Boletim Mineiro de História

Boletim atualizado todas as quartas-feiras, objetiva trazer temas para discussão, informar sobre concursos, publicações de livros e revistas. Aceita-se contribuições, desde que versem sobre temas históricos. É um espaço plural, aberto a todas as opiniões desde que não contenham discriminações, racismo ou incitamentos ilegais. Os artigos assinados são de responsabilidade única de seus autores e não refletem o pensamento do autor do Boletim.

17.2.10

Numero 222



Carnaval é momento de alegria para muitos, reflexão para outros, mortes para dezenas (principalmente no trânsito) e, como sempre, um determinado show que, em muitos casos, é um verdadeiro show de horrores.
A transmissão dos desfiles do Rio de Janeiro, descritos de forma apoteótica como o maior show do planeta é feita, há dezenas de anos, de forma exclusiva pela Rede Globo. Eu assisti a muitos, mas confesso que desde uns três anos não tenho tido a paciência para ver mais. Não que o espetáculo não seja bonito. Realmente é.
Pode-se questionar uma série de coisas, mas é um espetáculo bonito, que dá trabalho a milhares de pessoas, que traz turistas, etc e tal...
Mas cansa ver a insistência dos repórteres que apresentam os desfiles. Eles teimam em fazer entrevistas com figurantes, passistas, rainhas das baterias... na hora em que o desfile vai começar, e imagino eu, perto, muito perto, de um barulho infernal produzido pelas baterias das escolas.
No domingo presenciei uma cena surrealista, logo na primeira escola a ser mostrada.
A repórter global, protegidos seus ouvidos com um abafador de som, chega junto a uma moça, que me pareceu ser a rainha da bateria e ai aconteceu o seguinte:
Repórter – Há quanto tempo você desfila na frente da bateria?
A moça – (cara de interrogação... creio que não ouviu nada da pergunta, porque o som era fortíssimo)
Repórter – (insistindo e chegando com o microfone bem perto da boca da moça) – Há quantos anos você desfila?
A moça – Ah!!! Eu fiz 36 anos!
Repórter – (deu um sorriso e se retirou)

O assunto foi encerrado, ela chamou outro repórter e ficamos sabendo a idade da passista, mas não o tempo em que ela desfila.

Fico realmente pasmo com a qualidade dos repórteres de hoje.
Mas, enfim, somos todos Simpsons, não somos?




Recebi este email de uma amiga, indignada. Não é para menos! É incrível verificar como existem pessoas que se aproveitam das crises, da confusão mental das pessoas menos instruídas e do desespero, para lucrar. Não me refiro, claro, ao que os dois jornalistas fizeram, porque o que eles queriam era justamente denunciar a facilidade com que se permite a criação de “igrejas” que nada mais são do que disfarces para atividades ilícitas de extorsão dos poucos recursos de pessoas mais humildes.

O primeiro milagre do heliocentrismo
Hélio Schwartsman - Folha de São Paulo, 03/12/2009

"Eu, Claudio Angelo, editor de Ciência da Folha, e Rafael Garcia, repórter do jornal, decidimos abrir uma igreja. Com o auxílio técnico do departamento Jurídico da Folha e do escritório Rodrigues Barbosa, Mac Dowell de Figueiredo Gasparian Advogados, fizemo-lo.

Precisamos apenas de R$ 418,42 em taxas e emolumentos e de cinco dias úteis (não consecutivos). É tudo muito simples. Não existem requisitos teológicos ou doutrinários para criar um culto religioso. Tampouco se exige número mínimo de fiéis.
Com o registro da Igreja Heliocêntrica do Sagrado EvangÉlio e seu CNPJ, pudemos abrir uma conta bancária na qual realizamos aplicações financeiras isentas de IR e IOF. Mas esses não são os únicos benefícios fiscais da empreitada. Nos termos do artigo 150 da Constituição, templos de qualquer culto são imunes a todos os impostos que incidam sobre o patrimônio, a renda ou os serviços relacionados com suas finalidades essenciais, as quais são definidas pelos próprios criadores. Ou seja, se levássemos a coisa adiante, poderíamos nos livrar de IPVA, IPTU, ISS, ITR e vários outros "Is" de bens colocados em nome da igreja.

Há também vantagens extratributárias. Os templos são livres para se organizarem como bem entenderem, o que inclui escolher seus sacerdotes. Uma vez ungidos, eles adquirem privilégios como a isenção do serviço militar obrigatório (já sagrei meus filhos Ian e David ministros religiosos) e direito a prisão especial."

VEJA MAIS EM http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u660688.shtml
Só para ilustrar: Alguns curiosos nomes de “igrejas” no Brasil …
- Igreja da Água Abençoada
- Igreja Adventista da Sétima Reforma Divina
- Igreja da Bênção Mundial Fogo de Poder
- Congregação Anti-Blasfêmias
- Igreja Chave do Éden
- Igreja Evangélica de Abominação à Vida Torta
- Igreja Batista Incêndio de Bênçãos
- Igreja Batista Ô Glória!
- Congregação Passo para o Futuro
- Igreja Explosão da Fé
- Igreja Pedra Viva
- Comunidade do Coração Reciclado
- Igreja Evangélica Missão Celestial Pentecostal
- Cruzada de Emoções
- Igreja C.R.B. (Cortina Repleta de Bênçãos)
- Congregação Plena Paz Amando a Todos
- Igreja A Fé de Gideão
- Igreja Aceita a Jesus
- Igreja Pentecostal Jesus Nasceu em Belém
- Igreja Evangélica Pentecostal Labareda de Fogo
- Congregação J. A. T. (Jesus Ama a Todos)
- Igreja Evangélica Pentecostal a Última Embarcação Para Cristo
- Igreja Pentecostal Uma Porta para a Salvação
- Comunidade Arqueiros de Cristo
- Igreja Automotiva do Fogo Sagrado
- Igreja Batista A Paz do Senhor e Anti-Globo
- Assembléia de Deus do Pai, do Filho e do Espírito Santo
- Igreja Palma da Mão de Cristo
- Igreja Menina dos Olhos de Deus
- Igreja Pentecostal Vale de Bênçãos
- Associação Evangélica Fiel Até Debaixo D’Água
- Igreja Batista Ponte para o Céu
- Igreja Pentecostal do Fogo Azul
- Comunidade Evangélica Shalom Adonai, Cristo!
- Igreja da Cruz Erguida para o Bem das Almas
- Cruzada Evangélica do Pastor Waldevino Coelho, a Sumidade
- Igreja Filho do Varão
- Igreja da Oração Eficiente
- Igreja da Pomba Branca
- Igreja Socorista Evangélica
- Igreja ‘A’ de Amor
- Cruzada do Poder Pleno e Misterioso
- Igreja do Amor Maior que Outra Força
- Igreja Dekanthalabassi
- Igreja dos Bons Artifícios
- Igreja Cristo é Show
- Igreja dos Habitantes de Dabir
- Igreja ‘Eu Sou a Porta’
- Cruzada Evangélica do Ministério de Jeová, Deus do Fogo
- Igreja da Bênção Mundial
- Igreja das Sete Trombetas do Apocalipse
- Igreja Barco da Salvação
- Igreja Pentecostal do Pastor Sassá
- Igreja Sinais e Prodígios
- Igreja de Deus da Profecia no Brasil e América do Sul
- Igreja do Manto Branco
- Igreja Caverna de Adulão
- Igreja Este Brasil é Adventista
- Igreja E.T.Q.B (Eu Também Quero a Bênção)
- Igreja Evangélica Florzinha de Jesus
- Igreja Cenáculo de Oração Jesus Está Voltando
- Ministério Eis-me Aqui
- Igreja Evangélica Pentecostal Creio Eu na Bíblia
- Igreja Evangélica A Última Trombeta Soará
- Igreja de Deus Assembléia dos Anciãos
- Igreja Evangélica Facho de Luz
- Igreja Batista Renovada Lugar Forte
- Igreja Atual dos Últimos Dias
- Igreja Jesus Está Voltando, Prepara-te
- Ministério Apascenta as Minhas Ovelhas
- Igreja Evangélica Bola de Neve
- Igreja Evangélica Adão é o Homem
- Igreja Evangélica Batista Barranco Sagrado
- Ministério Maravilhas de Deus
- Igreja Evangélica Fonte de Milagres
- Comunidade Porta das Ovelhas
- Igreja Pentecostal Jesus Vem, Você Fica
- Igreja Evangélica Pentecostal Cuspe de Cristo
- Igreja Evangélica Luz no Escuro
- Igreja Evangélica O Senhor Vem no Fim
- Igreja Pentecostal Planeta Cristo
- Igreja Evangélica dos Hinos Maravilhosos
- Igreja Evangélica Pentecostal da Bênção Ininterrupta
- Assembléia de Deus Batista A Cobrinha de Moisés
- Assembléia de Deus Fonte Santa em Biscoitão
- “Igreija” Evangélica Muçulmana Javé é Pai
- Igreja Abre-te-Sésamo
- Igreja Assembléia de Deus Adventista Romaria do Povo de Deus
- Igreja Bailarinas da Valsa Divina
- Igreja Batista Floresta Encantada
- Igreja da Bênção Mundial Pegando Fogo do Poder
- Igreja do Louvre
- Igreja Evangélica Batalha dos Deuses
- Igreja Evangélica do Pastor Paulo Andrade, O Homem que Vive sem Pecados
- Igreja Evangélica Idolatria ao Deus Maior
- Igreja MTV, Manto da Ternura em Vida
- Igreja Pentecostal Marilyn Monroe
- Igreja Quadrangular O Mundo É Redondo
- Igreja Evangélica Florzinha de Jesus (Londrina – PR)
- Igreja Pentecostal Trombeta de Deus (Samambaia – DF)
- Igreja Pentecostal Alarido de Deus (Anápolis – GO)
- Igreja pentecostal Esconderijo do Altíssimo (Anápolis – GO)
- Igreja Batista Coluna de Fogo (Belo Horizonte – MG)
- Igreja de Deus que se Reúne nas Casas (Itaúna – MG)
- Igreja Evangélica Pentecostal a Volta do Grande Rei (Poços de Caldas – MG)
- Igreja Evangélica Pentecostal Creio Eu na Bíblia (Uberlândia – MG)
- Igreja Evangélica Pentecostal Sinal da Volta de Cristo (Três Lagoas – MS)
- Igreja Evangélica Assembléia dos Primogênitos (João Pessoa -PB)
- Ministério Favos de Mel (Rio de Janeiro – RJ)
- Assembléia de Deus com Doutrinas e sem Costumes (Rio de Janeiro – RJ)

Espantoso, não?


MISCELÂNEA
Guernica de Pablo Picasso em versão 3D:
Artista nova-iorquina, Lena Gieseke, aplica modernas técnicas de infografia digital e renova a mensagem do renomado pintor espanhol
CONVERSA CAPPUCCINO
Ricardo Salles, historiador da UNIRIO, é o entrevistado da vez. Ele fala sobre Guerra do Paraguai, ANPUH e muito mais!
CAFÉ EXPRESSO NOTÍCIAS
Confrontos marcam 65 anos do bombardeio aliado contra Dresden
Cidade francesa evacua habitantes para desativar bomba da Segunda Guerra Mundial
CINE HISTÓRIA
Coco Antes de Chanel - a história de Gabrielle “Coco” Chanel, que começa a vida como uma órfã teimosa, e, ao longo de uma jornada extraordinária, se torna a lendária estilista de alta-costura que personificou a mulher moderna e se tornou um símbolo atemporal de sucesso, liberdade e estilo.
FOTO IMPERDÍVEL
Gil,Torquato Neto, Nana Caymmi e outros na passeata dos Cem Mil (RJ)
http://cafehistoria.ning.com/photo/giltorquato-neto-nana-caymmi-e?context=latest
GALERIA CAFÉ HISTÓRIA
August Macke (1887-1914), um vendaval no impressionismo e do pós-impressionismo.
Visite Cafe Historia em:
http://cafehistoria.ning.com/?xg_source=msg_mes_network


Saiu o Edital do primeiro de 5 concursos para o curso de História da Unifesp. Este é para História, Cultura Material e Museus. Os outros editais, que devem sair nas próximas semanas, serão para: História do Brasil Colônia, História Antiga, História Medieval e Teoria da História.Para maiores informações e inscrição: http://concurso.unifesp.br/


-O IX Encontro da ANPHLAC (Associação Nacional de Pesquisadores em História das Américas) ocorrerá em Goiânia, entre os dias 26 e 29 de julho. As inscrições para o evento encontram-se abertas até o dia 20/02/2010.


Uma coisa que me causou admiração quando fui a primeira vez ao Museu do Louvre, foi ver vários pintores, com seus cavaletes e tintas, postados dentro do museu, reproduzindo quadros famosos. Isso se repetiu em outros museus também. Era uma situação que eu nunca presenciara aqui no Brasil. Também a presença de professoras com crianças, algumas de 7, 8 anos, todas sentadas, caladinhas, escutando a professora dissertar sobre algum quadro. E adolescentes, que buscavam reproduzir quadros e dados de pintores.
Fiquei imaginando quando se poderia ver coisas parecidas por aqui...


Livro Práticas socioculturais como fazer histórico: abordagens e desafios teórico-metodológicos (Org. Geni Rosa Duarte; Méri Frotscher; Robson Laverdi), publicado pela Edunioeste (2009).

A proposta deste livro, pensando a cidade a partir de múltiplas práticas e linguagens, é fruto de proposta desenvolvida pela linha de Pesquisa Práticas Culturais e Identidades, do Programa de Mestrado em História da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. O conjunto de dez capítulos apresenta caminhos de pesquisa e de abordagem das práticas socioculturais, captadas a partir de sua historicidade e entendidas como constituintes da própria história.
Nos quatro primeiros, as cidades são apreendidas historicamente, seja através das memórias e dos viveres dos seus habitantes, dos projetos de controle e de gestão da habitação, das formas como são apreendidas pela imprensa, da sua relação com a cultura impressa. São cidades experimentadas, mas também expressas, cidades vividas, mas também pensadas. São cidades palco de intervenções nas formas de habitar, circular, viver, e também de afirmação de territorialidades e reivindicações por inserções socioculturais.
Os demais artigos apreendem dinâmicas sociais e culturais expressas no urbano articuladas a múltiplas formas de expressão, como o cinema, a música, a literatura e o teatro. Estas práticas não são pensadas em vinculações exclusivas no nível das diferentes linguagens, mas a partir de sua constituição e do seu papel constituinte do social. Neste livro o leitor poderá encontrar discussões sobre o dilema entre as exigências da arte e as demandas do público, sobre o popular e o erudito, o popular e o nacional, dialogando com tradições e temporalidades, com mudanças e hibridizações
.



O Brasil, entre o passado e o futuro
Em uma co-edição da Boitempo e da Editora da Fundação Perseu Abramo, o livro "Brasil, entre o passado e o futuro" busca contribuir com o debate sobre o que virá após o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para tanto, contou com a colaboração de alguns intelectuais – integrantes do governo ou não – que nunca deixaram de pensar e sistematizar ideias sobre o processo em curso no país: Marco Aurélio Garcia, Emir Sader, Marcio Pochmann, Guilherme Dias, Luiz Dulci, Nelson Barbosa, José Antonio Pereira de Souza e Jorge Mattoso.
Leia mais em http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16396&boletim_id=646&componente_id=10790




A inserção do Brasil e da América do Sul na segunda década do século XXI


Meu sobrinho Leo me envia este belo vídeo.
Uma mensagem fundamental para todos que viajam, principalmente nesses feriados prolongados:

http://www.youtube.com/watch?v=h-8PBx7isoM


"Idades da História" tem o mérito de explorar as variedades da cena historiográfica ocidental em uma longa sucessão temporal que vai dos fins da Idade Média aos inícios da era industrial. Como afirma o autor acerca da abrangência de seu livro, busca-se “ressaltar a diversidade de gêneros e modos de se escrever História ao longo de três ou quatro séculos”. Desde os primeiros traços, percebe-se o empenho com a precisão conceitual, com a análise das fontes, com o rigor da argumentação, com a necessidade de burlar, tanto quanto possível, as armadilhas deixadas pelo anacronismo, componente sempre tão traiçoeiro quanto comprometedor da pesquisa histórica. Outro elemento a se destacar em Idades da História é o amplo e aprofundado diálogo que MarcosAntônio Lopes estabelece com autores vários, revelando invejável erudição e domínio temático da história da historiografia, instrumentos colocados em prática para traduzir e revelar aos leitores atuais estilos literários,concepções de tempo histórico e formas de racionalidade há muito desfeitos pela ação corrosiva da história.
JOSÉ D’ASSUNÇÃO BARROS
Autor: Marcos Antônio Lopes
Editora: Edipucrs
R$ 32,00
128 páginas

Outro vídeo interessante pode ser visto no Blog do Mello
Brizola: 'Cuidado com as Organizações Globo'
Peguei do excelente blog do Brizola Neto, Tijolaço, inspirado nos que seu avô Leonel Brizola publicava nos jornais. É da campanha de 1989, mas continua atual. Ou está mais atual ainda.
http://blogdomello.blogspot.com/2010/02/brizola-cuidado-com-as-organizacoes.html



A Literatura serve para quê?
por Gislaine Becker

Para que serve a Literatura? Era a pergunta que o professor Praxedes fazia em seu artigo e que vou tentar responder fazendo uma análise do sistema educacional até chegar ao ensino da Literatura.

LEIA NA ÍNTEGRA:



Quem é a elite dirigente brasileira, hoje?
Entrevista especial com Maria Celina Soares D'Araújo
(IHU - Unisinos)
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&cod=45065&lang=PT




Abaixo, a terceira parte do artigo do prof. Wellington Fontes Menezes sobre a educação no estado de São Paulo. No final, há links para os dois anteriores, caso você não tenha lido nos boletins passados.

O “Processo Imbecilizador” da educação em SP (3)

Escrito por Wellington Fontes Menezes
11-Fev-2010
3. O chamado para a "jihad educacional"

Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor.
(Johann Goethe)
A situação da rede pública estadual de ensino só não é pior porque já se tornou impossível piorá-la! O fundo do interminável poço da Educação Básica em São Paulo já foi atingindo com méritos tucanos. Restam ao docente dois caminhos antagônicos, entre os quais deverá optar: continuar na servidão da via crúcis ou ser mais um "mujahid" para a "jihad educacional". Uma analogia com o Islã é pertinente dentro do atual quadro de desespero em que se encontra a Educação Básica, e aqui se fará um exercício de reflexão.
A palavra árabe jihad (literalmente se traduz por "luta") significa lingüisticamente "esforço" ou "empenho" (tal termo pode ser usado por muçulmanos ou não-muçulmanos) e não se trata de uma insana "guerra santa" (como preconceituosamente foi tachada pelos colonizadores europeus durante a Idade Média em batalhas religiosas contra os seguidores do Corão e do Profeta Maomé)
Desta maneira, a Jihad seria uma luta por vontade pessoal da busca e conquista da fé. Logo, o mujahid é o seguidor da Jihad. De forma análoga, cada professor consciente de seu papel social será um mujahid neste processo de luta contra a terra arrasada imposta pelas seguidas políticas tucanas de destruição da educação pública.
Agora, no mês de janeiro, em plenas férias do quadro docente, o governo implanta seu processo seletivo onde apenas 25% dos melhores colocados adicionarão alguns trocados ao seu provento mensal (isto é, para quem eventualmente conseguir atingir as megalômanas metas impostas no projeto). O primeiro passo para o eleitoral ano de 2010 seria o boicote às débeis provinhas de promoção. Nenhum professor poderia dar aval para este descalabro neurótico promovido pela PLC 29/09 sob pena de estar contribuindo para a insanidade da dupla Serra/Paulo Renato. Cada professor que busque dignificar sua profissão não poderá sucumbir ao processo de submissão voluntária em trocas de algumas supostas migalhas. É pura ilusão acreditar que irão conseguir superar as mirabolantes condicionantes exigidos pela PLC 29/09 para conquistar algum naco de salário pela via estúpida de provinhas. Ressaltando, aqui se trata de aplicação do processo de provas para a classe docente em pleno período de suas férias! Para alertar aos conservadores de plantão, isto não significa que os professores não são capazes de fazerem provas ou bobagens similares, mas sim que o projeto foi elaborado propositadamente para que os docentes de fato não consigam passar pelo processo seletivo.
Seria o projeto um emaranhado de imposições nefastas cujo objetivo é apenas humilhar os professores? Sim, sem dúvida! Bastaria uma simples leitura do projeto para entender seu caráter ordinário e inverossímil! Ademais, não se pode imputar aos docentes uma prova para ganhar nacos de aumento, uma vez que fere de antemão a isonomia salarial da categoria. Cabe aos sindicatos, em particular a APEOESP, boicotar jurídica, política e fisicamente este processo de provinhas e buscar criar condições mínimas para o docente observar reflexivamente no espelho suas condições de trabalho e sobrevida. A simples acomodação a tal processo será a lápide que ornará o fim da categoria docente como norteadores e propulsores de lampejos de esperança social. Notadamente, o mero apelo ao desconhecimento dos fatos não servirá como alívio para a prostrada acomodação, como observa Guiorgui V. Plekhanov: "[...] os homens adquirem consciência de sua situação com um atraso maior ou menor em relação ao desenvolvimento das novas relações que modificam essa situação".
Tal situação não se trata mais do como se chegou ao fundo do poço, mas como a classe docente sairá deste lamaçal histórico promovido pelas mentes disformes da SEE-SP e a ninhada tucana. Dizer "NÃO" para as benditas "provinhas" também é dizer um grande "SIM" para a dignidade do professor. Dizer "NÃO" para o processo imbecilizador da carreira docente é também dizer um fértil "SIM" para o olhar responsável do docente perante sua categoria e ambiente de trabalho. Dizer "NÃO" ao processo de destruição fascista da educação pública pela administração tucana é dizer um enfático "SIM" para a construção de um novo modelo de dignidade para a educação pública.
A luta pela dignidade e melhores condições de vida é a própria luta pela emancipação humana. Logo, cabe a todos os professores da rede pública a adoção do boicote sistemático e a não contribuição que avaliza as tais "provinhas" do processo seletivo do governo Serra. O boicote é uma forma de resistência e luta em favor da escola pública e da dignidade da carreira docente.
Contra a opressão é necessária a sublevação. Destaca-se pertinentemente que, para transformar a condição humana de sua passividade sistêmica, é necessário fazer uma revolução. As palavras de Karl Marx endossam a argumentação: "a coincidência da mudança das circunstâncias com a atividade humana, ou mudança dos próprios homens, pode ser concebida e entendida racionalmente como prática revolucionária". Portanto, a jihad educacional proposta é o único caminho para buscar a dignidade usurpada por anos de destruição do sistema educacional pela ordinária política tucana.
Clique aqui para ler a primeira parte
Clique aqui para ler a segunda parte
Wellington Fontes Menezes é professor da rede pública.

1 Comentários:

  • Às 6:01 PM , Blogger Meg Mamede disse...

    Oi querido Ricardo, acabo visitar o boletim e entre muitos dos assuntos que vi no boletim desta semana gostaria de fazer um pequeno comentário sobre a questao dos museus que você abordou mencionando o Louvre e outros. Como sabe esse é um assunto que me interessa muitíssimo e continuo batendo na mesma tecla, a questao da educaçao para o patrimônio é fundamental e isso começa de pequeno... Quem nao valoriza o entorno jamais vai saber aproveitar um visita a qualquer que seja o espaço destinado à cultura, à memória ou à história, sempre vai imaginar e dizer que Museu lugar de velharia e de passado... sem se dar conta que esses sao ítens indispensáveis para compreensao do presente e reflexao sobre o futuro... chegar a fruiçao entao!! isso é para poucos. Essas coisas nao dependem de berço nao, qualquer cidadezinha, lugarejo, por mais simples e remoto que seja tem algum "bem" guardado, algum patrimonio a ser cuidado e mostrado, seja material, imaterial, natural, artistico ou histórico, falta apropriaçao. Quando atingirmos, me refiro ao Brasil, alguma maturidade nesse quesito, talvez possamos ter museus com menos seguranças em cima na hora da visita, num ambiente mais agradável e proprício ao deleite, alunos interesados, espaço para a observaçao e aprendizado, famílias desfrutando do ócio cultural. Ainda assim amo os Museus, Igrejas e Instituiçoes que visitei no Brasil e tenho conciencia que há muita gente boa empenhada em promover trabalhos voltados para educaçao patrimonial, arte educaçao, etc em nosso país. Abs desde Euskadi.

     

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