Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

2.8.06

Número 051


EDITORIAL


Vem ai o 7º Salão do Livro de Belo Horizonte. Serão 1o dias em que todos poderão ver as novidades do mercado editorial. Não deixe de comparecer. No proximo Boletim informarei o dia em que a professora Helena Campos e eu estaremos autografando o nosso livro História de Minas Gerais. E se você é professor(a) das séries iniciais ou conhece alguém que trabalha com estas séries, nas escolas privadas de Minas Gerais, estaremos divulgando também o nosso História de Minas Gerais para a tecerceira série do ensino fundamental. O livro foi aprovado pelo PNLD recentemente.

Como dito no Boletim passado, voltamos a centrar os artigos deste número nos assuntos eleições brasileiras e guerra no Oriente Médio. O estado de saúde de Fidel Castro, noticiado ontem, deixaremos para o próximo número, pois com certeza haverá muitos autores falando a respeito. E é melhor selecionar o que será publicado. Sem dúvida é um momento dramático para a história cubana. Para o bem ou para o mal, Fidel Castro foi, sem dúvida, uma das maiores, senão a maior, figuras políticas da segunda metade do século passado.
Para o editorial de hoje, transcrevo um artigo de Marcos Sá Corrêa, do http://www.nominimo.com.br/

Muito TSE para pouca Justiça Eleitoral

Em ano eleitoral o TSE não falha. Daqui a pouco ele vai ao ar, com sua própria campanha, pegando uma beirada do horário obrigatório de propaganda gratuita pata ensinar o eleitor o brasileiro a dedilhar a urna eletrônica. Em outras palavras, a votar. Nada contra. É um programa de utilidade pública. Ao contrário dos candidatos, não mente descaradamente nem promete o que jamais fará. E ainda oferece de quebra ao eleitor entediado uma chance de decifrar o bê-a-bá da Libras, prestando atenção no canto da tela, onde um intérprete em miniatura gesticula para traduzir em linguagem de surdos a voz que sai dos alto-falantes.


E tome de ouvir conselho para não desperdiçar o voto, escolher com cuidado, votar com espírito cívico, sair de casa no dia da eleição como quem vai tomar posse do Brasil, marchar para a cabine de papelão com o peito estofado pelo livre exercício de um direito e não pelo chamado de uma obrigação. Parece até que, para a Justiça Eleitoral, o maior perigo de uma eleição é a incurável leviandade do eleitor brasileiro, eterno suspeito de não estar à altura das formidáveis oportunidades que o regime lhe oferece de mudar o destino nacional. Só depende dele. Apertando as chaves certas, plim, plim, o país funciona mais quatro anos, como se fosse operado de dentro da cabine por controle remoto.

E isso até o presidente Lula sabe que não é bem assim. Muito menos numa hora em que as autoridades constituídas, de alto a baixo, empurraram para cima do eleitor a tarefa de ceifar mandatos a mensaleiros, sanguessugas e outros gatunos que ninguém impede de concorrer. E isso inclui um TSE que se esmera no feijão com arroz da eleição, baixa normas, muda regras, apura depressa, divulga resultados cada vez mais depressa, mas não evita que um bandido notório concorra de cara limpa, se o seu processo não tiver passado pelos trâmites da outra Justiça, a que não se chama eleitoral.

Se é assim, para quê os brasileiros têm que sustentar uma Justiça Eleitoral, luxo que as democracias mais ricas, tarimbadas e bem sucedidas dispensam? Para espalhar urnas e distribuir urnas não pode ser, ou a eleição em si seria quase uma exclusividade brasileira, como é a Justiça Eleitoral. Ela existe para garantir disputas limpas. E uma disputa aberta a políticos tecnicamente inabilitados para o exercício de funções públicas pela Lei de Responsabilidade Fiscal já começa contaminada pela sujeira de outros mandatos. Logo, não pode ser limpa.

Cabe ao eleitor julgá-los? Balela. Eleitor não julga, entre outras coisas porque o sistema só lhe permite votar a favor, em branco ou nulo. Não lhe deram voz para punir, a não ser deixando de premiar com seu voto quem ele jurou pegar na esquina. Julgaria se fosse chamado de vez em quando a dizer se quem está com mandato deve perdê-lo. Aí, sim, teria como escolher entre absolvição ou castigo. E a história do Brasil no ano passado talvez não fosse a mesma. Mas este ano o que ele pode fazer é outra coisa. E para isso a Justiça Eleitoral não está ajudando.

Ajudaria se fizesse, por exemplo, como o Ministério da Saúde faz com os cigarros. Todo brasileiro tem o direito de fumar, se quiser, até explodir. Mas não pode comprar um maço sem levar junto a advertência de que aquilo pode matá-lo. Pior, tem que encarar fotografias escabrosas de pulmões mumificados em vida pelo alcatrão, laringes atravessadas por tubos de respiração, ratos envenenados pela nicotina, pernas amputadas, ohos esgazeados de pacientes terminais. Tudo isso porque o governo acha que deve obrigá-lo a fazer uma opção consciente.

Mas o horário gratuito, que a rigor não foi criado para oferecer mais um privilégio aos políticos, mas supostamente para assegurar ao eleitor o maior acesso possível às informações de que precisa para votar, faz de conta que ele não corre o menor risco de pegar por inadvertência uma intoxicação num ambiente político infestado de gente que assalta até ambulância. Os ladrões ainda não foram contaminados? Vá lá. Mas a denúncia é pública. E é difícil entender o que impede o TSE de incluir na parte que lhe cabe da propaganda eleitoral mensagens avisando que correm processos por corrupção e outros crimes contra fulano, sicrano e beltrano. Até para ele não desperdiçar um voto, elegendo que está sob a ameaça de perder o mandato na Justiça. Feito isso, pode lavar as mãos. Se o brasileiro eleger ladrões será sem dúvida nenhuma porque quis.

BRASIL

A maioria dos artigos de hoje versam sobre as eleições. Da revista Istoé retiramos a reportagem que mostra que o responsável pela campanha do Chuchu, ex-ministro do FHC, não é lá um primor de honestidade... Leiam e confiram. E depois tentem entender a campanha moralizadora do Chuchu... Ta certo...corrupto é só o atual governo....pois sim!!!

1. Corrupção
O dossiê Eduardo Jorge
Força-tarefa de auditores da Receita conclui investigação e aponta que coordenador de Geraldo Alckmin criou empresas com “laranjas”e emitiu notas frias para arrecadar dinheiro junto a fornecedores do DNER
Por Hugo Marques

Na manhã da quarta-feira 19, um sorridente Eduardo Jorge Caldas Pereira recebia os políticos e convidados para a inauguração do comitê de campanha do presidenciável Geraldo Alckmin em Brasília. De braços abertos, saudava: “Bem-vindos, bem-vindos!” Ex-secretário-geral da Presidência da República no governo de Fernando Henrique Cardoso, ele agora é um dos coordenadores da campanha de Alckmin. De grand réceptionniste da festa, EJ, como Eduardo Jorge é chamado, sumiu em minutos, antes mesmo da chegada de Alckmin. A mudança de semblante aconteceu após ele ser informado por ISTOÉ do conteúdo de um dossiê feito por uma força-tarefa de auditores da Receita Federal. A documentação está guardada sob o manto do segredo de Justiça, em dois processos que tramitam em Brasília. Ao analisar as contas de Eduardo Jorge, os auditores encontraram doações ao PSDB com recursos oriundos do Erário público, movimentação incompatível com a renda, uso de “laranja”, distribuição fictícia de lucros e “notas fiscais frias”, entre outros crimes. O homem que sobreviveu a alguns dos principais escândalos no governo de FHC – e não foi condenado em nenhum – tentava nesta campanha dar a volta por cima da imagem arranhada. Será difícil. “Vou apresentar documentos à Justiça e mostrar que a história é outra”, promete. Informado sobre os relatórios que o envolvem com os crimes, ele disse que as informações serão dadas posteriormente.

O “Relatório Final”, um dos documentos do dossiê, é a compilação dos crimes. Está anexado a um processo da 3ª Vara da Justiça Federal. O documento é assinado pelos auditores Marco Antonio Macedo Pessoa, Washington Afonso Rodrigues e Vicente Luiz Dalmolim. Os auditores são contundentes ao discorrer sobre “doações ao PSDB com recursos oriundos do Erário”. Eles concluíram que os valores repassados pelas empresas de Eduardo Jorge à campanha da reeleição de FHC em 1998 “tiveram por origem recursos oriundos de órgãos públicos, mormente do DNER”. O DNER é o extinto Departamento Nacional de Estradas e Rodagem, hoje DNIT, responsável pela contratação de empreiteiras e um tradicional foco de corrupção federal. Para concluir que o dinheiro do DNER irrigou a campanha de FHC com R$ 250 mil, os auditores fizeram análise dos contratos de prestação de serviços das empresas de Eduardo Jorge com a seguradora Sul América e dos contratos desta empresa com o DNER, o Ibama, o Ministério do Exército e o Palácio do Planalto. O exame do conjunto de documentos revelou que a origem integral dos lucros gerados pelas empresas Metacor e Metaplan, ambas de EJ, foram os contratos assinados pelo DNER com a Sul América Seguros entre 1993 e 1995. Estes contratos “foram dados em administração” para a Metacor e a Metaplan. Concluíram, desta forma, que EJ seria o responsável pela “captação” de órgãos públicos para fechamento de contratos com o grupo Sul América.

Eduardo Jorge também está envolvido com um esquema de notas fiscais frias. A partir de uma amostragem, a investigação levantou a situação fiscal dos emitentes de notas fiscais para as empresas de EJ, visitou sedes das firmas e entrevistou seus titulares. Notas fiscais contabilizadas por Metacor e Metaplan como despesas não foram oferecidas pelos emitentes à tributação. A força-tarefa concluiu que houve “planejamento ilícito” para uso de tais simulacros. De oito notas de fornecedores analisadas, cinco não foram declaradas à Receita, duas estão com valores declarados pela metade e outra é de empresa inativa. Os emitentes de notas fiscais declararam à força-tarefa que suas empresas foram constituídas visando fornecer notas para as empresas Metacor e Metaplan. Para isso, eles recebiam “ordens hierárquicas superiores”. As empresas Pap Investimentos e O Comprador só emitiam notas fiscais para a Metacor e a Metaplan. Para os investigadores, estas “empresas de papel” eram parte da trama para fornecer nota fiscal para dar cobertura à saída de recursos e evitar tributação. Além das notas fiscais frias, foram detectadas empresas fantasmas, verdadeiras usinas de produção de notas. Onde deveria funcionar a Monte Castelo Idéias Ltda. foi encontrado um hotel.

A partir de uma análise das correspondências de Eduardo Jorge, a força-tarefa identificou suas “confissões” espontâneas. A Receita fez uma análise das correspondências eletrônicas que EJ trocou com os sócios e concluiu pela existência de montagem de passivo fictício, participação como sócio oculto e uso de “laranja” na empresa VML Corretora de Seguros. Em uma das mensagens sobre a VML, ele pergunta aos sócios: “Não estaria na hora de se formalizar as participações?” Os documentos revelam a saída “forjada” de EJ do quadro social de algumas empresas para fraudar a Fazenda Pública, concluem os investigadores. É movimentação financeira incompatível com a renda declarada. Os auditores encontraram irregularidades nas contas pessoais de EJ. Em 1999, primeiro ano do segundo mandato de FHC, Eduardo Jorge declarou bens no valor de R$ 2 milhões, um aumento de 107% em relação ao ano anterior. Funcionário de carreira do Senado, naquele ano ele movimentou R$ 1,7 milhão em sua conta bancária. É o que atesta a declaração da CPMF apresentada pelo Unibanco à Receita. Os recebimentos que EJ chamou “falsamente” de lucros e dividendos, segundo um dos relatórios, somam R$ 577 mil – foram R$ 352 mil recebidos da Metaplan, R$ 125 mil da LC Farias e R$ 100 mil da EJP. Um dos relatórios conclui que há fortes indícios de que essa soma apresenta sinais de não possuir origem comprovada.

O que poderá complicar ainda mais a vida de Eduardo Jorge são os depoimentos em mãos da força-tarefa. Em setembro, o ex-contador do Grupo Meta, Luiz Eduardo Poças Fonseca, foi à Procuradoria da República no Distrito Federal. Ele ingressou no grupo em 1994, como auxiliar contábil, e saiu como contador em setembro de 2000. Fonseca cuidava pessoalmente da contabilidade da Metacor e da Metaplan. Eduardo Jorge tinha uma sala dois andares abaixo. Despachava protegido por sistema de segurança especial e grades de proteção. Em seu depoimento, o contador revelou que as unidades da Metaplan e da Metacor em Barueri, em São Paulo, foram abertas com o objetivo de pagar menos impostos, “funcionando como empresas de fachada”. Fonseca achava estranho a empresa não ter lucros e mesmo assim a diretoria determinar a distribuição de dinheiro entre os sócios. Revelou ainda que as notas fiscais da empresa Oikos, envolvida com notas fiscais frias, tinham ligação com um tal de Joãosinho, funcionário do grupo que tinha sala dentro do DNER, de onde saía o dinheiro do PSDB. Era a ponta do esquema dentro do serviço público.

O carma de EJ teve início em 12 de agosto do ano passado. A Justiça Federal remeteu ao Ministério Público 125 caixas com documentos custodiados na Corregedoria-Geral da Receita Federal. Foi instaurado um inquérito civil público. A força-tarefa teve acesso também a livros-caixa, correspondências e declarações de bens do ex-ministro e de suas empresas. Os investigadores colheram depoimentos de contadores e personalidades que tiveram negócios com EJ e suas empresas. Como resultado da análise, foram encontrados oito tipos de crimes. A força-tarefa concluiu que somente no ano de 1998 duas das principais empresas do ex-secretário, a Metacor e a Metaplan, omitiram receitas no total de R$ 1,73 milhão. No ano seguinte, concluíram os auditores, houve distribuição de lucros fictícios para EJ. Ele sacou R$ 352 mil das suas empresas sem que elas possuíssem fundos suficientes para distribuir lucros, o que torna este registro uma “fraude contábil”, diz um dos relatórios.

Após análise de todo o dossiê sobre Eduardo Jorge e de 28 pessoas físicas e jurídicas envolvidas com as irregularidades, o Ministério Público impetrou ação civil pública na Justiça Federal de Brasília, que corre sob segredo de Justiça. Segundo a Justiça Federal, a ação é por ato de improbidade administrativa e foi impetrada contra Eduardo Jorge Caldas Pereira, as empresas Metacor e Metaplan. Os procuradores Lauro Pinto e Valquíria Quixadá pedem ressarcimento do Erário e perda dos bens e dos direitos políticos de Eduardo Jorge. O ex-secretário já teve acesso aos autos. “Está nas mãos do juiz para despachar”, disse ele a ISTOÉ. “Vou apresentar documentos.” Nervoso, acrescentou: “Não vou misturar assuntos pessoais com campanha.” No início da tarde da quarta-feira 19, EJ reapareceu no comitê de Alckmin. Já não exibia o sorriso e a alegria demonstrada na inauguração daquela manhã – mas somente um semblante sombrio.

2. Pesquisas eleitorais são válidas? Olha só o que Nelson Breve, da Agência Carta Maior descobriu comparando o universo dos pesquisados pelo Ibope:

Pesquisa do Ibope colhe amostra desfavorável a LulaDiferente de levantamentos anteriores, a pesquisa divulgada esta semana pela TV Globo reduziu o peso do eleitorado menos escolarizado e de menor renda e aumentou o de nível médio e renda maior. A diretora do Ibope, Márcia Cavallari, garante que a distorção não influiu no resultado, mas... > LEIA MAIS Política 28/07/2006

3. Os dois artigos seguintes tratam da candidata do PSOL, Heloisa Helena. O que significa, de fato, o seu “crescimento” nas pesquisas?

Flávio Aguiar
As últimas falácias sobre as eleições (clique sobre o resumo para ler o artigo)

Há uma interpretação quase unânime de que a ascensão de Heloisa Helena nas pesquisas favorece Alckmin e ameaça Lula. Essa avaliação nasce mais da impossibilidade, até o momento, da candidatura do candidato tucano tornar-se auto-sustentável. - 25/07/2006



Altamiro Borges analisa o “efeito Heloisa Helena” nas pesquisas eleitorais. Publicado originalmente no site da revista NovaE:

Heloísa Helena e a tática da direita
Altamiro Borges

A direita brasileira está eufórica e excitada. Não que o seu candidato, o seguidor da seita fascista Opus Dei, Geraldo Alckmin, tenha finalmente deslanchado nas pesquisas eleitorais. Pelo contrário. Todos os institutos confirmam sua estagnação na disputa presidencial. O fato novo que deu tanto alento à oposição liberal-conservadora foi o aparente crescimento da candidatura da senadora Heloísa Helena, que encabeça uma chapa composta por três partidos de frágil densidade eleitoral e de baixo enraizamento social (PSOL, PSTU e PCB). Sem escamotear a sua tática diversionista, a direita encara este “fenômeno” como a única forma de viabilizar um segundo turno e não esconde sua intenção de inflar esta “oportuna” candidatura!

Logo que soube da “ascensão” da senadora, Alckmin soltou rojões: “Eu e a Heloisa Helena somos menos conhecidos e a tendência é que as duas candidaturas cresçam, garantindo a realização do segundo turno. Tenho respeito pela candidatura da senadora”. Já um dos novos ícones da direita, Reinaldo Azevedo, editor da falida revista Primeira Leitura, explicitou a manobra tática. Em resposta a um leitor do seu blog, escancarou: “Um leitor aí disse que a minha ‘simpatia por Heloisa Helena acabaria se ela ultrapassasse o Alckmin’. Mas quem disse que eu tenho simpatia por Heloisa Helena? Não votaria nela nem para síndica. O fato de eu achar que ela pode ajudar a levar a disputa para o segundo turno não quer dizer simpatia”.

No ápice da sua arrogância, ele ainda deu conselhos à senadora. “Se sou do PSOL, torço, evidentemente, para que o Alckmin vença a disputa pela Presidência por razões muito objetivas. O PT estando fora do poder, Heloísa Helena tem alguma chance de ter relevância no cenário de esquerda. Aí a luta se estenderá às franjas do poder petista, nos sindicatos e outras organizações da sociedade civil. Mais: a chance de o PSOL continuar existindo, com a cláusula de barreira, é a sua candidata ter bom desempenho nas urnas”. Noutro texto, insiste: “Ah, a mulher vai dar trabalho. Sobretudo ao PT. Como ela não é tonta, já sabe que, se Alckmin ganhar, fica mais fácil para seu partido crescer no terreno em que pode crescer: à esquerda”.

Outro direitista convicto e metido à estrategista eleitoral, César Maia, prefeito do Rio de Janeiro e chefão do PFL, chegou a publicar em seu blog uma estranha “carta aberta” com conselhos publicitários a Heloisa Helena: “Trabalhando com pesquisas qualitativas, verificamos com preocupação que sua contundência na TV está passando da posição firme para a percepção da arrogância. Cuidado, reveja seus pronunciamentos no Jornal Nacional [da poderosa Rede Globo]”. Dias depois, ao saber que a candidata “foi convencida a abrandar o discurso para não assustar a classe média”, o pefelista comemorou e deu novas dicas: “Muito bem, senadora! Mas, além de suavizar o conteúdo, o tom da voz e os olhos devem ser suavizados”.

O impulso da TV Globo

Na avaliação unânime dos especialistas em campanhas eleitorais, o repentino crescimento da candidatura de HH – o novo rótulo da senadora – decorreu da sua forte exposição na mídia nas últimas três semanas. Enquanto o presidente Lula se mantém preso ao cargo e seu partido encerrou seus anúncios na televisão, PSDB e PFL aproveitaram seus programas para fustigar o governo. Já a senadora surgiu em raia própria com inusitado destaque na mídia. Sua ascensão, sobretudo nos extratos mais ricos da classe média, seria um fenômeno passageiro. A tendência, garantem, é que com o começo do horário eleitoral gratuito, em 15 de agosto, e com a inevitável polarização da disputa, ela retorne a patamares inferiores nas pesquisas.

Se o crescimento de Heloísa Helena é apenas um fenômeno volátil, “fogo de palha”, somente a campanha poderá comprovar. Quanto à generosa exposição na mídia, os fatos são irretocáveis. Conforme constatou o jornalista Nelson de Sá, que faz um meticuloso monitoramento da mídia para o insuspeito diário Folha de S.Paulo, desde o final da Copa do Mundo a senadora “jamais faltou, dia após dia”, da cobertura do Jornal Nacional, o programa recordista em audiência da poderosa TV Globo. Ele também observou que a candidata, que gosta de pousar de ultra-radical, “abrandou seu discurso para não assustar a classe média” e que ela inclusive já “agradeceu o tratamento que tem recebido das emissoras de televisão”.

Outro estudioso da mídia, o jornalista Renato Rovai, da Revista Fórum, confirma esta análise. Num artigo intitulado “Jornal Nacional explica o fator HH”, ele garante que foram “os preciosos minutos” da Globo que fizeram a candidatura da senadora decolar. “Esse tipo de fenômeno não é novo. Em outras disputas, candidatos com discurso forte e claro se deram bem na TV. O crescimento da candidatura do PSOL pode ser só isso e, como em outras épocas, se tornar um mero estampido quando a campanha começar de vez, já que as estruturas partidárias precisam ser sólidas nas localidades para garantir o crescimento real”.

A generosidade da mídia chega a ser piegas! Colunistas bem pagos e de ligações sombrias não param de descobrir virtudes na senadora. Dora Kramer, articulista dos jornais O Globo e O Estado de S.Paulo, vê nela uma “mulher, valente, amena no trato, uma fera na tribuna, vitima do autoritarismo do PT petista, que se recusou a vender sua consciência aos ditames do poder”.
Já Merval Pereira, tido nos bastidores da mídia como “homem do PSDB”, avalia que candidata cresceu nas pesquisas “devido a um segmento do eleitorado que continua querendo as mudanças que Lula prometeu e não entregou”. Animado, reconhece que a candidatura “ajuda a levar a disputa para o segundo turno”, viabilizando o projeto de Alckmin.

Outra entusiasta da senadora é a jornalista Eliana Catanhêde, colunista da Folha de S.Paulo e uma tucana enrustida. Na sua coluna deste domingo, 23 de julho, ela elegeu a candidata como o principal estorvo do presidente Lula. “Contundente, mulher, nordestina e ‘do povo’, Heloísa Helena é o Lula de saia (apesar de usar calças jeans) e o Lula de antigamente – a mesma empatia, o mesmo calor, a mesma indignação”. Outro articulista do mesmo jornal, que se transformou em palanque da direita, mostra-se menos seduzido e mais isento. “Heloísa Helena caiu nas graças de uma parcela do que o governador Cláudio Lembo gosta de chamar de ‘elite branca’”, registra Fernando de Barros e Silva com base nas pesquisas eleitorais.

Um discurso adocicado

Outro fato inquestionável é que a candidata abrandou o seu discurso nas últimas semanas, talvez visando atrair os segmentos da classe média como originalmente sugeriu César Maia. Nas suas várias aparições no JN da TV Globo, sempre editadas tão carinhosamente – com a senadora carregando ramalhetes de flores, cercada de populares e beijando criancinhas –, ela já defendeu a “redução da carga tributária para a classe média e o setor produtivo”; diante da onda de violência urbana, ela pregou “uma repressão implacável ao crime organizado”; e reforçando o coro da mídia de satanização do presidente da Venezuela, afirmou que “se eu tiver a hora de chegar à Presidência, não manda no meu governo nem o Bush nem o Chávez”.

Segundo fontes confiáveis, este discurso tem preocupado várias correntes internas do PSOL – um partido que mais se assemelha a uma frente partidária, com cerca de dez agrupamentos no seu interior. HH já era vista com reservas no movimento feminista, devido a sua ativa posição contrária à descriminalização do aborto. “Não há nada mais primitivo do que o aborto”, costuma desdenhar a senadora. Também causava desconfiança a sua formação teórica. Ela gosta de se jactar que “aprendeu a ser socialista lendo a Bíblia”. Sua postura de cantora solo, que menospreza as instâncias coletivas de decisão, já causou alguns curtos-circuitos no comando da campanha. Para agravar os temores, agora ela resolveu adocicar seus discursos.

As divisões e turbulências no interior do PSOL, que talvez não apareçam antes do pleito presidencial por razões óbvias, tendem a se acirrar. Como tão bem caracterizou o sociólogo Emir Sader, este partido é “um estranho casamento de esquerdismo com eleitoralismo”. Nos próximos dias, o vice de HH, o economista César Benjamin, deverá apresentar a proposta de programa da coligação. Pelo que já circula na mídia, ela terá um nítido viés antineoliberal, o que deverá desagradar e irritar as correntes internas maximalistas que pregam o socialismo. O PSTU, partido coligado de forte marca principista, já tem soltado algumas farpas contra o que considera “o rebaixamento programático para agradar os setores médios da sociedade”.

Enquanto esta crise interna não transborda, Heloísa Helena continua percorrendo o país, sempre com a generosa exposição na mídia. Conforme registro da imprensa nesta segunda-feira, 24, “Heloísa concentra os ataques em Lula para atrair votos do PT”. Num encontro com pequenos empresários, ela simplesmente “poupou o candidato tucano, Geraldo Alckmin” e partiu para a baixaria udenista contra o atual presidente. Esta postura explica porque 39% dos seus simpatizantes afirmam que podem migrar para a candidatura de Alckmin. Na prática, independentemente das intenções dos valiosos lutadores sociais entusiastas da sua campanha, HH faz o jogo da direita ao possibilitar a realização do segundo turno da eleição presidencial.

Caso vire um risco real ao candidato tucano, a mesma mídia que hoje a beatifica fará de tudo para destruí-la - como já fez com um pobre “garotinho” que apareceu com chifres e rabo de demônio na abjeta revista Veja. A disputa sucessória no Brasil será dura e decisiva, inclusive por seus reflexos na América Latina. E a direita nativa e alienígena usará todas as armas disponíveis para retornar ao poder. Se, de fato, houver o segundo turno, PSOL, PSTU e PCB terão de explicar seu papel na disputa e estarão diante de um dilema crucial para o seu futuro: “Lula ou Alckmin, that’s the question”. Os zapatistas até agora não conseguiram explicar sua idílica “outra campanha” e a vitória eleitoral de Felipe Calderón, outro adepto do Opus Dei!
Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PcdoB, editor da revista Debate Sindical e autor do livro “As encruzilhadas do sindicalismo” (Editora Anita Garibaldi, segunda edição).

4. Mário Maestri escreve artigo sobre a Racialização do Brasil. Do site da revista Novae

A Racialização do Brasil
Mário Maestri*

A apresentação do Brasil como sociedade regida desde as origens pelas oposições raciais e não sociais exige violentação grosseira dos dados históricos, econômicos, demográficos, etc. A racialização da sociedade brasileira é operação ideológica arbitrária de profundas conseqüências sociais e políticos.

A própria ordem escravista foi regida por determinações sociais, ainda que a descriminação racial tenha desempenhado importante papel, parindo racismo anti-negro que se mantém mais de cem anos após 1888. Após a escravidão inicial de nativos, africanos e afro-descendentes constituíram essencialmente o braço feitorizado. Então, brancos e negros defrontaram-se em oposição, explícita ou implícita, apesar das reconstruções historiográficas sobre escravidão regida pela colaboração e concordância entre escravizadores e escravizados.

Durante o longo e doloroso período escravista, branco e negro foram sobretudo categorias sociais. Na escravidão, o branco era o proprietário escravizador e o negro o produtor escravizado. Mesmo se o branco possuísse eventualmente uma mais forte afro-descendência do que seu negro. No Brasil, ainda que minoritariamente, o escravista podia ser um africano ou um afro-descendente que se comportava com seu negro como qualquer outro branco.

Raça e classe

O que não quer dizer que a cor da pele não fosse determinante. Os cativos claros eram ocupados privilegiadamente nos mais leves trabalhos domésticos e não raro alcançavam mais facilmente a difícil alforria. Porém, podiam também ser açoitados preventivamente para que as marcas de castigo impedissem que desaparecessem facilmente entre a população livre mestiça.

Apesar de esforços historiográficos revisionistas, jamais houve solidariedade racial sólida por sobre as determinações de classe. Feitores e capitães-do-mato eram comumente africanos ou afro-descendentes. Os Terços dos Henriques, de oficiais, sub-oficiais e soldados negros, reprimiam quilombolas. A discriminação do cativo por negros e mulatos livres e pobres consolidou a escravidão.

As classes dominantes jamais trataram com deferência a escassa população branca que, denominada de chusma, vulgo, ralé, vegetou na miséria. Brancos pobres, mesmo vivendo à margem das vexações do cativeiro, conheceram condições de alimentação, vestuário, etc. inferiores às dos limitados segmentos superiores das classes escravizadas. Não raro, os brancos pobres amalgamaram-se social e racialmente à população livre de origem nativa e africana, enquanto africanos e afro-descendentes ricos se dissolveram entre os euro-descendentes, em restabelecimento permanente da correlação tendencial entre classe social e raça. O que não significa que negros não fossem penalizados e brancos privilegiados quanto à escassa mobilidade social da sociedade de classes do Brasil.

Brancos e negros explorados

A redução do Brasil a mundo de brancos ricos e privilegiados e negros pobres e discriminados exige igualmente a reconstrução arbitrária da história dos europeus imigrados, apresentada como categoria social mimada pelas classes dominantes. A imensa maioria dos imigrados chegou ao Brasil após a Lei de Terras [1850], sendo obrigada a pagar ao governo e a privados por terra nua desprovida de valor.

A economia colonial-camponesa apoiou-se no trabalhado familiar, não explorou ninguém e foi duramente explorada, sobretudo pelo capital comercial. A proposta do colono enriquecido no trabalho colonial é apologia classista e racista. A família colonial-camponesa trabalhou duramente sobretudo para manter-se.

Nas beiras das estradas e acampamentos dos sem-terra do sul e do oeste do Brasil confundem-se cabeças loiras e negras em depoimento incontestável de situação social que não exclui ninguém, ainda que privilegie negativamente os afro-descendentes, sobrecarregados pelos fardos herdados da escravidão – fragilidade familiar, baixa escolaridade, baixa instrução, racismo, etc.

A industrialização do Brasil apoiou-se também na exploração do operário de origem européia, que conheceu a repressão política e social e salários miseráveis. Essa população foi e continua sendo explorada, jamais tendo explorado alguém. A super-exploração do operariado negro é estratégia do capital para obter compressão geral do salário que golpeia toda a classe operária.

Zumbi como herói do trabalho

A racialização reinventa arbitrariamente o Brasil como aglomerado de comunidades étnicas, solidárias internamente por cima das diferenças sociais, vivendo uma ao lado da outra, sem interesses inter-grupais, negociando através de suas lideranças igualdade relativa de privilegiados e explorados. Ela propõe o culto de valores étnicos exclusivos, em geral produtos de verdadeira “invenção da tradição”.

A proposta etnicista do ensino da “cultura e da história negra” nas escolas abre lugar para que as diversas etnias nacionais – nativos, alemães, italianos, poloneses, etc. – exijam igualmente o ensino de suas culturas, histórias, tradições singulares, em dissolução do princípio de sociedade e de cultura nacional, solidária na sua diversidade, baseada no trabalho, instância unificadora da experiência humana.

Tal proposta resulta paradoxalmente no apequenamento e folclorização do passado afro-escravista, alicerce da nação brasileira. Reduz o cativo africano a mero ancestral do afro-brasileiro, negando seu status objetivo de ancestral sociológico de todo o brasileiro que se encontro subjetiva ou objetivamente no campo do trabalho, independente de sua origem étnica.

Não se trata de macaquear o etnicismo estadunidense, combatendo inutilmente o racismo com o convencimento do outro do valor de minha cultura. Não foram a música, o carnaval, o candomblé, etc., mas o trabalho e a luta pela liberdade, as contribuições centrais do negro cativo ao Brasil, como já proposto por Manuel Querino na pós-Abolição. Temos é que exigir que a cultura de classe reconheça a escravidão negra como a grande experiência demiúrgica da nacionalidade brasileira.

As cores do Brasil

A racialização do Brasil procede manipulação estatística ao propor que quase 50% da população nacional seja negra. O Brasil possui estados com forte população afro-descendente e outros dominados por descendentes de nativos e europeus. Em todos eles, existe forte população formada por intercruzamentos étnicos. Essa quase maioria é obtida somando-se como negros todos os brasileiros com alguma ascendência africana.

Nessa estranha adição, um brasileiro com três avós europeus e um afro-descendente é contado estatisticamente como negro. O que enseja a fusão de nacionais com forte afro-descendência, objetos da violência racista, e outros que, conforme a região e, sobretudo, a situação social, se têm e são em geral tidos socialmente como brancos.

Essa estranha matemática obriga os defensores da racialização do Brasil a propor que o pertencimento a uma comunidade étnica seja auto-definido. Kabegele Munanga propõe: “Se um garoto, aparentemente branco, declara-se como negro e reivindicar seus direitos, num caso relacionado com as cotas, não há como contestar.” Proposta que, no interior da própria lógica etnicista, descrimina os verdadeiros discriminados, de forte ascendência africana, reais objetos do racismo.

Os dois extremos sociais brasileiros são os muito ricos e os muito pobres, constituídos, majoritária mas não exclusivamente, por brancos e negros. A grande população é formada por brancos, negros, amarelos e mestiços, de origens nacionais diversas, em geral sem referências étnicas. Um mundo regido pelas diferenças de classe onde um patrão branco ou negro não concede qualquer privilégio ao trabalhador, por ser branco, ainda que o super-explore, por ser negro.

Direitos para todos

A proposta de racialização da sociedade fraciona o mundo do trabalho, enfraquecendo-o diante dos exploradores, unidos ferreamente por seus interesses. Para gáudio do grande capital, dificulta a união dos trabalhadores na luta por reivindicações substanciais possíveis de serem obtidas, no aqui e no agora, no Brasil de hoje.

A defesa de identidade racial por sobre os interesses de classe propõe como conquista dos segmentos oprimidos a promoção a privilegiados de membros de seu grupo étnico. Idéia interessante para os promovidos mas sem sentido para os excluídos. Não se trata de esperar que o bolo cresça, para dividi-lo, nem reparti-lo melhor entre os poucos sentados à mesa, deixando a maioria olhando a festa pela janela.

Por além da retórica etnicista, dobrar o salário mínimo, punir o trabalho informal, expandir o emprego, garantir o direito à saúde, educação, segurança, etc., são as únicas conquistas capazes de promover geral e substancialmente os imensos setores reduzidos a mais dura exploração, sejam afro-descendentes ou não.

Conquistas como salário, emprego, educação, saúde, habitação, lazer, etc, para todos, não englobam automaticamente a necessária luta contra o racismo, mas são a única base possível de emancipação dos grandes setores afro-descendentes empobrecidos, que não podem prosseguir por mais um século na marginalização, tendo como único consolo que, entre os privilegiados, haverá, agora, alguns afro-descendentes a mais.

* Mário Maestri, 58, dedica-se, há trinta anos, à história social da escravidão negra no Brasil. Escreveu, entre outros, O escravo no Rio Grande do Sul: trabalho, resistência, sociedade. [3 ed. Porto Alegre: EdUFRGS, 2006]. E-mail: maestri@via-rs.net

5. A discussão sobre a privatização das universidades federais volta à cena, com as chamadas “Fundações de apoio”. Serão elas as responsáveis pela mudança?

Fundações de apoio acusadas de privatizar universidades

Surgimento das chamadas fundações “de apoio” em certas áreas do serviço público fomentou a discussão do mais polêmico tema que envolve o futuro do ensino. Os defensores do modelo defendem sua flexibilidade; seus críticos o denunciam como privatização.
> LEIA MAIS Educação 26/07/2006
• Cursos pagos em universidades públicas são contestados na Justiça


INTERNACIONAL

A quase totalidade dos artigos desta seção refere-se ao conflito no Oriente Médio. Muitas opiniões podem ser observadas, mas há quase um consenso nas críticas à atuação de Israel.

1. Resposta de Israel foi desproporcional, afirma Salem Nasser, doutor em Política Internacional.
Leia em http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1080860-EI6580,00.html

2. Robert Fisk
Diário de uma semana na vida e morte de Beirute (clique sobre o resumo)
Israel faz um favor ao Líbano ao atacar o Hezbollah, diz um diplomata de Tel Aviv. Agora entendo. Os libaneses devem dar graças aos israelenses por destruir suas vidas e sua infra-estrutura. Devem agradecer todos os ataques aéreos e crianças mortas. Até onde pode chegar o auto-engano? - 26/07/2006

3. Leonardo Boff
O novo paradigma: a guerra infinita
Assistimos impotentes à tribulação da desolação do sem número de vítimas inocentes, de milhares de refugiados e da irracional destruição de toda a infra-estrutura de um país que acaba de se reconstruir da guerra anterior. Um mundo assim só pode nos levar à dessocialização e à guerra sem fim. - 26/07/2006

4. Israel se escora em resolução do G-8 para negar cessar-fogo
Saldo aviltante de mortos, resgate de brasileiros, reunião para discutir a formação de uma força internacional para intervir no conflito. No final das contas, Israel se vale do apoio do G-8 para manter ataques ao povo libanês. > LEIA MAIS Internacional 26/07/2006

5. Uso desproporcional de força?
Quando a ONU condena o uso desproporcional da força, considera o uso proporcional da força seria justo? O que seria um uso proporcional, neste caso? Seria possível um uso proporcional da força para bombardear a Beirute? > LEIA MAIS Política 26/07/2006

6. Flávio Aguiar
O impasse de Israel
Para construir uma paz duradoura no Oriente Médio, impedir os contínuos massacres de populações civis pelo terrorismo de Estado e o de grupos, e evitar o renascimento mundial do anti-setimitismo, é necessário dar um basta aos falcões do governo israelense. - 31/07/2006

7. Marco Aurélio Weissheimer
O silêncio do mundo
Em um artigo sobre a guerra no Líbano, Eduardo Galeano perguntou: o mundo está mudo? Até quando seguiremos aceitando que este mundo enamorado da morte é nosso único mundo possível? Considerando o silêncio com que o mundo assiste ao massacre, esse namoro com a morte parece ter um longo e promissor futuro pela frente. - 29/07/2006

8. Francisco Carlos Teixeira
O sorriso de Condoleeza Rice
“Condi” Rice preferiu tocar piano enquanto Beirute era bombardeada. Tal desprezo pela vida humana nem mesmo é original: um outro governante já tocara lira enquanto outra cidade queimava...Sempre sorridente, abriu os caminhos para o massacre de Qana. - 30/07/2006

Três artigos fora do contexto da guerra. Emir Sader (9) nos fala sobre o fracasso da rodada de Doha da OMC e as possibilidades que se abrem. Kild Jakobsen (11) também analisa o fracasso da reunião. E José Luis Fiori (10) faz um recuo no tempo para analisar um governo chinês do século XV, mas de interessante atualidade.

9. Emir Sader:
FSM: A hora das alternativas
O sistema de poder mundial está em crise. O fracasso da rodada de Doha, da OMC, e os focos de guerra que se espalham pelo mundo mostram isso. É a hora do FSM, que soube construir o espaço de luta por “um outro mundo possível”, de propor os caminhos para a construção desse mundo. - 27/07/2006

10. José Luís Fiori
Era uma vez um imperador chinês
Foi sob o reinado de Yung-Lo (1403-1424) que a Dinastia Ming alcançou seu maior brilho, projetando o poder e a influência da China no mundo. Mas não foi fácil. O ministro da Fazenda Hsia Yüan-Chi tentou barrar a construção de Pequim e as expedições marítimas, em nome do “equilíbrio fiscal”. Acabou preso, ainda que por pouco tempo. - 21/07/2006

11. Kjeld Jakobsen
Nenhum acordo é melhor que um mau acordo
Fracassou mais uma tentativa de acordo na OMC. A rigor não foi nenhuma surpresa, dado o histórico da Rodada Doha e o insistente esforço dos países ricos para tirar vantagens das economias em desenvolvimento, sem contrapartidas. - 01/08/2006

NUESTRA AMERICA

O Chile tem sido descrito como o mais completo e bem sucedido exemplo de aplicação das idéias Neoliberais. Nesta entrevista, a gente pode perceber que as coisas não estão tão bem assim por aquelas bandas....

ENTREVISTA – THOMAS HIRSCH
“No Chile a macroeconomia vai muito bem. Mas as pessoas não comem macroeconomia”
Candidato a presidente pela esquerda chilena critica governo de Michele Bachelet, avalia situação do país e diz à Carta Maior: “Lá, o Partido Socialista não tem nada de socialista”.
> LEIA MAIS Internacional 27/07/2006

SITES INTERESSANTES

Veja o número 6 da revista Honoris Causa – uma página dedicada à educação, de minha amiga Maria Tereza Armonia: http://www.revistahonoriscausa.org/

LIVROS E REVISTAS

1. Nas bancas o número 34 da revista História Viva. Dossiê sobre o apogeu do mundo feudal e artigos sobre Mata Hari - jesuítas na Índia no século XVI - charges no Brasil republicano - o ouro, desde a época dos sumérios – as mulheres do Irã do século XVI – Watergate -

NOTICIAS

1. o Atelier/Escola Arte Minas estará oferecendo dois dos quatro módulos que compõem o curso de História da Arte, conforme segue:

1o. módulo: Da arte dos primórdios à Pré-Renascença
2o. módulo: Da Renascença ao Pós-Impressionismo (final do século XIX)

3o. módulo: Arte Moderna e vanguardas da primeira metade do século XX

4o. módulo: Arte Contemporânea (da Pop Art à atualidade)

Obs.: No próximo semestre, as aulas começarão na primeira semana de agosto e irão até o final de novembro (4 meses) e serão oferecidos apenas os seguintes módulos (os outros serão oferecidos em 2007):

- 2o. (aulas semanais às terças-feiras, das 19hs às 22hs)

- 4o. (aulas semanais às quintas-feira, das 19hs às 22hs)

Cada módulo possui a duração de um semestre letivo, ou seja, aproximadamente 4/5 meses. Os módulos são independentes, embora complementares.

Valor da mensalidade: R$140,00. Telefones para contato:
3297-3794 (atelier) / 9163-6020 (Léa) / 9163-7370 (Alderico).

2. O Comitê Técnico Científico da CAPES, reunido no dia 12 de julho último, aprovou proposta do CPDOC criando um mestrado acadêmico e um doutorado em História, Política e Bens Culturais. Os dois cursos deverão entrar em funcionamento já no próximo ano, com as seguintes áreas de concentração: Cidadania e políticas públicas; História política do Brasil Republicano; Memória, acervos e bens culturais.
A aprovação destes novos cursos consolida a presença do CPDOC na área de pós-graduação stricto sensu, já iniciado com a abertura do Mestrado Profissional em Bens Culturais e Projetos Sociais

3. Estão abertas as inscrições para o terceiro Programa de Bolsas do Instituto Cultural Amilcar Martins (ICAM) em parceria com a USIMINAS, que concederá auxílio financeiro e institucional a estudantes matriculados em programas de mestrado e doutorado, cujos projetos de dissertação abordem a história de Minas Gerais. Para concorrer é preciso se inscrever entre 15 de junho e 15 de agosto através de formulário eletrônico no site http://www.icam.org.br/.
Informações: (31) 3274-6666.

4. PÓS-GRADUAÇÃO EM ESTUDOS AFRICANOS E AFRO-BRASILEIROS
Inscrições abertas: http://www.iec.pucminas.br/
Há possibilidade de bolsas de estudos ao longo do curso.
Turma 1 (2005): 05 alunos bolsistas
Turma 2 (2005/2006): 100% de alunos bolsistas
Turma 3 (2006/2007): em negociação


INFORME ANPUH 13/2006

1. Site do XXIV SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA (2007)Informamos aos associados e colegas que o site do XXIV Simpósio Nacional de História, a se realizar em julho de 2007, entrará no ar na próxima terça-feira, dia 8/8. Nele estarão já disponíveis informações sobre a proposição de simpósios temáticos e mini-cursos para o evento.

2. EVENTOS

(a) Foi prorrogado até 10/8 o prazo para inscrição de propostas de simpósio temático e mini-cursos do X Encontro Regional da Anpuh-PR.

(b) Colóquio de História da Historiografia e Teoria da História - Universidade Federal de Juiz de Fora - MG - Brasil; Expositores: José Carlos Reis (UFMG), Jurandir Malerba (UNESP), Valdei Lopes de Araújo (UFOP), Luciano Migliaccio (USP), Cassio da SilvaFernandes (UFJF), Sérgio da Mata (UFOP), Pedro Caldas (UFU), Manuel Luís Salgado Guimarães (UFRJ) e Edgar De Decca (UNICAMP); Data: 1 a 3 de agosto de 2006; Informações: (32) 3229-3101/3102 cassiofer@hotmail.com

(c) V Ciclo de Palestras do Arquivo Público Mineiro: O documento na sala de aula: leitura paleográfica e produção de material didático.

Data: 7 e 8 de agosto de 2006. Local: Auditório da Biblioteca Estadual Luiz de Bessa, Praça da Liberdade, 21 Programação: Dia 7: 9: 30 -10:20. Palestra: “O documento na sala de aula”, Prof. Dra. Thais Nivia de Lima e Fonseca (UFMG).10: 30 – 12:00. Treinamento em leitura paleográfica I, Maria José Ferro de Sousa e Maria Teresa Gonçalves Pereira (UFOP). 14:00 –18:00. Treinamento em leitura paleográfica II, Maria José Ferro de Sousa e Maria Teresa Gonçalves Pereira (UFOP). Dia 8: 9:30 -12:00. Treinamento na elaboração de apostilas de história de Minas Gerais, Profa. Thábata Araújo de Alvarenga (Centro Universitário Newton Paiva).
Inscrições até o dia 04 de agosto. Valor: R$10,00. Local de Inscrição: Arquivo Público Mineiro Avenida João Pinheiro, 372 Telefone: 3269-1167 e-mail: daip.apm@cultura.mg.gov.br

3. DEFESA DE DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
O Programa de Pós-graduação em História Comparada da UFRJ anuncia que acontecerá no dia 03/8, às 14h, na sala 320F – 3º andar - do IFCS, na cidade do Rio de Janeiro, a defesa da dissertação de mestrado de Rosana Marins dos Santos Silva intitulada: “Pluralidade e Conflito. As revoltas Judaicas e a Ideologia do Poder. Uma História Comparada das Guerras Judaicas entre os séc. II a.E.C e I.E.C”. O Prof. Dr. André Leonardo Chevitarese é o orientador.

4. CURSO
Mini-Curso: HISTÓRIA ARGENTINA CONTEMPORÂNEA - com Luiz Alberto Romero (Professor Titular da Facultad de Filosofía y Letras de la Universidad de Buenos Aires, Diretor do Centro de Estudos de História Política e da Escola de Política e Gobierno de la Universidad Nacional de General San Martín), nos dias 9, 10 e 11 de agosto de 2006, de 15 a 18 horas - Local: IFCS / UFRJ - Largo de São Francisco - Centro - Rio Sala da Pós - 2º andar. Inscrições gratuitas no Departamento de História da UFRJ. Promoção: Anpuh-Rio e Programa de Pós-Graduação em História Social do Departamento de História da UFRJ.

5. CONCURSO
Estarão abertas, no período de 25/07/06 a 25/08/06, as inscrições para o processo de seleção para provimento de duas vagas para o cargo de Professor Adjunto do Programa de Mestrado em História Social da USS, a serem alocados na Linha de História Política do Programa. Para maiores informações sobre o processo seletivo: Rua Dr. Fernandes Jr. n. 89, 2°andar, Centro, Vassouras - RJ. Telefone: 24 2471 - 8272. E–mail: http://br.f373.mail.yahoo.com/ym/Compose?To=cpmh@uss.br. De segunda à sexta, das 8:00 às 12:00 horas e das 14:00 às 18:00 horas.

6. LANÇAMENTO DE REVISTAS
Lançada no final do mês passado, a edição nº10 (julho) da Revista de História da Biblioteca Nacional, traz como destaques artigos sobre a resistência indígena em Minas Gerais no século XVIII, a epopéia da Fordlândia na Amazônia e as conflitantes relações entre escravos e senhores durante a Conjuração Baiana de 1798, entre outros assuntos.

7. LANÇAMENTO DE LIVROS
(a) Foi lançado no dia 01/8 o livro "Preso por Trocadilho: a imprensa de narrrativa irreverente paulista 1900-1911 (SP: Alameda casa Editorial, 2006), de Paula Ester Janovitch. Para mais informações sobre o livro, acesse www.alamedaeditorial.com.br

(b) Ocorreu nesta terça-feira, dia 02/8, o lançamento do livro "Entre o amor ao Brasil e ao modo de ser alemão: a história de uma liderança étnica, 1868-1950" (Porto Alegre: Oikos/ANPUH-RS, 2006), de Haike Roselane Kleber da Silva.

(c) A Alameda Casa Editorial está lançando os livros da Série Teses e Série Coletânea do Programa de Pós Graduação da História Social da USP. São eles: "Ordem e burla", de André Rosemberg; "As Cartas de Capistrano de Abreu", de Fernando Amed; "A história na política, a política na história", de Cecília Helena de Salles Oliveira, Maria Lígia Coelho Prado e Maria Lourdes de Monaco Janotti; "Versão brasileira", de Irene Hirsh. Para uma breve sinopse das obras, acesse www.alamedaeditorial.com.br

(d) Foi lançado no último dia 29 de jullho o livro "A CIDADE-EXPOSIÇÃO: Comércio e Cosmopolitismo em São Paulo, 1860-1914" (SP: Eusp, 2006) de Heloisa Barbuy, pesquisadora do Museu Paulista da USP - Museu do Ipiranga. A autora analisa o microterritório formado pelas três principais ruas comerciais na passagem do século XIX para o XX - ruas 15 de Novembro, Direita e de São Bento, que compunham o chamado Triângulo - tendo como eixo as casas de comércio da região. Para contatos com a autora: hbarbuy@usp.br
Visite nosso Site : http://www.anpuh.org/

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