de volta aos pessoenses as praças do jeito que eram no tempo de antigamente - ajardinadas, iluminadas, novinhas em folha -, restaurou os passeios, limpou as ruas, escondeu os esgotos, paga os salários dos servidores antes da data aprazada e ainda se dá ao desfrute de chamar os fornecedores para receberem as dívidas. João Pessoa está um brinco, um primor. E o mais interessante é que tem dinheiro para tudo isso, numa prova de que, como dizia outro prefeito dos bons que por aqui passaram, Damásio Franca, não levando para casa, dá e sobra.

2. E Cíntia Rocha me encaminha um texto retirado do blog da Soninha, a respeito do conflito no Oriente Médio:

22/07/2006 - Paz, democracia, negócios à parte

O governo dos Estados Unidos, sempre tão disposto em "garantir a paz” e "promover a democracia” pelo mundo, especialmente no Oriente Médio, sem medir esforços bélicos para tanto, não estaria interessado em fazer parte do grupo de países que enviaria tropas para uma “Força de Paz” no sul do Líbano. França ou Turquia poderiam comandar a força multinacional, enquanto Itália, Brasil, Índia e Alemanha seriam convidados a tomar parte, de acordo com os "funcionários em Washington e na ONU", que o Washington Post cita sem fornecer identidades. O embaixador dos Estados Unidos na ONU, John Bolton, disse ao jornal que "não está prevista a participação de tropas norte-americanas, que já estão presentes no Iraque, Afeganistão e Kosovo, embora não esteja excluído um apoio logístico dos Estados Unidos a essas forças internacionais no sul do Líbano”. A Secretária de Estado, Condolezza Rice, terá uma reunião em Roma para discutir quais seriam exatamente as atribuições dessa Força de Paz.

Mesmo com a argumentação de que eles não daria conta do esforço extra, é curiosamente incomum essa disposição para se manterem distantes da zona de conflito, não?

Enquanto isso... Deu no New York Times : “A administração Bush acelera a entrega de armas de precisão para Israel, que solicitou uma remessa urgente depois de começar sua campanha aérea contra alvos do Hezbollah no Líbano”. A decisão foi tomada com “pouco debate no governo”, disseram autoridades estadunidenses (que só concordaram em falar com a promessa de que seriam mantidas no anonimato). A remessa "faz parte de um pacote de vendas multimilionário aprovado no ano passado, ao qual Israel por recorrer quando precisar”. O pacote inclui “100 GBU-28’s, que são bombas de 5,000 libras guiadas a laser, voltadas para a destruição de bunkers de concreto". A solicitação para a entrega urgente de bombas e mísseis guiados por laser e satélite “foi descrita como inusual por autoridades militares, como uma indicação de que Israel ainda tem uma longa lista de alvos a atingir no Líbano”.

Claro é que a alegação é de que, com as armas de precisão, é possível atingir os alvos “certos” e “reduzir os danos à população civil", como diz o porta-voz da Embaixada de Israel em Washington. Mas pensar em força de paz ao mesmo tempo em que apressa a entrega de armas é uma ironia (ou hipocrisia?) impossível de ignorar.

PS: A página do Washington Post traz algumas coisas muito interessantes, ainda que seja, às vezes, pelo horror que causam. Por exemplo, uma imagem em 360º de um subúrbio de Beirute em ruínas //www.washingtonpost.com/wpdyn/content/panorama/2006/07/20/.html).

Tem também uma série de reportagens multimídia sobre “a construção, por Israel, de um complexo sistema de trincheiras para ajudar a deter ataques suicidas palestinos, examinado como esse sistema de cercas, muros e trincheiras afeta árabes e judeus”, e também depoimentos em áudio de um representante da Palestina e um de Israel explicando, naturalmente com pontos-de-vista bem diferentes, o que é o Hamas, como e quando foi fundado, quais são seus objetivos, por que é tão popular... (os dois quadros estão nesta página: http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/linkset/2005/04/14/LI2005041400716.html).

Para completar o giro que eu dei pela mídia estadunidense, a página da CNN (http://edition.cnn.com/2006/WORLD/meast/07/13/mideast/index.html)

traz uma matéria sobre o bombardeio a Beirute e uma enquete: “Você acha que a resposta militar de Israel dentro do Líbano é justificada?”. Quando eu votei, o “não” estava ganhando por pouco.

Esse texto foi retirado do blog da Soninha: http://blogdasoninha.folha.blog.uol.com.br/


Brasil

As eleições estão chegando. Já se observam os contornos daquela que será, a meu ver, a mais suja campanha eleitoral deste país. Uma direita furiosa usará de todos os meios para recuperar o poder perdido em 2002. A este propósito, é interessante ler o comentário(1) do sociólogo Gilson Caroni Filho. Principalmente se você, leitor(a) é jovem e não vivenciou certas mazelas do passado recente do país. Em seguida, o jornalista Mauro Santayana (2) nos brinda com uma análise semelhante. Para ler as matérias, basta clicar em cima do resumo. E Luis Weiss, do Observatório da Imprensa,(3) desnuda o objetivo do PSDB/PFL: é preciso ganhar o Jornal Nacional, da Rede Globo. Altamiro Borges (4) resume 45 razões para não votar no Alckmin. Se todas forem de fato verdadeiras, cai por terra o mito de que o Chuchu é eficiente e ético... O último artigo desta seção (5), também de Luis Weiss, do Observatório da Imprensa, elogia o trabalho jornalístico da Folha de São Paulo no que se refere à apuração das culpabilidades dos sanguessugas. Importante: afinal, a maioria, senão todos eles, estarão concorrendo às eleições em outubro. E precisamos NÃO votar neles e alertar todos os conhecidos para que não votem também!

1. Gilson Caroni Filho

Lula de novo (clique em cima do resumo abaixo para abrir a matéria)

Nunca é demais lembrar que, em política, é legítimo avaliar um acusado pela trajetória dos acusadores. Vale, então, reparar quem são muitos daqueles que abriram fogo contra Lula. São os mesmos que não hesitaram em apoiar o Golpe de 64, que sabotaram as Diretas Já, que apoiaram Collor e defenderam o programa neoliberal de FHC até o fim. - 19/07/2006

2. Mauro Santayana

O atropelo da urgência

O Sr. Bornhausen assumiu a responsabilidade perigosa de acusar o PT de manter ligações com o PCC. Ele é porta-voz dos que querem retomar o poder para continuar no processo de desnacionalização da economia brasileira, que, com todos os seus erros, o governo Lula estancou. - 18/07/2006

3. "Nosso objetivo se chama Jornal Nacional"
Postado por Luiz Weis em 20/7/2006 às 10:30:31 AM

As pesquisas pautam a mídia e o comando da campanha de Alckmin quer pautar o Jornal Nacional.
A ascensão de Heloísa Helena nas sondagens do Datafolha a fez “virar candidata”, como ela própria disse ontem. E pela primeira vez a senadora foi o prato do dia do noticiário eleitoral de hoje.
Mas a notícia mais quente do pedaço é a revelação de que os alckmistas querem “produzir notícias diárias que possam ganhar espaço no Jornal Nacional, da TV Globo”, como informa o Estadão – o único dos grandes jornais a contar a história.
O plano vazou porque, antes de serem convidadas a se retirar, as câmaras e microfones que registravam a inauguração do comitê central da candidatura em Brasília flagraram o presidente do PFL, Jorge Bornhausen, dizendo:
“É preciso mobilizar para entrar no Jornal Nacional… O Álvaro [Dias, senador pelo PSDB do Paraná] tem razão: nosso objetivo se chama Jornal Nacional. Quem ganhar no Jornal Nacional ganha a eleição.”
Entre políticos de todas as cores, essa é o que os americanos chamam sabedoria convencional. Como não, se o JN é o produto jornalístico mais popular do Brasil?
De qualquer forma, o ponto relevante é outro. Visto que a mídia eletrônica, para não ser punida por facciosismo, procura dar oportunidades iguais de exposição aos candidatos, a sua agenda cotidiana e, principalmente, as suas palavras, são pensadas antes de tudo para aparecer nos telejornais. Ou melhor, no JN.
A campanha, portanto, se reduz ao que os especialistas chamam “eventos para a mídia”. Ou seja, factóides.
O que deixa os telejornais numa saia justa. Por serem as emissoras concessões do poder público, não podem passar a impressão de discriminar os candidatos, “para mais ou para menos”.
Mas nem por isso podem vender ao espectador gato por lebre – fatos postiços em lugar de notícias substantivas – só para fazer praça de sua imparcialidade.
Isso em geral. No particular, agora que se sabe que o objetivo tucano-pefelista, enunciado por Bornhausen, “se chama Jornal Nacional”, o espectador-eleitor mais atento ao espetáculo midiático da política deve assistir ao JN com os olhos mais abertos do que nunca, para ver se o jornal, querendo ou não, acaba servindo ao objetivo alckmista.





4. Divulgado durante as eleições municipais de 2004, está circulando novamente pela internet um minucioso levantamento sobre os desastres causados pelos 12 anos de gestão tucana no Estado de São Paulo. É uma arma afiada que serve para quebrar a blindagem da mídia em torno de Geraldo Alckmin, que se gaba de ser um "administrador competente" e um "gerente eficiente". Relembrando o número da legenda do PSDB, o texto lista 45 razões para não se votar no candidato da oposição liberal-conservadora no pleito presidencial de outubro. O artigo a seguir apenas sintetiza e atualiza esta poderosa peça acusatória:

1- Em 1995, quando o PSDB assumiu o governo do Estado de São Paulo, a participação paulista no PIB era de 37%. Em 2004, ela era apenas de 32,6% - ou seja, o Estado perdeu 12% de participação na riqueza nacionalno tucanato. Isto significa menor crescimento econômico e menos geração de renda e empregos;

2- Segundo o Dieese, o declínio econômico explica a taxa de desemprego de 17,5% em 2004, que cresceu 33,6% ao longo do governo tucano. Ela é superior à média nacional - cerca de 10%. Para agravar o drama dosdesempregos, Alckmin ainda reduziu em R$ 9 milhões o orçamento das frentes de trabalho;

3- Antes de virar governador, Alckmin conduziu todo processo de privatização das estatais, que arrecadou R$ 32,9 bilhões entre 1995-2000. Apesar da vultuosa soma arrecadada, o Balanço Geral do Estado mostra que a dívida paulista consolidada cresceu de R$ 34 bilhões, em 1994, para R$ 138 bilhões, em 2004;

4- No exercício financeiro de 2003, as contas do Estado atingiram um déficit (receita menos despesa) de mais de R$ 572 milhões. E Alckmin ainda se gaba de ser um "gerente competente";

5- São Paulo perdeu R$ 5 bilhões na venda do Banespa, considerando o total da dívida do banco estatal com a União paga às pressas por Alckmin para viabilizar sua venda ao grupo espanhol Santander;

6- De 1998 a 2004, o orçamento estadual apresentou estimativas falsas de "excesso de arrecadação" no valor de R$ 20 bilhões. Boa parte deste dinheiro foi desviada para campanhas publicitárias;

7- Alckmin isentou os ricos de impostos. De 1998 a 2004, a arrecadação junto aos devedores de tributos caiu 52%, representando uma perda de quase R$ 1 bilhão que poderiam ser investidos nas áreas sociais;

8- Os investimentos também declinaram no desgoverno Alckmin. Sua participação percentual nos gastos totais caiu para 3,75%, em 2004 – bem inferior o montante de 1998, de 5,3% dos gastos;

9- Alckmin arrochou os salários dos servidores públicos. O gasto com ativos e inativos caiu de 42,51% das despesas totais do Estado, em 1998, para 40,95%, em 2004, resultado da política de arrocho e redução dascontratações via concurso público. Já os cargos nomeados foram ampliados na gestão tucana;

10- Alckmin não cumpriu a promessa do desenvolvimento regional do Estado. Das 40 agências previstas em 2003, nenhuma foi criada. Os R$ 5,8 bilhões orçados para o desenvolvimento não foram aplicados;

11- Alckmin cortou os gastos nas áreas sociais. Apesar do excesso de arrecadação de R$ 12 bilhões, entre 2001-2004, o governo deixou de gastar os recursos previstos. No ano de 2004, a área de desenvolvimento social perdeu R$ 123 milhões;

12- Alckmin concedeu regime tributário especial às empresas, o que explica a fragilidade fiscalizatória na Daslu, que teve a sua proprietária presa por crimes de sonegação fiscal e evasão de divisas. Vale lembrar que Alckmin esteve presente na abertura desta loja de luxo; ele até cortou a sua fita inaugural;

13- No desgoverno Alckmin, houve redução de 50% no orçamento do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que existe há 106 anos e é responsável por estudos sobre desenvolvimento econômico, geração de renda e fortalecimento da indústria paulista. Em julho passado, o IPT demitiu 10% dos seus funcionários;

14- Alckmin extinguiu o cursinho pré-vestibular gratuito (Pró-Universitário), deixando de investir R$ 3 milhões, o que impediu a matrícula de 5 mil alunos interessados na formação superior;

15- Alckmin vetou a dotação orçamentária de R$ 470 milhões para a educação. A "canetada" anulou a votação dos deputados estaduais. O ex-governador mentiu ao afirmar que investia 33% do orçamento em educação, quando só aplicava o mínimo determinado pela ConstituiçãoEstadual – 30%;

16- O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais avaliou que a qualidade do ensino paulista é o pior do Brasil. Segundo esta fonte oficial, a porcentagem de alunos que se encontram nos estágios crítico e muito crítico representava 41,8% do total de alunos - 86,6% pior do que a média nacional;

17- O programa de transferência de renda de Alckmin atendia 60 mil pessoas com um benefício médio de R$ 60. Durante a gestão da prefeita Marta Suplicy, o mesmo programa atendia 176 mil famílias com um complemento de renda de R$ 120;

18- Após 12 anos de reinado tucano, as escolas continuaram sem a distribuição gratuita de uniformes, material escolar e transporte, ao contrário da experiência na administração da prefeita Marta Suplicy;

19- Geraldo Alckmin, que na mídia se diz contra aumento de impostos, elevou a taxa de licenciamento dos veículos em mais de 200% (em valores reais) ao longo de seu desgoverno;

20- A Comissão de Fiscalização da Assembléia Legislativa rejeitou as contas de Alckmin de 2004, após encontrar um saldo de R$ 209 milhões de recursos do Fundef que jamais foram investidos na educação e verificar que o aumento custo das internações hospitalares, apesar da diminuição do tempo de internação;

21- Alckmin vetou projeto de lei que instituía normas para democratizar a participação popular em audiências públicas e na elaboração do orçamento, o que revela seu caráter autoritário e antidemocrático;

22- O investimento em saúde no desgoverno Alckmin não atingiu sequer os 12% da receita de impostos, conforme determina a Lei. Para maquiar esta ilegalidade, o governo retirou da receita estadual os R$ 1,8 bilhão que o governo estadual recebeu pela lei Kandir, prejudicando a saúde pública;

23- Desafiando a Lei e o próprio Tribunal de Contas do Estado, Alckmin contabilizou nas contas da saúde programas que não guardam relação com o setor, como a assistência aos detentos nas penitenciárias;

24- A ausência de políticas públicas e a redução dos investimentos resultaram na flagrante precarização dos serviços de saúde. Muitos leitos ficaram desativados e desocupados por falta de pessoal e material. Só no Hospital Emílio Ribas, menos de 50% dos leitos ficaramdesocupados e maioria deles foi desativada;

25- Devido à incompetência gerencial de Alckmin, o Hospital Sapopemba, que atende uma vasta parcela da população da periferia, ficou durante muito tempo com cerca de 90% dos seus leitos desocupados;

26- A média salarial dos servidores estaduais da saúde ficou 47% abaixo da rede municipal na gestão de Marta Suplicy. A ausência de contratações e os salários aviltados resultaram no aumento das filas, na demora para se marcar consultas e no abandono de postos de atendimento – como o de Várzea do Carmo;

27- O prometido Hospital da Mulher ficou mais de dez anos no papel. Alckmin ainda teve a desfaçatez de estender uma faixa no esqueleto do prédio com publicidade da inauguração da obra inacabada;

28- Alckmin fez alarde das unidades de computadores do Acessa-SP. O saldo de doze anos de tucanato foi de um Acessa para cada 158.102 habitantes. Em apenas quatro anos de gestão de Marta, a proporção foi de um Telecentro para cada 83.333 habitantes;

29- Alckmin foi responsável pelo maior déficit habitacional do Brasil, segundo a ONU. O déficit é de 1,2 milhão de moradias. Desde 2000, o governo não cumpre a lei estadual que determina, no mínimo, 1% do orçamento em investimentos na área de habitação. Os recursos nãoaplicados somaram R$ 548 milhões;

30- Alckmin fez com que São Paulo declinasse no ranking nacional do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), o que atesta a brutal regressão social no Estado durante o reinado tucano;

31- Desde a construção do primeiro trecho do Metrô, em setembro de 1974, os tucanos foram os que menos investiram na ampliação das linhas - apenas 1,4 km de linhas/ano, abaixo da média de 1,9 km/ano da história da empresa. O Metrô de São Paulo é o mais caro do Brasil e um dos mais caros do mundo;

32- Ao deixar o governo, Alckmin voltou a atacar a educação ao vetar o aumento em 1% no orçamento, aprovado pela Assembléia Legislativa. Numa fraude contábil, ele ainda transferiu parte da receita do setor para a área de transporte, o que representou um corte de R$ 32 milhões na educação;

33- Apesar do silêncio da mídia, Alckmin esteve envolvido em várias suspeitas de corrupção. Um diálogo telefônico entre os deputados estaduais Romeu Tuma Jr. e Paschoal Thomeu revelou o flagrante esquema de compra de votos na eleição do presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo, em março passado;

34- Durante 12 anos de governo do PSDB, cerca de 60 mil professores foram demitidos. O valor da hora aula no Estado é uma vergonha; não passa de R$ 5,30! Alckmin também tem inaugurado Fatecs (escolas técnicas) de "fachada", sem as mínimas condições de funcionamento;

35- O governo tucano expulsou mais do que assentou famílias no campo. Da promessa de assentar 8 mil famílias, apenas 557 foram contempladas. Outro descaso aconteceu na habitação: os tucanos prometeram construir 250 mil casas, mas, desde 1999, só foram erguidas 37.665 unidades;

36- Alckmin impôs a maior operação-abafa de Comissões Parlamentares de Inquérito no país para evitar a apuração das denúncias de corrupção. Ao todo, 65 pedidos de CPIs foram engavetados. Entre elas, as que investigariam ilícitos na Febem, nas obras de rebaixamento da Calha do Tietê, na CDHU e no Rodoanel;

37- Somente na obra de rebaixamento da calha do rio Tietê foram registrados aditivos que ultrapassaram o limite legal de 25%. O valor inicial da obra era de R$ 700 milhões, mas o custo efetivo ultrapassou R$ 1 bilhão. Além disso, o valor inicial do contrato de gerenciamentosaltou de R$ 18,6 para R$ 59,3 milhões;

38- O Tribunal de Contas da União (TCU) também detectou irregularidades em 120 contratos da CDHU, que recebe 1% do ICMS arrecadado pelo Estado, ou seja, cerca de R$ 400 milhões. Mais uma evidência dos atos ilícitos cometidos pelo PSDB paulista de Geraldo Alckmin;

39- Alckmin também deve explicações sobre a privatização da Eletropaulo, ocorrida em 1998. A empresa acumulou uma dívida superior a R$ 5,5 bilhões, incluindo mais de R$ 1 bilhão com o BNDES, que foi bancado pelo Estado. Entre 1998-2001, a empresa privatizada remeteu US$ 318 milhões ao exterior;

40- Já na privatização dos pedágios, Alckmin doou à empresa Ecovias R$ 2,6 milhões ao reajustar a tarifa do sistema Anchieta-Imigrantes acima da inflação, o que feriu o Código de Proteção ao Consumidor. Em apenas um ano, a empresa privatizada arrecadou nas tarifas excorchantes R$ 2.675.808,00;

41- Alckmin vetou o estacionamento gratuito nos shoppings de São Paulo e o projeto de lei que garantia a liberação das vagas nos hipermercados, tudo para beneficiar os poderosos conglomerados comerciais;

42- Alckmin abusou da repressão no seu governo. Ele usou a tropa de choque da PM para reprimir os 500 estudantes e docentes que protestaram contra o veto às verbas para educação na Assembléia Legislativa, transformada numa praça de guerra. A PM também reprimiu duramente as ocupações de terra do MST;

43- Alckmin gastou R$ 5,5 milhões nas obras do aeroporto "fantasma" em Itanhaém, no litoral sul. Ele tem capacidade para receber um Boeing 737, com cem passageiros, mas até o ano passado foi usado, em média, por cinco pessoas ao dia. O aeroporto é motivo de justificadas suspeitas de irregularidades;

44- Alckmin reduziu os investimentos públicos, apesar dos excedentes de arrecadação entre 2001-2004. O Estado deixou de gastar cerca de R$ 1,5 bilhões na saúde; R$ 4 bilhões na educação; R$ 705 milhões na habitação; R$ 1,8 bilhão na segurança pública; e R$ 163 milhões na área de emprego e trabalho;

45- Em 2004, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de Alckmin deixou de aplicar R$ 51 milhões previstos no orçamento. Programas nas áreas de alimentação e nutrição devolveram a verba. Os recursos poderiam ser convertidos em 53.346 cestas básicas, 780.981 refeições e 670.730 litros de leite por mês.

* Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor do livro "As encruzilhadas sindicalismo" (Editora Anita Garibaldi).

5. Muito além do jornalismo colar-copiar
Postado por Luiz Weis em 26/7/2006 às 8:11:20 AM

Na cobertura da “maior investigação da história do Congresso”, como o Globo classifica o desvendamento do escândalo dos sanguessugas, a Folha está vários corpos de luz à frente da concorrência.
A leitura da sua edição de hoje cobre de razão os críticos de mídia que acham pouco, muito pouco, o tipo de jornalismo que antigamente se chamava taquigráfico e hoje talvez mereça ser chamado jornalismo copiar-colar.
No caso dos sanguessugas, isso tem significado obter de policiais, procuradores e políticos os nomes, cifras e fatos e vazados pelo capo Vedoin, o traficante de ambulâncias superfaturadas, em seus 10 dias de torrenciais depoimentos à Justiça Federal, no esquema da delação premiada.
Isso é o mínimo dos mínimos. Até porque nenhuma dessas fontes se recusa a colaborar com o reportariado, desde que não sejam identificadas – afinal, o processo já aberto no Supremo Tribunal contra pelo menos 57 vampiros corre em sigilo de Justiça.
Agora, nenhum jornal, exceto a Folha, foi atrás, por exemplo, de uma história que estava quicando na pequena área – a do alegado envolvimento na maracutaia do então deputado paulista Émerson Kapaz, um dos porta-bandeiras da lisura nos negócios e na política. Atualmente, ele preside o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial.
Quando o seu nome emergiu semana passada, a mídia se limitou a registrar burocraticamente o seu enérgico desmentido – e deixou pra lá. Garimpando, porém, a repórter Catia Seabra chegou à ex-mulher do empresário e dela extraiu a confissão de que a Planam, a empresa de Vedoin, depositou, sim, dinheiro na conta dela.
Mais importante do que isso, a Folha já conseguiu apurar as acusações contra 75 dos 90 parlamentares e ex-parlamentares que constam das listas incriminadoras.
E mais importante ainda, as repórteres Luciana Constantino e Marta Salomon revelam que em novembro de 2004 a Controladoria Geral da União alertou por escrito o então ministro da Saúde Humberto Costa das fraudes na compra de ambulâncias para municípios, a partir de emendas parlamentares ao Orçamento da União.
Um mês e tanto depois, o ministro criou um grupo de trabalho para checar a advertência. O grupo de trabalho só começou a funcionar em março de 2005. E só em maio passado, quando a Polícia Federal desencadeou a Operação Sanguessuga, a Saúde suspendeu os repasses dos respectivos recursos às prefeituras.
Digo que isso é importante não porque o Ministério era do PT – podem portanto os patrulheiros de sempre ficar sossegados. Mas porque a história mostra como funciona o poder público no Brasil, qualquer que seja o partido no seu controle.
Ou, nas palavras de um jornalista que sabia usá-las, como se move o sossegado corpanzil da burocracia.
Ponto também para a Folha pelo editorial “Infestação”, que cobra da CPI “maior publicidade às acusações e qualificá-las de modo mais preciso”, para o eleitor interessado saber quem, dos que lhe disputam o voto em outubro, fez exatamente o que nessa sórdida operação criminosa.
Se a Folha pode ir além das listas e procedimentos vazados, o que os seus competidores igualmente taludos estão esperando para fazer a sua parte?


Internacional

Fundamentalmente a seção Internacional trata hoje de problemas afetos à região conhecida como Oriente Médio. Os itens 1 a 4 dizem respeito à recente invasão do Líbano pelas tropas de Israel, a pretexto de libertar soldados presos pelo Hezbollah. O último é uma espécie de balanço sobre os 3 anos de invasão do Iraque.

1. Leia reflexões sobre a invasão do Líbano “ A ‘guerra’ que só mata civis” no blog de minha amiga Cristina Castro: http://www.tamoscomraiva.blogger.com.br/

2. Indicações de Luis Weiss, do Observatório da Imprensa, a respeito do que foi publicado de importante sobre a crise no Oriente Médio:

Leituras da barbárie
Postado por Luiz Weis em 18/7/2006 às 9:05:24 AM

O que saiu de importante sobre a nova sangria no Oriente Médio nos principais jornais brasileiros:
A entrevista traduzida do primeiro-ministro libanês Fouad Siniora ao Le Monde, "Premiê libanês quer troca de prisioneiros com Israel", em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1807200604.htm
O artigo traduzido "As diferenças nas reações de Israel e Índia", do colunista Sebastian Mallaby, do Washington Post, em http://oglobo.globo.com/jornal/mundo/284900046.asp
O artigo traduzido "Buscando a paz por meio da guerra", do colunista Ethan Bronner, do New York Times, em http://www.estado.com.br/editorias/2006/07/18/int-1.93.9.20060718.1.1.xml
O artigo "Legítima defesa ou crime", de Salem Hikmat Nasser, professor de direito internacional na Fundação Getúlio Vargas, no Valor, em http://www.valoronline.com.br/valoreconomico/285/primeirocaderno/opiniao/html
No exterior [em inglês]:
O artigo "Se Israel tem o direito de usar a força para se defender, os seus vizinhos também têm", de Ahmad Samih Khalidi, professor do St Antony´s College, em Oxford, e ex-negociador palestino, publicado no Guardian, de Londres, em http://www.guardian.co.uk/commentisfree/story/0,,1822922,00.html
O artigo "Alimentando o inimigo", do colunista Nicholas Kristof, do New York Times, em: http://select.nytimes.com/2006/07/18/opinion/18kristof.html?th&emc=th
***

3. Marco Aurélio Weissheimer

Direito de defesa? (clique sobre o resumo abaixo para abrir a matéria)

Defensores dos ataques de Israel no Líbano reivindicam direito de defesa do país contra agressões de grupos terroristas. Mortes de civis, incluindo crianças, seriam um preço a pagar. Além do problema moral, esse argumento apresenta fragilidades factuais e políticas. -

Alberto Dines, no site Último Segundo, do Ig.com.br, faz uma pergunta angustiada e angustiante:

4. O pacifismo ainda é possível?

Este é um jogo de xadrez cujas regras ainda não foram escritas. Mas o tabuleiro e as respectivas peças estão visíveis. O mundo mudou entre este 2006 e 1914 (quando apareceram os primeiros focos de resistência ao conflito que viria a converter-se na 1ª Guerra Mundial). Foram extintas as hostilidades formais entre nações e facções.
Mudaram apenas as aparências -- não há guerras declaradas, luta armada aberta e permanente. Vista de longe, a terra continua azul como a viu o primeiro astronauta, Yuri Gagarin. Mais de perto, está impregnada de vermelho.
O pacifismo humanista e humanitário hoje não tem onde operar, a não ser à distância, como opção intelectual. Temos guerras em todos os continentes, inclusive na abençoada América do Sul.
As guerras civis nunca foram civis – sempre usaram exércitos, uniformes (completos ou não), bandeiras, armamento pesado e, tal como as guerras “militares”, investem contra as populações que não estão engajadas nas batalhas (caso das FARC na Colômbia).
Diferentemente das guerras civis anteriores, as do século XXI, são transnacionais como a da Espanha (1936-39) que se desenrolou num território, mas foi apoiada por controle remoto. O mesmo paradigma foi adotado nas chamadas “guerras de libertação nacional” da segunda metade do século passado, com envolvimento ostensivo das superpotências.
Os insurgentes do Iraque têm apoio do Irã (no caso do shiitas) e da Al-Qaeda (que opera a partir de um santuário localizado entre o Afeganistão e o Paquistão). Assim também o Hamas e o Hezbollah apoiados em diferentes graus e maneiras pela Síria e o Irã que contam com diferentes tipos de amparo da Rússia que, por sua vez, esmaga a ferro e fogo o separatismo islâmico na Chechênia.
Bem-vindos à nova desordem multipolar, proclamou o historiador inglês Timothy Garton Ash nesta sexta-feira (“O Estado de S.Paulo”, 21/7, p. A-13). Neste incêndio irrestrito, atiçado pelos poderosos refletores do ódio político, como empunhar algum estandarte pacificador ou convocar algum tipo resistência ao desvario?
Neste caos globalizado, como descodificar a declaração do nosso diplomata-mor, o ministro Celso Amorim, que considerou como “desproporcional” a reação israelense aos ataques do Hezbollah? O que seria considerado “proporcional”? Quantas pessoas podem morrer – com ou sem uniforme -- para que um conflito seja tolerado pelos sensíveis negociadores internacionais?
O pacifismo foi capturado pela farsa da correção política, esta é uma verdade que precisa ser explicitada com toda a clareza. Ninguém tem coragem de condenar todos os combatentes, há sempre uma simpatia recôndita, uma transigência que abre exceções e admite algum tipo de brutalidade. O francês Romain Rolland, em 1915, não teve medo de enfrentar as patriotadas dos compatriotas e pronunciou-se candentemente contra todos beligerantes, inclusive contra o seu próprio país.
Esta coragem moral está cada vez mais escassa e manifesta-se primeiramente na incapacidade das chamadas “forças progressistas” para condenar com veemência qualquer tipo de terrorismo. O pacifismo pressupõe a abdicação radical do uso da força. Um pacifista autêntico não pode conviver com qualquer violência política, o círculo vicioso das respostas e represálias acabará sempre gerando as tais desproporcionalidades que tanto incomodam os diplomatas.
A busca da paz exige intransigências, tolerância zero com o terror.

5. ENTREVISTA - MICHAEL WARSHAWSKI

Arrogância de Israel não permite o óbvio: trocar prisioneiros árabes pelos israelenses

Um dos mais respeitados analistas políticos da esquerda israelense, o escritor Michael Warshawski critica a subserviência de Israel ao projeto dos EUA de guerra preventiva e teme regionalização do conflito com entrada de Síria e Irã se comunidade internacional não intervier. > LEIA MAIS Internacional 24/07/2006

6. IRAQUE, TRÊS ANOS DEPOIS

A guerra de Bush e o fim do jornalismo
Por Argemiro Ferreira, de Nova York em 21/7/2006
Publicado originalmente no Bafafá Online e no Observatório da Imprensa

O terceiro aniversário do ataque militar, invasão e ocupação do Iraque pelas tropas americanas – acolitadas pelo decadente Império Britânico e mais gatos pingados submissos, entre os quais alguns, como a Espanha, já se arrependeram publicamente – levou a organização Fair (sigla da Honestidade e Precisão na Reportagem) a recordar a cumplicidade dos meios de comunicação nos EUA com a ação arrogante do governo Bush.
Para as pessoas submetidas à dieta jornalística americana, como era o meu caso naqueles dias, foi um momento histórico difícil de esquecer, pela subserviência dos profissionais de mídia. A encenação da derrubada da estátua de Saddam Hussein em Bagdá funcionou como uma espécie de senha para o melancólico espetáculo a que aderiram até organizações jornalísticas cujo passado autorizava esperar delas um mínimo de dignidade e profissionalização.
Como a data do início da guerra lançada por Bush contra o Iraque a pretexto de inexistentes armas de destruição em massa (ADM) é 19 de março, repasso aos leitores alguns dos registros da Fair. E faço questão de começar com a Fox News do império de Rupert Murdoch, magnata australiano de nascimento que se naturalizou americano (talvez o mais patrioteiro deles) para ter o direito de ser dono de rede de TV nos EUA.

Os sábios que nada sabem

O diretor da sucursal da Fox News em Washington – Britt Hume, também apresentador do Special Report, principal programa jornalístico diário da rede – atacou em abril os críticos da invasão sob a alegação de que nada do que previam se confirmara. "Erraram completamente em todas as previsões", pontificou Hume. Quatro semanas depois, a Fox e o resto batiam de novo na mesma tecla, ao festejar o final da guerra, declarado pomposamente por Bush.
Em 1º de maio, quando Bush vestiu a fantasia de piloto de guerra (que nunca foi, pois perdeu a oportunidade ao fugir da guerra do Vietnã) e com ela desembarcou de um jato militar no porta-aviões Abraham Lincoln, só havia umas poucas baixas nas tropas dos EUA (poucas dezenas de americanos tinham morrido). Ele declarou então, sob a faixa "Missão cumprida", que estavam encerradas as grandes operações da guerra.
A Fox News de Murdoch e Hume chegou ao orgasmo. Tony Snow, comentarista menor da rede, disse então que "as forças da coalizão demonstraram o velho axioma de que a firmeza no campo de batalha produz vitória rápida e com derramamento de sangue relativamente pequeno. O Iraque destroçou totalmente as críticas dos céticos". Só que nos meses seguintes ao suposto fim da guerra morreram mais 2.200 americanos e uns 20 mil ficaram aleijados, gravemente feridos ou mentalmente incapazes (sem falar nos 100 mil civis iraquianos mortos). E o número continua a crescer.
Outro favorito da Fox – o comentarista neocon Charles Krauthammer, tido como um dos ideólogos da guerra – foi ainda mais longe ao festejar o final ainda em abril, antes de Bush. "As únicas pessoas que pensam que ainda não ganhamos a guerra são os liberais do Upper West Side [de Nova York] e uns poucos aqui em Washington", disse. Fred Barnes, colega dele na Fox, completou: "Difícil foi montar a coalizão e transportar 300 mil soldados. Instalar democracia não é difícil como ganhar uma guerra".

"Um herói como presidente"

Até supostos "liberais" da Fox (comentaristas que assumem esse papel para a rede alegar que reflete opiniões contra e a favor), como Morton Kondracke, Jeff Birnbaum, Ceci Connolly e Alan Colmes, somaram-se abertamente à comemoração precipitada. "Ainda há coisas a fazer, mas os céticos e críticos foram humilhados. A palavra final sobre isso é `Avante!´". Connoly completou: "Muito parecido com a queda do muro de Berlim. (...) É de perder o fôlego!"
Hoje sabemos que a célebre queda da estátua de Saddam, ainda a cena mais repetida pela mídia como definidora da guerra, foi uma "operação psicológica" (a sigla oficial é PSYOPS) do Pentágono. Nenhum jornalista na época deu-se ao trabalho de apurar a farsa. Na CNN e na MSNBC (rede de cabo da NBC) buscava-se não correr atrás da verdade e questionar o zelo patriótico da Fox News, mas, ao contrário, imitá-la e até superá-la, no pressuposto de que tinha a receita mágica de audiência.
O principal apresentador da MSNBC, Chris Matthews, excedeu-se, por exemplo, ao festejar a fantasia de piloto de Bush: "Estamos orgulhosos de nosso presidente. Os americanos adoram um sujeito como ele na presidência, meio valentão, com preparo físico, um cara que não seja complicado como Clinton ou mesmo Dukakis, Mondale, McGovern. Querem alguém como Bush. Inclusive as mulheres. E elas adoram esta guerra. Todos nós gostamos de ter um herói como presidente".

Um capítulo vergonhoso

Matthews disse tais pérolas em 1º de maio. Três semanas antes já tinha feito uma declaração de amor aos neocons – e bem explícita. "Agora nós todos somos neocons", afirmou. Na mesma MSNBC, o comentarista Howard Fineman, também estrela da revista Newsweek, chegou perto dos excessos de Matthews e da Fox. "Já tivemos guerras que dividiram o país. Mas esta guerra uniu o país e trouxe de volta nossos militares."
É bom não esquecer que a MSNBC, como a NBC, pertence ao império da General Electric (GE), que é grande fornecedora do Pentágono e fatura com guerras. Ao menos a CNN poderia ter ousado um jornalismo decente, mas não é mais a mesma. Quem se destacou mais ali no zelo patriótico foi o gordinho Lou Dobbs. Sobre o Bush fantasiado: "Parecia ao mesmo tempo um comandante em chefe, estrela de rock, astro de cinema. Era como qualquer um de nós".
As redes CBS e ABC não foram diferentes. Nem mesmo as redes públicas de TV (PBS) e de rádio (NPR). Na imprensa escrita, o Washington Post continuou falcão em política externa, pedindo guerra nos editoriais. O New York Times manifestou ceticismo até a fala de Colin Powell. Contentou-se então com as provas falsas sobre as ADM do Iraque. Salvou-se apenas a mídia alternativa, no que pode ter sido o episódio mais deprimente da história do jornalismo americano.
Nada como um dia depois do outro. Tanto a guerra apoiada pela mídia como o presidente que ela proclamou herói são rejeitados hoje por 60% dos americanos.


Livros e revistas

1. Na revista Cult deste mês um importante artigo de Celso Lafer sobre Norberto Bobbio: Bobbio e o Holocausto
Um capítulo de sua reflexão sobre os direitos humanos: o texto “Quinze anos depois” e seus desdobramentos. Veja na revista comprada em bancas ou pelo site
http://revistacult.uol.com.br/website/

2. Nas livrarias, o trabalho de Pedro Paulo Funari e Sandra Pelegrino: Patrimônio Histórico e Cultural, ed. Jorge Zahar, 72 p. R$ 19,90. Trata-se de reflexão sobre alternativas para a preservação do patrimônio.

3. Revista Tempo Social, do Dep. De Sociologia da USP, 410 p. R$ 18,00 – número especial trata dos levantes urbanos na França e a desestruturação das classes populares.

4. Mitos sobre a fundação dos Estados Unidos, de Ray Raphael. Civilização Brasileira, 390 p., R$ 55,90. O autor reconstrói a formação norte-americana estudando os fatos e criações relacionados à revolução que separou os EUA da Inglaterra, em 1776 (fonte Caderno Mais da Folha de São Paulo)

5. LIVROS - LANÇAMENTO

Um roteiro soberano para a política externaLivro de Samuel Pinheiro Guimarães, secretário-geral do Itamaraty, explicita a política internacional do governo, articula-a com os impasses internos e traça roteiro para superação das vulnerabilidades externas do Brasil. A direita vai odiar. > LEIA MAIS Política 24/07/2006

6. - "Uma ilusao de desenvolvimento", de Lucio Flavio Rodrigues de Almeida, editora EDUFSC. O autor examina os principais estudos sobre o governo de Juscelino Kubitschek, rejeita a nostalgia dos "anos dourados" e apresenta uma analise critica do "nacionalismo triunfante", que foi a configuracao especifica adquirida pelo nacional-populismo na segunda metade dos anos 50. Mais informacoes em www.sociologos.org.br/variedade/default.asp?id=51.

7. "Globalizacao e desigualdade", organizado por Marcio Moraes Valenca e Rita de Cassia da Conceicao Gomes, editora Natal: A.S. Esse livro e' uma coletanea de quinze trabalhos que abordam questoes teoricas e praticas da atualidade, incluindo as politicas publicas, a habitacao, a educacao, a cidadania, o meio-ambiente, o poder local, o desenvolvimento economico, regional e urbano, a relacao global/local e cidade/campo, etc. Mais informacoes pelo e-mail: aslivros@digi.com.br.

8 "Historia, mulher e poder", organizado por Gilvan Ventura da Silva, Maria Beatriz Nader e Sebastiao Pimentel Franco, editora EDUFES. O livro pretende contribuir para o debate historiografico que busca compreender as relacoes de genero sob a otica das relacoes de poder e reune textos de especialistas no assunto oriundos de diversas universidades brasileiras. Mais informacoes pelo tel.: (27) 3335-2370 ou pelo e-mail: ediufes@yahoo.com.br.

9- "O sexo devoto: normalizacao e resistencia feminina no Imperio Portugues XVI - XVII", de Suely Creusa Cordeiro de Almeida, editora UFPE. O livro traz uma abordagem historica sobre a condicao feminina no Imperio Portugues. A autora demonstra como a construcao do tecido social se articula com as vivencias cotidianas femininas e como as mulheres na sociedade colonial portuguesa negociam e transgridem as imposicoes das instituicoes que a tentam dominar. Mais informacoes em www.anpuhmg.ufsj.edu.br/lancamentos_de_livros.php.

Sites interessantes

1. Confira a cobertura da 58ª Reunião da SBPC, em Florianópolis:
http://cienciahoje.uol.com.br/53044

2. Matérias novas no http://www.historianet.com.br/:

A Doutrina Social CatólicaA Enciclica Rerum Novarum foi a resposta da Igreja Católica para seus fieis, exortando a todos a busca de uma solução pacifica para os conflitos sociais e trabalhistas do final do século XIX

Teologia da LibertaçãoEste movimento se inscreve no Concilio Ecumênico Vaticano II (1962-1965), quando os católicos tentaram restabelecer o dialogo com a cultura moderna.

Mapas - A formação do Japão - A formação do Estado japonês envolveu alguns séculos, marcados pelos conflitos entre a centralização imperial, o Xogunato e o poder local dos Shugo.

3. No site do Jornal Brasil de Fato, muitas matérias sobre a crise no Oriente Médio. Leia em http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia


Notícias

1. A relação entre fome e aprendizagem - Crianças e jovens de mais de 60 países não conseguem aprender porque sentem fome e dificilmente conseguirão recuperar os prejuízos causados por esse flagelo no desenvolvimento intelectual. A informação vem do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas. Adital, em 14/7

2. MEC vai formar rede de educadores ambientais - Os ministérios da Educação e do Meio Ambiente vão selecionar grupos de educadores de várias partes do Brasil que desenvolvam projetos de formação na área ambiental. A idéia é criar uma rede de trabalho para que os educadores troquem experiências e sugestões de atividades. Portal do MEC, em 18/7

3. . Estão abertas as inscrições para o curso de pós-graduação em História, Patrimônio Cultural e Turismo, da Faculdade Estácio de Sá de Belo Horizonte.

Disciplinas:Metodologia científica - Historia de Minas I e II - Historia da Arte – Ética - Constituição e Preservação do Patrimônio Cultural - Turismo e Patrimônio Cultural em Minas Gerais - Seminário de Pesquisa

O(a) aluno(a) pode optar por uma das seguintes formas de pagamento: 12 parcelas de 380,00 ou 18 de 280,00 ou 24 de 230,00.Inscrições abertas na Faculdade Estácio de Sá – Av. Francisco Sales, 23 - ou pelo site http://www.bh.estacio.br/

4. Convite da Prefeitura de Belo Horizonte:

5. Selecao de Mestrado e Doutorado em Historia/UNICAMP

As inscricoes para as provas de selecao para o Mestrado e Doutorado do Programa de Pos-Graduacao em Historia da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) poderao ser realizadas ate' 18/8/2006. Mais informacoes em www.ifch.unicamp.br/pos/selecao/2007/insc_historia.php

6. III Simposio Nacional Estado Brasileiro/UFGO Nucleo de Estudos e Pesquisas em Historia Contemporanea (NEPHC) da Universidade Federal de Goias (UFG), em conjunto com o Grupo de Pesquisa Estado e Poder no Brasil (GPEPB/CNPq), promovem a terceira edicao do Encontro Nacional Estado Brasileiro, que sera realizado entre os dias 29 e 31/8/2006, nas dependencias do Departamento de Historia da Universidade Federal de Goias - Campus II, Goiania/ GO. O tema central sera' "Conflitos Intraestatais e Politicas Publicas". Mais informacoes em www.simposioestadobrasileiroufg.cjb.net.

7. VI Encontro Regional de Historia/ANPUH-ES O VI Encontro Regional de Historia da ANPUH, cujo tema central e' "Territorios e fronteiras: limites e deslocamentos", ocorrera' entre os dias 7 e 10/11/2006, na Universidade Federal do Espirito Santo (UFES). As inscricoes para apresentacao de trabalhos se encerram no dia 31/8/2006. Mais informacoes em www.anpuh.org/circular_es.doc.

8. XVI Semana de Historia/UNESP-FrancaA XVI Semana de Historia, cujo tema central e' "Historia repensada", ocorrera' entre os dias 28 e 31/8/2006, na Universidade Estadual Paulista (UNESP), Campus de Franca. Mais informacoes pelo e-mail: susanilemos@terra.com.br.

9. I Seminario Interdisciplinar em Historia e Educacao/UFES Estao abertas ate' 11/8/2006 as inscricoes para apresentacao de trabalhos no I Seminario Interdisciplinar em Historia e Educacao, promovido pelo Programa de Pos-Graduacao em Historia e pelo Programa de Pos-Graduacao em Educacao da Universidade Federal do Espirito Santo (UFES). O evento sera' realizado entre 12 e 14/9/2006 no Campus de Goiabeiras, Vitoria, ES. Os eixos tematicos principais do Seminario sao a Historia da Educacao e o Ensino de Historia. Mais informacoes pelo e-mail: http://br.f373.mail.yahoo.com/ym/Compose?To=npih@npd.ufes.br&YY=68228&order=down&sort=date&pos=0 ou em www.ufes.br/ppghis.

10. Semana de Historia/PUC-Rio A Semana de Historia da Pontificia Universidade Catolica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) sera' realizada entre os dias 18 e 22/9/2006. A Semana tera' como tema "O oficio do historiador no seculo XXI", e abrangera' diferentes campos do estudo historiografico contemporaneo. A proposta e' dialogar com outras areas do conhecimento tais como Antropologia, Ciencia Politica, Letras e Filosofia. As inscricoes para apresentacao de trabalhos estarao abertas ate' 10/8/2006. Mais informacoes pelo e-mail: http://br.f373.mail.yahoo.com/ym/Compose?To=semana.historia@bol.com.br&YY=68228&order=down&sort=date&pos=0 ou em www.naoreclamevote.zip.net.

11. Chamada para artigos/Revista- A revista eletronica Cadernos de Historia/UFOP esta' recebendo ate' 30/7/2006 colaboracoes para o seu segundo numero. Serao aceitos artigos, entrevistas, resenhas criticas, transcricoes comentadas de documentos e traducao de textos ineditos em lingua portuguesa ou nova traducao que se justifique pelo trabalho critico. Mais informacoes em www.ichs.ufop.br/cadernosdehistoria ou pelo e-mail: cadernosdehistoria@yahoo.com.br.

12- A revista Cadernos de Pesquisa do CDHIS/UFU esta' recebendo ate' 30/8/2006 colaboracoes para o seu numero 35, referente ao 2º semestre de 2006. Mais informacoes pelo e-mail: http://br.f373.mail.yahoo.com/ym/Compose?To=cdhis@ufu.br&YY=68228&order=down&sort=date&pos=0.

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